Nunca te olvidaré
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Eu cansei, Pablo! Estou cansada de tudo isso! Eu não quero mais, não dá mais! – Falei, já incapaz de controlar as lágrimas e o tom de voz.
– Por favor, Angie... Vai acabar acordando a Luna. – Ele não estava satisfeito com a situação e isso era perceptível, mas nunca fazia nada o que me irritava ainda mais. Não gritava, não se descontrolava, não rebatia... Apenas me escutava e se mostrava cansado.
– Eu te amo, mas desse jeito não tem condições de continuar. Cadê o Pablo que eu conhecia? Onde está aquele antigo Pablo, o meu Pablo? – Perguntei em um tom mais baixo, me deixando cair no sofá da sala de nossa casa.
– Eu continuo aqui.
– Não é o que parece...
Me chamo Angeles Carrara e sou professora de canto no On Beat stúdio e há quatro anos me casei com Pablo Galindo, atual dono e também professor do stúdio, vocês já devem ter conhecimento de boa parte do meu passado, mas vou contar coisas que vocês ainda não sabem. Desde que o Antônio morreu muitas coisas aconteceram, uma delas é que Pablo comprou o On Beat e, com o crescimento do Stúdio, abrimos mais três outros: um no Brasil, outro na Itália e na França. As coisas não podiam estar melhores nesses últimos anos, apesar de um ou outro acontecimento tudo ia o melhor possível. E depois de dois anos de casados tivemos nossa primeira filha, a Luna, eu não podia estar mais feliz e era notório que Pablo também, ele vivia para nós duas, porém, claro, também vivia para o On Beat, mas as coisas nem sempre são um mar de rosas, não é mesmo?
Acontece que há mais ou menos um mês e meio as coisas despencaram, meu “castelo” desabou e aquela vida tão maravilhosa de um momento a outro parecia nunca ter existido. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas algo estava errado e muito. Pablo não tinha tempo mais, não parava em casa, muitas vezes esquecia compromissos no On Beat, tornou-se mais ausente e recluso, nossas conversas eram poucas e isso quando nos víamos. Eu sentia tanta falta daquele Pablo, do meu marido, até Luna estava sentindo e isso era o que me deixava mais triste e inconformada, ela também era filha dele, caramba! Se ele estivesse tendo problemas comigo (problemas esses que eu não fazia ideia) a nossa Luna não tinha nada a ver com isso. Fosse o que fosse ela não era a culpada. Obviamente as discussões se tornaram constantes, essa é um exemplo, mas o que aconteceu? Simples, Pablo saiu há três dias dizendo ter que viajar urgente para tratar alguns assuntos no “Na Batida” o stúdio que fica no Brasil e não havia entrado em contato nem para avisar que havia chegado e estava bem e isso, claro, me deixou preocupada. Quando ontem enfim consegui entrar em contato com Broduey (que se tornou o diretor do Na Batida), fiquei sabendo que meu digníssimo esposo não havia ido para o Brasil e que Broduey sequer havia mencionado problemas no Na Batida, muito pelo contrário, as coisas estavam ótimas. Agora é aquela parte onde vocês perguntam-se onde raios estava o senhor Galindo, não é? Eu também gostaria muito de saber.
– Eu não quero brigar, Angeles... Vamos parar, por favor!
– Você tem outra não é? – Falei e as lágrimas voltaram a cair sem que eu percebesse.
– Como é?
– Você escutou muito bem o que eu falei, você tem outra! Seja homem, Galindo e admita! Fale de uma vez por todas e acabe logo com isso!
– Isso que você está falando é um absurdo! – Ele começou a se exaltar. Finalmente. – Eu nunca te trairia, Angeles. Nunca!
– Então me falar por favor o que é que está acontecendo!
– Nada, não está acontecendo nada!
–Ah, vá a merda, Galindo. – Levantei-me e subi para o quarto batendo a porta em seguida.
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