Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
75 Por que é tão difícil?
Notas iniciais
I remember tears streaming down your face
When I said, I'll never let you go
When all those shadows almost killed your light
I remember you said, don't leave me here alone
But all that's dead and gone and passed tonight
― Taylor Swift (Safe & Sound)
Isabella’s POV
Chegamos a Nova Iorque logo pela manhã e fomos direto para casa. Aquela onde passamos grande parte do nosso casamento e onde fiquei em coma por anos. Porém, diferente de quando passamos alguns dias ali depois do acidente de Edward, agora a mansão estava em perfeito estado. O jardim limpo e cortado, em seu interior não tinha mais nenhum móvel coberto, agora todos estavam decorados, mais tapetes foram colocados e os que já estavam ali foram limpos.
― Pedi que organizassem a casa ― Edward informou. ― Vamos? ― chamou-me, levando as malas para o segundo andar e o segui, entrando no quarto logo depois dele, encarando a grande cama, minuciosamente arrumada.
― Cansada? ― perguntou e assenti.
― Um pouco, foi uma longa viagem.
― O quarto é seu ― ele sorriu ― Ou melhor, a casa é sua.
Acabei rindo e aproximei-me da cama, sentando-me. Tirei meus sapatos e meu casaco, suspirando ao ver as lindas cortinas que pendiam desde o teto, trazendo-me boas lembranças. Ajeitei o travesseiro e deitei-me, permanecendo encolhida na beirada do colchão, encarando parte do quarto, recordando da última vez em que estive ali, quando acordei para atender a porta, deparando-me com Tanya... grávida. Lembrei-me do meu momento de raiva, de gritar com Edward, socar seu tórax e mandá-lo embora.
Respirei fundo e fechei os olhos, pensando em tudo que me aconteceu nas últimas semanas e assustei-me quando uma manta foi colocada sobre minhas pernas e levada com cuidado até a altura de meus ombros. Edward estava me cobrindo, mas a expressão de seu rosto mostrava que ele estava concentrado em outra coisa, com os pensamentos bem longe dali e surpreendeu-se ao ver meus olhos o analisando, um breve sorriso surgindo em seus lábios.
― Tenta descansar um pouco, praticamente não dormiu durante o voo ― sua voz grave soou gentil e assenti, acomodando-me melhor no travesseiro macio.
O relógio marcava seis e meia, quando saí do banho, indo até o closet, pegando algumas roupas na mala, e comecei a me vestir, porém parei de repente, olhando meu reflexo no grande espelho na parede. Encarei minha imagem, apenas de lingerie, e levei minha mão até minha barriga, virando-me para olhar a lateral de meu corpo, procurando ali qualquer sinal de algum volume em meu ventre e achei. Era quase imperceptível... Tão imperceptível que por um momento pensei que poderia ser apenas minha imaginação, mas era só uma questão de tempo e não poderia mais colocar a culpa em minha imaginação.
― Oito semanas ― murmurei e respirei fundo, percebendo como aquilo se tornava mais real a cada dia.
Terminei de me vestir, indo encontrar Edward na sala e então saímos. Nova Iorque não estava tão fria, nem tão úmida quanto Londres, mas os dias e noites quentes com certeza já tinham acabado.
Edward estacionou o carro em frente à grande casa de Esme e Carlisle, por volta das sete horas da noite, então endireitei meus ombros, respirando fundo, olhando o poste ali perto que já iluminava boa parte da rua e do carro.
― Está tudo bem? ― perguntou, desligando o motor e direcionando toda sua atenção a mim ― Está mais quieta que o normal.
― Sim, estou bem ― minha voz quase não soou audível, estava presa em minha garganta.
― Você está corando, Isabella ― notou sorrindo e cobri minhas bochechas com minhas mãos frias, tentando diminuir a circulação ali, olhando mais uma vez a casa pela janela ao lado de Edward. ― O que foi? ― seu tom era paciencioso, calmo, e deixei que minhas mãos caíssem sobre meu colo, enquanto eu puxava o ar mais uma vez, respirando fundo.
― Eu não sei... ― murmurei, fechando os olhos por alguns segundos, tentando me organizar e voltei a encarar meus dedos inquietos. ―É que... estive pensando. Acho que acabei de perceber o que tudo isso significa.
― Como assim?
― Eu estou grávida, Edward. E isso quer dizer que eu... eu... ― ele esperou enquanto tentava encontrar as palavras: ― ...que eu dormi com você, enquanto estava comprometido, noivo, de outra mulher ― completei aquilo com muita dificuldade, sentindo meu rosto esquentar ainda mais. ― Que tipo de pessoa eu sou?! ― minha indagação fez Edward gargalhar, e olhei-o sem entender, vendo quando ele se recompôs.
― Está sendo absurda.
― Não, não estou.
― Olha, eu te garanto que ninguém lá dentro ― apontou para a casa ― estará pensando nisso. E se surgir o assunto, não se preocupe, eu assumo a culpa por ter te seduzido ― ele se aproximou, sussurrando as últimas palavras, sorrindo, e acabei rindo também.
Seus dedos tocaram meu queixo, erguendo meu rosto com gentileza e fazendo-me olhar em seus olhos, os quais fizeram com que eu me acalmasse instantaneamente. E não pude evitar ir a sua direção, seus lábios não hesitando em tocar os meus e sua mão deslizou por minhas costas, indo até minha cintura, e afastei-me um pouco, segurando seus ombros.
― Vou estar com você ― afirmou e assenti, antes dele sair do carro, vindo abrir a porta para mim.
Segurei sua mão e levantei-me, caminhando ao seu lado até a porta, seus dedos entrelaçando-se aos meus, porém quando ele tocou a campainha automaticamente dei um passo para trás, mas Edward me puxou, soltando minha mão para passar o braço ao redor de minha cintura, mantendo-me ao seu lado e olhei em seus olhos verdes como esmeraldas.
O homem loiro abriu a porta e sorriu, estendendo os braços para mim.
― Eu vou ser avô! ― exclamou e dei alguns passos em sua direção, sendo acolhida em seu abraço paternal.
― Como soube? ― minha pergunta foi respondida por Emmett que apareceu no hall de entrada.
― Desculpa, eu tive que contar, eles estavam preocupados ― sorri ao ouvir sua voz e abracei-o, sentindo seus braços musculosos me rodearem com cuidado. ― Tudo bem? ― perguntou baixinho, próximo ao meu ouvido, para que ninguém mais ouvisse, e percebi seus olhos indo em direção a Edward que cumprimentava Carlisle.
― Não estou acreditando ― a doce voz de Esme veio em nossa direção, no mesmo momento em que assenti para Emmett, que ainda esperava minha resposta, e ouvi de repente Esme se alterar parecendo irritada ao colocar os olhos em mim: ― Mas está de castigo, mocinha, pelo susto que nos deu. Simplesmente, pegou um avião sem falar com ninguém, sem avisar nada!
― Sinto muito, Esme ― desculpei-me, e sua falsa expressão de zangada deu lugar a um lindo sorriso, o qual retribui.
― Ah, tudo bem ― ela veio até mim e seu abraço me acalmou, parecendo ser capaz de desfazer, temporariamente, todas as minhas preocupações; porém não pude deixar de notar, nesse meio tempo, o clima estranho entre Edward e Emmett quando se cumprimentaram.
― Venham ― Carlisle nos levou casa adentro e novamente senti a mão de Edward em minhas costas.
Fomos levados a enorme cozinha, encontrando meu irmão tomando conta de algo no fogão e Alice separando os talheres para o jantar, os quais foram derrubados na gaveta assim que ela nos viu.
― Eu vou ter um sobrinho! ― gritou correndo em minha direção, o som de seus saltos ecoando e Alice me abraçou com força, pulando, fazendo-me saltitar com ela. ― Estava tão preocupada e morrendo de saudade ― falou segurando minhas mãos e seus olhos encontraram Edward ao meu lado, porém ela o ignorou.
David também me recebeu com um demorado abraço, animado com a novidade.
Fui bombardeada por perguntas do tipo: por que Emmett sabia e eu não? Por que manteve segredo? Por isso estava tão estranha? Não acredito que escolheu Emmett para guardar essa informação! Não confia em mim?
Tentei responde-los da melhor forma possível, mas não tinha muito a contar, não queria colocar meus medos em pauta. Porém, quando nos sentamos na aconchegante sala, não precisei mais me preocupar com isso, pois meu irmão tirou o foco de mim.
― Já que estamos falando de novidades e estão todos aqui... Acho que é um bom momento ― David falou, olhando para a baixinha sentada ao meu lado. ― Alice? ― ele a incentivou, fazendo-a sorrir.
― Ok ― murmurou, pegando o colar em seu pescoço, puxando o pingente que desaparecia dentro do decote de sua roupa.
Alice mostrou o lindo anel pendurado na fina corrente e Emmett, sentado em uma das poltronas, riu alto, abafando a animação de Esme.
― Tem certeza disso? ― o homem moreno indagou, olhando David, parecendo se certificar de que meu irmão não tinha enlouquecido e vi Alice revirar os olhos.
― É claro que tenho certeza.
― Você é corajoso, muito corajoso ― riu ainda mais.
― Isso é maravilhoso! Mas por hoje chega, vamos parar por aqui, meu coração não aguenta mais surpresas ― Esme informou sorrindo.
― Bom, eu já estava sabendo sobre o pedido e imaginava qual seria a resposta, então... ― falei e Alice me olhou, boquiaberta.
― A gravidez, a decisão de viajar, meu pedido de casamento...! Qual o problema, você não confia em mim? ― perguntou realmente magoada e Emmett gargalhou.
― Não quero colocar mais lenha na fogueira, mas eu também já estava sabendo sobre o pedido ― falou entre risadas. ― Isabella me contou.
― Não acredito! ― Alice exclamou, incrédula.
― Eu pedi para que ela não contasse a você ― David interveio em minha defesa.
― Um pedido de casamento é para ser uma surpresa ― Edward se pronunciou, depois de passar um bom tempo só observando.
― Você, fica fora disso ― ela retrucou e Edward levantou as mãos, se rendendo, voltando a se recostar no sofá, no lugar ao lado de David, cumprimentando-o, dando os parabéns.
― Desculpe, Alice, sei que devia ter contado sobre tudo, mas se tivesse feito isso você já estaria organizando uma festa e isso não seria...
― Uma festa não, ― ela me interrompeu ― um chá de bebê! ― anunciou. ― O que acha de bexigas na cor pêssego? ― perguntou aparecendo, do nada, com um bloquinho de notas ― Não sei se vocês vão querer saber o sexo logo, então pensei em algumas cores neutras ― informou e notei o breve sorriso de Edward, sentado a minha frente.
― Eu volto a perguntar: Você tem certeza, cara? ― Emmett se dirigiu a David e foi atingido por uma bolinha de papel amassado.
― Não o confunda! ― a baixinha o repreendeu e todos riram.
― Alice, acho que Bella não está pensando no chá de bebê agora. Mal caiu a ficha sobre a gravidez, não é mesmo querida? ― Esme falou e suspirei.
― É... acho que ainda estou lidando com isso ― expliquei e logo me corrigi: ― Quero dizer, ainda estamos lidando isso ― olhei aquele par de esmeraldas.
― Vocês serão ótimos pais ― Carlisle afirmou e confesso que aquilo ecoou em minha mente por um bom tempo.
...
O caminho de volta foi silencioso e agora, enquanto terminava de vestir minha camisola, pensava mais uma vez nas palavras de Carlisle. Nós seríamos bons pais? Eu seria uma boa mãe? Como poderia ser? Como eu seria uma boa mãe se nunca tive uma? Inconscientemente levei minhas mãos até minha barriga, sentindo-me tão insegura, tão...
― Isabella? ― a voz de Edward me surpreendeu e olhei por sobre o ombro, vendo-o ali parado na entrada do closet.
― Oi ― minha voz não passou de um sussurro e desviei o olhar, dobrando algumas das roupas espalhadas por ali, enquanto sentia minhas bochechas esquentarem.
― Ainda está pensando sobre que tipo de pessoa você é? ― perguntou com um sorriso torto nos lábios.
― Não mais.
― Então, porque está corando agora?
Olhei-o novamente: Edward estava com a camisa desabotoada, mostrando parcialmente seu abdômen.
― Por muitos motivos ― falei baixo, guardando minhas roupas em uma gaveta e organizando alguns cabides, quando senti o calor de seu corpo, aninhando minhas costas em seu tórax.
Minha pele se arrepiou quando sua barba roçou em meu pescoço, seus lábios traçando um caminho até meu ombro e então até minha nuca, suas mãos desceram por meus braços, chegando as laterais do meu quadril e suspirei, estremecendo. Levei minha mão até seu pescoço, mantendo-o ali, e seus dedos subiram por minha barriga, passando pela minha cintura, chegando delicadamente aos meus seios e um gemido baixinho escapou por meus lábios. Virei-me e sua boca se moldou a minha, sem pressa, fazendo meu coração acelerar.
― Edward ― interrompi o beijo, segurando seus ombros para afastá-lo, e apoiei-me em seu peito. ― Acho melhor irmos dormir ― falei com a respiração um pouco ofegante.
― E eu acho melhor você se casar comigo ― propôs em voz baixa e recuei para poder olhar em seus olhos.
― O que?
― Pensei um pouco em tudo isso ― seus dedos tocaram a lateral de meu rosto. ― E como eu disse, eu assumo a culpa de ter te seduzido ― sorriu e acabei sorrindo também ― Sei que não devia ter acontecido do jeito como aconteceu, sei como se sentiu no dia seguinte e depois de ouvir suas preocupações hoje, percebi que não devemos fazer isso assim, então...
Edward caminhou até sua mala sobre o armário ali perto e de dentro de um dos zíperes tirou um anel com uma pedra rosada, que logo reconheci como meu anel de noivado, então voltou até mim, e sorrindo perguntou:
― Preciso ajoelhar dessa vez também? ― lembrava-me da primeira vez que ele me pediu em casamento e balancei a cabeça, dizendo que não ― Mas eu acho melhor ― falou, antes de se ajoelhar a minha frente. ― Isabella Swan... ― começou e não pude evitar rir, sendo acompanhando por sua risada também.
Era estranho. Uma situação desconfortável e embaraçosa para nós dois. E clima ali se tornou denso.
― Bella ― seu tom agora era mais sério e mais baixo, só para mim, e respirei fundo, encontrando seu olhar. ― Eu olho para meu passado e só vejo você, e quando penso no meu futuro, não consigo visualizá-lo sem você nele. Eu não tenho vida sem você ― de repente tudo ficou muito sério e meu peito doeu, quando respirei lentamente, tentando manter a calma.
― Promete que nunca mais irá embora...
― Eu nunca fui ― revelou, em voz baixa. ― Meu coração sempre esteve aqui.
― Edward... ― comecei, porém parei, sem saber o que fazer, ou talvez eu soubesse, mas achava que não era o momento.
― Casa comigo?... de novo ― acrescentou por fim e isso fez um breve sorriso aparecer no canto de seus lábios.
― Me abraça ― pedi e ele se levantou, suas mãos deslizando de minha cintura até minhas costas, embrulhando-me em seus braços, enquanto me deliciava com seu perfume. ― Preciso mesmo responder? ― murmurei e seus dedos ergueram meu queixo com cuidado, seus olhos prendendo os meus por alguns instantes, antes de sua boca acariciar meus lábios.
― Agora não ― sorriu, voltando a depositar um beijo delicado no canto da minha boca.
Sabia que aquilo não era a solução para tudo, assim como sabia também que Edward tinha total consciência disso.
***
Nos dias que se passaram Edward esteve muito ocupado com o trabalho e permiti que Alice me acompanhasse as consultas com a médica que Alec tinha recomendado, o que fez a baixinha surtar, já que para ela isso era um “privilégio” e recompensava o fato de eu ter guardado segredo sobre a gravidez. Além disso, fui arrastada para seu ateliê, para provar o vestido que usaria em seu grande desfile da nova coleção, esse que seria decisivo em sua carreira como estilista.
― Ou entro para a lista de grandes nomes da semana de moda de NY ou serei massacrada pelos críticos ― ela comentou na terça-feira à tarde, abotoando o lindo vestido em meu corpo.
― Tenho certeza que recebera todo o mérito que merece, vi seus desenhos, são lindos. ― falei, enquanto admirava as flores coloridas bordadas no tecido ― E esse vestido... é magnífico!
― E tem que ser, é a principal peça da coleção.
― Como assim? Alice?
― Eu sei, eu sei, você não quer atenção ― suspirou, sentando-se no banquinho ali perto, com várias agulhas e grampos em suas mãos, e esperei que ela se explicasse. ― É que... Eu desenhei esse vestido para seu casamento, ou melhor, segundo casamento. Mas então você e Edward aparentemente não se entenderam, pensei que tudo estava perdido, foi quando resolvi mudar a cor dele e colocá-lo na coleção como destaque. É o meu vestido preferido de todos que já desenhei.
Olhei novamente o tecido azulado, com as flores que iam desde um vermelho até um rosa delicado, algumas bordadas, outras em alto relevo... E de repente conseguindo visualizá-lo perfeitamente em uma cor clara.
― Era para ser branco ― murmurei e ela assentiu.
― Branco com as flores em rosê bem clarinho ― Alice contou. ― Eu o desenhei para você e não podia deixar uma modelo qualquer usar, então sinto muito, mas terá que posar ao meu lado para as fotos ― avisou e suspirei, fazendo-a revirar os olhos. ― Bom, fiz ele nas suas medidas, mas não imaginei que estaria grávida! ― exclamou, levantando-se e ajeitando o tecido ao redor de minha cintura.
― Mas está sobrando ― apontei e ela riu.
― É que, quando Emmett contou sobre a gravidez, eu apenas... sei lá, imaginei que você estaria mais “barriguda” ― fez aspas na palavra e riu de minha expressão ofendida refletida no espelho. ― Enfim, acho que aumentei muito.
Eu dei um leve empurrãozinho em seu ombro e Alice riu alto.
― Mas, agora é sério, não terei tempo de ajustar esse vestido de novo, então não pode engordar ou emagrecer até sábado ― avisou. ― Principalmente engordar, porque senão teremos que apertar meu sobrinho em uma cinta e não queremos isso ― brincou e acabei rindo.
Alice terminou de prender os alfinetes na cintura do vestido e hesitei em contar a ela, porém acabei revelando: ― E será que consegue fazer outro desse em uma cor clara, mas não branco, talvez um nude com as flores rosê? ― indaguei e ela pareceu confusa. ― É a segunda vez, e estou grávida, acho que não é certo usar branco ― expliquei e sua expressão surpresa me fez sorrir.
― Isso é sério?! ― exclamou e assenti ― Então, está tudo bem? Vocês estão bem? ― sua pergunta me pegou desprevenida e minha demora em responder foi interpretada de forma errada, como falta de compreensão já que Alice explicou ao que se referia: ― É que não pude deixar de notar um clima estranho no dia em que chegaram.
― Estamos nos acertando aos poucos ― respondi e ela apenas assentiu.
― Dê tempo ao tempo.
Talvez Alice tivesse razão, eu queria que ela tivesse, porém não acreditava que o tempo possuía algum poder de cura.
...
Na manhã de sexta-feira encontrei mais um bilhete de Edward dizendo que precisou sair cedo... Era incrível como arrumávamos desculpas para evitar conversar, às vezes evitávamos até ficar a sós por muito tempo, o que explicava porque insistimos tanto ter meu irmão, Alice e Emmett sempre em nossa casa para um jantar em “família”. Estávamos nos evitando, isso era óbvio, e quando conversávamos apenas nos mantínhamos dentro de um assunto confortável, quase sempre minha gravidez. Parece que o pedido de casamento tinha tornado tudo mais tenso, mais complicado. E eu me apegava às pequenas coisas, sem querer encarar o resto.
“O quarto branco ao meu redor era sufocante e todas as marcas de agulhas em meu braço me torturavam. Minhas mãos estavam tão brancas, minhas unhas quebradiças. Sentia-me como se estivesse tentando me equilibrar no alto de um penhasco. Apertei o papel em meus dedos e então passei para Alice, que segurou a carta parecendo hesitante.
― Não há necessidade disso, nada de ruim vai acontecer.
― Por favor, Alice.
― Não, você não vai morrer, não precisa de carta de despedida.
― Não é uma carta de despedida. Vou me despedir dele pessoalmente, isso é o empurrãozinho que sei que Edward irá precisar para seguir em frente.
― Mas...
― Eu sei. Porém, se algo acontecer, preciso ter a certeza de que ele irá conseguir, eu preciso que ele fique bem.
― Por que eu?
― Porque confio em você. Por favor, Alice.
― Tudo bem ― acabou por concordar, guardando a carta em sua bolsa.
― Uma semana depois ― avisei e ela me olhou confusa. ― Se algo acontecer, quero que entregue a carta uma semana depois.
Alice me encarou por alguns instantes, talvez sem concordar, talvez angustiada, porém não protestou, nem discordou, apenas assentiu murmurando um “ok”.”
Respirei fundo tentando afastar todos meus pensamentos, sentindo o ar suave que entrava pela sacada do quarto e caminhei até lá fora, onde o fraco sol do inicio do inverno tocou minha pele e levei minhas mãos até minha barriga, por um momento me sentindo completa e ao mesmo tempo suscetível a tudo ao meu redor, sensível a tudo.
Peguei meu celular e disquei rapidamente o número em minha cabeça, ouvindo chamar duas vezes antes da voz animada soar do outro lado da linha:
― Oi, Emmett.
― Hey, como está?
― Bem... ― respirei fundo.
― Certeza?
― Tem companhia para o almoço hoje?
― Sim, combinei de almoçar com uma garota de cabelos castanhos, desfalcada de memória ― acabei rindo. ― Meio-dia e meia, no lugar de sempre.
― Obrigada ― falei baixo.
― Até mais.
― Até.
.
Cheguei ao restaurante do David eram quase meio-dia e quarenta e logo vi Emmett em uma mesa mais afastada, parecendo muito distraído, tanto que nem notou quando me aproximei. Parecia perdido em pensamentos com um olhar distante para além da janela ao seu lado, que ele tanto encarava.
― Emmett? ― chamei-o pela segunda vez e ele realmente ficou surpreso quando se deu conta de minha presença.
― Oi! ― levantou-se para me abraçar ― Desculpe-me, estava...
― Distraído? ― tentei ajudá-lo com as palavras, sorrindo ao receber seu abraço.
― Um pouco ― concordou, antes de puxar uma cadeira para mim.
― Aconteceu alguma coisa?
― Não ― ele sorriu, sentando-se a minha frente, do outro lado da mesa, porém sua resposta soou muito rápida.
― Emmett, sou uma boa ouvinte.
― Eu sei. É que... ― ele respirou fundo. ― Ainda não estou pronto para falar e admitir certas coisas para mim mesmo. Mas quando estiver, sabe que será a primeira pessoa que vou procurar.
― Ok, então ― concordei, notando seu breve sorriso sem a áurea brincalhona de sempre.
― Hoje você fala e eu ouço ― anunciou, pegando o cardápio.
Ficamos alguns minutos estudando o cardápio, mesmo já conhecendo praticamente todos os pratos de David, e quando fizemos os pedidos reparei em algo.
― Não está trabalhando hoje? ― reparei que Emmett não vestia o habitual terno, e sua expressão foi de alguém indignado com minha pergunta.
― Claro que não, Bella, é sexta-feira! Quem trabalha na sexta?!
― Acho... que tudo mundo ― acabei rindo e ele também, de repente mais alegre.
― Fiquei preocupado quando me ligou, parecia um pouco... triste ― sua voz soou muito suave e seus olhos encararam os meus, buscando talvez algum sinal de que eu tivesse chorado, ou algo do tipo. ― O que houve?
― Eu não sei... ― murmurei ― Edward me pediu em casamento...
― Mas isso já era esperado, não era?
― Por quê?
― Porque ele te ama.
― Ou porque estou grávida.
― Aonde pretende chegar? ― sua expressão era confusa.
― Não conseguimos conversar sobre nada além da gravidez, é só entrar em qualquer outro assunto e começamos a brigar...
― Acha, então, que Edward só voltou e que vocês só estão juntos agora porque está grávida? Esta minimizando todo o resto, Bella.
― Talvez...
― Olha, posso afirmar que isso aconteceria cedo ou tarde. Talvez, um filho acelerou o processo e fez vocês dois pararem de serem cabeças duras e aceitarem que não conseguem viver separados. Apenas isso.
Suspirei, e repousei minhas mãos sobre a mesa, surpreendendo-me quando seus dedos tocaram os meus.
― Muita coisa aconteceu, vocês seguiram suas vidas, Edward esteve com Tanya, você conheceu Thomas, tiveram outras experiências, viveram outras coisas e isso não se apaga assim, em um estalar de dedos... ― falou, logo revirando os olhos ao notar o que tinha dito e acrescentou: ― Por mais irônico que isso seja.
Pois é, minhas memórias foram apagadas assim em um estalar de dedos, quase dois anos da minha vida foram apagados e outros cinco foram roubados de mim, simplesmente assim... Tão fácil e rápido como um piscar de olhos.
― Precisam se perdoar por isso, não só perdoar um ao outro, mas a si mesmos.
― E como fazemos isso?
― Diálogo, precisam conversar. Ignorar tudo não vai levá-los a lugar algum ― apontou e sorriu. ― Tudo ficará bem ― ouvi suas palavras e assenti, tentando sorrir, mas não sei se consegui.
Ele tinha o dom de me distrair, afastando todas as minhas preocupações e por um momento percebi que até Emmett pareceu esquecer o que quer que estivesse perturbando-o. Quando saímos do restaurante me sentia mais alegre, porém isso mudou totalmente assim que pisei na calçada e uma sensação estranha me tomou, algo gélido percorrendo meu corpo em direção às extremidades e olhei ao redor, tinha muita gente passando por nós, muitos rostos diferentes, mas todos eram desconhecidos, pelo menos aqueles que consegui visualizar melhor. No entanto, sentia como se tivesse deixado algo passar..., deixando alguém passar despercebido.
― Emmett ― chamei-o, que estava um passo atrás de mim e tive um sobressalto com o susto quando sua mão tocou meu ombro.
― Tudo bem? ― perguntou e segurei o seu braço ― Suas mãos estão geladas ― ele cobriu meus dedos com os seus.
Eu ainda olhava ao redor e quando me voltei para o rapaz ao meu lado ele também procurava algo entre as pessoas, tentando ver o que tinha me assustado.
― O que foi?
― Senti algo estranho, como se alguém estivesse nos observando... me observando ― contei e seu braço contornou meus ombros, mantendo-me perto, enquanto ele olhava ao redor.
― Vem, vou te levar para casa.
― Mas, meu carro...
― Depois eu busco ― informou e não o contrariei. ― Está pálida, Bella.
Encolhi-me no banco do passageiro, enquanto Emmett dirigia e automaticamente levei minha mão até minha barriga, respirando fundo.
― Como se sente?
― Suscetível a tudo ― respondi e endireitei os ombros, tentando sorrir. ― Talvez sejam apenas meus hormônios... gravidez.
― Não sei... ― ele pareceu não concordar ― Vou falar para Edward que você precisa de um segurança, não pode sair por aí sozinha.
― Não, gastos com isso esta fora de cogitação.
― Como assim? Está negando dinheiro para a sua segurança Bella?
― Não é isso... ― tinha dito mais do que podia ― Não há necessidade de Edward saber de apenas uma sensação ruim que tive.
― Sentiu que estava sendo observada, e quer saber? Eu confio na intuição feminina.
Entrei em casa enquanto ouvia Emmett ao celular com Edward, logo atrás de mim.
― Ele quer falar com você ― informou, segurando o aparelho.
― Sério? ― murmurei em um tom de ironia, mas o rapaz moreno fingiu não notar.
Eu não queria conversar com ele agora, mas também sabia que Emmett estava fazendo disso um "empurrãozinho" para que iniciássemos um diálogo, então peguei o celular.
― Edward? ― falei, caminhando em direção à sala, sentando-me no sofá.
― O que houve?
― Foi apenas um mau pressentimento, Emmett está aumentando a história ― contei, e ele ficou em silêncio por alguns segundos.
― Estou terminando uma negociação e então irei para casa, Emmett ficará com você até eu chegar.
― Ok ― foi a única coisa que consegui dizer e então ouvi seu “até logo”, em seguida desliguei a ligação.
Havia muita coisa em minha mente, recordações, sentimentos, anseios, desejos, medos. Juntando tudo isso com a relação desestabilizada e frágil que estava vivendo com Edward, perguntava-me se realmente conseguiria me manter firme por muito mais tempo. Ele não conseguiria. Edward estava exausto, cansado, eu podia sentir isso, assim como no dia em que ele partiu, deixando-me para trás... E assim como naquele dia, estou caminhando sobre uma corda bamba, sem ninguém para me segurar se eu cair.
Eram por volta das quatro horas quando ouvi a porta abrir, enquanto eu e o rapaz moreno estávamos na cozinha para um café da tarde, Emmett acabava de se servir de um pouco de café puro quando o homem de cabelos cor de bronze, misturados a fios brancos, apareceu, seus olhos verdes indo diretamente até mim.
― Como está? ― perguntou.
― Estou bem, não foi nada demais.
― Precisa relaxar um pouco, repousar, está abatida ― foi Emmett quem falou.
― Vou descansar ― houve alguns segundos de silêncio e foi o rapaz sentado ao meu lado o primeiro a quebrá-lo novamente.
― Então acho melhor eu ir.
― Mas não vai terminar o café? ― indaguei, vendo-o se levantar ― Fica mais um pouco ― meu desespero para que ele não fosse era evidente.
Emmett se abaixou para me abraçar e murmurou próximo ao meu ouvido: ― Desculpe, mas vocês precisam conversar.
Apenas assenti e ele se afastou, segurando minhas mãos, olhando em meus olhos.
― Qualquer coisa é só me ligar, ok?
― Ok ― concordei e voltei a me sentar, vendo Edward acompanhá-lo até a porta.
Por um momento encarei minha xícara de chá, perdida ali, ouvindo passos se aproximando, respirando fundo, antes de me voltar para o homem que puxava uma cadeira para perto de mim.
― Minha reunião demorou mais do que eu esperava.
― Eu estou bem ― falei, vendo-o afrouxar o nó da gravata, retirando-a e deixando sobre seu paletó amontoado na cadeira ao lado. ― Qual o problema entre você e Emmett? ― ele pareceu levemente surpreso com minha pergunta ― Notei algo entranho no dia em que chegamos.
― Não é nada demais ― falou, enquanto desabotoava alguns botões da gola de sua camisa e respirava fundo, parecendo cansado. ― Nós brigamos, antes de eu voltar para Londres, só isso. Mas logo estaremos bem ― explicou e inconscientemente levei meus dedos até suas mãos, desabotoando os punhos de sua camisa.
― Eu espero que sim ― murmurei, dobrando suas mangas e quando terminei percebi seus olhos analisando cada centímetro de meu rosto, fazendo minhas bochechas corarem.
E sem aviso ele apenas se aproximou, beijando meus lábios, aprofundando o beijo com cuidado, fazendo-me suspirar antes de afastá-lo.
― Precisamos conversar ― falei, assim que Edward se afastou um pouquinho e notei um pequeno sorriso de lado. ― Naquele dia, em que encontrei o anel no seu apartamento, achei a carta que escrevi para você antes de fazer a cirurgia.
― Eu imaginei que tivesse encontrado.
― Por que não me falou sobre ela? ― perguntei e notei que ele ficou mais sério do que o normal.
― Porque não vou usar uma carta que você escreveu em um momento de angústia para justificar as minhas decisões, os meus erros, Isabella.
― Mas eu pedi isso, pedi que se permitisse conhecer outras pessoas... e entendo que quando acordei, sem memória e fiz de tudo para te afastar, criei o momento perfeito para que você conseguisse seguir em frente sem sentir a dor do luto, sem sentir a culpa de me colocar em segundo plano em sua vida. Finalmente estava livre.
― Nunca estive preso a você, se estava ao seu lado era porque eu queria.
― Apenas fez o que pedi.
― Não vai assumir a culpa pela dor que eu te causei, Isabella.
― E então, o que vamos fazer? ― perguntei, respirando fundo ― Porque, talvez seja egoísmo meu dizer que consigo me perdoar, mas não a você ― sequei rapidamente a lágrima que ameaçava cair de meu olho. ― Não consigo, Edward.
― Não a culpo ― ele falou baixo, seus dedos acariciando meu rosto. ― Não a culpo por ter me mandado embora, por ter tido medo de mim, você tinha todo o direito ― seu olhar concentrava em meus traços, em minha boca que eu apertava sem perceber. ― Aquele não era eu.
― Não, não era. Aquele era uma sombra sua, uma versão à beira da loucura e do desespero, causados por mim.
― Não, Isabella. Causados não por você, mas pela sua ausência.
Toquei seu rosto e suas mãos seguraram as minhas, quando ele beijou as pontas dos meus dedos.
― E eu não o culpo por ter ido embora, por não ter estado aqui quando eu mais precisava de você... Não te culpo Edward, eu entendo que precisava disso, mas...
― Eu sei, também não consigo me perdoar.
Silêncio. Suas mãos seguravam as minhas e suspirei antes de me levantar, parecendo esgotar todas as minhas forças.
― Vou me deitar um pouco ― falei baixo. ― Vem comigo? ― Edward assentiu, seguindo-me casa adentro.
.
E naquela noite, quando acordei e rapidamente limpei as lágrimas, que desciam por meu rosto, antes que molhassem meu travesseiro, percebi que Edward não estava ali. Sentei-me, acendendo a luz e coloquei meus sapatos, porém deixei o robe para trás, caminhando pela casa fria apenas com minha camisola de alcinhas. Algo em mim dizia que deveria ter ficado na cama e tentado voltar a dormir, mas também sabia que era algo que eu não conseguiria fazer tão logo, então desci as escadas, acendendo as luzes de cada cômodo pelo qual passava, até chegar à cozinha que já se encontrava iluminada e ver a porta para o jardim aberta. As pequenas luminárias no chão mostravam o caminho até o banco sob a copa da grande árvore, Edward estava ali perto de costas para a casa. Cruzei os braços em frente ao meu corpo, para me proteger do vendo frio, antes de caminhar pela trilha, porém parei vendo Edward depositar as cinzas do cigarro no cinzeiro apoiado no banco ao seu lado. Aproximei-me um pouco mais e senti meu corpo estremecer.
― Não devia fumar ― falei baixo e Edward não pareceu surpreso com minha presença, quando se virou para me olhar, com uma expressão levemente confusa. ― Não devia fumar, isso é cancerígeno ― apontei e ele balançou a cabeça lentamente, apagando o cigarro no cinzeiro.
― Eu sei, me desculpe.
― Não me disse porquê sua reunião atrasou ― notei e ele passou a mão nos cabelos, encarando o chão. ― As coisas não estão melhorando, não é mesmo? Digo, financeiramente.
― Não tem que se preocupar com isso.
― Preocupo-me com você ― informei e notei que Edward por um momento queria dizer algo, mas mudou de ideia.
― É melhor entrarmos ― ele se aproximou, tocando meus braços. ― Está frio, aqui, para você.
Porém, dei um passo para ao lado, entrando em seu caminho quando ele iria passar por mim. Fiquei de frente com ele, erguendo o olhar para fitar seus olhos.
― Você é melhor que ele ― afirmei e notei seus olhos se desviarem dos meus, quando negou.
― Vamos entrar, Isabella ― mas minhas mãos tocaram seu tórax, segurando-o ali a minha frente.
― Edward ― pedi por sua atenção e finalmente seus olhos encontraram os meus. ― Eu não conheci o seu pai, mas lembro de ouvir histórias. E posso dizer que você foi um marido para mim do tipo que ele nunca foi para sua mãe, e sei que será um pai muito melhor do que ele, porque é um homem melhor do que ele foi, disso não tenho dúvidas. Vai conquistar muito mais do que ele conquistou, porque você merece.
Aproximei-me mais um passo dele, sentindo seus batimentos calmos na palma da minha mão sobre o tecido de sua camiseta e deixei que minhas mãos deslizassem ao redor de seu corpo, abraçando-o, e encostando minha cabeça sobre seu tórax, fechando os olhos ao ouvir seu coração calmo e sentir seus braços ao meu redor.
― Obrigado ― murmurou.
***
Terminei de me arrumar no sábado de manhã e encontrei Edward em seu escritório, ele falava ao telefone, então esperei caminhando pelo lugar, afastando um pouco as cortinas para que o fraco sol esquentasse e iluminasse um pouco o lugar, permitindo-me olhar o homem concentrado em alguns papéis enquanto respondia a pessoa do outro lado da linha, e confesso que minha pele só se aqueceu quando seus olhos se dirigiram a mim, fazendo-me encarar o chão sabendo que meu rosto estava corado. Não demorou muito e ele finalmente desligou a ligação, organizando algumas pastas.
― Bom dia ― sorriu para mim, mas ele não parecia querer sorrir, estava preocupado.
― Bom dia ― aproximei-me de sua mesa. ― Não queria atrapalhar, eu só vim avisar que estou de saída... Prometi que tomaria café com Alice, para tentar acalmá-la.
― Claro ― falou como se por um momento tivesse se esquecido do grande desfile hoje. ― Antes que saia, preciso te apresentar uma pessoa ― informou, levantando-se.
Edward me guiou até a garagem, onde vi um carro sedan BMW e ao lado um homem de terno, que quando veio em nossa direção me pareceu muito familiar.
― Esse é...
― Vincent ― eu o interrompi, quando o nome simplesmente surgiu em minha cabeça.
― Isso, ele... voltará a ser seu motorista e segurança.
― Sr.ª Masen, ― Vincent tinha uma expressão serena ― fico feliz em saber que está melhor.
Acredito que a última vez que vi Vincent ainda estava muito doente e então entrei em coma, além disso, tenho certeza que Edward tinha informado sobre meu problema com minha memória. Mas não foi sua preocupação de me chamou a atenção e sim o jeito como se referiu a mim: “Sr.ª Masen”. Por alguns instantes quis corrigi-lo, eu não era a Senhora Masen, ele podia me chamar simplesmente de Isabella, ou se insistisse em um pronome de tratamento esse deveria ser Senhorita Swan. Porém deixei isso de lado, talvez porque fosse tudo muito confuso, ou talvez porque eu queria ser a Sr.ª Masen.
― Sim, estou melhorando ― sorri. ― Obrigada.
Notei um breve aceno de cabeça de Edward e Vincent se afastou, voltando para perto do carro.
― Tenho uma reunião mais à tarde, então provavelmente só voltaremos a nos encontrar no evento.
― Pensei que íamos juntos.
― Eu sei, sinto muito ― senti seu toque em meu braço e seus dedos deslizando até minha mão. ― Mas prometo que estarei lá te esperando.
― Ok ― murmurei, sem realmente querer dizer alguma coisa, apenas me aproximei e depositei um beijo em seu rosto, perto do canto de sua boca, antes de caminhar até o carro.
Vincent abriu a porta para mim e não ousei olhar para trás, naquele momento não queria encarar os olhos verdes que provavelmente acompanharam o carro até que saísse da garagem.
Olhava sem realmente ver tudo que passava pela janela do carro, enquanto meus dedos tocavam o lugar onde deveria estar meu anel de noivado, em minha mão esquerda, mas não consigo usá-lo. Por que era tão difícil simplesmente deixar de lado?
― Rosas, peônias ou lisianto? ― Alice perguntou durante o café, enquanto fazia anotações em um bloquinho.
― Com todas as preocupações de hoje e ainda consegue fazer os preparativos para o seu casamento? ― indaguei.
― O meu casamento não, o seu.
― O que?! Alice! ― exclamei rindo.
― Alguém tem que organizar esse casamento.
― Mas... ― fiquei sem palavras.
― Pensei que iria querer se casar antes da barriga aparecer, até porque é mais fácil para eu desenhar o vestido ― Alice apontou algo que eu ainda não tinha pensado, na verdade ainda nem tinha pensado em uma festa de casamento. Será que isso era certo?
― Eu não sei.
― As decisões dos últimos anos ainda pesam, não é?
― Muito. Talvez... acho, que devemos esperar. Depois... ― era tão difícil assim pronunciar aquelas palavras? Respirei fundo e tentei endireitar os ombros ― Depois que o bebê nascer.
― Deviam conversar sobre isso ― Alice avisou.
― É, devíamos.
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