Nárnia Além Da Vida Parte II
8 Paz, Por Enquanto
Notas iniciais
Depois de um longo passeio nas costas de Eustáquio, ou melhor do dragão, Edmundo chega exausto em casa, e encontra uma verdadeira surpresa na mesa de cabeçeira de seu filho.
- Nossa trufas! — quando aproximava o doce na boca, Edmundo sentiu um frio que o deixou totalmente arrepiado. Tão arrepiado que parecia o antigo inverno de Nárnia.
- Pai o que você está fazendo? — perguntou Edward furioso.
- Calma garoto... qual é o problema? Está estressado! Você está se sentindo mal?
- Esses são meus doces.
- Eu sei filho. Quem fez? foi sua mãe? Pois parecem ótimos.
- Não é da sua conta. E não é um doce qualquer, são especiais, com sabores surreais.
- Não entendo o motivo de tanta rebeldia, está parecendo comigo quando era um jovenzinho malcriado.
- Desculpa.
- Tudo bem, olha aqui está. — devolveu o doce ao lindo pote.
- Que pote bonito! Quem fez esses doces?
- Me deixa pai, eu quero descansar.
Os doces que Jadis dera a Edward, logicamente eram enfeitiçados. Quem comesse desse doce, não poderia comer nada além dele, era um vício, se você continuar comendo seu coração explode e a morte é certa. O que será de Edward? Esses doces, além de levar a vítima a morte, a deixava muito estressada e rebelde. E o pior de tudo era que Edward começava a sentir uma paixão platônica por Jadis, Como quando um aluno se apaixona por sua professora.
…
Roberta ainda estava triste com a briga dos pais, Lúcia ainda não havia voltado para casa e Bob e Lúcio não se falavam. Enquanto refletia a garota jogava pedras no rio, o famoso rio que todos adoravam por ser o maior e mais belo, perdendo apenas para a grande cachoeira. Sem querer Roberta acerta alguém dentro da água.
- Ai! — reclama a moça passando a mão na testa.
- Ah me desculpe, eu não sabia que tinha gente tomando banho por esse lado.
- Banho? Hahaha meu amor, aqui é a minha casa. — disse calmamente.
- Sua casa? — indagou Roberta sem perceber.
- E onde mais moram as sereias? — respondeu Sunamita levantando a calda.
- Nossa eu não havia percebido. — disse Roberta surpresa, ela adorava esse contato com seres mágicos, por isso amava tanto Tumnus e Trumpkin.
- Você parece tão triste, quer que eu cante para você se alegrar?
- Não. Isso só me traria de volta a realidade, meu amigo Rilian canta sempre.
- Você conhece o príncipe Rilian? — perguntou curiosa.
- Ah sim, imagino que ele deve ter dado em cima de você.
- Aquele atrapalhado?
- Como assim atrapalhado? Ah deixa pra lá. — disse movimentando as pernas na água.
- Você ainda parece desanimada. Tem certeza que não quer que eu cante?
- Prefiro conversar.
As duas logo viraram amigas, Sunamita era muito solitária, pois as outras sereias sentiam inveja de sua beleza superior e se afastavam. Roberta foi contando tudo a Sunamita que ouvia atentamente, parecia que as duas se conheciam a anos. Roberta era muito amiga de suas primas, mas suas conversas com elas eram diferentes, e com seu primo também, por mais que Lúcia tivesse uma estreita amizade com Carlos, precisava de uma amiga. As duas passaram um bom tempo conversando e nadando juntas, marcaram de sempre se encontrar ali, em determinado horário.
…
Liliana cavalgava pelo bosque quando de longe avistou Alvaro encostado na parede do castelo, ele estava de costas e ela resolveu colocar o capacete, pois agora que estava mais limpa ele poderia descobrir seu segredo.
Ela se aproximou devagar sem fazer barulho, e colocou uma maçã em sua frente assustando-o.
- Que susto William! — disse o rapaz sorrindo e pegando a maça da mão do amigo.
- Essa foi a minha intenção.
- Que bom que você apareceu cara, eu precisava conversar.
- Você sabe que pode contar comigo quando precisar. — disse colocando a mão suavemente no ombro do rapaz.
- Tire esse elmo por favor.
- Ah... claro. — Liliana tirou o capacete exitante e com muito receio de que Alvaro percebesse que ela não era homem. Ele não percebeu, o que a deixou aliviada e um pouco triste, por ele não reparar nela.
- Sabe a princesa Anna...
- O que tem ela?
- Eu fiz amor com ela.
- O que? — indagou Liliana perplexa, que entendia desses assuntos.
- Foi na cachoeira, e sinceramente eu não me arrependo. — disse sério.
Nessa hora as lágrimas escorreram de seu rosto sem que Alvaro percebesse.
- Você a ama?
- Claro que não, pra mim ela é só um passatempo.
Por um lado isso era bom, pois ele não amava sua prima, mas por outro lado, Alvaro havia humilhado e manchado a honra de Anna. Liliana resolveu por o capacete de novo.
- Você é um monstro!
- William?
- Como pôde usá-la desse jeito? Eu pensei que você fosse diferente do seu pai, mas você é pior que ele.
- Não precisa ser tão duro William, afinal ela também quis.
- Anna é uma donzela inocente, não entende dessas coisas, e você se aproveitou dela, como se ela fosse um lixo, você a usou como seu pai te usa.
- Não tenho culpa se essa idiota caiu apaixonada por mim.
Liliana deu um forte tapa na cara de Alvaro,
- Você é um imbecil, se aproveitou do amor de uma moça inocente, a única pessoa que te amava de verdade. Você merece o desprezo do seu pai, acha que ele vai te amar agora?
- William não pensei que isso fosse te magoar tanto. Então quer dizer que você não gosta de mim?
Liliana chorava por dentro do capacete, por mais que amasse Alvaro do fundo de sua alma, também amava muito a Anna e era insuportável saber que o amor de sua vida havia se aproveitado de sua prima e melhor amiga.
- Eu gosto de você Alvaro, ou pelo menos gostava. Nossa amizade acabou com a mesma rapidez e intensidade que começou.
- Espera William, também não é assim.
- Me esquece. — disse Liliana saindo tristemente.
Isso entristeceu Alvaro, agora ele sentia um pouco de... remorso por ter se aproveitado de Anna, ela era tão pura e o amou como ninguém. Ela devia amá-lo muito mesmo, para se entregar e confiar nele em tão pouco tempo.
- Ah droga! Essa é minha chance de provar ao meu pai o quanto sou importante. Não posso deixar que essa princesinha e nem que meu querido amigo William me desviem de minha missão. Agora que comecei irei até o fim!
…
Já era por do sol e Susana estava deitava no chão da proa do navio. A paisagem era realmente incrível, e a sensação de ter estado com seu amado ainda estava em seu corpo. Caspian voltava enrolado em uma toalha e com uma garrafa de vinho e duas taças nas mãos. Os dois haviam forrado o chão com lençóis brancos e acenderam velas perfumadas para a chegada da noite. Caspian encheu as taças de vinho e deu uma a Susana, e logo após se deitou ao lado dela.
- Ah eu trouxe morangos.
- Adoraria comer um agora mesmo.
- Seus pedidos são ordens que adoro obedecer com todo prazer. — disse beijando o pescoço dela.
- Não me fale de prazer. — disse fascinada, e ele colocou um morando em sua boca.
- Estão gostosos? — perguntou se referindo aos morangos.
- Não tanto quanto os seus beijos. — disse Susana sorrindo.
Caspian se sentou, e Susana fez o mesmo, sentando-se em suas torneadas pernas. Ele pegou a garrafa de vinho, e deixou que o liquido gelado escorresse pelas costas de sua amada, enquanto chupava as costas desta por causa do doce sabor do vinho. Susana pegou as mãos de Caspian, e as repousou em seus seios. Ela pegou os cabelos dele com as mãos e fez com que ele beijasse seu pescoço.
- Eu te amo tanto Susana! — disse com os lábios ocupados.
- Será que preciso responder o que você já está cansado de saber?
- Eu te ordeno súdita!
- Eu e amo meu rei, te amo tanto que o quero dentro de mim de novo.
Caspian a deitou novamente no chão, e ficou por cima dela, ele sentiu seu cheiro, se deliciou com sua pele macia, e a amou ardentemente enquanto ela via a lua chegar em todo o seu esplendor.
…
A noite Alvaro resolveu que colocaria a última parte de seu plano em prática, os outros só poderiam atacar quando ele completasse sua missão. Eles precisavam da trompa mágica de Susana, pois assim ninguém poderia pedir a ajuda de Aslam.
Ele chegou com cuidado perto da tenda da princesa, e sem Anna perceber Clarinha que era como um pombo correio, foi até Alvaro que aguardava escondido do lado de fora. E lhe deu um bilhete que deveria ser entregue a Anna.
O bilhete dizia: Olá minha princesa, estou morrendo de saudades e não consigo para de pensar em nosso último encontro. Precisamos falar sobre o nosso casamento, então me encontre no mesmo lugar onde você estava treinando naquele dia. Ah e não se esqueça de levar o seu presente mais precioso.
Anna ficou muito feliz com o recado de Alvaro, e ficou ainda mais empolgada quando soube que eles falariam sobre o casamento. Mesmo sem entender ela pegou sua trompa e foi se encontrar com o príncipe.
Liliana que já estava alerta abordou sua prima, quando viu que esta saia de sua tenda a essa hora da noite. Alguns faunos tocavam música no centro da aldeia, e para Anna seria fácil fugir no meio da pequena festa.
- Anna eu preciso falar com você. Disse Liliana.
Anna olhava para os lados, pois estava com pressa. — Então fale logo Lili.
- Onde você vai? Está esperando alguém?
- Não. Eu só quero tomar um ar.
- Eu posso ir com você. — disse Lili que já havia percebido que a prima iria sair com Alvaro. Ela só não viu o rapaz porque ele foi cuidadoso e passou por trás das tendas quando mandou o recado pela pomba.
- Eu quero ir sozinha. O que você tem que falar?
- Bom, eu é que tenho que te perguntar. Aconteceu alguma coisa com você por esses dias? Conheceu alguém diferente? Ou aconteceu algo especial e estranho?
- Não, não aconteceu nada, estou muito bem.
- Tem certeza? — Liliana esperava que a prima lhe confessasse algo.
- Liliana por que você não pega uma bebida para nós duas? Estou morrendo de sede.
- Ah claro, me espere aqui.
Liliana não percebeu que a intenção da prima era fugir, e quando foi pegar bebidas seu avô Joseph a puxou para dançar.
- Vovô a Aninha está me esperando! — disse sorridente.
- Vai meu anjinho. Ah, antes de ir passe lá em casa, Helen fez uma sopa maravilhosa e Carlos foi experimentar.
- Claro vovô, depois eu vou.
Quando Liliana voltou, percebeu que foi enganada pela prima.
- Como fui idiota! Será que devo falar com alguém? Minha mãe talvez.
- Liliana este é Emeth – Apresentou Liliandill — o jovem calormano que conquistou a bondade de Aslam. O que acha de dançar com ele?
Liliana ficou sem graça, mas aceitou, ela se sentiu aliviada por estar limpa e cheirosa e bem vestida também. O sonho de sua mãe era casá-la, já esse era o pesadelo de Pedro.
…
- Alvaro, Alvaro! — chamava Anna.
O príncipe chegou sorrateiramente, e lhe tapou os olhos, fazendo aquela antiga brincadeira.
- Adivinha quem é?
- Seu bobo, se eu não soubesse levaria um susto.
- Que saudade meu amor! — disse dando um beijo rápido na moça.
Alvaro poderia até negar que amava Anna, mas não podia esconder a grande atração que sentia por ela. Ele a encostou no tronco da árvore, a apertou com força e lhe deu um beijo ousado.
- Alvaro, espera!
- O que amor? — disse beijando o pescoço dela desesperadamente.
- Você disse que íamos falar sobre o casamento.
- Depois. Agora eu quero ter você de novo. — disse ofegante.
- Será que o que estamos fazendo está certo?
- E por que não estaria? A gente se ama.
- Se não é errado por que tem que ser escondido? Aqui longe de todo mundo nesse lugar escuro. Eu gostei tanto de ficar com você naquele dia, mas por que não posso contar a ninguém?
- Meu amor você é tão inocente. Nós estamos apenas demonstrando o nosso amor. Quando as pessoas se amam, fazem essas coisas sem ninguém ver. Eu não acredito que até hoje ninguém tenha falado com você sobre isso.
- Bom eu também não sou tão ignorante sobre esse assunto. Mas é que...
- Tudo bem Anna, eu já entendi. — disse se fazendo de coitadinho. — Se você não me quer, se não me ama e não gosta de ficar comigo, eu não vou te incomodar mais.
- Não Alvaro, não é isso. Você é tudo o que eu sempre quis. É que eu queria gritar para o mundo inteiro o quanto eu te amo.
- Em breve você poderá fazer isso amor. — disse encostando-a de novo na árvore. — Mas será que eu posso te beijar de novo?
- É... — respondeu a jovem envergonhada, era tão bom ficar perto dele, o seu coração batia tão forte, mas Anna sentia lá no fundo que não devia.
- Ai meu amor, eu te quero de novo, como naquele dia.
- Não Alvaro, eu preciso ir.
- Como assim Aninha?
- Meus pais saíram cedo e já devem estar voltando, e além disso preciso jantar com meus avós maternos. Olha eu quero que você fique com isso. — disse entregando a trompa a ele. — Assim você fica com algo meu.
- Obrigada princesa. Tome a minha capa. Sonhe comigo amor.
- Então adeus!
…
Lúcio acabara de chegar na pequena festa, e logo foi observado por todos, que ficaram surpresos com a visita dele, ele achou que o olhavam por causa da perna...
- Oh meu garoto sente-se – disse o sr. Castor pegando o cetro de Lúcio e lhe acomodando em um pequeno banco.
- É tão pequeno! — disse Lúcio incomodado.
- Foi o que deu para carregar alteza.
Carlos tinha acabado de deixar a tenda sua avó Helen com a sopa na mão, quando saiu foi cumprimentar Lúcio, e sem querer tropeçou em Trumpkin e derramou a sopa terrivelmente quente na perna de seu primo.
- Que palhaçada é essa? — esbravejou Lúcio.
- Mil perdões Luck, foi sem querer.
- Sem querer, você sempre cheio de boas intenções não é mesmo?
- Rapazes me perdoem, príncipe Lúcio a culpa foi minha, eu esbarrei em Carlinhos. — justificou Trumpkin
- Calma querido eu vou secar isso. — disse a sra. Castor. — Seus pais vão vir?
- Eu... eu não sei.
…
Estava faltando alguém muito especial e que não faltava uma festa, Rilian. Este fora atrás de Sunamita, ver se tinha sorte de encontrá-la.
- Su... Sunamita! Sunamita está aí? — gaguejava um pouco, e tremia, mas não sabia se era de frio ou puro nervosismo.
- Eu faço mesmo muita falta alteza ou majestade?
- Como quiser anjo.
- Anjo não sereia! — disse com um sorriso debochado.
- Eu trouxe algo para você. — disse estendendo em suas mãos um lindo colar de conchas.
- É uma pena que não seja de diamantes.
- Se você quiser eu posso trocar.
- Hahaha ai Rilian você é uma piada, eu adorei o presente, só estou tirando uma com sua cara.
- Ah que bom – disse nervoso – cante um pouco.
- Aí sim vai custar diamantes, quero guardar minha voz para amanhã.
- É sobre isso que eu quero falar com você. O que acha de um passeio de canoa?
- Vai ser interessante, te espero então.
Depois disto Rilian ficou tão contente que bebeu todas, e rapidamente ficou bêbado. A euforia causada pela bebida era tão grande que o rapaz resolveu procurar a sereia de novo. Mas ela já tinha ido embora. E outra pessoa chegou.
- Já que você não vem, eu vou esperar, amanhã será um grande dia! — disse um pouquinho tonto.
Mas antes que pudesse ir embora, um homem vestido em uma armadura negra apareceu.
- Liliana? O que está fazendo aqui maninha?
Antes que ele tivesse a resposta, a armadura caiu no chão.
- Mas o que é isso? Será que é a bebida?
Um ser saiu do meio da armadura revelando que não era uma visão. Era uma grande serpente verde, ou melhor, Tirza a Dama de Verde.
- Uma cobra? Mas como? — disse o príncipe sem percebe o que estava acontecendo. Só então Tirza ficou com sua forma humana, deixando o príncipe completamente enlouquecido e deslumbrado.
- Sentiu minha falta cavalheiro negro? — disse dando um sorriso irresistível.
- Tirza... ou Dama de verde? É você?
- É claro meu bem. — falou bem perto de seu ouvido.
- Não pode ser!
- Vou te provar como sou real. — nessa hora ela o puxou e lhe deu um beijo apaixonado, que Rilian aceitou sem hesitação, pois para ele era apenas um sonho, uma visão causada pela bebida.
Tirza o deitou no chão e perguntou com sua voz arrebatadoramente sensual: Você ainda me ama?
- Claro minha... Suna... Tirza. — disse e adormeceu. Tirza gargalhou vencedora, e saiu rastejando por aí.
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