Notas iniciais
Espero que ainda haja alguém acompanhando a fanfic... Boa leitura!

Isabella’s POV

Enquanto o carro se aproximava do grande evento, vi a enorme quantidade de pessoas na majestosa entrada, rodeada de fotógrafos, paparazzis e repórteres. Sentia-me desconfortável e respirei fundo ao olhar para o lado e encarar o banco vazio. Peguei meu celular, decidindo ligar para Emmett ou David, eles já deveriam estar lá e podiam me encontrar na entrada, porém o aparelho estava sem bateria. Tentei ajeitar a grande saia rodada do meu vestido amontoada no chão do carro, quando paramos e endireitei os ombros, mantendo-me firme. A porta se abriu e peguei minha pequena bolsa para sair, porém parei de repente quando não me deparei com o meu motorista, mas sim com o dono dos olhos verdes mais lindos que já vi. Ele sorriu para mim e estendeu-me a mão, a qual segurei e apoiei-me para sair do carro.

― Falei que estaria aqui te esperando ― Edward me lembrou, sussurrando próximo ao meu ouvido. ― Está linda ― murmurou e sorri.

Caminhei ao seu lado e deliciei-me com a sensação de quando seus dedos se entrelaçaram aos meus da mão direita, fazendo com que inconscientemente minha mão esquerda segurasse seu braço. Não conseguia entender, como sem perceber eu reagia a ele, mostrando que aquilo que era tão complicado para minha mente para meu corpo era simples. Continuei segurando em seu braço, sentindo seus bíceps rígidos sob o blazer, tensos, enquanto passávamos pela entrada, pelos fotógrafos, e tenho certeza que ouvi alguns repórteres chamando pelo Sr. Masen, mas Edward não se deu ao trabalho de olhar. Entramos no grande salão, onde acontecia um coquetel de recepção, havia muitas pessoas ali e boa parte delas parecia conhecer o homem ao meu lado, cumprimentando de longe, alguns trocando palavras rápidas...

Até que reconheci um rosto, um rapaz alto e loiro, acompanhado de uma garota que não devia ter mais de dezessete anos, rapidamente se dirigiu a nós e notei a postura de Edward ficar mais tensa, principalmente quando soltei sua mão, segurando apenas em seu antebraço, criando uma formalidade ali. Tínhamos encontrado com aquele rapaz há algum tempo e rapidamente me lembrei dele parabenizando o homem que me acompanhava. Agora sei que os “parabéns” não eram apenas pelo casamento marcado, mas sim pelo bebê que chegaria.

― Joseph ― Edward o cumprimentou e em seguida a garota de cabelos claros, que tinha um sorriso doce ― Evelyn, faz tanto tempo assim que eu não te vejo? ― seu tom era um pouco indignado e a menina sorriu envergonhada.

― É por causa do salto ― ela respondeu rindo.

Então Edward se voltou para mim, mas antes que pudesse me apresentar Joseph o interrompeu.

― Isabella Swan, ― o rapaz loiro me cumprimentou ― nunca me esqueço do nome de uma bela mulher.

― É claro que não ― Edward pareceu levemente irritado. ― Essa é Evelyn Muniz, irmã de Joseph ― informou.

― Ainda bem que te encontrei aqui, Evelyn está obcecada com as coleções de roupas da Alice e quando contei que ela era sua prima...

― Será que eu posso conhecê-la? ― a garota falou depressa, ansiosa.

― Pode sim, ela irá adorar te conhecer.

― Agora ela deve estar falando com os repórteres, mas depois do desfile eu te levo até os bastidores para conhecê-la ― pronunciei-me e Evelyn sorriu, animada.

― Ah, obrigada, não vejo a hora! Seu vestido é assinado por ela, não é? Eu o vi no catálogo, é tão lindo.

― Sim, é mesmo lindo ― concordei, olhando o vestido em meu corpo.

― É magnífico.

― Falando em coisas magníficas, como está a paternidade? ― Joseph mudou o assunto e aquilo me fez congelar por dentro ― Encontrei com Tanya há uns dias, e ela estava radiante.

― Não tem como estar diferente, não é mesmo? Ainda mais agora que Alex já está fora de risco ― a resposta de Edward fez com que eu recuasse.

― Que bom que está tudo bem agora. Alexander, certo? ― indagou e Edward assentiu ― Tanya me contou, é um lindo nome.

Não posso negar que ouvir Edward responder como se estivesse casado com Tanya e fosse pai da criança me deixava desconfortável, e inconscientemente levei minha mão até minha barriga, sentindo o corpete do vestido e o tecido delicado, enquanto olhava ao redor, procurando uma fuga e meu coração só se acalmou quando entre as pessoas reconheci meu irmão a alguns metros dali. Então, pedindo licença me afastei, deixando a conversa sobre Tanya para trás.

Caminhei por entre olhares e comentários sobre meu vestido, sendo recebida pelo sorriso cativante de David.

― Uau! ― exclamou, antes de me abraçar ― Você está belíssima.

― Obrigada ― falei baixo, sentindo minhas bochechas corarem. ― Como está Alice?

― Pirando.

― Então está tudo sob controle ― conclui, fazendo-o rir.

Olhei ao redor incomodada, dessa vez procurando por alguém específico.

― Viu Emmett? ― perguntei.

― Ainda não ― meu irmão o procurou, também olhando ao redor, tentando ver por entre as pessoas.

― Champagne? ― um garçom ofereceu uma das taças na bandeja que ele segurava e recusamos.

Respirei fundo sem realmente perceber, só conseguia ter consciência das minhas mãos geladas e quando ouvi o tom preocupado de David apenas sorri tentando disfarçar.

― Estou bem, apenas... Será que não tem nada que eu possa beber por aqui? ― indaguei e ele sorriu.

― Vou buscar alguma bebida sem álcool, já volto.

― Obrigada ― murmurei enquanto o via se afastar.

Por sobre o ombro vi Edward agora conversando com uma mulher de cabelos pretos, que tinha um sorriso um pouco exagerado tentando manter a atenção dele. Suspirei e caminhei alguns passos até a vidraça mais perto, encarando o lindo jardim na lateral do salão, que nesse momento era iluminado por poucos pontos de luz e estava deserto. Exatamente como eu me sentia agora, perdida em uma escuridão e sozinha. Não me importava em falar sobre Tanya, mas me machucava saber que todos a colocavam em um lugar que um dia foi meu, e isso incomodava ainda mais quando me lembrava do anel de noivado, que eu me recusava a usar.

― Senhora Masen ― ouvi e virei-me, deparando com um casal, ambos aparentemente de meia-idade, a mulher muito elegante, com um sorriso simpático. Mas era o homem que havia me chamado pelo meu antigo nome. ― Onde Edward está com a cabeça de deixar a linda esposa dele sozinha? ― perguntou indignado e sorri envergonhada, procurando em minha mente da onde os conhecia ― Creio que não se lembre, já faz muitos anos...

Olhei para eles mais atentamente por alguns segundos quando o nome veio a minha mente, junto com fragmentos de imagens.

― Claro que me lembro, Sr. Carter, vocês estavam no casamento meu e de Edward.

― Por favor, apenas Franklin.

― Claro, Franklin ― concordei. ― Diana ― cumprimentei a mulher que me abraçou. ― E nos encontramos algumas vezes depois do casamento também.

― Sim, mas então você sumiu. Por onde andou?

Eles não sabiam de nada da minha doença, do coma e muito menos do divórcio.

― Viajando ― menti, sorrindo, tentando disfarçar como eu era uma péssima mentirosa.

― Isso é incrível, também preciso tirar um tempo para viajar... ― deixei de prestar atenção ao que Diana dizia quando vi Edward vindo em nossa direção.

― Franklin, quanto tempo ― o homem de olhos verdes falou ao se aproximar, tomando o lugar ao meu lado, sua mão esquerda pousando em minhas costas, puxando-me suavemente para perto de si.

― Minha nossa, parece que estou olhando para o seu pai ― Franklin falou rindo, enquanto eles se cumprimentavam com um aperto de mão.

Edward sorriu, mas percebi que não era um sorriso verdadeiro.

― Estava comentando como tem coragem de deixar Isabella andando sozinha por aí...

― É que eu fujo toda vez que ele encontra alguém para falar de finanças e trabalho ― contei e eles riram.

― Entendo perfeitamente querida ― Diana sorriu e então olhou para o homem ao meu lado, falando diretamente para ele: ― Tem que cuidar para não perdê-la, até porque concorrência é que não falta, não é mesmo? ― seu tom se tornou brincalhão e ela piscou para mim ― Já vi vários a olhando aqui.

Senti meu rosto esquentar e Edward passou o braço ao redor de meus ombros, depositando um beijo na lateral da minha cabeça.

― Eu vou cuidar ― aquilo não soou bem aos meus ouvidos, tudo aquilo... Parece que eu e ele nos tornamos excelentes atores.

― Bom, já vamos entrar e encontrar nossos lugares, nos vemos depois do desfile ― Franklin informou.

― É claro ― eu e Edward concordamos e nos despedimos com um “até logo”.

O que me chamou a atenção foi Diana, que ao passar ao lado de Edward parou, murmurando algo, fingi não perceber, vendo David vir em nossa direção. Mas confesso que me concentrei em ouvir:

― Não cometa o mesmo erro que seu pai, Edward. Você tem uma linda e maravilhosa esposa, não a perca ― não ouvi muito bem, mas creio que sejam essas as palavras que ela murmurou e então partiu.

Dei alguns passos na direção de meu irmão, que sorriu entregando-me uma taça.

― Água saborizada de frutas ― informou.

Precisava tanto beber alguma coisa que nem notei no gosto que tinha. Edward ao meu lado parecia muito pensativo, mal prestando atenção na conversa que mantinha com David. O clima era estranho e nunca estive tão deslocada. Ouvir Edward assumir um papel que me excluía era doloso, mas ver eu e ele interpretando personagens era ainda mais angustiante.

Edward avisou que precisava cumprimentar mais algumas pessoas, mas eu escolhi ficar ali com meu irmão e vi ele se afastar, era melhor assim.

Enquanto ficávamos ali, David colocou em prática todos seus conhecimentos em moda, adquiridos com Alice, e analisou as roupas das socialites presentes na recepção, fazendo-me cair na risada com seus comentário, por um momento esquecendo do resto. Caminhamos por entre algumas pessoas, deixando que elas se encantassem pelo meu vestido e depois de algum tempo já estava exausta.

― Esses saltos estão me cansando ― falei baixo.

― Vamos entrar e nos sentar, falta apenas alguns minutos para começar.

Realmente, já não havia tantas pessoas ali, a maioria já tinha ido procurar seus lugares para assistir ao desfile. Então eu finalmente avistei Emmett, do outro lado do salão, conversando com Edward.

― Devia ir ver como Alice está, enquanto isso vou retocar minha maquiagem e depois buscar aqueles dois ― falei e David sorriu. ― Nos encontrarmos daqui a pouco.

― Tudo bem, então.

Passei no banheiro, não porque realmente precisava retocar minha maquiagem, mas porque precisava de um tempo, porém nem cheguei a passar do pequeno hall de entrada, parando ali ao ouvir duas mulheres conversando lá dentro, falando sobre mim.

― É a que está desfilando com “o vestido”?

― Sim, ela.

― Sério mesmo? Ela é a amante do Edward Masen? ― uma das mulheres indagou incrédula e senti todo meu sangue congelar nas veias.

― Até onde eu sei, eles foram casados e divorciaram há alguns anos ― a outra contou.

― Uma recaída então?

― Bom, Tanya acabou de ter um filho, sabe como é... engordou um pouquinho, deve estar cansada...

― E ele se divertindo com outra. Típico dos homens ― a primeira reclamou.

― Mas pior é essa tal Swan, provavelmente foi ela que o fez adiar o casamento, deve estar tentando fazê-lo abandonar a Tanya.

― Alguém precisa avisá-la que uma vez amante sempre amante.

Minhas mãos tremiam enquanto caminhava pelo salão, sentia-me horrível, e cada pessoa ali que me olhava parecia agora estar me julgando. Caminhei o mais rápido que pude, sem correr, até a saída na lateral, sentindo enjôo. Toda essa situação me fazia mal e só me senti um pouco melhor quando o clima frio do jardim tocou meu rosto. Fechei a porta e caminhei por entre as paredes de arbusto, finalmente longe de tudo.

Deixei que meus dedos tocassem as folhas verdes, levemente úmidas, voltando a um momento específico em minhas memórias. No exato instante em que abri os olhos depois de quase cinco anos dormindo, então acordei sozinha naquele quarto, a lembrança ainda muito vívida, a sensação de estar naquela cama, o tubo que descia por minha garganta, os aparelhos...

Ali eu renasci para uma vida nova, uma vida sem dores, sem traumas, eu podia e devia deixar tudo para trás, era uma segunda chance. E porque insisti em me machucar tanto, enquanto uma voz lá no fundo dizia para que eu não fizesse aquilo? Agora estava sentindo na pele as consequências... Porque agora eu era a amante do meu ex-marido. A amante grávida, que nunca o teria completamente de volta.

Parei no centro do jardim, onde havia apenas o som da água jorrando da linda fonte, e fiquei ali por muito tempo, ou talvez nem tanto, acho que já tinha perdido a noção do relógio. O céu não tinha muitas estrelas, mas a lua brilhava, ainda não muito no alto. Eu já iria dar meia volta para o salão, quando uma respiração pesada me chamou a atenção, a poucos metros atrás de mim e quando aquela voz soou, cada nervo do meu corpo fraquejou, em choque.

― Quanto tempo, minha Bellinha.

Virei-me e encontrei os olhos escuros que tanto aterrorizavam em meus pesadelos. Eu devia gritar, devia correr, mas naquele instante minhas pernas estavam adormecidas e senti como se meus lábios tivessem sido colados.

― Pensei que teria uma recepção mais calorosa. Não estava com saudades de mim? ― ele perguntou indignado e senti as pontas dos meus dedos formigarem, meu coração batendo tão forte que sentia cada pulsação em meus ouvidos.

― Ma-Mark ― gaguejei.

Ele se aproximou muito e meus dentes bateram quando minha mandíbula tremeu, enquanto eu começava a me afogar na escuridão de seus olhos.

― Eu senti muito sua falta ― falou baixo.

Sua mão áspera tocou meu rosto, meu pescoço, indo até meu ombro.

― Senhora Masen? ― a voz de Vincent estava poucos metros atrás de mim e fechei os olhos, derrubando as lágrimas contidas ali, quando a onda de alívio me invadiu.

Mas então... Então tudo aconteceu muito rápido e quando voltei a abrir os olhos, estava de costas para Mark, seu braço em volta de meu pescoço, e o cano da arma na lateral da minha cabeça. Encarei Vincent a poucos dois metros de distância, apontando uma arma para Mark, o único problema é que eu era o escudo dele.

― Vamos conversar ― meu segurança propôs em uma voz firme, aproximando-se.

― Mais nenhum passo ― Mark avisou e ouvi o estalo da arma sendo engatilhada.

― Não... ― arfei, encolhendo-me.

― Calma, calma ― Vincent parou e encarou o homem que me segurava por alguns segundos, antes de erguer sua arma, mostrando rendição. ― Não há necessidade disso, vamos abaixar as armas ― falou, fazendo Mark rir. ― Precisa dela viva, então o que acha de apontar essa arma para mim ― propôs e a mira da arma em minha cabeça passou para o peito de Vincent. ― Isso, agora vamos negociar, ok? Diga-me o que quer?

― O que você acha?

― Então me diga o preço, e providenciarei.

Mark pensou por alguns segundos, antes de me puxar alguns passos para trás.

― Cinquenta milhões. Diga para o seu patrão que é o preço da vida da esposinha dele.

Então houve tiros e fechei os olhos, sendo arrastada às pressas, porém só fiquei consciente o bastante para ouvi três disparos, antes de apagar.

Emmett’s POV

Entrei no escritório junto com Carlisle, encontrando Alice colocando um curativo no braço de Vincent, ao canto esquerdo estava Esme sozinha em estado de choque, e Edward sentado em sua cadeira encarando a grande vidraça atrás de sua mesa.

― Inventamos uma história para os repórteres ― informei. ― E tenho quase certeza que não tinha nenhum paparazzi naquela área.

― Precisamos manter a calma ― Carlisle disse isso mais para si mesmo do que para os outros.

― A polícia já está procurando pela van e também já chamei o detetive Blake ― falei.

― O que exatamente aconteceu? ― o homem loiro perguntou, ainda tentando permanecer calmo.

― Vi a senhora Masen conversando com esse homem, ele estava bem vestido, de acordo com os convidados ― Vincent começou a contar. ― Então a postura dela mudou, foi quando me aproximei, ele apontou a arma para ela e eu recuei...

― Por que? ― Edward se pronunciou, saindo de seu estado pensativo.

― Trabalho com isso minha vida inteira, Sr. Masen, eu sei quando alguém está disposto a puxar o gatilho e ele ia puxar. Por isso abaixei a arma e negociei, fiz ele apontar a arma para mim...

O barulho da porta se abrindo o interrompeu e David entrou, segurando um pen-drive.

― Consegui a gravação da câmera de segurança ― David anunciou e foi até o notebook sobre a mesa.

Edward pela primeira vez pareceu realmente interessado, aproximando-se para ver o vídeo.

Assistimos todos em silêncio, Esme se afastou assim que viu a arma apontada para a cabeça de Isabella. Porém, o que me chamou atenção foi o momento em que o sequestrador apontou a arma para Vincent permitindo que víssemos seu rosto na imagem, e nesse mesmo instante Edward e Carlisle trocaram um olhar alarmante, e meu primo se levantou, caminhando para longe do notebook.

― Alice ― chamei-a, fazendo sinal em direção a Esme que tinha voltado a se isolar no canto da sala.

― Ok ― murmurou, indo até a mulher que estava prestes a cair em lágrimas. ― Tia Esme, vamos a recepção, acho que consigo uma água com açúcar para a senhora ― falou, guiando-a para fora da sala.

― Vincent, acompanha elas? ― pedi e ele assentiu, também saindo.

― David, tenta descobrir se a polícia tem alguma novidade ― falei, jogando meu celular para ele, que se afastou discando o número.

Edward estava de pé em frente à parede de vidro, atrás de sua mesa, encarando a cidade iluminada lá fora e Carlisle ainda estava ali paralisado, encarando o vídeo.

― Ok, tem alguma coisa a mais aqui que não estão me contando, quem é esse homem? ― perguntei em voz baixa, apontando para a tela do notebook e meu primo não se importou em responder.

― Ele parece muito o Mark, ― foi Carlisle quem falou ― Pai adotivo de Isabella.

― E porque ele a sequestraria?

― Por dinheiro. Cinquenta milhões ― Edward se pronunciou.

― Ora essa! É só pagar então, dê o dinheiro a ele.

― Não é tão fácil assim ― o homem loiro me interrompeu.

― Por que?

― Porque eu não tenho esse dinheiro ― Edward revelou, finalmente se virando para me olhar.

― Como assim?

― Isso não importa agora, precisamos pensar em algo, não podemos deixar que Isabella fique mais tempo com ele! ― Carlisle exclamou, e Edward se apoiou, na parede de vidro, atormentado.

― Mas ele era casado com a irmã da Renée, certo? Foi pai de Isabella. Ele não fará mal a ela, não é mesmo? ― falei, mas nenhum dos dois disse alguma coisa e de repente já não conseguia raciocinar direito.

― Acharam a van abandonada, mas não tem nenhuma pista da onde ele pode estar mantendo Isabella ― David informou, aproximando-se para entregar meu celular e ouvimos a porta se abrir.

― Detetive Blake ― recebi-o, percebendo por sua expressão que ele não tinha boas notícias.

― Não conseguimos muita coisa, temos que esperar o sequestrador entrar em contato e com sorte conseguiremos rastrear a ligação. Mas, nesses casos, o melhor conselho que posso dar é pagar o resgate.

― Tudo bem, obrigado detetive ― falei, antes que David o acompanhasse para fora do escritório.

― Levaria dias para conseguir essa quantia de dinheiro ― Carlisle estava falando consigo mesmo.

E eu tentava calcular se conseguiríamos tal valor de alguma forma, mas mesmo se todos ajudássemos era impossível em tão pouco tempo.

― A conta da Isabella, o dinheiro do divórcio ― exclamei, de repente. ― Tem acesso a conta, não tem?

― Vou ligar para o gerente ― Carlisle informou já pegando o celular e se afastando, algum tempo depois também saiu da sala.

― Edward, vamos dar um jeito, tudo ficará bem.

Foi idiotice minha achar que algumas palavras ajudariam, eu sabia que não. Apenas joguei as ultimas faíscas necessárias para que ele explodisse e então assisti Edward virar a cadeira a sua frente, jogar contra parede o notebook com o vídeo, empurrar tudo sobre sua mesa e socar a madeira.

― Não! Nada ficará bem, não... ― ele gritou, ofegante, apoiando-se sobre a mesa, mantendo a cabeça baixa ― Eu não a protegi, mais uma vez... ― murmurou.

― Nenhum de nós estava lá... Todos somos culpados ― falei e seus olhos repletos de desespero me encararam, e quando ele estava prestes a dizer algo o telefone tocou.

Por alguns segundos inconscientemente prendi a respiração até Edward começar a negociar com a pessoa do outro lado da linha e nesse momento o detetive Blake entrou no escritório, com o celular ligado, fazendo sinal para que Edward estendesse o tempo da ligação

― Vamos ser claros, Mark. Não há a necessidade de nada disso, se precisa do dinheiro, tudo bem, posso arranjar isso para você, mas não enquanto estiver ameaçando a vida de Isabella ― Edward ouviu atentamente. ― Não ouse tocar em um fio de cabelo dela! ― ele fez mais uma pausa, ouvindo e continuou: ― Preciso de mais tempo para conseguir essa quantia... ― ele parou, ouvindo e cada veia em seu rosto e pescoço se tornaram visíveis, enquanto Edward claramente apertava os dentes, em seguida deixando o telefone cair sobre a mesa.

― Ele desligou ― revelou.

― Conseguimos reduzir a busca a um bairro ― Blake avisou.

― Não pode enviar a polícia ― Edward falou ainda encarando o telefone.

Isabella’s POV

Acordei, mas não consegui abrir os olhos, estava vendada, e ao tentar me mexer percebi meus pulsos presos um ao outro, então de repente estava sendo carregada, queria gritar, mas não conseguia. Fui jogada sobre algo que parecia ser um sofá e a venda foi tirada, fazendo-me encarar o par de olhos escuros de Mark. Como ele podia estar exatamente do jeito que eu me lembrava?

― Pronto, Bellinha, confortável? ― perguntou e eu mal conseguia manter minha cabeça erguida, meu corpo estava sem forças ― Fiquei muito chateado, sabia? ― ele se abaixou a minha frente ― Quando escolheu ir com a sua tia e o cretino do marido dela.

Então alguém o chamou e ele suspirou, antes de se levantar e sair, subindo as escadas e fechando a porta de ferro. Meu corpo inteiro tremia, minha pele estava gelada e o ar quase não entrava em meus pulmões. Estava em algum tipo de porão, algum lugar subterrâneo e de repente as luzes se apagaram, não conseguia enxergar mais nada, mesmo sabendo que estava sozinha ali, sentia como se houvesse alguém. Encolhi-me e fechei os olhos com força, cobrindo o rosto com minhas mãos, murmurando para mim mesma que aquilo não era real.

― Por favor, é só um pesadelo... por favor, meu Deus ― sussurrei.

Mas eu não acordei daquele tormento, nada aconteceu, apenas continuei ali, por muito tempo.

― Socorro ― falei sem voz. ― Aah! ― consegui gritar antes de cair em lágrimas, e soluçar contra minhas mãos, engolindo em seco quando ouvi o som da porta abrindo.

As luzes se acenderam e limpei os olhos rapidamente, encontrando um homem, moreno, devia ser um pouco mais novo que Mark, vindo em minha direção, e meu coração gelou quando vi a faca em sua mão.

― Por favor ― encolhi-me, sem voz.

― Não vou te fazer mal, só vou soltar suas mãos, ok? ― falou e olhei enquanto ele cortava a corda em meus pulsos ― Viu? Por acaso se machucou durante o tiroteio? ― perguntou e apenas neguei com a cabeça. ― Ótimo. Não vamos te machucar, apenas queremos o dinheiro. E preciso que me passe o telefone do seu marido ― falou, entregando-me um papel e uma caneta.

Mal conseguia segurar a caneta de tanto que minha mão tremia, então respirei fundo e tentei como pude escrever o número, entregando-lhe o papel.

― Sei que é difícil, mas tenta se acalmar ― o homem tinha uma expressão boa, não era ele que me assustava. ― Precisa de alguma coisa? Talvez uma água? ― perguntou e mais uma vez balancei a cabeça, dizendo que não.

Novamente fiquei sozinha ali, porém dessa vez a luz foi deixada acessa. Estava em uma sala pequena, com mini janelas próximas do teto, mas que estavam fechadas por tábuas, havia uma mesa e duas cadeiras logo a frente do sofá onde estava sentada. Estava muito abafado e meus pulmões pareciam pesar dentro de meu tórax. Olhei para meus pulsos vermelhos e notei os pequenos cortes em meus braços. Respirei fundo uma, duas vezes, e sequei meu rosto, só agora percebendo como minhas bochechas estavam úmidas. Ele ligará para Edward... Edward... Ele virá me buscar, não virá? Tudo ficará bem. Tudo ficará bem.

Porém a cada minuto que se passava algo me dizia que nada ficaria bem, pois a cada segundo a sala se tornava mais quente, abafada, sem ar, a cada instante ouvia passos pesados no andar de cima que faziam uma sensação gélida de medo passar pela minha espinha. Cada vez mais o tempo passava e meu medo só aumentava, o pavor me consumia.

Já deviam ser por volta das três da manhã e ainda me mantinha encolhida no sofá, do jeito que o vestido rodado permitia. Mantendo minha cabeça apoiada no encosto, sentindo o resto das minhas forças se esvair de meu corpo. Tentei respirar fundo, mas parecia que não tinha mais oxigênio ali e que tudo aquilo não teria um fim. Até que o barulho da porta de ferro se abrindo me fez sobressaltar e, mesmo a visão embaçada, vi Mark, fechando-a antes de descer as escadas.

― Sabe, seu maridinho está desesperado com a sua segurança.

Estremeci com o barulho da cadeira, quando ele a puxou, sentando-se de frente para mim.

― Mas não vamos falar sobre isso. Há muitos anos que quero uma explicação ― ele começou. ― Tem ideia de como fiquei quando foi embora com aquela intrometida da Renée? Tem ideia?! ― sua voz se ergueu e encolhi-me, desviando o olhar.

― P-Por favor, Mark ― sussurrei.

― Por que não me conta sobre seu marido, hein? Como é o casamento entre quatro paredes? ― perguntou, com seu sorriso sujo nos lábios, e quando eu não disse nada ele apenas continuou: ― Desde que fiquei sabendo que a minha Belinha tinha casado, não parei de pensar sobre isso. Sobre como eu, provavelmente, sempre estou lá, não é mesmo?

Foi necessário apenas piscar os olhos uma vez para todas as lágrimas caírem, e meu coração disparou com medo quando ele se levantou, sentando-se ao meu lado no sofá, suas mãos ásperas seguraram meus pulsos, amarrando-os novamente.

― Mark..

― Vamos Bellinha, eu quero saber ― falou, terminando de prender minhas mãos e sentando-se mais perto.

Ele ainda tinha o mesmo cheiro, o mesmo perfume forte e enjoativo, o qual pensei que nunca mais voltaria sentir.

― Eu sei que lembra de mim toda vez que seu maridinho a toca, sei que não esqueceu... Porque eu não esqueci ― contou, acariciando meu pescoço, seus dedos descendo até o decote do meu vestido. ― Você era minha preferida, tão pequena, tão macia, tão perfeita. Entendo o desespero dele em te perder... Infelizmente já não é tão pequenina, mas tenho certeza que ainda é tão boa quanto antes.

Por um instante pensei que iria apagar, desmaiar, mas então ele me puxou e esforcei-me para ficar em pé. Mark me virou, deixando-me de costas para ele, suas mãos tocando meus ombros.

― Vamos ver se ainda é como me lembro.

Mais lágrimas embaçaram minha visão quando ouvi o tecido da minha saia se rasgando e gritei quando algo feriu minhas costas e meus ombros, cortando o vestido e as alças, fazendo o corpete cair no chão e de repente eu só vestia o forro claro.

― Sua pele parece ainda mais macia ― ele falou baixo e fechei os olhos com força. ― Diga, eu sei que se lembrou de mim na sua noite de núpcias, e lembrou-se de mim todas às vezes em que sentia seu maridinho dentro de você.

Meu corpo fraquejou e mais uma vez senti como se fosse perder todos os sentidos, o grito de Mark me manteve ali.

― Diga Isabella! ― sua mão se enroscou em meu cabelo, puxando minha cabeça para trás ― Olha para mim e diga como sentiu minha falta, como nunca me esqueceu. Olha para mim!

Abri os olhos, sentindo como se ele fosse arrancar meus cabelos e encarei a escuridão em seu olhar.

― Eu tenho nojo de você ― falei com a voz trêmula e senti um lado de meu rosto arder com o tapa. ― Ah! ― arfei com a dor, quando ele me jogou contra a parede.

Mark se aproximou e tentei me afastar, mas não tinha para onde ir, e mais uma vez seus dedos seguraram meus cabelos, arrastando-me para o meio da sala.

― Você me magoou tanto quando decidiu ir com aquele imbecil do Carlisle, sabia? ― contou, empurrando-me contra o chão.

― Mar... ― fui atingida mais uma vez no rosto e desta vez, simplesmente, apaguei.

...

Acordei algum tempo depois, ouvindo barulhos abafados no andar de cima, e sentei-me rapidamente olhando em volta, encontrando Mark sentando no sofá. Senti gosto de sangue no canto da minha boca e tossi, sem voz e sem força para conseguir dizer algo.

― Você era tão importante para mim ― ele encarava meu corpo, sua mão passando sobre o volume, entre suas pernas, sob o jeans de sua calça.

― Por favor ― sussurrei ― Já vai conseguir o dinheiro que quer, então por que isso? ― minha voz não tinha som e mesmo se tivesse tenho certeza que ele não teria ouvido.

― Enquanto você estava dormindo percebi do que mais senti falta nos últimos anos ― ele se aproximou e fez com que eu levantasse.

Meu ombro doía muito, os cortes em minhas costas ardiam e parte de meu rosto latejava.

― Senti falta de gozar nessa sua boquinha ― falou enquanto seu dedo áspero deslizava por meus lábios.

Sei que não devia, sabia que apenas pioraria, mas eu o fiz, cuspi nele.

― Eu queria só essa boquinha, mas agora... ― ele segurou em minha nuca, jogando-me contra a mesa, apertando meu rosto contra a tábua ― Vamos ver se ainda é tão pequena e apertadinha ― falou ao levantar o fino vestido bege que tinha restado em meu corpo.

― Não.. não ― murmurei, quando seu pé afastou os meus, mantendo minhas pernas separadas.

Tentei empurrá-lo, sentindo meus pulsos doerem cada vez que tentava separá-los. Eu não podia estar passando por isso de novo, não podia ser verdade... Não, não suportaria...

Eu gritei quando seus dedos chegaram a minha calcinha. Mais uma vez senti tudo flutuar ao meu redor e a sensação de vazio quando cai. Ouvi sons de socos, madeira se quebrando, passos e barulhos. Tentei abrir os olhos, mas consegui ver apenas duas figuras brigando e tudo escureceu.

Então algo me trouxe a mim, um perfume suave, que me confortava e quando me esforcei para abrir os olhos vi braços fortes ao meu redor, e mãos hábeis soltavam meus pulsos com cuidado.

― Edward ― murmurei.

― Eu estou aqui ― a voz grave soou como carícia a meus ouvidos.

Então ele me ajudou a vestir sua jaqueta, enquanto eu me permitia sentir a segurança de sua presença. Mas alguma coisa arrancou Edward de mim e assisti, assustada, aos dois homens lutarem, segundos depois vendo Mark sufocando na chave de braço com a qual Edward o segurava no chão. Mark resmungava, tentando se soltar, mas estava longe de conseguir. Vi ele sufocar a cada instante mais, seu rosto ficando vermelho, enquanto as veias no braço de Edward se tornavam cada vez mais nítidas com a força e ele não mostrava qualquer sinal que cederia. Então alguma coisa me fez juntar todas as forças, que me restavam, para levantar e intervir, segurando nos ombros de Edward, puxando-o.

― Não! Para! ― gritei ― Edward!!

Então ele o soltou e vi Mark cair, desacordado, encarando-o tempo o suficiente para ver que ainda respirava. Edward virou-se para mim, estava sentada no chão, em choque comigo mesma e meu corpo inteiro tremendo.

― Hey, está tudo bem ― Edward falou baixo, próximo de mim.

Mais lágrimas se formaram quando senti o que mais temia, a dor em meu ventre.

― Edward ― chamei-o, vendo sangue e não era dos meus machucados. ― Não, não, não.. Edward...

― Shh... Calma, vou te tirar daqui.

Seus braços contornaram minha cintura e encaixaram-se atrás de meus joelhos, erguendo-me com facilidade e naquele instante em que Edward me carregou escada acima, tirando-me daquele porão, apenas consegui olhar para a lateral de seu rosto, sentindo como a cada passo ele me apertava mais contra seu corpo e passei meus braços ao redor de seu pescoço, chorando, escondendo o rosto em seu ombro quando saímos e ouvi os carros de polícia se aproximando, logo atrás a ambulância. Pensei ter ouvido a voz de Emmett, mas não tinha certeza... não tinha certeza mais de nada.

~*~

O ambiente era silêncio e tinha uma sensação de vazio ao meu redor, pisquei os olhos algumas vezes e voltei a fechá-los, tentando desviar da luz branca no teto. Respirei fundo e de repente me lembrei de tudo o que aconteceu... O sequestro, o medo, o desespero, cada machucado em meu corpo, Mark...

― Meu anjo ― ouvi a voz que automaticamente fez meu coração se acalmar e abri os olhos encarando o par de íris verdes.

― Edward ― minha boca estava seca e o canto de meus lábios estava dolorido, e mais uma vez respirei fundo sentindo meu tórax doer.

― Está segura agora ― ele falou baixo, seus dedos segurando os meus.

― Meus olhos estão pesados ― falei, mal conseguindo mantê-los abertos.

― Você passou por uma anestesia ― informou.

E as lágrimas simplesmente caíram quando percebi minha mão direita sobre minha barriga, sentindo o lento sobe e desce da minha respiração se acelerar, a cada segundo que meu desespero aumentava.

― O nosso bebê ― murmurei, esforçando-me para manter os olhos abertos e tirei minha mão da sua quando ele nada respondeu. ― Não, não... ― sussurrei.

Não precisava dizer nada, eu não queria ouvir. Solucei, entre lágrimas, sentindo-me tão incapaz, tão fraca, e antes que pudesse pensar em mais alguma coisa fui puxada para a inconsciência.

Acordei algum tempo depois, agora meus olhos já não pesavam tanto, mas sentia como se meu rosto estivesse inchado e adormecido. Esforcei-me para sentar na cama e vi Edward parado em frente a janela do quarto.

― Que horas são? ― perguntei, quase sem voz e Edward pareceu surpreso ao me ver acordada.

― Final da tarde, por volta das quatro horas ― respondeu, aproximando-se da cama. ― Como está se sentindo?

Apenas balancei a cabeça, sem saber o que responder, sentindo meu peito doer. E sem saber exatamente o porquê, eu puxei minha mão no instante em que ele iria segura-lá.

― Pode me deixar sozinha? ― pedi.

Edward pareceu pensar por alguns segundos, pronto para se opor a isso, mas então apenas assentiu.

― Tudo bem ― concordou, pegando seu casaco sobre a cadeira ali e caminhando até a porta.

― Edward? ― chamei-o antes que saísse e ele olhou para mim ― Não estou te afastando ― avisei.

― Eu sei ― sua voz era carregada de compreensão.

Vi a porta de fechar e olhei ao redor, o quarto branco, enquanto sentia uma lágrima descer por meu rosto. Minhas mãos repousaram sobre minha barriga e fechei os olhos, deixando que as lágrimas caíssem.

Eu já estava mais calma quando alguém bateu na porta e o Dr. Besson entrou.

― Oi ― falou, encostando a porta e aproximando-se. ― Como está?

― Até onde sei não preciso de um neuro-oncologista, então por que está aqui?

― Bom, você ainda é minha paciente e sempre sou avisando quando um dos meus pacientes dão entrada em um hospital.

Por um momento fiquei chateada pelo tom ríspido que usei, mas estava tão triste comigo e com tudo que não me importei. Sentia-me tão exausta. Encarei minhas mãos, apertei os lábios concentrando-me para não cair em mais lágrimas.

― Por que só quando perdemos algo é que percebemos o quanto queríamos aquilo? ― indaguei baixo.

― Eu sinto muito ― Alec falou e por alguns segundos tocou meu ombro. ― A única coisa que posso te dizer agora é que tudo melhora com o tempo.

Apenas assenti, passando as mãos no rosto, secando os olhos.

― Só não se esqueça que Edward também está sentindo essa dor. Ele também está sentindo essa perda ― avisou e sequei mais uma lágrima antes que ela caísse.

Alec não se demorou, logo partindo, e algum tempo depois minha médica apareceu, falando e explicando coisas que eu não queria ouvir.

Edward’s POV

Todos se levantaram assim que cheguei à sala de espera, Carlisle estava um pouco pálido, David muito ansioso.

― Ela já acordou? ― foi Alice quem perguntou.

― Sim, acordou.

― E como ela está? ― Emmett quis saber.

― Assustada ― contei e vi minha mãe secar as lágrimas. ― Mas está se recuperando.

― Podemos vê-la? ― Esme perguntou.

― Acho melhor não ― respondi.

― Isabella precisa de espaço ― Carlisle pareceu compreender.

― Deviam ir para casa, descansar.

― Mas...

― Edward tem razão, vocês deviam ir, eu fico aqui...

― Não, Emmett, pode ir, eu ligo se algo acontecer.

Houve alguns segundos de silêncio e então concordaram.

― Não esqueça de dizer a ela que estávamos todos aqui ― Emmett disse antes de sair.

Então, apenas Carlisle ficou para trás.

― Aconteceu alguma coisa lá? Mark fez alguma coisa...?

― Não ― respondi rápido, antes que ele dissesse mais alguma coisa. ― Mas iria acontecer se eu não chegasse a tempo.

Carlisle suspirou, atordoado, sua mão batendo de leve em meu ombro.

― Qualquer coisa é só ligar no meu celular ― informou e assenti antes de vê-lo sair.

Sentei-me ali na sala de espera, naquele momento vazia, apoiando o rosto em minhas mãos, deslizando-as até meus cabelos. Perguntando-me porquê eu não estava lá?

― Meu Deus ― murmurei. ― Quando tudo isso irá terminar?

Nunca acaba, só mais e mais notícias ruins, mais e mais sofrimento, mais desespero. Eu não quero mais vê-la chorar. Não quero mais ver Isabella sofrendo.

― Sr. Masen? ― ouvi a médica me chamar e a segui até uma sala.

― Já providenciei os papéis para a alta ― avisou assim que encostou a porta do consultório. ― Já falei com Isabella, mas quero reforçar aqui, que ela precisa descansar, evitar qualquer tipo de estresse e nada de fazer esforço ― informou e assenti.

Ela fez uma pausa, buscando algum papel entre os outros na mesa, então me passou as receitas e alguns vidrinhos de remédios, explicando quais Isabella deveria tomar caso sentisse dor.

― Imagino que deva ser difícil passar por mais uma perda assim, mas nesse momento ela precisa de alguém em quem se apoiar ― ouvi suas palavras, porém algumas me chamaram mais atenção.

― Mais uma perda? ― indaguei e por um instante a médica pareceu insegura.

― Desculpe,... Pareceu-me que não era o primeiro aborto espontâneo de sua esposa.

― Ah, sim... ― consegui falar, ainda em choque.

Não era o primeiro...

...

Isabella não falou no caminho para casa, sempre encarando as próprias mãos apoiadas sobre o colo, mas não recusou minha ajuda para subir as escadas. Ela entrou no quarto, olhando ao redor por alguns segundos, antes de caminhar até o sofá, sentando-se.

― Vou preparar o jantar, algum pedido?

― Estou sem fome ― ela falou baixo. ― Quero ficar sozinha.

― Isabella...

― Por favor.

― Tudo bem ― concordei e sai do quarto, encostando a porta.

Caminhei pelo corredor, entrando no primeiro quarto e deixando que meu corpo caísse sobre o colchão. Se eu tivesse demorado um minuto a mais para chegar, tudo seria pior.

“O nosso bebê” ― Não conseguia esquecer de suas palavras e seu desespero.

E ali no quarto escuro eu permiti me desesperar, porque a deixei sozinha há dois anos, porque tentei arrancá-la de minha vida, porque não fiz nada para diminuir a distância entre nós, porque não a protegi, não os protegi.

...

Eram oito da manhã quando preparei o café, mas não consegui beber, nem comer nada. A campainha tocou e passei as mãos no rosto, passando os dedos pelos meus cabelos ainda úmidos do banho, antes de caminhar até a porta.

― Bom dia, filho.

― Oi, mãe ― cumprimentei-a. ― Carlisle. Entrem ― pedi, levando-os até a sala.

― Como ela está?

― Ela quis ficar sozinha ontem e... fui vê-la algumas vezes durante a noite, mas...

― Ela não quer conversar ― foi Carlisle que concluiu e apenas suspirei.

― Parece exausto ― Esme notou.

― Acho que depois de tudo o que aconteceu nenhum de nós conseguiu dormir ou descansar ― o homem loiro falou.

― Alice me ligou três vezes durante a noite, assustada, chorando ― minha mãe contou.

― É tudo muito recente ainda, o tempo melhora tudo.

Permaneci em silêncio, sem saber o que dizer.

― E se eu levar uma xícara de chá para Isabella? Talvez ela converse um pouco comigo.

― Pode tentar ― falei e minha mãe sorriu, levantando-se e indo até a cozinha.

Carlisle estava pensativo, parecendo irritado.

― Mark ainda está preso e Emmett disse que conhece alguém para cuidar do processo ― contou.

― Eu estava tão perto, Carlisle... ― falei ― Ele estava sufocando e só mais um pouco... Mas Isabella não deixou, ela não deixou, e eu... eu não entendo. Finalmente tudo acabaria.

― Entendo o que está sentindo, também queria um ponto final em tudo isso. Mas acha mesmo que ela estava errada em te impedir? Realmente estava pronto para fazer isso? Conseguiria viver com isso, Edward?

― Conseguiria viver muito bem com o fato de ter matado um monstro.

― Deixe-me reformular minha pergunta: será que Isabella conseguiria viver ao seu lado depois ter assistido você matar uma pessoa? ― as palavras de Carlisle me fizeram pensar e repassar em minha cabeça o momento que Isabella gritou para que eu parasse.

Ela segurou meus ombros, desesperada, assustada... assustada comigo.

― As coisas acontecem como tem que acontecer, há muito tempo desejo um fim à vida de Mark, mas... ― ele respirou fundo, parecendo tentar se acalmar ― Acredito que há algo maior, muito maior que nós, que não deixará pessoas como o Mark sair impunes.

Eu não falei mais nada, apenas desejei que Carlisle estivesse certo.

Isabella’s POV

Vesti minha camisola, um vestido rosê, e o robe de toque macio, mas tirei-o rapidamente, minha pele estava machucada, arranhada nas costas e ombros, pequenos cortes ao redor de meus pulsos e minhas mãos esfoladas. Sentei-me em frente à penteadeira, encarando o reflexo do meu rosto pálido, notando o pequeno corte no canto de meus lábios, naquele momento não só sentindo, mas vendo ali minha exaustão, estava tão cansada, tão... tão nervosa, tinha tanta raiva em mim...

Toc, toc ― As duas batidas na porta ecoaram até mim e suspirei.

― Eu quero ficar sozinha, Edward ― pronunciar o nome dele pareceu quase impossível, e minha voz saiu rouca, abafada.

Mesmo assim a porta se abriu e estava pronta para falar algo quando vi a mulher de rosto gentil, com um breve sorriso reconfortante.

― Dessa vez não é o Edward ― ela falou. ― Eu te trouxe um chá.

Houve um momento de silêncio e seus olhos tão ternos me encararam, fazendo com que eu me acalmasse um pouco.

― Obrigada, Esme ― agradeci, pegando a pequena caneca que ela me oferecia.

A cerâmica aqueceu meus dedos frios e senti-me realmente agradecida, tomando alguns goles antes de colocar a caneca sobre a bancada.

― Eu vim uns minutos antes, mas você estava no banho ― falou, puxando a cadeira ali perto e sentando-se de frente para mim.

― Já é o quinto banho que tomo. Mas... ― por um momento pensei se deveria falar, mas ao mesmo tempo eu precisava. ― Mas parece que ainda sinto o cheiro dele, o perfume enjoativo... ― minha voz falhou.

Ela segurou uma de minhas mãos nas suas e por um momento me senti acolhida.

― Meu bebê..., Esme ― uma de minhas mãos repousou sobre minha barriga e respirei fundo, mantendo-me firme.

― Eu sei ― ela murmurou e puxou-me para seus braços.

Sim, ela sabia. E por um momento, enquanto estava ali em seu abraço, pensei em quanto sua dor da perda não foi maior do que essa que estou sentido. Esme perdeu uma filha de seis anos, a qual ela cuidou, trocou as fraldas, cuidou em todos os momentos em chorou e comemorou em todas as conquistas por menores que fossem. E eu, ainda nem tinha escolhido um nome para meu bebê.

― Posso secar seu cabelo? ― Esme perguntou de repente e apenas assenti, saindo de seu abraço.

Virei-me para frente do espelho da penteadeira e vi-a secar meus cabelos com o secador, passando os dedos pelos fios lentamente. E quando terminou, pegou o pente ali perto, penteando mecha por mecha. Eu não queria chorar, então me esforcei para isso, apertando os lábios, mas a cada vez que o pente deslizava por meu cabelo curto, fazia meu coração se apertar e antes que eu pudesse fazer algo as lágrimas já desciam por meu rosto e eu tentava secá-las, evitando olhar no espelho a minha frente. Esme tocou meus ombros quando solucei, e tentei secar o rosto.

― Minha mãe nunca penteou meu cabelo ― sussurrei. ― Digo, a mulher que me adotou.

― Minha querida ― ela se sentou ao meu lado, acolhendo-me em seus braços. ― Pois eu estou aqui para pentear seus cabelos, te consolar, para cuidar de você sempre ― falou, acariciando meus cabelos. ― Estou aqui para ser a mãe que você não pôde ter, porque eu te considero uma filha.

― Obrigada, Esme ― murmurei, sentindo-me amparada por suas palavras, por sua presença.

Não sei dizer se foi a noite sem dormir, os vários banhos, ou por finalmente me sentir um pouco segura ali, mas o cansaço me atingiu e quando me afastei de Esme meus olhos já pesavam.

― Precisa descansar, vem ― ela segurou em minhas mãos e guiou-me até a cama, puxando o pesado edredom.

Deitei-me e Esme teve cuidado ao me cobrir, por causa dos machucados e sua mão acariciando meus cabelos foi a última coisa que senti.

...

Sonhei que estava sendo carregada, levada escada acima por braços fortes que me apertavam firmemente e eu abraçava com toda força meu salvador.

― Meu salvador ― murmurei para mim mesma, sentindo minha boca seca.

Abri meus olhos lentamente, tentando me acostumar com os raios de sol do final da tarde que entrava no quarto, porém não era o suficiente para aquecer o lugar, estava frio, solitário. Levantei-me e segui até o banheiro, lavando o rosto e evitando me olhar no espelho. E depois de vestir meu robe saí do quarto, caminhando pela casa silenciosa, tomando um pouco de água na cozinha e continuei o caminho até o escritório, vendo Edward sentado a sua mesa, encarando o copo em suas mãos, surpreendendo-se a me ver ali na porta.

― Oi ― ele se levantou, caminhando até mim. ― Como está? Estava preocupado.

Eu queria respondê-lo, mas não sabia o que dizer, então apenas me encostei no batente da porta, abraçando meu próprio corpo, percebendo quando ele quis e aproximar, porem não o fez.

― Sua mãe?

― Ela e Carlisle voltam amanhã de manhã para te ver ― contou e notei seus olhos percorrendo meu rosto, o que me fez tirar a mecha presa atrás de minha orelha, deixando que caísse, cobrindo a lateral da minha face que tinha uma pequena mancha roxa. ― Como está?

― Tão vulnerável como estava a uma semana atrás ― murmurei ― mas você não se importou em saber antes, por que se importaria agora?

― Eu não me importei? ― ele indagou ― Está exigindo muito de mim, Isabella.

― Não estou te culpando ― falei, mas evitei olhá-lo. ― Eu só queria que você estivesse comigo, que não estivéssemos fingindo, ― sequei rapidamente as lágrimas antes de caírem ― que você não permitisse que as pessoas dissessem as coisas que estão dizendo.

Seu silencio me atingiu mais forte do que se ele tivesse gritado, ao algo assim, porque eu sabia que sua falta de palavras era a confirmação de que Edward sabia o que todos diziam daquele triângulo amoroso que ele havia formado.

― Eu sinto muito ― falou por fim, aproximando-se, muito, o bastante para me fazer dar um passo para trás. ― Eu devia ter pensado em você, devia ter pensado em nós... ― seus dedos tocaram meu queixo e olhei em seus olhos. ― Eu devia ter feito muita coisa, mas não fiz, não estava lá...

― Você estava lá dessa vez, você me tirou de lá... do meu pior pesadelo ― fui em sua direção tocando seus ombros e fechei os olhos.

Senti Edward depositar um beijo em minha testa, antes de me envolver em seus braços e não opus aquilo, porque precisava daquela segurança.

Deixei que meus dedos deslizassem por seu braço e segurei sua mão, levando-a ao meu ventre.

― Dói tanto, Edward, como tudo aconteceu.

― Eu sei ― ele murmurou e permiti que suas mãos deslizassem por minha cintura, apoiando-me em seu tórax, ouvindo seu coração. ― Não faz idéia de como eu queria esse bebê com você ― falou, acariciando meus cabelos. ― Mas teremos outras oportunidades... muitas outras.

Então ficamos ali, por algum tempo, enquanto eu me concentrava apenas em ouvir seu coração.

Dois meses depois

Olhei pela janela o lindo dia lá fora, o sol estava radiante e havia muitas flores no jardim. Eu me sentia forte, apesar de ainda existir tantos obstáculos por meu caminho, mas naquele momento tinha esperança, por mais difícil que isso fosse.

― Querida, onde estão todos? ― ouvi a voz de Esme.

― Foram até o escritório ― respondi, olhando por sobre o ombro e retribuindo seu sorriso. ― Estamos atrasados ― falou e o telefone soou lá da cozinha.

― Eu vou chamá-los ― informei, vendo-a ir atender a ligação.

Dirigi-me as escadas, subindo e entrando no corredor, virando a esquerda e aproximando-me da porta, porém parei, sentindo meu sangue gelar nas veias quando ouvi um nome.

― ...Liam é excelente nessa área, então Mark será condenado, mas...

― Mas...? ― foi Edward quem perguntou.

― Mas provavelmente terá direito a fiança.

― Não, não, ele precisa pegar perpétua, o mundo está melhor com ele preso ― era a voz de Carlisle.

Naquele momento me senti tão estranha, o medo surgindo de novo, lentamente, em meu peito.

― Ele armou um sequestro, Carlisle, claro que estamos levando em conta todo o dano que esse episódio gerou, mas... ele tem uma ficha limpa...

― Todo dano que gerou? Está minimizando as coisas, Emmett, minha filha perdeu...

― Eu sei! Não precisamos reviver isso, eu sei o que aconteceu. Nunca minimizaria isso, Isabella é minha irmã, e minha vontade é eu mesmo fazer justiça...

― Tem de haver um jeito, ele não pode sair de lá, não pode sair da prisão ― Edward falou baixo.

― O que está acontecendo hein? O que não estão me contando?

― Mark é uma pessoa ruim, apenas isso ― Carlisle tentou explicar.

― Por que ele estava desesperado atrás de dinheiro?

Respirei fundo, tomando coragem de bater na porta e entrar.

― Não. Não é por isso, Emmett ― falei e Edward se levantou. ― Desculpem-me, acabei ouvindo parte da conversa.

― Mas já terminamos ― Edward informou, colocando-se ao meu lado, sua mão achando seu lugar em minhas costas, na curva de minha cintura, aproximando-se o bastante para eu sentir seu perfume.

Encarei seus olhos verdes por alguns segundos, encontrando ali a calma necessária.

― Não acabamos. Vocês estão me escondendo coisas, preciso saber a verdade sobre Mark, preciso saber com que estou lidando.

― Emmett, você só precisa...

― Se eu te contar a verdade, ― interrompi Edward, falando sem pensar direito no que aquilo significava ― promete que fará tudo que estiver ao seu alcance para que ele pague pelo que fez?

― Vou fazer isso de uma forma ou de outra, se me contar ou não, não tenha dúvidas disso.

― Ok ― arfei, sentindo um peso sobre mim. ― Podem nos deixar a sós? ― pedi e os olhos azuis de Carlisle me olharam preocupados, porém ele se levantou e saiu, tocando carinhosamente meu braço ao passar por mim. ― Edward ― o homem de cabelos acobreados mesclados com alguns fios brancos pareceu relutante em sair do meu lado. ― Está tudo bem ― murmurei, tentando sorrir — Vão indo na frente e nos encontramos com vocês depois — propus, sentindo sua mão deslizar por meus cabelos, antes dele respirar fundo, assentindo para então sair, fechando a porta.

Sentei-me em uma das cadeiras e Emmett se sentou do outro lado da mesa de madeira escura. Um leve tremor em meu corpo fez minhas mãos falharem e suarem. Engoli em seco, tentando traçar uma linha de pensamento e palavras para poder falar sobre tudo... ou pelo menos o necessário.

— E-Eu.... não sei bem como começar — gaguejei.

— Está me assustando.

Respirei tentando me acalmar.

— É que... é difícil — sequei minhas mãos na barra do meu vestido e senti meu lábio inferior tremer.

— Leve o tempo que precisar.

— Você sabe que Mark foi meu pai adotivo — falei, vendo Emmett com os antebraços apoiados sobre a mesa. — E... durante esse tempo em que vivi com ele e Cristine....

Notei que eu apertava meus dedos enquanto observava minhas mãos apoiadas em meu colo. Estava muito silencioso ali e ajeitei-me na cadeira, percebendo como meus ombros tinham se encolhido e como meus lábios estavam secos agora, quando algumas lembranças que tanto desejava esquecer me vieram à mente. Voltei a olhar para Emmett, vendo sua expressão calma e seus olhos acolhedores, então revelei em uma voz não tão audível como eu queria, mas falei: — Mark abusava de mim.

O rapaz moreno por um momento pareceu muito confuso e se enrolou nas palavras ao tentar esclarecer o que não tinha entendido.

— Então... É, não sei se enten... Como assim? — chegou a uma perguntou, em um tom baixo, apoiando os cotovelos na mesa, aproximando-se. — Ele te maltratava, te batia?

— Ele me estuprava.

Vi a expressão desaparecer do rosto de Emmett, enquanto ele lentamente se recostava na cadeira, sua face tornando-se pálida.

Voltei a olhar para minhas mãos, ouvindo passos no andar de baixo, no mesmo instante em que o silêncio reinava ali. Vi Emmett girar sua cadeira, apoiando seu cotovelo direito sobre a mesa, deixando que seus dedos tocassem sua testa, cobrindo parte de seu rosto.

— E durante o sequestro? Ele fez alguma coisa? — perguntou e não soube como responder — Isabella?

— Edward chegou a tempo.

Ouvi Emmett respirar fundo.

— Quem mais sabe? Quem poderia testemunhar isso?

Pensei por alguns segundos, apertando os lábios.

— Edward, Carlisle, Victoria...

— Victoria? — indagou me interrompendo.

— Ela era nossa vizinha, eu acho que ela esteve no meu casamento com Edward — lembrei. — Bom, a médica que cuidava de mim também sabia, se não me engano seu nome era Drª Collins, mas ela era amiga de Cristine e ajudava a acobertar tudo.

— Sua mãe... sua mãe adotiva sabia?!

— Ela sempre soube.

Emmett esfregou a testa, parecendo incomodado.

— Eu vou trabalhar junto com Liam nisso. Não vou permitir que ele saia da prisão...

— Emmett? — chamei-o e finalmente ele se virou, encarando-me e então entendi porque ele se escondia.

Seus olhos estavam avermelhados e ele parecia prestes a cair em lágrimas, quando estendeu a mão sobre a mesa e suspirei, hesitando, antes de tocar seus dedos, que apenas cobriram os meus.

— Mark irá pagar por cada dia em que te machucou e te fez sofrer, eu te prometo isso.

As lágrimas caíram por meu rosto e sequei-as rapidamente.

— Eu só preciso de um depoimento seu — falou e endireitei meus ombros novamente, afastando-me. — Eu consigo uma sessão fechada, só eu, você, o juiz e o escrivão, o que acha? Você consegue?

Abri a boca para responder, mas voltei a fechar sem ter dado uma resposta.

― Você sabia que ele se separou de Cristine? ― Emmett contou e apenas balancei a cabeça, aquilo era uma novidade ― Há três ele se casou novamente com uma mulher e ela tem uma filha de quinze anos ― aquela informação fez meu coração disparar e minha respiração falhar.

― Eu faço o que for preciso, ele não pode... ― minha voz falhou e cobri meu rosto, soluçando ao cair no choro.

Ouvi os passos de Emmett quando ele se levantou e veio se sentar na cadeira ao meu lado, sua mão tocando meu ombro.

― Não se preocupe. Eu te fiz uma promessa, não fiz? Ele não vai sair impune e não vai fazer isso com mais ninguém.

Sequei o rosto como pude e respirei fundo, antes de olhar em seus olhos novamente.

― Pode confiar em mim.

― Eu confio ― afirmei. ― Só tenho mais um pedido ― falei e ele assentiu, esperando. ― Não deixe que David saiba disso, por favor ― pedi e então expliquei: ― Ele demorou tanto para me achar e sempre diz que é um conforto saber que fui adotada por boas pessoas, que cresci com uma família ― sequei mais uma lagrima. ― Quero que ele continue achando isso.

― Tudo bem, eu entendo ― concordou.

Passei as mãos pelo rosto mais uma vez, suspirando antes de levantar.

― Estamos atrasados, acho melhor irmos ― falei, vendo Emmett me admirar, parecendo fascinado, enquanto se levantava também. ― O que foi?

― Admiro sua força ― falou estendendo a mão para mim, a qual segurei antes de sairmos.

Notas finais
Tenho alguns recados: Acredito que o próximo capítulo seja o último da fanfic, isso mesmo! Será o último. Além do ultimo capítulo, acho que irei escrever também um epílogo, e vou postar um capítulo extra com cenas que escrevi porém acabei cortando da história, e então NTE estará concluída. Com isso, ando pensando em reescrever a fanfic e transformá-la em um livro, com personagens novos, teria um começo completamente diferente, acho que eu não faria os personagens se conhecendo no colégio... eu os faria um pouco mais velhos... enfim, queria saber de quem aí ainda acompanha a fanfic, se futuramente ela se tornasse um livro e você já sabendo como eu escrevo, já sabendo sobre o que se trata a história, você compraria o livro? Indicaria ele para alguém? Gostaria de saber a opinião de vocês... Bom, espero que possam me responder. E logo trago o próximo capítulo! Beijoss