Não Compre meu Amor
8 Final de Noite
“Ah, pelo amor dos deuses! Aceitem que querem se beijar e parem com esse chove-não-molhe insuportável. Está mais do que na cara que não é só o Ikki que quer isso, então principalmente você, Shaka, pare de ser tão covarde e aceite logo seus sentimentos.”
Dite estava definitivamente bêbado. Havia falado aquilo quando, após Shaka pedir com enfado por ‘desafio’, foi desafiado a beijar Ikki e se negou. Começou então uma algazarra quanto ao assunto, até que Dite perdesse a paciência e falasse aquilo com irritação e tédio e uma voz arrastada pela bebida.
Todos olharam pasmos para Dite, porque ele havia pedido para morrer, é claro. Só Mu continuou sereno, afinal, conhecia o jeito desbocado do amigo, que raramente conseguia guardar para si algo que o estivesse incomodando e irritando, a não ser quando necessário. Mas bêbado pela tequila, o loiro perdia o freio na língua.
Shaka olhou para Afrodite sem saber o que dizer, mas, antes que pudesse dar uma resposta, Ikki aproveitou a distração do primo e o beijou. E todos os olhares encontraram outro alvo, muito mais interessante. Ninguém queria perder aquele primeiro beijo histórico em meio a monte de copos vazios e almofadas espalhadas pelo tapete.
Shaka levou um susto, porque não estava esperando por aquilo. Ikki continuou a aproveitar-se da incredulidade do loiro e resvalou a língua para dentro da boca dele, puxando-o para a nuca e o segurando com força para que não fugisse. Tinham praticamente a mesma força, então com um pouco de vontade Shaka conseguiria se soltar, porém o loiro foi pego de surpresa pelo efeito da língua de Ikki movendo-se contra a sua. Andar em uma montanha-russa e beijar o primo tinha efeitos muito parecidos; o coração disparado, a pele arrepiada e o estômago dando giros cheios de calafrios.
“Ele cedeu!” Milo exclamou, exultante. “Beijos suga-traqueia feito esses sempre funcionam... Não é, Camus? Sempre que você está irritado, é só eu-“
“Só você o quê?” Camus perguntou tétrico para o namorado, e Milo coçou a cabeça, abrindo um sorriso sapeca ao olhar para cima para ver o ruivo.
“Nada não.”
“É óbvio que ele cedeu. Eu já não aguentava mais esses dois se comendo com os olhos na minha frente. Era como assistir a um filme pornô que não sai do início.” Dite falou, aborrecido, sentado de lado no tapete apoiando-se em um braço.
“Andou assistindo muitos filmes pornôs?” Saga perguntou, com um sorriso de lado.
“Eu andei! Com o Camus. Outro dia a gente baixou um para ver e-“ Milo continuou falando, mas ninguém entendeu nada já que Camus aproveitou a posição dos dois – Milo sentado entre suas pernas com a cabeça apoiada em seu ombro – e colocou a mão sobre a boca do namorado.
“Como se você não visse. De certo que vê vários, para tentar aprender a como ser bom de cama. Homens como você impressionam pela aparência, e decepcionam pela performance.” Dite retrucou, sorrindo ácido para Saga, que franziu o cenho, indignado.
“Isso é um desafio?”
“Oh, não. Ainda não é minha vez. Aqueles dois continuam se beijando e empacando o jogo.” Dite dispensou.
Mu estava com sono. Havia bebido uns goles de tequila e já nem conseguia pensar direito. A noite ia alta, já estavam ali conversando e jogando há horas, e a chuva continuava intensa lá fora. A luz havia acabado e eles eram iluminados apenas pelas velas que foram espalhadas pela sala. Sentado com Aiolia o abraçando daquele jeito confortável, era difícil não sentir as pálpebras pesadas. Estremeceu quando um trovão fez os vidros da janela sacudirem e Aiolia o beijou na nuca.
“Você quer subir? Está quase dormindo aqui.” Aiolia sussurrou em seu ouvido, mas torcia por um não, pois gostava de ter o calor do corpo de Mu o esquentando.
“Posso aguentar mais um pouco.” Mu bocejou. “Eles realmente gostaram de se beijar.” Comentou, olhando preguiçosamente para Ikki e Shaka. Ikki parecia não querer mais soltar o primo, e Shaka retribuía como que esquecido do resto dos amigos. Ambos pareciam ter entrado em um universo só deles.
“Às vezes basta um beijo para a gente se apaixonar a valer...” Aiolia comentou contra a orelha do ariano, que ruborizou pensando em seu primeiro beijo, roubado quando menos esperava. Teria aquilo feito se apaixonar? E, afinal, estava apaixonado? A ideia o impressionava, ainda que o aquecesse e agitasse ao mesmo tempo. Ergueu a mão e acariciou os cabelos do leonino, em um mimo singelo.
“Você é alguém muito especial...” Mu comentou, com a voz de quem quase dorme.
“Por quê?” Aiolia perguntou com um sorriso leve. Ignoravam toda a conversa ao redor, e nem perceberam quando o beijo entre Shaka e Ikki terminou. Shaka, ao abrir os olhos e perceber o que havia acontecido, adquiriu uma expressão de espanto, colocando a mão sobre os lábios enquanto Ikki sorria feito um bobo apaixonado.
Sem aguentar as risadas e pilhérias dos amigos, Shaka levantou e deixou rapidamente a sala, em fuga, incapaz de pensar com coerência. Ikki se levantou e correu atrás dele, percebendo que não podia deixar a situação como estava. Mas Aiolia e Mu continuavam olhando um para o outro.
“Não sei dizer... Mas você tem uma alma pura, que acredita no amor...” Mu sussurrou, ainda acariciando os fios cobre do leonino e o olhando como se dividissem um segredo. Aiolia corou, porque puro não era exatamente uma característica que imaginava se enquadrar para si. Não quando já havia pensado em um monte de safadezas envolvendo ele e o ariano.
Sem saber o que dizer, Aiolia se inclinou e tocou nos seus os lábios macios de Mu, iniciando um beijo lento e preguiçoso, como um carinho de boa-noite.
“Ah, outros pombinhos se beijando!” Milo exclamou, levantando-se. “Vamos, Camus, também quero te beijar, mas não quero ficar só nisso, então vamos para o quarto.”
“Sério, Milo? Eu estou podre de sono...” Camus falou, levantando-se. “Eu quero é ir dormir agora. Boa noite, pessoal.”
“Ah, Camus! Você sempre faz isso! Você dorme demais, a gente podia aproveitar tão melhor as nossas noites.” Milo o seguiu, tentando convencê-lo por todo o caminho, mas Camus apenas bocejava, sem demonstrar grandes interesses.
“Você sabe que eu não gosto de transar de madrugada, Milo...”
Dite observou-os partir e então preparou mais um sal, uma dose e bebeu. Mas esquecera-se do limão e, com a boca ardida, perguntou.
“Onde está o maldito limão?” Olhou para Saga e viu que ele segurava a meia rodela na mão, com um sorriso divertido nos lábios.
“Venha pegar, loiro.” Falou, sugestivo. Dite, erguendo uma sobrancelha, resolveu entrar na brincadeira – e o álcool certamente tinha algo a ver com isso. Engatinhou sensualmente até Saga, que sentiu todo o corpo arrepiar com a visão do loiro vindo em sua direção daquela maneira, com o olhar perigoso, e abocanhar o limão que segurava, os olhos pregados em si enquanto envolvia com os lábios o sumo cítrico.
Saga não ficou impressionado ao perceber que havia um prelúdio de ereção pressionando-se contra sua calça. Quando Dite terminou de chupar o limão, se afastou passando a língua pelo lábio e abriu um sorriso malicioso.
“Quis provocar e agora fica com essa cara de palerma, Saga?” Dite ergueu uma sobrancelha e soltou uma risadinha leve, espontânea pelo álcool. Saga sorriu, pensando que era a primeira vez que via o loiro agir naturalmente, sem parecer estar tramando alguma e agindo calculadamente, como dizia sua intuição. Sempre fora alguém bom para ler as pessoas, analisar atitudes e intuitos e, desde que o pai sofrera um golpe do baú, se tornara ainda mais desconfiado, demorando-se para confiar nas intenções das pessoas. Pois de boas intenções, o inferno estava cheio, já diziam os sábios.
“Parece que você sabe bem o efeito que tem sobre os palermas, não é?” Saga perguntou sardônico e puxou Afrodite para si, o que foi fácil, pois ele era leve. Pegou o sal e, abaixando a camisa de Dite para expor-lhe o ombro, colocou um pouco ali, antes de sugar o sal diretamente da pele fina do loiro.
Dite respirou com força, sentindo todo o corpo corresponder aos lábios sedutores degustando sua pele, e um suspiro baixo acabou escapando de seus pulmões. Saga afastou-se e tomou a dose de tequila, procurando pelo limão em seguida. Olhou, mas não encontrou e, ao virar-se para Afrodite, viu a meia rodela surgir nos lábios do pisciano, que sorriu maldoso, mordendo o lado da casca e deixando a parte frutífera voltada para Saga.
Surpreso com a atitude do loiro, Saga se aproximou, sedento, e mordeu o limão, deixando os lábios roçarem e os olhares se prenderem um no outro, num desafio velado de ambas as partes. No instante seguinte, Saga se afastou e tirou o limão do caminho, jogando-o longe. Querendo ou não, desconfiando ou não, estava irremediavelmente fisgado por aquele loiro e precisava provar daquela boca.
Agarrou Afrodite e o beijou abruptamente, descobrindo a boca macia e o gosto de pecado que ela carregava quando a saliva derreteu-se em sua boca. Dite gemeu e segurou Saga pelos cabelos, retribuindo com a mesma lascívia o beijo sensual do homem.
XxX
“Shaka, espera.” Ikki pediu e entrou no quarto do primo, seguindo seus rastros, mesmo que não houvesse sido convidado. “Por que está fugindo?”
Shaka se virou e o olhou, com aqueles penetrantes olhos azuis que sempre faziam o mais novo sentir-se pequeno, diminuído. Apesar do leve rubor nas bochechas pela afobação, Shaka parecia recuperado, com aura altiva e serena.
“Apenas não quis ficar ouvindo as piadinhas dos outros.” Falou e se aproximou do primo. Ikki engoliu em seco, sentindo o coração pulsar a cada passo do loiro. Shaka estendeu a mão e fechou a porta do quarto e, quando Ikki deu por si, estava apoiado contra ela.
“O que foi?” Ikki perguntou, corando de leve com a análise intensa do mais velho.
“Só estou tentando achar o motivo por que me apaixonei por você.” Shaka falou. Seu braço continuava estendido sobre o ombro de Ikki, e a mão se apoiava à porta. Como era um pouco mais alto, seu olhar vinha de cima, perscrutando o primo.
“O-o quê?” Ikki perguntou, pasmo e confuso. Jamais esperaria por aquilo. Shaka apaixonado por si lhe parecia o mesmo que um jacaré apaixonado por uma gaivota, já que o primo sempre fizera questão de dar-lhe uns chutes sempre que tentava algo.
“Afrodite está certo. Tenho que parar de fugir dos meus sentimentos, e aquele beijo pareceu abrir meus olhos. Eu gosto de você, Ikki, bem mais do que eu gostaria de admitir.” Tocou o rosto do mais novo, lembrando-se de todos os momentos que já haviam passado juntos. Sabia que os pais de ambos não ficariam felizes com aquilo, já que os seus fizeram um escândalo quando descobriram sua orientação sexual, e os de Ikki sequer sabiam que o moreno começara a nutrir sentimentos por outro homem. Mas bastava de fugir daquilo, mesmo que ainda acreditasse que Ikki era novo demais e estava confundindo seus sentimentos. Agora ele teria de arcar com o beijo que lhe dera.
Revirando de leve os olhos para a expressão embasbacada do primo, que parecia ter ‘entrado em alfa’, Shaka inclinou-se e o beijou, deixando os lábios roçarem sutilmente pelos de Ikki, que, ainda enlevado pela declaração, demorou a retribuir. Porém quando Shaka aprofundou o contato, penetrando sua boca com a língua aveludada, seu corpo despertou para aquilo e seus braços rodearam a cintura do loiro, enquanto os lábios tratavam de retribuir ao carinho.
Ikki não imaginou que Shaka fosse querer transar. Não mesmo, não o loiro difícil, com ar arrogante que era seu primo. Mas então Shaka o virou e começou a arrastá-lo para a cama, com suas bocas ainda grudadas e, antes que a mente entorpecida de Ikki pudesse processar plenamente os acontecimentos, eles estavam sobre o colchão, e Shaka cobria-o com o corpo.
“Deus... Isso está mesmo acontecendo?” Ikki perguntou, passando as mãos pelo corpo de Shaka, para comprovar que aquilo era real, e não mais um de seus sonhos pervertidos e um tanto molhados. “Nós vamos mesmo fazer isso?”
“Vamos... Mas pare de perguntar, ou eu vai acabar desistindo.” Shaka falou, sorrindo de leve. Suas mãos escorregaram para dentro da camisa de outro e a ergueu, tirando-a com a ajuda de Ikki, que, em seguida, também o livrou das vestes superiores.
Despidos da cintura para cima, os dois voltaram a se beijar. Ikki experimentou nas palmas a pele macia do loiro, sentindo os músculos firmes e bem proporcionados contraindo-se em reflexo por seus toques, e também sentia as mãos de Shaka o tocando, explorando com aquela paciência que nunca possuiria. Os dedos do loiro eram longos e gelados, e lhe causam arrepios que o faziam suspirar entre o beijo intenso que orquestravam.
Ikki já sentia a calça apertada; o pênis doía também querendo ser tocado por aquelas mãos habilidosas e, como se ouvisse suas preces, Shaka desceu o zíper de sua calça e o tocou sob ela, ainda por cima da cueca, acariciando a dureza quente do falo do primo. Ikki perdeu o fôlego e suas mãos foram para agarrar a bunda do mais velho, amassando os glúteos firmes enquanto soltava um gemido de prazer, seus olhos nublando pela excitação imensurável que o corroeu.
Quando Shaka começou a descer os lábios, então, beijando seu pescoço e tórax, passando a língua pela pele e recolhendo o gosto ligeiramente salgado pelo suor, Ikki sentiu que se aproximava do paraíso. Shaka só se afastou depois de beijar e lamber todo peito e abdômen de Ikki, deliciando-se no prelúdio de tanquinho que ele criava na barriga. Ikki era novo, mas se tornaria um homem de masculinidade agressiva e irresistível em mais alguns anos.
Shaka sabia que ele era virgem. Não que não houvesse transado com algumas guriazinhas até então, mas sabia que seria o primeiro homem que o teria. E isso lhe causou certo orgulho. Livrando o moreno da calça, voltou a massagear o falo escondido pela cueca branca, perfeitamente visível e bem desenhado sob o tecido.
“Então, ainda acha que isso não está acontecendo?” Shaka perguntou, ajoelhado como estava entre as pernas de Ikki, que estava tendo sérios problemas em não ter uma ejaculação precoce, enquanto a mão do outro subia e descia por toda a extensão de seu falo.
“Se não estiver, que se foda. Continua sendo bom demais para ser verdade.” Ikki falou, erguendo-se pelos cotovelos para poder vez o que Shaka fazia consigo. Com um sorriso de lado, Shaka finalmente o livrou da cueca e segurou o membro duro de Ikki pela base.
“Só estamos começando, primo.” Falou rouco e, provavelmente com a intenção de acabar com a sanidade do mais novo, levou os lábios ao falo alheio, lambendo a glande antes de acolhê-lo com a boca quente.
“Ah, Deus...” Ikki arfou e levou a mão aos cabelos de Shaka, acariciando enquanto o outro o sugava com uma pressão enlouquecedora, aqueles olhos profundos cravados nos seus. “Eu realmente fui para o paraíso...” Ikki deixou as costas caírem contra o colchão.
Shaka continuou a felação por alguns minutos, até que sua boca abandonasse o falo do mais novo e descesse...
“Hei!” Ikki falou, sobressaltando-se quando a língua de Shaka escorregou por entre seus glúteos. “Eu pensei que eu seria o ativo!”
Shaka soltou uma risada divertida, como se achasse a ideia engraçada.
“É, claro. Cresça alguns anos e quem sabe eu deixo você ficar por cima.” Falou, antes de lambê-lo novamente e arrancar um gemido estrangulado do primo. Afastou-se para pegar uma camisinha e livrou-se das calças também. “Além do mais, não estou a fim de sentir dor com um pirralho impaciente e inexperiente.”
“Mas eu só vou ganhar experiência se você deixar eu-“ Ikki parou, com os olhos vidrados, ao ver Shaka completamente despido. Ele era absolutamente perfeito, a pele de alabastro, o corpo delgado, porém com músculos um pouco mais evidentes que os seus. Já era um homem feito, de vinte e dois anos, e seus cabelos compridos caíam ao redor do corpo como cascatas de ouro derretido. “Você é tão lindo...” Ikki murmurou, esticando a mão e tocando o corpo do loiro, em veneração.
As bochechas de Shaka invariavelmente pinicaram mas, ignorando isso, ele se inclinou e depositou um beijo suave nos lábios do moreno.
“Quer colocar?” Entregou a camisinha para ele.
Com as mãos trêmulas, Ikki rasgou o plástico e, como se tocasse um objeto adorado, estimulou o falo do mais velho, terminando de endurecê-lo, e começou a colocar a camisinha. Sentia-se terrivelmente nervoso com a perspectiva de ser o passivo, não era como imaginava em seus sonhos molhados, mas a ideia também não o desagradava, e continuava terrivelmente excitado. O que lhe importava era que estava com Shaka, e este havia se declarado apaixonado. O resto que se danasse.
Assim que terminou, Shaka voltou a deitar o moreno na cama, procurando seus lábios e o beijando com paixão. Ikki retribuiu com igual ardor, abraçando-se com força ao primo, contente com aquela intimidade que compartilhavam. Queria dizer que o amava, mas talvez ainda fosse cedo. Esperava ter muito tempo para dizer, e não queria parecer com uma garotinha virgem que se declara na hora do sexo.
Ikki estremeceu quando Shaka quebrou o beijo e levou os dedos aos lábios finos, chupando-os para umedecê-los com saliva. Foi a visão mais erótica da vida de Ikki.
“Vai doer um pouco.” Shaka avisou, levando os dedos ao local que precisava preparar e que tocou gentilmente. “Apenas relaxe que eu sou bom nisso.”
“Prepotente.” Ikki revirou os olhos, mas gemeu rouco quando um dedo o penetrou com cuidado. Shaka usava a outra mão para masturbá-lo, então era difícil se sentir incomodado. Todo o corpo queimava em antecipação e, quando veio o segundo dedo, já desejava que ele colocasse o terceiro. “Você sabe por quanto tempo eu esperei que você me correspondesse? Mesmo antes de eu deixar bem claro que te queria, eu já era doido por você em segredo. Então, será que dá para enrolar menos?” Ikki perguntou e gemeu quando Shaka pressionou o dedo contra sua próstata. O loiro não mentia, era mesmo bom naquilo.
“Impaciente.” Foi a vez de Shaka resmungar e sorrir. Voltou a beijar o moreno, usando do beijo envolvente e dos toques precisos no falo teso do mais novo para distraí-lo da penetração, que se pronunciou logo após retirar os dedos de dentro dele.
Ikki ofegou entre o beijo e Shaka gemeu, extasiado por ser acolhido aos poucos por um canal tão estreito. Os dois só conseguiram respirar um pouco melhor quando o membro de Shaka entrou por inteiro; porém Ikki continuava um pouco rígido, mordendo o lábio para aguentar a dor – que não era intensa, ou insuportável, já que Shaka era extremamente paciente e cuidadoso, mas que era completamente diferente do que estava acostumado.
“Me abrace com as pernas, fica mais confortável para você...” Shaka sussurrou no ouvido do primo, sentindo as mãos dele apertando-lhe com força as costas, os dedos afundando na carne. Ikki obedeceu, respirando pesado, ao passo que Shaka o segurou pelo final das costas e esperou. “E me diga quando posso-“
“Você pode.” Ikki o cortou, inquieto. Não aguentava mais aquela falta de movimento, sempre fora impaciente demais e agora entendia o que o loiro havia dito sobre machucá-lo se fosse o ativo, provavelmente não conseguiria esperar como Shaka estava esperando. Shaka riu em seu ouvido e mordeu o lóbulo.
“Você nunca vai mudar, não é?” Sussurrou e deu a primeira estocada, movendo-se sem pressa, deixando o mais novo acostumar-se ainda com a invasão. “Eu gosto disso em você... Da sua energia e inquietude.” Deixou o abdômen roçar contra o membro de Ikki ao estocar a segunda vez.
“Eu gosto de tudo em você....” Ikki retrucou e segurou os cabelos trigueiros, para puxar o rosto dele e voltar a beijá-lo, com fome. O calor começou a subir vertiginosamente entre os dois, conforme o beijo se tornava selvagem e os movimentos se aprofundavam, intensificavam.
Gritou, puxando o loiro com força para si, quando ele passou a atingi-lo na próstata, levando-o a um delírio delicioso. Shaka respirava ofegante, enquanto se afundava no corpo do outro, sentindo o suor brotar em sua pele e fazê-la brilhar, tornando o deslize entre os corpos mais fácil, de modo que parecia possível ir ainda mais fundo e intenso, deixando as pelves se chocarem até o barulho parecer ecoar pelo quarto junto com seus gemidos e o som da chuva que batia na janela.
Em certo momento, Shaka ergueu uma coxa de Ikki e escorregou para o colchão, colocando o moreno de lado, com as costas grudadas contra seu peito. Mantendo a perna dele erguida, voltou a estocar, conseguindo outro ângulo que intensificou ainda mais os choques contra a próstata de Ikki. Abafando gritos, Ikki passou o braço pelos ombros de Shaka e aproximou os lábios trêmulos dele, para um beijo entrecortado pelos gemidos e espasmos dos corpos.
“Eu devia ter feito isso mais cedo.” Shaka falou, ofegante, agarrando o pênis de Ikki quando sentia que ambos se aproximavam do orgasmo. Ikki, gemendo ao ter o prazer duplicado, deixou a respiração ofegante bater contra os lábios do loiro antes de falar.
“Quem sabe agora... você comece a dar ouvidos para o que eu falo.” Retrucou, sentindo que poderia explodir em gozo a qualquer momento.
“Veremos... Não comece a se achar demais por isso.” Shaka sorriu e estocou mais forte, antes que acabasse chegando ao ápice e Ikki ainda não houvesse gozado. Segurou-se ao máximo e violentou a próstata do mais novo, masturbando-o agilmente por mais alguns minutos, até ouvir o grito alheio e sentir o próprio falo esmagado pela pressão que se criou ao redor.
Exausto, Shaka deixou-se levar e gozou também, caindo molemente no colchão. Ambas as respirações eram ruidosas e impossibilitaram os primos de falarem num primeiro momento, deixando-os apenas aproveitar o prazer que ainda amolecia braços e pernas. Shaka retirou o membro de dentro de Ikki e livrou-se da camisinha, para então abraçar o primo por trás, beijando-o no ombro.
“Pirralho maldito... Você é mesmo uma delícia.” Falou, brincando com malícia.
“Ah, é o que dizem.” Ikki falou, petulante. “E espere eu crescer esses anos que você falou... Vou te mostrar como posso ser ainda mais delicioso...”
Shaka riu e deu uma mordidinha no ombro do moreno.
“Vou esperar por isso, pirralho.” Murmurou, antes de acabar caindo no sono quando ouviu a respiração de Ikki normalizar e perceber que ele já havia adormecido.
XxX
Mu havia cochilado sem perceber, mas acordou ao sentir que era deitado em uma cama. Aiolia, ao ver Dite e Saga se beijando, resolveu deixar o novo casal sozinho e pegou Mu no colo, levando para o quarto. O seu quarto. Não iria fazer nada, até porque o mais novo estava adormecido, então qual era o problema de dormirem juntinhos, certo?
“Oi...” Mu resmungou sonolento, vendo Aiolia sentado na cama tirando a camisa. Sobressaltando-se por ser pego no flagra, Aiolia se virou e deitou ao lado de Mu, abraçando-o pela cintura e o trazendo para perto. “Estamos no seu quarto?” Mu perguntou um pouco constrangido.
“Sim... Você se importa? Eu só... não queria dormir sozinho.” Admitiu e sorriu ao ver o mais novo estremecer quando um novo trovão golpeou os céus. Mu não sentia mais medo, mas o barulho ensurdecedor sempre o pegava de surpresa.
“Tudo bem.” Mu sussurrou, aproximando o rosto e fazendo os narizes roçarem. Sorriu para Aiolia, feliz como poucas vezes havia se sentido. “Eu queria que sensações assim durassem para sempre...”
“Que sensações?” Aiolia quis saber. Era incrível como se sentia hipnotizado pelo rosto meigo e pelo sorriso inocente do outro.
“Assim... de estar juntinho a alguém e sentir-se completo.” Falou com a voz bem baixa e os olhos já fechados. Já nem pensava direito no que dizia, misturando realidade e sonho em sua mente cansada. Acomodou-se mais ao corpo másculo e confortável do mais velho e acabou dormindo novamente.
Aiolia ficou acariciando os fios de seda de Mu, olhando-o por vários minutos noite adentro, satisfeito por não ser invadido por pensamentos ruins aquela noite. E, quando o sono finalmente o alcançou, abraçou-se ao ariano e deixou-se tragar pela inconsciência.
Notas finais
Sim! Ikki foi passivo! Quem diria, não? auhauhuahua! Eu realmente acho que o Ikki tem que crescer um pouco e deixar de ser tão impaciente para o Shaka dar uma chance a ele, rs. Espero que não tenha nenhum nazista defensor de Ikki seme por aqui e se tiver, bem, nem tô. Falo mêrmo. oIJAIOhaHAUHAIUohaio!
Próximo cap. será bem focado em Aiolia e Mu, aguardem! xD
Obrigada a todos que comentaram: Bia Yuuki, Mitchan, Hanajima, Sion Neblina, Cristal, Mel Dark, Orphelin, Night, Brilis, Flying Cupcakes, Jenny Camui, Azarella, Taia, Duque de Orion e Mayah! Que gente mais linda!
Beijão! ;*
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