Dite pegou um táxi que o levaria até o hotel onde ele e Mu supostamente estavam hospedados até que encontrassem uma casa para comprar. Lorotas... Eles estavam era numa pensão barata atravessando a rua. Dite , mancando, caminhou até a entrada e se encostou a um dos pilares grossos e altos que davam à frente do hotel um ar majestoso.

Depois de procurar muito por Mu na festa e não encontrá-lo em lugar nenhum, chegou à conclusão de que ele deveria ter ido embora ao ser deixado tanto tempo sozinho. Por favor, seja isso! Não deixe que algum filho da puta como aquele Mascará da Morte o tenha encontrado! Pensou desesperado, e postergando a ida para a pensão pelo medo de encontrá-lo machucado, ou pior, nem encontrá-lo!

Ficou ali por alguns segundos, olhando para o céu e reprimindo a vontade de chorar. Era tudo culpa sua. Quase três anos de roubos bem sucedidos haviam garantido, principalmente a Dite, experiência e até certa fama no submundo. A mente ágil, estrategista e esperta do pisciano era um trunfo que poucos bandidos possuíam. Se tivesse os recursos certos, então, poderia roubar qualquer coisa.

E esse fora o problema...

Havia acreditado em um filho da puta que os contratara para que realizassem um roubo, em troca de uma quantia generosa de dinheiro que, enfim, garantiria uma liberdade verdadeira aos dois. Porém, depois de feito, o contratante lhes pagou uma quantia ridícula e sumiu, junto com a carga roubada que era, na verdade, um diamante amarelo de 110 quilates que poderia facilmente custar uns 15 milhões, se não mais!

O grande problema era que a pedra pertencia ao homem mais poderoso e perigoso do país.

Os capangas dele os encontraram e exigiram que pagassem a quantia roubada. Era absurdo, nunca dois rapazes comuns conseguiriam pagá-lo. Então, surpreendentemente, o homem diminuiu o preço e exigiu apenas um milhão quando Dite implorou e explicou que eram peões e que haviam sido enganados também. Isso depois de passar todas as informações que sabiam sobre o idiota que fugira com o diamante.

Isso havia se passado há pouco tempo, e o prazo se esgotaria em uma semana, agora...

Temos uma vida tão fudida, que até aquele mafioso idiota se compadeceu da gente... Ah! Eu estou pensando baixo, preciso é de uns cinco milhões para compensar toda essa merda de hoje!

Dite e Mu já havia tentado parar em cidades e arranjar algum emprego, mas a polícia, o conselho tutelar e ainda um detetive particular contratado pelo desgraçado de quem haviam fugido perseguiam seus rastros. E havia também Máscara de Morte os seguindo e observando de longe.

Tudo que Dite queria era deixar o país e reiniciar uma nova vida, em outro lugar, esquecer de tudo que haviam passado. A ideia de um golpe do baú era falha. Repleta de falhas! Mesmo que o casamento gay houvesse sido permitido pela lei, muitas coisas poderiam dar errado. E como faria para casar com Aiolia, quando havia perdido a chance de encontrá-lo naquela noite?

Talvez seja melhor começar a fugir de verdade. Dite pensou, com um suspiro cansado. Realmente precisava de mais de um milhão para isso.

Desencostou-se do pilar e teria começado a andar, se não fosse por uma cena completamente inusitada. Um Porsche parou em frente ao hotel e, para completo assombro de Dite, Mu saiu de dentro dele e, do lado do motorista, Aiolia também saía do carro!

O queixo de Dite despencou ao ver Aiolia contornar o carro e começar a conversar com Mu, segurando-lhe a mão e fazendo seu melhor amigo corar sem jeito para algo que ele falava próximo a seu ouvido. Então Mu abriu uma expressão surpresa, a mesma carinha engraçada que sempre fazia quando Dite lhe contava uma novidade agradável, e Dite não pôde impedir-se de se sentir curioso. Era um saco que não pudesse escutá-los!

Mu assentiu, abrindo um sorriso que Dite avaliou como meigo, e percebeu que Aiolia também deveria ter achado o mesmo, dada a maneira cativada que olhava para o rosto do mais novo. Eles pareceram se despedir, e Mu chegou a dar as costas para Aiolia e andar um passo, mas Aiolia subitamente o puxou pela mão, fazendo o corpo de Mu girar com pouco equilíbrio.

O leonino segurou firme a cintura e a nuca de Mu, antes de os lábios se encontrarem a meio caminho. Dite levou a mão à boca, tapando-a e exultando por dentro, enquanto via Aiolia mover os lábios sobre os de Mu, em um beijo lento, mas intenso. Dite só poderia imaginar o quanto os batimentos cardíacos do amigo deveriam estar altos e descontrolados. Mu certamente não estava esperando por aquilo, e muito menos parecia retribuir muito bem à maneira calma e doce com que Aiolia lhe tomava a boca.

Quando o milionário se afastou, abriu um sorriso enorme, que parecia alcançar as orelhas. Ele se despediu de novo e seguiu para o carro, dando a partida e desaparecendo pelas ruas noturnas, enquanto Mu continuava parado no mesmo lugar, com os olhos arregalados e dois dedos sobre os lábios, parecendo incapaz de acreditar no que havia acabado de acontecer.

Dite havia ganhado a noite. Depois de acreditar que tudo estava perdido e que havia entregado seu corpo de barganha por nada, o destino enfim parecia sorrir-lhe. Correu até Mu e praticamente pulou em cima do amigo, abraçando-o por trás com os braços jogados por cima dos ombros pequenos.

O mais novo levou um susto, soltando uma exclamação que saiu mais alta pelo silêncio da madrugada.

“Mu! Você conseguiu! Encontrou com ele e ainda fez ele se interessar por você logo de cara! Ai, é por isso que eu te amo tanto!!!” Exclamou, estreitando-o em seus braços, praticamente o sufocando.

“Dite!” Mu se acalmou ao perceber de quem se tratava, por um momento achara que um assaltante o atacara na calada da noite. Afrodite o soltou e o virou para si, com um sorriso deliciado.

“E então?” Perguntou.

“Ele... Ele me beijou.” Mu disse debilmente. Afrodite riu.

“Isso eu vi! Mas quero que me conte tudo, nos mínimos detalhes!” Exigiu.

Mu ainda ficou vários segundos com a expressão aérea, tocando de leve os lábios. Seu coração ainda palpitava, agitado, mas não tanto quanto no momento em que sentira a boca ardente de Aiolia cobrir a sua. Fora seu primeiro beijo... Até os quinze anos era muito tímido para beijar alguém e, depois disso, não tivera mais tempo para se envolver com ninguém, já que ele e Dite viviam fugindo.

“Foi meu primeiro beijo.” Murmurou tolamente. Dite suspirou e acariciou a bochecha macia do amigo.

“Eu sei... Foi bom?” Perguntou com um sorriso carinhoso. “Ou foi muito nojento beijar outro homem?”

“Eu... Eu não sei.” Mu sussurrou, impressionado. “Mas não foi nojento, só... Eu acho que estou com gosto de cebola na boca.” Fez uma careta e testou o próprio hálito. Dite gargalhou e um sorrisinho malicioso se desenhou em seus lábios.

“Pelo sorrisão que ele abriu depois de te beijar, eu duvido! Vem, vamos para a pensão, lá você me conta tudo.” Disse, já puxando o amigo consigo em direção à pensão barata onde estavam hospedados.

XxX

A primeira coisa que Dite fez ao entrar no quarto da pensão foi ir ao banheiro e tomar um banho demorado, para livrar o corpo de qualquer resquício daquele homem odioso. Quando saiu do boxe e enrolou uma toalha na cintura, Mu abriu a porta e o encarou com um olhar firme e sério, os braços cruzados sobre o peito e as sobrancelhas quase unidas numa só pelo franzir da testa.

“O que aconteceu?” Mu perguntou, e seu tom denunciava que não iria acreditar em qualquer bobagem que Dite inventasse. “Eu percebi que você está mancando, e agora vejo seu corpo com dois hematomas horríveis na cintura e outros no pescoço, e seus mamilos estão roxos também... Quem fez isso com você?”

Dite sentiu o rosto arder de vergonha. Não queria que Mu soubesse daquilo, ou que se preocupasse com aquilo justo agora, quando precisava estar tranquilo e relaxado para conquistar Aiolia.

“Não foi nada...” Disse e tirou a toalha para começar a se arrumar, sem se importar com a presença do outro. Eram como irmãos, mesmo que não compartilhassem do mesmo sangue, então nem se importava que o outro o visse pelado.

Mu bufou e voltou para o quarto. Esperaria Dite se arrumar, mas não daria trégua. O loiro sempre inventava de deixá-lo o máximo de fora de assuntos que eram problema dos dois, não apenas dele! Sabia que ele fazia isso para não preocupá-lo e para protegê-lo, mas já tinha dezoito anos, não era mais criança e não queria mais deixar tudo desabar sobre as costas do outro.

Assim que Dite saiu do banheiro, viu Mu sentado na cama, com os braços ainda cruzados e a expressão mortalmente séria, mais do que jamais havia visto no rosto sereno e adorável do amigo.

“Mu...”

“Nem tente me enganar dizendo que não foi nada! Se não me disser o que aconteceu, eu não conto mais nada para você também. Inclusive, desisto disso tudo e vamos ter de encontrar outra maneira de resolver nossos problemas!” Falou firme, sem desviar o olhar do loiro.

Dite suspirou pesadamente e desviou o rosto, indo até a janela e se apoiando na parede, olhando para o movimento, ou a falta dele, na rua. Depois de alguns minutos debatendo se deveria falar ou não, acabou dando-se por vencido e começou a relatar o ocorrido.

“Máscara da Morte apareceu na festa, para avisar que o prazo está acabando. Ele ia me espancar, como prenúncio do que vai acontecer se não pagarmos a dívida, mas eu... Eu não queria apanhar daquele brutamonte e acabar desfigurado...” Dite tapou a boca com a mão, segurando o choro. “Então eu... Eu me insinuei para ele, ofereci meu corpo em troca de que ele não me deixasse deformado e quase morto no chão. E ele... Ele aceitou.”

Mu havia se levantado e abraçou o amigo, acolhendo-o em seus braços naquele momento de fraqueza, sustentando-o antes que Dite escorregasse até o chão e se afogasse em soluços. O loiro escondeu o rosto no peito do amigo, necessitado daquele carinho ao mesmo tempo em que se sentia fraco por chorar na frente dele.

“Eu sou tão sujo...” Murmurou.

“Não, não é!” Mu exclamou, achando a frase o maior dos absurdos. “Você é a pessoa mais corajosa e forte que eu conheço...”

“Não sou. Tem vezes que eu sinto vontade de desistir de tudo, me sinto cansado e culpado. Eu ferrei com as nossas vidas.”

“Não ferrou. Nosso padrasto que ferrou, e por isso nós fugimos dele. Eu faria tudo de novo, porque não importa o quanto as coisas estejam complicadas agora, nós temos um ao outro e isso nunca vai mudar, ouviu? Só me deixa cuidar de você também, Dite... É sempre você que cuida de mim, mas você também precisa ser protegido.” Pediu docemente, acariciando os cabelos compridos do loiro.

O guiou até a cama depois que ele assentiu e o fez deitar, dando-lhe um beijo carinhoso na testa e ficando abraçado ao amigo por alguns minutos, até se afastar um pouco ao escutar a barriga alheia roncar de fome.

“Vou buscar alguma coisa para você comer enquanto você descansa um pouco. Eu tenho algo para contar, que certamente vai te deixar animado!” Sorriu e se levantou, deixando o quarto em seguida.

Dite olhou para o teto, suspirando. Idiota! Xingou-se. Por que está agindo feito um fraco justo agora, no momento mais crucial? Respirando fundo, resolveu cochilar enquanto Mu não voltava, preferia que ele houvesse ficado ali, para que pudesse abraçá-lo feito um ursinho de pelúcia antes de cair no sono, mas estava morto de fome e algo para comer bem que vinha a calhar.

XxX

Como havia outro posto de gasolina ali perto, Mu foi até lá e comprou um beirute e uma coca Zero. Quando voltou, quase ficou com pena de acordar o pisciano, mas precisava contar as novidades para ele, então o cutucou de leve. Dite se espreguiçou feito um gato, como se estivesse dormindo há muito tempo, antes de abrir os olhos.

“Você demorou.” Falou, sentando na cama com as pernas cruzadas. “Vai contar agora o que aconteceu, ou vai exigir que eu entre em detalhes sobre a minha agradável noite...?” Perguntou sarcástico, e Mu balançou a cabeça vendo que o amigo já estava bem melhor.

“Claro que não! Olha, come enquanto eu te conto. Eu já comi com o Aiolia, antes.” Falou, empurrando as coisas para ele. E então começou a contar tudo do princípio, desde que os dois haviam se separado na festa, até chegar à parte do relato que fez Dite quase se engasgar com a coca zero.

“Ele o quê?!?”

“Isso mesmo que você ouviu...” Mu sorriu de leve e abaixou a cabeça, encabulado.

“Eu não acredito! Isso é perfeito, é genial! É tudo de que precisávamos!” Dite exclamou agarrando os cabelos e soltando um gritinho de contentamento ao jogar o corpo contra o colchão, batendo as costas nele. “Duas semanas na casa de campo dele, com os amigos dele!” Começou a rir. “Eu não acredito que ele te convidou para isso depois de passar só algumas horas contigo! Você fisgou mesmo o peixe, hein?”

“Não fala assim!” Mu corou. “Eu fico sem jeito...”

Dite sorriu, achando graça.

“E quando ele vai? Precisamos nos preparar, comprar algumas roupas melhores, porque com as que a gente tem, não tem jeito, vão perceber que somos uns pés rapados, e não os riquinhos que queremos aparentar!” Mil ideias já iam se formando na mente de Dite. Eles tinham uma semana antes de Máscara da Morte aparecer novamente, mas talvez conseguisse aumentar para duas, se desse a garantia que pagariam ao final do prazo...

“Ele vai depois de amanhã. Eu passei o número do teu celular para ele, e ele disse que vai me ligar para combinar melhor, mas que passa na frente do hotel de manhã cedo para nos buscar.” Informou.

Ficaram ainda conversando por algumas horas, planejando como agiriam, o que fariam, detalhando mais a história dos dois para que não se contradissessem sobre ela depois. No fim, acabaram adormecendo, deitados, meio tortos e meio abraçados na cama, como duas crianças que haviam brincado e comido doces demais durante a noite.

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“Estou nervoso.” Mu admitiu enquanto eles esperavam, de mala e cuia, a chegada de Aiolia na frente do hotel. “Acho melhor desistirmos.” Falou, já dando as costas para se mandar dali, mas Dite o segurou e impediu que ele escapasse.

“Ficou maluco!? Nós vamos sim, você vai enganar o mané, nós conseguiremos a grana e depois fugiremos para bem longe!” Dite exclamou, praticamente sacudindo o ariano para que ele recuperasse a coragem.

“Mas eu me sinto tão mal! Aiolia é uma boa pessoa.” Mu explicou, numa última tentativa. Seu coração sempre se contraía quando faziam algo que sabia que era errado, e conhecer a vítima tornava tudo ainda pior.

“Nós também somos, só que somos boas pessoas com um problemão. E não se preocupe, talvez ele comece a gostar tanto de você, que nem se importe quando for roubado.” Dite deu de ombros, enquanto ostentava uma expressão descontraída.

Mu suspirou. Tinha de fazer aquilo, depois do que havia acontecido com Dite, não podia se dar ao luxo de desistir e se deixar levar pela consciência pesada. Talvez nem desse certo, quem garantiria que Aiolia iria se apaixonar e querer casar tão repentinamente? Era quase uma piada. Se nas duas semanas não acontecesse o que planejavam, teriam de fugir novamente, e dessa vez para bem longe.

O coração de Mu acelerou quando uma caminhonete preta Suburban parou em frente ao hotel e Aiolia desceu dela, abrindo um sorriso tão logo viu Mu o esperando. Caminhou até ele e, inesperadamente, o abraçou, a ponto de erguer o mais novo alguns centímetros do chão. Mu arregalou os olhos, corando, enquanto Dite achava o máximo que aquele o ricaço já estivesse agindo assim com o ariano.

Mu o fisgou direitinho!’ Pensou Dite, com orgulho.

“Você não sabe como estou feliz que você aceitou o meu convite.” Aiolia sussurrou perto do ouvido de Mu, que estremeceu de leve e sorriu suavemente, mas se afastou antes que acabasse ganhando outro beijo, já que o olhar de Aiolia desviara-se para sua boca.

Aiolia então olhou para Dite, ainda sorrindo.

“Olá, você deve ser o irmão do Mu. Prazer em conhecê-lo.” Estendeu a mão, ao que Dite aceitou prontamente, com um sorrisinho de lado.

“Prazer! Agradecemos pelo convite. Você não imagina como o Mu ficou empolgado com a ideia de passar duas semanas com você.” Dite logo emendou.

“Dite!” Mu exclamou, repreendendo e ficando ainda mais vermelho.

“Mesmo?” Aiolia perguntou ao mesmo tempo, admirado, o sorriso se alargando ao olhar para o ariano envergonhado ao seu lado. “Eu também estou muito empolgado...” Murmurou, puxando Mu pela cintura.

“Hei! Vocês vêm, ou vão ficar aí matraqueando?” Alguém gritou da porta da caminhonete. Os três desviaram o olhar para o rapaz de cabelos loiro-queimados e compridos e jeito de moleque, usando um óculos escuro e sorrindo torto para o trio.

“Estamos indo, Milo!” Aiolia retrucou, ao que um outro loiro, com a expressão não tão descontraída, abriu o vidro fumê do último lance de bancos da caminhonete e apoiou os braços nele, colocando a cabeça um pouco pra fora.

“Se você demorar mais um segundo, eu juro que desisto disso, Aiolia. Ainda não acredito que você convidou o Ikki e nem foi capaz de me avisar! Eu não teria vindo de jeito nenhum.” Shaka falou serenamente, sem se importar que o dito cujo estivesse sentado bem ao seu lado.

“Fala sério, você está é louco de felicidade que eu estou aqui.” Ikki retrucou, puxando o loiro de volta para dentro e o abraçando por trás, roçando o nariz no pescoço cheiroso. Shaka revirou os olhos.

“Crianças...” Murmurou, dando um peteleco na testa de Ikki, para que este o soltasse, e arrancando uma exclamação indignada do mais novo.

Aiolia balançou a cabeça e voltou a olhar Mu, podendo ouvir Camus mandar aqueles dois pararem de discutir quando Ikki ficou a reclamar do loiro.

“Eu ajudo com a mala. Podem ir entrando, mas você vai no banco da frente, comigo.” Aiolia piscou para Mu e pegou todas as malas sem dificuldade, as levando para o porta-malas. Apesar da recente morte dos pais, sentia-se um pouco mais feliz novamente. Havia passado toda a última semana trancado no quarto, sem mal tomar banho ou se alimentar direito. Decidira fazer uma festa para ver se apagava a sensação de amargura e tristeza, o que não adiantou de nada, e foi quando conheceu Mu e sentiu uma sensação boa surgir de novo no peito.

Ir com ele e com os amigos do peito para a casa de campo, relaxar e descansar, esquecer-se dos problemas por alguns dias, seria bom. O ajudaria a lidar com a situação atual, preparar-se, antes de ter que assumir todos os negócios do pai, quando nem havia terminado a faculdade. Ao menos estava de férias, do contrário, teria de perder um semestre para decidir o que fazer da vida.

Mu seguiu para entrar na caminhonete, cumprimentando os outros passageiros com seu habitual ar tranquilo, ao que Dite fez o mesmo, porém estancando quando se deparou com um rapaz de cabelos negros e rosto de traços que lhe davam algo de feroz e sexy. Acabou perdendo as palavras, ao perceber que aquele era justamente o riquinho que havia seduzido para conseguir entrada na festa de Aiolia.

“Olá, Afrodite. Não achei que iria te encontrar tão cedo de novo... Não depois de você sumir ontem à noite.” Comentou o rapaz, com os olhos azuis profundo cintilando em ironia.

E mais essa agora... Dite pensou, se recompondo e abrindo um sorriso provocativo ao se sentar justo ao lado dele.

“É um prazer revê-lo, Saga.” Comentou, casualmente. Isso não era bom, Saga perceberia que era estranho ele ter o usado para entrar na festa, sendo que, se ele fosse mesmo rico, não precisaria dessa artimanha. Preciso pensar numa desculpa, e rápido!

“Imagino...” Saga sorriu.

“Vocês se conhecem?” Aiolia perguntou entrando na caminhonete e logo dando a partida. Não sem antes lançar um sorriso galante para Mu, que retribuiu timidamente.

“Ah, nos conhecemos ontem. Foi algo rápido, mas bastante interessante.” Saga comentou, olhando maliciosamente para Afrodite que, incrivelmente, sentiu-se corar e desviou o olhar, um tanto emburrado. Achava que teria alguns dias de tranquilidade, na medida do possível, mas a vida adorava lhe pregar peças, estava comprovado!

“Então você deu sorte, Saga. Deixou de ser o único solteirão a ir na casa de campo!” Milo exclamou, sugestivo, e recebeu um olhar mortal de Afrodite junto com um sorrisinho seco.

“Milo, será que você nunca consegue manter a língua dentro da boca?” Camus perguntou por notar o desconforto do pisciano. A caminhonete tinha espaço para oito pessoas. O único real casal dali, Camus e Milo, estavam sentados em bancos separados, respectivamente ao lado de Ikki e Saga.

“E quem disse que eu também não estou solteiro?” Shaka perguntou. “Só pode estar sonhando quem acha que eu tenho algo com o pivete do Ikki.”

“Você fala isso agora... Veremos daqui uns dias.” Ikki murmurou consigo mesmo, sombriamente.

Aiolia olhou para Mu quase como se pedisse desculpas.

“Não repare, meus amigos podem parecer meio malucos no início, mas são boa gente.”

“Sabe, Aiolia, não há nenhum vidro anti-som entre você e o resto de nós.” Saga comentou, irônico.

“Nem anti-bala!” Milo emendou, enquanto Shaka reclamava que o único maluco naquele carro era Ikki, e Saga discretamente estendia o braço por trás do banco e colava mais o corpo contra o de Afrodite.


Notas finais
Eu nem vou dar muita atenção para outros casais além dos que estão na sinopse, só algumas ceninhas e tals, ok? :D
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Obrigada aos amores que comentam: Álefe, Hanajima, Orphelin, Mitchan Amamiya, Bruna Uzumaki, Akari, LauraLuna, Blackstar! ♥
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Presente de Natal para vocês esse cap. Agora vou me aquietar um pouco e voltar aos estudos. /chora
Beijos!