Nárnia Além Da Vida Parte II
15 À Sombra da Morte
Notas iniciais
Caspian foi rapidamente socorrido pelo povo, uns foram para casa com medo, de que levassem seus filhos e a comida. Alvaro aproveitando que Anna estava sozinha, tentou se aproximar, mas foi impedido por Carlos, Benjamim e Rilian, que o esperavam com suas espadas afiadas. Anna foi embora sem se importar com o rapaz. Rilian agarrou Alvaro pelo pescoço, enquanto Carlos dava socos violentos na cara de Alvaro, e Benjamim afiava sua espada em uma pedra.
- Sei que querem me matar, mas não façam isso por favor! — dizia quase sem folego
- Abusou de nossa irmã, e quer misericórdia? — gritava Rilian furioso
- Me deixem explicar, Susana precisa... — Rilian o apertou com mais força, e Carlos lhe acertou outro golpe
- Se dependesse de mim, você morreria por minhas próprias mãos, mas terei prazer em ver Benjamim te esquartejar.
- Isso Benjamim, amole bem essa espada, e vamos começar por onde mais dói. Vamos cortar o mal pela raiz – dizia Rilian o enforcando ainda mais.
- Rilian naquela noite, você foi enfeitiçado por Tirza... – a voz de Alvaro era quase inaudível, e sem conseguir terminar a frase, foi golpeado com um soco na barriga.
- Não fale o nome daquela desgraçada, ou vou descontar toda a minha raiva em você. Cale essa boca, se quer que sua morte seja rápida. — disse Rilian agora, na frente dele o apertando contra a árvore. Rilian puxou Alvaro pelo cabelo fazendo-o se ajoelhar no chão, Benjamim passou a espada de leve no pescoço dele, e quando esta ficou um pouco manchada de sangue, os filhos do rei Caspian se certificaram de que a espada estava bem amolada. Benjamim estendeu a espada na direção do rosto de Alvaro, e quando ia golpeá-lo Liliana pulou em cima deste, fazendo sua espada cair no chão.
- Não façam isso Vocês não tem noção da loucura que estão cometendo? Parecem uns bárbaros, agindo dessa forma. — disse Liliana afobada
- Como pôde nos impedir? Por acaso está do lado dele? — perguntava Benjamim, que estava fora de si e arfava como um lobo.
- Se faço isso é porque estou do lado de vocês, esse miserável é filho do tisroc, e ele está com a mãe de vocês. Se fizerem mal ao Alvaro, Susana pagará, e vocês também, sua família está em grande dificuldade então tentem ficar vivos. — gritava agitada
- Eu não vou ficar de braços cruzados, enquanto esses demônios destroem minha família. — gritava Rilian ainda mais alto.
- Os únicos demônios que estou vendo aqui, são vocês! E até você Carlos, que é tão pacífico está se comportando como um selvagem.
- Prefiro ser um animal, a ver a honra de minha irmã ser manchada e não fazer nada. Se vocês não fizerem nada eu mesmo farei. — Carlos sacou rapidamente a espada da bainha de Rilian, e tentou acertar Alvaro, mas foi impedido por Liliana, que foi muito mais rápida que o rapaz, e apontou a arma para o primo.
- Eu amo os três, mas esse rapaz é meu amigo, e não sei por quê ele agiu dessa forma, isso eu vou resolver com ele, mas não permitirei que o matem, e se quiserem fazer isso vão ter que lutar comigo primeiro.
- Proposta aceita! — disse Benjamim revoltado com a atitude da prima, mas Liliana via além, conhecia as pessoas por dentro, e sabia que havia algum motivo para Alvaro ter agido daquela forma, e torcia para não estar cega de amor.
- Ao combate! — bradou Liliana, mas quando iam duelar, Rilian os impediu.
- Parem com esse absurdo! Vocês são parentes, amigos, não podem se matar, ainda mais por esse verme. Estamos agindo como loucos, você tem razão, a vida de Susana e todos correrá perigo se agirmos de forma imprudente. Vamos embora Carlos e Benjamim. — disse Rilian puxando Benjamim pelo braço, este último, por mais que amasse a prima, estava indignado com a atitude dela.
- Tudo bem, mas eu quero conversar com você depois. — disse Benjamim ríspido, e depois se retirou. A sorte de Liliana, foi que os primos e o irmão, não a chamaram pelo nome. Mas Alvaro estava tão assutado que nem teria reparado, o rapaz ainda estava no chão escorado na árvore. Liliana ameaçou ir embora, mas o rapaz tentou interagir.
- William não vá, por favor! Precisamos conversar. — dizia o rapaz tentando se levantar.
- Escute aqui Alvaro, eu não estou afim de papo, devia ter deixado eles te matarem, eu no lugar deles, teria feito isso. Então é melhor eu ir embora, senão quem vai arrancar sua cabeça serei eu.
- Eu preciso explicar as coisas pra você, me escuta, é importante, sobre a Susana, todos.
- Você tem que me explicar sim, quero saber por que fez aquilo com a Anna. Pensei que fosse diferente de seu pai, mas você é muito pior.
- Foi um espírito invocado por Tirza, ele me possuiu e me controlou ontem quando Anna foi humilhada. Eu nunca faria isso com Anna, eu a amo, eu tenho certeza disso, eu amo essa princesa. — Aquilo foi um soco na barriga de Liliana, sua expressão mudou e ficou mais séria, era muito difícil ouvir seu amor dizer que amava outra pessoa.
- Acha que vou acreditar nessa historinha? — perguntou com raiva e ciúmes
- Esse mesmo espírito tomou Rilian, e por isso ele ficou com Tirza. Persuasão, esse espírito foi convocado por Tirza, e domina a pessoa por horas, quando o ser é tomado por esse espírito, fica a mercê da pessoa que o invocou, eu fui uma marionete da feiticeira verde e o Rilian também. — Era difícil para Liliana acreditar em tudo aquilo, mas fazia sentido, seu irmão Rilian, era traumatizado com a história da cadeira de prata e dessa feiticeira, só poderia ter se deitado com ela por meio de feitiço.
- De qualquer forma eu errei, esse espírito só entra na pessoa se ela deixar. Esse foi meu grande erro, meu pai e ela disseram que eu apenas, diria a Anna que não queria mais me casar, que seria cavalheiro e pediria perdão aos pais dela, que era apenas um término, mas como estou apaixonado e não tinha coragem de magoá-la em sã consciência, me deixei ser dominado por persuasão para ter mais ousadia e coragem, ela dominou meus sentidos e fez coisas que jamais imaginei. Quando estamos possuídos vemos e nos lembramos de tudo.
- Então por que meu irm... quero dizer, por que Rilian não falou sobre esse feitiço?
- Porque ele, mesmo não querendo se deitar com ela, a desejava, talvez tivesse se decepcionado, e esse desejo foi o suficiente para que o espírito o possuísse. Ele nem sabe que foi possuído, pois deve achar que ficou com ela apenas por desejo.
- Não sei se devo acreditar em você. — disse séria
- William confie em mim, uma vez eu confiei em você e você não me delatou, posso ajudar Susana, não permitirei que façam mal a ela, não deixarei que meu pai a toque. Posso te infiltrar no castelo, e para provar que estou do lado de vocês, posso devolver o elixir e a trompa.
- Então traga esse elixir depressa, e confiarei em você.
- Eu não vão deixar que façam nada a rainha. Amanhã eu volto com o elixir e a trompa.
...
Tirza desceu de seu cavalo e disse aos companheiros que tinha algo para fazer. A família Pevensie levava Caspian para casa, e uma das pessoas que ficaram em casa, foi Liliandill, ela preferiu não ver os inimigos de novo, ficando sozinha em seu lar e torcendo pela cunhada. Lilian arrumava a cama, quando uma cobra entrou na tenda deixando-a assustada.
- Saia daqui seu animal asqueroso, você fala? — perguntava a estrela que tinha pavor a cobras
- É claro que falo meu bem! — respondeu Tirza se transformando em ser humano, e Lilian descobriu de quem se travava e o risco que estava correndo.
- Você? Feiticeira maldita. — Lilian pegou a espada de Pedro, que estava na mesa ao lado da cama.
- Eu sei muito bem como usar isso, você não pode me fazer mal agora. — dizia confiante, mas trêmula.
- Sua tola não percebeu que tenho poderes? — A dama de verde tentou destroçar a espada de Pedro, mas a espada era resistente e não foi afetada pelos poderes da bruxa, deixando Tirza furiosa. Por fim, Tirza jogou a espada para longe e rapidamente se transformou em serpente, uma grande serpente, Liliandill tentou correr, mas a serpente se enroscou nela a apertando, de forma que Lilian ia sendo esmagada aos poucos. A estrela tentou usar seus poderes, queria voar, mas era impossível, Tirza se enroscou até o pescoço de Lilian e a enforcou com mais força, e quando a estrela pensou que ia desfalecer por falta de ar, foi atacada por uma série de picadas venenosas da serpente. Tirza era cruel, e enquanto se desenrolava da estrela, picava o resto do corpo, de modo que Lilian ficou cheia de sangue e manchada dos pés a cabeça.
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Carlos se encontrou com Lúcio, que tinha uma ideia para ajudar Edward.
- Carlos tenho um plano que pode salvar a vida do Edward, mas precisarei da sua ajuda, do jeito que as coisas estão pode ser perigoso.
- Se é perigoso ou não, não importa agora, o Ed precisa de ajuda e ficarei feliz em ajudá-lo. O que tenho que fazer?
- Você é rápido e ágil, consegue pular por árvores e subir em lugares altos com facilidade. Você pode ir na árvore que fica no centro do país de Aslam e pegar uma maça dourada para que Edward fique curado.
- É muito simples, não vejo problema nisso.
- Não ouviu o que disseram hoje? Qualquer um que roubar qualquer fruto de uma árvore, será morto e perderá o direito de sua alma.
- Creio que está lei não entrará em vigor agora, eles devem comemorar, Rabadash está com minha mãe, e não tem cabeça para cometer suas atrocidades. Então é melhor eu ir agora mesmo.
- Mas toma cuidado, vai que esse lobo colocou guardas na floresta.
- Pode deixar, vou ser rápido e silencioso.
Era uma pena que os garotos não soubessem que as maçãs estavam envenenadas, se Edward comer deste fruto, morrerá imediatamente. E Carlos ainda corre o risco de ser pego.
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Liliana não conseguia parar de pensar em Alvaro, estava muito triste por ele ter dito que amava sua prima, mas se fosse verdade ele seria inocente, o que era bom, Anna não o perdoaria e Liliana poderia conquistá-lo. A jovem chegou em casa e estranhou o silencio da mãe, Liliana viu sangue no chão e se assustou, chamou por Liliandill, mas ela não respondeu, Liliana puxou a espada e ao entrar no banheiro viu sua mãe nua dentro da banheira, que estava cheia de sangue. Liliana viu as inúmeras picadas de cobra e se desesperou ainda mais ao perceber que elas foram causadas por Tirza, e que não sabia que tipo de veneno era aquele.
- Socorro! Socorro! Pai me ajude — gritava sacudindo em Lilian. Liliana lembrou que Pedro foi levar Caspian em casa. A garota com dificuldade, tirou a mãe da banheira e ao colocá-la no chão constatou que Liliandill estava viva.
- Mãe fala comigo! Diz alguma coisa – dizia Liliana que não era muito de chorar, mas também morreria se sua mãe morresse.
- Es... está doendo muito – Liliandill falava baixinho e nem conseguia abrir os olhos.
- O que fizeram com você? — perguntava soluçando, já que infinitas lágrimas escorriam por seu rosto em segundos.
- Me perdoa Liliana, eu não sou... — Lilian não forças pra falar.
- Não precisa dizer nada mãe, não se canse.
- Eu não sei se terei tempo. — sua voz era quase inaudível
- Não fala isso, você não vai morrer, eu não vou deixar. — dizia Liliana assustada com a possibilidade
- Segura a minha mão filha. Está tão frio! — Liliana apertou as mãos de Lilian que estavam mais geladas que o inverno, e teve medo de ver sua mãe partir.
- Se for a sua hora, eu prefiro não ver. — disse Liliana se levantando, queria se retirar da tenda, pois não queria ver sua mãe morrer.
- Fique por favor! — Lilian usou todas as suas forças para segurar mais firme a mão de Liliana. — Não me abandone.
- Eu preciso pedir ajuda. — dizia angustiada e perdida.
- Não, não adianta, chame o Pedro. — Liliandill respirava com dificuldade e tinha perdido a cor, seu estado era muito pior que o de Edward.
Liliana não perdeu tempo e saiu gritando em busca do pai. A estrela tentava voar para chegar mais rápido, mas Liliana depois que cresceu, não soube mais usar seus poderes de mutação e voo. Pedro que já estava recuperando as esperanças, se assustou muitíssimo ao ver o estado de Liliana, só poderia ter acontecido algo muito grave para Liliana chegar aos prantos daquele jeito, e o coração do rei doeu ao receber a notícia. Pedro amava tanto sua esposa, se apaixonou tão fácil por ela, tinha tanto zelo e carinho, agora entendia a aflição de Caspian. Tumnus, Cornélius e os pais de Pedro correram para ver a nova enferma, o caso de Lilian era grave, e eles precisavam de uma solução rápida, Edmundo e Jill também queriam ir, mas Edward estava sozinho a muito tempo e precisava tomar umas ervas para ludibriar o estômago.
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Alvaro foi depressa para o castelo, precisava chegar logo para impedir que seu pai fizesse algo com Susana, e também para aproveitar que os quartos estavam vazios e roubar os utensílios mágicos. Com certeza Rabadash desejaria fazer amor com Susana, e Alvaro não queria que mais uma dama da realeza fosse fosse tocada pelos imundos de sua família. Quando o jovem chegou, viu os comparsas de seu pai e Susana no salão principal, os malditos comemoravam a vitória e bebiam muito vinho. Rabadash agarrou Susana pela cintura e não a soltava de modo nenhum, as vezes dava beijos no rosto e no pescoço da rainha, que se esquivava o máximo que podia. Enquanto espiava, Alvaro viu que seu pai, mandou umas criadas calormanas darem banho, perfumar e vestir a rainha para uma excelente noite. Alvaro viu que estava na hora de agir e correu para o quarto de André, o mago, lá desesperadamente, mas com cautela, o rapaz procurava alguma coisa, alguma forma de impedir que seu pai se deitasse com Susana, Alvaro mexeu em várias poções até que encontrou um frasco que dizia assim: Aquele que deste feitiço tomar
na noite em que for com uma mulher se deitar
impotente ficará.
Alvaro achou perfeito, foi na cozinha do castelo e disse ao copeiro que entregaria o vinho pessoalmente aos convidados, ainda na cozinha o rapaz abriu o frasco e despejou todo o líquido roxo em um copo de vinho. Alvaro entrou no salão, pegou na mão a taça certa, e foi servindo os malfeitores e principais inimigos de Nárnia, quando chegou perto de seu pai, o parabenizou pela vitória e lhe deu a taça que continha a porção. Rabadash eufórico bebeu tudo para o contentamento de Alvaro.
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Anna foi a única que ficou com Caspian, desejava melhoras para a tia, mas não queria sair, e nem deixar o pai sozinho. Anna estava sentava na cama ao lado de Caspian, e quando ele ameaçou despertar, ela ficou de pé para se retirar.
- Anna espere! — pediu Caspian calmamente. A garota parou e virou-se para o pai.
- Está se sentindo melhor? — perguntou tímida
- Impossível, nunca me senti tão mal, desmaiei como uma garotinha – disse Caspian dando um leve sorrido descontraído.
- Tempos difíceis. — disse séria e pensativa
- Mas não pode piorar – respondeu o rei
- A alguns minutos atrás, eu soube que piorou.
- O que? Tem a ver com sua mãe? — Caspian foi se sentando assustado
- Não, ainda não, a vítima da vez foi a Liliandill. Coitada da Liliana, nunca a vi tão vulnerável.
- Ninguém é de ferro. Mais um acontecimento para tirar nosso sono. E por falar em sono, parece que você não tem dormido muito. — disse Caspian encostando sua cabeça na cabeceira da cama. Caspian viu que umas lágrimas teimosas cismavam em descer pelo rosto de Anna, e ficou penalizado.
- Por que você não vem me abraçar? — disse o rei, vendo o quanto ela estava envergonhada.
- Me perdoa pai! — Anna pulou nos braços de Caspian, e ele a abraçou fortemente vendo que ela tremia, e beijou seus cabelos com devoção. — Você me odeia pai? — perguntou chorosa e desolada.
- O amor que eu sinto por você é muito superior aos seus erros, eu te amo tanto Aninha, eu queria tanto ter te protegido de toda essa maldade, e virei as costas pra você.
- Eu não queria te envergonhar e nem te decepcionar na frente de todos. Eu só queria ser feliz como você e a mamãe eram.
- Seremos Anna! Sua mãe e eu sempre seremos felizes, e você também, não abaixe sua cabeça, é isso que ele quer, te ver assim destruída, como aquele miserável foi.
- Obrigada por me desculpar, eu não estava aguentando mais. — dizia abraçada ao pai.
- Já existe muita dor em nosso meio, para que criar mais? Eu estava, estou muito confuso, estou nervoso e desamparado. Minha coroa não serve de nada, nem minha espada.
- Acho que serei vingada hoje. Vi meus irmãos cercarem ele. E juro que não sinto pena, eu o odeio tanto que poderia matá-lo apenas com as minhas mãos.
- Suas mãos não foram feitas para destruir Anna, nem para matar!
- Minha prima é princesa, estrela e não deixa de ser uma guerreira.
- Cada um nasceu com um propósito!
- O nosso é sofrer.
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Carlos era cuidadoso e pulava de árvore em árvore silenciosamente. O rapaz viu que o lobo Maugrim, já estava de guarda e precisou dobrar a vigilância, os movimentos que o rapaz fazia lembra muito um esporte de nosso mundo, chamado gLe parkourh. Cada vez mais, Carlos se aproximava da árvore das maçãs douradas, até que conseguiu se pendurar na árvore sem ser visto. Quando Carlos pegou uma maça, um forte uivo o assustou e o fez despencar da árvore, mas o rapaz não largou o fruto, o lobo olhava para ele ferozmente e o ameaçou.
- — É uma pena que eu já tenha tomado café da manhã, mas sabe de uma coisa? — rosnava o lobo – Eu sou muito guloso e posso guardar seus ossos para o lanchinho da tarde.
Lúcio tinha sentido de ir atrás de Carlos, e o seguiu até a floresta. Quando o lobo ia pular em cima de seu primo, Lúcio em um ato de loucura, chamou a atenção do lobo para si.
- Ei ursinho de pelúcia, por que não me pega? Sou uma presa mais fácil, já que sou manco!
- O que está fazendo Lúcio? Ele vai te destroçar – gritou Carlos com medo de que a loucura de Lúcio terminasse em tragédia.
- Já que você é mais fácil, te pego depois. — Maugrim pulou em cima de Carlos e começou a rasgar seu braço com os dentes. Lúcio pegou uma pequena lança que tinha criado, e acertou Maugrim no lombo de raspão, e Carlos quando ia ser atacado de novo, em um rápido reflexo, pulou agarrando-se no tronco e mesmo com o braço ferido conseguiu subir em uma árvore, que era sua única proteção, mas já estava desistindo de fugir quando percebeu que Lúcio seria a próxima vítima. O rapaz manco que estava a poucos metros do animal, tentou correr para um pequeno buraco em uma rocha, mas o lobo que era mais rápido o alcançou, cravando seus dentes na perna manca, o que fez Lúcio e Carlos gritarem, Lúcio gritou de dor, e Carlos por perceber que seu primo estava perdido, mas no meio do rebuliço surgiu o bravo cavalo de guerra Bri, que com um forte coice jogou Maugrim para longe. Carlos gritava para que Lúcio subisse no cavalo, mas por causa de sua perna, e a enorme dor o garoto não conseguia subir, Bri abaixava-se tentando ajudar, até que Maugrim se recuperou e voltou atacar. O lobo ia pegar Lúcio de novo, quando Carlos, pulou em cima do lobo e começou uma feroz luta com ele. Com esforço Lúcio conseguiu subir em Bri, mas não queria deixar Carlos sozinho com a fera, o lobo parecia que ia engolir a mão ensanguentada de Carlos, mas o rapaz forçava suas mãos tentando abrir a boca do bicho. Bri contra a vontade de Lúcio deu a partida, e o rapaz teve que agarrar a crina do cavalo bem forte para não cair, e chorava revoltado por ter deixado Carlos para trás. Carlos por sua vez, colocou o pé na boca de Maugrim, e pegou um punhal, que por sorte tinha levado consigo, o rapaz golpeou o rosto lobo, como um animal pedindo justiça, e em seguida abriu sua barriga, derrotando assim, o chefe de polícia.
- Seu cavalo estúpido pare agora mesmo! — disse Lúcio indignado
- É melhor me tratar bem, só porque é da realeza não significa que pode tratar desse jeito, salvei sua vida.
- Se não voltarmos meu primo vai morrer – gritou ainda mais forte.
- Se retornarmos morreremos junto com ele.
- Você não sabe de nada, seu burro pangaré!
- Sou um cavalo de guerra, e sei muito bem o que estou fazendo e agora é hora de recuar.
- Seu bode velho, não tem ao menos uma sela? Vou ficar todo doído desse jeito, você é tão pobre miserável que não tem nem rédeas.
- Ninguém vai me domar. E se quer saber o que é dor de verdade, vá caminhando e morra com a hemorragia dessa perna.
- Se Carlos sobreviver ao lobo também morrerá, pois está perdendo muito sangue.
- Ele não tem chances contra um lobo policial falante.
- Conheço um rato, que já esteve em mais guerras do que meus tios.
- Se seu primo sobreviver, será morto por ter roubado um fruto precioso e por ter matado o chefe de polícia.
- Se Carlos morrer ali, ou por Tash a culpa será sua!
- É melhor calar a boca, se não quiser ver um coice de verdade.
- Acho que seremos grandes amigos... — disse Lúcio ao cavalo de mesmo gênio que o seu.
- Bri!
...
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