Nárnia Além Da Vida Parte II
16 Nova Vida
Notas iniciais
Inglaterra...
A chuva forte caia do lado de fora do orfanato, quando um velho senhor caiu inconsciente no portão. Para a sorte deste, dona Marta estava a caminho do jardim, já que iria pegar uma encomenda e viu o senhor estirado no chão.
Dona Marta foi correndo com o enorme guarda chuva até a mansão, precisava de ajuda, pois seria impossível ajudar aquele pobre senhor sozinha, bom, de pobre aquele homem de cabelos grisalhos não tinha nada. Estava muito bem vestido, com um sobretudo preto, sapatos importados e uma elegante bengala. A primeira pessoa que Dona Marta encontrou foi Victor, o filho de Alice, este sem demora, se prontificou a ajudar.
– É melhor chamar mais alguém. — Dizia Victor
– Está chovendo muito lá fora, não sabemos há quanto tempo este senhor está ali, é melhor irmos logo ou ele poderá ficar doente.
Victor já era praticamente um homem, tinha 18 anos, era tão belo quanto seu pai Chad Condor, assim como ele, fazia sucesso com as moças. Apesar de ter mudado e muito em suas atitudes, Victor ainda era um garoto muito mimado e fracote, um verdadeiro covarde, apesar de ser um galanteador cavalheiro.
Dona Marta abriu o portão e Victor abaixou-se logo para socorrer o velho.
– Dona Marta segure as pernas – disse o rapaz que levantava o senhor com dificuldade.
– A força não é o seu forte – resmungou a senhora.
O guarda chuva teve que ficar de lado já o velho senhor era muito pesado, e foi preciso a ajuda de Marta e Victor já que ele estava desacordado.
– Quem é esse homem? Onde o acharam? — perguntou Chloe.
– Isso é um mistério tia Chloe.
– Coloque-o lá em cima Victor.
– Por que eu? O que pensam que eu sou? Preciso de ajuda, estou exausto.
– Ora não reclame, seu garoto folgado, eu sou a senhora de idade e é você que reclama. — Protestou Marta.
– Vou chamar o Dereck para que ele lhe ajude. — Respodeu Chloe.
Dereck e Victor colocaram o velho em uma cama confortável em um quarto desocupado.
– Vou avisar o Chad. — Diz Dereck indo direto em direção a porta.
– É melhor você trocar essas roupas dele Victor.
– Dona Marta logo eu? Que horror, o Dereck vai me pagar. Por que a senhora não tira as roupas dele?
– Mais respeito rapaz, isso é coisa que se diga? Pare de reclamar e faça logo o que lhe mandei. Vou preparar um chá caso ele acorde.
Depois de colocar roupas secas e confortáveis no senhor, Victor se preparava para sair do quarto e deixar o velho descansar, quando uma série de tosses anunciou que o hospede acordara.
– Quando encontrá-los diga a eles que eu nunca os deixarei. — A voz do ancião tinha algo tão especial e profundo que Victor sentiu vontade de chorar. Ao mesmo tempo que era grossa era suave, era forte e mansa, brava e humilde. As lágrimas desciam sem nenhuma explicação pelo rosto de Victor, nem ele mesmo podia entender.
– O que quer dizer com isso? — perguntou suavemente.
– No momento certo você saberá. Diga a ela.
– Ela? Quem? O senhor não está bem, é melhor descansar.
– Me escute Victor, não esqueça de dar o meu recado. A vida é um sopro.
– Não estou entendendo. Como você se chama?
– Allan. — disse a voz terna.
– Allan? Só isso? Allan de que? Quem é você?
– Você terá que me reconhecer sozinho.
– Me desculpe, mas precisarei viajar, minha mãe deve estar me esperando.
– Não se assuste e nem se espante, prometo que não será doloroso. — disse Allan.
– Eu... eu já vou. — Victor não podia compreender, aquele homem devia estar louco, nada do que ele dizia fazia sentido. Algumas crianças curiosas sabendo que havia um hospede na mansão, resolveram entrar no quarto para conhecer o velho. As crianças ficaram encantadas com a voz do senhor, de alguma forma estranha, ele passava uma paz e uma segurança tremenda. Logo Chad e Dereck chegaram, eles tiraram as crianças do quarto e conversaram um pouco com Allan, acharam que ele devia estar perdido e talvez tivesse perdido a memória pois o velho dizia coisas sem sentido e não sabia dizer exatamente onde morava e quem era sua família.
Alice levaria Victor à universidade de Oxford, o rapaz tinha sido aceito e passaria a morar lá, se a pista não estivesse tão escorregadia e a visão de sua mãe não estivesse tão turva. O carro foi lançado para fora da pista depois de capotar algumas vezes, estava de cabeça para baixo e dentro Victor com a cabeça sangrando viu que sua mãe dava o último suspiro.
– Fala comigo mãe, não me deixe sozinho. — Chorava com a boca cheia de sangue. Sua visão começava a ficar turva até que ele não pode enxergar mais nada, em sua mente poderia haver um turbilhão, mas tudo o que ele pode lembrar foi do que Allan lhe disse naquela tarde "... prometo que não será doloroso."
Uma forte luz irritou seus olhos que ainda estavam fechados, ao abrí-los Victor imediatamente percebeu que certamente não estava no local do acidente, tocou sua cabeça e viu que não havia mais sangue. Não tinha nem sinal de sua mãe, aquele lugar era maravilhoso, perfeito, o mais belo que seus olhos já puderam contemplar, tão esplendido que não poderia se real, ele sentiu medo, muito medo ao pensar na possibilidade de estar... de estar morto.
Sim, ele entendeu tudo, estava morto, mas se sentia mais vivo que nunca, mas onde ele estava? Onde estava sua mãe? As palavras daquele estranho homem naquela tarde o confortou um pouco, ele estava seguro, não precisava ter medo.
Quando se colocou de pé e finalmente colocou sua cabeça em ordem, percebeu que a grama estava coberta de sangue, para seu espanto, um pouco mais a sua frente haviam duas criaturas, uma já sem vida, e a outra lutando para sobreviver. Eram Maugrim e Carlos.
– Onde estamos? O que está acontecendo? — Perguntou Victor tomado de pavor.
– Leve isso, rápido! — Pediu Carlos com dificuldade estendendo a maçã dourada para Victor.
– Você precisa de ajuda, não posso te deixar aqui. — Victor tirou o cinto se sua calça, rasgou um pedaço de pano de sua camisa para colocar na perna de Carlos.
– Não, por favor leve isso, de qualquer forma morrerei.
– Mas já não estamos mortos?
– Tem coisas não dá pra gente explicar.
...
Lúcio tentava se manter em cima de Bri, quando foi avistado por Robert.
– Lúcio o que aconteceu com você? — Perguntou desesperado e o garoto gritou quando seu pai o tirou do cavalo.
– Majestade seu filho foi atacado pelo chefe de polícia. — disse Bri
– Por Aslam, o que aquele maldito fez com sua perna? Tem muito sangue, precisamos cuidar disso. — Robert estava muito nervoso, a ponto de explodir, empezou a chorar desesperado de preocupação com a perna do filho, logo a que tinha deficiência.
– Pai, pai o Carlos precisa de ajuda. — Tentava explicar.
– Tenho que cuidar dessa perna, ou ela será amputada. — dizia como um louco.
– Não, você tem que ajudar o Carlos, ele vai matá-lo, ele me salvou, você precisa ajudá-lo. — Dizia o rapaz que chorava tristemente.
– Sua hemorragia é grave, não posso te deixar, ou te perderei.
– Não seja egoísta, precisa ajudá-lo pai, por favor, ele vai matar o Carlos.
– Eu não posso fazer mais nada Lúcio, não me peça para deixá-lo, a essas horas seu primo já deve estar morto, seu eu te deixar aqui te perderei também.
– Isso é ter dignidade? Deixar um soldado ferido sozinho? Pense no pai dele quando souber que seu filho morreu tentando salvar outra pessoa, e ninguém teve a capacidade de ir socorrê-lo.
– É uma escolha tão difícil! Não há ninguém aqui, por quanto tempo você ficará sozinho?
– Eu vou ficar bem, eu prometo, mas agora vá atrás dele. — Disse Lúcio segurando a mão de seu pai.
– Promete que quando eu voltar você estará me esperando bem aqui? Firme e forte?
– Eu prometo pai.
– Eu não quero te deixar, mas também não posso abandonar aquele garoto sozinho. Aslam me ajude e proteja meus meninos.
Robert tirou a espada da bainha e montou em Bri, os dois partiram mais rápidos que um um jovem guepardo. Lúcio tentou não aparentar, mas sentia muita dor, estava sendo insuportável, ele chorava de dor e de raiva, se seu primo já estivesse morto, ele perderia sua perna em vão. A morte o chamava, mas ele tentava não dar ouvidos à ela, parecia que a morte tinha uma atração especial pelos narnianos, já que ela estava cercando muitos deles. A dor era grande demais e Lúcio não aguentava, gemia sem parar torcendo para que seu pai voltasse logo, ele viu que Robert deixara um punhal cair quando tirou a espada, e a vontade de se matar foi grande.
...
Susana estava deitada na enorme cama do castelo, o dia era quente, mas ela sentia arrepios até a espinha. Repulsa, asco, nojo, tudo isso se misturava ao perceber que seria possuída por Rabadash, ela tentava ser forte, mas umas poucas lágrimas fininhas escorriam por seu rosto, só em pensar em Caspian e no quanto ele deveria estar se sentindo sozinho. Mas seus pensamentos foram atrapalhados pelo tisroc que adentrava a porta visivelmente bêbado.
- Finalmente a terei só para mim meu amor. — Disse cambaleando enquanto tirava a camisa.
- Isso nunca. — Susana rapidamente se levantou da cama e foi para um canto do quarto.
- Oh meu docinho, não fuja de mim, eu te amo tanto. — Rabadash apesar de tonto, foi atrás dela e a segurou pelo braço. — Vem comigo vem!
Susana pegou um jarro e tentou acertar a cabeça dele, mas este por instinto, foi mais rápido e segurou as mãos dela, encostando-a na parede, Rabash e prendeu com seu corpo e lhe deu um beijo.
- Eu não quero te machucar meu anjo, então seja boazinha.
- Porque não me mata de uma vez?
- Eu te adoro minha rainha, quero você só pra mim, jamais faria mal à você. — Disse soltando seu bafo terrível.
- Não sabe o mal que me faz me prendendo desse jeito. Rabadash se realmente você ama, me deixe em paz, me deixe voltar para minha família. Eu prometo que se você fizer isso eu não guardarei rancores.
- O que você pensa hein? — disse se alterando e a segurando com brutalidade pelo queixo – Acha que eu dediquei tanto tempo, fiz tudo isso pra deixar você ir?
- Eu nunca serei feliz com você. Se me amasse se importaria com minha felicidade.
- Se você não for feliz comigo, não será com mais ninguém. Eu te amo tanto minha rainha, porque não me dá uma chance? Por que me despreza?
- Você não me ama Rabadash, só faz isso porque sempre foi um garotinho mimado que nunca recebeu um não, você só me quer por causa do seu capricho e seu ego.
- Ah chega, já estou cansado desse desprezo, você vai me amar de qualquer jeito, vai ver. — Ele a jogou na cama segurando-a pelos braços. Rabadash beijava seus lábios e pescoço deixando a rainha enojada.
- Me solta Rabadash, por favor me solta! — Quando finalmente ia se dar por vencida, Rabadash acabou caindo por cima dela, graças à porção, ele não pode fazer nada com a rainha, nada mais do que uma dúzia de nojentos beijos.
Susana com esforço o jogou para o lado da cama, ele estava muito suado e com a respiração descontrolada, só o vinho não poderia ter feito isso com ele, Susana agradecia aos céus por ter se livrado dele, por enquanto.
...
Quando Pedro entrou na tenda e viu Lilian naquele estado, quase perdeu as forças de suas pernas, aquela cena era demasiado chocante para ele.
- Saiam daqui! Saiam todos daqui! — gritava ele quase perdendo a razão.
- Meu filho se acalme, nós só queremos ajudar. — Dizia Helen tentando contê-lo.
- Por favor me deixem sozinho com ela, eu quero ficar sozinho com ela. — Pedro se segurava para não chorar perto da família, ele odiava essa situação.
- Helen é melhor deixá-los a sós. Venha você também Liliana. — disse Joseph
- Escute seu avô Liliana, saia daqui. — Pediu Pedro
- Não pai, eu quero ficar, eu tenho esse direito, e se ela se for...
- Eu não vou deixar você ver isso, agora saia daqui. — Dizia nervoso.
- Você não pode me impedir, ela é minha mãe e ninguém vai me tirar daqui, eu quero ficar com ela pai, eu tenho que dizer muitas coisas.
- Não seja teimosa Liliana, saia daqui, saia daqui! — gritava ele chorando e a segurando fortemente pelo braço.
- Pedro solte-a você vai machucá-la. Lili vamos sair, por Aslam. — Helen conduziu a neta para fora, que saiu revoltada saiu correndo.
Pedro correu para cama e se ajoelhou, segurou o rosto de Lilian com as duas mãos, e lhe deu uma série de beijos em sua face, dizendo coisas sem sentido.
- Oh minha deusa não me deixe.
- Querido Pedro eu acho que não vou aguentar por muito tempo.
- Não diga isso meu amor, nós vamos ficar juntos pra sempre.
- Eu não queria te deixar sozinho, mas acho que será melhor assim, esse mundo se tornou tão cruel.
- Eu não sei mais viver sem você meu anjo.
- Você sempre viveu tão bem sozinho.
- Mas agora é diferente, e eu não quero que tudo volte a ser como antes, o mundo é tão frio e vazio, é impossível alguém encará-lo sozinho. Agora nós temos a Lili e eu não quero voltar lá fora e dizer a ela que nunca mais te veremos.
-E Ela é forte, forte como você, os dois ficarão bem. Se sentirem minha falta apenas olhem para as estrelas que eu estarei lá. Vocês não poderão me tocar, mas o amor é mais que isso.
- Então me diz pela última vez. Você me ama Liliandill?
- Eu te amo Pedro, sempre te amei e sempre vou amar. Se eu vivesse por mais mil anos, esse amor não mudaria, apenas cresceria. Você e Liliana sempre tiveram um lugar especial em meu coração. Diga à ela que eu a amo, e muito, e diga que eu só quero que ela seja feliz, diga que ela é linda, maravilhosa, e que ela deve fazer o que ela tiver vontade, o que o coração dela mandar. Não importa o que eu queira para ela, ela deve ser quem ela quer ser, sem se importar com o que os outros pensam, diga que ela deve correr atrás do que quer e lutar como a grande guerreira que ela é, correr atrás do que ela acha certo — Uma tosse chata a atrapalhou.
- Chega não diga mais nada, é melhor você descansar, não precisa dizer mais nada. — Pedro viu que ela queria fechar os olhos, mas teve que fechar junto, ele não queria ver, então se deitou no peito dela para sentir os batimentos do coração dela, e quando ele parasse ele saberia que tudo acabou.
-
Liliana correu porque estava chateada, porque estava imensamente triste, porque não se conformava com a atitude de seu pai, porque não queria ver ninguém, porque não queria receber palavras de consolo, porque não queria ver seu pai sair da tenda e dar a notícia que todos já estavam esperando, ela se sentou no chão, colocou a cabeça entre as pernas e nem percebeu que Alvaro acabara de chegar ali como um milagre.
- William é você? — Liliana levantou a cabeça e seus olhos brilharam quando ela viu o elixir de cura nas mãos de Alvaro.
- Você não parece bem meu amigo, aconteceu alguma coisa? Eu disse que voltaria amanhã, mas não pude mais esperar para lhe mostrar minha lealdade. — Alvaro entregou o elixir nas mãos de Liliana.
- Lhe serei eternamente grato por isso Alvaro. Minha mã...
- Sei que o jovem Edward precisa desse elixir, sei que ele está morrendo, é melhor você levar isso de uma vez. — disse ele a interrompendo
Alvaro destruiu todas as esperanças que acabaram de nascer em Liliana, sabia que quem usasse o elixir deveria tomá-lo todo ou não faria efeito. A dúvida cruel começou a atormentá-la, o que seria certo? Deixar sua mãe morrer ou seu primo? Ai Liliana teve vontade de estar no lugar dos dois para não ter que decidir isso, Alvaro já estava partindo e não sabia da difícil situação em que a garota se encontrava. Voltou para o mesmo caminho, mas teve que parar e decidir para qual direção ela iria, se era para o caminho da tenda de Edmundo ou o caminho da tenda de Pedro. Não podia pensar muito, não tinha todo esse tempo, Edmundo poderia arrumar um jeito de ajudar Edward, e se o rapaz morresse, bom já era de se esperar. Mas se sua mãe sobrevivesse e todos os dias Liliana tivesse que encarar Edmundo com a dor de ter perdido seu único filho? Talvez fosse pior, era uma responsabilidade muito grande, alguém sairia perdendo, um enterro seria inevitável. Mas ele, o Edward era só uma criança, só um menino que tinha toda uma vida pela frente, uma criança que não tinha culpa de toda aquela maldade, Liliana ia se vingar daqueles malfeitores, mas depois.
- Tio Edmundo posso entrar? — Edmundo ao ouvir o chamado da sobrinha foi atender, parecia abatido e cansado, cansado de derrotas, seu filho estava moribundo e ele não sabia mais o que fazer.
- Sua mãe...
- Eu não ainda não sei. — Respondeu a jovem triste.
- Não importa quem seja, vamos chorar.
- Nem todos tio. Eu posso ver o Ed?
- Claro, ele está ali, isso é o que sobrou dele.
Tudo o que Liliana viu foi um menino magro, fraco e sem cor, a morte estava ao seu lado, ela não o deixava em paz. Toda a amargura saiu de Liliana quando ela percebeu que daria a vida àquela criança.
- A agonia de vocês acaba agora.
- Impossível Liliana! — disse Edmundo desanimado.
- Eu trouxe a solução tio. — Liliana tirou o elixir e estendeu surpreendendo Edmundo e Jill, esta última quase desmaiou de emoção quando percebeu que seu filho seria salvo. Edmundo não pôde conter suas lágrimas de alegria.
- Mas... e sua mãe? — Foi tudo o que o rei conseguiu dizer.
- Isso é o certo a se fazer tio. Eu soube que uma vez em Beruna você arriscou sua vida para salvar o meu pai. — Disse Liliana que se ajoelhou para entregar o elixir nas mãos do próprio Edward.
Jill Pole e Edmundo se abraçaram e sorriram, Liliana também foi abraçá-los, mas não pôde deixar de chorar. Edward abriu a tampa, mas quando ia beber, afastou a garrafinha de sua boba e desistiu, tampou-a de novo deixando todos confusos.
- Edward meu filho é melhor beber logo. — Disse Edmundo sem entender nada.
- Eu não posso! — Liliana se aproximou e novamente se ajoelho perto da cama.
- Ed você precisa tomar isso para ficar curado.
- Muito obrigado Liliana, eu não poderei me esquecer do que você fez por mim, eu fico realmente grato, mas não posso, existe alguém que precisa mais disso do que eu. Toma leve para sua mãe, sua intensão foi o que valeu, é você que merece essa felicidade.
- Você é muito corajoso, pequeno, mas com a coragem de um leão. — disse a jovem mais emocionada do que nunca, com a atitude do primo. Ela se levantou e olhou para Edmundo e Jill Pole que estavam mais surpresos que ela. — Tio está tudo bem? Se quiser eu...
- Não, está tudo bem, essa foi a decisão do Edward, ele está certo, sua mãe vai precisar disso, muito obrigada por ter tentado nos ajudar. — falou Edmundo
- Você dois são jovens de caráter e muita coragem, renunciam o próprio bem estar pelos outros, se Aslam estivesse aqui, ele estaria muito orgulhoso dos dois. — disse Jill
- É, agora vai, corra você não tem muito tempo. — Depois de dizer isso Edmundo deitou-se na cama e abraçou Edward o mais forte que pôde. — Eu estou muito orgulhoso, você teve a atitude de um homem, de um verdadeiro príncipe de Nárnia. Eu não vou deixar que nenhum mal te aconteça meu filho, eu vou dar um jeito.
...
A angústia estava matando Pedro junto com Lilian, ele já nem tinha mais esperança, aos os batimentos de Lilian ficavam mais lentos de forma que ele quase já não podia sentir. Liliana adentrou a tenda bruscamente e com tanta rapidez que assustou a grande rei.
- Como ela está? — Perguntou muito preocupada pois sua mãe estava com os olhos fechados.
- Indo como um anjo.
- Ela não vai nos deixar pai. — falou bem baixinho e se deitou ao lado da mãe.
- Não há nada que possamos fazer. — disse Pedro desolado.
- Mãe abra os olhos, olhe pra mim. — Lilian atendeu o pedido da filha, e quando ia tornar a fechá-los eternamente, Liliana estendeu o elixir deixando Pedro e Lilian perplexos.
- Liliana como? — disse Pedro não acreditando no que via, ele rapidamente ficou de pé, e um alívio enorme percorreu por seu peito.
- Me ajude com isso pai. — Liliana destampou o elixir e Pedro levantou a cabeça de Liliandill. — Beba mãe, beba tudo – disse Liliana fazendo sua mãe beber todo o elixir.
Mas nada aconteceu, Liliandill tomou tudo e continuou da mesma forma, Liliana ficou surpresa, ela e Pedro se olharam com as lágrimas voltando a brotar dos olhos. Pedro repousou a cabeça de Lilian novamente na cama e segurou sua mão firmemente. Lilian fechou os olhos, mas antes que seus Pedro e Liliana pudessem ter uma reação de desespero, ela os abriu de novo, e o Grande rei Pedro e a estrela Liliana puderam ver todos os ferimentos de sua mãe serem cicatrizados, pois Liliandill acordou para viver uma nova vida.
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