Não Compre meu Amor
10 Ganímedes
Notas iniciais
Aiolia puxava Mu para acompanhá-lo através da floresta. As árvores eram espaçadas, mas próximas o suficiente para criar uma sombra agradável que deixava poucos raios de sol atingirem o chão coberto por vegetação rasteira e folhas secas, algumas amareladas que crepitavam quando pisavam em cima delas.
“Aonde estamos indo?” Mu quiser saber, já que a ideia ao irem até lá era um piquenique, e o ariano já havia avistado vários lugares em que seria bom estender a toalha quadriculada vermelho e branca – Mu achou uma graça quando viu a estampa tão típica –, mas Aiolia continuava a puxá-lo através das árvores.
“Você já vai ver. Eu espero não ter esquecido o caminho...” Disse, sorrindo malandro por cima do ombro. Mu franziu a testa, mas não contestou; deixou que Aiolia o levasse onde quisesse.
“Tem certeza que nenhum índio enforcado vai aparecer para nos atacar e roubar nossa cesta?” Perguntou na brincadeira, com uma inocente careta de dúvida. Aiolia o puxou para frente e envolveu a cintura de Mu com os braços, abraçando-o pelas costas.
“Não. Talvez apenas o lobo mau!” Sussurrou e o mordeu no pescoço depois de soltar um ‘raaawr’ que fez Mu gargalhar, ainda que um arrepio houvesse estremecido seu corpo pela mordida que levou na nuca.
“Bobo.” Deu-lhe um tapa no braço.
“Agora falta bem pouco.” Aiolia assegurou.
Andaram por mais alguns minutos e então Mu viu onde Aiolia queria levá-lo. Apesar de num primeiro momento não entender bem o que diabos era aquilo, logo que estavam mais perto entendeu. Era um tipo de casa na árvore, mas não era algo convencional. O design da casa era inspirado em uma sâmara, uma cápsula de sementes que cai das árvores durante o outono, e por isso ela parecia mais uma ‘sacada’ na árvore do que uma casa propriamente dita. Era feita de madeira e protegida com um tecido de fibra de vidro. O tronco passava pelo meio da estrutura em formato de semente, onde Mu pôde ver alguns sofás, uma pequena mesinha e uma cama.
“Mandei o filho da empregada vir limpar a arrumar hoje mais cedo!” Aiolia o puxou até a árvore que sustentava a ‘semente’. A subida era por uma escada de cordas e degraus de madeira presa ao tronco que levava diretamente para o centro do cômodo.
“Desde quando você tem esse negócio na árvore?” Mu perguntou enquanto era empurrado para subir a escadinha.
“Esse negócio.” Aiolia imitou, ofendido, mas não estava sério. “Eu acho que já tem uns seis anos. Eu incomodei meu pai para ter depois de ver o design em uma revista. Escolhi aqui porque tem vista para o lago, ali.” Aiolia apontou, e Mu concordou, era uma vista muito bonita.
Quando a escada terminou, Mu se viu dentro da ‘semente’. Uma parte dava vista para a floresta e o lago, e a outra era fechada, no canto onde estava uma cama com um simpático colchão graúdo e verde. Para o lado aberto e protegido apenas pelo vidro, havia duas poltroninhas confortáveis junto a uma mesinha.
Aiolia logo estava junto com ele ali dentro. Era fresco ali, deveria haver algum tipo de ventilação especial, e era agradável, romântico. De repente, Mu sentiu um calafrio de compreensão. Aiolia poderia tê-lo trazido ali para...
Mu foi rapidamente estender a toalha sobre a mesinha e colocou a cesta lá, sentando-se em seguida em uma das poltroninhas com estofado branco.
“Bem... para falar a verdade eu não estou com muita fome.” Mu comentou. Os dois haviam fugido no meio da manhã. O almoço sempre saía tarde ali na casa de campo, então o estômago de Mu ainda não estava reclamando.
“Eu também não muito.” Aiolia falou, indo se sentar justamente na mesma poltroninha que Mu, acomodando-se ali e o abraçando o mais novo pela cintura. “Mas talvez eu esteja com vontade de comer outra coisa...”
“Aiolia!” Mu corou e tentou dar um tapa no braço dele, mas Aiolia riu e o segurou. “Não venha mais com essa de lobo mau para cima de mim.”
“Não mesmo?” Aiolia sussurrou, voltando a atacar o pescoço do ariano. “Que nome você me daria se eu fosse um lobo?” Perguntou, adorando ver a nuca e os pelinhos do braço de Mu completamente arrepiados. “Verão? Cão Felpudo? Vento Cinzento? Fantasma?”
“Cão Felpudo.” Mu riu e se virou um pouco, colocando as pernas por cima das de Aiolia. “Você lê as crônicas de gelo e fogo!” Falou, extasiado.
“Está entre meus livros preferidos.” Aiolia deu de ombros e roubou um beijinho rápido do ariano. Mu sorriu. Também estava entre os seus, e ficou feliz por ao menos não precisar mentir sobre isso. “E Cão Felpudo? Sério? Eu acho que combino mais com Vento Cinzento – forte e fiel.” Discordou, fazendo bico.
Mu pegou uma caixinha repleta de morangos gordos e suculentos e levou um até a boca de Aiolia, que acabou por mordê-lo pela metade.
“Você fica muito bonitinho emburrado.” Mu comentou num gracejo e mordeu o resto do morango. Em segundos já precisava matar-se de rir pelo ataque cruel de cócegas que recebeu do mais velho.
Depois disso eles acabaram engajando numa conversa sobre as crônicas – o que rendeu muita discussão – e outros livros, e mais de uma hora e vários morangos se passaram antes que Aiolia quase pulasse da poltrona, com uma ideia surgindo e iluminando seu rosto.
“Eu já estava esquecendo!” Aiolia caminhou pelo cômodo e ajoelhou-se frente a um baú ao lado da cama. Mu esticou o pescoço, curioso quanto ao que havia lá dentro, mas logo Aiolia se virava com uma pasta e um estojo de desenho. “Eu costumava vir aqui para desenhar, e mantive meus desenhos favoritos nesse baú.”
Aiolia chamou Mu para sentar com ele ao lado da cama, e Mu atendeu prontamente, afinal, estava bastante curioso quanto aos desenhos do leonino. Quando pegou a pasta e começou a folheá-la, ficou impressionado.
“Você desenha muito bem! Esses desenhos são ainda melhores do que aqueles que estavam naquele quarto.” Mu folheou empolgado. A maioria eram desenhos de pessoas, extremamente realistas, ou de personagens da mitologia grega, ao que parecia. “Você desenhou várias passagens de histórias gregas... Este é Ganímedes e Zeus?”
“Você conhece?” Aiolia abriu um sorriso. Mu pensou que era impossível não conhecer já que, como não estudava e vivia em fuga com Dite, tudo que lhe restava era a leitura, e a mitologia e um pouco de filosofia sempre foram suas companheiras em momentos de tédio. “Aqueles desenhos lá do quarto são mais antigos, de quando eu era bem pirralho. E eu gosto das histórias homossexuais da mitologia grega. Quando percebi que eu sentia atração por homens, comecei a pesquisar sobre o assunto e acabei caindo nessas histórias. A do GAnímedes, por exemplo... É uma das minhas preferidas.”
Mu começou a ficar corado com os personagens da mitologia grega completamente desnudos nos desenhos.
“Seu pervertido...” Mu falou, envergonhado, fechando a pasta e a entregando novamente a Mu. Aiolia largou a pasta sobre o colchão e se aproximou de Mu com um olhar malicioso.
“Você disse que eu fico bonitinho emburrado. Já você fica muito fofinho quando está corado.” Riu quando o outro torceu o nariz. “Eu ia adorar te desenhar...” Sussurrou na orelha de Mu. “Você deixa?”
“A-Agora?” Mu perguntou, experimentando aquele calor doido que sempre corria por sua corrente sanguínea quando Aiolia se aproximava.
“Sim! Aqui sempre foi meu lugar predileto para desenhar...” Aiolia não esperou resposta e foi pegar uma prancheta e papel. Ele puxou uma das poltronas para mais perto da cama e deixou tudo organizado, enquanto Mu o observava atônito.
“Eu... Fico sentado aqui mesmo?” Mu perguntou, num sussurro. Ser desenhado significava Aiolia o encarando por não sabia quanto tempo com aqueles olhos cheios de paixão, malícia e fogo. Não sabia se aguentaria.
Aiolia voltou a se aproximar com aquele sorriso predatório.
“Sabe... Você me lembra Ganímedes. Ele era um príncipe troiano que, ao despertar da puberdade, trazia uma beleza rara...” Aiolia se inclinou sobre Mu, fazendo este deitar na cama com a respiração já agitada. “Seus traços de homem-menino reluziam pelos campos aos arredores da cidade de Tróia, onde cuidava dos rebanhos do pai. Foi numa tarde de primavera, que a beleza maliciosa de Ganímedes chamou a atenção de Zeus.” Mu sentiu as mãos de Aiolia escorregarem por baixo de sua camisa, erguendo-a lentamente, enquanto o olhar de ambos se mantinha pregado um no outro. “O senhor do Olimpo, ao avistar beleza tão sublime, foi fulminado pela paixão. Era-lhe impossível resistir à graciosidade do rapaz, ao rosto ainda imberbe, a transitar entre a juventude e à idade viril.” Num movimento preciso, Aiolia livrou Mu da camisa, deixando-o apenas com as calças. Mu gemeu baixo quando Aiolia começou a beijá-lo na garganta e seus polegares começaram a massagear os mamilos do ariano. “Enlouquecido pelo desejo e pela paixão, Zeus transformou-se em um águia, indo pousar junto ao jovem.” Sussurrou Aiolia, rouco, então descendo uma mão para abrir as calças do mais novo, e seus lábios passearam, úmidos, pelo peito e abdômen de Mu.
“A-Aiolia, você...” Mu estava para lembrá-lo que ele deveria pintá-lo, e não atacá-lo daquela maneira, mas se perdeu em outro gemido quando o leonino mordeu sua barriga e o fez vibrar em um arrepio.
“Encantado pela beleza onipotente da ave, Ganímedes aproxima-se, acariciando-lhe a plumagem.” Aiolia continuou a história, ignorando o protesto incompleto de Mu. Já retirava as calças do ariano agora, e livrou-o dos tênis ao mesmo tempo em que seus lábios começaram a percorrer a ereção de Mu por cima da cueca. Oh, Zeus... Mu pensou, sentindo todo o corpo arder em febre. “Imediatamente Zeus envolve o rapaz, tomando-o pelas garras, levando-o consigo para as alturas. Cego de paixão, o senhor do Olimpo possui o jovem ali mesmo, em pleno vôo.” Aiolia abriu um sorriso enorme quando puxou a cueca de Mu e acabou de livrá-lo de todas as roupas. Viu o mais novo mordendo a mão fechada em punho e o rosto avermelhado, principalmente nas bochechas, a respiração sôfrega em antecipação. Mas ainda não era hora de dar a ele a satisfação que seu corpo buscava. Aiolia voltou a se inclinar sobre Mu, apoiando as mãos de cada lado do rosto do ariano e deixando os olhares na mesma altura. “Ganímedes, após ter sido ludicamente amado por Zeus, foi levado para o Olimpo.” Sorriu e piscou, dando um beijo faminto em Mu antes de se afastar.
“Você está perfeito. Vou desenhá-lo dessa maneira.” Disse, empolgado, indo pegar a prancheta e o lápis de desenho.
“O quê?!” Mu se ergueu rápido, apoiando-se em um cotovelo, o queixo caído. Seus cabelos claros caíam e manchavam o verde do colchão, e Aiolia pôs-se rapidamente a desenhar, pois sem dúvidas o ariano era o modelo mais estimulante e belo que algum dia teria.
Mu piscou aturdido quando Aiolia lhe entregou o potinho com alguns morangos que ainda restavam.
“Essa posição está perfeita. Tente não se mexer muito, mas pode comer alguns morangos.” Aiolia pediu, no tom animado e surdo de um artista que encontra a inspiração perfeita. Mu ficou ainda meio boquiaberto, incapaz de decidir o que fazer. A cada vez que Aiolia erguia o olhar da prancheta, o sangue corria velozmente para suas bochechas e... Outro lugar que o enchia de angústia. Havia projetado uma coxa para frente, para esconder a própria ereção, e acabou mordendo um morango como se isso pudesse acalmá-lo. Os olhos de Aiolia pareceram brilhar quando envolveu a fruta com os lábios.
“Eu acabo de perceber...” Mu disse, depois de um tempo, e sua voz saiu ligeiramente trêmula. Aiolia ergueu o olhar para si. “Que se eu sou Ganímedes, você é Zeus. Não é um tanto pretensioso depois da sua parte se comparar com Zeus?”
“Considerando a maneira com que eu vou te amar daqui a pouco, acho que não.” A maneira com que Aiolia falou e sorriu em seguida fez Mu corar até as raízes do cabelo, e querer fugir dali antes que ele terminasse de desenhá-lo.
Aiolia voltou a desenhar ainda mais depressa, parecendo possuído por alguma entidade que lhe escurecia os olhos e fazia a mão mover-se depressa enchendo o ambiente com o som do lápis rabiscando papel. Mu pôde ver o volume que se pronunciava nas calças dele, denunciando que ele também estava excitado com tudo aquilo, e a percepção o deixou inda mais angustiado pela expectativa; de uma hora para a outra, aquele lugar parecia abafado demais.
“-Aiolia...” Disse, envergonhando-se pelo chamado ter soado como um gemido fraco. Seu corpo começa a tremer e pedir por alguma forma de alívio. Não conseguia entender como se sentia tão excitado e quente apenas com o olhar do outro. Queria se tocar, mas como poderia fazer isso na frente do outro?
“Faça.” Aiolia falou de repente, num tom urgente, como se lesse seus pensamentos, ou talvez pudesse ler em seu corpo o que lhe afligia. “Toque-se...” Ele pediu, rouquidão permeando seu tom.
Mu o olhou surpreso e envergonhado, queria rebater, dizer alguma coisa, mas seu corpo implorou para que acatasse o pedido e, antes que percebesse, sua mão escorregou por trás da coxa que escondia sua ereção, e gemeu abafado quando se tocou, apertando os olhos.
“Deixe-me ver.” Aiolia voltou a pedir, devorando-o com o olhar. “Deixa eu ver você se tocar, Mu.” Seu tom era tão manso e baixo, e ainda assim cheio de algo poderoso e sensual que deixava Mu em um estado impossível de negar. Timidamente ergueu a coxa, virando o rosto enquanto continuava a mover a mão lentamente por toda a extensão de seu falo. Morria de vergonha, e mordia o lábio para não gemer alto demais. Pôde escutar a respiração alterada do leonino enquanto rabiscava ainda mais apressadamente no papel.
Não demorou muito para que o ‘risc, risc’ do lápis parasse e, quando Mu voltou a abrir os olhos, viu Aiolia levantando-se e retirando afobado a camiseta que usava. Quando ele subiu na cama, afastou a mão do ariano e a substituiu pela própria para tocá-lo. Mu ofegou, perdendo as forças e deixando as costas caírem completamente sobre o colchão.
“Minhas mãos estão livres agora.” Aiolia disse, como se justificando ser sua mão a manipular o membro rígido do mais novo. Mu olhou para o corpo semi-despido do leonino, e suas mãos subiram para acariciar os braços musculosos e firmes, os ombros largos e descer pelo tórax e abdômen bonitos, definidos na medida exata para deixar qualquer um com água na boca.
“Eu nunca fiz isso antes.” Mu falou com a voz entrecortada, fechando os olhos e soltando um gemidinho alterado quando Aiolia deslizou o polegar sobre a glande de seu membro.
“Eu sei.” Aiolia disse, com os olhos cravados na expressão lânguida do mais novo. Pensou em perguntar se ele queria mesmo aquilo, mas desistiu, pois não tinha certeza se conseguiria se refrear se ele pedisse para que parasse. Então no lugar disso o beijou com toda a fome que sentia, continuando a masturbá-lo e explorar o resto do corpo esguio com a mão livre.
Mu se remexeu em baixo dele, abrindo as pernas para que o leonino ficasse entre elas. Respirar tornou-se complicado quando Aiolia desceu os lábios até seu baixo ventre e substitui a mão pela própria boca. Mu arqueou o corpo, tentando refrear um grito de surpresa que quis saltar de sua garganta para os ares, mas o som saiu abafado e constrangedor de qualquer forma.
Aiolia tirou do bolso o pequeno tubinho de lubrificante que havia trazido. É óbvio que ele havia planejado aquilo, achou que a primeira vez dos dois seria perfeita em seu lugar preferido e por isso havia levado Mu para lá. Enquanto ainda movia os lábios pela ereção quente do mais novo, sujou os dedos com o líquido gelado e os levou para tocar Mu entre as nádegas. Ouviu o ariano murmurar incoerências e, satisfeito, introduziu o primeiro dedo, querendo encontrar a próstata.
A sensação para Mu primeiro foi de desconforto, mas quando Aiolia pressionou algo dentro de si, o prazer pareceu explodir em milhares de estrelas frente a seus olhos, espalhando uma poeira brilhante sobre eles. Agarrou o lençol do colchão e o puxou, tremendo, gemendo, não sabendo mais o que fazia.
Depois veio o segundo, e até um terceiro dedo, mas Mu nem chegou a sentir nada além daquela tesão louca que consumia-o de dentro para fora. Aiolia se afastou um pouco em dado momento, retirando as calças e colocando uma camisinha. Quando voltou para perto, o virou facilmente na cama, deixando-o de bruços, e logo Mu sentia os lábios finos beijando-o no pescoço, na nuca e nos ombros, e o membro desperto dele roçando entre seus glúteos.
“Vai doer um pouco.” Aiolia sussurrou contra o ouvido de Mu. “Mas depois vai ficar bom, eu prometo.” Mordeu-o na nuca, estimulado pelo gemido que ele deu e, abraçando-o por trás, deixou seu membro teso abrir caminho para o interior do corpo menor. O queixo de Mu caía a cada novo milímetro em que era invadido, deixando-o quase incapaz de respirar, mas a dor se mesclava com o prazer, pois Aiolia continuava a masturbá-lo com impetuosidade enquanto o possuía daquela forma e beijava e mordia seus ombros, pescoço e nuca. “Tão... incrivelmente apertado.” Aiolia sussurrou com um gemido contra seu ouvido, e Mu gemeu junto, empinando um pouco o quadril para que ele conseguisse entrar por completo.
As primeiras estocadas foram tão lentas quanto torturantes para ambos. Para Mu, que precisava se acostumar com todo aquele volume e novas sensações, além de relaxar para a dor sumir. E para Aiolia, que precisa se refrear para não ir rápido demais e machucar o ariano. Mas assim que todo desconforto sumiu e Aiolia percebeu tal fato, a intensidade dos movimentos cresceu vertiginosamente até que os dois atingissem um prazer abandonado entre gemidos, sussurros e murmúrios desconexos.
Outra vez em meio àquilo, Aiolia saiu e o virou, voltando a uni-los dessa vez em um único movimento, ao mesmo tempo em que suas bocas se encontravam para um beijo urgente, na mesma medida em que os corpos clamavam pelo apogeu daquele ato. Aiolia enterrou-se fundo no outro, e Mu passou as pernas ao redor de seu quadril, puxando-o para bem perto, deixando as peles ferventes em pleno contato; a fina camada de suor fazendo seu trabalho no deslize dos corpos.
Mu, mesmo que perdido entre as sensações arrebatadoras que revolviam e estouravam em sua mente e através de seus poros, ainda pensava que não estava fazendo aquilo apenas pelo dinheiro do leonino. Não é só por isso... Sentiu os olhos umedecerem ao se aproximar do orgasmo, não sabia se pela culpa, pelo êxtase ou simplesmente por estar feliz por aquele momento. Viva o agora, não pense em mais nada... Por favor, por favor, não me odeie... eu me apaixonei. Me perdoa... Mu gritou e apertou os olhos quando gozou entre o abdômen dos dois.
Aiolia veio logo depois, com um urro abafado contra seu pescoço, a respiração morna e rápida batendo contra a cútis pálida do ariano.
“Fica comigo...” Aiolia pediu, envolvendo as mãos nas de Mu, entrelaçando-as.
“Já estou contigo.” Mu sussurrou em resposta, a garganta arranhando pelos gritos e gemidos que dera. “Quero sempre estar contigo.”
“Então... Você deveria ser meu namorado, para começar.” Aiolia ergueu o rosto e o encarou seriamente, nervoso à espera da resposta. Mu soltou uma mão e acariciou seus cabelos ondulados, castanhos e macios, gostava dos cabelos do leonino, da maneira como eram um tanto rebeldes, mas agradáveis de se tocar.
“Sim. Para começar.” Sorriu. “Eu te amo.” Disse, e já não sabia se falava porque precisava, ou porque era real. Aiolia o encarou surpreso. Talvez fosse cedo demais para falar aquelas três palavras tão poderosas, mas tempo havia se tornado artigo de luxo para alguém que vivia fugindo, como Mu.
“Tão bonito...” Aiolia sussurrou, antes de voltar a beijá-lo, ternamente.
XxX
Dite esperou o exato momento em que Saga correu para o banheiro para entrar no quarto sorrateiramente e sentar-se na cadeira onde o moreno antes estava, mexendo atentamente no notebook. Dite havia colocado na bebida um remédio que faria Saga enjoar e quase vomitar, mas não chegaria a tanto, era apenas um mal-estar passageiro, e por isso precisava ser rápido.
Tinha de saber o que Saga tanto pesquisava naquele notebook. E não se impressionou por ele estar pesquisando sobre dois irmãos chamados Afrodite e Mu. Dois irmãos que não existem, Afrodite pensou, abrindo um sorriso amargo. O desgraçado tem um amigo detetive, ele desconfia mesmo de mim e do Mu...
Foi justo quando estava ali, que um email chegou para Saga, e Dite não pôde deixar de abri-lo.
Pesquisei os nomes que você pediu, e as fotos. Esses garotos num primeiro momento são feitos de vento. Não há nada sobre eles em lugar nenhum, nenhum registro, nenhum dado, e os nomes talvez sejam falsos.
“Ora, que surpresa o nome de alguém não ser Afrodite.” O garoto revirou os olhos, e leu até que seu coração deu um pulo de medo e receio, pois jamais esperaria que a verdadeira origem dele e de Mu fosse descoberta. Ele não pode saber sobre isso! Dite pensou desesperado, e apagou o email da caixa de entrada e da lixeira. Depois usou de seus conhecimentos em informática, como hacker, algo que sempre o ajudara muito a planejar vários roubos, e bloqueou o email do detetive de uma forma que Saga nunca desconfiaria. Se eles fossem o tipo de pessoa que só se comunicavam por email, isso os atrasaria.
Quando ouviu um som vindo do banheiro, levantou-se apressado e deixou o quarto, sorrateiramente, como uma sombra, como havia aprendido a mover-se desde muito novo. Porém alguém já o aguardava nas sombras, e Dite topou diretamente com o irmão gêmeo de Saga. Soltou um ofego assustado, por um segundo pensando tratar-se de Saga, mas logo percebeu que era o outro.
“O que você está fazendo esgueirando-se para fora do quarto do meu irmão?” Kanon perguntou, puxando o loiro para perto com um olhar curioso e safado.
“O que eu faço ou deixo de fazer com o teu irmão não te diz respeito.” Dite retrucou, em absoluta calma. Não deixaria Kanon perceber seu nervosismo.
“Tem certeza?” Kanon perguntou, erguendo uma sobrancelha. “Se você gosta tanto do meu irmão, poderia gostar de mim também, afinal, somos gêmeos... Seria interessante descobrir qualquer dia desses o que ele vê de tão fascinante em você.”
Dite piscou, atordoado. Fascinante? Saga o achava fascinante? Depois balançou a cabeça. Deve achar fascinante a maneira como fiquei de quatro para ele noite retrasada. Olhou Kanon com escárnio ao lembrar daquilo; porém, antes que pudesse retrucar, Saga apareceu no corredor.
“O que significa isso?” Saga perguntou, estreitando os olhos ao ver como os dois estavam próximos. Por mais que gostasse do irmão, não confiava nele perto de ninguém, pois Kanon já fora diagnosticado como um ninfomaníaco por médicos quando era mais novo, e tinha a terrível mania de dar em cima de todo ser vivo que se pusesse em seu caminho.
“Nada.” Kanon soltou Dite, com um sorriso fanfarrão no rosto. “Apenas tendo uma conversinha com a deusa do amor. Talvez ela pudesse me ensinar algumas técnicas de amar, o que acha?” Perguntou o gêmeo apenas para provocar e comprovar que Saga sentia mesmo ciúmes daquele loiro arisco.
Saga se aproximou e puxou Dite para si.
“Nem pense em chegar perto dele. Vá gastar sua necessidade de sexo na sua namorada que, por acaso, está nessa mesma casa!” Avisou num sibilo ameaçador. Kanon riu.
“Relaxa, maninho. Onde está seu senso de humor? Estou apenas brincando.” Deixou-os com uma gargalhada. Saga não se convenceu, para Kanon tudo era uma grande brincadeira. Virou-se para Afrodite, que o encarava de uma maneira não lá muito amigável, mas já estava acostumado com isso.
“E você? Por que foi dar trela para ele?” Perguntou, rude. Os lábios de Afrodite se partiram em incredulidade, mas novamente, antes que pudesse dar uma dura no idiota, Saga o puxou bruscamente e selou seus lábios num contato agressivo, mas cheio de paixão. Dite ainda se debateu, enquanto o outro o levava facilmente para dentro do quarto e fechava a porta com o pé.
Eu poderia me soltar, mas não consigo, minhas forças... Dite acabou ficando mole nos braços de Saga, o corpo correspondendo com uma ânsia traiçoeira para sentir mais dos lábios, língua e mãos poderosas do maior. Antes que pudesse reencontrar a razão, estavam arrancando as roupas e caindo novamente na cama.
Notas finais
Beijos, amores! ♥
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