Nárnia Além Da Vida Parte II
30 Nascimento e Morte
Notas iniciais
Passado o desastrado casamento, a única preocupação de Caspian era encontrar Anna. Ele ainda não fazia ideia de que a filha tinha fugido com Alvaro, pois Liliana não se atrevia a contar nada. Para ela era muito duro ter que ajudar seu amor com o amor dele, mas como o que ela sentia por ele era tão forte, Liliana só queria fazê-lo feliz. Faziam quatro dias que os dois estavam abrigados na cabana da montanha, Alvaro tentava se aproximar de Anna de todas as formas, mas a moça era irredutível, parecia que tinha esquecido toda a conversa com seu pai, mas na verdade, quando Alvaro dormia, lá mesmo no chão, da cama ela o observava a noite inteira. O único contato que permitia, era que ele acariciasse sua bela barriga, que a todo instante era chutada pelo bebê, na terceira noite Anna sentiu tantas dores provocadas pela agitação da criança em seu ventre, que Alvaro passou a noite inteira com a cabeça colada na barriga dela.
Após vasculharem toda a aldeia e a floresta inteira, eles seguiram para as montanhas, e foi lá, na cabana que Caspian a encontrou. Pela janela Alvaro viu um grifo pousando na lateral da cabana.
– Anna acho que tem alguém aqui – sussurrava – a cabana está trancada?
– Está sim. Se nos escondermos atrás da cama ninguém vai perceber que tem gente aqui.
Caspian tentou abrir a porta, mas estava trancada, olhou pela janela e não viu ninguém, Alvaro e Anna pensaram que era Rabadash pois Caspian tinha ficado de costas para a janela, e tinha os cabelos idênticos ao do rival.
– Anna minha filha você está aí – perguntava batendo na porta, que era sua última esperança – sou eu Caspian.
– É o meu pai Alvaro, tenho que ir. – falou bem baixo.
– Não, por favor, não vai Anna. – segurava o braço dela.
– Acha que vou ficar aqui até o meu filho nascer?
– Nosso filho. E qual é o problema? Meu pai e o pessoal dele são muito perigosos.
– Anna se está aí dentro me responda por favor! – pediu o pai mais uma vez.
– Estou aqui pai – respondeu em bom som, para a tristeza de Alvaro e a felicidade de Caspian.
Anna se levantou e abriu a porta, Caspian foi entrando em seguida.
– O que você estava fazendo aqui... e com esse – se surpreendeu ao ver Alvaro – então foi ele quem te raptou.
– Não pai, o Alvaro não me raptou, apenas me livrou do incêndio.
– E por que não te levou para casa? Vai me dizer que teve uma recaída?
– Nada disso papai. Só estava aqui... não sei... talvez pelo louco do Rabadash, pensei que ele fosse ficar furioso.
– Então quer me dizer que o incêndio foi proposital?
– Sim senhor. Mas não fui eu que o ocasionou, foram alguns amigos.
– Posso saber quem? – perguntou grosseiro.
– Seu filho e um de seus sobrinhos. E também um anão.
– Era só o que me faltava, Rilian, Edward e Trumpkim.
– Vamos papai, preciso da minha cama.
…
Mais quatro meses se passaram e Alvaro continuava instalado na cabana, Caspian decidiu não denunciar. A gravidez ia bem, e Susana estava muito aflita, pois não teve mais notícias de Anna. A tristeza não era mais sua aliada, porque agora ela tinha certeza de que Caspian a amava, e para não se entristecer se agarrava nas lembranças dos últimos momentos que tivera com ele, Susana passava o dia todo lembrando disso. Rabadash estranhava a cara de satisfação dela, nada do que ele lhe falava a abalava. Naquela tarde Susana estava sentada na varanda do quarto, conseguiu que Rabadash libertasse Carlos, na verdade, depois do casamento, Rabadash deixava Carlos comer com Susana todos os dias.
– Posso saber o que anda acontecendo com você? — disse puxando uma cadeira, para se sentar na mesa.
– Nada. Nada de novo ou interessante, faz nove meses que não tenho nada para fazer além de encarar essa sua cara ridícula.
– Que carinhosa! Sabe querida, só por quê aquela cerimônia fracassou, isso não quer dizer que não podemos nos casar de novo.
– Nunca vou me casar com você Rabadash. E não sou eu, é o destino. Você nunca conseguiu me ter, lembra de quantas vezes tentou dormir comigo desde que vim para cá? Até tentou se casar comigo e não conseguiu. Nunca serei sua “querido” aceite isso. — Susana tricotava um casaco para o bebê.
– Estou te achando muito confiante – a encarava desconfiado, mas ela não tirava os olhos do que estava fazendo – principalmente em relação ao Caspian. Susana por acaso aconteceu alguma coisa entre você dois naquela festa? — Susana riu como se zombasse da cara dele.
– Como? Graças a você meu marido me odeia. E você não me deixou em paz nesse dia.
– Pode ser, mas teve uma hora que você sumiu. Tem certeza que estava sozinha no quarto?
– Querido queria que eu me trocasse na frente dos convidados?
– Uma equipe já tinha te arrumado antes, gente sua mesmo, ainda liberei narnianos para te ajudar. E se bem me lembro, depois daquela confusão toda, vocês conversavam no jardim.
– Ai Rabadash não tenho culpa se ainda nem nos casamos e você já se sente corno.
– Acho melhor acabarmos com essa conversinha desagradável. — se levantou irritado. — Ah tem mais uma coisa.
– O que?
– Quantos meses sua filha já tem de gravidez?
– Nove. Acho que faltam poucos dias para o nascimento.
– Então saiba, que vou buscá-la pessoalmente.
– O que? Vai fazer o que?
– Vou trazê-la para o castelo. Ela vai ficar aqui até acriança nascer.
– Mas para que vai fazer isso? — Largava o crochê.
– Porque quando a criança nascer, ela será minha amor, será nosso filho. Você e eu vamos cuidar dela.
– Você é um monstro Rabadash. Já não bastava me afastar de meus filhos, vai afastar a Anna do dela também.
– Prepare-se para ser ainda mais odiada pelo Caspian. E saiba, que se eu descobrir que aconteceu alguma coisa entre você dois, vocês vão me pagar.
…
Anna já caminhava com dificuldade, a barriga estava imensa, e Caspian estava todo orgulhoso. Não só ele, como Tumnus, Helen, Joseph e também seu pai.
– Já pensou em que nome terá a criança? — Caspian acariciava a barriga da filha, esse tinha virado seu hobbie nos últimos tempos.
– Tanto se for menina como menino.
– Às vezes acho que tem duas crianças aí, pelo tamanho.
– Não pai, acho que não, apesar de eu ter uma grande possibilidade de ter gêmeos.
Continuaram conversando tranquilamente, até que a porta do navio foi arrombada por Rabadash, dois lobos, um ogro e quinze soldados.
– O que fazem aqui? — Caspian correu até a parede e puxou uma espada que ficava pendurada.
– Eu vim levar minha enteada e meu neto. — Caspian ameaçou bravamente. Mas os lobos cercaram Anna, e os 15 soldados também sacaram suas espadas. Desvantagem.
– Se tentar dar uma de herói, esses lobos engolirão sua filha viva, ou também posso manda-los arrancarem essa criança com os dentes.
– Não vai levar a Anna daqui. Vai ter que me matar primeiro.
– Acho que não vai ser difícil. — Rabadash estalou os dedos, e o ogro puxou a espada de Caspian quebrando-a apenas com uma mão, com a outra estendeu o rei no alto, e o jogou contra a parede.
– Você não pode comigo Caspian. — se vangloriava. — Peguem a garota e a coloquem na carruagem.
– Não vai tirá-la daqui. — Se levantou rapidamente, mas o ogro apertava seu ombro, impedindo que este partisse para cima de Rabadash.
– Por que não? Ah Caspian não é de mim que deve ter raiva, mas da Susana, foi ela quem deu essa ordem. Ela me pediu para levar a Anna para ela, Susana quer criar seu neto como se fosse nosso filho.
– Susana jamais faria um absurdo desses.
– É mesmo? E acha que eu ia querer uma criança nojenta? Isso é coisa de mulher, como elas são sensíveis. Vamos homens.
Rabadash partiu com Anna a força, e Caspian foi correndo atrás, mas antes precisava de ajuda, e as mais imediatas que conseguiu foram de Liliana, Pedro, Edmundo e Benjamim, que não se negaria a ajudar sua irmã.
Eles dispararam com cavalos atrás dos inimigos, apesar de eles estarem bem na frente e em alta velocidade, já que tinha quatro cavalos à disposição, os reis e príncipes conseguiram alcança-los. Liliana acertava no ogro que ia correndo do lado de fora da carruagem, quando finalmente conseguiu derrubar o monstro, um soldado percebendo o ataque, pulou da carruagem, e quase lhe acertou uma lança, fazendo seu cavalo cair. Liliana pediu para que o pai e os outros continuassem.
Mais três soldados desceram e Edmundo saltou do cavalo para pelejar contra eles, obtendo grande Sucesso, mas quando subia em sua montaria de novo, quase foi atacado por um dos lobos. Benjamim de forma eficiente, deteve o animal e o estraçalhou. Pedro a Caspian os únicos que não tinham parado, cercaram a carruagem e tiveram que brigar arduamente com os outros soldados, Anna passando por todo aquele estresse entrou em trabalho de parto. Para sua sorte, já estavam perto do castelo, quando Pedro e Caspian já tinham derrotado mais oito soldados. Caspian e o cunhado continuaram com a perseguição, mas quando chegavam perto do portão, um dos soldados apontou uma flecha na direção de Caspian, mas Pedro com sua destreza entrou na frente recebendo a flechada no ombro, que o fez cair do cavalo, e Caspian foi o único que continuou aquela perseguição.
Quando a carruagem cruzou os portões, os guardas trancaram o portão impedindo a passagem de Caspian. Ele ouvia Anna gritar e se desesperava, balançava as grades dizendo que eles não ficariam com seu neto, mas Rabadash o ameaçou dizendo que se ele não fosse embora, depois do parto se livraria de Anna. O ódio de Caspian cresceu 10 vezes mais, e ele prometeu que um dia Susana teria que lhe explicar muito bem aquela atitude.
– Rabadash eu não acredito que você fez essa loucura. — Susana o seguia agitada, enquanto ele carregava Anna para um quarto vazio. — Minha filha você está bem?
– Acho que vai nascer agora mamãe. Estou em trabalho de parto.
– Não se preocupem, eu farei o parto. — Dizia Tirza abrindo a porta do quarto.
– Ninguém vai encostar um dedo na minha filha, quem vai fazer esse parto sou eu. Deite-a na cama Rabadash.
– Meu amor, a Tirza e o André podem fazer isso.
– Não vou deixar eles sozinhos com a Anna e nem com o meu neto.
– Susana se quiser posso pegar uns materiais que vão te ajudar muito. — dizia André saindo do quarto.
– Saiam todos aqui e me deixem sozinha com minha filha.
– Você não vai ficar sozinha com a Anna. Não vai fazer o parto.
– Sai daqui – Susana perdeu a paciência e começou a bater nele – saia agora, quem mandou você fazer essa besteira?
André voltou com uns remédios, panos e água e tesoura. Mas Susana não confiava nos medicamentos do velho.
– Dê um desses comprimidos à ela e as dores diminuirão.
– Não vou dar porcaria nenhuma. Quem garante que não é veneno.
– Acho que não vou conseguir mamãe, não estou pronta ainda e está doendo muito.
– Majestade, a gravidez de sua filha é de risco, Rabadash está muito interessado nessa criança, e eu não faria nada para machucá-la.
– Mamãe venha logo, não aguento mais.
– Deixa eu ajudar majestade, ou sua filha não resistirá.
– Tudo bem, você pode ficar, mas espero que os dois fiquem bem, ou não vai ter Tash que me impeça de destruí-los.
– Meu amor eu estou aqui e tudo vai ficar bem. — Susana deixou que André fizesse o parto, e foi para o lado de Anna, sentou-se ao lado da filha inexperiente, e segurou sua mão dizendo palavras de apoio, e a todo o instante secava-lhe o suor.
– Faz força – pedia André apertando a barriga da moça.
– Eu não consigo. Eu não vou conseguir, me ajuda mãe.
O parto estava sendo difícil, a criança ainda não estava na posição certa, e Anna sangrava muito, André olhava para Susana preocupado, e a rainha se assustava percebendo que a moça estava quase perdendo os sentidos.
– Filhinha olha mim, eu te amo mais do que tudo, está me entendo? E você vai amar seu filho da mesma maneira. Só que você precisa ser forte, precisa fazer força e resistir, logo logo vai passar e seu bebê estará em seus braços.
– Hum...
– Majestade seu neto ainda não está na posição certa, se continuarmos vamos perder os dois.
– Não André, isso não, faça alguma coisa.
– Está sangrando muito mais do que devia Susana, sua filha está fraca e seu neto não está nem perto de nascer. Eu... eu não posso fazer nada majestade.
Susana se arrepiou dos pés a cabeça. Não queria perder nenhum dos dois, olhou para Anna e viu como ela estava fraca e pálida, mal conseguia manter os olhos abertos.
– Não tem nenhum remédio? Nada que possa ajudá-la?
– O único remédio eficaz disponível eu já dei majestade. Só tem uma solução.
– O que? O que eu tenho que fazer? — perguntou afobada.
André fez sinal para que Susana fosse com ele até um canto no quarto.
– Eles certamente não resistirão, o parto não deveria ocorrer agora, o bebê ainda não está pronto. Acho que...
– Acha o que? — perguntava nervosa e excitada.
– Que a criança está presa no cordão umbilical.
– E qual era a solução que você falou?
– Majestade, o único jeito de salvar sua filha e seu neto é... é entregando sua alma para Tash. Foi assim que conseguimos nossos objetivos, foi assim que Tirza virou feiticeira, e a família de Rabadash entrou para a realeza.
– Se eu fizer isso o que acontece?
– Eles ficarão bem, mas há um preço, quando Tash quiser poderá pedir a sua alma e passará o resto de seus dias no abismo.
Susana olhava para Anna na cama, pensou um pouco e respondeu.
– Eu aceito. Agora salve minha filha.
– Antes a senhora tem que selar o compromisso. Não se preocupe, não direi nada a Rabadash ou ele vai levá-la daqui o quanto antes.
– Obrigada.
– Não tem que me agradecer, é que faz muito tempo que não encontro uma rainha de verdade. Jadis e ele são duas farsas.
Susana voltou para o lado de Anna, a moça que delirava abriu os olhos novamente, e Susana prometeu que tudo ficaria bem. André voltou de seu quarto com um amuleto nas mãos e chamou Susana novamento.
– O que é isso? O que devo fazer?
O amuleto tinha duas figuras, de um lado a imagem de Tash, do outro algumas palavras indecifráveis. André pegou a mão esquerda de Susana e fez um furo com um punhal, com o sangue que saía da mão da rainha ele pingou sete gotas no amuleto, fazendo ele mudar de cor.
– Só isso? — perguntou de Susana.
– Agora você usá-lo e não deve tirá-lo nunca.
– E minha filha?
André não disse nada, apenas olhou para a cama e viu que a cabeça da criança já aparecia, Anna tinha uma aparência bem melhor.
– Anda majestade, peça para a moça fazer força.
Em menos de três minutos a criança nasceu e chorava alto, fazendo Susana saltar da cama.
– O que é André? É menino ou menina?
– Veja a senhora mesma. — André entregou o bebê nos braços de Susana e a rainha ficou boba.
– Meu neto. Filha é um menino, é um menininho.
– Traz ele aqui mãe. — pediu Anna estendendo os braços.
– Vou deixá-las sozinhas.
– Onde está o Rabadash? Por favor não diga anda a ele ainda.
– Eles estão na biblioteca, pode deixar, eu não vou falar nada.
– Vai com sua mamãe meu amor. — Susana não queria soltá-lo, mas tinha que entregá-lo a Anna.
– Oh meu filho, que lindo você é.
– Ele se parece tanto com Caspian não é?
– Muito mamãe. Ele é muito lindo!
– Como vai chamá-lo?
– Eu gosto de Charles. Esse vai ser o nome dele, Charles.
– A vovó te ama tanto Charles. — Susana brincava com as mãozinhas dele, enquanto se lembrava de quando era criança e nem sonhava em ter filhos.
Rabadash gostou muito da criança e realmente acreditava que era seu filho, estava completamente louco. Quando Charles completou três dias de vida, ele decidiu que era a hora de Anna ir embora, apesar das súplicas da moça e de Susana, ele não deixou Charles ir junto. Susana prometeu que cuidaria muito bem do bebê, e Anna ficou mais tranquila. Mas jurou para si mesma que tiraria seu bebê dali a qualquer custo. Caspian se enfureceu contra Rabadash quando viu sua filha chegar sem o bebê, pensou até que o pior tinha acontecido, mas Anna contou que Susana cuidaria de seu filho.
Apesar de quase todos irem tentar falar com Radash, o tirano não os deixava ver a criança, e disse que muito menos a levariam. Se passaram mais três meses e Anna sofria por não ver seu filho, Susana imaginou que devia estar sendo nada fácil para ela, e com muita dificuldade conseguiu convencer Rabadash a entregar uma carta para Anna.
Na carta Susana prometia que devolveria a criança, mas disse que Anna deveria ficar bem escondida, a rainha disse que quando estivesse amanhecendo a criança já estaria nas mãos de Anna, mas precisava que alguém a tirasse do castelo, e deu dicas dos lugares de mais fácil acesso.
Anna para se esconder precisaria da ajuda de Alvaro, já que resolvera se esconder na cabana. Liliana contou tudo ao rapaz, e junto com Pedro bolaram um plano para tirar a rainha e o bebê de lá.
Na madrugada faltando apenas uma hora para sol nascer Pedro chegou ao castelo, como o rei com a graça de Aslam tinha se tornado uma estrela capaz de mudar sua forma, Caspian se disfarçou de soldados e depois do próprio Rabadash que dormia. O rei encontrou a irmã na varanda do quarto dela. Quando Susana viu Rabadash se assustou, mas Pedro logo voltou a sua forma real fazendo a rainha sentir um enorme alívio.
– Pedro que bom que está aqui.
– Esse é o pequeno Charles? Que lindo ele é.
– Anna tem um bom esconderijo?
– Tem sim. Ela vai ficar na cabana que pertencia a mim e a Lilian. Alvaro ficou lá por meses e não foi descoberto.
– E ele vai ficar com ela?
– Sim. Para proteger ela e o bebê.
– Mas e agora? Como sairemos daqui?
– Se me disfarçar de Rabadash novamente para tirá-la daqui, vão desconfiar, pois ele nunca saiu com você do castelo.
– Acho que será perigoso sair à cavalo com um bebê. Também não podemos demorar muito.
– Não estou de cavalo. Esqueceu que agora sou uma estrela? Vamos voando, será bem mais rápido e seguro, e também como está escuro os guardas não vigiarão os céus.
Pedro pegou Susana no colo, e ele segurava Charles bem firme, quando já estava amanhecendo eles avistaram Anna e Alvaro em baixo de uma árvore que ficava perto da montanha da cabana. Pedro pousou e os dois correram até eles. Pedro se assegurando de que estavam seguros foi embora por outro caminho.
Pedro e Susana não perceberam, mas Rabadash percebendo a fuga os seguiu em um grifo, e quando eles pousaram, Rabadash também pousou a uns metros e ficou atrás de uma outra árvore. Quando Pedro sumiu das vistas deles, vendo que Susana estava distraída dando instruções sobre Charles, o vilão saiu de trás de seu esconderijo colocou uma flecha no arco, e Alvaro se desesperou ao ver que seu pai mirava nas costas de Susana.
– Susana! — gritou o rapaz apontando para trás dela.
Ao se virar com o bebê nos braços, Susana viu em câmera lenta, uma flecha ser disparada em sua direção.
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