Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
23 Seja Forte!
Notas iniciais
Sei que falei que postaria no sábado, dia 17, mas o capítulo tinha ficado pequeno, então resolvi escrever mais um pouco e postá-lo mas próximo do natal.
Então aqui vai meu presente de natal para vocês, um capítulos com momentos românticos entre Bella e Edward ;D
Espero que gostem!
Bella's POV
Fiquei em posição, para começar, então ouvi a música que Lindsey havia escolhido. Comecei mostrando mais o lado artístico para então introduzir o técnico, fui para o primeiro giro, mas acabei perdendo o equilíbrio e cai. Acabei caindo e me apoiando no antebraço direito.
– Ah! — Arfei baixo pela dor.
Mas não podia parar, então me levantei rapidamente e para conseguir recuperar esse erro me preparei para um salto triplo, que consegui fazer com perfeição.
Depois disso parei de pensar, não adiantava ficar pensando na coreografia que Lindsey havia montado, pois não lembrava de nenhum passo que ela tinha mandado eu anotar e muito menos a sequência em que eram para ser executados. Então esvaziei minha mente e pensei nele, nos momentos que passei com Edward até agora. Quando percebi, a música já tinha terminado, estava novamente no meu da pista e a platéia aplaudiam minha performance.
Sai do gelo e assim que coloquei os protetores das lâminas dos patins, que Lindsey segurava, a abracei e senti meu braço doer mas não reclamei.
– Vem. — Ela falou e então me sentei para ouvir minhas notas.
– Não acredito! — Falei para mim mesma, depois de só ouvir notas altas.
Como consegui essas notas? Eu cai!
– Parabéns. — Ouvi sua voz grave perto de meu pescoço e senti um beijo ser depositado ali.
Olhei para ele sorrindo e o abracei.
~*~
Eram seis da manhã quando desliguei o chuveiro e me sequei, enrolando-me na toalha. Fui até minha mala, pegando um short que chegava perto de meu joelho e uma blusa que a manga chegasse perto do cotovelo, tampando a mancha roxa avermelhada que estava em meu antebraço por causa do tombo, de ontem, no gelo. Sai do quarto e desci as escadas, encontrando Edward sentado a mesa, tomando o café da manhã.
– Bom dia! — Ele falou sorrindo.
– Bom dia. — Falei me sentando na cadeira que ficava de frente para ele.
– Acordou cedo. Não está cansada?
– Na verdade não, acho que é a ansiedade para a prova de hoje.
– Preparada?
– Acho que sim. — Respondi e peguei um pouco de suco de uva. — Só não posso cair de novo.
– Não vai cair, tenho certeza. — Ele falou sorrindo.
Tomamos o café enquanto Edward tentava saber mais de minha infância.
– Em que lugar de Michigan você morava? — Ele perguntou e lembrei-me de quando havia contado que meus pais moravam em Michigan.
– Em Detroit. — Falei.
– Nossa, foi uma mudança bem grande sair de Detroit para morar em Forks.
– É, mas acho que prefiro Forks a Detroit. — Falei me lembrando de tudo que passei naquela cidade, com certeza eu preferia Forks.
– Por que?
– Não sei, só gosto mais de Forks. Acho que prefiro as cidades pequenas. — Falei e ele riu.
– Fale isso para Alice e ela te leva ao psiquiatra. — Comentou e eu ri.
– Sempre morou em Forks? — Perguntei.
– Na verdade não, até meus nove anos morei Nova York. — Ele respondeu e nem perguntei porque se mudou, pois algo me dizia que tinha haver com a morte de sua irmã.
– Bom, estava pensando em ir caminhar na praia. Quer vir junto? — Ele perguntou já se levantando.
– Claro. — Falei e o segui para a área da piscina, onde havia um pequeno muro de vidro que dava acesso a praia.
Tirei as sapatilhas que usava antes de pisar na areia e as deixei em um canto. Edward também tirou seus chinelos e então caminhamos em direção ao mar. O sol ainda estava fraco por causa do horário, o que deixando o tempo fresco e confortável. Agora caminhávamos a beira do mar com a água molhando nossos pés.
– Sempre quis mergulhar e conhecer o fundo do mar. — Comentei.
– Já tive a oportunidade de mergulhar e é muito bonito. — Ele falou.
– Sabe surfar? — Perguntei.
– Claro, por que?
– Não parece do tipo que sabe surfar. — Falei.
– Então qual é meu tipo? — Ele perguntou e imediatamente me arrependi de ter falado aquilo.
– Ah, sei lá...
– Agora vai ter que falar. — Ele falou rindo e parou de andar virando-se para me olhar nos olhos e acabei rindo.
– Não sei...
– Fala. — Ele pediu.
– Lindsey. — Falei.
– O que? — Ele pergunto sem entender.
– A Lindsey está procurando a gente. — Falei e apontei ela que estava perto do muro de vidro nos procurando.
Caminhamos de volta rapidamente.
– Bom dia. — Falei.
– Bom dia. — Ela respondeu. — Precisamos pensar em alguns movimentos para a apresentação de hoje.
– É verdade. Já tomou café? — Perguntei pegando minha sapatilha.
– Ainda não.
Fomos até a mesa e enquanto ela tomava café tentávamos montar uma sequência de passos fáceis de serem lembrados.
– Preciso resolver algumas coisas, vou sair mas já voltou. — Edward anunciou e então vi Lindsey olhá-lo de um jeito estranho, como se o repreendesse.
– Ok. — Falei e ele saiu.
Prova final das estaduais.
De algum jeito eu havia conseguido ficar entre as três ultimas colocadas, agora iríamos competir pelo primeiro lugar, para uma de nos possamos representar Washington nas regionais.
– Está tudo bem? — Ouvi a voz sussurrada de Edward em meu ouvido e senti um arrepio estranho passar por minha espinha.
– Sim. — Falei já tirando os protetores das lâminas dos patins.
Estavam acabando de anunciar as notas da segunda competidora, eu precisava ir melhor que ela e a primeira que havia se apresentado. Então respirei fundo e pisei no gelo, apagando o mundo ao meu redor, eu não ouvia nada, não via nada além de Edward ali parado sorrindo enquanto eu esperava a música começar. Enquanto deslizava no gelo, realizando os passos da minha performance só conseguia ver ele... ninguém mais. E quando voltei a ver novamente o mundo eu estava recendo a medalha de primeiro lugar.
Eu iria para as regionais!
– Parabéns! — Edward falou enquanto saíamos.
– Você foi maravilhosa Isabella! — Lindsey me parabenizava.
Entramos no carro e Edward dirigiu rapidamente e logo estávamos na casa.
– Pode me levar no aeroporto? — Ela perguntou a ele.
– Foi vai embora? — Edward perguntou.
– Você vai embora hoje? — Perguntei surpresa. — Pensei que iríamos amanha a tarde.
– Na verdade houve um imprevisto e tenho que ir hoje. — Ela explicou. — Pode me levar?
– Claro. — Edward respondeu.
– Ótimo vou pegar minhas malas.
Ela subiu as escadas e eu a segui, entramos no quarto que ela estava e vi suas malas prontas.
– O que aconteceu? — Perguntei.
– Estou te dando a oportunidade de ser feliz.
– O que? — Indaguei sem entender.
– Sei que em Forks vocês nunca puderam ter um tempo juntos, então aproveite esse tempo que você e ele vão ficar sozinhos e aproveite. A vida é tão curta, Isabella. Você está em Malibu e com um cara que te ama muito.... aproveite. — Ela falou e me abraçou. — Peça para ele te levar para conhecer Hollywood. — Disse sorrindo. — Vem.
Descemos as escadas e em poucos minutos estávamos deixando-a no aeroporto.
– Tchau. — Ela falou e me abraçou. — A vida é curta, então aproveite. — Sussurrou em meu ouvido e depois falou tchau para Edward.
– Vamos? — Ele perguntou assim que Lindsey desapareceu entre as poucas pessoas que havia ali no aeroporto.
Assenti e começamos a caminhar, enquanto isso pensava nas palavras de Lindsey: "A vida é curta, então aproveite."
– O que acha de irmos a um restaurante? — Edward perguntou enquanto dirigia e uma ideia me veio a mente.
– Se lembra quando falou que sabia cozinhar? — Perguntei. — O que acha de provar isso? — O desafiei e ele riu.
– Só se você me ajudar. — Ele falou com um sorriso torto nos lábios.
– Ok, eu ajudo. — Concordei e assim ele seguiu dirigindo.
Logo chagamos a casa e então decidimos que ele faria o prato principal, enquanto eu prepararia a salada e a sobremesa. Então começamos a cozinhar, dividindo a cozinha, um lado para cada um. Chegava a ser engraçado como Edward olhava e analisava cada movimento meu, cada vez que o olhava ele sorria de uma forma tão doce...
– Então vai dizer o que está preparando? — Perguntou novamente, já que ele havia dito que prepararia filé de frango ao molho ferrugem, mas eu decidi deixar em segredo.
– Logo você vai saber. — Falei e ele riu.
– Ok. — Concordou bebendo um pouco do copo que eu tinha quase certeza conter uísque.
– É uísque, certo? — Perguntei enquanto terminava de temperar a salada colorida com bacon e batata palha que estava fazendo.
Edward olhou para o copo e riu apenas assentindo com a cabeça.
– Por que? — Perguntou.
– Sabe que ainda não tem idade para beber, certo? — Falei e ele sorriu voltando a prestar atenção na panela.
– Acho que isso é meio que uma influência do meu pai. Cresci vendo-o beber e quando tinha sete anos ele me fez experimentar uísque, no começo achei ruim mas acho que me acostumei depois. — Ouvi tudo aquilo indignada.
– E sua mãe concordou em você beber? — Indaguei.
– Minha mãe só ficou sabendo quando já estava com uns quinze anos, mais ou menos. — Ele explicou. — Experimenta. — Pediu, passando a colher com um pouco de molho.
– Uau! — Exclamei ao experimentar, realmente era delicioso. — Onde aprendeu a fazer isso? — Perguntei.
– Acho que foi com minha mãe. — Ele disse pensativo.
– É muito bom. — Falei voltando a preparar a sobremesa.
– Com quem aprendeu a cozinhar? — Perguntou.
– Aprendi sozinha.
– Sozinha?
– É que minha mãe era médica e trabalhava muito, ela me ensinou o básico e passei a cozinhar para mim e as vezes para... — Minha voz falhou pois era difícil me referir a ele, mas mesmo assim continuei. — ... meu pai.
– Entendi. — Ele falou e só então percebi que ele estava atrás de mim, muito próximo. — Até que em fim você falou mais sobre sua infância. — Falou e riu, pude sentir sua respiração em meu pescoço e me assustei com o que aquela pequena sensação causou em meu corpo.
Acabei rindo também, talvez não pelo o que ele falou mas sim por nervosismo. Então senti suas mão se encaixarem em minha cintura, e paralisei quando seus lábios relaram no lóbulo de minha orelha, fazendo meu corpo arrepiar-se. Edward distribuiu pequenos beijos em meu pescoço e ainda continuei paralisada, sem reação, isso era diferente do que já aconteceu entre nós. Então uma de suas mãos que estavam em minha cintura desceram para meu quadril e imediatamente me virei empurrando-o de leve.
– Não. — Sussurrei.
– Desculpe. — Ele falou se afastando.
Depois disso o silêncio reinou, até que desastrada como sempre acabei derrubando a panela que tinha acabado de colocar óleo e escorreguei no óleo derramado, mas Edward me segurou antes de eu ir ao chão. Mas como eu não devia estar com sorte, assim que ele deu um passo a frente acabou escorregando e nós dois caímos. Comecei a rir pois a situação era no mínimo hilária.
– Perai. — Ele falou e paramos de rir.
Edward erguei sua mão para pegar algo em cima da pia, e quando olhei para cima para ver o que ele estava fazendo vi o pacote de farinha virar sobre mim. Quando abri os olhos vi minha blusa e meus braços completamente brancos e Edward rindo, olhei para ele ainda com o queixo caído sem acreditar que ele havia feito aquilo.
– Ok! — Falei já me levantando com dificuldade, ainda escorregando.
– Ei, não fica brava. — Ele falou rindo ainda sentado no chão. — Foi engraçado.
Apoiei-me na pia e olhei para baixo, encarando-o.
– Por que estaria brava? — Perguntei e peguei a lata onde ainda restava a calda do pêssego em conserva.
– Talvez porque esteja mais branca do que o normal. — Ele falou rindo.
– Sabe o que seria mais engraçado? Isso. — Falei e não pensei duas vezes antes de virar toda a calda em sua cabeça.
– Ei! — Ele falou alto. — Não acredito! Vem cá.
– Ah! — Gritei quando ele me puxou, fazendo com que eu caísse em cima dele.
Quando percebi seus lábios já estavam moldados aos meus em um beijo suave... Acabamos tento que ir tomar um banho e limpar a cozinha para depois terminar o jantar, que foi maravilhoso. Edward provou que realmente sabia cozinhar e passamos o jantar entre risos e conversa.
– Ok. — Falei. — Agora a sobremesa, suflê de pêssego.
Edward só não elogiou mais porque o impedi, ele pareceu realmente gostar da sobremesa e quando dei por mim estávamos deitados na areia um ao lado do outro olhando as estrelas.
Edward's POV
Depois da idiotice que eu fiz, tentando ter algo mais de Bella, acabei ficando em silêncio. O clima não era mais o mesmo, mas então depois de estar coberto de calda e ela de farinha o clima descontraído e romântico voltou a se instalar entre nós. Depois de um jantar maravilhoso e uma sobremesa divina, ficamos um pouco na praia observando as estrelas e ela me contou um pouco mais sobre sua infância, falando que foram anos difíceis, falou também sobre suas ideias para sua apresentação se ela chegasse nas olimpíadas. Disse que queria uma apresentação com o tema de magia...Já passava da meia noite quando entramos e ainda conversamos por um tempo indeterminado em seu quarto. Estava recostado na cabeceira da cama e Bella sentada a minha frente sorrindo.
– E então o que faremos amanhã? — Perguntei.
– Queria conhecer Hollywood. — Ela falou.
– Ótimo, faremos um tour por Hollywood. — Falei. — Podemos ir ver a Calçada da Fama.
– Odoraria. — Isabella falou sorriu e se deitou ao meu lado, deitei também virando um pouco para poder olhá-la. — Nossa vôo sai que horas?
– As três horas da tarde. — Respondi e vi seus olhos se fecharem pesados por causo do sono.
Acariciei seu rosto e então ela adormeceu. Não sei o que deu em mim, enquanto estávamos preparando o jantar, aquela sensação foi muito estranha. Como se eu precisasse que ela fosse só minha, eu precisava tê-la. Olhei seu corpo perfeito coberto pela blusa de manga curta e pelo short... talvez o fato de estarmos sozinhos, sem mais ninguém, tenha despertado algo em mim...
– Não acredito. — Falei para mim mesmo me levantando rapidamente e saindo de seu quarto. Entrei em meu quarto e fechei a porta, me sentando na cama. Com certeza não foi uma boa ideia ficarmos sozinhos aqui... ela era diferentes das outras, era inocente, ingênua... a imagem de Isabella dormindo no quarto ali perto me veio a cabeça novamente.
"...nunca tive um namorado." Suas palavras me vieram a mente.
– Preciso de um banho frio. — Falei para mim mesmo, entrando no banheiro e ligando o chuveiro na água gelada, buscando na mente coisas brochantes.
Assim que sai do banho ouvi meu celular tocar.
– Droga. — Falei ao ver o nome do Emmett no visor do celular. — O que você quer a essa hora?! — Reclamei ao atender a ligação.
– Calma, cara. — Ele falou rindo e ouvi a música alta ao fundo, ele devia estar em alguma festa ou balada. — É que só agora consegui o cura para seu problema.
– O que?! — Indaguei sem entender.
– É só um comprimido pequeno e fim da tortura que está vivendo. — Ele falou e então me lembrei do que tinha dito a ele a algum tempo: "Não consegui ter uma ereção, porque não consigo parar de pensar nela!"
– Ok, agora posso dormir? — Perguntei, pois queria terminar logo a conversa.
– Ok, não precisa agradecer, tchau. — Ele falou e desligou.
Assim que desliguei o celular percebi que já tinha a cura para esse pequeno problema, e essa cura era Isabella.
Já eram oito da manhã quando acordei, me levantando e tomando um banho. Iríamos a Hollywood e não podíamos perder tempo, então bati na porta do quanto de Bella, mas ela não respondeu. Abri a porta lentamente e a vi dormindo tranquilamente, me aproximei e ajoelhei ao lado de sua cama, então toquei seu rosto, acariciando sua bochecha, sentindo sua pele macia e rosada.
– Hum... — Ela se mexeu, abrindo os olhos lentamente. — Edward? — Sussurrou.
– Bom dia, Bella adormecida. — Falei sorrindo.
– Não me chama de Bella! — Exclamou cobrindo o rosto com o lençol e eu ri.
– Ok, Bella. Acho melhor você se levantar, Bella, pois ainda temos que fazer um tour por Hollywood, Bella. Vou te esperar para tomar o café da manhã, Bella. — Falei já levantando e caminhando até a porta, mas antes que eu pudesse sair do quarto um travesseiro me atingiu e ri de sua atitude.
Preparei o café e arrumei a mesa, me sentando e então ela apareceu.
– Bom dia. — Falou puxando a cadeira a minha frente.
– Bom dia. — Respondi. — Como dormiu?
– Bem, obrigada. — Ela disse olhando para a xícara a sua frente. Foi impressão minha ou ela corou ao responder minha pergunta? — E então vamos em que lugar primeiro? — Mudou de assuntou.
– O que acha de irmos nos Estúdios Universal? — Perguntei e ela sorriu.
E o dia se passou assim, visitamos a Calçada da Fama, o letreiro de Hollywood, o Teatro Kodak e depois de almoçarmos levei Isabella para conhecer a Disneylândia. Era encantador ver seu sorriso e a felicidade em seus olhos a cada lugar que íamos conhecer. Gostava de tudo nela... adorava as marcas de expressão que se formava no canto de seus olhos quando ela ria, o jeito como ela mexia as mãos enquanto falava ou como levantava a sobrancelha direita quando eu falava alguma coisa com a qual ela não concordava. Parecia um sonho, poder estar com ela, só nós dois, mas como todo sonho esse também acabou e quando chegamos no aeroporto LAX a realidade me atingiu assim que vi Isabella mais pálida que o normal enquanto embarcávamos.
– Está tudo bem? — Perguntei enquanto entrávamos no avião.
– Está. — Ela falou baixo procurando nossas poltronas.
– Certeza? — Perguntei e achamos as poltronas.
Bella me deixou passar primeiro já que tinha medo de sentar ao lado da janela e as sentou ao meu lado.
– Não, eu não estou bem Edward. — Falou baixo. — Mas não a nada a fazer... — Sua voz era um pouco nervosa, sei que ela não gostava quando ficava perguntando se estava bem ou quando falava da doença, então não falei mais nada.
Fiquei olhando pela janela e esperando a hora que iríamos decolar.
– Acho que estou um pouco cansada. — Ela murmurou ao meu lado e a olhei. — Estou com medo de voltar...
– Eu sei. — Falei lembrando de sua cirurgia e senti ela encostando em mim, apoiando a cabeça em meu ombro.
Peguei sua mão entrelaçando nossos dedos.
– Sabe, não pense que a vida é injusta, pois com certeza existe algum propósito muito maior para que você tenha essa doença.
– Talvez... tenha razão. — Ela teve dificuldade para falar e então o silêncio se instalou no avião.
Iríamos decolar e logo estaríamos em Forks.
ALGUNS DIAS DEPOIS
Bella's POV
Faltavam três dias para minha cirurgia, já que tinha sido adiada por alguns dias, o que achei bom, ainda não estava preparada, na verdade não estou preparada ainda. Agora estava na sala de espera para entrar no consultório de meu médico. Não avisei Carlisle que eu tinha consulta hoje, e Renée não se importava.
– Isabella Swan. — A secretaria do doutor Alec me chamou e me levantei entrando na sala de decoração branca.
Edward também não sabia que eu estava ali, pois se soubesse estaria ali ao meu lado. Quando me perguntou o que faria hoje disse que ficaria em casa pois estava me sentindo cansada, quando dizia que iria descansar ele sempre achava bom.
– Boa tarde, Isabella. — Alec me cumprimentou estendendo a mão. — Veio sozinha?
– Boa tarde. Sim, vim sozinha. — Falei o cumprimentando.
– Sente-se. — Ele pediu e me sentei em frente sua mesa. — E então, como está? Nervosa pela cirurgia?
– Um pouco. — Falei.
– Tudo irá ocorrer bem. — Ele falou. — Vamos começar o pré-operatório depois de amanhã, quero você no hospital as oito da manhã para iniciarmos as preparações para a cirurgia, ok?
– Ok. — Falei meio insegura.
– Bom, você já fez todos os exames e todos deram bons resultados, será uma cirurgia tranquila. — Ele falou. — Preciso perguntar sobre seu cabelo, se vai cortar no hospital ou vai querer ir em um salão.
– Meu cabelo? — Perguntei surpresa levando uma de minhas mãos ao meus cabelos.
Não havia pensado nisso, mas era uma coisa obvia o fato de ter que cortar o cabelo.
– Na verdade terá que raspar. — Ele falou olhando em meus olhos. — Sei que é difícil, Isabella, mas vai dar tudo certo.
– Acho melhor ir em um salão. — Falei com a voz dificultada pelo medo e pelo choque.
– Isabella. — Ele falou, ganhando minha atenção. — Olha, vou fazer o possível para curá-la ou pelo menos aumentar ao máximo seu tempo de vida.
– Eu sei. — Murmurei.
– Mas quero que acredite que tudo ocorrerá bem. — Ele pediu. — Precisa acreditar e ter fé.
Apenas balancei a cabeça concordando. Alec explicou mais coisas sobre a cirurgia e tirou algumas dúvidas minha e então logo estava dentro de meu carro dirigindo em direção a minha casa, ou pelo menos pensava que estava indo para casa, pois quando percebi estava estacionando em frente a casa de Edward e vi que o carro de Alice estava ali. Não devia estar aqui... então liguei o carro novamente e comecei a dirigir pelas ruas de Forks... a verdade é que não queria voltar para casa... não queria a realidade... queria voltar a alguns dias atrás, quando eu e Edward estávamos sozinhos em sua casa em Los Angeles. Edward... ele me apoiava... ele estava do meu lado... ele me aceitou mesmo sabendo de minha doença. Quando percebi lágrimas já pingavam em minha blusa de mangas compridas. Respirei calmamente tentando suportar o desespero, a dor, o medo, a solidão... eu tinha Edward e Carlisle, eles cuidavam de mim e se preocupavam... mas até quando eu os teria? Até quando Edward ficaria do meu lado desperdiçando sua vida... era isso que ele estava fazendo, desperdiçando seu tempo, pois logo eu não estarei mais aqui, logo o câncer me condenará ao sono eterno e ele verá que foi tempo perdido.
Vi pequenas gotas de água pingarem no para-brisa e então acelerei em direção a La Push. A cada minuto que me aproximava da praia a chuva aumentava e ficava mais forte, até o momento que quase não conseguia enxergar. Demorou um pouco mais cheguei a praia deserta e estacionei o carro, desligando-o e assim que me livrei do cinto de segurança meu celular tocou, era ele. Achei melhor atender.
– Oi. — Tentei disfarçar a voz para ele não perceber que estava chorando.
– Oi, como está?
– Bem. — Respondi.
– Está na sua casa? — Ele perguntou, com certeza ouvindo o som da chuva batendo na lataria do carro.
– Er... sim...estou. — Falei com dificuldade em mentir e esconder a voz rouca por causa das lágrimas que não paravam de descer por meu rosto.
– Você é péssima mentindo. — Ele falou baixo do outro lado da linha. — Onde está?
Sei que não adiantava mentir, ele acharia um jeito de me achar então falei a verdade.
– Estou em La Push.
– Por que está ai?
– Não sei, Edward... ultimamente não sei nada do que acontece comigo. — E não pude evitar o soluço por causa do choro.
– Bella.. — Mas antes que ele pudesse falar algo eu desliguei.
Sai do carro e fechei a porta, sentindo a chuva me molhar, fechando os olhos levantando o rosto e pude sentir cada gota de água em mim. Voltei a olhar para frente tirando as sapatilhas que usava e as deixei em qualquer lugar e caminhei até sentir a areia sob meus pés. Então corri até a água salgada e gelada, só parei quando a água já tocava meus joelhos e gritei... batendo na água, minha garganta já doia por causa de meus gritos. Não era justo! Parecia que tudo de ruim que uma pessoa podia sofrer eu estava sofrendo. Fleshes de minha infância me veio a cabeça, podia ver tudo como imagens, tudo que sofri...
A chuva começou a cessar e então caminhei até a praia me sentando na areia, abraçando meus joelhos e deixando a dor me tomar por inteiro, deixando todas as lágrimas que sempre escondi saírem.
Não sei quando tempo fiquei ali... sei que quando menos esperava senti seus braços ao meu redor, ele estava sentado atrás de mim, me deixando entre suas pernas. Acabei encostando em seu peito, fechando os olhos, sentindo seus braços me apertarem gentilmente, enquanto ainda soluçava chorando.
– Shh... está tudo bem. — Ele sussurrou em meu ouvido de forma doce. — Estou aqui, não está sozinha.
Não se foram horas ou apenas minutos, mas quando comecei a me acalmar Edward se levantou, passando um de seus braços em baixo de meus joelhos e o outro braço em minhas costas, me levantando com facilidade e me carregando no colo até o carro. Edward abriu a porta do carona de meu carro e me ajudou a sentar, logo sentando ao volante e ligando o motor com a chave que eu nem tinha tirado da ignição. Percebi que ele não estava molhado pois a chuva já tinha parado, por outro lado eu estava encharcada, minhas roupas completamente molhadas.
Comecei a ver as árvores passando rapidamente pela janela, já não chovia mais, não sei dizer quando a chuva parou... só sei que ele estava ao meu lado agora, dirigindo e podia sentir seus olhos em mim, sentia que ele me analisava, mas acima de tudo sentia sua presença e isso me acalmava...
As lágrimas não paravam, ela simplesmente desciam por meu rosto, não conseguia fazê-las parar, não conseguia me controlar... Doía... doía muito saber que sua vida iria acabar...
Fechei os olhos tentando controlar minha respiração e quando os abri novamente percebi que estávamos em frente minha casa. Edward saiu do carro e veio abrir a porta para mim, me estendendo a mão, na qual segurei e me levantei, mas minhas pernas falharam e ele me segurou, ajudando-me a caminhar até a porta a qual abriu com a chave que deve ter achado no carro, então me levou até meu quarto.
– Precisa tomar um banho. — Ele disse e apenas concordei com a cabeça, já conseguindo ficar de pé sozinha. — Vou estar na sala, qualquer coisa me chame.
Ainda parada no meio do quarto vi ele deixar minhas sapatilhas em um canto e fechar a porta ao sair, então perdi toda a força caindo, ali mesmo. Agora sentada no chão as lágrimas continuavam... eu não iria aguentar... não vou conseguir passar por tudo isso... Depois de alguns minutos ali me levantei com dificuldade e caminhei até o banheiro, liguei o chuveiro, tirando minhas roupas molhadas. A água morna percorreu meu corpo e minha mão foi a cicatriz que marcava a parte interna da minha coxa direita.
Lembro de como minhas mãos doíam por estarem amarradas, Ele estava a minha frente segurando uma barra de ferro cilíndrica que tinha a ponta vermelhar por estar quente.
Foi horrível sentir seu peso sobre mim e a dor enorme quando o senti me invadindo... Ele me bateu e me queimou com a barra de ferro, lembro que queimou meu pé mas a cicatriz não ficou tão evidente como a de minha perna. Lembro da dor do ferro me queimando...
Quando sai do banho e me olhei no espelho, vi meus olhos inchados e vermelhos, na verdade meu rosto inteiro estava vermelho. Vesti uma roupa quente, pois estava frio, e peguei o secador, ligando-o, assim que meu cabelo já estava um pouco seco o desliguei e ouvi alguém batendo na porta de meu quarto. Sai do banheiro e vi a porta se abrir um pouquinho e Edward aparecendo.
– Oi. — Ele falou ao me ver e abriu mais a porta entrando em meu quarto. — Como está?
– Quero ficar sozinha. — Falei ao sentir meus olhos queimarem com as lágrimas já se formando.
– Não vou te deixar sozinha. — Ele falou pegando minha mão.
– Vai embora, por favor. — Falei puxando minha mão e caminhei até a cama, me deitando.
Deitei-me de modo a ficar de costas para ele, assim não precisaria ver ele saindo e me deixando. As lágrimas começaram a cair de meus olhos e tive raiva delas, então houve uma movimentação na cama e senti os braços dele me envolverem. Estava deitado atrás de mim, me abraçando, me protegendo.
– O que aconteceu? — Ele perguntou sussurrando em meu ouvido, já que estávamos bem próximos.
– Tive uma consulta com meu médico hoje e acho que estou começando a aceitar o fato de que tenho câncer. — Murmurei.
– Sei que é difícil...
– Não, não sabe. — O interrompi. — Todos falam isso, mais só quem tem essa doença sabe como é difícil... como é difícil viver sabendo que está com os dias contados.
– Não está com os dias contados. — Ele falou.
– Está enganado. — Falei baixo. — Estou com medo.
– Não precisa ter medo, estou aqui. — Ele falou e seus braços me apertaram mais, me aconchegando, me puxando para ele.
Senti Edward depositar um beijo casto em meu pescoço.
– Eu te amo. — Ele sussurrou e essas palavras me fizeram relaxar e fez com que o medo sumisse temporariamente.
Fechei os olhos sentindo sua mão acariciar de leve meus cabelos, seu corpo quente junto ao meu, sua proteção, seu carinho por mim...
Abri os olhos e percebi que havia dormido. Movi-me um pouco e senti os braços dele ainda ao meu redor, virei-me e Edward estava ali seus olhos estavam presos nos meus, estávamos tão próximos.
– Oi. — Ele sussurrou. — Está melhor?
Apenas balancei a cabeça assentindo e sua mão acariciou meu rosto delicadamente. Ele se aproximou mais e seus lábios se juntaram com os meus em um beijo apaixonado.
– Vai ficar tudo bem, acredite em mim. — Ele falou baixo assim que nos separamos um pouco.
– Eu quero acreditar.
Seus lábios se juntaram aos meus mais uma vez e então Edward se afastou e se levantou.
– Onde vai? — Perguntei meio exasperada, precisava que ele ficasse.
– Preciso ir, já está ficando tarde. Vou ligar para Alice vir me buscar. — Ele falou pegando o celular.
– Não vai. — Pedi. — Fica.
Ele me olhou e acabou fazendo o que pedi. Olhei no relógio e já era cinco horas, então descemos as escadas e fizemos um lanche, ele ficou o tempo todo tentando me distrair e fazer com que ficasse alegre. Como Carlisle e Renée chegariam logo fomos para o quarto e ficamos lá pelo resto da noite.
Era domingo e amanhã seria internada para começar o pré-operatório. Levantei-me depois de notar que Edward não estava mais ali e vi um bilhete sobre o travesseiro, peguei-o e li as palavras escritas em sua perfeita caligrafia:
"Estava dormindo tão tranquilamente que não tive coragem de te acordar.
Nos vemos mais tarde.
– Edward."
Deixei o bilhete sobre a escrivaninha e fui tomar um banho. Depois de me vestir sai de meu quarto e encontrei Carlisle no corredor.
– Oi, eu ia ver se estava bem, você nunca acorda tão tarde. — Ele falou.
– Mas que horas são? — Perguntei e ele olhou em seu relógio de pulso.
– Quase onze da manhã.
– Nossa. — Realmente havia dormido mais que o normal.
– Está tudo bem? Você chorou? — Ele perguntou preocupado encarando-me.
Com certeza meu rosto devia denuncia que eu havia chorado.
– Carlisle, eu tive uma consulta com o meu médico... — Falei.
– E precisa cortar o cabelo. — Ele completou. — Eu falei com Alec e ele me disse isso.
– Pode me levar ao salão? — Perguntei.
– É claro. — Ele falou e me abraçou enquanto descíamos as escadas. — Podemos ir agora.
– Ótimo.
– Não quer tomar café ou comer algo? — Ele perguntou.
– Não. — Falei.
– Então vamos. — Disse pegando a chave do carro e eu abri a porta dando de cara com Alice.
– Nossa! Eu ia apertar a campainha mas... — Ela começou a falar então mudou rapidamente de assunto. — Em fim, como está?
– Bem. Eu estou indo no salão. — Falei.
– Oi, Carlisle. — Alice falou.
– Oi. — Ele a cumprimentou. — Vou pegar minha carteira. — Falou subindo as escadas.
– Ok. — Falei e pedi para Alice entrar.
– Salão? — Ela perguntou enquanto nos sentávamos no sofá.
– Preciso cortar o cabelo, na verdade raspar. — Falei baixo.
– Ah! — Ela exclamou e o largo sorriso que iluminava seu rosto se desfez. — Se quiser posso ir com você. — Imaginei ela falando qualquer coisa menos se oferecendo para ir junto.
– Não... precisa. — Minha voz falhou.
– Não precisa enfrentar tudo sozinha, Isa. — Ela falou colocando sua mão sobre a minha. Acho que também não imaginava que ela falaria isso. — Decisão tomada. Eu vou junto. — Falou se levantando já com um sorriso nos lábios.
– Obrigada. — Sussurrei e ela abriu os braços para me abraçar.
– Vai dar tudo certo. — Ela falou quando nos separamos.
– Pronto. — Carlisle apareceu.
– Eu vou junto. — Alice avisou.
– Então vamos. — Ele falou sorrindo já abrindo a porta para nós.
– Vamos no salão que eu sempre vou. — Alice falou e acabei concordando já que era impossível discordar dela.
Em pouco tempo estávamos parando em frente do maior salão de Forks e logo fomos atendidos.
– Alice! — Uma mulher de aproximadamente quarenta anos, de cabelos curtos e escuro exclamou.
– Oi Rose! — Alice a cumprimentou. — Tem hora vaga? — Perguntou depois de nos apresentar.
– Para você sempre tenho.
– Na verdade é para minha amiga, Isabella.
– O que vamos fazer? — Perguntou sorrindo.
– Ela vai cortar o cabelo. — Alice falou.
– Raspar. — A corrigi.
– Ela vai raspar. — Ela se corrigiu.
– Raspar?! — Rose perguntou surpresa.
– É para um tratamento. — Carlisle explicou.
Rose me olhou e vi em seus olhos a coisa que mais odiava: dó.
– Então vamos. — Ela me guiou até uma parte mais afastada.
Rose me pediu para sentar em uma cadeira que ficava em frente ao um grande espelho. Enquanto ela pegava tudo que iria usar eu olhava meu cabelo castanho avermelhado, comprido até um pouco abaixo de meus ombros.
– Preparada. — Ela perguntou e apenas assenti.
Então, depois de pentear meu cabelo ela pegou uma mecha e a cortou. Nesse momento senti todo o ar sair de meus pulmões, a mecha ficou na altura de minha orelha e ela continuou para os fios de cabelo seguintes. Pensei que seria mais difícil, pensei que choraria mas não sentia as lagrimas se formando, de certa forma estava bem, estava sendo forte. Em poucos minutos meu cabelo estava igual ao da Alice e Rose se afastou para pegar alguma coisa. Levei a mão aos cabelos e foi estranho senti-los menores, olhei para o meu reflexo no espelho e vi Carlisle sentado em uma cadeira um pouco afastado, seus olhos me encaravam e me passavam força, esperança. Senti uma mão sobre a minha que estava apoiada na cadeira e quando olhei vi Alice ali, sorrindo para mim.
– Tudo bem? — Ela perguntou e apenas balancei a cabeça.
Logo Rose voltou trazendo as máquinas para raspar o cabelo. Ela voltou a cortar mecha por mecha deixando meu cabelo cada vez mais curto e então quando já não dava mais para cortar com a tesoura ela ligou a pequena máquina começando a passá-la em minha cabeça, e então não aguentei, senti meus olhos começarem a arder, me olhei no espelho e vi as lagrimas traidoras descerem por meu rosto.
Estava com os cabelos bem curtos, talvez mais curtos que de Carlisle quando olhei para o lado na hora em que Rose trocou de máquina e vi Alice, com os olhos vermelhos, saindo do salão. A cabeleireira voltou a passar aquela maquininha em minha cabeça arrancando meus últimos fios de cabelo... senti mais lágrimas caírem de meus olhos.
– Prontinho, querida. — Rose falou retirando a capa que me protegia dos fios de cabelo e acariciando de leve meu ombro.
– O-obrigada. — Falei com a voz falhado e quando fui me levantar alguém impediu.
– Esperai. — Era a voz de Alice. — Senta ai. — Praticamente mandou.
Voltei a me sentar, limpando minhas lagrimas e vi o reflexo dela no espelho, seus olhos ainda estavam um pouco vermelhos.
– Olha o que eu comprei! — Ela falou sorrindo e me mostrou um lenço florido em sua maior parte cor de rosa. — Posso? — Ela perguntou e balancei a cabeça assentindo pois não tinha voz.
Alice passou o lenço por minha cabeça, onde até minutos atrás estava meu cabelo comprido e escuro. E por fim deu um nó perto de minha nuca, pegando o resto do lenço que era bem longo e o colocando sobre meu ombro direito.
– Perfeito. — Ela sussurrou com as mãos sobre meus ombros.
– Obrigada. — Falei baixo me levantando e a abraçando.
Alice me abraçou fortemente me dando forças.
– Vamos, garotas. — Carlisle nos chamou depois de pagar o salão.
Então tudo pareceu ficar em câmera lenta, vi todos que estavam ali no salão se virarem para me olhar e ficou pior quando começamos a caminhar na calçada até onde Carlisle tinha estacionado o carro. Vi todos passando por mim e me olharem, alguns tinham desprezo, desdém e medo em seu olhar como se eu tivesse alguma doença contagiosa, outros já me olhavam com ternura, dó...
O trajeto para casa foi silencioso, acho que ainda estava em choque e assim que o carro parou em frente de casa eu sai, ouvi Carlisle me chamar mas apenas disse que precisava ficar sozinhas já sentindo mas lágrimas molharem meu rosto.
As horas passaram e eu deitada na cama encarando o nada. Tentando ver ali, no vazio, a luz que me guiaria para fora daquele pesadelo.
– Isabella. — Senti alguém acariciar minhas costas e ao me virar vi Renée. Não falei nada, não tinha voz para falar, não tinha forças... então ela continuou. — Você não almoçou. Não quer comer nada? — Perguntou e em sua voz havia o sentimento de dó que eu tanto odiava. — Precisa se alimentar. — E eu apenas balancei a cabeça negando. — Se quiser algo é só pedir. — Falou e saiu do quarto.
Sei que aquilo é falso, ela faz isso porque tem medo de sentir remorso se o pior acontecer comigo, tem medo de se arrepender.
Edward's POV
Estava descendo as escadas para ir almoçar quando a campainha tocou. Fui abrir a porta e lá estava Alice.
– Oi, priminho. — Ela disse me abraçando, mas a afastei. — Ok, sem abraços... — Falou revirando os olhos.
– Oi, Alice.
– Como está? — Ela perguntou já entrando e se sentando no sofá.
– Como ela está? — Perguntei dando uma ênfase a "ela", e me sentei ao seu lado.
Sabia que ela tinha ido visitar Isabella e queria saber como ela estava. Alice pareceu meio insegura, como se não soubesse o que dizer.
– Ela está bem... de certa forma, está bem. — Falou fazendo pausas quando não sabia como falar.
– O que aconteceu? — Perguntei já percebendo que tinha algo errado.
– Amanhã ela será internada e ela teve que ir cortar... — Ela fez uma pause e depois se corrigiu. — Na verdade raspar a cabeça.
Fiquei a encarando por um longo tempo, não acreditava no que estava ouvindo.
– Eu... O que... Como? — Tive certa dificuldade em formar uma pergunta.
– Isabella está careca, para poder fazer a cirurgia. — Ela falou. — Sinto muito, Edward, sei que gosta muito dela.
É por isso que ela estava tão mal ontem... A cirurgia! Então suas palavras me vieram a mente:
"...é difícil viver sabendo que está com os dias contados."
"Promete que nunca irá se esquecer de mim."
– Ela está achando que não vai sobreviver.
– O que? — Alice indagou sem entender e percebi que havia falado em voz alta.
– Ela está achando que irá morrer durante a cirurgia.
– Por que acha isso?
– Porque eu sei, que é isso que ela está pensando. — Disse me levantando.
– Onde vai? — Ela perguntou me vendo pegar a chave do carro. — Não! — Alice segurou minha mão.
– Que?
– Não vai lá agora, ela falou que queria ficar um pouco sozinha. Isabella precisa de um tempo.
Alice tinha razão, com tudo isso acontecendo com certeza ela quer ficar um pouco sozinha, então acabei concordando.
– Alice! — Minha mãe apareceu.
– Oi, tia Esme. — Ela falou e as duas se abraçaram rapidamente.
– Já almoçou? — Minha mãe perguntou.
– Não, mas não precisa se preocupar, já estou indo. — Alice respondeu.
– Nem pensar, vai almoçar com a gente. Vem. — Ela puxou Alice para cozinha. — Vem Edward, o almoço está pronto.
– Estou sem fome. — Falei e caminhei em direção as escadas.
– Mas filho... — Ela começou a falar mas não quis ouvir.
E assim que passei pelo grande piano de calda me lembrei de seu pedido: "Queria ouvir você tocar."
Aproximei-me do piano e me sentei no pequeno banco retangular. Passei os dedos na tampa que protegia as teclas sentindo a madeira que tinha uma pintura preta brilhante. Quando percebi meu pé já estava sobre o pedal direito... mas então me levantei rapidamente, me lembrando de Jane. Lembro de quando tocava uma melodia bem calma para ela dormir... e quando já estava dormindo ali perto deitada no sofá, eu parava e ela acordava irritada falando que não era para parar a música.
Sorri com essa lembrança....
Eram três horas da tarde e eu estava em frente a casa de Isabella, toquei a campainha e logo Carlisle abriu a porta.
– Edward! — Ele falou, mas não parecia nem um pouco surpreso em me ver.
– Oi. — Cumprimentei-o e ele pediu para eu entrar. — Posso vê-la? — Perguntei.
– Eu... vou falar com ela. — Ele falou se dirigindo a escada. — Espere um pouco.
Sentei-me e esperei, mas no fundo sabia que ela não ia querer me ver, não sei porque, mas sentia isso. Então Carlisle voltou.
– Edward, acho melhor deixá-la um pouco sozinha. — Ele falou.
– Eu...
– Tem certeza que sabe o que está fazendo? — Ele me interrompeu.
– O que? — Indaguei sem entender.
Carlisle se sentou em uma poltrona a minha frente, me olhando nos olhos.
– Edward, quero que saiba no que está se envolvendo. Sabe quais as chances de uma pessoa com câncer cerebral viver por mais de dois anos? — Ele falou e como não respondi continuou. — As chances são baixíssimas, quase nulas. Então quero que pense bem... Isabella não tem futuro, na verdade o futuro dela é viver dentro de um hospital. — Ele falou a mais pura verdade e aquilo doeu. — Isso que há entre vocês dois não tem futuro...
– Eu sei. — Falei e me impressionei em como minha voz estava firme. — Mas sobre isso já me decidi, eu vou até o fim, não importa se serão dias, meses ou anos... se ela quiser vou ficar do lado dela até o fim.
– É bom saber que existe alguém que realmente gosta de Isabella. — Ele estava sério. — Acho que sabe onde é o quarto dela. — Ele disse com um pequeno sorriso.
– Obrigado. — Falei antes de me levantar e subir as escadas.
Caminhei pelo corredor até parar em frente a porta fechada, onde era o quarto de Bella. Bati levemente na porta e então a abri um pouco, espiando dentro do quarto.
– Já disse que não quero que ele me veja, Carlisle! — Ela falou, sua voz era rouca, talvez estivesse chorando.
Isabella estava deitada de costas para a porta, com uma coberta cobrindo seu corpo. Mesmo ouvido o que ela disse eu entrei e encostei a porta. Percebi que havia um lenço em sua cabeça e aquilo fez meu coração perder uma batida.
– Bella... — Falei e ela se levantou, virando-se para me olhar assustada.
– Vai embora! — Ela falou, acho que tentou gritar mas sua voz falhou saindo quase um sussurrou. — Não quero que me veja assim! — Ela exclamou enquanto pegava a coberta e a colocava ao seu redor, tampando sua cabeça, deixando apenas seu rosto a mostra.
– Bella por favor. — Aproximei-me, mas ela me empurrou.
– Por favor peço eu! Vai embora. — Ela pediu e vi seus olhos cheios de lágrimas.
– Não... não vou. Pois quero ficar aqui com você, não vou te deixar sozinha. — Falei e me sentei na cama ficando de frente para ela.
– Eu já estou sozinha. — Ela murmurou com as bochechas molhadas pelo choro. — Vai embora, por favor. — Pediu.
– Você não está sozinha e nunca vai estar. — Aproximei-me mais dela e levei a mão até o cobertor o puxando.
Ela permitiu que tirasse o cobertor e então pude vê-la melhor, pude ver seus olhos avermelhados, as olheiras por não ter descansado, o rosto bem mais pálido que o normal.
– Pode confiar em mim.
– Eu confio. — Ela afirmou e sorri com aquilo.
– Posso? — Perguntei apontando para o lenço e ela nada respondeu.
Eu via apenas seus olhos que estavam grudados nos meus, quando levei a mão ao lenço, que tampava metade de sua testa, percebi que ela parou de respirar quando comecei a puxar o tecido estampado. E então pude vê-la, onde antes estava os longos cabelos castanhos agora não havia nada, apenas sua pele. Suas lágrimas se intensificaram e ela me abraçou, puxei-a mais para perto, sentindo sua dor, seu medo. Nos separamos um pouco e eu a beijei, sentindo seus lábios doces nos meus...
... nesse momento pude sentir tudo que ela sentia.
Narrador's POV
Bella e Edward passaram o resto da tarde vivendo o que poderia ser suas ultimas horas juntos, pelo menos era isso que Isabella acreditava. Edward fez de tudo para ela voltar a rir e é claro que conseguiu, pois só o fato de ele estar ali já a deixava mais feliz. Mas como tudo que é bom dura pouco, domingo passou e segunda-feira chegou.
Carlisle levou Isabella para o hospital, lá ela passou por vários exames iniciando o pré-operatório. Quando já estava quase na hora da cirurgia Isabella recebeu a visita de Alice, Carlisle, Esme, até de Renée... e quando ela já estava achando que ele não apareceria a porta do quarto se abriu e ela viu aquele par de esmeraldas e aquele sorriso torto que tanto amava.
– Pensou que eu não viria? — Ele perguntou sorrindo.
– Isso nem passou pela minha cabeça. — Ela falou rindo.
– Que bom. — Edward falou se aproximando da cama onde Isabella estava deitada e depositou um beijo casto em sua testa. — Me promete uma coisa?
– O que? — Bella perguntou um pouco tonta pela aproximação dele.
– Me promete que não vai desistir... — Edward pediu e automaticamente lágrimas começaram a se formar nos olhos de Isabella. — ... e se vir uma luz, não vá em direção dela, volte! — Pediu deixando o clima tenso e triste, mas leve e agradável.
– Seu bobo! — Ela falou o empurrando de leve.
– Estou falando sério! — Ele falou rindo.
– Ok, eu prometo apenas se fizer algo para mim. — Bella falou sorrindo.
– Pode pedir.
– Desculpe interromper, mas está na hora. — Um enfermeira entrou no quarto.
– Ok. — Edward falou se levantando e se aproximando de Isabella apenas para relar seus lábios nos dela, em um beijo inocente.
Mas Bella segurou sua camisa, mantendo-o perto.
– Toca para mim. — Ela sussurrou.
– Precisa, sair. — A enfermeira voltou a falar.
Edward olhou nos olhos cor de chocolate de Isabella pela ultima vez antes de sair e começar a caminhar pelo corredor todo branco do hospital, vendo médicos andando, outros correndo. Ele teve vontade de olhar para trás mas não precisava disso, pois ele sabia que logo ele iria poder vê-la novamente deitada na cama em um quarto se recuperando da cirurgia. Nada iria acontecer, Edward tinha certeza disso.
– Vamos filho? — Esme chamou Edward depois de um tempo ali sentados.
– Não, vou ficar. — Ele respondeu convicto.
– Edward, já para casa, será uma longa cirurgia. E quando tiver notícias eu te ligo. — Carlisle falou.
– Carlisle tem razão, Edward. Vamos. — Alice falou.
Então ele se lembrou do pedido de Isabella e se levantou.
– Ok, vamos. — Falou já se despedindo.
Edward começou a dirigir pelas ruas de Forks vendo o carro de Esme o seguir, e começou a imaginar no que aconteceria se Bella...
– Não.. — Falou para si mesmo, pois ele não queria pensar nisso.
____
Enquanto isso Isabella recebia a anestesia e em poucos minutos apagou completamente.
Ela foi levada ao centro cirúrgico, e lá a equipe de médicos já a esperava.
– Nossa! Tão nova e com um tumor cerebral. — Um dos médicos falou.
– Sem contar que ela tinha tudo para ser uma grande patinadora artística. — Outro falou. — Eu vi ela se apresentando.
– Pois é.
Então a cirurgia começou, tudo ocorrendo perfeitamente bem.
____
Edward estacionou seu carro na garagem de sua casa. Alice desceu do carro que Esme dirigia, agora estacionado ao lado do de Edward, já que ela iria passar alguns dias ali pois sua mãe estava viajando a trabalho.
– Edward, o que acha...
– Não estou a fim de conversar Alice. — Ele a interrompeu entrando na casa.
Alice ficou triste por ver Edward daquele jeito mas não foi atrás dele, pois sabia que ele precisava de um tempo sozinho.
Assim que Edward chegou a sala que comportava o elegante piano de calda ele parou e ficou alguns minutos olhando para o instrumento de cor preta.
"Toca para mim"
Edward pode ouvir sua voz perfeitamente como se Isabella estivesse ali ao seu lado e não pensou duas vezes antes de se sentar ao banco do piano e abrir a tampa que protegia as teclas e retirar o pano que ficava sobre elas, revelando-as completamente brancas intercaladas com as teclas menores em cor preta. Seus dedos ficaram em posição e seu pé já estava sobre um dos pedais. E quando menos esperava pode ouvir a melodia que seus dedos tocavam, não era nada que ele tinha composto e também não se parecia com nada que já tinha ouvido, ele estava tocando algo que vinha de seu coração, tocando especialmente para ela, para Isabella.
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– Ele vai ficar bem? — Esme perguntou a Alice.
– Claro que vai, só precisa de um tempo. — A baixinha respondeu.
– Quer tomar um chá?
– Seria ótimo.
As duas seguiram para cozinha, Alice começou a preparar o chá e Esme foi pegar as xícaras para colocar na mesa, mas então ela parou no meio da cozinha quando ouviu uma melodia suave e doce, Alice se assustou quando ouviu o som de algo se quebrando e quando se virou viu as xícaras completamente quebradas e espatifadas no chão.
– Esme, tudo bem? — Ela perguntou preocupada.
– Está ouvindo? — Esme perguntou e então Alice ouviu a delicada melodia. — Ele está tocando.
– Não, ele disse que nunca mais chegaria perto do piano. — Alice se lembrou das palavras de Edward no dia seguinte ao velório de Jane.
"Nunca mas volto a tocar e não quero que ninguém toque nesse piano."
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A cirurgia transcorria muito bem, os médicos estavam em silêncio todos concentrados, a única coisa que se podia ouvir era o BIP baixo do monitor cardíaco. Até que esse BIP se prolongou anunciando uma parada cardíaca.
– Droga! — Um dos médicos exclamou enquanto fazia de tudo para saber a vida de sua paciente. — Seja forte Isabella! — Ele exclamou.
Notas finais
Mas para quem deixar um review ou recomendar a fic eu conto um pouquinho do próximo capítulo ;D
Feliz Natal e vou tentar postar antes do ano novo, mas se não conseguir... Feliz Ano Novo a todos!!!
Beijoss
P.S.: A fic está com uma capa nova! Dêem uma olhadinha xD
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