Notas iniciais
Tcharãm, capítulo 2 como prometido! Ele tem uma parte tensa, mas acho que é a única parte realmente tensa da história. D:

Quando chegaram à festa, num enorme e luxuoso salão de eventos alugado, Mu achou que o tal de Aiolia não deveria estar sofrendo tanto quanto acreditara. Quem faria uma festa daquela magnitude apenas uma semana após a morte dos pais? Até parecia que ele estava comemorando! Um beicinho de indignação surgiu em seus lábios, junto à expressão contrafeita.

“Como conseguiu nos colocar dentro?” Mu perguntou para Dite, tendo de elevar bastante a voz para se fazer ouvir. Dite estava vestido para matar, de uma maneira que chegava a deixar Mu com as bochechas vermelhas pelo amigo. Se o mais novo usasse aquelas roupas, certamente acabaria virando um tomate de tão vermelho.

Dite usava uma calça jeans escura apertada e uma camisa branca despojada, de tecido fino deixando boa parte do peito à mostra, com um ‘come fuck me hard’ de estampa. Os cabelos loiro ondulados e volumosos do mais velho estavam presos num rabo frouxo, que deixava vários fios caírem e lhe moldarem o rosto e, para completar, Dite tinha aquele olhar sedutor que parecia completar magistralmente o conjunto erótico.

Já Mu se sentia bastante confortável com os cabelos trançados, jeans cinzenta e uma camiseta preta, com as mangas compridas dobradas nos cotovelos. A roupa lhe agradava, era nova e confortável. Há tempos os dois não compravam roupas novas...

“Foi fácil... Estão deixando qualquer desses riquinhos esnobes entrarem. Apenas tive de fingir que era um.” Dite piscou. Não iria entrar em detalhes sórdidos com Mu, o mais novo não precisava saber que havia sutilmente seduzido um dos riquinhos para garantir o nome na lista. Só esperava que esse riquinho não fosse um amigo muito próximo de Aiolia.

“E agora, o que fazemos?” Mu perguntou, olhando para aquele mar de pessoas espalhadas por todos os cantos do salão, dançando ao ritmo da música alta, sorridentes e animados, esquecidos do mundo lá fora. O lugar era quase todo feito de vidro e era possível ver o céu estrelado através das paredes transparentes, estava uma noite tão bonita... Mu se perguntou se haveria um terraço naquele lugar, onde poderia se refugiar para longe daquela bagunça.

“Nos enturmamos, é claro! Se ver Aiolia, me avise. Preciso chegar perto dele de alguma forma...” Dite segurou o pulso de Mu e o carregou consigo para todos os lados. Era incrível como o mais velho tinha facilidade para socializar. Chegava nos grupos de pessoas e se metia na conversa como se fizesse parte daquele mundo, enquanto Mu permanecia quase todo o tempo calado, sentindo-se fora do lugar.

Ficaram por mais de duas horas rondando o salão, buscando pelo dono da festa, porém ninguém soube lhes dizer onde ele estava. Até que a música parou, e alguém subiu num palanque, que mais parecia uma caixa de som enorme, no centro do salão. Mu reconheceu Aiolia, vestido todo de preto. Poderia estar de luto, se não fosse por essa festa descabida. Mu pensou, torcendo o nariz.

“Estão aproveitando a festa?” Aiolia gritou para que todos o escutassem. As pessoas gritam e urraram em concordância, as meninas lançando gritinhos no ar. Mu cruzou os braços sobre o peito, olhando desgostoso para o centro das atenções naquele salão. “Hoje à noite eu quero todos bebendo até cair, dançando até as pernas não aguentarem e tendo a noite de suas vidas! Porque não é todo dia que eu estou generoso o suficiente para gastar um milhão numa festa!”

Ele ergueu o copo de bebida que tinha e recebeu outros vivas e gritinhos empolgados. Mu bufou e revirou os olhos. Um milhão não era nada para ele, já nem se sentia tão culpado por pensar que ele e Dite arrancariam essa quantia dele.

“Só cuidem para não vomitar naquela pessoa em que estiver de olho na noite. Isso pode acabar com qualquer chance.” Aiolia ironizou, com um sorriso charmoso. O mar de pessoas gargalhou e lançou alguns assobios para o bilionário e, naquele momento, o olhar de Aiolia pareceu recair sobre o único rapaz emburrado naquele salão: Mu. O dono da festa franziu as sobrancelhas, parecendo curioso, e Mu quase caiu para trás ao perceber tal fato, porém logo Aiolia desviava os olhos, voltando a sorrir. “Mas já chega de falar, vou deixar vocês aproveitarem a festa!”

Aiolia desceu do ‘palco’ improvisado, misturando-se à multidão.

“Preciso ir atrás dele, antes que suma de novo!” Dite exclamou e, rapidamente, avançou por entre as pessoas, sumindo naquela confusão. Mu tentou chamá-lo, mas em vão. Arregalou os olhos ao se perceber sozinho entre aqueles desconhecidos. Muitos já pareciam bêbados, fora de si, e a música agitada estava deixando Mu surdo.

Bufando novamente, tentou avançar entre as pessoas, tendo de fazer malabarismos para conseguir sair daquele miolo sufocante e enfim alcançar um lance de escadarias que o levaria ao segundo piso, onde, aparentemente, não havia festa alguma acontecendo.

Mu aproveitou quando uma confusão atraiu a atenção dos dois seguranças que cuidavam para que ninguém subisse e rapidamente se esgueirou escada acima, já sentindo o corpo se refrescar conforme se afastava daquele sufocante calor humano do salão. Deveria ter escutado Dite e comprado uma camisa sem mangas... Estava morto de calor.

Caminhou um pouco, distraidamente, naquela parte vazia do lugar. Acabou se apoiando na grade de segurança e olhando para o salão lá embaixo, repleto de pessoas. Era estranho observar aquelas pessoas se divertindo ali de cima, e chegou a se perguntar como seria aquela sensação. Ele e Dite nunca haviam ido a festas como aquela, e Mu simplesmente não conseguia imaginar-se divertindo quando o dono do evento recém havia perdido os pais. Estou sendo sentimental demais?

“É proibido subir aqui.”

Mu praticamente deu um pulo ao escutar a voz grave e se virou abruptamente, com o coração aos pulos. Achou que seria um segurança, mas deparou-se justamente com o rapaz que havia incentivado todos naquele salão a se divertirem ao máximo. Olhou-o debilmente, sem saber o que dizer. Era difícil agir normalmente quando conspirava em um plano para ludibriar aquele homem de cabelos cor de cobre e perscrutantes olhos verdes.

“E então?” Aiolia perguntou. Estava apoiado de lado em um pilar, com os braços cruzados sobre o peito e uma sobrancelha erguida.

“Eu estava precisando de um pouco de ar.” Mu conseguiu balbuciar uma desculpa. Respirou fundo, tentando se acalmar. Era idiota se sentir tão nervoso, quando nem era ele que deveria seduzir o ricaço.

“Isso não te dava o direito de subir aqui.” Aiolia retrucou. O tom não era exatamente rude, mas tampouco amigável. Era quase como se testasse quais seriam as reações garoto apoiado contra a grade de apoio.

“Desculpe.” Mu desviou o olhar. Aiolia estava certo, havia subido quando os guardas baixaram a guarda. Se Aiolia soubesse que já fizera coisas bem piores do que apenas subir em um lugar proibido...

“Estava odiando a festa tanto assim? Eu vi que você estava emburrado lá embaixo.” Aiolia perguntou, desencostando-se do pilar e caminhando até a grade, onde apoiou os braços, inclinando o corpo e observando seus convidados, da mesma maneira que Mu há poucos segundos.

“Não entendo por que você daria uma festa dessas justo agora.” Mu falou o que o incomodava, mas imediatamente se arrependeu quando Aiolia virou o rosto e o encarou de uma maneira que o deixou desconfortável, com o coração agitado.

“Justo agora?” Aiolia provocou, desencostando-se da grade e deliberadamente mantendo-se perto de Mu, que precisou erguer a cabeça para encará-lo nos olhos. Agora que eu já falei, devo ir até o fim, não?

“Seus pais recém morreram... E você dá uma festa dessas, sem mostrar nenhum respeito por eles. É assim que você sente falta deles?” Perguntou, um pouco alterado pelo nervosismo. Sentia-se indignado por ter-se preocupado com aquele desconhecido, por ter-se identificado com ele, quando Aiolia parecia tão bem.

Aiolia soltou uma risadinha descrente, fechando os olhos por um momento.

“Você sempre julga as pessoas sem sequer conhecê-las?” Perguntou. “Isso é tão típico das pessoas... Esperar dos outros o que elas acreditam que seja certo; esperar que ajam como manda o figurino.” Balançou a cabeça e deu as costas para Mu, começando a se afastar. “Se a festa não lhe agrada, vá embora. Ninguém está te segurado aqui.”

Mu viu o rapaz se afastar com as mãos no bolso, os ombros rígidos e a cabeça um pouco baixa. Seu queixo havia caído de leve, ao perceber que realmente julgara sem nem conhecê-lo, mas, o que mais poderia pensar? E parecia que pensar estava em falta, porque Mu avançou até Aiolia e lhe segurou o braço, fazendo o rapaz virar-se com uma expressão entre surpresa e interrogativa.

“Me desculpe.” Mu disse, sincero. “Eu... Eu também perdi meus pais, e achei que sabia como você se sentia quando li sobre o acidente... Quando eu soube da festa e te vi tão descontraído lá embaixo e me senti... traído, acho. Isso é muito idiota? Eu não queria julgar.” Mu falou, complicando-se um pouco com as palavras. Olhou para Aiolia, esperando que ele compreendesse, e o mais velho acabou soltando outra risadinha, pelo nariz.

“Você é meio estranho...” Ele murmurou, com um sorriso breve, e Mu achou curioso não saber se aquilo era algo bom ou ruim. Deveria ser ruim, certo? Mas a maneira com que Aiolia o olhava parecia dizer o contrário. “Quer escapar dessa festa comigo?”

Mu arregalou os olhos.

“Escapar?” Gaguejou. Mas Dite precisa encontrar Aiolia! Como as coisas podem ter saído tão errado? “Mas eu tenho um amigo lá na festa...” Murmurou, sem saber se Aiolia realmente o escutara, já que a música alcançava-os não tão baixa, ali em cima.

O mais novo corou quando Aiolia se inclinou, sussurrando em seu ouvido.

“Não se preocupe, eu te devolvo inteiro até final da noite...” Ele se afastou com um sorriso, enquanto Mu se sentia estremecer de cima abaixo, com um arrepio descendo pela coluna. Deus, o que faço? Se eu perder essa chance, Dite ficará furioso... Talvez eu possa apresentar Dite ao Aiolia depois. Mu raciocinou, e então, corado, assentiu.

XxX

Afrodite estava desolado, nervoso e agitado. Além de ter perdido Aiolia de vista, agora não conseguia encontrar Mu de jeito nenhum. Desgraça! Pensou, apoiando-se no balcão de um dos bares do lugar e escondendo a cabeça entre os braços. Já eram quase quatro da manhã! Havia perdido a noite toda e ainda se sentia nauseado, tendo quase certeza de que alguém lhe oferecera uma bebida com alguma droga.

Nunca aceite doces de estranhos.’ Pensou, abrindo um sorriso amargo.

Era enquanto estava ali, jogado no balcão como um bêbado afogado em mágoas, que alguém o puxou bruscamente, arrancando-lhe uma exclamação de surpresa e, depois, de susto.

Quem viu quase fez seu coração parar.

“Máscara!” Exclamou, chocado, experimentando o medo invadi-lo ao ficar frente a frente com aquele homem alto e musculoso, de feições frias e gestos ásperos, assim como a mão que o segurava. Sem dizer nada, o homem começou a arrastá-lo através do salão, abrindo caminho entre as pessoas à força ao praticamente atropelá-las sem qualquer cuidado.

Dite gemeu pela dor no braço, devido à pegada forte daquele bruto, que o arrastou até que chegassem a um corredor vazio e, então, a um pequeno salão de jogos, onde havia um bar, uma mesa de sinuca e alguns sofás. Incrivelmente, estava vazio, talvez por ser um tanto distante do centro da confusão.

“Seu prazo acabou, Afrodite.” Máscara da Morte falou, jogando Afrodite para frente, fazendo o rapaz tropeçar alguns passos até conseguir se equilibrar.

“Eu só preciso de mais alguns dias! Me dê até o final do mês!” Implorou, tirando os fios soltos da frente do rosto. “Por favor...”

Máscara ergueu uma sobrancelha. Ele era apenas um subordinado, não era ele quem tomava as decisões, mas sim o chefe, alguém muito pior que ele. O chefe havia mandado que fosse até Afrodite e o lembrasse, de maneira nada gentil, que o apagamento estava atrasado. E então Afrodite teria mais uma semana para descobrir como conseguir o dinheiro e manter-se vivo.

Máscara soltou a respiração pelo nariz com um bufo irritado. Não gostava de bater em mulheres, e aquele garoto lhe lembrava uma. Era um andrógino atraente, ainda mais com aquelas roupas provocantes. E sentir-se atraído por um homem irritava ainda mais Máscara, que manteve a expressão impassível enquanto colocava luvas de couro com espinhos de metal nos punhos, capazes de causar um estrago muito maior do que um soco limpo.

Afrodite sentiu-se empalidecer ao entender que levaria uma surra daquele homem que era quase dois de si mesmo. Não vou sobreviver! Pensou, desesperado. E minhas chances de seduzir Aiolia irão pro espaço, vou ficar deformado! Olhou para os lados, em busca de uma saída, mas seu corpo e mente pareciam congelados pelo medo.

“Não tem para onde fugir. Tente escapar e deixo esse teu rostinho lindo ainda mais desfigurado.” Máscara avisou. Também odiava correr atrás daqueles que tentavam fugir. Sempre os alcançava, então será que não entendiam que era em vão? Era irritante.

Quando deu o primeiro passo na direção de Afrodite, o loiro entendeu que precisava fazer alguma coisa, ou ele e Mu acabariam morrendo. Porque depois dele, iriam atrás de Mu. Isso se já não tiverem ido! Pensou cheio de preocupação. Não posso deixar isso acontecer!

“Espere!” Dite pediu, exaltado. “Eu tenho uma proposta...” Mudou complemente sua expressão corporal e colocou na face uma expressão confiante. Máscara parou, franzindo as sobrancelhas negras como os cabelos.

Dite caminhou até Máscara com o olhar do mais puro pecado no rosto, umedecendo os lábios avermelhados com a língua, num movimento felino. Máscara manteve a expressão inalterável, mas isso não intimidou Afrodite. Era uma situação de vida ou morte, não podia hesitar. Apoiou as mãos no peitoral do homem e ficou na ponta dos pés, sussurrando sensualmente no ouvido dele:

“Uma proposta muito mais interessante, para nós dois...” Sugeriu e mordeu de leve o lóbulo daquele homem aterrorizante. Estava apavorado por dentro, mas quando incorporava a deusa que lhe dava o nome, conseguia esconder todos esses sentimentos num lugar bem longe da superfície. “Eu posso te dar muito prazer, essa noite... E em troca, você não toca no meu rosto.”

Máscara puxou Dite pelos cabelos, afastando-se bruscamente de si. A expressão do homem estava ainda pior, e Afrodite internamente temeu que acabasse apanhando ainda mais pela ousadia; porém, manteve certo desafio mesclado com malícia na face.

“Acha que eu sou a merda de uma bicha necessitada para querer receber prazer de você?” Máscara usou a palavra você com tanto nojo, que Afrodite chegou a se sentir ofendido e com vontade de fazer o homem engolir as palavras. Levou a mão ao volume na calça de Máscara, sorrindo sarcástico ao encontrá-lo duro, com tanto pouco.

“Isso fica apenas entre nós...” Afrodite murmurou, abrindo o zíper da calça do homem e o acariciando por sobre a cueca. Inferno! Por que precisava ser tão grande? Pensou ao passar lentamente a mão por toda a extensão, sentindo o órgão pulsar entre seus dedos.

Agachou-se antes que Máscara da Morte conseguisse raciocinar o que estava para acontecer e mudasse de ideia e, tão logo seus joelhos tocaram o chão, suas mãos puxavam o membro avantajado para fora da cueca. Quando seus lábios finos envolveram voluptuosamente o sexo hirto, Máscara deixou escapar um suspiro baixo de prazer que incentivou Afrodite a forçar o volume até o fundo da garganta, enquanto massageava a base com a mão hábil.

A mão de Máscara ainda estava em seus cabelos, não em um toque gentil, mas agarrando os fios sedosos pela raiz, machucando o mais novo, além de forçá-lo a aprofundar a felação. Afrodite quase se engasgava, mas fazia de tudo para manter o homem entretido. Era humilhante e o fazia sentir a mais suja das pessoas novamente, porém preferia aquilo a apanhar até perder a consciência.

Antes que acabasse gozando, Máscara puxou Afrodite pelos cabelos, fazendo-o se levantar. Dite não conseguiu reprimir um gemidinho de dor pelo gesto brusco e olhou ofegante para o homem, sentindo-se nervoso ao encontrar aquela expressão dura, sem nenhuma emoção além de ódio sobre si.

Máscara sentia raiva por estar desejando tanto aquele garoto, de lábios finos e rubros, longos cabelos volumosos, corpo esguio e sensual... Não era certo um homem ser daquele jeito. Como punição por ser dono de uma beleza que não deveria existir em alguém do sexo masculino, Máscara arrancou as roupas do mais novo, expondo toda a pele pálida de Afrodite. Olhou-o de cima abaixo, odiando ainda mais a falta de repúdio ao observar o corpo nu.

Sem nenhuma palavra, Máscara avançou e ergueu facilmente o corpo de Afrodite, segurando-o com força nas coxas. Logo o loiro sentia as costas baterem contra a parede e experimentou a dor excruciante de ser rudemente penetrado, num único movimento que pareceu lacerá-lo. Um grito estrangulado deixou-lhe a garganta e as lágrimas escorreram pelos cantos dos olhos, abundantes.

“Era isso que você queria dizer, Afrodite, com fuck me hard?” Máscara perguntou sarcástico, ditando o que estava escrito na camiseta contra o ouvido do loiro, com a voz pesada, assim como a respiração. Dite afundou as unhas nos ombros dele quando veio a primeira estocada.

“Sim!” Afrodite mentiu, jogando a cabeça para trás e deixando-a bater contra a parede, para quem sabe se distrair da dor no outro extremo. Apertou os olhos e gemeu, dolorido, deixando claro que aquilo lhe causava apenas dor.

Mas ver Afrodite gemendo, com os lábios entreabertos e os olhos fechados, completamente nu em seus braços, enquanto o penetrava fundo, sentindo o calor e a pressão que o corpo delgado causava em seu membro, deixou Máscara ainda mais excitado e o levou a mover o quadril com ainda mais fúria, quase como se quisesse quebrar o mais novo em dois.

Enlaçando a cintura musculosa com as coxas torneadas, Afrodite abafou com uma mordida forte no lábio os gritos que queriam escapar enquanto aquele homem bruto lhe tomava o corpo com uma fúria assustadora. Em algum momento, Máscara atingiu o loiro na próstata e uma onda elétrica de prazer o assolou junto à dor. Mas era mínimo, frente à dor que sentia.

O lado sádico de Máscara gostava de ver o outro sofrendo enquanto o possuía daquela maneira agressiva, porém os gemidos do outro, mesmo que sofridos, causaram-lhe a vontade inesperada de fazê-lo gozar, e assim gritar com luxúria sob seu corpo.

Máscara desencostou Afrodite da parede e caminhou com ele no colo até a mesa de sinuca, onde o deitou e prosseguiu com o ato, porém dessa vez cuidando para ir mais devagar e atingi-lo naquele ponto que lhe arrancava gemidinhos luxuriosos. Sua mão foi ao membro ainda flácido do loiro e o masturbou, ao mesmo tempo em que seus lábios desciam para capturar um dos mamilos rosados e estranhamente atraentes.

Afrodite se assustou com aquela mudança repentina nas sensações que aquele homem lhe causava. Seu corpo foi invadido por uma sensação odiosa de tesão, e seu membro tornou-se duro na mão grande de Máscara. Suas costas arquearam quando ele aprisionou seu mamilo entre os dentes e depois o lambeu e sugou provocativamente, tudo sem parar de praticamente esmagar-lhe repetidamente a próstata.

Preferia a dor a sentir prazer nos braços daquele homem que teria o desfigurado não fosse pela luxúria humana! Mas acabou agarrando os próprios cabelos e gritando agora em gemidos sensuais, completamente fora de si, contorcendo-se violentamente sob o corpo viril e se sentindo em chamas, prestes a se afogar naquela tempestade insana de sensações cruas e proibidas. O homem o tomou com renovada empolgação quando o percebeu receptivo e seguiram-se vários minutos em que Afrodite sentia o ar faltar e o corpo sacudir com a penetração dominadora, e Máscara experimentava uma mistura de êxtase e fúria por estar gostando tanto de tomar aquele corpo como seu.

Máscara só se permitiu gozar quando Afrodite soltou um grito ainda mais alto e se derramou sobre o próprio abdômen, fincando as unhas em suas costas largas. O corpo menor se contraiu inteiro, e Máscara sentiu o falo ser esmagado no interior quente de Afrodite, o que o levou rapidamente ao ápice. Não se demorou naquela posição. Tão logo gozou, Máscara saiu de dentro do loiro e se afastou, ajeitando a calça com um movimento irritado. Assim que o fez, observou o loiro, jogado sobre a mesa de sinuca, com os joelhos dobrados e os braços molemente jogados sobre a superfície verde.

Afrodite se levantou, porém assim que colocou os pés no piso frio, percebeu-se sem forças e caiu de lado no chão, de cabeça baixa, as mãos lhe sustentando o tronco. Sangue e sêmen escorreram por entre suas pernas, sujando-lhe também as coxas. Vê-lo naquele estado causou em Máscara da Morte uma satisfação sádica. Afrodite ainda cuspiu sangue, pois havia mordido inicialmente o lábio inferior até cortá-lo internamente.

“Você tem uma semana.” Foi tudo que Máscara disse, secamente, antes de deixar o cômodo.

Dite experimentou um frio cruel arrepiar-lhe a pele e, segurando o choro, foi catar as roupas. Assim que vestido, respirou fundo e ergueu o queixo, voltando para a festa com o mesmo ar altivo de sempre. Precisava ser forte... A vida dele e de Mu dependia dos próximos dias e não havia tempo para lamentações ou arrependimentos.

XxX

“Então, o que você está a fim de comer?” Aiolia perguntou, abaixando o cardápio da lanchonete 24 horas. Ficava num posto de gasolina, e eles estavam sentados num sofá em forma de U, com uma mesinha circular no centro, que ficava perto da janela de vidro. Mu estava surpreso por ele o ter trazido ali, num lugar tão simples. Havia gostado, pois era algo a que estava acostumado e o deixava confortável.

Analisou melhor o cardápio, lambendo os beiços ao pensar no que poderia pedir. Aiolia havia garantido que iria pagar a conta, apesar de Mu relutar. Porém depois de alguns minutos e contrações dolorosas no estômago, o mais novo acabou dando-se por vencido. Fazia tempo que não comia sem precisar se preocupar com quanto gastaria. Aiolia que o perdoasse, mas iria aproveitar.

“Vou querer um x-salada, uma porção de batatas-fritas e de cebolas-fritas e um suco natural de laranja.” Falou, erguendo o olhar para o moreno. Aiolia alçou uma sobrancelha.

“Vai se entupir de porcarias... e escolhe um suco natural? Sério?” Riu. Mu mordeu o lábio e deu de ombros.

“Nunca gostei de refrigerantes.” Comentou, apoiando os cotovelos na mesa, enquanto o garçom anotava o pedido.

“Eu vou querer um x-bacon e uma coca-cola 300ml.” Aiolia disse ao homem, que logo se afastou com os pedidos. Havia poucas pessoas àquela hora na lanchonete, conversando e soltando risadas eventuais.

“Então... Da onde você surgiu? Como eu nunca te vi antes por aí?” Aiolia perguntou, olhando diretamente para a face de Mu, que se sentiu constrangido com o olhar interessado, e nervoso por que havia chegado o momento de mentir.

“Eu e meu irmão nos mudamos há alguns dias. Ele conhece algumas pessoas e por isso entramos na sua festa. Me desculpe por entrarmos de penetra.” Explicou, e falava com sinceridade. Ao menos em parte. Se sentia realmente culpado por todo aquele plano arquitetado com Dite.

“Não tem problema, não devem ter sido os únicos.” Piscou. “Vocês moravam onde?”

“Numa cidade no interior. Nossos pais eram donos de terras, mas morreram há três anos. Meu irmão já era maior de idade e foi na justiça para ganhar minha guarda. Ficamos um tempo morando no mesmo lugar, mas as lembranças começaram a se tornar dolorosas demais, então resolvemos nos mudar para cidade grande...” Mu recitou tudo que haviam inventado, cuidando para não entrar em detalhes. Quanto mais ‘geral’ o relato fosse, melhor para evitar contradições.

Mu ficou surpreso ao sentir a mão de Aiolia sobre a sua.

“Deve ter sido difícil...” Ele murmurou. Mu sorriu, compreensivo, e segurou a mão do mais velho na sua. Era estranhamente mais quente do que qualquer outra mão que já houvesse tocado.

“Assim como deve estar sendo para você. Quer conversar sobre isso?” Perguntou com cuidado. Talvez fosse cedo para que tivessem uma conversa tão íntima, mas de algum modo sentiu que Aiolia precisava de alguém para desabafar.

O moreno hesitou, encarando-o como se continuasse a achá-lo estranho. Mu suspirou.

“Dizem que falar ajuda, quando nos sentimos mal por alguma dor emocional. Você pode falar comigo, se quiser, ou com alguma outra pessoa... Mas não é bom manter tudo apenas para você.” Disse num tom amigo, acariciando a mão alheia, maior que a sua, ainda que achasse seus dedos longos.

Aiolia abaixou a cabeça por um momento e deixou uma risada escapar pelo nariz, enquanto um sorriso crescia no canto de seus lábios.

“Por que você acha que eu dei aquela festa?” Perguntou, erguendo a cabeça e mirando Mu ainda mais intensamente do que antes, a ponto do coração do mais novo se agitar no peito. Mordeu o lábio, hesitando um pouco.

“Antes de te conhecer, eu achei que era por que a morte dos teus pais não significou muito para você. Mas agora... Eu acho que você apenas quis esconder a dor que está sentindo. Eu consigo... Ver nos seus olhos que ela está te machucando. Você queria que aos menos os outros se divertissem, e quem sabe você também conseguiria se divertir também e esquecer, mesmo que por apenas algumas horas... Mas não deu certo, por isso você quis fugir de lá com um completo desconhecido.” Mu retribuiu o olhar e percebeu que Aiolia arregalara ligeiramente os olhos, surpreso com o que falara.

Nem mesmo Aiolia poderia ter colocado tão bem o que sentia, como Mu havia feito. Era como se ele o conhecesse há anos, mais do que Aiolia conhecia a si próprio. Como era possível?

Antes que o moreno pudesse retrucar, o garçom chegou com os pedidos e, em silêncio, Aiolia deteve-se em observar Mu comer, como uma criança que experimenta um doce pela primeira vez. Ele comia com genuína satisfação, era gostoso de observar e parecia deixar seu próprio lanche mais saboroso.

“Sabe Mu,” Disse Aiolia em certo momento. “Gastar tanto com aquela festa parece que valeu mesmo à pena.”

“Por quê?” Mu perguntou de boca meio cheia, estranhando o comentário repentino.

“Porque tive a chance de te conhecer.” Sorriu alegremente, e voltou a comer o x-bacon. Foi a vez de Mu arregalar os olhos e experimentar uma ardência nas bochechas. Depois acabou sorrindo, um pouco constrangido e também culpado. Daqui umas semanas você vai preferir nunca ter me conhecido. Pensou tristemente.

Notas finais
AÊ! Ownti, o Mu não é um amor? *.* E quem quer socar o Máscara junto comigo? Ò.ó
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Obrigada pelas reviews: Bruna Uzumaki, Mitchan Amamiya, reneev, Hanajima e Orphelin! Vocês são uns amores! ♥
Até a próxima! Beijinhos!!! :*