Nunca te olvidaré
2 Capítulo 2
Notas iniciais
POV. Pablo
Eu não podia contar, eu não suportaria ver a dor nos olhos da Angie, assim como não estou mais suportando vê-la sofrer desse jeito, mas sinceramente acredito que se contar a verdade será pior. Eu estou tentando, já busquei inúmeras formas de reverter isso, mas a verdade é que não tem solução.
Subi para o nosso quarto, mas parei em frente ao de Luna, entrei, sentei-me na cadeira ao lado do berço e fiquei observando minha pequena dormir, uma onda de dor invadiu meu peito e um nó se formou em minha garganta. Não sabia o que fazer, não sabia se me afastar era a melhor solução ou se ficar era a ideal. Seria covardia deixa-las sem nenhum motivo e além do mais eu não conseguiria ficar longe das duas pessoas mais importantes para mim. Continuei perdido em pensamentos e não percebi o tempo passar.
– Pablo? – Angie sussurrou para não acordar nossa Luna, levantei-me e fui até ela que estava encostada na porta.
– O que foi?
– Você não vem? – Era perceptível a luta que ela travava contar si própria entre voltar atrás ou deixar as coisas como estão (e eu sempre acabava indo atrás também). Eu havia me tornado totalmente dependente daquela mulher muito antes de começarmos a ter um relacionamento.
– Vou. Não vi o tempo passar. E porque você não está dormindo?
– Não estou conseguindo. – Baixou a cabeça – Não sem você. – Disse, sussurrando enquanto fitava o chão.
– Vamos. – Ao sair do quarto envolvi meus braços ao redor de sua cintura e sussurrei em seu ouvido. – Eu te amo, Angie. Te amo mais que a mim mesmo, nunca faria nada para te magoar e espero que você entenda isso. Eu te amo e sempre vou te amar, independente do que aconteça. Me desculpa se ultimamente as coisas tenham mudado, eu não queria isso. Prometo que a partir de agora farei de tudo para que possamos viver tranquilamente.
– Eu te amo. – Jogou-se em meus braços e nos beijamos apaixonadamente.
Assim que Angie adormeceu levantei-me, aquela dor de cabeça havia voltado, aquela maldita dor de cabeça! Eu já sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, era um dos sintomas e o médico já havia me alertado. Mas fazia um tempo que elas tinham passado, pelo visto passaram para voltarem pior.
– Amor? O que foi? – Angie resmungou, tudo o que eu menos desejava agora é que ela acordasse e percebesse que algo estava errado.
– Nada, princesa. Volte a dormir, ok? – Ela virou-se e voltou ao seu sono.
Comecei a me sentir sufocado e a dor apenas aumentava, desci, pois, precisa de um pouco de ar fresco, mas no meio do caminho minha vista foi ficando embaçada, escura, não enxergava nada que estivesse a minha frente e por um momento achei que fosse desmaiar. Tive que me sentar em um dos degraus da escada e esperar que minha visão voltasse ao normal.
POV. Angie
Por uma semana após aquele dia fatídico as brigas sessaram e por um momento, um breve momento, pensei que as coisas haviam se estabilizado, quem sabe não voltariam ao normal?
Acordei mais cedo do que de costume, fiz minha higiene pessoal, organizei algumas coisas que faltavam e pela primeira vez não estava atrasada para o trabalho. Pablo pediu para que eu o acordasse, mas não o fiz, ultimamente ele parece tão cansado... não faria mal dormir mais um pouco. Deixei a Luna com a Olga (No início eu não sabia se seria uma boa ideia afinal ela ainda vive na mansão Castillo, mas minha filha não poderia ficar com outra pessoa que não fosse a Olga, que por sinal é como uma segunda mãe para a Luna e para mim também.) e segui para o On Beat. As coisas estavam mais calmas do que o normal e, pela primeira vez em um mês, senti que tinha minha antiga vida de volta. Segui o dia com as aulas de canto, mas foi então que eu descobri que quando as coisas parecem enfim estarem melhorando, elas na verdade só pioram. Essa normalidade toda era apenas uma amostra, uma amostra da vida que eu não teria mais. Digo isso pois pouco depois de ter finalizado a quarta aula escuto alguém me chamar.
– Angeles! – Escutei sua voz ao longe, era impossível não ter ouvido com o grito que ele deu. – O que deu em você?
– Eu é que pergunto, Galindo: O que deu em você? – E, como vocês provavelmente devem estar imaginando, eu também já estou gritando. – Olha onde nós estamos! – Baixei o tom e gesticulei para que ele notasse que estávamos no meio do zoom com vários alunos nos olhando. – Será que podemos conversar na sua sala, senhor Galindo?
– Não use suas ironias comigo, Angeles. Sabe que eu detesto quando você faz isso. – A ira era perceptível em seus olhos e nos gestos também, nunca o vira daquele modo. Não preciso nem dizer que foi um susto quando ele agarrou meu braço com certa força e me arrastou para sua sala.
– Pablo! O que deu em você? Está me machucando. – Tentava me soltar, mas era quase impossível e a cada tentativa ele apertava ainda mais. – Por favor, me solta! Tá doendo!
– O que você tem na cabeça? Me diz! Eu pedi para que você me acordasse! Eu tinha uma reunião com um patrocinador hoje! – Falou batendo a porta assim que entramos em sua sala.
– A reunião foi adiada!
– Como é? E você não me diz nada?
– Eu deixei um recado para você, mas como sempre você não leu. Eu não fiz nada, Galindo! – Nossas discussões geralmente começavam assim, por conta de uma besteira. E, muitas vezes, eu nem sabia o porquê de estarmos discutindo. Só que Pablo nunca havia chegado a esse ponto, ele nunca havia gritado comigo ou qualquer coisa do tipo. Ele estava tão diferente... – Eu só queria saber o que está acontecendo. – Acho que não falei baixo o suficiente já que obtive como resposta uma das piores coisas que alguém poderia me dizer.
– O que está acontecendo? Você! Você é o que está acontecendo, Angeles! Eu não aguento mais isso, não aguento mais viver assim. Não aguento mais viver com você, Angeles! É isso o que está acontecendo.
– Então me deixa, porra! Vai embora! Sai da minha vida, Galindo. Esquece que eu existo. – Já não conseguia controlar as lágrimas. Já estava indo em direção à porta quando voltei, me aproximei dele e disparei. – E esqueça também que a Luna existe. Vou cuidar da minha filha sozinha, afinal ultimamente é o que eu tenho feito, não é mesmo?
– Como você ousa questionar meu papel de pai, Carrara? – Nesse momento ele fez algo que eu nunca imaginei que poderia fazer alguma vez. Travei na hora sem acreditar que Pablo estava levantando a mão para mim.
– Vai me bater, Galindo? Você seria mesmo capaz de fazer algo tão covarde? O que é que está acontecendo com você? Eu não te reconheço mais, Pablo. Você precisa de tratamento. – Nesse momento ele recuou visivelmente atordoado e apoiou-se em sua mesa.
– Angie, eu... Me desculpa... Eu não queria. – Ele se enrolava nas palavras, mas eu já não queria escutar. Depois dessa não tinha mais volta. Não tinha.
– Olha o que você fez comigo, Pablo. Olha o que você fez com você. – Ele ainda estava atordoado com o que acabara de acontecer, porém, me aproximei e desferi um tapa em seu rosto. – Faz um favor para mim, para nós dois: nunca mais me procura. Eu te odeio. – Sai correndo da sala e esbarrei no Beto que gritava meu nome. Eu não queria ver aquele homem nunca mais.
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