Notas iniciais
Helou, pipous ♥ Nyree e seus P.O.V.S. estão finalmente de volta :D Lembrando que o verdadeiro reencontro não é esse, minha gente. Não me apedrejem.. rs :P Boa leitura! *-*

NYREE

— Hana, você está tecendo errado, toku aroha.

— Desculpe-me, Nyree.

Balancei a cabeça, rindo e afagando a bochecha de Hana.

— Não precisa se desculpar – segurei sua mão, indicando uma das pontas da tapeçaria – gesticule mais devagar. Com leveza... como se fosse acarinhar um coala,

— Ah, entendi – ela assentiu, animada.

Observei-a tecer suavemente os fios na tapeçaria, os dedos dançando na direção do tecido, como era nossa maneira de costurar com magia.

Mamãe nos observava, sorrindo de ponta a ponta. Tauwaenga parecia bem entediado, olhando distraidamente nossa mãe afagar os cabelos de Ano.

— Onde está papai? – ele bufou, deitando na esteira.

— Foi ajudar na colheita das batatas – resmunguei, fazendo Hana rir e mamãe me olhar com censura – por que não vai ajudar?

Tauwaenga fungou, batendo as pernas no chão como um bebê birrento, o que fez Ano quase chorar de tanto rir.

Ia dizer que ele não era obrigado á morrer de tédio, mas foi nesse exato momento que Miryu, minha prima mais nova, adentrou correndo na cabana.

Ergui-me, atônita, quando vi sua expressão assustada.

— O que houve, Myriu?

Ela colocou a mão nos joelhos, ofegante.

— Eu vi... na entrada... Akahata pediu para alguns de nós verificarmos... cangurus...

— Respirei fundo – segurei seu ombro, confusa – se acalme...

Ela engoliu uma vez, inspirando profundamente. Parecia ter corrido quilômetros.

— Estava na fronteira... vi animais vindo na direção da aldeia. Cavalos – Myriu guinchou – mas não pareciam... cavalos comuns. Corri para avisar Akahata...

Entreolhei-me com mamãe, tensa.

— Acha que podem ser bruxos das Trevas? – minha mãe indagou, preocupada.

— Essa é a suspeita de Akahata. Três cavalos... no meio do deserto... não é nem um pouco comum – suspirou – ele pediu que alguns que se transfiguram em cangurus fossem verificar.

— Quero ir – Tauwaenga levantou na hora.

— Eu também, mama— falou Ano.

— Não, vocês não vão! – mamãe arregalou os olhos, segurando Ano – pode ser perigoso!

— Deixe-os ir também, tia – Myriu sugeriu, fazendo mamãe olhar indignada para ela – não, é sério... Mere e Aka vão também. Nyree pode ir com eles. Vão ficar bem.

Assenti.

— Tudo bem, mamãe. Vou ficar de olho neles.

Mamãe ainda parecia receosa, mas soltou Ano e o colocou no chão.

— Tome cuidado – olhou para minha prima – eu deveria ir também...

— Não queremos chamar a atenção – falei – um grupo pequeno é o suficiente. Só iremos averiguar quem ou o que são esses animais... se algo estiver errado, vamos comunicar Akahata imediatamente... podemos deixá-los inconscientes, de repente. Esperar que voltem á sua forma normal.

— Tudo bem – Myriu meneou a cabeça – Ano, Tauwaenga...

Os dois se aproximaram de nós, enquanto mamãe ainda torcia as mãos uma na outra. Hana também se levantou, nos olhando de modo aflito.

— Voltaremos logo – prometi, guiando Ano e Tauwaenga para fora da cabana, com Myriu na nossa frente.

Naquele momento, eu não fazia idéia do que minha decisão iria provocar.

Mas ao lançar um ultimo olhar para minha preocupadíssima mãe, percebi que ela já desconfiava o que eu viria a descobrir...

Que algo impensável iria acontecer.

—_____________O____________

Já transfigurados, nos posicionamos perto da fronteira de Tokonga.

Para qualquer observador de fora, não passaríamos de uma pequena família de cangurus, com três adultos e dois filhotes.

Mere fingiu petiscar a rala vegetação a nossos pés, embora eu pudesse ver o olhar nervoso da canguru ao meu lado.

“Olhe devagar... estão se aproximando".

Fiz o que ela disse, também me inclinando para a areia e lançando um olhar de esguelha para o horizonte.

Myriu tinha razão.

Embora ainda estivessem longe, era impossível não reconhecer os três cavalos que trotavam lentamente na direção da fronteira.

Apertei o olhar, distinguindo cada um. Eram dois cavalos e uma égua, cada um de uma raça, o que confirmava a suspeita de Akahata sobre não serem animais normais – afinal, três raças distintas, viajando juntas, sem nenhum humano para guiá-las... era quase impossível.

“Estão chegando perto”, olhei temerosa para Ano, que mal parecia perceber a aproximação dos cavalos. “O que faremos?”

“Se eles se aproximarem demais, vou fazê-los adormecer, como você disse. Se forem animais, não vão sofrer dano. E se forem humanos, vão voltar á sua forma em breve.”

Suspirei, sentindo o corpo enrijecer quando um dos cavalos, o maior, de cor negra como carvão, patear cautelosamente defronte para nós.

Os outros dois vinham logo atrás, parecendo confusos. A égua guinchou a cabeça para trás, absorta no nosso grupo.

Mere ergueu a cabeça, vendo Tauwaenga, Ano e Aka recuarem discretamente.

“Se afaste, Nyree”, ela ergueu as patas, dando alguns pulos para o lado, postando-se entre o cavalo negro e a égua castanha.

Antes que eu pudesse obedecê-la, vi o cavalo negro virar a cabeça em minha direção, fitando-me.

Eu teria lido a confusão e o choque no olhar do animal, se eles já não tivessem cegado minha visão sobre qualquer outra coisa.

Os olhos.

Aqueles olhos.

Impossível.

Senti meu corpo paralisar, e minhas patas se contraírem de espanto.

Não podia ser...

O mundo pareceu congelar completamente ao meu redor. Podia ouvir meu coração disparar, batendo violentamente contra meu peito.

“Mere...”

“Saia, Nyree!”

Antes que eu pudesse impedir Mere, ouvi um relincho angustiante, vindo detrás do cavalo diante de mim.

Ele recuou, voltando-se para trás.num átimo.

A égua castanha parecia ter caído num buraco na areia, e os guinchos desesperados vindos dela não eram boa notícia.

Ver sua pata dianteira retorcida confirmou... estava quebrada.

O outro cavalo se debatia contra o buraco, como se tentasse desentalar a companheira dali, e relinchava angustiadamente pata nós.

Eu já tinha visto e ouvido falar de bruxos das Trevas.

E de uma coisa eu sabia... eles não eram.

Muito menos o cavalo negro que me encarava.

“Mere!”, arfei. “Espere!”.

Mas Mere já havia gesticulado na direção deles, e senti meu peito apertar quando os três cavalos desabaram na areia, inconscientes.

“Consegui”, Mere ofegou, baixando as patas.

“Eles não são inimigos, Mere!”, uivei, desolada.

Mere assistiu, surpresa, eu saltitar até o cavalo negro, caído de borco no chão. Aproximou-se devagar, trazendo as crianças consigo, sem compreender meu aturdimento.

“Mas do que...”

Vi a compreensão e o espanto turvarem sua expressão, enquanto passava suavemente as unhas na cicatriz inconfundível no flanco do cavalo.

Foi então que ela confirmou, selando toda e qualquer dúvida, e fazendo-me estremecer, mergulhando-me num torpor que aparentava nunca mais querer terminar.

“Não acredito. È o filho de Ataahua. È o Darel.”

Notas finais
Não, gente. Não é que a Nyree ficou indiferente... a bicha só ficou completamente aturdida... está naquela situação "não-to-sentindo-nada-por-que-to-querendo-sentir-tudo" ^-^ kkkkk Afinal, não e´todo dia que o seu melhor amigo, amor da sua vida e futuro papai da sua filha volta pra casa