Notas iniciais
Mais um cap. Bjs

Capitulo 2

Ao abrir os olhos, Isabela já desanimou. “Mais um dia de treinamento”, pensou ela com amargura. Isabela era uma garota que aparentava ter os seus 15 anos, tinha cabelo castanho ondulado e olhos verdes. Ela olhou em volta do seu quarto. Tinha a mesma aparência desde quando ela se conhecia por gente, e olha que isso faz muito tempo. Porque essa garota não é um ser humano. Ela é uma divindade. Ela não chega a ser uma deusa, mas os seus poderes quase chegam lá. Vocês devem estar perguntando quem é essa garota, pois bem, ela é a filha da Feiticeira Branca. Mas não pensem que a Feiticeira tem um marido. Não. Ela ainda governa sozinha todo o país de Nárnia. E o único modo de Isabela nascer, como você deve saber, é da magia. O porquê de a Feiticeira Branca criar uma divindade será exposto nos próximos capítulos.

Então, assim que Isabela abriu os olhos, observou o seu quarto. Não era grande, era de um tamanho suficiente para caber uma cama de solteiro, um guarda de duas portas e embaixo da janela, um baú cheio de artefatos de luta. Isabela era obrigada todo dia treinar esgrima e magia, e ainda de tardezinha tinha que treinar os anões que serviam a sua mãe. Não pense que ela amava a mãe dela de todo o coração. Assim como a Feiticeira, Isabela tem o seu desprezo, mas ela o guarda especialmente para a sua mãe e para os anões, que só servem para azucrinar a sua vida. Ela se levantou e colocou sua armadura, pois o seu treino começava cedo. Desceu as escadas e chegou aonde devia ser a sala de jantar, mas que era usada para guardar as estátuas de animais que não obedeciam (é, ela ainda não perdeu esse costume). Foi até a cozinha e lá encontrou o seu café-da-manhã: um pão duro. A garota nem reclamava mais, porque já estava acostumada. Quando era uma criança, a sua tutora dava comidas melhores, é claro com a permissão da feiticeira. Mas agora que ela cresceu, já se formou a mãe dela acha q não precisa de mais mordomia, porque Isabela deve aprender a se virar. Comeu com muito desgosto o pão e saiu afora para a sua aula. Quem dava as aulas para ela, era sua tutora Giovana. Mas ela não era uma divindade, era uma humana. Giovana entrou no estranho mundo de Narnia por acidente, como todas as outras crianças. O que impediu da Feiticeira Branca a matasse, foi que a garota virou muito amiga de Isabela, a qual precisava de alguém para treiná-la. Por isso Giovana ganhou a imortalidade e a quantidade suficiente de poder para treinar a filha de sua nova majestade.

Andou até os jardins que eram banhados por uma luz azul medonha.

- Dormiu bem? – perguntou Giovana

- Claro. Eu até sonhei que matava uns daqueles anões malditos. Foi uma noite alegre. – respondeu Isabela com a maior naturalidade que pode. A verdade é que ela sonhou com uma coisa muito estranha. Ela andava num lugar banhado por uma luz amarela, e o campo que ela andava era cheia de flores magníficas, as plantas de lá não eram igual a de Nárnia. Então ela se virou e viu um enorme Leão vindo ao seu encontro. Ao vê-lo Isabela não sentiu medo, porque sua mãe nunca tolerou isso e ela aprendeu a superá-lo, ela sentiu um aconchego. Foi até difícil pra ela descrever o que estava sentindo, porque nunca na vida dela, ocorreu um sentimento assim. Ela foi correndo até o Leão e o abraçou, como se fosse um amigo a muito tempo desaparecido. Então o Leão disse: “Ainda não está na hora. Você saberá quando for. Acorde.” E foi nessa hora que ela abriu os olhos.

- Você está mentindo – disse Giovana sem rodeios – Você sabe que não tolero mentiras.

- Eu não estou mentindo. Como você ter tanta certeza? Por acaso você lê a minha mente? – Isabela sentiu o pânico começar a atingi-la.

- Você sabe muito bem que não posso. Eu só disse isso porque você sabe que sua mãe pode. Estou te avisando. Se fosse ela aqui e você mentisse, certamente você iria pagar dolorosamente.

- MAS EU NÃO MENTI! – gritou exasperada. – Bolas, não posso nem viver mais em paz. Quer dizer, não posso nem viver com um pouco menos desse pesadelo. E além do mais, você não deveria estar treinando esgrima comigo? É para isso que você está aqui. Não para me interrogar como se fosse a polícia.

- Está bem. Vamos começar então. – respondeu Giovana com calma. Ela estava acostumada com os ataques de Isabela. E desde que a encontrou, virou uma amiga intima dela. Mas desde um tempo atrás, a garota esta se esquivando cada vez da amizade, e levando a serio o caso de “tutora”. Giovana achava que isso tinha dedo de Sua Majestade. Mas quem era ela para falar para a Feiticeira que achava que ela estava fazendo alguma coisa com a sua aluna? Seria morta na hora, sem nem mesmo terminar de falar.

As duas garotas se afastaram e se posicionaram. No começo, Isabela conseguia vencer a amiga em dois minutos, porque a outra não tinha experiência alguma. Mas ao passar do tempo, Giovana foi melhorando e agora a luta pode durar até uma hora, dependendo da disposição das lutadoras. Hoje, Isabela queria por tudo tirar aquele sonho de sua cabeça. Ela sabia que a sua mãe ao iria gostar de olhar aquele sonho, exatamente por causa do leão. Mesmo sem a mínima idéia de onde tirou isso, a garota achava que sua mãe tinha uma rixa com esse bicho, muito tempo atrás. A luta começou. Foram ataques, defesas, arranhões, sangue e suor por quase uma hora. Foi quando ambas caíram no chão, exaustas. Mas dava para perceber quem ganharia se fosse um torneio. Giovana estava com um corte bem profundo na sua coxa, se Isabela desse um chute, a amiga cairia e ela ganhava a luta.

Isabel tomou um banho rápido e se encontrou com a mesma na mais alta torre do castelo. Ao trancar a porta, Giovana se virou para Isabela que estava sentada numa cadeira do outro lado da torre.

- Hoje você irá aprender a controlar a verdadeira magia em você – disse Giovana com um sussurro que demonstrava o quanto ela estava excitada para dar aquela aula.

- Mas, eu já fiz isso Gi. Não é o que eu venho fazendo desde quando era uma criança? – perguntou Isabela.

- Sim, minha amiga. Mas o que eu estou querendo dizer, é que dentro da sua magia, há a verdadeira magia. Aquela que você não precisa de formulas para executar. Aquela que só um mero resquício de pensamento, faz você sentir ela pulsando dentro de você. Essa magia eu quero treinar com você hoje.– explicou Giovana com certa devoção.

- Tudo bem, mas como eu ainda não percebi essa magia dentro de mim? Do jeito que você fala parece que ela é super poderosa.

- E ela é super poderosa. Você nem faz idéia minha querida.

- Então como ela não se manifestou nem um pouco em mim? Porque a magia comum, quando eu ainda não a dominava e nem a conhecia, ela extrapolava ás vezes. Lembra daquela vez que eu mandei um gambá do outro lado do campo só porque ele não queria sair da minha frente?

- Claro que eu me lembro. Essa magia só não saiu de você, porque você ainda não a chamou. Você sabe por que você fica tão bem lá fora, perto das plantas, mesmo que sejam horrorosas?

- Na verdade não.

- É porque a sua verdadeira magia é a natureza. Você tem um resquício dela aí com você.

- Mas como isso é possível? Não é a minha mãe que odeia a natureza? Por isso é que ela a fez assim, toda horrorosa?

- Sim, é fato que sua mãe odeia a natureza real. Mas você nunca se perguntou da onde veio?

- Já. Quando eu era criança, eu via os animais cuidando dos seus filhotes. Aí eu perguntei pra minha mãe onde estava o meu pai. Ela virou pra mim e disse que eu nasci da mais pura magia dela e que não era para fazer mais perguntas. Na verdade a única lei de mm para ela é: Não faça perguntas. Então eu aprendi a guardar a minha curiosidade. Mas vejo que ela esta aflorando de novo.

- Ótimo. Agora para você deixar isso sair, você precisa sabe da onde você realmente veio. Minha Majestade não mentiu ao dizer que você nasceu da mais pura magia dela, mas para criar uma divindade como você, é preciso de uma magia originária de outra fonte. Se fosse só da sua mãe, você seria uma Feiticeira Branca segunda. Mas você não é. Você tem o desprezo dela, mas você só o usa quando necessário...

- Ou seja, com a minha mãe e com certos anões. –interrompeu Isabela

- Nunca me interrompa. – advertiu Giovana.

- Perdão, minha senhora. – murmurou Isabela de cabeça baixa.

- Onde eu estava mesmo? Ah, sim. O seu desprezo. Mas você só usa pra quem julga necessário. Agora, fora isso, você é uma bondade. Tire esse sorrisinho do rosto. Porque na verdade você é uma bondade perigosa. Devemos estar sempre de olho em você, porque você é árdua. Mas enfim, voltando ao principio: da onde você veio.

Giovana olhou para os lados, para se certificar que ninguém tenha entrado ali sem elas perceberem. Então abaixou a voz drasticamente.

- Eu não sabia disse. Eu só descobri mês passado. Desde então venho estudando e ontem a noite eu tirei todas as minha incertezas. E hoje de manha não havia nem mais uma sombra de duvida. Ai, como eu fiquei maravilhada quando descobri. Você nem vai acreditar.

- Gi – disse Isabela perdendo a paciência. – Você quer fazer o favor de me dizer o que você sabe? Porque eu não posso ficar aqui muito tempo. Minha mãe e os servos estranharão. Eles sabem que já sou fichinha em magia, e não preciso de quase duas horas para aprender uma coisa.

- Tudo bem, tudo bem. – resmungou Giovana enquanto esfregava as mãos.– Quando você nasceu uma coruja fez uma profecia. A sua mãe a ouviu. Só que ela ouviu uma de mentira.

- O que?

- Alguns animais estavam voltando a sua sanidade. Estavam se lembrando de seu verdadeiro mestre. Você sabe quem foi o mestre dos animais quando Nárnia ainda era outra não é?

- Existia outra Nárnia? – perguntou Isabela com assombro – Minha mãe nunca me disse nada disso.

- Ah, é claro que não, porque eu fiz essa pergunta? A sua mãe nunca te disse nada, porque tem a ver com a profecia. Se isso não existisse, você cresceria ouvindo historias horrendas sobre antigamente. Mas em todo o caso, os animais estavam se lembrando, então esconderam a profecia verdadeira, porque queriam que aquilo acontecesse.

- Mas, o que dizprofecia. Vamos, me diga logo. Estou ficando sem paciência.

- A profecia começa assim: ...

BAM BAM BAM – Alguém bateu a porta.

As duas garotas levaram um baita susto. Elas se entreolharam e Giovana respirando fundo foi de encontro a porta e a abriu. Quem estava do outro lado era um anão que disse:

- Sua Majestade deseja imediatamente que a sua filha compareça a sua sala real.

- Mas, Clotkin, estou no meio de uma aula. – indagou Isabela indignada. – Por favor, diga a minha mãe que eu vou em meia hora.

- A senhorita vai agora, ou como sua mãe disse, irá pagar muito caro. – respondeu o anão com um sorriso maldoso e saiu descendo as escadas.

- Um dia eu ainda o mato. Ah, se mato. – murmurou Isabela.

- Isa, vá agora, sua mãe não pode desconfiar de nada – sussurrou Giovana. – Até mais.

- Até mais. – Isabela despediu-se e saiu descendo as escadas.