Nárnia Além Da Vida Parte II
17 A queda da feiticeira parte I
Notas iniciais
Robert correu o mais rápido que pôde com Bri, ele estava muito preocupado com Carlos, deixá-lo sozinho seria uma terrível crueldade, mas ter deixado Lúcio só o preocupou ainda mais. Para sua sorte e fim de seu desespero, ele avistou Carlos sendo carregado por um rapaz loiro que nunca tinha visto.
- Por deus Carlos como você está? — disse Robert que acabara de descer do cavalo velozmente.
- Vou sobreviver. Esse moço improvisou um curativo em minha perna. — disse gemendo de dor.
- Deve estar doendo muito, você está encharcado de sangue, suas mãos foram destroçadas. — disse Robert ainda mais preocupado.
- O Lúcio está bem? Ele chegou em segurança? Tio acho melhor levar logo essa maçã para o Edward.
- Carlos como você é nobre, apesar de seu estado, preocupa-se com seus primos. Infelizmente Lúcio não está nada bem. — disse Bob colocando Carlos em cima de Bri, com a ajuda de Victor.
- Me desculpem, mas estou deslocado, não sei nem onde estou. — disse Victor.
- Não me apresentei, sou Robert Cooper, e esse rapaz é Carlos Caspian, somos respectivamente rei e príncipe de Nárnia. Como se chama?
- Nárnia? Bom eu me chamo Victor, Victor Moore. — disse o rapaz confuso.
- Victor Moore? — perguntou Bob ainda mais confuso que o rapaz. — Por acaso nos conhecemos? Seu nome me é familiar.
- Também tenho a impressão de te conhecer, mas é melhor vocês irem logo, o Carlos precisa de ajuda.
- Pelo visto não há espaço para você no cavalo, infelizmente terei que te deixar sozinho.
- Eu vou me virar bem. Espero revê-los em breve.
- Tome muito cuidado, esse lugar não é mais o mesmo. — Robert montou em Bri e partiu, no caminho Carlos contou como foi a batalha com Maugrim e reprovou o tio por ter abandonado Lúcio sozinho.
Lúcio puxou um galho que estava próximo ao seu corpo para tentar se erguer, mas quando conseguiu fazer isso, com muita dificuldade, levou uma grande rasteira.
- Abandonou o cetro real aleijadinho? — ironizou Miraz.
- Miraz? O que faz aqui? Seu miserável não vê que estou ferido?
- Era exatamente isso que eu queria! — quando Miraz ameaçou puxar sua espada, Lúcio mais veloz e sagaz, pegou seu punhal e feriu o pé do rival. Miraz deu um forte grito, mas antes de conseguir reagir Lúcio o puxou pelas pernas jogando-o no chão. Lúcio tentou enfiar o punhal no pescoço de Miraz, mas este apertou seu rosto com a mão o afastando, enquanto tentava puxar sua espada. Quando Miraz finalmente conseguiu sacar a espada, Lúcio jogou todo o peso de seu corpo contra seu inimigo deixando-o imóvel, mas não foi por muito tempo, Miraz covardemente apertou a coxa ferida de Lúcio com todo seu ódio e sua fúria, ao fazer isso Lúcio quase desmaiou de tanta dor, a mão de Miraz ficou tomada pelo sangue do rapaz.
- Agora já chega! — disse Miraz em pé, com a espada apontada para o rosto de Lúcio. — Tem alguma última coisa a dizer meu príncipe?
- Eu não. Mas ela tem!
- Essa é em homenagem à covardes como você. — Foram as palavras de Anna antes de acertar uma flecha na barriga de Miraz. O vilão caiu atordoado e disse – Isso não vai ficar assim, ainda não é a minha hora e vocês vão se arrepender.
- O seu império maldito será destruído antes mesmo de começar. — disse Anna com tanta convicção que Lúcio nem reconheceu sua prima.
- Ele tem razão Anna. Isso ainda não acabou. Mas saiba de uma coisa Miraz, sua hora vai chegar quando eu quiser.
...
Antes de descer do cavalo Robert e Carlos avistaram muito sangue no chão e se assustaram pensando que fosse de Lúcio. Robert correu as pressas até a pessoa que estava no chão.
- Socorro, eu imploro, me salve. — disse Miraz puxando Robert pela camisa.
- O que você fez com o meu filho seu monstro? Onde ele está? — disse Bob apertando Miraz pelo pescoço.
- Eu matei aquele miserável – disse Miraz com o ódio visível em seus olhos. Robert apertou seu pescoço com mais força e Carlos teve que interferir.
- Bob pare com isso, não mate esse desgraçado ou poderá se meter em problemas com a polícia. Não creio que Lúcio esteja morto, afinal se isso fosse verdade ele estaria aqui, é melhor irmos atrás dele, ele pode precisar de ajuda.
- Você tem razão. Esse idiota não vale a pena.
Carlos e Robert montaram no cavalo, e Carlos percebeu que Bob chorava, já que este fungava constantemente.
- Não fique assim tio. — pediu o rapaz.
- Me desculpe você precisa de ajuda e eu aqui chorando em vez de ir mais rápido.
- Não é isso, é que é isso que eles querem, nos deixar abalados, se nos separarem nos vencerão.
- E eles estão conseguindo. Estão conseguindo acabar com a minha vida.
- Eu queria poder dizer que tudo vai ficar bem, mas acho que não será assim. Não se não tivermos o Aslam.
- E como vamos encontrá-lo?
- Eu não sei – disse o rapaz com a expressão séria fitando o horizonte.
...
- Oh Lilian o que eu tenho que te dizer você já sabe. — disse Pedro com Lilian encostada em seu peito.
- Eu pensei que nunca mais voltaria a ouvir, então me diga. — pediu fazendo Pedro virar e encará-la de forma doce.
- Eu te amo... Mais do que a mim mesmo, e eu fico muito feliz por você estar aqui pra ouvir isso agora.
- Pai eu posso pedir uma coisa? — disse Liliana trazendo seus pais a realidade.
- O que você quiser princesa. Qualquer coisa para a princesa que trouxe minha rainha de volta.
- Eu quero ver vocês se beijarem. — Pedro e Liliandill realizaram o pedido com prazer.
- Lili acho melhor deixarmos sua mãe descansar.
- Claro pai!
- Ah não, não me deixem.
- A senhora é que está proibida de nos deixar dona Liliandill. — Disse Pedro com um sorriso apaixonado fazendo a mulher e a filha sorrirem. Mas logo o sorriso de Lilian se desfez e ela alertou Pedro.
- Cuidado Pedro, cuidado com o que vai fazer. — sua expressão era bem séria.
- Sou um rei... e um rei faz o que tem que fazer.
...
- Tia Lúcia nos ajude. — disse Anna apoiando Lúcio em seus ombros. Ao ver o filho machucado Lúcia se aterrorizou.
- Não me olhe desse jeito mãe. Nós falhamos.
- Falharam? Falharam com o que? Não me diga que vocês enfrentaram...
- O Carlos mãe... — disse coçando a cabeça em desespero, já que estava sentado na cama. — O Maugrim, o lobo pegou ele, eu fugi.
- Ah meu deus, quando a Susana souber.
- Não fique assim tia, o Bob foi atrás dele. — Disse Anna que logo depois com Lúcia, cuidou dos ferimentos de Lúcio.
...
Susana estava na varanda do quarto, quando sentiu que era espiada por alguém.
- Como vai meu amor? — disse Rabadash se aproximando. Susana se afastou e não respondeu.
- Está tão chateada assim por não termos tido a nossa noite? — disse sorrindo, mas vendo a frieza de Susana, ficou sério. — Não sei o que aconteceu comigo, mas se quiser podemos tentar de novo.
Susana deu uma olhada tão fria para Rabadash que ele ficou sem jeito.
- Eu te odeio, e você vai ter que conviver o resto da sua vida com uma mulher que te odeia e te despreza. — disse em tom seco.
- O que você sente por esse Caspian é uma obsessão Susana. — disse sereno.
- Não Rabadash, o que sinto por Caspian é amor, o que você sente por mim, isso sim é obsessão e uma perca de tempo.
- Você vai aprender a me amar.
- Eu poderia amar qualquer um, até mesmo o próprio Tash, menos você.
- Por que é tão cruel comigo, a única coisa que eu sei fazer é te amar Susana. — disse Rabadash com finas lágrimas nos olhos.
- A única pessoa que está cometendo crueldade aqui é você. E eu vou te tratar assim como você me trata.
- Então será com amor.
- Eu tenho nojo de você – disse Susana saindo do quarto, mas voltou e disse – Ah e saiba que eu só vou deixar de amar o Caspian se arrancarem o meu coração.
- Se é o coração dele que você quer, então você terá meu amor — pensava sozinho.
...
Carlos chegou em segurança junto de Bob, Lúcio dormia tranquilamente quando eles chegaram na tenda de Lúcia. Anna e Lúcia tinham pressa em fazer o curativo, mas Carlos impaciente queria que levassem primeiro a maçã. Por sorte Liliana tinha ido a casa de Lúcia avisar sobre sua mãe e aproveitou para entregar a maçã na casa de Edmundo.
Os olhos de Jill Pole e Edmundo se encheram ao verem a maçã dourada nas mãos de Liliana.
- Não agradeça a mim tio, agradeça ao Carlos e ao Lúcio, eles enfrentaram uma grande barreira, mas venceram. — disse Liliana após receber vários beijos de Edmundo.
- Me dê, eu vou lavá-la – disse Jill emocionada.
- O que você quer comer hoje filho? — perguntou Edmundo com um enorme sorriso para Ed.
- Como assim pai? — perguntou de forma enigmática e com a voz fraca.
- Aqui está – disse Jill com a maçã em mãos.
- É melhor comer logo garotão! — disse Edmundo, mas alguém chamou do lado de fora e Jill foi abrir, mesmo assim Edmundo deu a maçã à Edward. Quando ele ia dar a primeira mordida, sua maçã voou longe, junto com a flecha que a acertara.
Todos os olhos se voltaram para a figura loira que estava na entrada da tenda, na verdade era Victor com um arco na mão. Antes que Edmundo pudesse reagir, Liliana fez isso furiosamente, puxando o rapaz pelo colarinho e colando-o na parede da tenda.
- Olha só o que você fez seu idiota. — Gritou ríspida e furiosa.
- Calma gatinha, eu adoro arranhões, mas pelo que estou vendo acho que você quer me matar. — disse Victor com um sorriso debochado, mas intimidado pela espada em seu pescoço.
Edmundo tirou Liliana de perto de Victor e puxou o rapaz pelo braço.
- Quem é você? — Edmundo perguntou sério segurando a raiva.
- Primeiramente me chamo Victor – disse o rapaz ajeitando a jaqueta.
- Suas roupas... elas não parecem comuns, não em Nárnia. — disse Edmundo confuso.
- Deve ser um invasor! — Liliana se jogou em cima do rapaz e colocando a espada no pescoço dele.
- Não faz nem três minutos que estou aqui e já é a segunda vez que você me agarra bonequinha.
- Primeiro nunca mais me chame de bonequinha, e segundo eu não estou te agarrando, estou tentando te matar.
- É coração, você tira o meu fólego.
- Liliana saia de cima dele – pediu Jill Pole – Victor ainda tem muito que nos explicar. — falou levantando o rapaz. — Por que destruiu a única esperança de meu filho?
- Por esse motivo... — Victor foi até a maça e retirou a flecha. — Abre pra mim amorzinho? — pediu para Liliana. Irritada Liliana puxou um punhal e cortou com violência a maça que estava na mão de Victor, ferindo o garoto.
Todos se espantaram ao ver e sentir que a maçã estava apodrecida. Uma terrível coloração verde e insuportável odor os fez ver o bem que o estranho Victor fez a Edward.
- Como você sabia? — perguntou Edmundo espantado e pálido.
- Descobri após ver um esquilo apodrecer ao comer esse fruto.
- Estamos perdidos – Jill saiu de perto para que Edward não a visse chorar. Edmundo foi atrás e abraçou a mulher tentando confortá-la. Enquanto isso Victor deixava Liliana sem graça de tanto que a fitava.
- Tá olhando o que? — disse nervosa.
- Não vai pedir desculpas? — respondeu Victor convencido.
- Já vi que terei um novo inimigo – disse Liliana irritada com o sorriso debochado de Victor.
...
- O que vamos fazer Edmundo?- Perguntou Jill com medo de que Edmundo não tivesse uma resposta.
- Você confia em mim amor? — disse Edmundo segurando forte em suas mãos. — Mas é claro Ed.
- O nosso filho vai sair bem dessa, eu prometo. Mas tem uma coisa... eu quero que você seja forte. — Ao dizer isso Jill Pole o olhou assustada.
- O que você vai fazer?
- Vou dar à Jadis o que ela quer. — disse tremendo por não saber o que teria que enfrentar, mas uma coisa era certa: Edmundo nunca esteve tão decidido em toda sua vida.
...
- Você já pode ir Robert, o Lúcio já está dormindo e Caspian já levou o Carlos.
- Minha Lucy – Bob beijou os cabelos de Lúcia, mas ela se desvencilhou.
- Já disse que é melhor você ir embora.
- Mas aqui é a minha verdadeira casa, e eu preciso de você.
- Mas eu não preciso de você Robert. — disse séria e fria.
- Onde está o amor daqueles tempos em Londres? Aquele amor que só você sabia me dar? Lúcia como pode ter acabado se foi você que me amou primeiro?
- Talvez por ter te amado primeiro, tenha acabado primeiro, mas não se preocupe isso que você está sentindo por mim logo passa.
- Pode ser, mas espero que não passe tão rápido como isso... — foi as últimas palavras de Robert antes de puxar Lúcia para um beijo intenso, e ela parecia corresponder, mas quando viu que estava perdendo o controle se afastou com brutalidade.
- Não significou nada. — disse vendo o marido sair ofegante pela porta. Mas era uma pura mentira, o beijo a afetou tanto que Lúcia sentia suas pernas tremerem como papel no vento, e ela precisou se sentar para recuperar o ar.
...
Susana estava sentada no triste jardim do castelo que fora tomado por seus rivais, quando se impressionou com a presença de uma pessoa.
- Eu não acredito... Edmundo o que está fazendo aqui? — disse abraçando-o com alvoroço.
- Vim resolver alguns assuntos – disse Ed soltando-se do abraço da irmã, e Susana se preocupou com a seriedade do irmão.
- Como estão todos Edmundo? Aconteceu alguma coisa grave?
- Não vou ser hipócrita minha irmã – andava rápido enquanto era seguido pela irmã – Nada mais é como antes.
- Espere a rainha no jardim de trás do castelo, aquele que tem correntes e uma enorme mesa. — disse um guarda com sorriso sarcástico. Era Emeth para a fúria de Edmundo.
Edmundo já estava impaciente a demora de Jadis já estava passando do limite, até que ela chegou para sua desgraça e desgosto.
- Quer tomar um chá Edmundo? — Edmundo revirou os olhos para Jadis.
- Sem brincadeiras bruxas, viemos aqui tratar de negócios.
- Por isso mesmo meu caro, por que vamos tratar de negócios. Para falar a verdade acho que já sei do que se trata, por isso eu já trouxe o seu pagamento. — André chegou no jardim com um baú nas mãos.
- O que é isso? — perguntou Ed apontando com a cabeça.
- O que você veio buscar, não é mesmo? Manjar Turco. Lembro-me da primeira vez que você me pediu mais, porém como eram em outras circunstâncias eu não atendi seu pedido.
- E o que você quer em troca? — indagou sem rodeios.
- Nada demais, apenas um pequeno sacrifício, você está disposto a fazer?
- Se estou aqui é porque estou disposto, não acha? — disse grosseiramente – e quem me garante que meu filho receberá o baú.
- Sua própria irmã entregará. Confia nela?
- Mas é claro. Vamos acabar logo com isso. — pediu aflito.
...
- Aposto que você nunca deitou em uma cama tão macia querido.
- Não é hora para ironias – dizia Edmundo amarrado a mesa de pedra, a mesa de seus sonhos, ou melhor, pesadelos.
- De qualquer jeito, se nunca deitou, vai dormir... eternamente. — disse apertando bem as algemas nas mãos dele, não queria ajuda, para ela seria um prazer fazer tudo sozinha.
- Peça para dizerem ao Ed e a Jill que eu os amo muito. — disse Edmundo segurando o choro, enquanto Jadis alisava a espada. Edmundo não tinha medo de morrer, o medo era de ser derrotado pelo inimigo.
- É a mim que você ama Edmundo – Jadis cortou o lábio inferior de Edmundo com suas enormes unhas fazendo os macios lábios do rapaz sangrarem, e em seguida o beijou, para o espanto de Edmundo.
- Nós realmente temos muita química meu anjo, se você quiser outro beijo – falou aproximando-se nos lábios de Edmundo novamente, mas antes que ela pudesse beijá-lo de novo, Edmundo cuspiu no rosto dela.
- Desgraçado – e um forte tapa foi dado no rosto de Edmundo. — Você é tão idiota como aquele gatinho sem juba. O engraçado é que não precisamos mudar as estrategias do jogo, vocês sempre caem como os verdadeiros retardados que são.
- Vo-você não vai entregar o manjar turco?
- É claro que eu vou entregar! — a resposta de Jadis deixou Edmundo ainda mais confuso.
- Então...
- Se Edward sentir o cheiro, o cheiro de manjar turco ele morre. Parabéns Edmundo, sua viúva vai ficar muito feliz quando souber que seu filhinho foi para o mesmo lugar que você – Jadis estendeu a espada para o alto – PARA O INFERNO!
- NÃAAAAAAAAAAAAO – gritou Edmundo se contorcendo entre as correntes.
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