Nárnia Além Da Vida Parte II
5 Como não sentir amor?
Notas iniciais
As seis horas de festa no castelo foram maravilhosas, Anna estava mais alegre e empolgada do que nunca, depois de dançar com Alvaro ela quis dançar com quase todo mundo. A noite foi perfeita para ela e para Carlos, Caspian e Susana não se desgrudaram a noite toda, o que arrancou alguns suspiros de Robert que havia sido abandonado por sua companheira. Quando Edward voltou levou uma bronca de Lúcio, que questionou a demora do garoto, e o fato de estar com um pote cheio de trufas já que na festa não havia essa iguaria. Liliandill a todo o tempo ficava atrás de Liliana para controlar seus modos e comportamentos, Pedro era mais liberal com a garota e como não teve um filho homem como desejava, até aceitava os modos de menino da filha, e era um alívio para ele, já que ela não se importava com namorados. Roberta era a alegria do povo, a menina era muito educada e simpática, o que fazia Tumnus e Trumpkin disputarem a atenção dela, tinha horas que até Joseph entrava na briga pela atenção da menina. Tudo estava indo perfeitamente bem pelo menos, por enquanto.
No dia seguinte Caspian, Susana e Aninha se instalaram em sua tenda, já que Bob e Carlinhos sairiam com o navio.
- Quem era aquele rapaz que dançou com você ontem meu anjo?
- Ah... mãe eu não vi você aí – disse Anna que acariciava sua pomba.
- Essa pomba é sua?
- Foi o príncipe Alvaro que me deu. Creio que isso responde suas duas perguntas.
- Príncipe Alvaro? — pensou Susana em alto. — Nunca ouvi falar desse príncipe. Sabe de onde ele é?
- Eu só sei isso. Mãe como você se deu conta que amava o papai?
- Quando o beijei pela primeira vez. Eu tive certeza de que minha vida estava ligada a dele, mesmo sabendo que nunca mais o veria. Quando vi o Caspian pela primeira vez meu coração fez uma coisa que nunca tinha feito antes, parou.
- E esse amor surgiu tão rápido assim?
- À primeira vista. Se não me engano ficamos quase uma semana em Nárnia, e isso foi o suficiente para nunca mais esquecê-lo.
- Ontem o tio Bob parecia um pouco triste, porque tia Lúcia foi embora e o deixou. Sinto pena dele, acho que ele está inseguro. Será que o amor deles pode acabar?
- Claro que não anjo, a Lu sempre amou e muito o Robert.
- Me explica porquê até hoje você o papai se amam como se fossem ainda adolescentes?
- Sabe Anna, é que eu e seu pai passamos por tanta coisa, sofremos tanto, por tantos anos. Eu pensei que essa escuridão nunca acabaria, e que eu sofreria para sempre sem ele, mas o amor venceu e finalmente conseguimos ficar juntos, por isso eu não abro mão desse amor por nada. Mas qual é o motivo de tantas perguntas?
- Não, não é... nada, nada não. — disse a jovem nervosa.
O amor era uma novidade para Anna e Rilian, e enquanto a jovem refletia sobre seus sentimentos, seu irmão ia a luta, uma luta a qual ele nunca perdia uma batalha. E Rilian já tinha quase certeza da vitória, agora só precisava procurá-la, a bela sereia Sunamita, é uma pena que nosso príncipe não conheça muito sobre as sereias de Nárnia.
Rilian ficou esperando por duas horas e nada, será que ela só viria à tarde como no dia anterior? Mas Rilian teve uma ideia, e se cantasse será que ela viria?
Si Ella Viniera – Chris Durán
Si viesse eu lhe diria que a quero
Que seja minha
Que fique e que não se vá
Que vivamos juntos
Se viesse eu a abraçaria
E na boca a beijaria
Lhe diria tudo sobre o meu amor
Todas as coisas que eu fui
Sentindo em mim depois de conheçê-la
Se ela viesse, eu a quero tanto...
Rilian ouve um ruído na água, e vê a sereia dando um enorme giro no ar, como se fosse um golfinho.
- Ah minha donzela, que bom é ter tua presença.
A sereia nem ligou para a presença do rapaz, e ficou penteando seus cabelos.
- Sunamita tudo bem? Gostou da canção que fiz para você?
- Sua voz é tão desafinada que nem entendi a letra. — esnobou a sereia.
- Você só pode estar de brincadeira minha dama, minha voz é perfeita e acho que daríamos uma bela dupla.
- Alteza, não sou cantora de bar. Minha única intenção é seduzir.
- Então fez muito bem o seu trabalho! — disse Rilian em tom sério, admirando a beleza de Sunamita.
- Então me dê licença, pois quero ficar sozinha.
- Cante para mim.
- Se quiser aula de canto peça a Aslam, afinal ele não criou Nárnia com uma música? Deve fazer isso muito bem. — respondeu grossa.
´´O que está acontecendo contigo Rilian? Nunca uma dama o desprezou, ao contrário´´ — pensou o jovem´´. ´´Ou pode ser que ela esteja insegura e por isso está me tratando desse jeito, eu sei que ela gosta de mim, dá pra ver em seus olhos´´.
- Não fuja de mim, por favor! Me dá uma chance de te provar que eu sou um cara legal.
- Tudo bem alteza. — disse Sunamita estendendo a mão para Rilian.
Sunamita e Rilian descobriram que tinham muitas afinidades, e em poucas horas já eram praticamente melhores amigos. A manhã foi a melhor da vida do rapaz, os dois brincaram como duas crianças na água, e logo Sunamita o apresentou a uns golfinhos que fizeram a alegria do casal de amigos. E para a sorte do nosso príncipe galanteador, a sereia que era muito solitária, achou nele uma boa companhia e marcaram de todas as manhãs se encontrarem no mesmo horário.
…
- Bom dia filho, como vai? — perguntou Lúcia que acabara de acordar.
- Bem mãe. — disse o rapaz sorrindo, já que só a sua querida e compreensiva mãe o alegrava.
- Seu pai não vai te ajudar com essa lança?
- Ele está com o outro filho dele – disse Lúcio fechando a cara.
- O Benjamim?
- Não, o queridinho dele, o Carlos.
- Não precisa ter ciúmes do seu primo filho. — Lúcia não gostou nada de Lúcio dizer que Carlos era filho de Bob.
- Ele prefere o filho da ex mulher, do que o seu próprio filho. E isso só porque eu nasci desse jeito, o Carlos não tem nada de especial. — disse quase chorando.
- Lúcio você é manco e não aleijado, você pode andar muito bem, se sente tanta dor assim, é porque você se limita muito, isso é psicológico.
- Você acha que eu queria ser assim? — disse alterando a voz. — Eu deveria ser perfeito, todos são. Anna é super linda, Roberta é amada por todos, Edward é muito inteligente, Carlos é o boa pinta, Benjamim que nem nasceu aqui é um grande guerreiro, e até a Liliana que além de ser uma estrela, é um guerreiro melhor do que eu. E o que eu sou mãe? Que importância eu tenho para os outros?
- Todos aqui são amados e respeitados, dos nobres, os anões até os menores animais. Se você é tão solitário, é porque prefere se isolar em vez de ficar com os outros. Você conhece todas as armas e sabe muito bem como usá-las e seria um dos melhores guerreiros que esse mundo já viu. Mas se você se vê como um pobre coitado, é isso que você vai ser.
- Mas o meu pai me ignora. Ele sempre é ausente comigo, e eu... eu não entendo por que?
- O Robert se preocupa muito com você. E se gosta tanto do Carlos, é porque os dois tem muitas coisas em comum.
- Ou ele ainda ama a Susana, e o Carlos e a Anna são filhos dele.
Lúcio levou um forte tapa ao dizer isso. Lúcia não estava e seus melhores dias, e seu filho passou dos limites.
- Por que você fez isso? — perguntou ressentido.
- Esqueceu da atrocidade que você acabou de dizer? — Lúcia estava fora de si, algumas lágrimas escorriam por seu rosto.
- Eu disse alguma mentira? A senhora não vê? Acha que o meu pai se apaixonou por você tão depressa? Eu nunca caí nesse papo. Ele só deixou a Susana, porque ela ia ficar com o Caspian de qualquer jeito. Tinha que ver só como ele olhava para ela ontem, e nem ligou que você foi embora. Sabia que até dançaram juntos? Nunca percebeu a semelhança entre os gêmeos e ele? Por que acha que Carlos é tão parecido com ele? Por que esse garoto gosta mais do meu pai do que do dele ? Por que? — Lúcio gritou histérico.
- Nunca mais fale assim do seu pai, Carlos e Anna não têm nada a ver com ele. Susana também tem a pele alva, olhos azuis e cabelos negros. — disse Lúcia arfando.
- Vou sair daqui, pois não tenho estômago para isso.
…
Depois de muito trabalho a lança estava pronta, era pesada feita de ouro branco, e a ponta era de um dente de um dragão, afinar isso não foi nada fácil. E Lúcio chorava enquanto fazia isto, ele sabia que não deveria ter dito aquelas coisas. Seu pai era um homem íntegro, o que lhe atordoava era algumas lembranças do passado. Lúcio se lembrava de todas as vezes que não pode brincar com seu primos e irmã, de todas as brincadeiras de pique que ele só pôde olhar, de todas as reuniões na casinha árvore que não pode ir, pois sua mãe o proibia de subir em um grifo com medo de que ele caísse, lembrou-se de todas as vezes que não pôde nadar com eles, das danças que era incapaz de fazer, lembrou também que nunca pôde lutar, pois todos tinham medo de que ele caísse e se machucasse, machucando-o ainda mais. Lúcio desde pequeno sempre quis acompanhar o pai em suas aventuras marítimas mas perto do timão não havia cadeira e ele ficava cansado de tanto ficar em pé, e quando ia assim mesmo, caía quando o navio virava, ou então ia para um dos quartos do Peregrino da Alvorada e passava toda a viagem lá. O tempo ia passando e ele ia sendo sempre substituído por Carlinhos, que tomava toda a atenção de seu pai, seu ciúme nem era por Roberta, pelo menos ela era sua irmã, mas Carlos era apenas seu primo e tinha um pai, ele queria revidar mais Caspian não dava muita atenção a ele, só para Susana. Era triste para o garoto, quando seu pai tomava sua irmã e seu primo nos braços e os rodava no ar. Robert era muito preocupado, pois Lúcio sempre sentia muitas dores na perna e por isso tratava o filho como um ser tão frágil, ele não sabia como lhe dar com a situação e deixava tudo nas mãos de Lúcia. Lúcio não se afastou por que queria, mas porque as circunstâncias o obrigaram a ficar longe de todos, agora já era tarde demais, a adolescência não é nada fácil, e para o garoto que guardou muitas mágoas e raiva de si mesmo essa fase se tornava impossível.
- Por que eu sou desse jeito? Por que faço os meus pais sofrerem? Eu sou um estorvo na vida deles.
Era muito difícil para o jovem, o único amigo fiel que tinha era Edward, mas ele achava que o primo só era seu amigo por ser mais novo. Todos negavam, mas Lúcio percebia que todos o tratavam com diferença. Tudo o que ele queria era montar um cavalo, pegar uma espada e sair por aí... mesmo que não houvesse nenhum perigo, só em saber manusear bem um arma como sua prima Liliana e seu e seu irmão Ben já seria uma vitória. Então o jovem limitou-se a construir armas para descontar toda a sua frustração.
- Precisa de ajuda com essa lança meu jovem guerreiro?
- Não senhor...
- Miraz, ao seu dispor.
- Não sou um guerreiro.
- Mas tem cara de vencedor, ainda mas construindo essas armas, você deve conhecê-las muito bem.
- Sim eu conheço.
- Aceita um duelo majestade?
- Ninguém nunca me chamou para um duelo, e nem de majestade. — disse com um sorriso tímido.
- Se não souber usar essa arma eu lhe ensino. Posso ser o seu melhor amigo, se você quiser.
- Ninguém nunca me tratou tão bem como você Miraz, acho que você será meu braço direito. Gostei de você.
- Assim eu me sinto lisonjeado mestre.
- Mestre... haha você é uma piada.
- E você vai morrer... de tanto rir.
- Nunca o vi aqui. Mas já confio em você.
- Não fale de mim para ninguém, pois viveremos muitas aventuras que ninguém poderá saber.
- Conte comigo meu...
- Súdito, servo e amigo. — disse Miraz apertando sua mão.
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