Não Compre meu Amor
11 Fuga
Dite estava emburrado porque havia cedido de novo. Enquanto Saga distribuía beijos por seu ombro nu e costas, pensava que nunca havia recebido um carinho daquele tipo, calmo e suave, fazendo-o se arrepiar mesmo que recém houvessem gozado juntos. Ainda que Saga tivesse aquele jeito todo desconfiado, debochado e até um tanto irritante, a maneira como o beijava e tocava quando estavam na cama o fazia se sentir tão especial... De uma maneira que Dite jamais experimentara, e era quando se lembrava o quão quebrado se sentia desde muitos anos.
Não merecia aquele tratamento. Era uma pessoa baixa, com pouquíssimos escrúpulos, que só se importava com Mu acima da própria pele. Era um ladrão, um oportunista e, acima de tudo, era um assassino... Apertou os olhos com força, escapando das lembranças ruins, e depois virou-se para Saga, ficando deitado de frente para ele.
“Quero saber por que desconfia tanto de mim e do Mu. O que acha que somos, além de mentirosos?” Ergueu uma sobrancelha. “E se desconfia de mim, por que se deita comigo?”
Saga foi pego de surpresa pela maneira direta do loiro, mas já havia percebido que Dite era alguém sem rodeios, de personalidade forte e convicções firmes. Suspirou, sentindo-se tolo por ter jogado suas desconfianças nele, afinal, elas eram frutos do que acontecera com o pai.
“Quando minha mãe morreu, não demorou para que uma outra mulher surgisse na vida do meu pai. Ela era linda, compreensiva, fazia-o sorrir quando conversavam e sempre parecia saber de tudo que ele gostava. Ela o consolou num momento difícil e ele inevitavelmente se apaixonou. Estava triste, vulnerável e foi fácil para ela. Fácil se casar, roubar o dinheiro dele e sumir logo depois.”
Dite arregalou os olhos. Era muito parecido com o que estava acontecendo agora com Aiolia e Mu, e acabou compreendendo toda a suspeita de Saga.
“Eu ouvi o Aiolia e o Mu conversando algumas vezes e as conversas deles me lembraram as de meu pai e a vigarista. E a maneira como vocês surgiram absolutamente do nada...” Saga o olhou, procurando alguma reação que provasse que talvez existisse verdade em suas palavras, mas Dite o encarava em retorno com a expressão tão límpida, que era impossível aferir qualquer coisa. “Mas agora eu sei que deve ser apenas paranóia minha.” Disse, afagando os longos e macios cabelos de Afrodite.
“E por que acha isso agora?” Quis saber, já que ele estava absolutamente certo.
“Não consigo imaginar alguém tão frio a ponto de se entregar como você se entregou, nessa cama, e depois simplesmente cometer um roubo e sumir.” Saga ficou sério e, encaixando a mão na base das costas de Dite, o puxou para mais perto. “Eu gostei muito do que fizemos agora, e noite retrasada...”
Ele quer acreditar que eu sou inocente de suas suspeitas. Dite compreendeu, antes se aproximar o rosto do dele e roçar os lábios de ambos. Vou deixar ele pensar o que quiser... De qualquer forma, tenho apenas mais três dias antes de acabar morto.
Não daria tempo, percebeu. Mu e Aiolia continuavam no chove-não-molha. Infelizmente para Afrodite, ele não tinha um plano B.
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“Aiolos!” Aiolia falou ao chegar ao casarão, voltando com Mu da casa na árvore, e encontrar o irmão na sala de estar. Aiolos se levantou da poltrona onde estava sentado para conversar com Shaka, Milo e Camus, e foi até o irmão, abraçando-o apertado.
Já estava a par de tudo que acontecia ali. Havia se mantido informado através de Shaka, que parecia o mais sensato naquela casa, e já sabia sobre o romance entre Aiolia e o garoto Mu. Ficava feliz pelo irmão ter encontrado alguém para ajudá-lo a passar pela fase ruim, e ver um sorriso no rosto de Aiolia bastou para deixá-lo bem mais aliviado.
“Que bom poder te ver, irmão.” Disse Aiolos. “Eu estava preocupado com você, mas Shaka me contou desse jovem que você encontrou e que te fez tanto bem.” Virou-se para Mu e estendeu a mão. “Olá, Mu. Queria agradecê-lo por cuidar tão bem do meu irmão nesses tempos difíceis.”
Mu viu o olhar cheio de sinceridade, afeição e agradecimento de Aiolos, e mal conseguiu responder algo decente. A culpa o invadiu novamente, muito mais poderosa do que todas as outras vezes, e só foi capaz de respirar outra vez quando Aiolia e Aiolos pediram licença para que pudessem conversar em particular.
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“Você o quê?!” Aiolos perguntou ao final da conversa. “Aiolia, eu imagino que você tenha se afeiçoado a esse garoto, mas... Casar? Pelo amor de Deus, vocês mal se conhecem!”
“Mas eu não quero deixar ele escapar, Aiolos. E se eu o amo, por que não casar logo de vez? O que eu vou ficar esperando?” Aiolia perguntou, andando de um lado para o outro na biblioteca, tentando convencer o irmão.
“Você pode namorar com ele... Conhecê-lo melhor. Ele não vai fugir, Aiolia.” Disse.
“Pode ser que não, mas... Quando eu estou com ele, sempre sinto como se ele fosse me deixar a qualquer momento. Não posso suportar isso, não aguentaria perder... mais alguém.” Caiu no sofá, tapando o rosto com as mãos. Aiolos conhecia bem os extremismos do irmão, mas aquilo era demais.
“Aiolia, eu sei que toda essa situação nos deixa mais instáveis e cheios de preocupações com o futuro-“
“Você não vê, Olos? A vida é curta demais para ser desperdiçada! Você sabe bem que eu sempre quis casar e ter filhos, sempre gostei de família grande e reunida e todas essas coisas. Sei que o Mu não pode me dar filhos, mas podemos adotar.” Aiolia ponderou.
“Aiolia, você está se ouvindo?! Você conhece esse garoto mal tem uma semana!!! E está pensando em ter filhos com ele! Você vai é assustá-lo com essa história de casamento, isso sim!” Aiolos não conseguia acreditar. Talvez o irmão estivesse precisando de algum acompanhando psicológico, pois a morte dos pais o havia abalado e mexido mesmo com as ideias dele.
“Se ele me ama de verdade, ele vai aceitar! Nós até já conversamos sobre isso!” Aiolia afirmou, irredutível. Tudo bem que aquela conversa na piscina havia sido completamente sem pé nem cabeça, mas não iria dizer isso ao irmão.
“Aiolia-“ Aiolos suspirou, massageando as têmporas. Como iria colocar algum juízo na cabeça do mais novo?
“Você duvida, não é? Duvida que ele aceite!” Aiolia se exaltou. “Então vou te provar como está errado!” Como um raio, Aiolia voou em direção à porta, deixando Aiolos sozinho. O mais velho correu até ele, mas antes que conseguisse alcançá-lo, Aiolia já havia encontrado Mu e o segurava pelos ombros, com um brilho quase maníaco no olhar que assustou o ariano.
Foi no exato momento em que Dite e Saga desciam as escadas, que Aiolia se ajoelhou em frente a Mu e propôs.
“Você quer casar comigo?”
Vários queixos foram ao chão com o pedido repentino, mas Dite sentiu um orgulho sem igual de Mu, por ter conseguido a proposta em tão pouco tempo. Sorriu disfarçadamente e, quando Mu o olhou em busca de ajuda, fez um gesto impaciente para que ele aceitasse.
“S-Sim...” Mu disse, então, voltando o olhar para o rapaz ajoelhado à sua frente. “Eu aceito.” Corou até a alma, desconfortável de certa forma por o plano estar dando certo. Aiolia sorriu, arrebatado, e quando se ergueu abraçou-o a ponto de tirá-lo do chão, beijando-o apaixonadamente.
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“Então, se o plano de vocês era mesmo um golpe do baú, está dando certo.” Saga falou para Dite, ambos do lado de fora da casa, no quiosque que havia perto das piscinas.
“Preocupado?” Afrodite perguntou malicioso, inclinando sobre a mesa e colocando na boca o canudinho da bebida que Saga tomava. Estava leve agora, via uma luz no fim do túnel e seu humor aumentara vertiginosamente.
Até ver uma sombra na orla da floresta e sentir o coração despencar ao reconhecer Máscara da Morte. O que ele está fazendo aqui? Perguntou-se, perplexo, sentindo toda sua felicidade se esvair. Será que não podia ter um minuto de paz?
“Talvez.” Saga sorriu, acordando Dite de seus devaneios e atraindo novamente seu olhar. “Mas acho que mesmo se eu alertasse Aiolia de minhas suspeitas, ele não me daria ouvidos. Está completamente apaixonado pelo seu irmão.”
“Sim... ele está.” Dite comentou, ausente, e mal percebeu o outro se aproximar e o prensar contra o balcão alto de pedra.
“O que foi? Ficou com uma expressão estranha de repente.” Disse, tocando-o no rosto. “Sabe que estou apenas brincando, não é? Foi bobagem desconfiar de você.” Se inclinou para beijá-lo no pescoço, fazendo Dite prender a respiração e se arrepiar, porém se arrepiar principalmente por ver um par de olhos furiosos pregados em sua direção.
“Saga...” Soltou um suspiro entrecortado pelos giros que a ponta da língua dele faziam em seu pescoço.
“Quando voltarmos para a cidade,” Saga falou ao parar de atacar seu pescoço. “eu quero sair com você. Vamos começar de novo, desse vez sem desconfianças. O que acha?” Passou os dedos pelos cabelos sedosos do pisciano.
“Eu-“ Dite viu-se sem saber o que dizer. Não esperava aquele comportamento vindo do outro, e de certa forma aquilo mexeu com algo em seu peito, algo que ele preferia pensar que não era o coração. “Não me olhe dessa forma.” Pediu, desviando o rosto, e vendo que Máscara da Morte havia desaparecido de vista.
“Que forma?” Saga riu, segurando queixo dele e o fazendo olhar novamente. Dite sentiu as bochechas quentes e arregalou os olhos. Não acredito que estou corando... Corando! Isso é tão adolescente... Mordeu o lábio.
“Dessa maneira.” Disse, contrariado. Dessa maneira... apaixonada?
Saga revirou os olhos, mas então inesperadamente pegou-o no colo e o jogou sobre um de seus ombros.
“Se não quer que eu te olhe, então vamos aproveitar o final do dia e tomar um banho de piscina.”
“O quê-?! Não, Saga, eu ainda estou de roupa!” Gritou, mas então já era jogado na água. Como vingança, ficou embaixo dela fingindo-se de afogado até o outro se desesperar e pular também. Antes que ele o alcançasse, voltou à superfície e ficou rindo da careta irritada de Saga ao emergir também.
“Não me assuste dessa maneira!”
“Eu não fiz nada, você que se preocupa demais.” Dite sorriu de lado, sentindo o corpo pesado pelas vestes molhadas. Mesmo assim encontrou forças para nadar por vários minutos fugindo do outro, antes de ser capturado e sofrer um quase afogamento e depois um beijo que terminou de lhe roubar o ar.
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“No meu tempo não era assim.” Milo falou. “As pessoas se conheciam, ficavam, namoravam e só então noivavam. Só falta dizer que já marcaram a data!”
“Ainda não, mas iremos.” Aiolia assegurou, abraçando possessivamente a cintura de Mu, que chegava a estar assustado com a maneira com que o leonino estava agindo. Ele ainda está sob efeito da morte dos pais, e eu estou me aproveitando disso. Mu pensou, com um aperto na garganta.
Os amigos não quiseram discutir. O clima estava estranho e todos estavam surpresos demais com a determinação – ou seria obsessão? – de Aiolia e ninguém estava com coragem de ir contra a decisão. Também não entendiam como um garoto tão novo quanto Mu poderia querer casar tão abruptamente.
Ao final do jantar, Aiolos conseguiu um momento com Mu.
“Eu quero pensar que você está casando com o doido do meu irmão porque o ama. Você sabe que ele só propôs por que está assustado e carente com a morte dos nossos pais, não é? Ainda assim, você quer casar com ele? Porque se você casar, e depois o deixar, talvez isso o abale por muitos anos.” Disse, sério, ainda que seu tom não demonstrasse nenhuma grosseria.
“Eu...” Mu hesitou. “Eu o amo.” Foi o que conseguiu dizer, mordendo o lábio. “Eu não quero machucá-lo.” E não era mentira, não é? Mesmo que fosse machucá-lo, não era sua vontade.
Aiolos suspirou e assentiu.
“Então, me deixe dar um abraço no meu futuro cunhado.” Falou, abraçando Mu como se ele fosse família. E o ariano, se possível, sentiu-se ainda mais desprezível. Não dá mais...
E então havia tomado uma decisão.
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Já estava escuro quando Dite conseguiu deixar a casa e seguiu para a floresta na direção em que havia visto Máscara da Morte. Não sabia se ele estaria ali, mas sabia que nunca era bom deixar alguém da máfia esperando por muito tempo. E já o deixara esperando tempo demais.
Para sua surpresa, depois de andar alguns metros, com uma lanterna para o guiar, encontrou uma casinha pequena na floresta, cujas luzes estavam ligadas. Sentindo-se num filme de terror, caminhou até lá e encontrou a porta entreaberta. O estômago despencou ao ver Máscara da Morte bebendo uma cerveja direito da garrafa, na pequena copa da cabana.
“Pensei que nunca iria vir.” Máscara falou, baixando a garrafa sobre o balcão com os olhos cravados em Afrodite, já se irritando por se sentir de imediato atraído por ele.
“O que você está fazendo aqui?” Dite não foi amigável, e sua voz saiu como um rosnado. “Ainda tenho alguns dias.”
“Três.” Máscara o lembrou. “Ou dois, já que o dia de hoje já está no final. Não consigo imaginar o que está fazendo numa casa de campo dando a bunda para aquele garoto, em vez de ir atrás do dinheiro que deve.”
Dite se eriçou de raiva.
“A maneira como eu consigo o dinheiro não diz respeito a você. Se tudo que veio fazer foi me dar um lembrete, bem, ele está dado. Estou voltando agora.” Virou-se para sair da cabana, mas assim que sua mão envolveu a maçaneta, Máscara o puxou pelo braço.
“Então está vendendo o corpo para conseguir o dinheiro? Eu deveria esperar isso de um puto vendido como você. Primeiro se vendeu para mim, para não acabar com o rosto desfigur-“ Máscara não conseguiu terminar, pois cambaleou para trás, segurando o nariz ao receber um soco em cheio ali. Arregalou os olhos, surpreso por alguém tão delicado conseguir dar um soco daqueles.
No instante seguinte, Máscara ofegou e voltou a cambalear ao receber um chute no estômago. Então Dite caiu sobre ele, e uma série de socos, desvios, chutes e bloqueios aconteceu. Máscara apanhou nos primeiros segundos pela surpresa, mas depois a luta equilibrou. Sua força era compensada pela agilidade do outro, mas Afrodite sabia que há muito tempo não praticava e que o outro era uma arma da máfia. E armas da máfia nunca eram amadoras. Máscara era um lutador profissional, e Dite não treinava suas habilidades há três anos. Era por isso que dá outra vez não havia tentado lutar, por medo de acabar com o rosto machucado demais. Mas agora não precisava seduzir ninguém, e estava morto de raiva por ser chamado de puto, prostituto e vendido.
Dite lançou um soco, seguido de uma cotovelada e de uma joelhada que atingiria um dos rins de Máscara quando girou rapidamente ao se abaixar de um contra-soco, mas Máscara foi mais rápido e girou também, dando-lhe uma rasteira que o levou ao chão. Dite tentou levantar rápido, mas Máscara mostrou que não era apenas músculos e, também ágil, logo estava sentado sobre sua cintura, prendendo seus pulsos com uma força esmagadora contra o chão de pedra.
Dite ofegava, com o rosto avermelhado e um olho roxo, arrependido de não ter mantido a forma desde que fugira com Mu.
“Como você...?” Máscara não estava tão ofegante, mas não deixava de estar surpreso. Olhou para o olho roxo que havia feito no loiro, estragando um pouco da simetria do rosto delicado, e viu-se arrependido por isso. O que de novo o irritou. Aquele loiro lhe causava sensações e pensamentos estranhos demais para que soubesse como lidar com eles.
“Me solta!” Dite então exigiu, debatendo-se e tentando soltar os pulsos. Toda aquela agitação fez o falo de Máscara vibrar dentro das calças, e ele segurou os braços de Dite com apenas uma mão, acima da cabeça do loiro, e com a outra mão limpou o sangue que escorria por seu nariz.
“Pela sua insubordinação, e por me atacar... Vou ter de deixar um lembrete que você não se esqueça tão facilmente.” Máscara falou, descendo o olhar para os lábios de Dite, cobiçando-os como da outra vez, e odiando isso ao mesmo tempo em que não podia impedir o desejo primitivo.
“Não! Não se atreva!” Dite se debateu mais, apavorado com a perspectiva de ser estuprado novamente por aquele homem assustador, e o medo encheu suas feições. Mas Máscara não lhe deu ouvido, desceu os lábios contra seu pescoço, já que Dite escondeu o rosto atrás do braço, e a mão grande e calejada entrou para dentro das roupas do pisciano, que ofegou com as carícias pesadas em seu abdômen e peito.
Pensou estar perdido. Mas a salvação veio através de um chamado na floresta.
“Dite?!?” Era Saga.
Dite arregalou os olhos, congelando no lugar, e Máscara precisou se afastar ao escutar os chamados. Como a luz da cabana estava acesa, Saga dirigiu-se até lá.
Quando entrou, tudo que viu foi Afrodite sentado num banco do balcão, com uma expressão ainda não completamente recuperada. Não havia mais ninguém na cabana.
“O que você veio fazer aqui a essa hora da noite. E o que diabos é esse roxo no teu olho?” Saga se aproximou, e levou um susto quando o pisciano o abraçou, escondendo o rosto em seu peito. Dite suspirou, sentindo-se aliviado e seguro, incrivelmente. O aroma do perfume de Saga, masculino e forte, passou-lhe uma sensação tão boa, que estreitou ainda mais os braços ao redor dele. “Dite...?” Saga chamou, não entendendo nada do que estava se passando.
“Eu tropecei e bati o olho.” Mentiu descaradamente, mas mentir já era algo tão natural para si, que seu tom saiu absolutamente convincente. Saga franziu a testa, duvidando, mas não achava que conseguiria arrancar a verdade do pisciano naquele momento.
“E por que veio para cá?” Perguntou.
Dite havia visto Máscara pulando a janela e desaparecendo entre as árvores, engolido pela escuridão da noite. Podia mentir dizendo que tinha um fetiche de transar numa cabana parcialmente abandonada, mas não queria arriscar.
“Eu sou sonâmbulo. Acabei cochilando no sofá e vim parar aqui.” Ergueu o olhar para Saga, que o encarava abismado, farejando mentiras, mas o beijou antes que ele pudesse pensar muito, já enlaçando as pernas ao redor da cintura dele. “Agora me leva para um quarto que eu quero você dentro de mim...” Sussurrou.
E aí Saga não conseguiu mais pensar direito.
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Mu estava deitado, olhando para o teto. Aiolia estava nu ao seu lado, e ele se encontrava no mesmo estado. O leonino havia apagado depois de terem feito amor novamente, mas Mu continuava sem sono, mesmo que seu corpo estivesse exausto. Então acabou por levantar e colocar um robe, indo para cozinha atrás de um copo de água.
Encontrou Shun lá, junto com Ikki. Os dois discutiam por causa do affair do mais novo.
“Mas Hyoga não é uma pessoa ruim!” Shun exclamou, recebendo uma reprimenda do irmão por falar tão alto àquela hora da noite.
Hyoga...? Mu se eriçou. Havia conversado com Shun sobre o afeto dele, mas lembrou-se de não ter perguntado o nome do homem.
“Ele é muito mais velho, Shun! Você tem apenas quinze anos!” Ikki esbravejou, querendo matar aquele aliciador de crianças. “É uma criança!”
“Não sou nenhuma criança! Sou quase um adulto!” Shun retrucou, furioso. Ainda ficaram um tempo discutindo, e Mu se escondeu quando Ikki passou pisando duro em direção ao segundo andar. Shun continuou na cozinha, chorando baixo, e Mu não resistiu e foi até ele para confortá-lo.
Colocou uma mão sobre o ombro do garoto, que o olhou com orbes chorosos.
“Ele não entende!” Shun exclamou, e deixou-se ser abraçado por Mu. “Ele pode ser chefe da máfia, mas é boa pessoa!”
O coração de Mu palpitou com a confirmação, enquanto Shun se afastava e colocava as mãos sobre a boca. Havia prometido a Hyoga que não contaria aquilo a ninguém. Hyoga havia achado que com isso afastaria Shun, mas o garoto se manteve irredutível, mesmo que a informação o houvesse assustado.
“Por favor, não diga nada para o Ikki, principalmente. Ou melhor, não diga nada a ninguém.”
“Eu... eu prometo.” Mu assegurou.
Não podia acreditar em como o mundo era pequeno. Voltou a consolar o garoto noite adentro, mas seus pensamentos se mantiveram longe dos resmungos e choros de Shun, concentrados no futuro esposo e em toda a confusão em que havia se metido junto com Dite.
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Era bem cedo pela manhã, e o sol talvez mal houvesse nascido, quando Dite sentiu alguém cutucá-lo de leve no ombro. Abriu os olhos com dificuldade, piscando várias vezes até conseguir enxergar com a pouca claridade. Viu Mu ajoelhado no seu lado na cama, e ficou consciente do braço pesado de Saga sobre sua cintura nua.
“Dite...” Os olhos de Mu brilhavam intensamente, de uma maneira que Dite jamais havia visto. “Vamos embora... Por favor, vamos partir. Eu não consigo mais, não me obrigue, eu imploro.”
“Shhhh. Calma.” Dite colocou um dedo sobre os lábios de Mu e olhou por cima do ombro, vendo Saga profundamente adormecido. Não deveria ter se envolvido com ele, pois conseguia compreender – ao menos um pouco – o que Mu estava sentindo agora. Afastou delicadamente o braço de Saga e colocou o travesseiro sob ele, para substituir seu corpo.
Arrumou-se rapidamente e puxou Mu consigo para o quarto que era deles na casa.
“Dite.” Mu o abraçou assim que entraram. “Não tem como, eu não vou conseguir enganá-lo! Eu me sinto tão mal... Vamos fugir, vamos para bem longe, sair do país, até que cansem de nos procurar, mas não vamos seguir em frente com isso, por favor.”
Dite olhou para Mu e voltou a suspirar. Podia brigar, obrigá-lo, quem sabe, mas também não se sentia inclinado. Estava cansado e não queria destroçar o coração do amigo. De alguma forma, infelizmente, as pessoas naquela casa haviam ganhado sua simpatia e não também o machucava enganar a todas elas. Enganar Saga...
“Mas precisaríamos de dinheiro para fugir...” Dite murmurou. “Não temos mais nada.”
“Não interessa.” Mu pediu. “Daremos um jeito.”
Dite não disse mais nada, apenas assentiu e eles arrumaram rapidamente as malas.
“Como voltaremos para a cidade?” Perguntou.
“Eu já chamei um táxi...” Mu murmurou, constrangido, pois assim deixava claro que não havia esperado o consentimento de Dite para planejar a fuga. "O que aconteceu com seu olho?
"Não é nada." Dite desconversou.
Quando percorriam o corredor para descer as escadas, viu a porta do quarto de Kanon e a namorada entreaberta. Sobre uma mesinha, estava o notebook do gêmeo, aberto numa página que chamou a atenção de Dite.
“Espere aqui um segundo.” Dite pediu e entrou sorrateiramente no quarto. Mu franziu a testa, sem entender nada, mas o esperou com o coração acelerado, temendo que alguém acordasse a qualquer momento e os visse ali, de mala e cuia.
Dite quase riu ao ver o notebook aberto numa conta de Kanon. O idiota havia ido transar com a namorada até cair, sem antes desligar o note, ou ao menos fechar a página. Com algumas tecladas rápidas e silenciosas, Dite transferiu 50 mil do outro gêmeo para uma conta antiga que havia feito em um paraíso fiscal. Depois apagou todos os rastros da transferência e saiu rapidamente do quarto.
“Otário...” Murmurou, sem remorsos. A esse gêmeo não havia se afeiçoado.
“Eu tive de pegar algum dinheiro na carteira do Aiolia.” Mu admitiu, penoso. “Ao menos para conseguirmos voltar para a cidade...”
“Perfeito, então vamos de uma vez, antes que nos flagrem e tenhamos que dar algumas explicações escabrosas.” Dite sussurrou, fazendo Mu se arrepiar e segui-lo apressadamente.
Mas ninguém acordou e, com o dia ainda nublado imerso pelo sereno da noite, os dois subiram no táxi e seguiram para longe daquele breve sonho que haviam curtido nos últimos dias.
Não consigo imaginar alguém tão frio a ponto de se entregar como você se entregou, nessa cama, e depois simplesmente cometer um roubo e sumir. Dite lembrou das palavras de Saga e apertou os punhos. Você realmente não me conhece. Pensou, amargo e acariciou os cabelos de Mu quando este descansou a cabeça em seu ombro em busca de consolo.
Notas finais
Obrigada a todos que comentam, estou aqui me esforçando para terminar essa fic antes que minhas aulas voltem. Agora falta bem pouco, hehehe!
Beijokas, seus lindos! ♥
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