Nunca te olvidaré
3 Capítulo 3
Notas iniciais
POV. Pablo
Assim que Angie saiu minha visão começou a escurecer. Sentei-me em minha cadeira, isso não devia ter acontecido, na verdade eu não sei o que aconteceu ao certo, mas me descontrolei e quando percebi... eu realmente não sei o que houve, estou confuso. Por um momento não consegui comandar meus pensamentos e movimentos, parecia que havia outro alguém me controlando, foi uma sensação terrível que acarretou nisso. “Isso” que eu não faço ideia do que foi.
– O que aconteceu aqui? – Falou Beto entrando na sala, despertando-me de meu transe. Interrompendo suas inúmeras perguntas ao ver que eu não me encontrava bem. – De novo isso? Você está ficando pior a cada dia, meu amigo. Devia contar a Angie.
– Nós já conversamos sobre isso, Beto. Angie não vai ficar sabendo nunca e se souber, não vai ser agora. Assunto encerrado.
– Está bem, se é assim que você quer, mas saiba que eu sou totalmente contra..., mas o que houve entre vocês? Acho que todo o stúdio já deve estar comentando.
Eu não falei nada, apenas recostei-me em minha cadeira, fechando os olhos. Eu estava cansado daquela situação e a tendência era apenas piorar, a doença vai se agravar isso é óbvio e eu não sei o que devo fazer quando outro ataque desses surgir.
– Beto?
– Quê?
– Você é uma das únicas pessoas em quem confio...
– Já vi que não vou gostar do rumo que essa conversa vai levar.
– Apenas me escuta, tudo bem? Eu não posso continuar no On Beat, eu preciso me afastar por um tempo, ou quem sabe não volte mais, e nesse tempo eu quero que você tome a frente do stúdio. Não adianta rebater, Beto, eu já decidi. Tenho que me afastar, eu não sei o que vai acontecer comigo daqui para frente, eu não sei mais quanto tempo eu tenho, posso estar bem em um dia e no outro... você é a pessoa indicada.
– Eu tenho que pensar, Pablo. Eu... está bem! Mas só por um tempo, o tempo que você vai se tratar.
– Essa doença não tem tratamento, Roberto! Vocês chamam de “tratamento” o que eu chamo de “querer atrasar o inevitável”, eu estou com meus dias contados, já aceitei isso e quero que você também entenda. Também quero que você me prometa uma coisa: que vai cuidar da Angeles e da Luna para mim e que quando minha filha crescer você diga que independente de qualquer coisa eu sempre a amei e amarei.
– Para com isso, Galindo! Para de se despedir.
– Prometa, Beto.
– Você não precisa se preocupar enquanto a isso, Angeles é como uma irmã para mim e eu sou padrinho da Luna.
– Então promete.
– Eu prometo!
POV. Angeles
Eu não sabia se isso era realmente uma boa decisão, mas já havia falado com a Camila e expliquei tudo rapidamente, passei em casa e arrumei as malas, pegando apenas o essencial. Depois de hoje, por mais que eu ame o Pablo, não posso continuar. Segui em direção à mansão Castillo, embora não estivesse totalmente “recuperada”, assim que cheguei Olga notou que havia algo errado e me encheu de perguntas, perguntas essas que eu não respondi.
– Olga, por favor, eu só vim pegar a Luna.
– Eu quero saber o que aconteceu, Angie, olhe para você! Ainda vai insistir que está tudo bem? E que história é essa que você e a Luna vão viajar?
– Mamãe? – Escutei aquela voz que me dava uma ótima sensação, apesar de tudo.
– Oi, minha princesa. – Peguei-a no colo e abracei-a.
– Para onde vocês vão, Angie? E o Pablo?
– Ele não vai. Muito obrigada, Olguinha. – Dei um beijo em sua bochecha e saí. Por insistência de Olga, Ramallo me levou ao aeroporto e de lá parti rumo ao Brasil.
Foram duas horas e meia fatídicas de viagem, Luna dormiu a maior parte para o meu sossego, pude colocar as ideias no lugar, mas mesmo assim ainda não sabia se estava tomando a melhor solução ou apenas fugindo de meus problemas, meu problema na verdade. Eu já havia colocado um fim em nosso relacionamento (cada vez que penso nisso um nó se forma em minha garganta, mas não vou chorar, não na frente de Luna), não sei qual será sua reação e sabe do que mais? Eu não estou nem aí.
Desembarcamos e não demorou muito para que Camila nos avistasse e saísse correndo em nossa direção.
–Ai meu Deus! Como eu senti falta de vocês! – Falou, quase arrancando a Luna de meus braços. – Como você está grande, pequena! E você – apontou para mim e fez o seu melhor olhar intimidador. – Quero que me conte tudo, não pense que vai escapar.
– Eu já sabia, mas primeiro tenho que ir no hotel.
– Hotel? Vocês não vão ficar em hotel, vão ficar na minha casa e assunto encerrado.
– Tudo bem.
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