Não Compre meu Amor

7 Antes do Temporal


Milo foi encontrar Camus na cozinha, bebendo um copo de suco de laranja com a testa rígida, denunciando a irritação sutil. O loiro abriu um sorriso de tubarão e se aproximou sorrateiramente do namorado, abraçando-o por trás e, ao afastar os cabelos rubros, beijando Camus na nuca molhada. Estavam os dois molhados, deixando pingos caírem sobre o piso de pedra fresca, e o contato deslizante entre as epidermes causou um arrepio promíscuo em ambos, ainda que Camus escondesse o fato muito melhor do que Milo.

“O que você quer?” Camus perguntou ríspido, num tom gelado que poderia nevar a alma de Milo, caso este não estivesse tão quente com a ideia de ter o ruivo nutrindo ciúmes por sua causa. Camus largou o copo e virou dentro do abraço, de modo que Milo apoiou as mãos no balcão da pia, mantendo-o cativo em seu enlaço.

“Você.” Milo alargou o sorriso traquinas, carregado de seu habitual jeito moleque. Ele inclinou o rosto, para capturar a boca do ruivo, envernizada pela leve camada ácida de suco, mas Camus virou o rosto e o empurrou.

“Não estou no clima.” Camus replicou. Ainda tentou sair da prisão criada entre Milo e o balcão, mas o loiro manteve-se irredutível no lugar.

“Ficou com ciúmes?” Milo não pôde conter a pergunta dentro da boca. “Só porque eu dei uma olhadinha no Afrodite?”

Camus soltou uma risada baixa de escárnio.

“Ciúmes. Poupe-me, Milo. Eu não sinto ciúmes.” Disse, com toda a convicção que estruturava as teias de sua personalidade. Jamais admitiria que teria um sentimento tão passional e estúpido quanto o ciúme.

“Sente sim. Está morto de ciúmes.” Milo cantarolou, se aproximando mais do ruivo, obrigando-o a recuar ainda que não houvesse real espaço para tal. “E você fica ainda mais sexy assim... Eu estou louco de vontade de arrancar esse tua sunga e lamber toda a água que está escorrendo pelo teu corpo...” Sussurrou malicioso contra a orelha de Camus, deixando a língua serpentear por ela, enquanto as mãos iam para a cintura bem modelada do ruivo.

Camus ofegou baixo, fechando os olhos por um momento e sentindo aquele fogo que só Milo tinha escorrer como lava por seu corpo, queimando a carne e obrigando o coração a bater mais rápido, como que na tentativa de reparar os estragos, ou intensificá-los.

“Não, não estou!” Camus disse, irritado por perder o controle tão fácil. Simplesmente não podia resistir quando Milo sussurrava daquela maneira imprópria e rouca em seu ouvido, despertando todo o lado irracional guardado nas profundezas de sua mente. Era algo que o exasperava, ao mesmo tempo em que o excitava mais do que poderia explicar.

Mas naquele momento estava com raiva de Milo, da situação, em bem verdade, nem entendia por que se sentia tão angustiado, arisco como um animal silvestre. De algum modo, escapou da estreita prisão e caminhou rapidamente em direção às escadas, não querendo olhar para o rosto do namorado. Ele que voltasse para a piscina, para admirar as pernas do Afrodite!

“Camus!” Milo o chamou e correu atrás do ruivo, perseguindo-o aos pulos nos degraus altos da escada. Só conseguiu segurá-lo pelo braço quando já estavam no corredor do segundo piso, espalhando ainda mais água pelos caminhos da casa. Se alguém fosse subir as escadas naquele momento, poderia escorregar e rolar feito fruta podre de volta ao hall.

“Mas que saco, Milo! Me larga.” Camus tentou se afastar, mas Milo o abraçou por trás, o mais forte que pôde, prendendo-lhe os braços.

“Para com isso, Camus. Você sabe que eu só tenho olhos para você...” Tentou beijá-lo na bochecha, mas o ruivo virou o rosto.

“É mesmo? Não foi o que pareceu, quando você estava comendo o Afrodite com os olhos há nem cinco minutos atrás.” Respondeu emburrado e ficou ainda mais irritado quando Milo soltou uma risadinha contra seu pescoço, antes de começar a passar a língua pela tez gelada.

“Meu ciumentinho.” Disse baixo, num tom divertido, passeando as mãos livremente pelo abdômen e torso bem desenhados de Camus, deixando o ruivo exasperado vendo o próprio volume na sunga salientar-se graças às carícias. “Eu não conhecia esse teu lado... Prometo não olhar para mais ninguém quando você estiver por perto.”

“Idiota!” Camus vociferou, mas não tentava mais se soltar. Era incrível como aquela voz mansa de Milo o deixava sem forças. “Idiota, idiota, idiota! Não é para você olhar para ninguém além de mim!” O ruivo corou assim que terminou de pronunciar as palavras, achando-se louco por estar agindo tão fora de sua personalidade. Só que Milo andava olhando demais para Afrodite sempre que o loiro aparecia rebolando com aquele bumbum empinado, e Camus não suportava aquilo.

Milo o virou abruptamente e o segurou pela cintura, o sorriso maroto continuava no rosto, carregado com malícia.

“Tudo bem, mas eu não quero ficar apenas olhando para você...” Sussurrou, ondulando as sobrancelhas.

Camus não esperou que Milo o beijasse. Puxou o loiro pela nuca e afundou a boca na dele com fúria, com uma raiva reprimida que o consumia de dentro para fora, e se exteriorizava como uma fome de provar o corpo do namorado. Uma necessidade de mostrar a Milo que ele era seu, e ninguém mais poderia provar daquele corpo.

Arrastando Milo em direção ao quarto dos dois, bateu a porta empurrando-a com o pé, e imediatamente prensou o namorado contra ela, usando o corpo para manter Milo pressionado contra a madeira. Milo não negou fogo, ele nunca negava. Retribuiu o beijo com a mesma empolgação, mas deixou que Camus se saciasse em apertar-lhe o corpo, as mãos percorrendo a carne e abraçando tudo que podiam alcançar: coxas, glúteos, braços.

Milo gemeu contra a boca do namorado quando a coxa dele deslizou entre suas pernas, acariciando-lhe o membro desperto, a água evaporando da pele pela temperatura quente que o atingiu. Milo estava surpreso. Era verdade que Camus sempre revelava um outro lado na cama, sendo bastante fogoso, mas daquela fez ele parecia uma pira daquelas que alcançavam o céu com suas chamas, e o loiro já estava quase gozando só com as massagens que Camus começou a manejar em seu volume sob a sunga, e a maneira possessiva com que ele desceu os lábios e capturou um de seus mamilos.

“Meu Deus... Camus... Fique com ciúmes mais vezes.” Milo implorou, com a cabeça quedada para trás, parecendo ver estrelas dançando no teto do quarto.

Camus não respondeu. Se afastou minimamente e puxou Milo consigo, arrastando-o para cama e praticamente jogando-o sobre o colchão, apenas para voltar a fazer o mesmo que antes, mas não sem antes arrancar a sunga de Milo, deixando o loiro nu, em ponto de bala, arfante sobre o colchão.

“Agora,” Camus falou, olhando-o de cima, apreciando o corpo absolutamente perfeito do namorado. “Vou te ensinar a não ficar mais babando em cima de outros caras além de mim.”

“Sim, professor.” Milo rebateu, com um sorriso sacana, apoiando-se nos cotovelos. Porém quase perdeu a força nos braços quando Camus afastou suas coxas, empurrando-as para trás de modo a dobrá-las, para em seguida começar a fazer mágica com a língua em toda sua região genital.

O queixo de Milo caiu, enquanto ele sentia a respiração perder o compasso, quando Camus segurou seu pênis e o lambeu de uma maneira que só poderia ser chamada de obscena. E Milo adorou o olhar sacana de Camus, pregado em seus olhos, enquanto fazia aquilo.

O ruivo passou a língua por tudo: o membro teso, testículos, virilha, deslizou-a pela parte interna das coxas, mordendo-as e arrancando gemidos sufocados de Milo. Depois seguiu para a região delicada entre as nádegas do loiro. Milo deixou o corpo cair para trás e suas costas arquearam quando a língua contornou seu anel, e Camus começou a beijá-lo como se beijasse uma boca, chupando, lambendo, com movimentos circulares, enquanto também masturbava-lhe o pênis com a mão.

Em alguns momentos Camus se afastava e lambia a ponta do membro de Milo, para observar as reações e expressões de prazer do loiro, algo que sempre o enchia de satisfação, pois ainda que Milo adorasse uma sacanagem, ele era exigente; e vê-lo com aquela expressão de quem estava adorando certamente melhorava o ego do ruivo.

“O lubrificante...” Camus falou, num tom manso, e de imediato o tubo foi parar em sua mão, como que se materializando ali. Milo sempre tinha reações rápidas quando necessário.

Lubrificando o dedo, Camus começou a insinuá-lo, junto com a língua, entre os glúteos do namorado, e demorou-se ali, quase como numa brincadeira que Milo, entretanto, mentalmente chamava de tortura, visto que seu membro latejava e sentia uma vontade insana de gozar.

Camus tocou-lhe a próstata com o dedo, pressionando forte, e sua boca voltou a subir e abocanhar o membro carente de Milo, que gemeu alto, incentivando o namorado a continuar, sem se importar se estava sendo um tanto barulhento demais.

Os outros que continuassem na piscina, se não queriam escutá-lo.

“Camus... Entra, vai... Quero você dentro de mim.” Milo exigiu, erguendo-se para puxar o namorado e colocá-lo sobre si. Empurrou a sunga do outro e lhe envolveu a cintura com as pernas, ao mesmo tempo em que afundava as mãos nos cabelos macios e o trazia para sua boca.

Camus o beijou com a mesma fúria do início e, numa troca rápida, afundou-se dentro do corpo quente do namorado. Suas maneiras eram possessivas, ainda dominadoras, e gemeu no ouvido dele, sendo retribuído com um grito não tão abafado assim de prazer.

“Diz que é só meu...” Camus demandou num tom baixo contra a orelha de Milo, junto ao primeiro movimento dentro dele.

“Hmmm.” Milo soltou um gemido de aprovação. “Só teu...” Respondeu num sussurro, estreitando as pernas ao redor do namorado e o fazendo ir mais fundo. “Eu te amo.”

Camus parou por um momento e ergueu um pouco a cabeça, para olhar diretamente para o rosto do namorado. Milo sorria, entre romântico e malicioso, e Camus soltou uma risada baixa, parecendo somente naquele momento, quando estava unido ao loiro e tendo ele sorrindo daquela maneira que tanto adorava apenas para si, que havia feito papel de bobo sentindo ciúmes.

“Também te amo...”

Segurou o rosto de Milo e voltou a beijá-lo, abraçando-o e deixando seu corpo buscar pelo dele, com um desejo forte, que encheu o quarto de gemidos, suspiros, algumas palavras de sacanagem – vindas principalmente de Milo –, e outras declarações apaixonadas.

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“Filme favorito?” Aiolia perguntou, emboscando Mu no canto da piscina. Estavam apenas os dois ali ainda, era final de tarde e eles sentiam as peles murchas como flores muito tempo sob o sol.

“Huuum... Não consigo pensar só em um.” Mu mordeu o lábio, arrepiando-se quando Aiolia se aproximou um pouco mais, praticamente o obrigando a se fundir às paredes da piscina para manter seu espaço pessoal.

Dite havia lhe passado uma lista dos filmes preferidos de Aiolia, mas como o loiro a havia conseguido, ele não sabia muito bem. Algo sobre reportagens antigas com algumas entrevistas do filho milionário, bonito e gay da família Zarek.

“Vai nomeando os que você gosta, então.” Aiolia falou, inclinando-se sedutoramente para roçar os lábios no pescoço de Mu, que prendeu a respiração, tentando se lembrar da lista, mas a carícia em sua pele não estava ajudando muito. Era uma sorte que a água estivesse gelada...

“Awwn... O poderoso chefão, clube da luta, apocalipse now, Forrest Gump, senhor dos anéis, star wars, gladiador, um sonho de liberdade, coração valente... Ah, são esses que eu lembro agora.” Terminou, suprimindo um gemido quando a ponta da língua do outro deslizou até os dentes alcançarem e mordiscarem o lóbulo da orelha, e mordeu o lábio quando Aiolia se afastou com as sobrancelhas erguidas.

“Você acabou de enumerar a minha lista de filmes favoritos.” Aiolia falou surpreso, e Mu abriu uma carinha inocente de surpresa.

“É mesmo? Então acho que nunca teremos problemas em escolher um filme para assistirmos juntos.” Sorriu adoravelmente, de modo que Aiolia não resistiu e segurou-lhe o rosto, voltando a beijá-lo, enquanto pensava que encontrara a pessoa perfeita. Parecia que, quanto mais conversavam, mais encontravam afinidades de gostos, opiniões. Mu havia visitado a Holanda e também adorara Amsterdam. Seu doce favorito era sorvete de chocolate. Adorava cachorros e também já havia tido um labrador. Conhecia seus restaurantes favoritos. Também tinha costume de correr nas horas vagas. Entendia de astronomia... Isso sem contar que ele parecia entendê-lo como nenhum outro naquele momento difícil.

Mu passou os braços ao redor dos ombros de Aiolia, respirando entrecortado contra a boca violadora dele, sentindo-se eriçar inteiro com a maneira com que o leonino movia a língua contra a sua, os movimentos lentos, profundos, mas intensos. Aiolia o abraçou pela cintura e o ergueu facilmente, com a ajuda da água, deixando seus pés sem tocar o chão.

O corpo de Aiolia era mais musculoso e forte, além de ele ser mais alto, ainda que a diferença não fosse muito grande. Mu nunca havia sido abraçado daquela maneira mais sensual, longe de ser apenas amizade, e toda nova sensação o deixava com os sentidos aguçados, querendo experimentar mais e mais. E Aiolia era uma mistura louca de ardor e paciência enquanto o beijava, e Mu não fazia ideia de essa sensação era fruto de sua cabeça ou se o leonino realmente sabia bem demais como conduzir um beijo. Mu apostava na segunda opção.

Foi em meio ao beijo demorado que o céu principiou a encher-se de nuvens e, de repente, pingos fracos começaram a ferir a continuidade tranquila da superfície da piscina. Os lábios de Mu e Aiolia se desencontraram e ambos olharam para cima, vendo que o céu se tornava mais e mais negro conforme os segundos passavam, e ate mesmo alguns raios silenciosos clareavam as nuvens negras em alguns momentos.

“Acho melhor entrarmos, daqui a pouco o mundo vai cair.” Mu avisou, franzindo a testa.

“Bem, não é como se fôssemos ficar mais molhados.” Aiolia deu de ombros, mas, segurando a cintura de Mu, impulsionou-o e o fez sentar na borda da piscina, também saindo dela logo em seguida.

Mu revirou os olhos e sorriu, levantando-se.

“Molhados não, mas talvez eletrocutados... Olha só quantos raios para lá.” Apontou. “Quando eu era criança, costumava ter medo do som dos trovões. Idiota, né?”

Aiolia sorriu e o puxou para um abraço, beijando-o estalado rapidamente.

“Um pouquinho, mas eu não vou reclamar se você vier para a minha cama hoje de noite por medo dos trovões...” Murmurou malicioso, contra os lábios do ariano, sorrindo mais ao vê-lo corar. Aiolia aproveitou para morder o lábio inferior macio do mais novo e voltou a sussurrar: “Posso cuidar direitinho de você.”

“N-não fale essas coisas nesse tom malicioso!” Mu recriminou, largando-se dele e correndo para dentro da casa depois de pegar a toalha úmida sobre a cadeira.

“Hei, Mu!” Aiolia chamou, achando que o ariano havia corrido por culpa do embaraço, mas descobriu que estava errado. Ele apenas havia sido esperto já que, no segundo que Mu entrou na casa, o temporal desabou sobre a cabeça de Aiolia.

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“Vocês não podiam ser mais silenciosos, não é? Eu pude escudar cada gemido que vocês deram enquanto tomavam banho juntos.” Shaka reclamou assim que Milo e Camus desceram de banho tomado, perfumados e com roupas confortáveis de ficar em casa.

O temporal havia mesmo desabado, e a chuva era torrencial, chocando-se contra as janelas da casa que precisaram ser fechadas às pressas. Toda vez que um trovão caía, algumas pratarias pareciam tremer em união com o barulho ensurdecedor.

“Só durante o banho? Ah, então eu ando mais silencioso do que imaginava!” Milo comentou, abrindo um sorriso pilhérico e seguindo para se jogar no sofá ao lado de Ikki. “Você e Ikki deveriam tentar, sabe? Quem sabe assim você descobre que soltar alguns gemidos é bom para desestressar, loiro azedo?”

“O que seria bom para desestressar seria ver você levar um raio na cabeça, mas há coisas na vida que jamais vão acontecer.” Shaka replicou, plácido, com o nariz empinado e os olhos fechados, suas pernas dobradas como se meditasse sobre o tapete da sala.

“Quem você acha que seria o ativo, Camus? Eu ainda não consegui me decidir...” Milo comentou, levando a mão ao queixo enquanto olhava de Ikki para Shaka.

“É claro que seria eu! Loiros combinam bem mais sendo passivos.” Ikki observou, quase como se explicasse uma teoria científica muito lógica. Camus se sentou também, mas no chão, com as costas apoiadas num dos sofás.

“Eu não sei, acho que seria o Shaka, só para ele acabar com toda essa pompa de machão do Ikki...” Camus observou, aproveitando para se servir da coca-cola sobre a mesinha de centro, onde estavam algumas bebidas e copos.

“Vocês querem parar com isso? Vão fantasiar sobre a vida sexual de outros!” Shaka falou, perdendo a calma com aqueles três, suas bochechas ficando ligeiramente vermelhas pelos comentários inapropriados.

“Então já existe uma vida sexual? Ô louco, hein, Ikki, e eu achando que iria demorar mais uns meses para você conseguir!” Milo falou descontraído, rindo por um momento, mas parando imediatamente ao ver o olhar de morte que Shaka lançou em sua direção.

“Quem me dera. Ainda vou demorar um tempinho para domar a fera...” Ikki sussurrou para Milo, com a mão perto da boca. Milo assentiu, concordando solenemente, e Camus riu baixo, não conseguindo se segurar.

“Eu ouvi o que você acabou de dizer!” Shaka vociferou. “Fique sabendo que a única coisa que você vai domar é a própria língua depois que eu der um trato em você.” Shaka falou, baixo e assustador, de modo que Ikki se arrepiou sentindo a proximidade do perigo.

“Se for um trato como o que o Camus me deu... Você ‘tá feito, Ikki!” Milo exclamou, fazendo Camus tapar o rosto com a mão. “Aliás, onde está aquele outro loiro? Estou pensando em dar algumas outras secadas nele agora... E minha noite vai ser incrível depois!”

“Só a sua né, porque o resto da casa não dorme.” Ikki retrucou.

“Nem pense nisso.” Camus falou para Milo, estreitando os olhos, porém sua voz era serena. “Ou eu vou cogitar começar a praticar sadomasoquismo na cama.”

“Por que será que eu consigo imaginar o Milo numa coleira?” Shaka perguntou, sardônico, erguendo uma sobrancelha.

“Por que ele parece um cachorro às vezes?” Ikki retrucou, alargando um sorriso.

“Às vezes?” Camus se questionou. Milo percebeu que havia chegado ao fundo do poço quando até mesmo Camus tirava com sua cara.

“Hei! Isso hoje em dia é chamado de bullying, sabiam?” Milo reclamou; seus braços cruzaram sobre o peito e um biquinho moldou seus lábios.

“É óbvio. Você achou o que? Que era uma demonstração de afeto?” Ikki revirou os olhos, arrancando risadas dos três e ganhando um empurrão de Milo.

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“Então, você é bom em fazer bebidas também...” Saga comentou, enquanto Dite preparava algumas batidinhas de frutas para levar aos rapazes. Já que estava ali, iria ser útil para alguma coisa. Além de que fugira da sala de estar por não aguentar toda a tensão sexual entre Shaka e Ikki enquanto os outros não apareciam.

“E no que mais eu sou bom?” Dite perguntou um tanto sugestivo, mirando Saga pelo canto do olho.

“Em me enrolar e fugir do assunto.” Disse, já que o loiro havia arrumado uma desculpa para fugir da conversa sobre a festa e deixá-lo falando sozinho. Posicionando-se atrás de Afrodite, Saga o abraçou por trás, deixando os lábios próximos ao ouvido do loiro. “Acha que vai conseguir fugir de mim por duas semanas?”

“Acho que você está imaginando coisas. Eu não estou fugindo nem de você, nem de ninguém.” Dite disse, quase rindo, pois era a maior mentira de sua vida, já que havia problemas muito maiores do que Saga em sua vida.

“Então... Mu é seu irmão ou amigo?”

“Ele é meu irmão. Mas nas festas é meu amigo, porque eu odiaria estar seduzindo alguém e aí dizer que meu irmão está comigo. É broxante.” Dite falou, remexendo o corpo para ver se conseguia se livrar de Saga, mas o moreno manteve o abraço em sua cintura. Isso era ruim, Dite estava começando a sentir calafrios na boca do estômago e na nuca, e a última coisa que queria era sentir tesão por aquele homem desconfiado.

“Então admite que estava me seduzindo?” Saga perguntou, num tom divertido. “E que prometeu ir para o meu apartamento depois da festa e sumiu assim que entrou nela?”

Dite ofegou baixo e mordeu o lábio ao sentir a mão de Saga escorregar por seu abdômen, chegando no limite crítico entre ele e seu baixo ventre, que formigou sem permissão. As mãos tremeram e ele quase deixou a batidinha de frutas cair, mas se recuperou há tempo.

“Convenhamos, Saga, você não é o tipo difícil de seduzir, eu nem precisei me esforçar. E você não deveria confiar em estranhos que conhece na entrada de uma festa.” Dite replicou com sarcasmo, tentando manter-se indiferente à proximidade do outro.

Saga sentiu o corpo magro, mas bem desenhado de Dite contra si, e o cheiro cítrico dele enchendo suas narinas. Ele era todo cítrico, na personalidade, palavras, olhar. E, Saga percebeu, isso era o que mais gostava nele.

“E quem disse que eu confio em você?” Saga sussurrou provocativo, antes de se afastar com um sorriso sarcástico nos lábios. “E vai me culpar por gostar de ideia de um loiro safado tentando me seduzir?”

“Quem é safado?” Dite perguntou com os olhos faiscando, e Saga tomou um susto porque, num segundo, Dite estava terminando os drinques e, no seguinte, havia uma faca apontada para sua garganta.

O loiro, percebendo os olhos arregalados do outro, pigarreou e afastou a faca, recriminando-se por perder o controle. A verdade é que seus nervos estavam à flor da pele por toda a situação crítica, a iminência da morte, a desconfiança de Saga... Tudo parecia prestes a ruir e ele não conseguia mais sustentar o que parecia ser o mundo em suas costas.

“Me ajude a levar esses drinques para a sala.” Dite falou calmamente, como se nada houvesse acontecido. Largou a faca e pegou três copos, saindo da cozinha com o nariz empinado, ignorando todos os seus receios. Incrível, depois de três anos, ainda tenho praticamente a mesma agilidade...

Saga, ainda um tanto perplexo com a velocidade inexplicável do loiro, pegou o restante dos copos e o seguiu com novas desconfianças, ainda obscuras e confusas, minando seus pensamentos.

Notas finais
Weee! Olá, meus amores! Estou de férias, acho que nos "veremos" mais seguido, hein?
Então, gostaram do cap.? hihi! Admito que imagino Camus e Milo como um casal total flex, sabem. ;B Já Shaka e Ikki 'to que nem o Milo, ainda não me decidi! huahauahaha!
Mu dê-lhe a mentir para o Aiolia, tadinhos dos dois. (?)
Estou super feliz com o retorno dessa fic, eu estou escrevendo-a bem sem compromissos, sem me estressar muito enquanto escrevo, e ver gente se divertindo assim como eu é muito bom! :D
E podem deixar que eu não esqueci Delicate Love... XD
Beijos! ;***