Não Compre meu Amor
4 EXTRA - Hyoga & Shun
Notas iniciais
A música alta machucava-lhe os ouvidos, e aqueles jovens estabanados dançando completamente bêbados ou drogados por todo o salão o fazia suspirar com certo desagrado. Porém sua expressão mantinha-se serena. Aquela escória comprava boa parte das drogas que vendia, uma parte mínima de seus negócios, mas que lhe rendia bons frutos.
“Lá está o garoto.” O russo indicou a Máscara da Morte, vendo o rapaz de longos cabelos loiros, mais claros que os seus, apoiado desoladamente no bar daquela festa, numa postura corporal bastante díspar daquela confiante que ele tentava ostentar para o outros.
Havia simpatizado com o rapaz, percebendo-o, junto com o outro garoto, como vítima daquela sociedade difícil. Ele o fazia lembrar de si mesmo, na infância, antes que sua mãe morresse em um acidente trágico e toda a inocência fosse arrancada de seu corpo. Por isso diminuíra o preço, para um milhão. Às vezes, esperava que os dois garotos conseguissem juntar tal quantia, pois não lhe aprazia matá-los. Porém, se os deixasse partir, qualquer um pensaria que poderia roubar-lhe e sair ileso. Por isso completou a Máscara da Morte:
“Não o machuque muito, isso é apenas um lembrete. Frágil como o físico dele parece, um soco no rosto e uma joelhada na barriga já o deixarão no chão. Mas não use toda sua força, ou vai desmontar o rapaz.” Falou, condescendente. “Coloque aquelas suas luvas, isso sempre os assusta.”
Máscara apenas assentiu, silencioso como sempre, e afastou-se em direção a Afrodite, deixando o russo ‘sozinho’ na festa.
Ele andou pelo lugar, distraidamente. Viera ali também para encontrar um homem com quem fecharia negócios escusos, e já o havia feito. Tais festas eram boas para selar contratos, ninguém nunca desconfiaria que tal coisa aconteceria em meio à tamanha confusão.
Poderia ir embora, mas acabou ficando mais um pouco, observando ao redor.
Até que seus olhos captaram uma imagem que lhe interessou. Um rapaz de cabelos castanhos até os ombros magros e rosto angelical, sorria com as bochechas coradas enquanto conversava com outros dois garotos, um deles com o braço ao redor da cintura esguia do garoto.
Ele era absolutamente adorável.
E Alexei Hyoga Yukida gostava de garotos adoráveis. Principalmente sob seu corpo, em uma larga cama de dossel. Enfim alguém interessante, pensou, apoiando-se contra a parede e ficando ali, apenas observando o garoto, tentando adivinhar-lhe o nome.
Mas seu olhar tornou-se duro quando o outro que o abraçava pela cintura tentou beijá-lo e, ao ser recusado, continuar a tentar forçar um beijo ou aproximação. O terceiro ali ainda tentou segurar o rapaz, que se mostrava irritado porque o de cabelos castanhos fugia de suas investidas, mas acabou desistindo ao quase apanhar do idiota.
Irritado ao ver o adolescente continuar a tentar agarrar o pequeno, que tentava se soltar a todo custo, Hyoga se desencostou da parede e caminhou até eles. Sua pose e altivez, assim como olhar firme, faziam as pessoas se afastarem de leve para que passasse, de modo que não esbarrava em nenhuma. Era como se os outros conseguissem perceber o poder que seu status exalava.
O adolescente idiota parou de tentar beijar o outro a força e o encarou – parado perto dos dois com os braços cruzados sobre o peito – de um modo irritado.
Hyoga sorriu.
“Será que poderia conversar um pouco com você?” Perguntou diretamente para o garoto de cabelos castanhos, ignorando por inteiro o outro.
“Será que não percebeu que ele está comigo, ô mané?” Perguntou o idiota, com a voz um pouco embargada pela bebida, ousando empurrar o russo, que cambaleou um passo para trás.
Hyoga calmamente desviou o olhar para o adolescente que o empurrara, seu olhar fazendo o rapaz engolir em seco. O loiro era alto, e a roupa, mesmo que um tanto formal, denunciava os músculos fortes que compunham o corpo bem proporcionado. O adolescente tentou gaguejar alguma coisa, mas antes que pudesse, a mão de Hyoga apertava-lhe firmemente o pescoço, impedindo-o de respirar adequadamente.
Puxou-o para perto, olhando bem dentro dos olhos dele.
“Eu deveria matá-lo por incomodar um anjo.” Sussurrou, apertando com ainda mais força, a ponto de deixar o outro cianótico, os lábios roxos.
“Hei, pare! Solte-o! Ele só está bêbado!” Shun se meteu ao perceber que o outro estava a ponto de matar seu amigo. Não que Siegfried fosse um amigo. Ele estava mais para conhecido de festas, já que era mais nela que se encontravam, sendo que ele sempre inventava de tentar agarrar-lhe quando bebia demais. “Pelo amor de Deus, você vai acabar matando ele!”
Hyoga soltou o rapaz, empurrando-o no processo, o que fez Siegfried cambalear para trás e cair de bunda no chão, enquanto tossia e levava a mão à garganta avermelhada e inchada.
“Vamos sair daqui.” Hyoga falou, segurando o pulso de Shun e o puxando consigo em direção à saída. Chegaram a um beco lateral à festa, onde uma limusine preta esperava nas sombras. Shun se deixara levar pela perplexidade de quase ver o outro morrer de asfixia pela mão daquele desconhecido, que exalava poder e chegava a causar-lhe arrepios ao encará-lo, porém estacou e puxou a mão, andando alguns passos para trás.
“Onde está me levando?” Perguntou assustado, já pensando que Ikki o mataria por ter saído da festa com um completo estranho. Hyoga olhou para a figura angelical, que o encarava um pouco alarmado. Preferiria que ele houvesse feito a pergunta quando já estivessem no carro...
“Para meu apartamento.” Falou, como se aquilo não fosse nada. A confiança que tinha de que aquilo iria acontecer fez Shun franzir as sobrancelhas.
“Por quê?” Perguntou. “Quem disse que eu quero ir?”
“E por que não iria querer?” Hyoga perguntou, sorrindo charmoso enquanto se aproximava. Shun tropeçou um passo para trás, mas o loiro o amparou, fazendo um arrepio descer-lhe pela espinha, deixando-o todo arrepiado.
“Porque... Porque eu nem te conheço...” Shun balbuciou, com o coração disparando feito uma arma engatilhada. “Você pode ser um pervertido que quer abusar do meu corpo...” Falou o que o irmão sempre lhe dizia sobre estranhos.
Hyoga riu de leve, enquanto aproximava os lábios da boca do outro.
“Então é melhor você correr, porque abusar do seu corpo é exatamente o que eu quero...” Sussurrou contra os lábios macios do menor, fazendo Shun ofegar baixinho e prender a respiração, voltando a se arrepiar por completo.
XxX
Shun sabia que não deveria estar ali. Aliás, não fazia ideia de por que havia se deixado levar por aquele desconhecido. Quando entrou no apartamento do loiro, o queixo caiu consideravelmente, visto a elegância e luxo do lugar. As janelas no living iam até o teto, deixando à mostra uma vista incrível da cidade, os móveis eram todos de bom gosto e aspecto caro, e o ambiente era claro e aconchegante.
“Impressionado?” Hyoga perguntou às costas do mais novo, inclinando-se para perguntar próximo ao ouvido de Shun, que voltou a se arrepiar e se afastou alguns passos, adentrando mais no apartamento suntuoso.
“Tem uma vista linda!” Shun falou, indo até a janela e, sem pedir permissão, abrindo a porta de rolar de vidro, e seguindo para a sacada que contornava a parte frontal do apartamento. Observou a cidade com um sorriso encantado, enquanto respirava profundamente, enchendo os pulmões com o ar fresco da madrugada.
Hyoga o seguiu, parando ao seu lado e o mirando com interessados olhos azul-claros. Shun percebeu a análise intensa e corou, olhando para o lado oposto.
“Eu não... Eu nunca... me interessei por homens.” Resolveu avisar, apesar de achar idiota dizer aquilo quando já estava no apartamento do outro. Por que havia vindo, afinal?
Hyoga franziu as sobrancelhas, achando que ou aquela era uma bela mentira, ou ele havia sido o primeiro homem a despertar interesse no garoto.
“Está bem.” Resolveu não contrariar. “Mas conheço muitos héteros que já sentiram vontade de experimentar.” Sorriu quando puxou Shun e o abraçou pela cintura, fazendo o garoto erguer a cabeça para fitá-lo com um olhar espantado. “Vai querer beber alguma coisa?”
“Alguma coisa com álcool.” Shun resmungou. Só assim para conseguir sobreviver àquela noite. Hyoga lhe roubou um selo, antes de soltá-lo e seguir até a copa, deixando Shun completamente avermelhado para trás.
“Você não comentou quantos anos tem...” Hyoga falou do lado de dentro, acordando Shun de seus devaneios. O mais novo estava perplexo por ter-se imaginado aos beijos com aquele loiro sensual. Meu Deus, eu realmente pensei que ele é sensual???
“Eu tenho quinze anos...” Falou, esquecendo-se de mentir, e logo depois quis bater a cabeça na parede. Principalmente quando voltou ao living e viu Hyoga o encarando com a expressão surpresa, os olhos ligeiramente arregalados.
“Só quinze?” Hyoga perguntou. Não que ele parecesse mais velho do que aquilo, mas achara que ele era daquelas pessoas que aparentavam menos idade do que a realidade. “O que um garoto de quinze anos estava fazendo em uma festa daquelas?” Perguntou, parando de preparar o drinque. “Você nem deveria ingerir álcool.”
“Não me trate como criança!” Shun reclamou, odiando a mudança de atitude do loiro. O desejo nos olhos dele pareceu sumir, e agora ele iria tratá-lo feito um pirralho! “Meu irmão me deixa ir em festas desde que ele vá também...”
“E quantos anos tem seu irmão?” Hyoga se apoiou no balcão de pedra.
“Dezessete...” Shun murmurou, sabendo que aquilo não causaria muito impacto. Mas ele nunca conseguia mentir.
“Outro pivete.” Hyoga suspirou. Aquilo não daria certo, sentir-se-ia como um pedófilo se ficasse com aquele garoto aquela noite.
“E quantos anos você tem?” Shun perguntou, petulante, cruzando os braços sobre o peito. “Não parece tão velho para ficar chamando os outros de pivetes!”
“Eu tenho 27.” Hyoga falou, surpreendendo Shun, que não daria ao loiro mais do que 23 anos. Hyoga sorriu frente à careta de espanto do mais novo. “Vê o problema? Sou velho demais para você.”
Shun abaixou a cabeça. Por que se sentia decepcionado? Deveria estar feliz, não é verdade? Não era gay... Ou achava que não, até tudo naquele loiro deixá-lo com os pelos eriçados. E a diferença de idade só conseguia deixá-lo com o corpo ainda mais excitado, em expectativa de como seria fazer sexo com um homem mais velho.
Ai, não, estou virando um pervertido, pensando em fazer sexo com um velhote! Shun se desesperou, corando furiosamente e mordendo os lábios. Hyoga continuava a observá-lo, parecendo estudá-lo em silêncio, e isso só o deixava mais nervoso.
“Então você não me quer mais?” Perguntou. E por pouco não correu e se jogou da sacada. O que estava dizendo?
Hyoga soltou uma risada gostosa de ouvir, achando graça. Nunca seria capaz de não querer um garoto tão lindo e adorável, mas mesmo que fosse um criminoso em muitos níveis, ainda tinha seus princípios, e levar um garoto doze anos mais novo para cama ia contra tais princípios.
“Vou esquentar um leite para você.” Hyoga falou, na brincadeira, mas indo até a geladeira em busca do leite. Shun se eriçou inteiro, de indignação.
“Não sou a droga de uma criança!” Exclamou.
“Você mal saiu das fraldas.” Hyoga replicou tranquilo, pegando a caixinha de leite e uma xícara no armário.
“Pois fique sabendo que eu já fiz muita coisa que criança nenhuma faria!” Shun avisou. Impressionou-se consigo mesmo por conseguir mentir até mesmo um tanto convincente. Hyoga largou as coisas em cima do balcão e olhou para o menor, com um sorriso divertido.
“É mesmo? Tipo o quê?”
“Eu já... Transei com muitas garotas e... Também já transei num lugar público e... e... eu...” Shun parou, tentando pensar em algo devasso, mas sua mente ficou em branco. Nunca fora seu forte pensar em coisas pervertidas.
Hyoga riu de novo, apoiando a bochecha no punho.
“Você é mesmo adorável... É virgem?”
“Eu acabei de falar que já-“
“Nós dois sabemos que isso é uma bela mentira. Aliás, você é um péssimo mentiroso.” Sorriu de lado e, com um gesto de mão, pediu a Shun que se aproximasse. Timidamente, Shun caminhou até o loiro, sendo prontamente abraçado e colocado contra o balcão ao alcançá-lo. “Está tão a fim de que eu prove seu corpo, a ponto de inventar um monte de mentiras?” Hyoga perguntou, deslizando a boca pelo pescoço de Shun, que sentiu as pernas faltarem e se agarrou ao loiro, respirando ruidosamente.
“Eu não gosto que me tratem como criança...” Shun resmungou, gemendo baixinho quando o outro sugou-lhe a pele com força calculada, gerando faíscas em seu baixo ventre.
“Mas você é uma criança...” Hyoga afirmou, subindo os lábios pelo trajeto da jugular, contornando o maxilar pequeno de Shun e alcançando-lhe a boca sedutora. “Uma criança linda...” Sussurrou antes de afundar os lábios nos do menor, buscando passagem com a língua e apreciando quando Shun permitiu-lhe aprofundar o beijo.
Shun gemeu e se abraçou forte ao outro, sentindo o corpo queimar como nunca antes, adorando o sabor refrescante da boca do loiro. Era virgem sim, e até o momento nunca havia pensado muito sobre a própria sexualidade, evitando o assunto por receio de descobrir justamente o que descobria agora: que eram os toques de um homem que lhe interessavam.
Voltou a gemer quando o loiro o segurou pela cintura e ergueu, fazendo-o sentar no balcão, para que se acomodasse entre suas pernas. Sentiu a ereção apertar contra a calça jeans, e a pele queimar quando as mãos de Hyoga deslizaram por baixo da camisa e acariciaram suavemente suas costas.
“H-Hyoga...” Ronronou, entregue, deixando a cabeça pender para trás quando o russo desceu novamente para seu pescoço e lambeu-lhe a garganta, de uma maneira que o deixou fora de si. O loiro conseguia despertar em seu corpo uma luxúria que não sabia que possuía, deixando-o louco por mais daqueles toques, daquelas mãos grandes...
Mas então o loiro se afastou, sorrindo e, para perplexidade de Shun, deu-lhe um beijo morno na testa.
“Cresça alguns anos e poderemos continuar com isso.” Ele disse, descendo-o do balcão.
“Mas-“
“Você pode tomar banho e dormir aqui. Amanhã eu peço para alguém te levar para casa.” Hyoga falou, seguindo em direção ao corredor dos quartos. “Vou conseguir uma toalha e roupas limpas para você.”
“Hyoga!” Shun chamou, mas o loiro nem lhe deu ouvidos. Extremamente indignado, Shun correu para o banheiro, gritando ao outro que o odiava, e bateu a porta, maldizendo o russo com todos os palavrões que conhecia. Algo inusitado para si, que costumava jamais xingar as pessoas de nomes feios...
Ligou o chuveiro na água fria e, arrancando todas as roupas, entrou de uma única vez, sentindo toda a pele se eriçar com o choque térmico. Ao menos, sua excitação se esvaneceu no mesmo momento.
Notas finais
AH, e que maldade, Dite nem precisava ter "vendido" o corpo pro MDM!
♥
Próximo cap. deve sair pelo dia 10/01, após minhas últimas provas da faculdade (eu achava que ia viajar, mas não vou mais, snif). Beijos!
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