Notas iniciais
Eeeeeeeeei pessoinhaaaas (le eu Kathy de Eu, A Patroa e As Crianças *-*) ♪ ♪ NÃO BRIGUEM, PESSOINHAS ♪ ♪ (tá, parei :P kk) Enfim, chega de cantoria desafinada. Eis o próximo capítulo ♥ Boa leitura :D

DAREL

Acordei em uma cabana, sentindo minha cabeça latejar.

Ergui-me da esteira em que haviam me deitado, olhando para o teto com uma mistura fugaz de perplexidade e admiração.

Havíamos chegado.
Eu realmente estava de volta a Tokonga.

Meu coração saltou ao sentir o cheiro familiar e reconfortante de palha e batatas cozinhando ao fogo.

Senti um nó se enrolar em minha garganta, e meus olhos arderem.

Quanta saudade...

E, depois de tantos anos, nada parecia ter mudado. Podia olhar ao longe, para fora da cabana, e ver as mesmas cabanas vizinhas, a mesma areia no centro da tribo, as mesmas crianças correndo e brincando, surgindo pela porta e desaparecendo.

Foi então que meu espanto maravilhado diminuiu, dando lugar ao temor.

O que havia acontecido com Rony e Hermione?

Balancei a cabeça, saindo da esteira e me reerguendo completamente.

Akahata devia estar com eles... eram bruxos de fora e, portanto, passíveis de desconfiança. Eu tinha que avisá-lo que tinham estado comigo o tempo todo.

Além de minha pungente preocupação, outra coisa ameaçou em engolfar.

Nyree.
Nyree tinha estado lá.

E provavelmente me reconhecera.

Um arrepio subiu pela minha coluna. Recordei a expressão aturdida em seu olhar...

Como reagira? Havia mesmo me reconhecido?

E se havia... como se sentira com minha volta?

E – meu coração saltou de novo – por que não havia o menor sinal de Tāwhai em lugar algum?

Eram perguntas que me torturavam por ainda não terem resposta.

Mas eu podia esperar para resolver aquilo.

Primeiramente, tinha que ajudar meus amigos.

Quando fui sair da cabana, porém, quase bati de frente com uma maori alta que estava entrando no lugar.

Era Tuahine... irmã de mamãe.

Vi seus olhos se arregalarem se choque, como se imitassem os meus.

Seus olhos também se encheram de lágrimas, e não quis impedir o abraço aflito que ela me deu.

— Darel...

Ela baixou a cabeça, encostando a testa na minha.

— Tia... – guinchei, sem conseguir acreditar que minha Tuahine estava mesmo ali.

Hau surgiu detrás dela, dando um gritinho histérico e, para nossa surpresa e humor, se jogando para nós em um abraço enorme.

— Ei, querida – Tuahine me soltou, segurando o ombro da filha – deixe seu primo espirar. Ele acabou de acordar.

— Tudo bem, tia – apertei a mão de Hau, que não sabia se sorria ou se imitava um coco com o rosto.

— Darel... tenho tanto para te contar...

Minha tinha lhe lançou um olhar de censura, ao que Hau revirou os olhos e se interrompeu.

— Poderá contar, filha... assim que Darel conversar com Akahata.

Assenti, afagando o ombro da minha prima.

—Nos falamos em breve, Tua. Eu prometo.

Tuahine sorriu, com os olhos brilhando, enquanto eu saía da cabana. em direção á marae de Tokonga.

As pessoas saíam em suas janelas para me observar, aparentando completo espanto e alegria por me verem ali. Quase todos eram velhos conhecidos, mas havia mais maoris em Tokonga do que eu me lembrava.

Quando cheguei à marae, porém, descobri que não tinha visto nem metade dos Tokonga que estavam ali.

Por que quase todos estavam dentro da tenda.

No centro dela, onde todos estavam postos numa multidão circular, estavam Akahata e Rony.

— Rony! – arfei, acenando para ele.

Vi-o sorrir, lançando um olhar significativo para Akahata, antes de se adiantar e rir quando o abracei.

— Você está bem? Desculpe-me... está furioso comigo, não é? – tagarelei, enquanto ouvia risadinhas ao redor.

Para minha surpresa, Akahata não parecia menos humorado.

— Pare com isso, cara – Rony sorriu – estou bem. Já falamos sobre tudo para... o superior – ele estremeceu, e não pude culpá-lo. Para uma pessoa de fora, Akahata poderia parecer um bocado intimidador e régio de início.

Virei-me para o xamã de minha tribo, baixando a cabeça numa reverência.

—Ahau kite koe, Akahata.

— Ahau kite koe… Darel – o sorriso de Akahata dobrou, e senti a timidez me acossar com a genuína satisfação e alegria em seu olhar.

Ahau kite koe – ressoou os presentes.

Meus olhos arderam. Nunca pensei que teria uma recepção tão calorosa e carinhosa, ainda mais depois de tanto tempo.

Rony também baixou a cabeça, e não precisava ser gênio para ver que ele já havia percebido, superficialmente, o que deveria fazer ali. Era como se Weasley tivesse, em poucos minutos, absorvido toda a percepção que Tokonga fornecia.

— Não acho que serão necessários mais detalhes – Akahata falou – sejam bem vindos á Tokonga... – ele me olhou, sorridente – e bem vindo de volta, tama.

— Obrigado, senhor – suspirei, lisonjeado.

— Apenas aguardemos mais um pouco – ele continuou – a nossa jovem hóspede deve estar perto de chegar á marae... Mere foi buscá-la á alguns minutos.

Quando o burburinho descontraído ao redor começou, enquanto Akahata conversava com minha recém-chegada tia, cochichei com Rony.

— Ela está bem? Hermione?

Ele estremeceu, fechando os olhos.

— Quebrou a pat... quer dizer, o braço – Rony fez uma careta – mas disseram que está bem... – ele me encarou – Nyree a curou... ouvi dizer.

Estaquei, pasmo.

— Ela está aqui?

Ele balançou negativamente a cabeça.

Antes que pudesse continuar conversando com Rony, Hua me puxou para o canto, parecendo pular de ansiedade e ignorar a expressão surpresa do meu amigo.

— Eu já o devolvo para você – ela espalmou a mão, nos fazendo rir – mamãe não quer que eu te diga, Darel – ela sussurrou, olhando nervosa para os lados – mas você tem que saber... Tāwhai – enrijeci quando disse o nome dele – pare com isso, é serio – ofegou – vai fazer alguns meses... foi banido de Tokonga.

Meu estomago deu uma cambalhota.

— Banido? – gaguejei – ele não está mais aqui?

— Não – ela confirmou, taciturna – mas ele já estava causando problemas bem antes disso. Nyree e ele já não se bicavam há muitos anos.

Junto da minha instantânea e inadequada satisfação, por saber que Tāwhai já não estava há tempos se dando bem com Nyree, senti meu peito apertar por saber de seu banimento. Nunca teria desejado aquilo para ele, por pior que Tāwhai pudesse ser.

E, por vezes, eu pensava se não teria sido minha culpa. Eu, com meu jeito de tentar desdenhá-lo ou menosprezá-lo... aquilo me incomodava desde minha partida.

Porém, não fiquei muito tempo pensando nisso, já que uma comoção no centro da marae trouxe o silencio de volta á multidão.

Uma moça bonita e jovem adentrou até o centro da reunião.– Akahata... — Mere meneou a cabeça — eu trouxe a garota. Ela está preocupada com os amigos.

Atrás dela, surgiu Hermione.

Meu coração se encheu de alívio ao vê-la bem. Ainda tinha, no braço, uma tala de folhas, mas, fora isso, parecia ilesa.

Vi-a esboçar um sorriso antes de Akahata se erguer e ir até ela, segurando seu ombro. Segurei o riso ao ver o como Hermione parecia pequenina em comparação com ele.

— E eles também estão preocupados com você – ele nos olhou — por que não se junta a nós, Darel?

Aproximei-me, deixando Hau e trazendo Rony atrás de mim.

Bem, isso foi até ele resolver surgir detrás de minhas costas e engolfar a pobre garota num abraço gigantesco.

— Hermione! Você está viva!

Todos deram risadinhas de apreciação.

Ah, aquilo eu podia entender. Aqueles dois eram ume verdadeiro espetáculo.

— Estou, bobão – ela gargalhou, me olhando enquanto Rony a descia de seu colo — parece que Darel tinha razão.

Baixei a cabeça, envergonhado. Tinha sido uma chegada completamente inadequada. Não os culparia se estivessem irritados comigo.

— Foi mal, gente – desculpei-me, sem graça — não queria que nossa chegada aqui fosse tão tensa...

— Bota tensa nisso – Rony resmungou, mas só pude segurar uma risada quando Hermione o acotovelou — o quê?

Akahata gargalhou, simplesmente encantado, o que fez nós três sorrirmos em resposta.

— Acho que nossos jovens hóspedes precisam de um descanso merecido, não é, Darel? Andem, podem se arrumar e aproveitar tudo que a tribo puder lhes dar... pernoitem aqui o quanto precisarem.

Assenti para Akahata, agradecido.

— Obrigada, senhor – Hermione também agradeceu.

— Ahn, é, obrigado...

Akahata gesticulou com a cabeça.

— Bom, é só isso por enquanto. Estão dispensados...

A multidão se dispersou aos poucos da marae, e nós também nos retiramos, nos despedindo de Akahata.

— Darel... você viu Nyree por aqui?

A pergunta de Rony me fez congelar outra vez.

Minha voz estava levemente tremula quando respondi.

— Vi sim... ainda não nos encontramos, mas eu a vi.

Inspirei profundamente, olhando para o céu.

Como aquilo podia ser tão difícil? Nyree estava ali, em Tokonga. Talvez á poucos metros de mim.

Por que a possibilidade de finalmente nos reencontrarmos parecia me assustar tanto?– Ela ainda está namorando o carinha bonitão de antes? Para de me cutucar, Hermione – Rony indagou — tipo, ainda está com ele?

— Não – arfei, afagando meu ombro — não está mais com ele.

— Caramba, então é a sua chance – vi, surpreso, Rony me dar um olhar animado, enquanto Hermione revirava os olhos, como se suprimisse ou a vontade de rir ou a vontade de socar o namorado — vai lá e fala pra ela o que você sente!

— Como se você fosse um especialista no assunto, não é, Rony?

Ai. Aquilo devia ter doído.

Não agüentei quando Rony fechou a cara para ela e recomecei a rir.

— Rony tem razão. É uma boa idéia – comentei, temeroso — mas faz tanto tempo... e se ela não me quiser? E se não nos vermos mais outra vez? Não quero segura-la nem ver Nyree sofrendo...

Hermione me encarou, compadecida, dando-me um sorriso.

— Se você não tentar, então aí sim poderá estar causando sofrimento.

— É verdade, cara – Rony concordando com ela era um acontecimento inédito para mim — mesmo se não for eterno... aproveite cada momento que puder com ela... não faça como eu... eu só comecei a dar valor ao que eu tinha... – ele fechou os olhos — quando quase perdi. Por culpa minha.

Meu coração doeu quando relembrei em que sentido Rony dissera aquilo.

Aquele garoto tinha sofrido o que ninguém merecia sofrer... e, mesmo assim, conseguira encontrar a pessoa certa. Conseguira encontrar o amor na hora em que ele parecia impossível de surgir.

Por que eu não podia fazer o mesmo? Por que eu também não lutar para ter aquela mesma ternura e carinho que havia em seus olhos quando olhava para Hermione?

Se eu não tentasse, nunca saberia.

— Quer saber? – falei, decidido — vocês tem toda a razão. Vou falar com Nyree essa noite... o máximo que pode acontecer é ela dizer "não", não é?

— Ahn, é, tipo isso – Hermione guinchou, parecendo levemente abalada ainda com o comentário de Rony.

— Obrigado... vocês são demais! – arquejei, sorrindo.

Saí correndo em direção á cabana de Tuahine, com a expectativa e a ansiedade girando em espirais dentro de mim.

Com as ordens de Akahata, pelo menos pro hora, percebi que não seria necessário por enquanto. E os conselhos de Rony e Hermione haviam me dado um ânimo completamente novo, que me fez ate mesmo esquecer todo o restante.

Prosseguiríamos viagem em breve.

Mas agora eu tinha algo muito mais importante para concretizar.
E jurei a mim mesmo que não deixaria Tokonga, até que Nyree soubesse o que deveria saber.

O resto eu deixaria nas mãos do Destino.

Notas finais
Então? Comentários? Pedradas? Chutes? P Beijinhos e até o próximo capítulo! *--*