Nyrel - Uma História de Amor

8 Quando As Coisas Começam A Enlouquecer


Notas iniciais
Olá, pessoinhas! Desculpem a demora em postar. Estou sem internet no computador de casa e só estou conseguindo postar no serviço. Sim, ficar sem Internet é um saco. Mas não vou incomoda-los com problemas pessoais, enfim... rsrs Boa leitura! ♥

NYREE

Encontrei Tāwhai no lugar onde havíamos nos conhecido, há quase dois anos.

Aproximei-me do tronco onde ele estava sentado, me posicionando ao seu lado e também me acomodando.

Ele virou o rosto. Qualquer pessoa poderia confundir aquela posição com a de um garoto chorando, mas vi que Tāwhai estava rígido e tremulo de raiva.

— Tāwhai – guinchei, sem graça.

Tāwhai me encarou, com o rosto contraído.

— O que foi? – bufou – vai me dizer também que não sou um... que não sou um de vocês?

Arfei, surpresa.

— Claro que não – pisquei – olha, eu não sei o que deu no Darel...

— Pois eu sei – rosnou Tāwhai – ele deve estar com inveja por que eu sou o melhor aprendiz de Puhu. E acha que é legal poder se transformar num cachorro pulguento e idiota...

Fechei a cara. Tāwhai também estava forçando a barra.

— Não é por isso. Darel gosta de você. Somos amigos, lembra?

— Eu e você somos amigos – fungou Tāwhai – Darel é... bem, ele nunca gostou de mim.

Abri a boca, mas fechei-a no mesmo instante. Bem, aquilo não era verdade, mas também não era de todo mentira. Darel sempre fora estranhamente neutro quando se tratava de Tāwhai.

Aquele chilique que ele dera na cabana fora um episódio inédito até então. Ele nunca fora de ser agressivo com ninguém...

— Olha, acho que ele só está ansioso com a próxima lição. O começo das lições é tão importante... eu vou descobrir o que aconteceu – murmurei – tenho certeza que ele não quis dizer aquilo. Você é um de nós, Tāwhai. É um Tokonga – sorri, tentando animá-lo – e tem talento. Darel sabe disso.

Tāwhai ergueu as sobrancelhas, me fitando de um jeito estranho.

— Sério?

— Sério – respondi, rindo.

Desamarrei um pedaço de fio de minha saia, amarrando-o no dedo de Tāwhai.

— O que é isso? – ele riu baixinho, curioso.

— É um anel de Tokonga – pisquei, brincalhona – enquanto você ficar com esse anel, vai ser um Tokonga como nós. E, um dia, será um animal também.

Tāwhai deu um sorriso enorme, me olhando com os olhos maravilhados.

— Eu nunca vou tirar – ele falou, resoluto.

E então, para minha surpresa, me puxou para um abraço apertado.

— Tāwhai! – exclamei, sorrindo.

— Obrigado, Nyree – ele falou, me soltando, ainda eufórico – bem... quer saber? Acho que posso esperar até me transformar – ele deu de ombros – você tem que aprender essa lição da mudança de forma... se bem que eu já acho sua transformação incrível.

Senti minhas bochechas corarem. Ninguém nunca tinha elogiado tanto minhas transformações.

— Obrigada – suspirei, envergonhada, mas satisfeita.

Porém, algo ainda me incomodava em meio á minha suposta satisfação.

E Tāwhai percebeu o que era.

— Vai falar com ele? – sua voz baixou, evasiva.

Baixei a cabeça, tensa.

— Ele também é meu amigo, Tāwhai – falei, desanimada – por favor... prometa que não vai brigar com ele por causa disso. Por favor...

Tāwhai vincou a testa, ainda irritado, mas revirou os olhos e assentiu.

— Tudo bem...

— Vou fazer com que ele peça desculpas, está bem? – ergui-me – Darel não é assim, Tāwhai. Alguma coisa estranha aconteceu... vou conversar com ele.

Dando um último aceno para Tāwhai, me despedi dele e voltei para a aldeia, decidida á encontrar Darel.

Não foi difícil achá-lo. Darel estava recostado nos fundos de sua cabana, desfolhando violentamente um galho de árvore em sua mão.

Ele mal ergueu o olhar quando me aproximei.

— Darel – murmurei, exasperada.

Darel levantou o olhar em minha direção, mas continuou arrancando as folhas do galho.

— O que foi, Nyree? – seu rosto se fechou – a turma toda e Puhu já estão me odiando, não é? – ele contraiu o cenho – não preciso de mais ninguém me criticando.

Eu não sabia se ficava penalizada com sua expressão desolada ou se explodia com sua falta de noção.

No final, a segunda opção levou a melhor.

— De repente precisa! – falei, aborrecida – Tāwhai ficou muito mal com o que você disse, sabia?

— Ah, então você foi correndo consolar o Tāwhai, não foi?

— Claro que fui! – arfei – o que você disse foi terrível, Darel! Ele já não se sente parte da tribo, e você ainda o lembra dessas coisas!

Darel bufou alto, olhando para baixo.

— Não gosto dele, Nyree. Ele tem alguma coisa que me irrita. E muito – sua expressão se abrandou um pouco – mas... talvez tenha razão. Acho que exagerei.

— Acha? – minha voz tiniu.

Ele levantou a palma das mãos em gesto de rendição.

— Tudo bem, não foi legal – ele resmungou – acho que devo desculpas ao... – ele pareceu por um momento querer taxar Tāwhai de algo pejorativo, mas apenas acrescentou -... garoto.

Ajoelhei-me á sua frente, segurando sua mão.

— O que houve?

— Não sei – Darel sacudiu a cabeça – não sei o que deu em mim, está bem? – ele me olhou, chateado – desculpa por isso.

— Acho que não é pra mim que você tem que pedir desculpa – falei num tom mais brando – sabe que Tāwhai nunca vai roubar o lugar do meu Gêmeo – sorri.

Darel me olhou, finalmente esboçando um sorriso.

— Tem certeza? – ele guinchou, inseguro.

— Claro que não! – ofeguei, rindo — não foi ele que fez o cajado de Akahata voar, foi? E não foi ele que arranhou aqueles dois dingos. Tāwhai é um amigo muito legal – pisquei – mas não é tão legal quanto você.

Mordi o lábio. Não sabia explicar por que diabos gostava tanto daqueles dois encrenqueiros.

E, apesar de gostar muito de Tāwhai, ele não era a mesma coisa que Darel. E, por muito tempo, não entenderia por que.

Darel pareceu um tantinho mais animado. Soltou o galho desfolhado, se levantou e inspirou profundamente, fazendo uma careta.

— Acho que tenho que falar com Puhu.

— E Tāwhai – enfatizei.

— E Tāwhai – Darel girou o olhar, agoniado – vou acabar logo com isso. Não preciso deixar papai e mamãe mais preocupados.

Assenti, sorrindo, antes de abraçar Darel e lhe dar um beijinho na bochecha.

— Sabia que ia fazer isso – apertei-o, antes de solta-lo e encará-lo.

— Acho que podemos dar um tempo – ele mostrou a língua, me fazendo rir, ainda segurando minhas mãos – posso aturar... quer dizer, posso resolver isso com Tāwhai. Se isso te faz feliz, Mōkī...

— Faz – acenei com a cabeça, contente.

Darel sorriu de novo, soltando minhas mãos e deixando os fundos da cabana, correndo em direção ao centro da aldeia, provavelmente para ir á cabana das lições.

Baixei o olhar para o chão, finalmente aliviada.

Alguns minutos depois, Darel e Tāwhai retornaram, agindo muito formalmente um com o outro, o que imaginei ser uma forma de não lembrar o que havia acontecido.

E, por dois longos e ótimos dois anos, aquilo pareceu ter sido esquecido de uma vez por todas. Tāwhai e Darel voltaram a se comunicar e interagir amigavelmente, e nós três avançamos muito da aprendizagem maori, sempre juntos, desde que Tāwhai, aos onze anos, conseguira se transfigurar – para nossa surpresa, num dingo. Ironias da vida.

Estava finalmente achando que os anos seguintes de minha vida seriam maravilhosos. Eu tinha uma família que me amava. Dois amigos extraordinários, que me eram muito queridos. O que mais eu poderia querer?

Aquilo me era suficiente.

Mas não pareceu ser o suficiente para o Destino.

Notas finais
Esse capítulo vai dedicado – embora tardiamente – para nosso querido Alan Rickman, que nos deixou na última semana. Descanse em paz, eterno Snape :’) O que acharam? Que, acham que a treta acabou? Pois a treta nunca acaba, meus queridos... MWAHAHAHAHAHA O_O Beijinhos e até o próximo! :D