Nárnia - Recomeço
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo 3
Isabela assim que desceu as escadas, se virou para a esquerda e começou a subir outro lance de escadas que levavam a outra torre mais ao sul. Era ali que era a “sala real” de sua mãe. Bateu na porta brevemente e entrou após ouvir “Entre”. Fechou a porta atrás de si e encarou a sua mãe. Ela estava sentada à escrivaninha usando um vestido negro, e o seu cabelo trançado estava de lado. A Feiticeira olhava atentamente a sua filha, como se a radiografasse. (O que eu não duvido muito).
- Você estava com a sua tutora? – perguntou a mãe.
- Sim, eu estava tendo aula de magia, quando a senhora mandou aquele anão interromper. Mãe, era um assunto importante! – exclamou Isabela furiosa.
- Não fale comigo assim sua ingrata! Se não fosse por aquela humanazinha nojenta, você não saberia nem metade do que sabe hoje. E você tem que agradecer a mim também, por deixá-la te ensinar! – retrucou a Feiticeira.
- Desculpe. Mas em todo o caso, porque a senhora me chamou mesmo?
- Eu tenho algumas coisas a te falar, e não quero que ninguém nos interrompa. – Enquanto ela falava isso lentamente, ela ia de encontro à porta, a trancou e perguntou: – O que você estava aprendendo hoje?
- Lá na torre? Ah, eu estava nada de mais. Eu só disse que era uma coisa importante, porque eu estava aborrecida por a senhora nos interromper. – respondeu Isabela cautelosamente. Assim que viu a sua mãe trancar a porta, percebeu que estava em perigo. Então decidiu rapidamente a mentir sobre tudo que aprendera naquela mãe o mais natural que pudesse.
- Entendo. – murmurou sua mãe. E rapidamente ficou cara a cara com a sua filha, e a empurrando e encurralando-a na parede perguntou numa voz baixa, mas venenosa: — Nunca, nunca na sua vida medíocre minta para mim, você está me entendendo?
Num rompante saiu de perto da sua filha e se sentou na sua poltrona. Isabela não saiu da onde estava. Ela ainda estava muito assustada com o que aconteceu. Sempre percebeu que sua mãe era uma cobra prestes a dar o bote, mas nunca pensou que ela faria isso com a sua filha.
- Com o que você sonhou hoje? – a Feiticeira olhava para as suas mãos quando perguntou.
- Bom..., eu não tenho tanta certeza sobre o meu sonho.– respondeu Isabela do modo mais enigmático que pode, só para atrasar a verdade. Ela sabia, que logo um dos anões viria chamar sua mãe, porque todo almoço, a Feiticeira vai almoçar com o chefe dos anões numa sala particular usada só para negócios. Que negócios eram, Isabela não fazia a menor idéia.
- Isabela, quantas vezes você já sentiu a minha ira? – disse sua mãe com uma voz tranqüila, como se só perguntasse as horas.
- Duas vezes. – respondeu de imediato.
- E você se lembra o porquê?
- Porque, ...; porque eu não disse a verdade.
- Ah, exato. – E levantando-se de súbito da cadeira e se projetando pra frente da escrivaninha perguntou: — ENTÃO POR QUE VOCÊ AINDA FAZ O FAVOR DE MENTIR PARA MIM?
- Eu... Eu... – gaguejou Isabela.
- SUA FEDELHA, EU VOU TE... – BAM BAM BAM.
Isabela foi rapidamente abrir a porta enquanto sua mãe se sentava e adquiria uma expressão de que elas só estavam decidindo que roupa usar no jantar. (Nunca pensem que ela faria isso com a sua filha). A garota nunca pensou que ficaria tão feliz de ver um anão. Após de murmuras um “Com licença”, ela saiu correndo o mais silenciosamente que pode para o seu quarto. Logo Giovana estaria ali com o almoço. Desde que virara a sua tutora, elas almoçavam juntas em seu quarto.
E não deu outra. Em cinco minutos ouve uma batida leve na porta e Isabela correu para abrir. Giovana entrou rápido, fechou a porta e a trancou. Ao se virar para a amiga, perguntou em um sussurro urgente:
- O que aconteceu? Você está bem? Ela fez alguma coisa com você? Ai meu Deus, é tudo a minha culpa, eu não devia te mostrar aquilo...
- Shiiiiiii! – interrompeu Isabela rapidamente – Você quer que ela nos ouça?
- Não, desculpe. Mas é que eu fiquei tão preocupada Isa. Você não faz idéia. – disse Giovana com lágrimas em seus belos olhos castanhos.
- Gi, Gi, ´tá tudo bem. Viu? Eu estou inteira. Sem nenhum arranhão. Se bem que eu iria sofrer se não fosse por aquele anão. – disse Isabela, enquanto abraçada a Giovana, afagava os seus longos cabelos ruivos.
- O que? O que você quer dizer com isso, minha querida? Você tem que me contar tudo! – ordenou Giovana. Então ela se sentou na cama e olhou decidido para Isabela.
- Calma, eu vou contar tudo. Mas primeiro eu posso pegar um pouco de comida? Parece que quando eu fico com a minha mãe no mesmo recinto, ela parece que suga toda a minha energia. Isso me lembra uma sanguessuga. – Ao receber um sinal livre da sua tutora, a garota abriu o pacote que a menina tinha deixado na ponta da cama e começou a comer o que via pela frente.
Entre as garfadas de comida, Isabela explicou o que se passou na sala. Giovana ficou definitivamente mais pálida quando a sua aprendiza disse que a Feiticeira sabia que elas estavam fazendo algo ilegal. Graças a Deus, ela não sabia o que era ainda.
- Ai meu Deus. Então ela esta desconfiada! Ah, Isabela o que iremos fazer? Eu preciso ensinar isso a você. – exclamou a ruiva desesperada. Agora ela começava a andar de um lado para o outro do quarto.
- Bom, você poderia começar falando para mim sobre a profecia. – disse Isabela esperançosa.
- De jeito nenhum. Isso seria quase igual se eu falasse na cara dela. Como você mesma disse : ela pode nos ouvir.– retrucou a tutora.
Ela se sentou de novo na cama e disse:
- Bom, eu devo ir. Sua mãe não gosta que eu fique muito aqui. Tchau. Ah, e não se esqueça da sua aula com os anões. Da ultima vez que você dormiu e esqueceu, você teve muita sorte de eles estarem numa reunião com a Feiticeira. Até logo.
Ela beijou a testa da amiga e saiu pela porta. Ao se ver sozinha, Isabela deitou em sua cama, fechou os olhos e sua mente voou. Ela pensou em varias coisas: no seu sonho e quem era aquele leão misterioso que a fez sentir uma sensação tão boa; na profecia que sua tutora queria lhe contar e na briga com a sua mãe. A Feiticeira só ficava brava daquele jeito quando ela sentia que alguma coisa saíra de seu controle. Será que ela sabia alguma coisa sobre a verdadeira profecia. Será que ela estava começando a desconfiar de que quilo que ouvira muito tempo atrás é uma mera mentira? E esse pensamente fez a mente de Isabela pensar o que essa profecia dizia. Com certeza dizia alguma coisa por ela, isso Giovana deixou bem claro ao explicar sobre a verdadeira magia. O que a fez lembrar de outra coisa. A tutora disse que precisava de duas magias de fontes diferentes para a criança ser criada. Então quem seria o pai de Isabela?
A garota afastou o pensamento da cabeça e abriu os olhos. Ela não adormecera, só entrou em transe, o que faz, na opinião dela, a pessoas ficar ainda mais cansada. Porque invés de descansar a mente, não, ela ficou pensando em coisas que nem sua mãe sabia se era verdade. Quem ela estava tentando enganar? Isso ia muito alem de sua compreensão. “Vou me esquecer disso por ora. Vi que não sou só eu que estou correndo perigo. Vou viver minha vida e quando tiver mais provas, pensarei mais a respeito.”
Com isso ela vestiu sua armadura, pegou sua espada e seu escudo e desceu até nos jardins onde treinara esgrima com a amiga. Ao chegar lá não viu nenhum anão, o que a fez achar estranho. Todos os dias quando chegava, os anões estavam se aquecendo lutando uns com os outros. Esperou por mais dez minutos. Nada. Então ela decidiu investigar.
Entrou no castelo e começou a procurar em todas as salas. A garota achava que provavelmente aqueles seres nojentos estavam se escondendo só para irritá-la, porque irritar a filha da Majestade deles era considerado um hobby. Mas ao procurar por todas as salas que ela tinha permissão de entrar a garota parou por um instante. Será que deveria desistir ir para a cozinha pegar algo para comer e se encontrar com Giovana? Se sua mãe perguntasse por que os anões não foram treinados, ela responderia que eles se esconderam em lugares que ela não tinha permissão de ir, então ela deixou-os. Mas mesmo na sua cabeça, essa idéia não era bem aceita. Então amaldiçoando por tudo os anões, ela saiu pela floresta procurando-os.
Após andar uma meia hora em linha reta sentido oeste e estar morrendo de fome, Isabela ouviu vozes. Parando para prestar atenção, percebeu que vinha da sua direita. Foi andando devagar ate chegar numa clareira onde estavam reunidos todos os anões em uma roda e junto com eles estava a Feiticeira Branca. O que ela ouviu quase a fez desmaiar:
- Senhora, é por isso que devemos fazer imediatamente. – disse um anão.
- Por quê? Vocês acham que eu não consigo controlá-la? Vocês acham que os meus poderes são fracos. Olhe para ela! Nunca vi coisa tão poderosa e tão perigosa. – disse a Feiticeira.
- Eu sei minha senhora. Mas a senhora sabe da outra parte dela, não é? – perguntou o primeiro anão.
- É claro que eu sei. Fui eu mesma que a providenciei.
- Então a senhora sabe que o poder dele, bem..., desculpe minha senhora, mas o poder também é forte.
- Não vejo problemas nisso. E se eu ouvir mais uma vez você dizendo que Aslam tem mais poder do que eu, será a ultima coisa que dirá. Você me entendeu?
- Sim, senhora. Mas temos fontes que confirmam que a senhora deve tomar cuidado.
- E que fontes são essas, posso saber? Ao menos são confiáveis?
- É claro que sim minha senhora. Essa informação veio das paredes.
- O que? O que você quer dizer com isso? Eu proibi as paredes falantes e ouvintes no meu castelo porque elas poderiam espalhar os meus assuntos particulares por ai. Você sabe muito bem que elas são traiçoeiras.
- Claro que eu sei minha senhora. Mas eu encantei uma parede do quarto da vossa filha, e elas me disseram coisas muito importantes.
Ate naquele momento, mãe e filha ficaram só ouvindo. Mas quando o anão disse que tinha uma parede enfeitiçada no quarto de Isabela, e ela tinha coisas importantes, ambas começaram a prestar atenção nitidamente. A mãe de um jeito cobiçador, a filha de um jeito agonizante.
- O que? O que ela disse?
- Ah, minha senhora, ela disse que a garota falava durante o sono.
- E o que ela falava? Diga imediatamente ou eu te mato agora com a minhas próprias mãos.
- Ela disse que a garota murmurou algo como : “Que leão mais lindo. O meu leão.” E depois ela disse:”Tudo bem, mas volte logo por favor.” E ainda temos informações de que a tutora da garota sabe algo sobre uma profecia, e que há uma verdadeira e outra falsa.
Aquele foi um momento significante para as ambas mulheres. A mais velha trocou o olhar assustado para um determinado e a garota trocou de assustado para aterrorizado. Meu Deus! O que será dela e de Giovana? Isabela fez a única coisa mais sensata que pode pensar. Fugir. E enquanto corria os mais depressa que podia sem fazer barulho, ela ouviu sua mãe gritando: “Peguem-nas, peguem-nas que eu as farei sofrer até dizerem a verdade. Vão!” E em seguida o som de 50 pares de pés correrem. A garota apertou o passo, correu o mais rápido que pode. Ao chegar ao castelo, foi direto ao quarto de Giovana e praticamente esmurrou a porta.
- Isabela! O que... – começou a perguntar Giovana, mas Isabela a interrompeu.
- Não temos tempo, temos eu sair daqui o mais rápido que podemos.
- Por quê? – perguntou a tutora desesperada.
- Porque eles sabem tudo e vão nos matar.
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