Nárnia Além Da Vida Parte II
9 Seja Feliz!
Notas iniciais
Lúcia acabava de chegar em casa, depois que Tumnus foi para a festa, ela ficou na casa de Áravis e Cór que ficaram em casa. Ela ficou um pouco sem graça só de pensar em encontrar Robert, Lúcia não sabia o que dizer e ainda estava chateada com o marido. Robert tomava banho e mesmo a tenda sendo grande ele a ouviu chegar, era a sua chance de fazer as pazes. Mas antes de ele pensar em alguma coisa, Lúcia sem lembrar do marido entrou no banheiro.
- Lu!
-Que susto Bob, eu não sabia que você estava aí. Já vou me retirar – disse Lúcia sem graça.
-Não precisa sair Lu, sou teu marido. Como foi a festa?
-Eu não fui. Pelo visto Roberta e Lúcio devem ter ficado na casa dos meus pais. — disse a rainha lavando as mãos.
-É verdade! — Robert saiu da banheira rapidamente e puxou Lúcia pela cintura, encostando-a na parede da tenda. Ela ficou um pouco ofegante com o modo de como ele a segurava contra a contra seu corpo, suavemente, mas firme. — Tem planos para esta noite?
-Tenho! — respondeu Lúcia se desviando dele, ainda estava chateada, ela lutava para levantar a estima do filho e o esposo acabava com tudo.
-Vem aqui Lu – disse Bob tentando beijar sua mulher.
-Vou me trocar Robert Cooper.
-Não vai tomar um banho comigo?
-Não. Preciso me trocar.
Mesmo assim Bob ficou animado, precisa recuperar sua esposa de uma vez. Quando terminasse o
banho faria uma surpresa para ela. Robert deitou na cama, e começou a acariciar o cabelo da mulher, beijou sua orelha, e para a sua infelicidade viu que ela estava dormindo.
- Assim não dá! — bufou.
…
Tirza ainda rastejava pelo chão, e parou bem no centro, bem perto da árvore. A árvore das maçãs douradas, a mesma árvore que curava qualquer doença e que dava a vida eterna, ela e seus aliados sabiam que os outros precisariam delas. Abriu sua enorme boca de serpente e mordeu com firmeza uma maçã, que imediatamente ficou negra apodrecendo todas as outras, mas logo elas ficaram douradas de novo, douradas e mais bonitas que nunca, e certamente quem comesse dela morreria, e em vez de vida eterna receberia a morte.
...
Alvaro voltou para o país de Aslam, agora tinha livre acesso, pois Anna ficou impura com ele. Mas o rapaz não deixava de sonhar com a moça, e com os mau-tratos de seu pai. No sonho ele era muito atormentado por Rabadash, seu pai lhe dava muitas surras seguidas, lhe dizia palavras duras, toda hora Alvaro era lançado na masmorra, e em todo o tempo via seu pai matar sua mãe. Todas as vezes que ele tentava pintar o quadro de Susana, quando estava chegando no final o quadro ficava banhado de sangue, e era como se todos os anos de sua prisão voltassem, e ele voltasse para o primeira dia de seu sofrimento. Mas depois esses sonhos melhoraram e ele começou a sonhar com Anna, sabe todo o sofrimento havia passado nos braços dela, Anna o afagava e lhe beijava. Alvaro podia até sentir os beijos da amada, mesmo em sonho era tão bom estar com ela, Aninha era tão doce e terna.
´´é uma donzela inocente, não entende dessas coisas, e você se aproveitou dela, como se ela fosse um lixo, você a usou como seu pai te usa.´´
´´Você é um imbecil, se aproveitou do amor de uma moça inocente, a única pessoa que te amava de verdade. Você merece o desprezo do seu pai, acha que ele vai te amar agora?´´ — a voz de Liliana ecoava em sua mente, e ele se revirava na cama.
...
- Edmundo eu preciso falar uma coisa séria com você. — disse Jill que aparentava preocupação.
— Bom pessoal, preciso falar com minha esposa. — disse Ed largando a mesa onde jogava xadrez com Brejeiro, Eustáquio e Ripchip.
Jill o levou para um canto da extensa tenda.
- Ed acho que o nosso filho está muito doente. Faz muito tempo que Edward não consegue comer nada, ele sente um frio insuportável, muita dor no estômago e tem uma febre terrível que parece até que ele vai explodir de tão quente.
— Será que foi algo que ele comeu? Nem a sopa de Brejeiro adiantou?
— Nada. Acho que é grave.
Sem prestar muita atenção no jogo, Brejeiro foi para perto do casal deixando Eustáquio e Ripchip na mesa.
- Me desculpe me meter mas o pequeno Edward ainda não se recuperou?
— Ainda não Brejeiro, e já estou começando a ficar muito preocupada. O Ed nunca ficou doente, o garoto é forte.
— Não quero preocupar vocês, mas minha intuição me diz que tem algo errado por aqui ultimamente. Acho que corremos perigo, e Edward principalmente...
— Me desculpe Brejeiro, mas você tem a fama de ser muito negativo e isso é verdade. — afirmou Edmundo.
— Eu sei meu caro, mas sinto que é sério. Algo vai acontecer e vai abalar as estruturas de todos nós. Não gostei nem um pouco dessa ida do Aslam.
— Aslam já partiu várias vezes, e tudo sempre ficou bem, aliás está tudo calmo.
— Mas era quando ele ia que as coisas ruins aconteciam, e quando tudo está calmo demais, eu sinto cheiro de problemas.
— Pode ser verdade Edmundo, Brejeiro sempre acerta nessas coisas. — se pronunciou Jill
— Não sei o que pode acontecer meus amigos, mas espero que que Lúcio tenha armas suficientes para nós.
…
- Já estou impaciente meu amo, todos já deram as caras, menos eu. — esbravejou Rabadash
— O que foi que disse seu animal? — rosnou Tash, que segurava Rabadash no ar com seus poderes. O Tisroc sentia seu sangue correr bem lentamente por suas veias, e mal conseguia respirar. — Minhas ordens foram bem claras, e aqui quem manda sou eu, e se algum de vocês ousar a me desobedecer eu os destruo como se fossem baratas. — disse furioso largando Rabadash no chão.
— É pai, acho melhor andarmos na linha com esse aí – disse Alvaro levantando o pai, e Rabadash o empurrou com raiva.
— Quanto tempo tenho que esperar hein? — disse nervoso passando a mão nos cabelos.
— Você e eu só poderemos entrar quando os outros caírem em tentação. — explicava Tash – Um dos passos mais importantes já foram dados, seu filho conseguiu a trompa que poderia trazer aquele... — Tash não conseguia mencionar o nome de Aslam.
— Aquele gatinho de volta. — respondeu Jadis.
— Bom, só poderemos entrar quando a maioria deles tiverem perdido a pureza, nos ouvindo, caindo em nossas tentações, se dividindo. Só conseguimos entrar porque seu filho Alvaro era puro, aí caiu a princesinha, o moleque, aquele imbecil atrevido e falta pouco... muito pouco para concluirmos nossa meta.
— Minha bárbara rainha que me aguarde!
…
Lúcio tinha acordado cedo e já tinha saído da casa dos avós, ia viver sua primeira aventura de verdade, com seu novo ´´amigo´´.
- Segure! — ordenou Miraz, apontando a espada para Lúcio, ele ajudaria o rapaz a manuseá-la.
— Espere, olhe eu trouxe isso para você. — disse o garoto, dando ao tirano uma espada que ele construíra, ela era leve, mas letal e indestrutível.
— O que é isso?
— Um presente, uma espada não vê?
— E quem as fabrica? Vocês tem armas aqui?
— Não exatamente, eu com a ajuda de meu primo as crio. Ele me auxilia me dizendo que materiais devo usar, quais são os melhores para fabricar as melhores armas, não são muitas, mas você me viu fazer aquela lança naquele dia.
— Obrigado – respondeu o rei vendo como a espada era maleável. Mas antes que Lúcio estivesse pronto Miraz o atacou fazendo um risco enorme em sua camisa que mostrava o sangramento do tórax de Lúcio.
— Que isso, cadê o majestade? Que ousadia é essa? Você nem esperou que eu me preparasse.
— Alteza um inimigo não vai esperar você tomar sol, mesmo que seja um rei. Acha que ele vai ser cavalheiro?
— Tudo bem. Como eu seguro a espada?
— Primeiro você precisa saber como sacá-la rápido da bainha. Afaste um pouco as pernas. — Lúcio teve um pouco de dificuldade para realizar essa última tarefa.
— Ataque! — mas antes que o garoto pudesse reagir, Miraz deu um forte chute em sua perna e ele foi parar no chão.
— Ai – gritou de dor, e lágrimas escorriam de seus olhos, Lúcio não brincava quando dizia o quanto sua perna doía, era muito estranho pois além de mancar sentia uma dor insuportável, mas todos achavam que era charme dele. — Pra que tanta crueldade?
— Seque essas lágrimas! Quer ser um guerreiro ou o filhinho da mamãe para sempre? É preciso saber suportar a dor, ou nunca será nada. Decida o que você quer?
— Eu quero lutar, quero ser imbatível.
— Então aprenda a viver com a dor.
Depois de vários golpes inúteis Lúcio já estava exausto, e já não aguentava mais ficar em pé, ainda tinha a maldita dor que Miraz causou em sua coxa.
- Não adianta. Não consigo dar nenhum golpe decente. Como faço para ter a força para poder derrotar um inimigo.
— A raiva, ela te ajudará. Pense em coisas que o enfureça, que o encha de cólera, como por exemplo a traição de seu pai e o sofrimento de sua mãe por ser madrasta de um bastardo que tem que chamar de sobrinho.
— Ahhhhhhhh – gritou Lúcio acertando fortemente a espada de Miraz, jogando esta para longe. O rei rapidamente a pegou e os dois começaram uma batalha justa, Lúcio brigava como um selvagem. Depois que a aula acabou Miraz o encheu de veneno contra Robert.
Era uma pena que os novos Pevensies não conhecessem as histórias do passado, conheciam sim as crônicas, mas não os detalhes. Edward não sabia da feiticeira branca, nem Anna de Rabadash, Lúcio não sabia quem era Miraz e assim por diante, muitas coisas eram um mistério para esses jovens já que seus pais contavam apenas as coisas boas.
…
Rilian sentia muita dor de cabeça, e não sabia como tinha voltado para casa ele se lembrava do sonho que tivera com Tirza e do beijo que eles deram, mas não sabia que era realidade pensava que eram efeitos da bebida. Mas ele tinha um grande encontro e precisava se preparar, o príncipe pegou a canoa e foi para a beira do rio esperar a sua paixão.
Rilian foi remando e em pouco tempo encontrou Sunamita que já o esperava. Ele ficou um pouco nervoso e enquanto a ajudava a subir na canoa quase caiu.
- Você pode ser bonito mas é muito lerdo. — zombou dele
— Lerdo eu? Claro que não!
— Será que sou eu que o deixo assim?
— Acho que vocês sereias são na verdade feiticeiras.
— Acho que vocês homens são uns bobos que não podem ver uma mulher.
— Será que podemos conversar sem que você me ataque?
— Como quiser majestade.
— Assim que eu gosto. — respondeu o jovem e a sereia tacou água em seu rosto, os dois riram. Sunamita secou o rosto do rapaz e este segurou suas mãos com carinho. — Me conte sobre você, sua vida, planos, o que faz.
— Eu sou um tanto... solitária. As outras sereias não gostam de mim, tem inveja da minha beleza que consideram superior às delas. Bom eu adoro cantar, como qualquer sereia, minha voz também é considerada uma das mais belas e sei compor na hora, improvisar. Passo o dia inteiro no rio e a noite vou para o mar aberto. Minha maior ambição é um dia poder ser como vocês.
— Como assim como nós? Conhece outra pessoa? — perguntou enciumado.
— Uma garotinha, ela se chama Roberta, é uma princesa.
— Ah minha prima Roberta. Não é minha prima mesmo, mas meu pai é marido de sua tia, e minha mãe é casada com seu tio.
— Ela disse que te conhecia. E eu quis dizer que minha maior ambição é poder andar, e por meus pés em terra.
— Mas você pode visitar, ir na terra firme. Você respira fora de água, senão não estaria aqui em cima dessa canoa.
— Eu sei, mas não é a mesma coisa – disse brincando os dedos dos pés de Rilian, fazendo-o rir.
— Você tem sorte de morar aqui. Olha só essa água é tão cristalina, tem um azul tão profundo e claro que podemos ver até os peixes, e que lindos peixes. Também é possível observar as conchas no fundo, e essas pedras... tão brancas e lisas.
— Eu faria qualquer coisa para sair daqui algum dia... qualquer coisa.
— Sunamita você me disse que sabe compor na hora, improvisar, e também me disse ontem que queria guardar a voz para cantar hoje. Que tal criar e cantar uma música agora mesmo para mim?
— Aceito o desafio, você também vai ter que improvisar pelo menos um pedacinho. Mas saiba que só canto para a sedução. Me diga uma coisa, o que você mais gosta de fazer?
— Já te disse que é cantar, e também tocar meu violão. Estou ansioso para te ouvir minha donzela.
Spanish Guitar (Toni Braxton)
Um salão esfumaçado, num pequeno café
Eles vêm para ouvir você tocar
E beber e dançar a noite toda
Eu me sento no meio da multidão
E fecho os olhos
Sonho que você é meu
Mas você não sabe
Você nem sabe que eu estou aqui
Eu queria estar nos seus braços
Como aquele violão espanhol
E você me tocaria a noite toda
Até o amanhecer
Eu queria que você me tivesse em seus braços
Como aquele violão espanhol
Toda a noite, toda a noite
Eu seria sua música, eu seria sua música
(Rilian ficou encantado com a voz de Sunamita, era realmente encantadora, e ele estava achando a música incrível)
Rouba meu coração com cada nota que você toca
Eu rezo pra você me notar
E me ter no seu coração algum dia
Eu queria ser a pessoa que você acaricia com suavidade
Mas você não sabe
Você nem sabe que eu existo
( O rapaz já estava perdido nos lindos olhos verdes dela, mas já achava que era a sua vez)
Você se senta entre pessoas
Fecha seus olhos
E sonha que sou teu
Mas eu nem sei que você está aqui
Eu queria tê-la em meus braços, amor
Louco de paixão Rilian achava que já estava mais que na hora de beijar sua amada, e como estavam em um lugar tão romântico e parecia que estava surgindo um clima... era a hora... quando algo inesperado e bizarro aconteceu: Ele ficou encharcado de excremento de grifo... do grifo de Benjamim, e seu ´´irmão´´ ria e zombava dele no céu.
- Ah não vai ter beijinho Rilian? — gritou Benjamim no ar
— Eu vou te matar seu idiota... você vai ver Benjamim eu vou te pegar e ahhhhhhhh... — gritou caindo na água, já que estava de pé gritando com o irmão do coração. Esse tombo foi hilário. Rilian estava histérico e Sunamita caiu na gargalhada.
…
- Chega Miraz, eu não aguento mais. — disse Lúcio ao suposto amigo, e foi para casa mancando mais do que nunca.
Quando Lúcio chegou em casa, sem falar sobre Miraz, contou a sua mãe sobre o que pensava de Susana e Robert. O único defeito de Lúcia era ser ciumenta demais, ela queria confiar no marido e na Susana, mas morria de medo que Robert ainda amasse sua irmã.
- Sabe de uma coisa mãe?
— O que? — perguntou Lúcia chateada com as coisas que passavam em sua cabeça.
— Onde meu pai foi?
— Não sei Lúcio, acho que foi visitar o avô dele.
— É que Susana e Caspian tinham saído com o navio, e soube que voltaram hoje de manhã. E pelo o que me informaram Caspian foi visitar seus pais... e bom, meu pai foi ver a Susana.
— Qual é o problema Lúcio? — perguntou Lúcia se estressando um pouco
— Por que não vamos visitar minha tia também? — o garoto pensava que sua mãe sabia da suposta traição, e queria acabar com a ´´farsa´´ pois não queria mais ver sua mãe sofrer.
— Susana deve estar cansada.
— Ah mas se meu pai foi lá.
— Tenho coisas para fazer – disse se levantando da mesa depressa
— Tem mesmo ou tem medo de descobrir algo. — disse o filho, e Lúcia ficou um tempo parada pensando no que o garoto dissera.
— Acho que está na hora de darmos um passeio Lúcio!
Robert havia ido realmente visitar seu avô, mas ao chegar lá descobriu que Caspian I tinha ido cavalgar com Rei Franco. Aproveitando que já fazia um tempo que não visitava a amiga, Robert foi ver Susana, infelizmente. Ela estava sozinha no Peregrino e achou muito agradável a visita dele, Bob falou sobre as dificuldades de seu casamento com Lúcia e de sua relação com Lúcio, disse o quanto estava arrependido pelas coisas duras que disse ao filho, e Susana o aconselhou a mudar essa situação. Bob chorou ao lembrar de como era sua família antes e no que havia se tornado agora, Susana com pena do amigo e de sua irmã, deu um abraço bem aconchegante e apertado em Bob, e foi nessa hora que Lúcia e o filho chegaram.
- Você sabe o quanto é importante pra mim Bob. — disse ainda abraçada a ele.
— Eu não sei o que seria de mim sem você Su. — respondeu dando um beijo na testa dela
— Humhum – pigarreou Lúcia, que não gostou nada da cena. Robert ficou um pouco assustado quando a viu, pois sabia que isso ia lhe dar problemas. — Atrapalho alguma coisa?
— Oi Lu que bom que você veio – disse Susana sem saber de nada sobre os ciúmes que tinham a ver com ela, deu um beijo na irmã, beijo que foi retribuído carinhosamente por Lúcia que fitava Robert furiosamente.
— Quer sentar Lúcio – perguntou Robert preocupado com a longa caminhada que o filho fez
— Claro! — disse o rapaz que ainda guardava mágoas do pai. ´´Miraz tinha toda razão, meu pai seduziu minha tia´´
— Me perdoem vou ter que entrar um pouco, pois eu estou fazendo um café e um bolo e já sirvo à vocês. — disse Susana gentilmente.
— Vai Su, não tenha pressa. — disse Lúcia ainda olhando para Robert.
Quando Robert acomodou Lúcio em um banco que ficava no convés, ao ouvir o rapaz gemer de desconforto, verificou sua perna e viu o quanto estava roxa.
- Pelo amor de deus Lúcio onde foi que você fez isso? — disse extremamente preocupado.
— Não precisa fingir! — disse tirando a mão do pai de sua perna com brutalidade.
— Você ainda não me perdoou Luck?
— Pare com esse teatrinho Robert! Você é um cínico, fingido, seu maldito traidor – Lúcia deu um forte tapa na cara de Bob.
— Não estou entendendo nada. O que deu em vocês?
— Como mamãe e eu já dissemos, chega de mentiras papai – disse o rapaz com ironia.
— O que você pensou sr. Cooper? Que eu era uma idiota?
— Já disse que não sei do que estão falando.
— Acha que não sei que você seduziu a minha irmã? Você devia correr o tempo todo atrás da Susana, e ela deslumbrada com você engravidou. — esbravejou Lúcia.
— Isso de novo? Você está ficando maluca? Sabe que deixei Susana para ela ficar com Caspian.
— Só para se fazer de bom moço, de heroizinho, quando ela se cansasse do Caspian você correria atrás dela. E faz isso na maior cara de pau, na minha cara e na dos seus filhos – gritou Lúcia fora de si.
— Esta feliz Lúcio? Conseguiu o que queria não é? Conseguiu colocar sua mãe contra mim.
— Você não merece nem que a gente olhe na sua cara. Você já provou que não me suporta, que só se importa com seu outro filho! — se alterou o jovem contra seu pai.
— Pare com isso agora seu infeliz – disse Robert agarrando Lúcio pelo colarinho, quase levantando-o no alto, chorava amargamente, chorava por ver seu casamento ruir em frações de segundos, e por parecer um monstro com seu filho.
— Larga o meu filho Robert! — gritava Lúcia preocupada.
Robert o soltou, e parecia um louco, ainda bem que Susana não estava ouvindo nada. Quando Bob o soltou, Lúcio caiu no chão e gemeu de dor.
— Me desculpa filho, mas eu estou muito nervoso, desesperado. — disse chorando como um garotinho, tentando levantar Lúcio.
— Me solta! Você não é mais o meu pai.
— Você é um ordinário Bob, pena que eu demorei tanto tempo para perceber isso.
— Lúcia... vamos conversar com calma. Vamos contornar essa situação, eu estive falando com Susana sobre nossa relação...
— Aonde? Na cama?
— Pare com isso agora e me esculte – agarrou-a pelo braço.
— Me solta!
— Larga a minha mãe agora, ou eu...
— Não se meta seu moleque mimado. Olha eu sempre fiz de tudo por você, sempre quis o seu melhor, mas confesso que hoje me arrependo de ter tido você.
Para Lúcio essa foi a gota d´agua, tudo bem que ele era rebelde, mas isso... seu pai precisava ser tão cruel? Pelo rosto do garoto, Robert e Lúcia perceberam como ele estava completamente decepcionado e infeliz, quando se levantou olhou bem no fundo dos olhos de seu pai, deixou que umas lágrimas escapassem e sem dizer nada saiu se apoiando em seu cetro.
— Você ultrapassou todos os limites Bob, eu juro que não esperava isso de você. — disse Lúcia pausadamente.
— Vocês não sabem o quanto é duro para mim dizer essas coisas. Mas ultimamente vocês começaram a destroçar meu coração, e me humilhar, me caluniar, e... isso Lúcia, isso eu não vou suportar.
・ Faça o que quiser com sua vida Robert, se quiser fique com a Susana, e diga para ela que, pelo menos dela eu não sinto raiva. Se vocês se amam e querem ficar juntos eu não vou impedir a felicidade de ninguém, mas tomem vergonha na cara e sejam honestos. — desabafou e se foi.
・ Bob cadê a Lu e o Lúcio? O café já está pronto. — perguntou a rainha que não tinha ouvido a discussão. Robert apenas balançou a cabeça com uma cara péssima.
— Eu não sei o que fazer Susana! — a cunhada largou a bandeja e lhe deu um forte abraço.
…
Quando Lúcio chegou em sua tenda a primeira coisa que fez foi chorar.
— Luck o que aconteceu? Onde a mamãe está? — perguntou Robert indo abraçar o irmão.
— A mamãe já está vindo. Eu sou um monstro Roberta, eu estraguei o casamento do nosso pai e da nossa mãe. Agora ela vai sofrer ainda mais por minha causa. — disse soluçando.
Lúcia chegou em casa arrasada, e abraçou os filhos.
— Não chore desse jeito Lúcio, o seu pai não te ama. Infelizmente não.
— Não diz isso mãe, o meu pai é o melhor pai do mundo. — defendeu Roberta
— É... seu pai, seu e de qualquer um, menos meu.
— Lúcio, mãe, vocês vão destruir nossas vidas, nossa família por ciúmes... por uma coisa doentia que só existe na cabeça de vocês.
-Ah filha... eu vi seu pai com minha irmã. Juntos como um casal.
— Não é possível mãe! Eles... estavam se beijando.
— Abraçados. — limitou-se a dizer
— Mamãe só um abraço? Qual é o problema disso? É apenas um abraço de amigos.
Robert chega, entra lentamente e tenta falar com Lúcio.
- — Filho... por favor me deixem falar a sós com ele.
— Não tenho nada para falar com você.
— Nós temos muita coisa para falar sim, Lúcio. Meu filho eu te amo mais do que tudo, e no meu coração tem um lugar especial só pra você... é que eu sou imperfeito e não sei te tratar como você merece. Mas não há um segundo do dia em que eu não pense em você. Me perdoa Lúcio, me perdoa se coloco o Carlos entre nós dois, mas não importa quantos garotos especiais eu conheça, não importa quantas habilidades eles tenham, você é insubstituível e eu só amo você.
— Tem palavras que machucam mais do que a espada, e em vários momentos você soube usá-las muito bem.
— Eu sei... é porque sou um inútil, o pior pai do mundo, não presto. Mas eu te amo, e você não me deixa chegar perto de você, sempre que me aproximo você se afasta, e eu fico pensando no que fazer para agradar você Lúcio, para te dar a vida que você merece.
— Agora é tarde! Você se lembra do que me disse há pouco? E do que me disse naquele dia, se lembra? Me deixe em paz Robert.
— Ouviu Bob? Deixe o nosso filho em paz.
— Lúcia eu não te entendo, por que em vez de me ajudar com nosso filho, você me afasta dele.
— Por que você o magoa e depois pede perdão, assim é fácil não é? O Lúcio não é a Susana, que perdoou meu pai tão fácil. O sr. Joseph Pevensie teve sorte de sua filha ser apenas uma criancinha quando a magoou.
— Por que sempre coloca a Susana no meio? Por acaso tem inveja dela? Inveja por sem querer eu ter me apaixonado por ela primeiro? Lúcia saiba que o que eu senti por ela já acabou há muito tempo.
— Inveja? Inveja de que? Do amor que você dá pra ela?
— Você diz que eu não presto, que sou cínico e traidor, mas quem sabe muito bem machucar alguem aqui, é você.
— Agora se faz de coitado!
— Sabe de uma coisa Lúcia? Seja feliz! — disse Bob virando-se para a porta.
— Espera Bob. O que você quer dizer com isso? — indagou incrédula
— Você não disse que estava muito melhor sem mim naquela vez. Que pelo menos antes de eu entrar na sua vida você era feliz, se lembra? Então seja Lúcia, porque eu não aguento mais essa guerra. Eu estou te deixando.
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