Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
74 Só quero entender
Notas iniciais
No capítulo anterior (Isabella’s POV)
― Eu estou grávida.
Cobri minha boca com minha mão trêmula, contendo um soluço ao cair em mais lágrimas e murmurei dentre meus dedos um pedido de desculpas quando Edward não disse nada, estava pensativo, distante demais.
― Eu sinto muito ― repeti, minha respiração presa na garganta.
― Por que está se desculpando? ― ele se aproximou e suas mãos seguraram as minhas ― Por que está se desculpando, minha menina? ― ouvi sua voz aveludada, pela primeira vez delicada ao se dirigir a mim e eu solucei, caindo em lágrimas ao ver seus olhos.... Ah, seus olhos... de repente brilhavam, emocionados..., e seus braços me seguraram, quando meu corpo falhou.
Senti suas mãos deslizarem por minhas costas e segurarem-me com força quando seus lábios tocaram minha testa. Segurei sua camisa e encostei-me ali em seu peito, encolhendo-me quando outro trovão ecoou pela sala, mas sabendo que ali em seu abraço eu estava protegida, de tudo e todos.
Notei as batidas de seu coração calmo, encostada em seu tórax e de repente senti como se estivesse em um sonho, seu perfume era tão inebriante e tinha o poder de me acalmar.
― Eu estava..., ainda estou com tanto medo ― sussurrei contra a pele de seu pescoço, meus dedos apertando o tecido de sua camisa.
― Não precisa mais ter medo ― ele falou contra meus cabelos, no alto de minha cabeça, e sua voz de veludo era tão doce, tão cheia de ternura... ― Eu te amo tanto ― afastei-me apenas o suficiente para olhar em seus olhos e percebe-los levemente avermelhados, contendo as lágrimas sem realmente conseguirem.
― Então por que Edward? ― murmurei, meus lábios tremendo com as palavras, minha visão turva. ― Por q... ― sua boca tomou a minha para si, não permitindo que eu falasse mais.
Aquilo me paralisou por alguns segundos e então permiti o beijo, deixando meus dedos tocarem seu tórax, tentando ter a certeza de que ele realmente estava ali. Mais lágrimas caíram quando ele me abraçou forte, deixando-me sem ar, sem forças para resistir a sua carícia. Respirei contra seus lábios e Edward voltou a moldar sua boca na minha, com delicadeza, cuidado, sem presa, enquanto eu me deliciava com seu gosto. Meu coração descontrolado, minha pele arrepiada, minhas mãos trêmulas.
Eu sabia que tudo aquilo era real, por mas que parecesse só mais um de meus sonhos, lembranças.... Era real. Mas era uma realidade com prazo de validade. Tinha consciência disso, que aquele momento, que aquele beijo tão doce era uma meia verdade. Uma meia verdade temporária, que provavelmente amanhã iria se desmanchar como uma nuvem de açúcar na chuva. Mas até lá, eu poderia viver um pouco disso, poderia permitir a mim mesma viver esse conto de fadas, mesmo que seja apenas por alguns instantes...
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Isabella’s POV
Eu mantinha os olhos fechados já há algum tempo, finalmente conseguindo respirar com calma, sentindo seu braço ao redor de minha cintura e a ponta de seu nariz roçar em minha nuca, traçando um caminho até meu ombro, onde ele depositou um beijo delicado.
Não conversamos muito... Edward me convenceu que eu precisava descansar, tinha razão. Depois disso não disse mais nada, talvez achasse que eu tivesse caído no sono ou talvez o silêncio fosse a melhor opção para não estragar aquele momento. Ouvi quando respirou fundo em meus cabelos e um trovão ecoou parecendo fazer o prédio balançar, encolhi-me e seu abraço se apertou ao meu redor.
― Eu estou aqui ― sussurrou e sorri, permitindo que ele entrelaçasse seus dedos nos meus.
Não sei quanto tempo se passou, acho que cochilei por alguns minutos... Não sei bem. Sei apenas que o barulho da forte chuva que caía lá fora tinha se atenuado, apesar de ainda ouvir alguns trovões ao longe.
Estávamos apenas adiando as coisas, nenhum de nós queríamos estragar aquilo, destruir aquela sensação tão boa. Sentia-me flutuando em seus braços, deleitando-me com seu perfume no travesseiro em que estava deitada. E então, lentamente senti sua mão soltar a minha e com cuidado se afastou, mas continuou ali ao meu lado. Permaneci com os olhos fechados, mantendo minha respiração calma, deixando que ele acreditasse que eu estava dormindo, imaginando que Edward deveria estar mesmo muito distraído para acreditar que eu realmente estava em um sono profundo. E entre o som abafado da leve chuva que caía ouvi o toque do celular, notando a cama balançar suavemente quando ele se levantou com cuidado, seus passos seguindo para a escada.
Abri os olhos, esticando meus braços, respirando fundo e sentei-me, alisando a blusa de moletom amassada em meu corpo, antes de levantar e caminhar até a grade do mezanino. Vi Edward de pé na frente de uma das vidraças, de costas para mim, não era uma distância tão grande do lugar onde eu estava e sei que não devia... Mas me concentrei em sua voz baixa, não podendo ouvir tudo, apenas algumas palavras:
― ...Ok... Você está bem?... É complicado... ― algumas palavras inaudíveis... ― Fico preocupado... Promete?... Até logo.
Sim, com certeza era ela. Ele estava preocupado com ela, talvez quisesse estar lá com ela. Talvez...
E como se soubesse que eu estivera ali bisbilhotando Edward se virou, seus olhos me encontrando no segundo andar, então suspirei baixo e dirigi-me a escada, descendo até ele.
― Eu te acordei? ― aquele par de esmeraldas me olhou gentilmente e tentei sorrir, negando com a cabeça.
― Senti um pouco de sede ― menti, aproximando-me e Edward fez sinal para que seguíssemos até a cozinha.
Estava escuro lá fora, mas não acho que já esteja tão tarde, não devia passar das seis horas.
― Sonhou com alguma coisa? ― perguntou, então tive a certeza de que havia cochilado por alguns minutos ― Você falou enquanto dormia ― ele explicou e no mesmo momento senti meu rosto esquentar.
― O que eu falei? ― quis saber, enquanto o via pegar e me entregar o copo com água.
― Nada de mais ― disse e vi um breve sorriso em seus lábios. ― Está com fome? ― neguei com a cabeça, antes de beber um gole de água e encará-lo, então ele continuou sabendo que eu não desistiria. ― Falou meu nome, algumas palavras desconexas... Murmurou sobre estar confusa.
― Bom, acho que você já sabia disso ― afirmei, vendo-o se aproximar, porém ao mesmo tempo a distância entre nós aumentava.
Ele estava ali, tão perto e tão longe.
Deixei o copo sobre a bancada e virei-me para Edward, sentindo seus dedos tocarem meu queixo e deslizarem pela lateral do meu rosto, porém quando afastaram uma mecha do meu cabelo, algo em mim pareceu crescer... borbulhar.
Tudo foi tão rápido que quando percebi seus dedos seguravam meu pulso fortemente e minha mão estava a centímetros do seu rosto.
― Não vai me bater ― seu aviso soou baixo, mas não era ameaçador, sua voz era leve, e meus dentes doeram com a força com que os apertei, enquanto via naquele exato momento todo meu conto de fadas se desmanchar, reconhecendo aquilo que fervia em mim: era raiva.
― E você não vai me tocar do mesmo jeito que tocou ela ― avisei, lembrando-me da cena ao entrar no hospital, do modo como ele afastou a mecha loira do cabelo dela.
― Como pode achar que sou capaz de tratar vocês duas de alguma forma parecida? ― perguntou baixo, o aperto de seus dedos em meu pulso se tornando mais suave, mas seus olhos verdes ainda eram indecifráveis.
― Porque somos parecidas ― as palavras foram sussurradas e respirei fundo, encarando a realidade ali. ― Somos duas mulheres apaixonadas por você... E você... você ama as duas.
Eu vi uma breve expressão de dor passar por seu rosto e seus dedos seguraram minha mão com suavidade, levando-a até seu peito, onde mesmo sobre o tecido de sua camisa senti as batidas calmas de seu coração.
― Houve um dia que realmente pensei estar apaixonado por ela, mas então eu te conheci, Isabella ― o silêncio reinou por alguns segundos, seu coração permanecia calmo, muito diferente do meu. Ouvi-o respirar e então falou, com uma voz clara: ― Eu nunca amei a Tanya. Vocês duas ocupam lugares muito diferentes em minha vida.
― Sério? ― a pergunta escapou e deixei que minha mão escapasse de seus dedos, senti-lo me deixava atordoada ― O que ouvi todos dizerem é que estivemos exatamente no mesmo lugar..., na sua cama.
Edward fechou os olhos por alguns segundos e recostou-se na bancada, pensativo, antes de fitar o chão, mantendo-me longe do que quer que houvesse em sua expressão ou em seu olhar.
― Se você for se comparar a cada mulher com quem transei na vida, então teremos um problema.
Um pequeno sobressalto balançou meu corpo com o susto ao ouvir seu tom de voz e o jeito como ele resolveu falar naquilo, no mesmo momento sentindo mais uma onda de medo e inconscientemente meus pés caminharam alguns passos para trás, então vi a culpa no rosto de Edward quando ele suspirou e veio até mim, pegando minhas mãos.
― Desculpe-me ― pediu, seus dedos segurando os meus e seu dedão acariciando as costas de minha mão. ― O que quero dizer é que... Sim, Tanya esteve na minha cama, assim como muitas outras. Mas isso foi antes de te conhecer ― explicou e evitei seus olhos, encarando a barra da manga do moletom que eu vestia, tentando me manter firme. ― Eu tive muitas mulheres, mas sabe... Sempre fui e sempre serei apenas de uma. Eu sou seu, Isabella ― sua voz soou firme e não pude evitar olhar em seus olhos, procurando ali qualquer sinal de que suas palavras não fossem totalmente verdadeiras, mas não achei... Vi apenas paixão e talvez um resquício de angústia.
Desvencilhei minhas mãos das suas e as levei até seus ombros, permitindo que meus dedos deslizassem a caminho de seu pescoço, trazendo-o para mim, ficando na ponta dos pés para abraçá-lo. Minhas lágrimas molharam sua camisa, mas permaneci ali, presa em seu peito por um bom tempo.
― Você é tão instável ― murmurei e ele não ficou surpreso, nem confuso, pois sabia que eu tinha razão.
Em um momento era frio e rude, e então em seguida se declarava a mim.
― Eu não quero te machucar..., te magoar de novo.
― Sou eu quem devia estar dizendo isso, Edward.
― Sabemos que isso não é verdade ― falou mantendo os braços firmes ao meu redor, e distanciei-me apenas o bastante para olhar em seus olhos, enquanto o ouvia assumir toda a culpa para si. ― Concordei em me afastar, eu quis isso... Mas não quero mais.
― Então por que continua se afastando? ― perguntei e seus olhos prenderam os meus por alguns segundos, antes de seus lábios tocarem os meus, de repente, inesperadamente. ― Edward...
― Não Isabella, não ― ele me impediu de quebrar o beijo, voltando a moldar sua boca na minha com doçura. ― Eu preciso de você ― sua voz não passava de uma súplica e senti meu coração perder uma batida, enquanto ele murmurava cada palavra contra meus lábios. ― Preciso fazer amor com você... eu preciso...
Suas mãos seguraram minha cintura e quando sua boca tornou a tomar a minha seu desespero foi evidente, junto com sua respiração oscilante. Edward tirou a camisa que usava e ergueu-me, colocando-me sobre a bancada da ilha, segurando meus joelhos e encaixando-se entre eles. Beijando-me com um pouco de pressa, seus dedos entrando sob o moletom e o vestido que eu usava.
― Preciso sentir você.
― Eu também ― sussurrei em meio a nosso beijo, gemendo baixinho ao sentir seus dedos traçando um caminho pela parte interna de minha coxa, passando por minha cicatriz, fazendo-me estremecer e suspirar em seus braços, enquanto sua outra mão desabotoava a sua calça com facilidade.
― Isabella... ― chamou-me e abri os olhos, fitando as duas esmeraldas a minha frente, segurando seu rosto em minhas mãos.
Senti seus dedos afastarem minha calcinha e então ele estava dentro de mim.
Arfei baixo e esbarrei a mão no copo ali perto, assustando-me com o som do vidro se espatifando no chão e Edward me segurou forte.
― Tudo bem ― falou baixo, para que não me preocupasse com o copo, e senti ele se movendo lentamente em mim, suas mãos dando apoio às minhas costas.
Gemi baixinho sentindo ele me completar, sentindo meu corpo se contrair a cada investida dele e gemi contra sua pele, deliciando-me em seus braços. Mas ainda sentindo a dor em meu peito, a cada beijo, a cada onda de prazer, fazia com que eu me sentisse mal e sabia que ele também sentia aquilo. Ele puxou o moletom que eu usava, deixando-me apenas com o vestido de manga curta, suas mãos deslizando pelo meu corpo sob o tecido, seus dedos massageando meus seios, enquanto balançávamos a bancada, a cada estocada, a cada vai-e-vem de seu corpo. Até que fui embalada em seu abraço, os dedos dos meus pés se contorcendo com a sensação da chegada do ápice de meu prazer e um gemido alto escapou por minha boca, deixando que Edward me tivesse para ele, assim como eu o tinha para mim.
Respirei fundo contra sua pele, estávamos ofegantes, ambos levemente suados, retribui seu beijo doce, sentindo-me fraquejar, com leves tremores percorrendo minhas pernas, depois de sentir cada músculo de meu corpo se contrair de prazer.
― Edward ― murmurei e seus olhos encontraram os meus.
Ele me beijou e então se afastou, passando um braço por trás de meus joelhos, levantando-me sem muito esforço e carregando-me até o quarto.
Então estava na cama com ele mais uma vez e por mais que eu tentasse, não conseguia parar de sentir como se tivesse acabado de cometer um grande erro, mesmo que aquele erro parecesse a coisa mais certa, pelo menos naquele momento, enquanto ele me beijava tão delicadamente e eu mal conseguia conter o sorriso em meus lábios. Senti seus dedos deslizarem por cima do meu vestido, passando por entre meus seios, seguindo por minha barriga e segurei sua mão ali em meu ventre. Edward deixou que o peso de seu corpo caísse ao meu lado na cama, mantendo-se apoiado em seu cotovelo, ainda parcialmente sobre mim, enquanto seus dedos acariciavam suavemente meu baixo ventre e seus olhos admiravam cada detalhe em meu rosto.
― Tudo bem? ― sua voz não passava de um sussurro e apenas assenti, recebendo mais um beijo tão doce, que me fez suspirar.
Houve um minuto de silêncio e então ele voltou a falar: ― Está com mais ou menos... cinco semanas ― ele continuou com seu tom baixo, seu olhar se fixando no meu e assenti.
― Terminando a quinta semana.
― Quando descobriu?
― Acho que há uns 10 dias, ou mais ― seus dedos paralisaram em minha barriga por alguns segundos e então continuaram.
― Há quase duas semanas ― Edward parecia pensativo e sua voz soava rouca, porém carregada de ternura. ― Por que demorou tanto para me contar?
― Você sabe o porquê ― murmurei. ― Eu já disse... Estava com tanto medo.
― Medo de mim? ― indagou incrédulo e sua mão subiu até meu rosto, acariciando levemente minha bochecha, admirando-me.
― Imaginei até que você não iria querer me ouvir, que você não se importaria...
― Isabella, como eu poderia não me importar com você, como não me importaria com o nosso filho ― suas palavras me surpreenderam mais do que deviam e sua calma fez meu coração se suavizar.
“nosso filho”
Aquilo soava tão estranho aos meus ouvidos, mas era verdade e eu sorri inconscientemente, sentindo uma tranquilidade tão grande ali em seus braços, a qual fez minhas pálpebras pesarem sobre meus olhos e seus lábios roçaram nos meus levemente.
― Como descobriu?
― Eu... eu comecei a passar mal ― recordei-me, deliciando-me com aquela paz que pairava no quarto, as ondas de sono chegando lentamente.
― O que sentiu? ― perguntou e respirei fundo, virando-me de frente para ele, deitando-me de lado e acomodando-me melhor, sentindo sua mão deslizar pela minha cintura até minhas costas.
― Senti tonturas, fraqueza, náusea, ― pensei um pouco e continuei ― muita dor de cabeça... Tive tanto medo ― falei baixo, tentando manter meus olhos abertos ― Pensei que pudesse.... que eu pudesse estar doente de novo ― vi dor em seu olhar e queria fazer algo para que aquilo desaparecesse. ― Foi quando decidi ir até Alec e ele ficou bem preocupado... fiz vários exames de sangue e como ele marcaria uma tomografia é de praxe pedir...enfim, então veio a surpresa.
As pontas de seus dedos voltaram a deslizar por meu rosto e permiti que meus olhos se fechassem, era como se meu corpo flutuasse.
― E os outros resultados? Você está bem?
― Estou. Isso explicava praticamente tudo ― respondi, abrindo os olhos para olha-lo, mas tornando a fechá-los, porque minhas pálpebras pareciam pesar uma tonelada. ― Tudo se agravou, a hipoglicemia, quedas de pressão... tudo por causa.... ― respirei fundo, ainda era difícil falar, aceitar que realmente era verdade ― Explica praticamente tudo.... ― perdi as palavras, sonolenta.
Ouvi Edward rir baixo e ao tentar, novamente, abrir os olhos tive apenas o vislumbre de seu sorriso torto que eu tanto gostava.
― Vem cá ― falou baixo e esforcei-me para conseguir olhá-lo, vendo-o deitado ao meu lado e troquei meu travesseiro pelo seu tórax nu, deitando em seu peito, aconchegando-me ali, deliciando-me com seu perfume e com a temperatura de sua pele, sempre tão quente. ― Amanhã conversamos mais ― sussurrou e sabia que ele ainda sorria.
Senti o edredom, que estava sobre minhas pernas, sendo puxado até a altura de meu ombro, depois disso a última coisa que percebi foi a voz rouca e abafada de Edward:
― Descanse, minha menina.
...
O relógio marcava dez e meia da manhã e tentava me convencer que ele com certeza estava errado, eu não podia ter dormido tudo isso, a última vez que olhei o relógio ainda eram sete horas da noite. Bom, se acordei em algum momento, realmente não me lembro. Olhei ao redor e levantei-me, indo até o banheiro, lembrando-me de ontem... da breve discussão, do que fizemos na cozinha e suspirei, encarando meu reflexo no espelho logo acima da pia. Meu rosto estava corado e acabei rindo disso, antes de me despir e entrar sob a água morna do chuveiro, mas meu sorriso logo se desmanchou ao me recordar que ainda havia um abismo entre mim e Edward, que me fazia estremecer, sem saber como agir, o que esperar.
Então quando desci as escadas e o vi na cozinha, meu coração simplesmente disparou e minhas pernas paralisaram, mantendo-me ali parada sobre o penúltimo degrau de ferro. Tínhamos feridas muito longe de cicatrizarem, mágoas que muito provavelmente não seriam superadas tão cedo...
― Já estava ficando preocupado ― sua voz me puxou de volta a mim e vi Edward se aproximar do pé da escada, estendendo a mão.
― Fazia muito tempo que eu não dormia de verdade ― revelei e sua expressão foi de compreensão.
Segurei sua mão e fui puxada com cuidado em direção a ele, não resistindo e permitindo a mim mesma que me entregasse em seu abraço, respirando contra sua pele e alguns segundos depois sua boca encontrou a minha, porém seus lábios apenas roçaram nos meus, de uma forma muito delicada.
― Estou preparando o café, ― informou ― espero que esteja com fome.
― Muita ― murmurei e ele sorriu.
Eu o admirei, vendo-o caminhar até o fogão, para terminar as panquecas. Analisei-o, perguntando-me se Edward sempre teve aquela postura tão imponente, se seus braços e ombros sempre tiveram os músculos tão definidos, se ele sempre ficava tão lindo apenas de moletom e camiseta. Ele parecia tão à vontade, tão confortável, totalmente o oposto de mim, principalmente quando me aproximei da bancada da ilha, meu coração disparando com a recordação muito nítida da noite passada.
― No que está pensando? ― sua voz me surpreendeu e voltei a mim, vendo seu breve sorriso, percebendo que ele notara meu olhar na direção da bancada e senti meu rosto esquentar enquanto me sentava a mesa.
― Você saiu? ― perguntei baixo, vendo duas sacolas sobre a pia, fazendo disso uma desculpa para mudar o rumo da conversa, enquanto o via me servir uma panqueca.
― Pedi para entregarem de uma mercearia aqui perto ― respondeu. ― Mel? ― ofereceu e assenti, pegando a garrafinha de vidro.
Porém quando iria colocar sobre a massa, o cheiro doce do mel me atingiu, fazendo meu estômago se revirar e rapidamente afastei.
― Enjoo? ― perguntou, sua voz carregada de preocupação e apenas balancei a cabeça, sentindo um mal-estar e vi Edward guardar a pequena garrafa em um armário distante. ― E geleia de morango?
Peguei o potinho que ele me oferecia e abri, aproximando para sentir o cheiro com certo receio, mas o cheiro doce de morango me deu água na boca e sorri, espalhando sobre a panqueca e provando a massa.
― Anda sentindo muito enjoo? ― perguntou, sentando-se a minha frente.
― Não desse jeito ― expliquei. ― Senti muita náusea nos últimos dias, mas não enjoo assim.
― Precisamos fazer uma lista, começando com mel... ― ele foi interrompido pelo toque do seu celular. ― Já volto ― falou baixo, levantando-se.
Mastiguei mais um pedaço de panqueca e bebi um pouco de chá, não evitando pensar se ele também havia feito uma lista de tudo que causava enjoo na Tanya, se seria ela agora ligando para ele... Porém essa minha ultima dúvida logo foi respondida, quando Edward voltou ainda falando ao celular.
― ... Remarque... Eu cuido disso na segunda, pode confirmar a reunião às nove ― ouvi ele falar. ― Ok, obrigado Ellen ― e então desligou, colocando o aparelho sobre a mesa.
― Tinha alguma reunião de trabalho hoje? ― perguntei.
― Nada importante.
― Não quero atrapalhar.
― Por favor, Isabella ― falou, como se eu tivesse dito algo muito absurdo.
Um silêncio se instalou entre nós, mas era um silêncio confortável, e assim permanecemos por algum tempo. Porém sabia que apenas estávamos evitando o que realmente deveria ser discutido, se é que realmente deveria ser discutido.
― Você foi ao médico, fazer os exames, sozinha? ― perguntou de repente, mas seu tom já demonstrava que ele duvidava disso.
― Não..., Emmett me acompanhou.
Edward pareceu surpreso por alguns segundos e então sua expressão se suavizou, um sorriso sem humor em seus lábios.
― Isso parece justo ― disse por fim, levantando-se da mesa e retirando os pratos.
― Como assim? ― indaguei sem entender e ele balançou a cabeça.
― Não é nada ― falou baixo.
Queria perguntar novamente o que ele quis dizer com aquilo, mas meus pensamentos mudaram de rumo assim que encarei o aparelho celular sobre a mesa e assimilei com o nome de Emmett ainda em minha cabeça.
― Nossa, prometi que ligaria e esqueci completamente... acho que meu celular acabou a bate... ― perdi as palavras quando vi seus olhos me fitando e o sorriso sincero em sua boca, e senti meu rosto esquentar, então respirei fundo ― Emmett deve estar preocupado.
Edward voltou a se sentar à mesa e pegou o celular, discando o número e esperou que chamasse, então passou para mim. A ligação chamou mais algumas vezes e então atendendo, a voz desesperada de Emmett ecoando em meu ouvido.
― Edward?! Eu sei que eu não devia, mas deixei Isabella ir para Londres sozinha e agora não consigo...
― Emmett ― falei e ouvi quando ele respirou aliviado do outro lado da linha.
― Isabella ― pronunciou meu nome lentamente ― Você tem noção de como fiquei preocupado? Está tudo bem??
― Eu sei, me desculpe. Eu estou bem ― informei.
― Está com Edward?
― Sim, estou ― falei vendo o homem ali perto guardando algumas coisas na geladeira.
― Realmente você está bem? ― sua voz era firme e apreensiva. ― Vocês conversaram? Ele está te tratando bem? Fala a verdade.
― Sim, está tudo bem, de verdade ― respondi e ouvi Emmett suspirar.
― Só um minuto ― pediu e ouvi sua voz distante: "Desculpe, eu não vou mais embarcar, será que tem como buscar minha mala?... Ah sim, obrigado."
― Emmett você está no aeroporto?! ― perguntei.
― Oi, sim estou... Estava embarcando para Londres. Não tinha notícias suas!
― Eu estou bem, não se preocupe.
― Ok, então. Mas se acontecer alguma coisa, se ele falar ou fizer alguma coisa... ― Emmett deixou a frase no ar e sorri ― Sabe que é só me ligar, e eu estarei no primeiro avião para te buscar.
― Eu sei, obrigada.
― Meu celular vai estar ligado 24 horas por dia.
― Ok ― sorri e vi aquele par de esmeraldas agora parecendo prestar atenção em mim. ― Até mais.
― Até ― respondeu e desliguei a ligação, voltando a colocar o aparelho sobre a mesa.
― Ele estava no aeroporto, vindo para cá ― acabei rindo. ― Emmett estava... pirando.
― Acho que você não tem noção do quanto é importante para ele ― Edward falou, seus olhos ainda me fitando e um breve sorriso em seus lábios. ― E para Alice também.
― Eu os amo muito ― afirmei e o celular voltou a tocar, porém dessa vez Edward se afastou ao atender.
Não consegui evitar olhar por sobre o ombro e vê-lo procurando algum documento entre os vários papeis espalhados em sua mesa de escritório. Provavelmente era apenas uma ligação de trabalho. E se não fosse? Eu deveria me importar? Eu tinha o direito de me importar?
...
Era óbvio que o abismo entre nós não estava diminuindo, isso ficou mais claro ainda nas poucas palavras que trocamos durante o jantar. Tudo ainda doía muito e as dúvidas ainda rondavam minha mente, fazendo-me a todo instante lembrar da mulher loira grávida, ou de quando Edward me contou sobre seu casamento. Ou, o pior de tudo, relembrar o dia que ele partiu, sem parecer hesitar. Eu não deveria estar remoendo isso, muito menos pensar em Tanya, mas tudo levava a isso.
Levantei-me quando Edward desligou outra ligação e chamou-me, para sentarmos no sofá marrom, encostado em uma das grandes vidraças. Estava escuro lá fora, o dia se passou nublado e agora as pesadas nuvens ainda continuavam lá, provavelmente choveria mais ainda e os termômetros continuariam a marcar baixas temperaturas. Desviei o olhar do céu sem estrelas e voltei-me ao homem sentado ao meu lado, de frente para mim, que parecia me analisar.
― Posso perguntar o porquê da mudança? ― falou, seus olhos fitando meu cabelo e um breve sorriso em seus lábios.
― Pode sim ― tentei sorri também. ― Acho que eu precisava disso ― falei, passando a mão em meus cabelos curtos. ― Depois de tudo... ― respirei fundo e olhei naqueles olhos verdes.
― Só isso? ― ele me conhecia...
― No dia da minha consulta conheci uma garotinha, lá na clinica ― contei ― ela tem seis anos..., tem leucemia ― minha voz falhou e respirei fundo. ― Maggie, se encantou com meu cabelo ― falei baixo e só então percebi meus dedos entrelaçados aos seus. ― Ela achou lindo... ― tentei sorrir.
― Fez uma peruca para ela? ― perguntou e apenas assenti, sem conseguir falar por um momento.
― Ela estava internada e Emmett foi comigo até o hospital para entregar o presente. O que é um cabelo...? ― murmurei quase sem voz ― Para mim não é nada, para ela... ― passei as mãos no rosto, mais uma vez puxando o ar com força para meus pulmões. ― Ela ficou tão feliz.
Edward depositou um beijo nas costas de minha mão, antes de me puxar com cuidado para mais perto dele.
― Foi a primeira coisa que perguntei a Alec ― contei. ― Qual era a probabilidade...? Minha mãe teve câncer, eu tive...
― Não devemos pensar nisso agora ― ele me interrompeu e respirei fundo.
― Eu sei, mas é difícil não pensar ― senti minhas pálpebras pesarem e bocejei.
Vi um breve sorriso em seus lábios, mas logo se desfez, enquanto seus olhos me admiravam, suas mãos acariciando as minhas. Edward estava ali na minha frente, perto o suficiente para que eu sentisse seu toque, o calor de seu corpo, e ao mesmo tempo tão distante que parecia uma mera invenção de minha imaginação.
― Tudo vai ficar bem, não vai? ― a pergunta escapou, de repente.
Mas não tive resposta, apenas fui puxada com delicadeza para seus braços e recostei-me em seu tórax, ouvindo as fortes batidas de seu coração.
...
Acordei sozinha na cama e encarei o teto por alguns segundos, antes de fitar o relógio, era uma hora da manhã. Levantei-me, de repente sem um pingo de sono, ajeitando meu cabelo. Do alto da escada pude ver Edward debruçado sobre a mesa de escritório no canto da sala, parecendo concentrado em alguns papéis e na calculadora ao seu lado. Pensei que não deveria atrapalhar, mas algo dentro de mim me impulsionou, fazendo-me descer os degraus de ferro e seus olhos verdes me encontraram assim que pisei no chão de concreto polido.
― Espero não ter te acordado ― sua voz era atenciosa, mas sua expressão era distante, parecendo concentrado em outra coisa, enquanto ele retirava os óculos de grau.
― Não ― respondi rápido demais e vi um breve sorriso em seus lábios. ― Acho que já descansei tudo que precisava... ― falei e mudei de assunto: ― Desde quando usa óculos?
― Desde o momento em que a idade começou a exigir isso ― um sorriso torto em seus lábios. ― Parece que estou fadado a cada dia me parecer mais com meu pai, já não bastasse os cabelos brancos.
Acabei rindo do seu tom de reclamação e sentei-me a poltrona ali perto, quase em frente a sua mesa.
― Não se preocupe... Eu gostei dos óculos ― informei.
Edward sorriu antes de começar a arrumar alguns papéis e organizar algumas coisas sobre sua mesa.
Silêncio.
Olhei minhas mãos, apoiadas em meu colo, percebendo o quando estava apertando meus próprios dedos e respirei fundo, antes de falar:
― Não quero que continuemos assim.
Não ousei olhar para Edward, mas o som de folhas sendo organizadas cessou e sabia que ele agora prestava atenção em mim.
― Eu também não ― ouvi sua voz e sem conseguir evitar ergui o olhar, fitando seu rosto.
― Eu falei que se soubesse de tudo que tinha confiado a você não teria te mandado embora, então me disse que teria ido de qualquer jeito. Por que estava tão desesperado para partir? Por que queria tanto me deixar?
― Nunca quis te deixar ― seu olhar se perdeu, ele estava distante.
― Mas foi embora sem olhar para trás, veio aqui morar com a Tanya ― não devia entrar nesse assunto, porém era inevitável.
― Faz parecer que eu te troquei por ela, já falei que as coisas não são bem assim ― e em um tom mais baixo adicionou: ― Eu apenas tinha outras coisas para me preocupar.
― Então me explica ― pedi. ― Não estou sendo ciumenta, Edward, só quero entender ― não contive as lágrimas, a dor, a confusão em minha mente ― Só quero entender como pode ter vindo para cá com ela, ter morado e... e dividido sua vida com ela durante tanto tempo, e aquele bebê não ser seu filho.
― Eu e Tanya somos amigos.
― Amigos? ― havia certa ironia ali.
― O que quer que eu diga Isabella? ― ele se levantou, empurrando a cadeira, sua voz se alterando.
― A verdade ― caminhei até ele, parando a apenas alguns centímetros de distância, dando um passo para trás ao sentir o perfume que vinha dele, e automaticamente abracei meu próprio corpo, em uma tentativa fracassada de conter mais lágrimas. ― Só diga que nunca a beijou... Diga que nunca acordou ao lado ela, que nunca a olhou assim... ― minha voz falhou e arfei baixo, meu coração parecendo pesar no peito, as palavras soando entre soluços de desespero ― ...com esse carinho. Por favor, Edward.
Seus olhos fitaram os meus e eu podia ouvir minha respiração pesada, enquanto ele permanecia calado.
― Não pode. ― murmurei ― Você não pode dizer isso, não é mesmo?
Edward fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo, antes de voltar a me olhar.
― Sinto muito ― suas palavras me atingiram como um soco e eu me virei, sem poder olhar para ele, não queria chorar mais, porém era impossível. ― A única coisa que posso te dizer é que eu nunca... nunca fiz amor com ela.
O ar entrou lentamente em meus pulmões e saiu por entre meus lábios, que tremiam, e sequei meu rosto na manga do moletom antes de olhar por sobre o ombro, vendo sua expressão atormentada.
― Eu nunca a amei, nunca a desejei como desejo você agora.
― Então por quê? Por que se casari...
― Do que isso importa? ― sua pergunta soou de repente me interrompendo. ― Não podemos simplesmente seguir em frente? Vamos esquecer tudo isso, Isabella.
― Cansei de ficar me esquecendo de tudo ― murmurei, encarando-o frente a frente.
― Tudo bem ― ele parecia estar dizendo aquilo para si mesmo, enquanto pegava algumas folhas sobre a mesa, estendendo-as para mim logo depois.
Aproximei-me, pegando os papéis, vendo-o se sentar de volta em sua cadeira. Analisei o que estava em minhas mãos, passando as folhas, uma a uma: multas por quebras de contratos, dívidas e mais dívidas, indenizações a pagar, processos milionários, queda de ações. Tudo tinha valores exorbitantes.
― O que é tudo isso?
― É só o que me resta.
― Como assim? Edward? ― ainda estava confusa, então tentei organizar meus pensamentos e finalmente a ficha pareceu cair, enquanto Edward permanecia em silêncio. ― O que você ganharia com esse casamento?
― Um bom apoio financeiro da família de Tanya, e a confiança de muitas pessoas importantes ― explicou. ― O pai dela nunca gostou muito de mim, mas...
― Mas você seria o pai do neto dele ― falei.
― Tanya não seria deserdada por ser mãe solteira, e eu teria a ajuda que preciso.
― Por que não me contou? ― perguntei ― Por que não me contou tudo isso?
Ele realmente parecia pensativo quando apoiou os cotovelos na mesa e cobriu o rosto com as mãos, respirando fundo antes de responder:
― Seria admitir, para a única pessoa que realmente acreditou em mim, que eu não fui bom o suficiente, que fracassei ― sua voz não passou de um sussurro.
Sequei meu rosto mais uma vez, depois de voltar a colocar os papéis sobre a mesa, e não pude evitar me aproximar mais dele, segurando suas mãos, sendo recebida em seus braços quando me sentei em seu colo. Acariciando seu rosto, fazendo-o me olhar nos olhos, finalmente reconhecendo o que estava ali no fundo daquelas esmeraldas...: vergonha, humilhação.
― Continuo acreditando em você ― afirmei e vi uma leve surpresa em sua expressão, que logo desapareceu dando lugar à descrença, enquanto seus dedos secavam mais algumas lágrimas que teimavam em cair de meus olhos.
― Um dia meu pai me disse que eu nunca conseguiria tudo que ele conseguiu, que eu nunca seria capaz de substitui-lo, nunca estaria a altura dele...
― Isso não é verdade ― falei, interrompendo-o.
― Sim, é a mais pura verdade. Mas sabe o que é pior? ― sua voz soava cansada, triste, e sua mão segurou a minha que estava em seu rosto, ele tentou sorrir ― O pior é... vê-lo todas as vezes que me olho no espelho, lembrar de suas palavras, e saber que ele tinha razão, eu não fui capaz de substituí-lo... Eu destruí tudo que meu avô construiu e joguei o nome da minha família no lixo.
Havia dor em seus olhos e por um segundo achei que ele perderia seu controle, cairia em lágrimas, no entanto suas mãos me seguraram com mais firmeza e não pude evitar me aproximar, fechando os olhos, encostando minha testa na sua, deixando que a ponta do meu nariz tocasse seu rosto, seus lábios roçando brevemente nos meus.
― Eu preciso de você ― Edward sussurrou.
― Estou bem aqui.
Seus lábios tocaram os meus e por mais que eu quisesse resistir aquilo, não conseguia. Também precisava dele. E quando sua mão em minha cintura subiu até minha nuca, mantendo-me ali, não permitindo que eu me afastasse quando aprofundou o beijo, soube o quanto ele precisava daquele contato. Sua boca se moldou perfeitamente a minha e gemi baixinho, segurando sua camiseta, amassando-a, meu coração atormentado parecia se contorcer em meu peito. Então, minhas mãos desceram para seus ombros e afastaram-no, quebrando nosso beijo.
― Isabella ― sua voz não passou de um murmúrio.
― Isso dói ― revelei e novamente seus dedos limparam minhas lágrimas e seus lábios tocaram os meus mais uma vez, com cuidado, enquanto eu apertava minha mão contra meu tórax, sentindo as fortes batidas de meu coração.
― Eu sei ― ele se afastou e pude olhar em seus olhos.
Meus dedos, trêmulos, sentiram seus ombros e notei cada um de seus músculos tensos, rígidos. Já seus olhos ainda estavam imersos na frustração, em seu sofrimento. E Edward me acomodou em seus braços, permitindo que eu me encostasse em seu ombro e escondesse o rosto na curva de seu pescoço.
― Então porque não se casou? ― perguntei, praticamente sem voz.
Se esses eram os motivos porque desistiram disso.
― Porque se eu continuasse, estaria te machucando, e não podia suportar a ideia de te fazer sofrer mais do que já fiz.
― Desistiu por mim?
― Por que a surpresa?
― Não sei, eu... ― era impossível explicar o que estava sentindo.
Talvez impotente. Ali encostada em seu ombro, fitei a mesa, voltando a olhar cada um dos papéis e contratos, então algo me chamou atenção. Era um gráfico, não sei dizer o que exatamente ele mostrava, mas notei a grande queda que coincidia com o ano do nosso divórcio e então de repente algo me veio à mente.
― Eu... eu mal mexi no dinheiro do divórcio, você pode usá-lo ― falei.
― Não é o suficiente ― informou, sua voz estava calma, sua mão acariciando minha nuca, seus dedos entrando em meus cabelos. ― E mesmo se fosse, não poderia usar, temos outras coisas para pensar agora. Esse dinheiro por enquanto ficará guardado, ele é a garantia de um bom futuro para o nosso filho. Não quero que ele, ou ela, não possa escolher uma boa universidade porque não podemos pagar.
Eu não estava surpresa, estava chocada. Edward parecia estar pensando em tudo, preços de universidades para... Ele tinha uma facilidade para falar sobre "nosso filho" e eu... Eu ainda nem tinha aceitado a palavra "gravidez". Edward já planejava o futuro de uma criança, e eu ainda nem sabia o que seria de amanhã.
― Estou com medo.
― Eu vou pensar em algo, vou dar um jeito ― ele falou baixo.
― Não, não é isso. Acredito em você, sei que é capaz e sei que seu pai estava muito errado quando disse tudo aquilo ― tentei explicar, afastando-me para olhar em seus olhos. ― Estou com medo de mim em relação a você. Eu causei tudo isso, não foi?
― Não, claro que não. Isabella... ― ele começou a falar, mas o interrompi.
― Eu te fiz sofrer, foi por minha causa que deixou de trabalhar... Eu era seu único apoio.
― Você era minha vida ― pela segunda vez vi seus olhos marejados. ― E ainda é. É a única razão que me faz querer acordar todos os dias.
― Edward ― murmurei seu nome e ainda senti meu coração se apertar, então me encolhi em seu colo, deixando que ele me embalasse em seu abraço, voltando a apoiar minha cabeça em seu ombro.
Não era o momento de dizer mais nada. Precisávamos de tempo.
...
Tinha terminado de comer o segundo prato de omelete na segunda de manhã, quando Edward terminou sua xícara de café preto e caminhou até a mesa de escritório, arrumando sua pasta, para então vestir seu paletó. Ele parecia perturbado e quando voltou a se aproximar de mim notei sua indecisão enquanto segurava a chave do loft em sua mão.
― Não vou demorar, são duas reuniões ― falou novamente.
― Ok ― tentei sorrir e ele deu mais alguns passos em minha direção, abaixando-se para depositar um beijo em minha testa.
Edward respirou fundo, então me olhou nos olhos e estendeu-me a chave prateada.
― Tranque a porta depois que eu sair ― pediu e assenti. ― Qualquer coisa é só ligar para meu escritório, esta na discagem rápida ― informou, passando-me o seu aparelho celular.
― Não se preocupe.
― Tudo bem, então. Já vou indo.
Vi ele pegar seu casaco pendurado perto da porta e novamente notei a indecisão em sua postura, Edward parecia hesitar, mas foi só quando olhei para a chave em minha mão que algo em mim surgiu, fazendo-me entender. Ouvi o som da porta se abrindo e chamei-o antes que saísse.
― Edward!
― Sim? ― indagou enquanto eu caminhava até ele, deixando que minhas mãos tocassem seus ombros e deslizassem até sua nuca, ao mesmo tempo em que minha boca tocava a sua.
Senti seus dedos apertarem suavemente minha cintura e levarem-me para mais perto dele, meu corpo colando-se ao seu. E quando me afastei buscando pelo ar que faltava em meus pulmões não pude evitar sorrir, olhando naquele par de íris verdes brilhantes.
― Ainda estarei aqui quando voltar ― garanti e vi a angustia carregar seus olhos.
― Promete?
Ele tinha dúvidas daquilo? Ele realmente tinha aquele medo? A julgar por sua expressão, Edward parecia ter certeza que eu não estaria ali quando ele retornasse.
― Eu prometo ― afirmei e foi visível o alívio passando por seu rosto.
Seus lábios tocaram os meus novamente com delicadeza e senti meu coração tropeçar, perdendo uma batida.
― Tranque a porta assim que eu sair ― tornou a pedir e assenti. ― Até logo.
― Até mais ― murmurei, vendo a porta se fechar e girei a chave, trancando-a.
Respirei fundo, perguntando-me como chegamos aquele ponto.
Precisava me distrair, então arrumei a cozinha, mas infelizmente terminei tudo em menos de meia hora. Olhei o loft, pensando que Edward só chegaria daqui a três ou quatro horas, eu não estava com sono, e não havia muitas coisas ali. Sem televisão ou computador, apenas um rádio e uma coleção de CDs.
Sentei-me no sofá, vendo pelas vidraças o tempo nublado e aparentemente sem cores, enquanto me permitia aos poucos mergulhar em minhas lembranças.
“Caminhei pela areia, vendo-o sentado, encarando o mar, e hesitei em me aproximar. O que eu estava fazendo ali? Não, eu não devia estar ali, então ignorei aquela voz gritando para que eu fosse até ele e virei-me, voltando por onde tinha vindo. Mas antes que eu pudesse me aproximar da casa, ouvi sua voz.
― Isabella?
― Droga ― sussurrei para mim mesma, sem saber o que dizer. Então apenas me virei e vi Edward de pé, encarando-me a alguns metros de distância. ― Oi... Desculpe, já estou indo ― falei.
― Veio até aqui por algum motivo ― ele falou, antes que eu tivesse a oportunidade de partir e suspirei, aproximando-me para que não precisássemos ficar falando alto demais.
― Eu vi você, pela janela, sentado aí sozinho ― confessei apontando para minha janela que também mostrava aquele lugar. ― Só queria saber se está tudo bem.
Então seus olhos prenderam os meus e senti a fincada em meu peito ao ver um pedido de socorro ali. Mas ele não disse nada, apenas voltou a se virar, encarando o mar e dei mais alguns passos em sua direção, parando ao seu lado e fazendo a mesma coisa.
― Acho que não está nada bem ― falei baixo vendo as ondas agitadas.
― Obrigado, mas não precisa se preocupar comigo ― suas palavras soaram de uma maneira um pouco áspera, sem o jeito cuidadoso com o qual já havia me acostumado.
― Me preocupo com quem se preocupa comigo ― afirmei, lembrando-me da atenção que ele sempre reservava a mim.
Senti seu olhar sobre mim e virei o rosto, encontrando seus olhos e um sorriso triste em seus lábios. Então lentamente ele levou seus dedos até minha bochecha, roçando-os em minha pele, levando uma mecha de meu cabelo para trás de minha orelha e senti um calafrio percorrer minha espinha. E por mais que eu tentasse lutar contra o medo, não contive o reflexo de dar um passo para trás, afastando-o de mim.
― O que sinto por você é bem mais que um simples sentimento de preocupação ― Edward falou com uma voz baixa e firme e vi seu sorriso se desmanchar, vendo-o abaixar a cabeça, enquanto meu coração disparava com suas palavras. ― Esses dois anos me fizeram perceber isso e mais algumas coisas.
― Esses dois anos te fizeram muito bem ― comentei, um uma falha tentativa de mudar o rumo da conversa.
― Depende do ponto de vista ― afirmou. ― Boa noite, Isabella.
E ele simplesmente se foi, deixando-me ali, completamente perdida com suas palavras.” (Capítulo 60 – É bem mais do que você imagina)
Fui puxada de meus pensamentos com o som da fraca chuva que começou a cair e repassei em minha mente a conversa que tivemos na madrugada, sentindo ainda aquela dor em meu peito.
― Depende do ponto de vista ― murmurei para mim mesma e respirei fundo.
Precisava de um tempo, talvez me deitar um pouco..., de repente me sentindo tão cansada, então me levantei, porém esbarrei nas caixas de papelão, lacradas, ali ao lado do sofá e encarei-as novamente, uma curiosidade sem tamanho me tomando. Eu podia abrir e fechá-las depois. Então antes que eu pudesse realmente decidir se era certo ao não, já estava ajoelhada no chão, abrindo a primeira caixa, encontrando vários livros. Notei a outra caixa ao lado mais leve e logo abri, encarando algumas roupas, ternos, porém quando iria partir para outra caixa algo me chamou a atenção, um tecido delicado amassado entre os paletós, e eu o puxei, vendo a camisola rosê de renda. Por um breve momento fiquei sem ação, mas então me lembrei: era minha. Alice colocou em minha mala de lua de mel...
Vasculhei entre as várias roupas, porém ao invés de achar mais peças minhas vi um colar que caia do bolso de um blazer dobrado. Peguei o cordão e surpreendi-me ao ver as duas alianças penduradas no colar. Por que estavam ali? Será que ele usara aquelas alianças penduradas em seu pescoço?
Segurei aqueles anéis em minha mão e abri outra caixa, achando alguns porta-retratos sem fotos e uma caixinha pequena de madeira, a qual peguei e encarei-a em minha mão por alguns segundos, analisando os desenhos entalhados em sua volta, mas não era nada familiar, mesmo assim a abri, encontrando pedacinhos de papel rasgado e amassados. Peguei um, alisando-o para ver o que estava escrito e senti uma sensação gelada percorrer cada vertebra de minha espinha quando reconheci minha letra ali. Precisei de algum tempo para enfim me recompor e abrir espaço no chão, virando a caixinha e derramando todos os pedacinhos de papel, ouvindo o tilintar quando, por último, caiu um anel... Um lindo e delicado anel, com uma pequena flor cor de rosa em cima. Mas deixei o anel de lado, junto com as alianças e encarei os pedaços rasgados, vendo minha caligrafia em cada um deles. Fitei-os por alguns segundos, tentando achar uma ordem, um padrão, antes de começar a montar a folha como um quebra cabeça, encaixando as palavras e tentando adivinhar aquelas que eram impossíveis de se completar. Alguns minutos depois tinha uma carta montada ali no chão, uma carta que eu não me lembrava de ter escrito:
Edward
Se está lendo isso é porque o pior aconteceu e... eu não sei o que escrever. Essa já é a oitava carta que começo e... Nenhuma palavra consegue descrever o que sinto nesse momento. Eu sinto muito, Edward. Sinto por cada momento desperdiçado, quanta coisa não poderia ter feito, mas escolheu ficar ao meu lado e mesmo que diga que não se arrepende de nada, eu me arrependo... me arrependo de ter te prendido a mim. Mas por outro lado sei como você, Emmett e Alice mudaram depois que entrei em suas vidas, então, agradeço por ter tido a chance de unir vocês.
Eu sei o que sente agora, acredite ou não, já senti isso antes. Sei como é não saber o que fazer, ficar perdido na própria vida, por muito anos vivi assim, mas você me ajudou a levantar e caminhar novamente, você me estendeu a mão. Então agora peço que deixe alguém fazer isso por você, deixe que alguém te ajude a voltar a caminhar novamente. Desculpe por não poder estar aí para ser essa pessoa, para te ajudar, mas sei que você ficará bem. E é por isso que não tenho mais medo, pois sei que voltaremos a nos encontrar.
Até mais,
Sua Bella.
― Então agora peço que deixe alguém fazer isso por você, deixe que alguém te ajude a voltar a caminhar novamente ― li mais uma vez, talvez começando a entender algumas coisas, outras se tornando mais confusas.
Voltei a colocar tudo no lugar de antes, menos o anel com a delicada florzinha em cima, esse segurei em minha mão e empurrei as caixas para as mesma posição em que estavam, antes de fechá-las, porém algo me chamou a atenção. Quando mexi na caixa com porta-retratos, alguns saíram do lugar e vi escondida no fundo, uma pequena caixa de um tom arroxeado envelhecido e um tremor passou por meu corpo, eu conhecia aquela caixa.
De repente minha respiração estava acelerada e tentei me acalmar, sentindo um leve mal-estar quando tirei a tampa amassada e encontrei as fotos de minha infância. Peguei o bilhete dobrado, vendo minha letra de quando era criança, lembrando-me de quando escrevi aquela pequena carta, fazendo um pedido para Deus: “Papai do céu... Eu tenho muitos pedidos, mas dizem que o Senhor só realiza um, então aqui está: eu quero uma família.” ― li as palavras escritas ali e quando fechei os olhos as lágrimas caíram sobre o papel amarelado.
Peguei algumas fotos, encarando a menina de cabelos castanhos, sentindo o medo dela em cada imagem congelada, e vi ele, todo meu corpo estremecendo, meu coração disparando.
Toc, toc, toc ― O susto fez minhas mãos gelarem e olhei para a porta. Será que Edward tinha esquecido algo?
Respirei fundo, só então comecei a guardar tudo rapidamente, jogando as fotos dentro da caixa, sem ousar olhar para aquele homem outra vez. Fechei tudo e coloquei como estavam antes, ouvindo novas batidas na porta.
― J-Já... Já estou indo ― minha voz falhou e quando me coloquei de pé senti uma leve pontada em meu baixo ventre, fazendo-me arfar baixo e apoiar-me no sofá.
“Não pode se esconder de mim para sempre” ― a voz pesada e áspera pareceu soar dentro de minha cabeça, resultado de ver sua imagem, e respirei fundo, tentando afastar sua lembrança.
― Já vou, Edward ― consegui falar mais alto e a terceira batida parou.
Puxei o ar e levantei-me, sentindo uma sensação estranha, um gosto metálico na boca, e sequei minhas mãos suadas, antes de limpar meu rosto úmido e caminhar até a porta. Destranquei e respirei fundo novamente antes de abrir, surpreendendo-me quando não encontrei Edward, mas sim a mulher loira que me encarou com um olhar estranho.
― Oi ― ela parecia incomodada ali na minha frente e eu não sabia o que exatamente devia dizer.
― Oi... Desculpa, Edward não está ― falei baixo, ainda com minha respiração instável.
― Eu sei ― ela sabia? ― Eu vim conversar com você, isso é claro, se você aceitar conversar comigo.
Passei a mão em meus cabelos, engolindo em seco, perguntando-me o que eu e ela teríamos para conversar. Olhei-a por um momento. Ela era a mulher que quase se casou com meu ex-marido, que teve um filho, uma criança que eu ainda não sabia quem era o pai e algo em mim ainda doía por causa disso... Talvez, eu devesse ouvi-la. Empurrei todos os outros pensamentos que me atormentavam para o fundo de minha mente e senti meu coração ainda um pouco acelerado.
― Sim, podemos conversar ― informei. ― Entre ― pedi, abrindo caminho.
Mais uma vez fitei a mulher muito bem vestida que entrou e arrumei meu vestido, alisando a blusa de moletom que eu vestia, antes de ela se virar e fechei a porta, encontrando seus olhos de um lindo verde, porém perdiam o destaque para seu batom vermelho.
― Já fomos apresentadas... no seu casamento ― ela parecia envergonhada, talvez tímida, mas provavelmente não mais do que eu. ― Porém, acho que talvez você não se lembre, sou Tanya Denali ― vi quando ela hesitou, mas mesmo assim estendeu a mão para mim e eu a cumprimentei.
― Isabella Swan, mas acho que você já sabe disso ― falei, soltando sua mão, e Tanya sorriu. ― Pode me chamar de Bella.
― Bella ― repetiu pensativa e de repente ela me pareceu animada, como se tivesse acabado de ganhar um prémio. ― Ok, Bella.
― Vamos nos sentar ― falei apontando para a mesa ali perto, vendo-a assentir.
― Ainda não tinha entrado aqui ― comentou durante os poucos passos até a mesa de jantar, girando sobre seus saltos altos para poder conhecer todo o lugar. ― Edward e sua mania de ser tão minimalista com decoração ― falou, sentando-se.
Sentei-me a sua frente, a mesa entre nós, e continuei a encarar Tanya que parecia presa em cada detalhe do loft.
― Então... ― murmurei e seus olhos voltaram a cair em mim.
― Ah! Sim ― ela retomou o foco, parecendo tentar não rir de si mesma e seu jeito levemente distraído e tão animado me pareceu familiar. ― Eu não sei o que Edward te contou, o que exatamente vocês conversaram... Porém achei que devia vir aqui, porque se fosse ao contrário eu gostaria que você tivesse essa iniciativa ― Tanya começou, com um breve sorriso simpático no rosto e permiti que continuasse. ― Queria que soubesse por mim..., não sei se vai dar algum valor as minhas palavras, mas mesmo assim, quero que saiba que não houve mais nada entre eu e Edward depois que vocês se casaram. Na verdade, depois que vocês se conheceram, voltamos a nos encontrar, porém não aconteceu mais nada... Ele só tinha olhos para você ― ela balançou a cabeça, rindo.
― Tanya... ― comecei, sem nem saber exatamente o que iria dizer, porém fui interrompida.
― Não, espere. Não é só isso. Na verdade o que eu vim falar, é mais precisamente sobre depois que vocês se divorciaram ― informou e esperei que contasse: ― Eu queria que você soubesse que sim nós nos beijamos, mas não passou disso, Edward não conseguiu... Assim como houve outras mulheres, porém nada aconteceu ― suas palavras me doeram.
― Veio aqui para me contar sobre outras mulheres que Edward conheceu nesse período? ― perguntei, tentando entender onde ela queria chegar com aquilo e Tanya riu, negando.
― Não Bella, por favor não ― disse, ainda com um sorriso divertido nos lábios vermelhos. ― Não vim aqui jogar na sua cara as conquistas românticas de Edward, até porque não houve nenhuma.
― Então? ― indaguei, sentindo uma leve tontura.
― É que... ― ela pensou por um momento, formulando o que iria dizer: ― Se houvesse um homem que me amasse tanto ao ponto de não conseguir se sentir excitado com nenhuma outra mulher, eu gostaria de saber ― suas palavras, talvez, me assustaram e por um segundo fiquei sem reação. ― Imaginei que Edward não iria te contar isso, é algo difícil para um homem sabe...
― Então, ele tentou estar com outras mulheres... ― murmurei, minha mente confusa.
― Nossos corpos têm certas necessidades e Edward tinha passado cinco anos te esperando. Ele precisava seguir em frente.
― Mas...
― Mas nunca conseguiu ― havia um peso em suas palavras e ela de repente estava distante. ― Acho que sou um pouco culpada por Edward ter resistido tanto a você, eu o fiz repetir tantas vezes que estava bem, que já tinha te superado. Ele estava sofrendo muito e não sabia o que fazer, não queria te prejudicar, sinto muito.
― Não sinta. Foi a forma que achou para ajudá-lo ― falei e seus olhos encontraram os meus, de algum modo acho que nós nos entendíamos. ― E fico feliz que tenha feito isso, que de alguma forma o tenha ajudado, quando eu não pude.
Tanya sorriu, mas tinha tristeza em seu rosto, e tentei retribuir seu sorriso.
― Bom acho melhor eu ir ― ela falou, já se levantando, porém quando empurrei a cadeira voltei a sentir outra fincada e apoiei-me na mesa, sentindo todo meu corpo falhar de repente. ― Isabella?
Puxei o ar para meus pulmões e mais uma dor aguda irradiou em meu ventre.
― Está tudo bem? ― ouvi a voz de Tanya.
Meus joelhos fraquejaram e senti algo quente entre minhas pernas.
― Acho que não ― murmurei, levando minha mão até meu baixo ventre, meu coração disparando, o medo me tomando e pela primeira vez encarei aquilo verdadeiramente: ― Tanya, meu bebê ― avisei e seus olhos se arregalaram.
― Você está grávida?! ― exclamou.
― Ah meu Deus ― sussurrei vendo sangue em meu vestido e minha visão ficou embaçada.
― Vai ficar tudo bem ― Tanya falou e suas mãos seguraram meus braços ― Respira fundo, vou te levar para o hospital.
Ela me deu apoio para caminhar. Meu coração estava tão acelerado, minhas mãos tremendo e de repente tudo escureceu, voltando logo depois, encontrando-me encostada no batendo da porta.
― Isabella, fica comigo. Não vou conseguir te carregar, preciso que me ajude ― sua voz estava levemente histérica.
Esforcei-me para mover minhas pernas, ouvia apenas o som da minha respiração pesada e acelerada, o medo era tão grande e meu coração parecia que iria explodir.
― Bella! ― o grito de Tanya me fez voltar a mim, percebendo que estava sentada no banco do carro e a mulher loira estava em pânico ― Não desmaie!, preciso que fique acordada. Não vai perder esse bebê comigo! Fique calma ― avisou fechando a porta e queria dizer que era ela que precisava ficar calma, já bastava eu com meu ataque de desespero, mas não consegui falar nada.
Mal consegui ver o trajeto até o hospital, vi de relance Tanya passar por alguns sinais fechados e ouvi quando ela saiu do carro gritando, chamando por um médico e depois já estava deitada em uma maca, luzes brancas passavam rapidamente sobre mim e senti alguém segurar firme minha mão. A mulher loira estava ali ao meu lado, falando que tudo ficaria bem e que ela não me deixaria sozinha, foi a última coisa que ouvi, então tudo se apagou de vez.
...
Respirei fundo, abrindo os olhos devagar, acostumando-me com a luz e mesmo enxergando levemente embaçado eu reconheci os cabelos acobreados da pessoa sentada ao lado da minha cama, que mantinha o rosto apoiado em minha mão, porém logo se endireitou quando me mexi.
― Oi ― falou parecendo ansioso, preocupado.
― Oi ― murmurei.
― Como está se sentindo? ― sua pergunta ecoou dentro de minha cabeça e de repente tudo veio à tona.
― Edward... ― o desespero me tomou quando levei minha mão até meu ventre, meu coração disparando no peito.
― Hey, calma, está tudo bem ― falou, segurando minhas mãos, seus olhos buscando os meus. ― Não aconteceu nada, está tudo bem ― seus dedos tocaram minha barriga e suspirei de alívio ao ouvir suas palavras: ― Foi só um susto.
― O que aconteceu? ― mal terminei minha pergunta e uma médica entrou no quarto.
― Já acordou?! ― ela pareceu surpresa ― Sou a Dr. Carter, como está se sentindo senhorita Swan?
― Cansada.
― Imagino ― ela tinha um sorriso simpático e uma expressão atenciosa, devia ter por volta de uns quarenta e cinco anos e suas palavras soaram calmas.
― O que houve?
― Você teve um leve sangramento, por causa do baixo nível de progesterona. Esse hormônio mantém o endométrio no lugar para levar a gravidez durante os nove meses ― explicou. ― Fora isso, seu estado emocional não ajudou muito, estava a beira de um ataque de ansiedade quando chegou e bom... ― A Dr. Carter olhou o relógio em seu pulso e então seus olhos voltaram a mim ― Com o calmante que apliquei era para você acordar só daqui umas duas ou três horas.
― E o que isso quer dizer? ― perguntei.
― Quer dizer que você está muito agitada, talvez estressada, e precisa se acalmar, isso não faz bem, ainda mais estando grávida.
A médica falou sobre o remédio que eu tomaria para reposição do hormônio e avisou o quão importante era que eu começasse logo o pré-natal, acompanhar de perto meu quadro de hipoglicemia e evitar o estresse, além de recomendar repouso principalmente durante os próximos dias.
― É tudo culpa minha ― Edward falou assim que a Dr. Carter saiu do quarto e encarei-o, confusa. ― Fiz você passar por tantas coisas e depois ainda despejei todos os problemas...
― Problemas que eu causei ― interrompi suas palavras e ele balançou a cabeça, negando, novamente assumindo meus erros.
Edward se calou, e caminhou até a janela do quarto, ainda muito atordoado com tudo, o abismo entre nós se tornando cada vez mais profundo.
― Onde está a Tanya? ― perguntei de repente, querendo preencher aquele silêncio.
― Ela... ― ele parecia indeciso ― ...está no berçário, Tanya evita se afastar de lá por muito tempo.
Silêncio. Tentei esvaziar minha mente e fechei os olhos, acomodando-me melhor depois que Edward arrumou meu travesseiro com cuidado, sorrindo ao senti-lo depositar um beijo em minha testa e segurei sua mão antes que se afastasse.
― Fica aqui ― pedi em um sussurro e seus olhos tão cheios de carinho encontraram os meus.
― Aonde mais eu iria ― falou, sentando-se na cadeira ao lado da minha cama e entrelaçando seus dedos aos meus.
A segunda noite no hospital foi pior que a primeira, se passou entre cochilos e estranhos sonhos, dos quais sempre acordava um pouco perturbada, então senti um enorme alívio quando recebi alta na manhã seguinte. Edward me entregou algumas peças de roupas e percebeu minha confusão, pois logo explicou.
― Estava comprando algumas roupas para você, quando Tanya ligou ― sua voz era suave.
― Não devia...
― Você não trouxe nenhuma roupa de frio ― ele me interrompeu e encarei as peças em minhas mãos. ― O que foi? ― perguntou baixo.
― Nada ― acabei sorrindo. ― Só estou imaginando você comprando lingerie para mim.
― Espero ter escolhido certo.
Depois de recusar sua ajuda, entrei no banheiro e troquei de roupa, sentindo meu corpo dolorido e cansado. Olhei-me no espelho, vendo minha expressão pálida e voltei as minhas indagações, analisando novamente meus pensamentos durante os breves momentos em que estive acordada a noite, chegando a conclusão de que não deveria deixar passar algumas coisas.
― Antes de irmos, eu queria passar na maternidade ― falei, assim que sai do banheiro com minha roupa nova, e ele pareceu surpreso. ― Preciso agradecer a Tanya.
― Terá tempo para isso em outro momento, agora precisa ir para casa e descansar ― Edward não só discordava, era óbvio que estava tentando fazer com que eu esquecesse essa ideia.
― Ok, mas só depois que eu falar com Tanya.
― Isab...
― Edward ― pronunciei seu nome com força, dessa vez parecendo não pesar tanto.
― Nem sei porque eu tento ― falou balançando a cabeça, um breve sorriso surgindo no canto de sua boca. ― Minha teimosa ― murmurou, depositando um beijo sobre meus cabelos, sua mão descendo por minhas costas e encaixando-se em minha cintura.
Permiti-me encostar em seu corpo, apoiando-me em seu tórax, sentindo seu perfume e inconscientemente fechei os olhos. Pedindo em meus pensamentos que ele não me soltasse nunca mais.
― Vou te levar para casa, precisa descansar ― falou baixo e concordei, estava exausta.
― Mas... ― comecei e ele me interrompeu.
― Mas antes vamos encontrar a Tanya ― falou e afastei-me, olhando em seus olhos.
Edward não parecia concordar muito com isso, mesmo assim tentou sorrir, antes de pegar a mochila com minhas roupas e segurar o casaqueto de lã para mim. Vesti, sentindo meus braços se aquecerem e ele me guiou para fora do quarto.
Caminhamos pelo hospital e sentia certa tensão em Edward, enquanto eu me perguntava se estava insistindo nisso apenas porque queria agradecer a Tanya, ou porque precisava ver a criança e ter a certeza de que ela não teria os traços do homem ao meu lado. Será que eu poderia ver esses traços?
O corredor branco era frio e logo à frente havia uma pequena sala, com algumas cadeiras e uma parede de vidro apareceu ao meu lado, e vi através dela os bercinhos que acomodava os pequenos anjinhos, alguns parecendo dormir tranquilamente e outros com olhos abertos, parecendo querer descobrir tudo em volta.
Mais alguns passos a frente, vimos as incubadoras e reconheci a jovem mulher vestida com o uniforme azul e a touca cobrindo seus cabelos loiros. Ela estava debruçada sobre uma das máquinas, vendo o pequenino de fralda azul, que se mexia lentamente. Meu coração pareceu fraquejar e não tive como não retribuir o sorriso de Tanya quando ela nos viu, apressando-se em sair. Ouvi seus saltos quando a porta abriu, vindo em minha direção animadamente, mas parou de repente, como se tivesse acabado de mudar de ideia sobre algo e levou suas mãos para trás de seu corpo, seus olhos indo até Edward depois para mim.
― Não era para estar andando pelo hospital, precisa ficar de repouso absoluto! ― avisou, olhando-me.
― Sim, vou repousar. É que eu precisava te agradecer.
― Não, não precisa ― falou balançando as mãos, como se isso fosse algo absurdo e novamente vi algo familiar nela. ― Estou muito feliz que esteja bem, e que nada de ruim tenha acontecido.
Seus olhos eram verdadeiros e percebi certa comoção neles.
― Obrigada, Tanya ― falei e ela sorriu, olhando de mim para Edward mais uma vez, como se estivesse esperando que ele se pronunciasse, dando permissão para algo. ― Está tudo bem? ― perguntei, apontando para além do vidro, para a incubadora.
― Sim ― respondeu rapidamente, ainda sorrindo, esperançosa. ― Vai ficar tudo bem, ele está cada dia mais forte.
― Já escolheu o nome?
― Alexander.
― Lindo nome ― falei, reparando mais no pequenino, que tinha uma quantidade considerável de cabelo para um bebê prematuro. ― Ele é lindo.
E definitivamente, o bebê, não tinha o tom de pele claro de Tanya... ou de Edward. Não sei se era apenas impressão minha, mas Alexander parecia ter uma pele bronzeada, talvez levemente parda e cabelos tão negros quanto a noite. E por algum motivo eu tinha certeza que quando ele abrisse os olhinhos, eles não teriam o brilho verde que eu temia ver.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!― Acho melhor irmos ― ouvi Edward e senti o toque de seus dedos em minha cintura.
― Precisa descansar ― Tanya avisou e voltei a olhá-la.
― Realmente espero que ele fique bem logo e que você possa levá-lo para casa o mais breve possível ― falei e vi ela olhar para baixo, envergonhada. ― E quero que não hesite em ligar se precisar de algo ou apenas para dizer que está tudo bem, Edward fica muito preocupado com vocês dois... ― falei, olhando dela para o bebezinho ― ...e agora eu também me preocupo.
Tanya estava surpresa com minhas palavras, talvez até eu estivesse, e percebi que seus olhos não se preocuparam em se certificar do que Edward achava daquilo, ela não desviou a sua atenção de mim.
― Obrigada Isabella ― agradeceu e um sorriso tomou conta de seus lábios. ― Agora vá, ― ela abanou as mãos, pedindo para que fossemos logo ― você está muito pálida, precisa repousar.
Assenti, vendo a preocupação em seu rosto e despedimo-nos com um "até logo", e não pude deixar de notar quando novamente ela deu um passo em minha direção, mas pareceu mudar de ideia com o olhar que o homem ao meu lado lançou em sua direção e escolheu por manter distância, recuando.
Olhei por sobre o ombro, vendo Tanya olhando os bebezinhos através do vidro, enquanto a deixávamos para trás e então encarei os olhos verdes que agora me analisavam, enquanto ele se mantinha perto.
― Edward? ― ouvimos a voz da mulher loira e Edward parou para olhá-la, seus dedos ainda segurando meu braço com cuidado ― Vê se não a perdi dessa vez ― falou e acabei rindo, ouvindo a risada baixa de Edward próxima de meu ouvido quando ele depositou um beijo na lateral da minha cabeça e então nos guiou para fora do hospital.
Entramos no loft e puxei uma cadeira, sentando-me e vendo Edward trazer algumas sacolas, antes de fechar a porta.
― Não preciso de tantas roupas ― falei. ― Não precisava gastar tanto... Podia ter usado meu cartão...
― Por favor ― ele recusou, sentando-se ao meu lado, girando a cadeira para que ficasse de frente comigo. ― Não quero que se preocupe com dinheiro.
― Mas... ― parei quando seus olhos, tão intensos, encontraram os meus.
Ele estava tão longe, que não pude evitar levar minha mão até seu rosto só para me convencer de que ele realmente estava a apenas alguns centímetros de distância. Senti sua barba que já aparecia e assisti Edward fechar os olhos, suas sobrancelhas se contraindo, deixando mais visíveis as rugas em sua pele. E quando suas pálpebras se abriram novamente tive vontade de abraça-lo, mas por algum motivo eu não podia. Então afastei minha cadeira para me levantar e ouvi um tilintar no chão, vendo Edward se abaixar para pegar o pequeno anel, aquele que eu mantinha em minha mão mais cedo, antes de começar a passar mal, e provavelmente devo tê-lo deixado cair.
― Eu não queria bisbilhotar ― comecei com minha voz fraca. ― Sei que não devia ter mexido nas caixas...
― Isabella, tudo que é meu é seu... pode mexer no que quiser ― falou e tinha um breve sorriso em seus lábios, enquanto ele encarava a pequena joia. ― Comprei esse anel quando você ainda estava... ― Edward respirou fundo ― ...ainda estava em coma, era um presente para quando acordasse.
― É lindo ― murmurei.
― É seu ― disse me oferecendo o anel e recusei.
― É melhor você guarda-lo ― não podia aceitar aquela joia... algo em mim dizia que eu não devia aceitar.
― Ok ― concordou em um murmúrio. ― Vem, vou leva-la para o quarto ― Edward se levantou e com facilidade me ergueu, carregando-me pela sala e escada acima.
― Eu posso andar.
― Mas gosto de te carregar.
Ele me colocou com cuidado no chão do quarto e passei as mãos no rosto, tentando pensar com clareza. Algo que só consegui realmente sob uma ducha de água levemente quente, que me fez relaxar e então voltei à conversa com a Tanya.
“― Se houvesse um homem que me amasse tanto ao ponto de não conseguir se sentir excitado com nenhuma outra mulher, eu gostaria de saber.”
Quantos significados essa frase pode ter?
Olhei a roupa que tinha escolhido e suspirei, precisava de algo mais confortável, então sai do banheiro enrolada em uma toalha, procurando algo em minha mochila e depois nas sacolas de roupas novas...
― Tudo bem? ― Edward terminava de subir os últimos degraus e assenti.
― Tudo, eu só... ― estava tão cansada, sentindo-me tão estranha.
― Aqui ― ele apontou para as roupas penduradas e passou por mim, escolhendo uma camisa branca entre seus ternos, segurando-a para mim e acabei sorrindo. ― Sempre ficaram melhores em você do que em mim.
Pensei em recusar, mas seus olhos eram tão doces e sem realmente pensar soltei a toalha, deixando-a sobre um dos baús ali no quarto e apenas de calcinha caminhei até ele, passando os braços pelas mangas e virando-me de frente para Edward, que parecia querer me dizer muitas coisas, porém permaneceu em silêncio enquanto abotoava os botões da camisa social em mim.
Ele puxou o edredom e deitei-me, acomodando-me no travesseiro que tinha o seu perfume e antes que eu pudesse perceber já tinha caído no sono.
...
Eram mais ou menos onze da noite quando Edward me trouxe chocolate quente, o que combinava muito com a fina neve que começava a cair lá fora. Ele se sentou de frente para mim na beirada da cama, sua mão acariciando meus pés por sobre o edredom e seus olhos parecendo me analisar.
― Você é tão linda ― falou baixo, de repente, e senti minhas bochechas esquentarem.
― Não faça isso ― pedi.
― Fazer o que?
― Não faça com que eu me apaixone mais por você, se é que isso é possível ― confessei e ele sorriu, tão lindamente.
― Tudo bem, sem elogios ― concordou e revirei os olhos sorrindo ao ouvir sua risada contida.
Houve um momento de silêncio e bebi mais um gole da minha bebida, sentindo as pontas dos meus dedos frios se esquentarem na caneca de porcelana e meu coração se acelerou brevemente quando ouvi minhas palavras.
― Tanya não é o que eu esperava.
Eu queria mesmo começar esse assunto agora? Não sei bem, mas com toda certeza Edward não queria, pois assim que toquei no nome de Tanya ele se levantou, caminhando pelo quarto, se afastando.
― E o que esperava? ― perguntou, apoiando-se na grade do mezanino, parecendo evitar me olhar.
― Não sei... Uma pessoa que fosse menos... menos familiar para mim ― tentei explicar e ele riu, voltando a me olhar e tentei entender o porquê de seu sorriso parecer levemente forçado. ― Ela me lembra a alguém...
― Alice ― falou simplesmente e a ficha caiu.
― Sim ― era óbvio. ― Ela é muito parecida com a Alice.
― Alice é parecida com a Tanya ― ele me corrigiu e continuou depois de reconhecer minha curiosidade. ― Elas eram melhores amigas, mas isso foi a muito tempo atrás. Alice era muito nova e na época ela admirava a Tanya.
― E o que aconteceu? ― perguntei antes de beber mais um gole da minha bebida quente, percebendo Edward relutante.
― Bom..., eu e Tanya nos aproximamos e algum tempo depois ela não tinha mais tempo para Alice ― ele ergueu os ombros, pensativo. ― Tanya me ajudou a esquecer da dor mostrando outro tipo de vida e acho que é esse o motivo de Alice não conversar mais com ela. Minha prima tinha uns quinze anos quando começou a buscar eu e Emmett totalmente bêbados,... as vezes drogados, em festas na casa da Tanya.
Edward evitava meus olhos, parecia envergonhado, distante, porém continuou:
― Mas, infelizmente, isso funcionava. O álcool, as drogas, o sexo, fazia com que eu esquecesse ― suas palavras me surpreenderam um pouco e respirei fundo, tentando absorver tudo aquilo. ― Tínhamos isso em comum, eu e Tanya, queríamos esquecer muitas coisas.
― E agora? Ainda há algo que quer esquecer? ― eu não tinha notado, mas uma lágrima escorreu por minha bochecha e limpei-a rapidamente.
― Sete anos ― finalmente seus olhos encontraram os meus, sua voz rouca, parecendo abafada. ― Faria qualquer coisa para esquecer esses sete anos que passei sem você ― Edward se virou, ficando de costas para mim, parecendo olhar para a sala lá no primeiro andar, mas notei quando ele passou a mão sobre o rosto, secando os olhos.
― Acho que todos nós temos coisas que queremos esquecer ― falei baixo, deixando minha caneca sobre a mesinha ali ao lado e ele se voltou para mim novamente, seu rosto mostrava sua compreensão.
― Sim, todos nós temos ― concordou, respirando fundo, pensativo. ― Creio que encontrou outras coisas, além daquele anel, nas caixas ― apontou para o andar de baixo, onde estavam as caixas de papelão que abri.
― Por que está com as fotos da minha infância? ― indaguei, entendendo ao que ele se referia.
― Por que você guardava aquelas fotos? ― Edward me respondeu com outra pergunta e percebi que eu não tinha uma resposta ― Achei aquela caixa quando estava procurando algum documento sobre seus pais e sobre sua adoção, na época desconfiava que você pudesse ser a irmã de David.
― Eu já estava em coma? ― perguntei e ele apenas assentiu, aproximando-se, novamente se sentando de frente para mim, muito perto.
― Por que guardava tantas fotos dele, Isabella? ― sua voz era cuidadosa, seus olhos estavam tão ternos e compreensivos quando eu gaguejei, sem saber o que falar. ― Tudo bem, não precisamos falar disso agora.
Respirei fundo, perguntando-me como viemos parar naquele assunto e procurando respostas, não para Edward, mas para mim mesma.
― Eu tinha controle ― murmurei antes que ele se levantasse. ― Fechá-lo em uma caixa e colocar no fundo do armário me dava controle... Uma falsa sensação de controle. Era o meu jeito de tentar esquecer, superar ― tentei explicar e de repente senti um tremor por meu corpo, uma sensação fria e engoli em seco, mas não pude segurar as lágrimas.
Afastei o edredom e fui recebida em seus braços, acolhida próxima a seu corpo, e apertei meus dedos em seus ombros, o desespero de atingindo.
― Por que eu não te sinto? Por que está tão distante? ― perguntei soluçando.
― Mas eu estou bem aqui ― ele sussurrou e as pontas dos meus dedos tocaram seu pescoço, descendo até suas clavículas, sentindo sua pele e quando percebi minhas mãos trêmulas abriam os botões de sua camisa, enquanto ele ergueu meu rosto com cuidado, tomando meus lábios com delicadeza.
Edward terminou de desabotoar sua camisa quando eu não consegui e com um pouco de pressa afastei sua roupa, sua boca se moldando a minha, ao mesmo tempo em que deslizava minhas mãos por seu tórax, ávida por senti-lo, por tocar sua pele e convencer-me de que era real, que ele estava ali ao meu alcance.
― Ah... ― arfei, sem ar quando nosso beijo se quebrou e gemi baixinho, amassando sua camisa em meus dedos, encolhendo-me em seu peito nu, deliciando-me com a textura de sua pele, embriagando-me com seu perfume, ouvindo claramente cada batida de seu coração e permaneci ali, até adormecer segura em seus braços.
~*~
(Extra)
Uma semana depois
Era a primeira vez, desde que tinha chegado a Londres, que eu o via dormir de verdade, sua respiração estava lenta e um pouco pesada, seu rosto sereno e sorri, pensando que se eu tentasse tirar sua mão da lateral de meu quadril ele provavelmente iria acordar e não queria que isso acontecesse, não podia permitir isso. Mas parece que eu não tinha poder para isso, já que alguns segundos depois sua expressão se tornou aflita e sua respiração saiu de ritmo, e sua agonia me fez tocar seu peito, sentindo seu coração acelerado, e fiz uma leve pressão, tentando tirá-lo daquele sonho ruim.
― Edward... ― chamei baixo ― Edward! ― minha voz se ergueu um pouco e então seus olhos se abriram assustados e rapidamente procuraram por mim ao seu lado ― Foi só um pesadelo.
Sua mão pegou a minha sobre seu tórax e levou-a até seus lábios e ele depositou um beijo casto sobre meus dedos, respirando fundo, retomando o controle.
― Só um pesadelo ― ele sussurrou, talvez para si mesmo, e respirou fundo, levantando-se.
― Ainda está cedo.
― Eu sei, porém não posso dormir mais ― informou parecendo atormentado.
Vi Edward separar um terno e pegar um camisa. Sabia que aquele não era o melhor momento para certos assuntos que perturbavam minha cabeça, mas eu precisava falar com ele e daqui a pouco sairia para o trabalho, então:
― Edward, eu preciso voltar ― comecei e ele parou o que estava fazendo, sua expressão se tornando surpresa, seus olhos tentando ler alguma coisa em meu rosto.
― Como assim? ― perguntou, sentando-se na beirada da cama ― Quer ir embora? ― vi medo em seu olhar.
― Não ― falei e sua expressão se suavizou. ― Mas a médica tem razão, preciso começar o pré-natal..., preciso tranquilizar todos ― respirei fundo, também me sentando, ajeitando a camisola em meu corpo enquanto pensava nas palavras. ― Nossa família deve estar preocupada.
― Tudo bem... ― ele parecia mais calmo, porém ainda muito pensativo ― Preciso de alguns dias para organizar tudo na empresa e então podemos ir.
― Edward, não quero te prejudicar de novo, não posso te afastar assim do trabalho, ainda mais agora sabendo do jeito que as coisas estão.
― Então está sugerindo que eu te deixe ir sozinha? ― ele parecia incrédulo.
― Eu não quero atrapalhar...
― Isabella, ― ouvi-lo pronunciar meu nome era tão bom e ao mesmo tempo tão doloroso ― não vou te deixar sozinha, nunca mais. Vou aonde você for, minha casa é aonde você estiver, minha vida é você.
― Edward...
― Só preciso de alguns dias para organizar tudo e você ainda precisa se recuperar melhor daquele susto, então poderemos ir ― informou, segurando minha mão e puxando-me com cuidado para mais perto.
― Ok ― concordei, permitindo-me encostar em seu peito e ser embalada por seus braços.
― Minha vida ― sussurrou, sua voz tão suave, mas eu não consegui dizer nada, apenas fechei os olhos.
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