Notas iniciais
É galera, estamos nos últimos capítulos, faltam uns 4 ou 5 no máximo. No próximo Caspian e Lúcia descobrirão toda a verdade.

Caspian não queria que Anna ficasse ao lado de Alvaro, o odiava, afinal ele era filho de seu rival e acima de tudo fez sua filha, uma moça feliz e pura, sofrer por um longo tempo. Caspian queria muito conhecer seu neto, e pela segurança dele e de Anna, foi ao local onde seria o encontro de mãe e filho, ficou lá em baixo da montanha, e quando Anna e Alvaro se aproximavam para receber Susana a uns metros a frente, ele foi indo atrás deles devagar.

Estava com um enorme sorriso no rosto, quando viu Pedro decolar e ir embora, era sinal de que tudo dera certo. Mas esse sorriso se desfez quando gritos foram ouvidos. Primeiro o de Alvaro, depois o de Susana, o de Anna, Rabadash e por fim o choro do bebê. Caspian perdeu o ar ligeiramente e saiu correndo, quando eles entraram em seu campo de visão, Caspian foi perdendo as forças de suas pernas. Alvaro estava com muito sangue, jogado no chão, Anna gritava com o bebê nos braços, e Susana era arrastada por Rabadash.

Quando Rabadash soltou a corda do arco, disparando a flecha, que deveria ser de Susana, Alvaro vendo que a rainha e seu filho seriam acertados, em um ato de desespero entrou na frente, empurrando Susana para longe do dardo. O rapaz caiu imediatamente no chão, e Rabadash correu até Susana, a puxando pelos cabelos, Anna conseguiu a tempo, tirar Charles do colo de sua mãe.

Caspian estremeceu ao ver Susana apanhando de Rabadash, iria atrás deles e acabaria de vez com Rabadash, agora ele estava sozinho e Caspian tinha no corpo a adrenalina que precisava para exterminar o inimigo. Mas Anna gritava muito e pedia socorro. Caspian nunca sentiu nenhuma simpatia por Alvaro, mas ele salvou a mulher de sua vida e seu neto, além de tudo, ele via o pavor nos olhos de Anna. Sabia que Susana poderia aguentar mais um pouco, o rapaz em pouco tempo morreria, a flecha acertou seu coração em cheio.

– Me ajuda pai. Socorro! — pediu olhando para Caspian, que estava paralisado, Anna balançava Alvaro que estava perdendo os sentidos vitais, mas não deixava de pedir perdão.

– Me perdoa Anna – uma bolha de sangue saiu de sua boca, o impedindo de falar – eu não quero morrer sem seu perdão.

– Abre os olhos Alvaro. Abra os olhos. — pedia o sacudindo mais forte. Caspian caiu em si, e pediu para que ela saísse de perto dele. Pedros ouviu os gritos mesmo estando um pouco longe, e voltou com toda a velocidade que seu vôo podia alcançar. Por cima ela via Rabadash levando Susana no grifo, iria atrás se não visse que outra pessoa precisava mais de ajuda.

– Olha pra mim Alvaro! — pedia Anna, vendo o rapaz fechar seus olhos. Caspian levantou Alvaro com dificuldade, mas sem pousar, Pedro pegou o rapaz pelos braços e o levou em direção a cabana.

Pedro ordenou que os dois grifos buscassem Caspian e Anna. O rei colocou o rapaz na cama com cuidado, mas sabia que só por tê-lo transportado para ali, a hemorragia se agravou, porque a flecha ainda estava cravada no rapaz. Caspian e Anna chegaram na cabana, a moça colocou Charles no berço que seria dele, e correu para a cama.

Caspian e Pedro estavam muito nervosos, não sabiam se faziam alguma coisa pelo rapaz ou pediam ajuda. Pedro tocando no pescoço de Alvaro, percebeu que seus batimentos estavam muito fracos.

– Caspian estamos perdendo ele.

– Não. — Anna se apavorou mais ainda. — Pai faça alguma coisa – Anna se agarrava a roupa de Caspian e suplicava – ele não pode morrer pai, não pode morrer achando que eu o odeio. Alvaro, Alvaro reaja. — olhava para seu vestido que também estava muito sujo de sangue e chorava.

– Acalme-se Aninha, o bebê também está muito agitado, precisamos ter calma se queremos ajudar o Alvaro. Caspian você deve levar os dois grifos, quem tiver que trazer, traga depressa.

– Em menos de cinco minutos estarei de volta.

Anna balançava Charles muito agitada, olhava para Pedro e percebia que seu tio não tinha conseguido salvar seu amado. Ela chorava com mais intensidade e o bebê ficava mais agitado ainda, chorava ainda mais alto que ela. Toda aquela energia era ruim para a criança, Anna tentava fazer o pequeno Charles parar de chorar, mas ela mesma não conseguia se controlar.

Foi para a cama, Pedro a deixou com Alvaro, o grande rei percebeu que o rapaz já estava morto, e já não mais nada a se fazer, Anna acalentava Charles lembrando-se da lenda que Tumnus lhe contara, do amor proibido de dois jovens, um amor que levou o rapaz a morte, ele era acertado por uma lança, no caso ma flecha, e Anna percebeu que a lenda era para Alvaro e ela, e não seus pais, como pensava.

Anna pegava na mão de Alvaro, o beijava, dizia que o perdoava, mas ele não respondia. Pedro querendo acalma-la a abraçou, e passou a acalentar ela mesma. O bebê e ela foram se acalmando, mas um remorso foi corroendo seu coração, quando lembrava que se recusou a perdoa-lo. Anna viu que não aproveitou nada com Alvaro, as mágoas não a fizeram se sentir melhor, e ela se arrependeu por não ter o perdoado, naquele dia em que conversou com seu pai. Ela ficou tão concentrada na dor que ele lhe causou, que esqueceu que a vida é curta e só acontece uma vez. Agora nunca saberia como seria se tivesse lhe dado o perdão. Tinha medo de que o mesmo acontecesse com seu pai, Rabadash tinha Susana em suas mãos, e Anna sentiu que algo muito ruim aconteceria com ela.

– Minha mãe Pedro. Salva a minha mãe – dizia completamente pálida, Pedro percebeu o quanto ela estava fraca e a sentou na cadeira, para tirar Charles de seu colo.

Liliana estava acompanhada de Victor, agora ela se cuidava mais e se banhava diariamente, não correria o risco de se encontrar com Alvaro. Usava um belíssimo vestido criado por sua mãe, um branco alvo como a neve, que lhe deixava parecida com os anjos. Seus lindos cabelos loiros estavam soltos, formando cachos perfeitos. O que Liliana não sabia era que estava arrumada para ter um encontro de verdade com Alvaro.

Ela ouviu muito bem a conversa de Caspian com Tumnus e Cornélio, teve que ser segurada por Victor para não cair.

– Não Caspian, isso não pode ser verdade, eu amo o Alvaro e ele vai se casar comigo.

– Eu sinto muito Liliana. Mas o Alvaro está praticamente morto.

– Se a flecha está alojada no corpo dele, não temos muito o que fazer. — dizia Cornélio.

– Não. Para com isso. É claro que tem.

– Liliana ficar nervosa não vai ajudar em nada. — dizia Victor apoiando a garota em seu corpo.

– Meu bem não fique assim – dizia Tumnus olhando no fundo dos olhos dela, e secando as lágrimas que caiam mais rápidas do que qualquer pensamento – tem uma coisa que acho que podemos fazer por esse rapaz.

– O que Tumnus? Se tiver por Aslam, nos ajude, Anna morrerá se esse rapaz se for. — dizia Caspian.

– Havia uma profecia, eu pensava que era apenas uma lenda. Anna a conhece. Isso aconteceu com Alvaro porque o amor deles é proibido, eles são de mundos diferentes e esse rapaz é filho de nosso inimigo. Mas um amor puro e máculas, pode salvá-lo.

– Como assim Tumnus? — perguntava Liliana ainda tendo seu rosto segurado pelo fauno.

– Talvez ele sobreviva se uma dama lhe demonstrar, amor incondicional, sem mágoas e sem manchas. Acho que você pode fazer isso Liliana. A Anna já teve desavenças com o Alvaro, eles quebraram o amor, e ela guardou muita mágoa dele. Mas seu amor por esse rapaz, ainda é puro, intacto e pelo que vejo parece ser incondicional.

– Eu só tenho que demonstrar o quanto o amo?

– Isso. Tem que transmitir isso para ele. Mas só dará certo se você nunca sentir raiva ou rancor dele. Liliana antes de te dar falsas ilusões, você precisa ter consciência de que o Alvaro pode querer ficar com a Anna, você pode perde-lo de qualquer jeito, e se isso acontecer você estará disposta a aceitar?

– Não importa se ele vai ficar comigo. Eu só quero que ele fique bem, ele nunca nem olhou nos olhos do filho dele, ele precisa disso.

Caspian não precisou levar Tumnus e Cornélio, apenas Liliana e Victor, os três montaram os grifos e partiram para lá de imediato. Anna não conseguia continuar lá dentro, quando viu Liliana chegar, percebeu que ela estava lá salvá-lo, Anna sabia qual era a solução.

– Liliana que bom que você veio. — disse lhe dando um abraço apertado.

– Eu vim vê-lo.

– Sei o que veio fazer aqui. E se for preciso para ajudá-lo, eu não me importarei se você ficar com ele.

– Quem tem que decidir isso é o Alvaro, Aninha, o que ele decidir teremos que aceitar.

Pedro saiu da cabana deixando Alvaro e Liliana a sós. Agora Charles dormia no berço, e o único som que se ouvia lá dentro era a respiração de Liliana. Pedro havia retirado a flecha e um buraco que tinha ficado no local, foi tapado por curativos improvisados pelo rei. Liliana se ajoelhou na cama ao lado dele, acariciava seus cabelos, escorregava os dedos pelo rosto dele, em seguida segurou sua mão. Liliana sabia que palavras seriam vãs, então depois de mirá-lo por alguns minutos, decidiu que aconteceria uma coisa muito importante na vida de uma mulher, seu primeiro beijo.

Liliana encostou seus lábios nos deles e se deliciou com o sabor dos lábios tão sonhados de seu Alvaro, Liliana sabia que devia aproveitar, pois sentia que a vida não lhe daria outra oportunidade. Movimentava sua lingua na boca dele devagar, ao mesmo tempo acariciava seu rosto, com o tempo foi sentindo o gelado corpo de Alvaro esquentar, e sentiu a respiração dele em sua pele.

– Alvaro você está vivo meu amor. — disse afastando seus lábios rapidamente.

– A Susana, meu filho... eles estão bem? E a Anna? — agitado, tentou se levantar, mas ela o impediu.

– Calma Alvaro, não pode levantar ainda.

– O que meu pai fez? Onde eles estão? — perguntava ainda tonto.

– Estão todos bem querido. Não se preocupe.

– William? É você? — perguntou prestando atenção em Liliana pela primeira vez. — Você é uma... mulher. — disse tocando o rosto dela.

– Eu não sou o William. Ele não existe. Sou a princesa Liliana, filha do rei Pedro, e prima da sua Anna.

– Mas... eu não entendo. Por que você se passou por homem? — A moça abaixou a cabeça envergonhada, mas logo voltou a encará-lo para responder.

– Era tudo um disfarce Alvaro, disfarce para ficar perto de você. Porque eu te amo. Te amei desde o momento em que te vi, eu nunca tinha sentido isso por ninguém, não estava sabendo lidar com meus sentimentos, você achou que eu era homem e achei melhor que você continuasse pensando assim.

– Então você é prima da Anna, e se passou por homem para ficar perto de mim?

– Exatamente isso. Estou morrendo de vergonha.

– Me desculpe por ter te confundido com um homem. Você sempre estava com roupas de guerra, capacete, eu mal via o seu rosto, ele estava sempre sujo com disfarce para florestas, sua voz também me confundiu.

– Não precisa se desculpar. Eu quis que fosse assim, sabia que você nunca olharia para mim e foi o jeito de te ter ao meu lado.

– Obrigada por tudo! Você fez muito por mim, acho que nunca poderei retribuir.

– Pode retribuir sim Alvaro – segurou a mão dele por fim – eu te amo mais do que qualquer coisa nesse mundo, até mais que meus pais e a mim mesma. Fica comigo Alvaro, me deixe ficar ao seu lado para sempre. Me escolha para ser sua companheira, eu te amo mais do que tudo. — E o beijou não lhe deixando dar a resposta de imediato, tinha medo dela, sabia que as chances eram curtas, mas precisava tentar.

– Liliana – o rapaz parou de falar logo para analisá-la, sua mão brincava com o cabelo dela, e pensava como lhe responderia – você foi a pessoa mais maravilhosa e incrível que eu conheci nesse mundo, não quero te perder, a quero sempre perto de mim, eu faria qualquer coisa por você, e prometo que passarei o resto da minha vida tentando protegê-la. Você é muito especial para mim, qualquer um sem exceção seria o mais feliz dos homens se tivesse seu amor. Mas eu não posso ser esse homem, porque eu já encontrei a mulher que me faz ser o homem mais feliz desse mundo.

O choro de Charles os interrompeu.

– É o meu filho? — mas uma vez tentou se levantar, mas a dor lhe impediu.

– É ele sim Alvaro, vou buscá-lo para você vê-lo melhor. — Liliana se levantou para pegar Charles no berço. Alvaro esboçou um sorriso que nunca dera antes, e Liliana colocou o menino no colo dele, o bebê se calou ao sentir o calor e o cheiro do pai pela primeira vez.

– E então Alvaro. Vai me dizer quem você escolheu? Com quem vai ficar, comigo ou com a Anna?

O rapaz já ia responder, mas ao ver Anna entrando na cabana, ele ficou mudo e inerte, seu coração tinha escolhido a moça, mas não sabia se ainda era o escolhido dela. Liliana vendo a intensidade dos olhares de Anna e Alvaro, teve certeza de que seu amado tinha escolhido sua prima, disso ela já sabia, mas um guerreiro nunca desiste de lutar. Sem dizer palavra alguma, Liliana se retirou deixando apequena família a sós.

Anna se emocionou grandiosamente por ver que Alvaro estava vivo, gostou mais ainda de vê-lo com Charles, sabia que aquela era a família que ela sempre quis ter, e o que seu amado tinha feito, não lhe causava mais nenhum dano.

– Ah Anna, veio buscar o Charles? Me deixe ficar pelo menos mais um minuto com ele...

– Você nunca mais ficará longe dele Alvaro.

– O que? Quer dizer que vai dar ele pra mim? — perguntou impressionado.

– Não. Só estou dizendo que o Charles precisa de você... e eu também.

– Então você – tentou com sucesso se sentar na cama e encostar na cabeceira, mais ansioso do que nunca.

– Eu nada Alvaro. Quem sabe é você. Só você pode dizer se quer ficar com a Liliana ou comigo.

– E você ainda tem dúvidas do que eu quero Anna?

– Tenho.

– Olha eu não vou pedir que você volte pra mim. Mas eu quero que você me perdoe, e nem sei por onde começar. Eu te fiz muito mal Anna, brinquei de forma suja e injusta com você, mas a vida me ensinou uma lição, e ela foi me apaixonar por você, amar a pessoa que destruí e que certamente nunca me perdoaria.

– Certamente eu não te perdoaria Alvaro, mas eu nunca me importei com o certo, desde que eu fosse feliz. Eu cheguei até a te odiar, senti uma mágoa inimaginável, mas depois que vi você estirado naquele chão frio e percebi que nunca mais veria o azul dos seus olhos, eu disse para a vida que se ela te desse outra oportunidade, eu também te daria.

– Então quer dizer que você me perdoa? — disse com Charles colado em seu coração pulsante.

– Eu amo você Alvaro, e acho que amor e perdão significam a mesma coisa. Quero dizer que eu nem lembro mais do que você me fez, e nunca mais lembrarei, ou tocarei nesse assunto. Quero formar uma família com você.

– Oh Anna, eu não acreditava mais que um dia conquistaria o seu perdão, mas agora que consegui não vou te perder nunca mais. Pra mim nada é mais importante que você e esse menino. Eu não tinha vida até te conhecer, e quase acabei com ela. Mas não sei se poderemos ficar juntos.

– Por que não amor? — perguntou preocupada. — Você está apaixonado pela Liliana?

– Do que você me chamou Anna?

– Te chamei do que você é, meu amor.

– Eu amo a sua prima sim Anna, mas como uma amiga, uma irmã, da mesma forma que me apeguei a sua mãe, a mulher que um dia tanto odiei. Se eu acho que não poderemos ficar juntos, é por que fiz muita coisa errada, e minha alma pertence a Tash, ele pode requerê-la quando quiser. Nem o magnifico Aslam, poderia perdoar tamanhos delitos, se ele não pôde salvar sua mãe que é um anjo, o que poderá fazer por mim?

– Não quero pensar nisso agora. Já bastou a angústia de te ver morrer diante de meus olhos, não faz mais isso comigo Alvaro.

– Me abraça Anna, eu preciso tanto disso. — Anna estava sentada na cama, e se deitou ao lado dele, passando seu braço por Charles e Alvaro, primeiro ela deu um beijo na testa do filho, e depois com o coração descontrolado beijou Alvaro, que quase morreu novamente, pois jurava ter chegado aos céus.

Liliana saiu bastante decepcionada, sempre soube o quanto aqueles dois se amavam, mas quem conhece o amor, sabe que não é nada fácil passar por uma coisa dessas. Liliana não era só uma garotinha apaixonada por um menininho, o que ela sentia era um amor intenso e verdadeiro, assim como seus pais e seus tios sentiam, só lastimava ter conhecido o amor, principalmente que esse sentimento tivesse sido despertado por uma pessoa que nunca lhe daria o mesmo. Pedro a viu com um semblante tão triste e perdido, que ele nunca sentira antes, percebeu que era amor, antes ele nem desconfiava que sua filha era apaixonada por aquele malfeitor, deixou seu ciúmes de pai de lado e até desejou que Alvaro a amasse. Ele conhecia a rejeição, pois Lilian o tinha desprezado por certo momento, já que seus sentimentos estavam confusos, mas sabia que para sua menininha não seria fácil, Liliana sabia lidar com espadas, e não com as feridas que elas causavam, a ferida que a espada do coração de Alvaro causou nela foi grande, o golpe a pegou de surpresa.

Caspian também sentiu pena da moça, mas Anna tinha sofrido demais e merecia viver esse amor com o rapaz, Caspian não se intrometeria mais na decisão da filha, seu coração estava aliviado por saber que aquilo não tinha acontecido a Susana, mas ainda estava apertado, pois sabia que algo estava para acontecer. Victor foi o único a se alegrar por perceber que Alvaro não a amava, era muito difícil para ele lidar com um sentimento que crescia descontrolado, contra a sua vontade. Amava Liliana, tinha certeza, mas também tinha medo dessa palavra forte, ele sabia que seria um trabalho árduo conquistar a moça, ela não o queria nem como amigo. Mas a alegria dele não era egoísta, também não suportou vê-la daquele jeito. Sabia que ela queria chorar, mas a garota conseguiu se segurar, Victor precisava levá-la para outro lugar.

– Liliana, filha, eu sinto muito, sei como está se sentindo, mas não quero te ver assim. — dizia Pedro com a mão no ombro dela.

– Pode parecer que não, mas vai passar Lili. Eu te garanto – disse Caspian, recebendo apenas o olhar desolado da garota como resposta.

– Não é fácil perder, muito menos aceitar, e você sabe muito bem disso tio Caspian.

– Eu aceitei.

– Apenas sua mente tio. Minha mente também já aceitou há muito tempo, mas tenho certeza que nossos corações não.

– Não suporto te ver desse jeito Liliana. — disse Victor.

– Então é melhor não me ver mais.

– Seria muito pior.

– Victor, por favor leve minha filha para passear. — Os dois se retiraram e se dirigiram para outra parte da montanha.

– Caspian eu vou para casa, mas antes pedirei para Cornélio vir para ver Alvaro, ele precisa de curativos melhores.

Rabadash deu vários tapas e socos em Susana, no castelo a arrastava pelos cabelos e lhe dava murros. Estava descontrolado e descontava toda a sua raiva nela. Odiou o fato de ter sido traido, já que ela saiu do castelo e levou seu neto embora. O vilão a arrastou até a cela que fora de Alvaro e entrou lá com ela, trancando as grades.

– Vagabunda ordinária, pensou que ia me trair?

– Não tenho medo de você Rabadash – dizia secando o sangue da boca.

– Mas deveria ter, não só por você, como também por aquele bastardo. Por sua causa eu vou matar o Charles e sua querida filhinha Anna.

– Caspian acabaria com você. Você é um fraco, um covarde.

– Caspian, aquele desgraçado! — deu outro tapa que a jogou no chão. Rabadash e levantou outra vez, puxando seus braços com brutalidade.

– Pensou que eu não ia descobrir que você fez amor com ele no nosso quarto? — dizia com um ódio tão profundo, que assustou Susana, apesar dela não demonstrar.

– É verdade sim. Eu sou a mulher do Caspian e o amo, por isso ficamos juntos, e se ele não se casou com aquela moça é porque ainda me ama.

– Fez com ele em menos de 5 minutos juntos, o que não quis fazer em 5 meses comigo.

– Porque ele não é você. Eu o amo, e a você... eu te odeio e desprezo.

– Eu te amo tanto Susana, mas isso não significa que também não possa te odiar. E é isso que faz meu amor ser tão intenso. Eu te amo da mesma medida que te odeio. Te odeio por ter me desprezado, por eu ter sido humilhado há muitos anos atrás, por nunca ter me amado. Mas também te amo, por sua beleza, por me desprezar, por tudo o que você é. Te amo por ser impossível.

– Me ama? Acabou de tentar me matar, e ainda tem a capacidade de dizer que me ama?

– Pra mim você não passa de um objeto Susana, um brinquedo, e eu adoro te fazer sofrer, quero te destruir, acabar com você assim como você fez comigo. O que pensou? Que eu ia te deixar em paz? Eu consigo tudo o que quero, não há nada que eu não faça para satisfazer meus desejos, e eu desejo você Susana, eu te amo. E quando você fosse minha, eu te mataria, tinha esses planos desde a era do ouro, matei a mãe do Alvaro e meu pai também assim que me cansei deles, quando me cansasse de você faria o mesmo, mas prefiro que você sofra e por isso você passará o resto de seus dias miseráveis ao meu lado. Que pior castigo para você, do que a minha presença.

– Eu sabia, sabia que não me amava coisa nenhuma, você é um doente, um louco.

– Louco por você. Como disse, você não passa de um objeto, um brinquedo e eu vou usar. Se foi do Caspian terá que ser minha também.

Rabadash a agarrou com violência, beijava sua boca e seu pescoço, Susana lutava com ele, batia no descarado e ele revidava com mais brutalidade ainda. Ele tentava agarrá-la, mante-la presa ao seu corpo e ela desvincilhava o tempo todo, achou que seria difícil se livrar dele, já estava ficando cansada, Rabadash era muito forte, era quase impossível duelar contra aqueles braços musculosos, e quando já estava esgotada, Rabadash a empurrou contra a parede jogando-a no chão. Rabadash rasgou sua própria camisa, jogando longe, abaixou-se perto de Susana tirando o próprio cinto, ela o empurrou, mas ele a beijou outra vez e tentou rasgar seu vestido. Conseguindo deitá-la no chão, pôs-se sobre ela, segurou seus braços, e Susana gritou pedindo ajuda, obviamente ninguém quis ajudá-la, mas com um descuido de Rabadash, ela conseguiu chutar as genitais dele, e não parou com um, mas 5 chutes.

Conseguindo se livrar dele, que já não tinha forças para continuar tentando forçá-la, Susana tentou sair da cela pegando a chave que estava no chão, mas Rabadash a surpreendeu puxando-a pelo pescoço na tentativa de asfixiá-la.

– Eu vou te matar sua desgraçada.

– Está esperando o que? Vá em frente.

Quando a virou de frente e novamente lhe pegou pelo pescoço, percebeu que ela usava um amuleto, e o puxou arrancando do pescoço avermelhado de Susana.

– O que é isso? — dizia olhando a peça sem acreditar. — Você fez um pacto com Tash. Vendeu sua alma a troco de que?

– Fiz isso para salvar Charles e também a vida de minha filha.

– Uma pena meu amor. Porque eu vou matar os dois, inclusive o seu querido Caspian.

– Não vai conseguir, Aslam não permitiria isso.

– E cadê o seu Aslam? Ele não defendeu Nárnia e muito menos vai defender você. Vou te entregar ao Tash hoje mesmo.

– Não tenho medo de vocês. Viver o inferno aqui ou lá dá no mesmo.

– Tem toda razão meu amor! — disse a trancando de novo.

– Onde você vai? Vai me deixar aqui?

– Já está mais que na hora, de seu amado Caspian conhecer toda a verdade. Vou dizer tudo para ele, e seu amorzinho vai ficar desesperado quando souber que você está no piso de baixo.

Notas finais
Não deixem de comentar.