Não Compre meu Amor
5 Chegada
Notas iniciais
A viagem foi bastante barulhenta, repleta de risadas, histórias e até brigas que acabavam em mais risadas. Isso na parte de trás da caminhonete, porque Aiolia não parecia estar a fim de dar atenção nenhuma às bobagens dos amigos, preferindo deixar a conversa apenas entre ele e Mu, apenas respondendo alguma pergunta que lhe era feita diretamente pelos outros.
Mu estava impressionado em como a conversa fluía fácil entre eles. Na verdade, Aiolia era quem mais impedia que a conversa morresse, parecendo bastante à vontade em contar boa parte de sua vida para Mu, ao mesmo tempo em que tentava arrancar mais informações sobre o ariano.
O mais novo gostou de saber mais sobre Aiolia, mas se sentia nervoso toda hora que precisava mentir para si mesmo. Não era metade de quem dizia ser, ora, nem ao menos havia terminado o ensino médio! Dite havia lhe dado aulas por um tempo e sempre que podiam passavam em sebos e compravam livros velhos, de modo que sabia bastante sobre literatura e tinha um bom domínio da língua. Mas mesmo assim... Sentiu-se extremamente pequeno frente a tudo que Aiolia já havia feito, as viagens, o envolvimento com os negócios da família, as experiências que Mu, por outro lado, nunca havia tido.
“... E essa casa de campo está na família desde que foi construída, em 1745. Eu adorava ir para lá quando menor... Principalmente porque dava para fazer uns passeios ótimos pela floresta. Meu pai costumava brincar comigo e meu irmão, dizendo que era a floresta dos enforcados, e chegava até a pendurar alguns bonecos pelas árvores.” Aiolia sorriu com a lembrança, recordando a vez, quando era bem novo, em que tanto pai, quanto irmão lhe pregaram uma peça e o deixaram sozinho na floresta, para depois começarem a fazer barulhos de índios justo quando deparou-se com um boneco enforcado. Levou um susto tão grande que saiu correndo em disparada de volta para a casa, gritando a plenos pulmões pelo pai e irmão. Mas é claro que não contaria essa gafe para Mu.
“Seu pai devia ser uma pessoa bem divertida.” Mu comentou, sorrindo também. Estava com as pernas cruzadas sobre o banco, meio virado para Aiolia, para que pudesse vê-lo melhor.
“Ele era!” Aiolia falou. “Sabe, a maioria das famílias ricas não dá muita atenção aos filhos, por falta de tempo e essas coisas... Mas comigo não foi assim, eu não tenho do que reclamar. Eu só teria gostado se... Tivesse durado mais tempo.”
Mu percebeu as mãos de Aiolia apertarem firme o volante, assim como reparou na tristeza das últimas palavras. Ele ainda o olhou e sorriu, como se tentando dizer que estava tudo bem, mas isso não tranquilizou o Ariano. Ele está se esforçando tanto para mostrar que não está sofrendo...
Querendo confortá-lo, Mu se inclinou para frente, apoiando uma mão sobre a coxa de Aiolia, e encostou suavemente os lábios nos dele, num carinho gentil e delicado. Aiolia foi pego tão de surpresa e seu coração deu um pulo tão alto, que o carro quase saiu da estrada.
“HEI!” Milo reclamou, enquanto todos soltavam exclamações de susto, e Mu voltava a praticamente cair sobre o banco quando Aiolia rapidamente girou as mãos para colocar o carro de volta em linha reta. “Se comam aí na frente, se quiserem, mas não coloquem a vida alheia em risco!”
Mu sentiu o rosto esquentar, mas acabou rindo junto com os outros.
“Eu vou querer conhecer essa floresta dos enforcados...” Mu avisou, risonho. “E você não tinha dito que tinha um irmão.” Falou, mesmo que já soubesse dele antes mesmo de Aiolia comentar.
“Ah, sim. Aiolos, meu irmão mais velho... Ele talvez apareça lá na casa de campo.”
Na parte de trás do veículo, os olhos claros de Dite cintilaram ao ver toda a interação entre Aiolia e Mu. Porém seu interior também se agitou, preocupado. E se Mu se apaixonasse? Nunca vira o amigo agir daquela maneira com alguém, parecer tão confortável e ainda espontaneamente beijar outra pessoa. Ah, Mu, espero que seu coração não acabe quebrado ao final dessas duas semanas. Um coração acabaria partido, e Dite esperava que fosse o de Aiolia, não que os dois quebrassem juntos.
“Você parece tenso.” Saga falou, deliberadamente inclinando-se para perto de Dite, deixando a respiração quente bater na bochecha do pisciano.
“Se eu disser que estou, você vai me fazer uma massagem quando chegarmos?” Perguntou malicioso, virando o rosto para Saga e mordendo o lábio, rindo internamente ao ver o outro parecer impressionado com sua ousadia.
Saga acabou sorrindo também, sentindo o corpo reagir a ideia de ter aquele loiro estirado sobre uma cama, para que pudesse massagear as costas magras e, quem sabe, fazer bem mais do que isso.
“Eu faria mesmo sem que você precisasse.” Saga enfim deixou o braço cair sobre os ombros de Afrodite, ao falar bem próximo à orelha dele. Dite se arrepiou, mas tirou o braço de cima de si.
“Sabe, alguns dizem que massagem é um codinome para sexo.” Comentou casualmente, erguendo uma sobrancelha. Saga acabou rindo da maneira direta do outro.
“E o que você diz?”
“Eu digo que uma massagem não seria suficiente para alguém me levar para a cama.” Dite olhou para Saga, com um brilho desafiador nos olhos. E Saga acabou sorrindo, comprando o desafio.
“Ah, Camus, também estou querendo um beijinho. Aproveite que não está dirigindo e venha aqui cuidar do seu namorado.” Milo falou, de joelhos sobre o assento, a barriga encostada no apoio do banco e os braços esticados na direção do ruivo sentado de braços cruzados no banco traseiro.
“É, vá sonhando.” Camus resmungou. Não era dado a demonstrações de afeto na frente dos outros. Mesmo que esses outros fossem seus amigos. Milo murchou feito uma flor deixada muito tempo no sol.
“Quando eu te trocar por ser tão frio, você vai vir rastejando para os meus pés, implorando para que eu não te deixe.” Milo avisou.
“Ou então eu talvez solte fogos de artifício.” Camus rebateu tranquilamente.
“Se isso resultar em nós não termos mais que aguentar os ataques de carência do Milo para cima de você a cada cinco minutos, eu te ajudo a soltá-los, Camus.” Shaka concordou, no mesmo tom sereno.
“Eu só espero que você não vá soltar fogos de artifício porque está a fim do Camus!” Ikki interpelou, com uma pontada de ciúmes e abraçou o loiro pela cintura, não se importando se tinha ou não permissão para isso.
“Não fale asneiras!” Shaka bateu o livro que lia na cabeça do moreno, ao mesmo tempo em que Milo soltava uma exclamação de assombro e então lançava um olhar traído a Shaka.
“Eu nunca esperei uma traição dessas justamente de você, Shaka! Agourando meu namoro para então roubar meu namorado de mim!” Ele exclamou, ofendido. Camus suspirou, levando a mão à testa.
“Milo... Se você ao menos falasse essas coisas na brincadeira... O pior é saber que você fala essas asneiras a sério.” Balançou a cabeça.
“Então venha aqui me dar um beijo para provar que é mentira!” Milo fez bico.
Resignado, Camus sentou-se na ponta do banco e deu um beijo no seu namorado loiro, lindo, gostoso e absolutamente carente.
XxX
A caminhonete contornou o gramado circular em frente à casa de campo, apesar de aquilo estar mais para mansão de campo. Mu olhou pasmado para a construção surpreendentemente bonita, de uma arquitetura georgiana, simples e elegante, que transpirava solidez.
No gramado em frente havia arbustos verdes, que iam se fechando em círculos semi-abertos até a fonte no centro, uma fonte estranhamente pequena e singela, onde alguns passarinhos se banhavam enquanto soltavam melodias harmoniosas.
Assim que o veículo parou à porta da casa, as portas se abriram e todos começaram a sair, espreguiçando-se, dando alguns passos para esticar as pernas. Mu caminhou até Aiolia, cuidando para não parecer tão impressionando. Afinal, ele era um suposto rico e devia estar acostumado àquela grandiosidade.
“É muito bonito aqui.” Comentou, não se aguentando e acabando por sorrir feito uma criança admirada. “É calmo e charmoso, a casa e as árvores ao redor fazem parecer que estamos em algum lugar perdido do século XVIII.”
“Eu achei ia iria gostar.” Aiolia pareceu estufar o peito pela admiração do outro, e então sorriu daquela maneira carinhosa – que, Mu começava a perceber, sempre faziam suas pernas derreterem – e acariciou os cabelos longos do ariano. “Afinal, combina com você: bonito, sereno, charmoso...”
Corando, Mu desviou o olhar, sentindo-se agitar inteiro com os elogios. Como era possível que em tão pouco tempo Aiolia conseguisse o afetar assim? Seria porque ele era o dono de seu primeiro beijo?
Aiolia já estava prestes a agarrar Mu novamente, como fizera naquela madrugada há dois dias, tão desejoso estava de repetir o beijo – ainda mais depois do selinho que Mu lhe dera no carro –, mas o sussurro de Milo em seu ouvido o impediu.
“Aiolia, será que você pode abrir logo a casa? Eu estou quase molhando a calça aqui de tanta vontade de mijar.”
E aquilo acabava com todo o clima. Mu soltou uma risadinha, achando hilário o jeito do outro, e Aiolia, com um suspiro, foi abrir a porta antes que o amigo mijasse no jardim. Quando entraram, Dite deu uma cotovelada discreta na lateral do abdômen de Mu para que ele fechasse a boca. Mu rapidamente se endireitou e engoliu em seco, quase com medo de adentrar mais naquela casa e acabar quebrando alguma coisa, ou algo do gênero.
Aiolia nem se dignou a falar algo como “fiquem à vontade, sintam-se em casa” já que ele e os amigos já haviam ido para lá por tantas vezes, que todos os outros realmente se sentiam e agiam como se estivessem na própria casa. No entanto, pegou a mão de Mu e resolveu levá-lo para um tour e apresentá-lo ao lugar.
“Não é tão grande quanto parece pelo lado de fora.” Comentou, puxando Mu consigo a começar pela cozinha. “Na verdade é só uma casa grande, mas serve para trazer toda essa cambada para cá.”
Mu discordou, continuava achando-a enorme, apesar de realmente parecer maior por fora. A cozinha era ampla, com uma ilha no centro, e o estilo era uma mistura de novo com antigo, rústico com elegante, e havia até o charme de algumas panelinhas penduradas num apoio de teto sobre a ilha.
O ariano forçosamente impediu-se de parecer tão impressionado novamente. Ao que parecia, teria um árduo trabalho em se manter natural ao ser apresentado a cada cômodo da casa.
“Você sabe cozinhar?” Mu perguntou, para disfarçar, pigarreando de leve.
“Que nada!” Disse, rindo. “Mas se você quiser, eu tento cozinhar alguma coisa.” Falou, não se aguentando e puxando o ariano para perto, aproveitando para roubar do ar o cheiro que se desprendia dos cabelos dele. “E você, cozinha?”
Tentando ignorar o calor que lhe subiu pelo pescoço, Mu se desprendeu de Aiolia, antes que acabasse feito um tomate por causa de aproximação descarada e fosse colocado para enfeitar a cesta de frutas.
“Cozinho. Mas nada muito sofisticado... Acho mais seguro eu cozinhar para você, um dia desses.”
Aiolia mordeu o lábio, sua mente agindo por si mesma e imaginando Mu apenas de avental, cozinhando somente para ele. Pigarreou, afastando a imagem pervertida, que não condizia com o jeito inocente do ariano. Precisava se controlar, acostumado como estava em simplesmente ficar com os carinhas logo de cara, sem se preocupar com o dia seguinte. Já havia beijado Mu de surpresa, por culpa de sua impulsividade, mas estranhamente dessa vez não queria apressar demais o que começava a nascer entre os dois – uma amizade misturada com algo a mais, algo ainda a se descobrir.
Continuaram o tour. As refeições eram feitas em uma mesa de 3m de comprimento, com pernas curvilíneas em forma de balaústre, acima da qual ficava um lustre com 85 lâmpadas, de um design sofisticado. Instalada na sala sutilmente curva, a sala de estar era sobreposta por um lustre de vidro belíssimo, que refletia as cores do papel de parede de chinoiserie¹ pintado à mão. Essa paisagem de troncos, flores e aves formavam um artifício contra o qual a visão do jardim, com muito verde, parecia brilhar ainda mais.
O segundo andar era o pavimento da família, com uma fileira de cômodos para os adultos que se abriam a partir de um corredor. Um dormitório máster, um quarto de vestir, um banheiro e quartos menores envolviam a parte frontal da casa. O papel de parede, ainda que extravagante, era monocromático. O dormitório principal parecia estar encaixado no meio de árvores, o hall, em uma silhueta art nouveau² de gavinhas, com nuances de cinza no tapete. Esses mesmos tons cinzentos reapareciam nas veias sutis da madeira nobre que emoldurava as janelas.
“Uou! Meu cômodo favorito!” Mu falou divertido, quando Aiolia – ainda que houvesse tentando passar reto –, relutantemente lhe apresentou um cômodo cheio de bugigangas, papéis com desenhos infantis na parede e brinquedos.
Aiolia coçou a parte de trás da cabeça, sorrindo de lado, meio constrangido. Mu entrou e olhou ao redor, indo até uma parede repleta de desenhos, se impressionando ao ver que alguns deles eram muito bons para uma criança, e então avançando e vendo outros já não tão infantis, muito bem feitos.
“Então você não cozinha, mas desenha...” Comentou, com os dedos sobre o lábio inferior, dessa vez feliz por não ter de esconder a surpresa. “Você ainda desenha?” Se virou para Aiolia, com um sorriso empolgado.
“Faz tempo que não desenho. Mas teve uma época em que eu até quis fazer artes visuais de graduação.” Riu. Sonhos da adolescência. “Mas depois eu vi que queria mesmo era seguir os negócios da família, e que isso poderia ficar apenas de hobbie.”
“Eu gostaria de ver você desenhando. Você poderia me dar um desenho de presente.” Disse, nem pensando que poderia estar abusando da boa vontade alheia. Aiolia, com um sorriso perigoso, se aproximou de Mu e o abraçou pela cintura, deixando os lábios próximos da maçã do rosto do ariano.
“Eu iria gostar de desenhar você.” Falou, deixando o outro constrangido. “Poderia posar para mim, aí eu te desenhava.”
“Mas eu não quero um desenho de mim mesmo de presente.” Mu fez bico, fechando de leve os olhos ao sentir os lábios do outro roçarem em sua pele e deixarem seu corpo mole com o contato, obrigando-o a segurar o braço musculoso de Aiolia para se sustentar.
“Eu faço um desenho de você para mim, e depois desenho o que você quiser.” Aiolia rebateu, pensando em descer os lábios, roçando-os na pele do ariano em um caminho até o pescoço atraente, mas um pigarro os fez olhar para a porta, porém sem se afastarem um do outro.
“Nós estamos indo pra cidade comprar algumas coisas. Tem como conseguir a chave da caminhonete?” Perguntou Shaka, não demonstrando estar impressionado ao ver os dois juntos, o que fez Mu se envergonhar um pouco por ser tão óbvio. Você o beijou no carro, como que não seria óbvio? Se estapeou mentalmente.
“Sem problemas. Não esqueça de comprar umas bebidas.” Aiolia piscou, tirando a chave do bolso e jogando para o loiro, que a pegou no ar com facilidade.
“E umas camisinhas, quem sabe?” A cabeça de Milo surgiu de lado na porta, os cabelos loiros compridos caindo em direção ao chão. Milo olhou para Shaka, com curiosidade. “Você não os flagrou quase sem roupa, flagrou?”
“Você os está vendo sem roupa, por acaso?” Shaka revirou os olhos e saiu dali, deixando a cabeça de Milo para trás.
“Milo, eu acho que você precisa ir num psicólogo. Essa tua mania de só pensar em sexo começa a me preocupar.” Aiolia falou, soltando Mu e indo até a porta. Milo gargalhou.
“Está louco? E tem coisa mais saudável do que isso? Não fala besteira, que você de santo não tem nada também. Aposto que já está louco para dividir o quarto com o bonitinho ali.” Sussurrou a última parte, piscando maroto. Aiolia olhou para Mu, que fingia que não estava escutando, pondo-se a observar os desenhos novamente.
“Bem, é óbvio que eu gostaria de dividir o quarto com ele, mas estou tentando ir com calma.” Sussurrou em resposta. Milo voltou a rir abafado.
“Só tentando então, porque se o Shaka não tivesse chegado, aposto que já estava grudando o garoto na parede. Bem... Preciso correr, ou senão me deixam para trás.” Milo falou, espreguiçando-se. “Alguém que entende de bebidas precisa ir e garantir que eles não comprem porcarias.”
Dito isso, afastou-se, praticamente correndo pelo corredor.
“Você não quer ir conhecer a cidade também?” Aiolia perguntou para Mu, captando-lhe novamente a atenção.
“Ah, não... Outra hora, talvez. Estou cansado da viagem, para falar a verdade.” Comentou e acabou por bocejar. Havia dormido muito pouco nas últimas noites, envolvido com os planos maquinados por Dite.
Aiolia assentiu. Também não estava muito interessado em entrar em um carro tão cedo.
“Você parece cansado. Quer dormir um pouco? Posso te acordar quando o pessoal voltar.”
“Não precisa.” Sorriu, agradecido com a preocupação do outro. “Ainda falta ver o resto da casa.”
Seguiram vendo mais alguns cômodos, inclusive o banheiro em frente ao quarto principal, que era um tanto diferente. Amplo como um quarto pequeno, com uma banheira vitoriana, branca, em frente a uma grande janela envidraçada, e uma pia miúda em uma das paredes laterais.
“Não tira um pouco da privacidade aquela janela enorme? Alguém no jardim teria um show vendo uma pessoa tomando banho aqui em cima, não?” Perguntou, já pensando que não tomaria banho naquele banheiro. Aiolia soltou uma risada entrecortada.
“É que tinha umas cortinas brancas aqui antes, devem ter tirado para lavar... Vou ter que dar um jeito nisso.” Aiolia ponderou. Esperava usar aquela banheira em breve, e de preferência acompanhado...
Só havia restado o quarto principal para ver. A porta dele ficava em frente à do banheiro, e Mu entrou no cômodo, notando a simplicidade e bom gosto, assim como o papel de parede que parecia uma floresta cinzenta.
“Então...” Aiolia perguntou, em um ar de dúvida. “Onde você vai dormir?” Se apoiou na batente da porta do quarto, que era o seu, onde havia uma cama de casal bastante atraente.
Mu mordeu o lábio. Ele certamente não esperava que dividisse o quarto com ele... Ou esperava? Seu coração bateu rápido no peito, enquanto pensava qual seria a resposta certa para a pergunta. Ai, e agora? Dite, o que eu devo responder?
XxX
“Você não quer ir na cidade com eles?” Perguntou Saga, vendo Afrodite tomar um copo de água na cozinha. Dite sacudiu os ombros, fazendo os cachos loiros ondularem suavemente nas costas.
Caminhou até a ilha da cozinha e, com um impulso, sentou-se nela, apoiando uma mão no balcão enquanto continuava a segurar o copo de água, que degustava como vinho.
“Não. Estou bem acomodado aqui.” Falou, umedecendo os lábios com a língua refrescada pela água gelada. Saga acompanhou o movimento e resolveu que também ficaria por ali. Caminhou até o loiro e apoiou as mãos ao lado de cada coxa dele, inclinando-se um pouco para frente, deixando o rosto de ambos na mesma altura.
“Ainda não me explicou por que me usou para entrar na festa àquela noite, se poderia ter entrado sem minha ajuda.” Saga comentou. Internamente sentia que havia algo mal-contado naquela história, só não fazia ideia do que poderia ser.
Dite sabia que aquela pergunta viria à tona em algum momento, só não esperava que tão cedo. Terminou de beber a água calmamente e ergueu uma perna, fazendo o pé deslizar por entre as partes íntimas de Saga, até se firmar no abdômen dele e então empurrá-lo, dando-lhe espaço para que graciosamente saísse de cima do balcão e fosse colocar o copo na pia.
“Talvez porque eu tenha essa mania condenável de usar as pessoas para conseguir o que eu quero. Até quando não preciso...” Piscou, caminhando para sair da cozinha. “Aliás, quando não preciso é muito mais interessante.” Sorriu de lado.
Saga, que havia ficado bastante afetado com a carícia do outro, o segurou pelo braço quando ele passou por si. Aquele demônio loiro ainda o deixaria louco, se continuasse a provocá-lo pelas próximas duas semanas.
“É melhor você tomar cuidado com o que diz. Não vai querer acordar a fera.” Disse, reconhecendo que havia um lado em si que, quando desperto, impedia-o de agir racionalmente e se segurar.
Dite soltou uma risadinha entrecortada.
“Tolinho...” Falou divertido, apoiando a mão no ombro de Saga e ficando na ponta dos pés para sussurrar no ouvido dele. “Eu sei domar feras.”
Saga soltou uma risada descrente pelo nariz, apoiando-se de lado no balcão, com os braços cruzados sobre peito, quando Afrodite seguiu para fora da cozinha, com um rebolado perigoso que atrairia a atenção até do mais hétero dos homens.
Aquela seria uma brincadeira interessante de gato e rato.
Notas finais
²art nouveau - filosofia e estilo internacional de arte, arquitetura e arte aplicada especialmente as artes decorativas- que foram mais populares de 1890 1910.
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Outro surto de madrugada. Sério, nem sei se ficou bom. Não estou pensando direito no momento. kkk! Sim, eu falei que ia ser só diz 10/01, mas estava precisando extravasar meu tédio em estudar a matéria mais chata do mundo (biofísica) nos meus amados Aiolia e Mu. Me desculpem se exagero na fofura, kkk! Aliás, se eles já estão assim agora, imagem ao final de duas semanas. kkk! Ah, e o que será que o Mu deve responder? D: rsrs.
Obrigada por todas as review: Cler8night, Dominique, Bruna Uzumaki, Mitchan Amamiya, Vanessa Braga da Silva, Álefe, Taia, Hanajima, LauraLuna, Orphelin, Khalid Maia! Uau, quanta gente! *_* Obrigada, amores ;*
Ok, eu acredito, e espero, que o próximo cap. seja mais emocionante do que esse, huahauhua! xDD
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