Notas iniciais
Oiii!!! Quero agradecer a Cacapivara por ter recomendado a fic, muito obrigada! E espero que gostem do capítulo xD

Edward's POV

Eram cinco e meia da tarde de domingo e eu entrava no aeroporto. Não demorou muito para ver Lindsey e Alice indo buscar suas malas e logo atrás delas Isabella trazia um lindo sorriso nos lábios, o qual se tornou mais radiante assim que me viu. Ela caminhou até mim e vi um leve rubor em suas bochechas.

— Como está minha campeã? — indaguei, recebendo-a em meus braços.

— Campeã ainda não, mas espero ser. — ela falou baixo.

— Tenho certeza que será. — sussurrei próximo ao seu ouvido. — Vem, vamos pegar sua mala. — falei, me afastando e caminhamos para onde Lindsey e minha prima esperavam.

Assim que entramos no carro Alice me passou a foto que tinha tirado de Bella na apresentação e ela estava perfeita. Dirigi sem presa até a casa de Lindsey, logo depois seguindo para a casa de Alice que falava sem parar no casamento.

— Eu e a Isa vimos alguns vestidos e modelos de decoração.

— Tudo muito lindo. — Isabella falou baixo e vi um brilho em seu olhar.

— Pode deixar que eu vou ser a promoter e vou cuidar de tudo.

— Temos outra escolha. — Isabella ironizou e acabei rindo, enquanto estacionava o carro.

Sai para pegar a mala de Alice no porta malas e a levei até a entrada da casa, despedindo de minha prima com um "Até logo". Entrei no carro e liguei o motor, logo dirigindo pelas ruas frias de Forks. Bella se manteve em silêncio, ela estava pensativa e fitei seu rosto assim que parei no sinal vermelho.

— Tudo bem? — indaguei.

— Podemos ir a algum lugar? — ela perguntou. — Não quero ir para casa.

— Claro, onde quer ir?

— Surpreenda-me. — falou baixo, com um leve sorriso nos lábios.

Então segui para o centro da cidade, onde ficava a praça principal, estacionando o carro.

— A feira de artesanato? — ela sorriu, assim que abri sua porta.

— Não temos muitas opções em Forks. — falei e Isabella riu.

Caminhamos em direção as várias barracas que começavam a acender as luzes, já que o crepúsculo se aproximava e me surpreendi ao sentir Isabella segurar minha mão, pois sempre era eu que tomava a iniciativa. Olhe-a e sorri ao ver o leve rubor em seu rosto, soltei sua mão, levando meu braço ao redor de seu pequeno corpo e trazendo-a para perto. Vimos os artesanatos de todo tipo e acabei comprando alguns anéis e pulseiras para Isabella, das quais ela havia gostado. Já eram quase sete horas quando entramos no carro para ir embora e já havia escurecido.

— Sonhando acordada... — comentei ao notar Bella pensativa enquanto eu dirigia.

— Sim, sonhando...

— Como consegue sonhar sabendo que Alice irá organizar nosso casamento? — falei e ela riu, era apenas isso que eu queria... vê-la sorrir. — Já vou avisando, não usarei terno cor de rosa.

— Tenho certeza que ela não vai fazer um casamento pink. — falou rindo.

— Não tenha tanta certeza disso. — falei, admirando seu sorriso.

— É inacreditável como tudo parece estar dando certo. — Isabella disse ainda sorrindo, enquanto olhava as árvores pela janela.

— Tenho que concordar.

— Eu vou competir nas olimpíadas! — ela exclamou enquanto eu estacionava em frente ao seu prédio.

— Fico feliz em mais um sonho seu estar se realizando. — falei, logo depois que desliguei o carro.

Virei-me para olhá-la e poder admirar aqueles olhos que tanto amava, então ela se aproximou e senti sua mão em meu pescoço, movendo-se para minha nuca, adentrando meus cabelos.

— Eu te amo. — ela murmurou e me aproximei, tomando seus lábios.

Minhas mãos foram para sua cintura e desejei poder ter mais dela, então aprofundei um pouco mais o beijo, tornando-o mais quente e senti Bella se afastar, empurrando-me de leve.

— Ok, já parei. — falei baixo, próximo dela, vendo seus olhos fitarem os meus e um lindo sorriso em seus lábios, antes vê-la sair do carro.

Abri minha porta, indo até o porta-malas.

— Sabe qual é a melhor parte? — ela perguntou, enquanto pegava sua mala.

— Qual? — indaguei.

— Que consegui entrar nas Olimpíadas porque sou boa nisso, sem ajuda de ninguém... — falou, fazendo uma pausa quando fechei o porta-malas. — ... não precisei da sua ajuda como precisei nas estatuais. — ouvi suas palavras e fiquei sem saber o que dizer quando percebi ao que ela estava se referindo.

— Como sabe disso? — perguntei. — Lindsey te con...

— Lindsey sabe? — indagou antes mesmo de eu poder terminar a pergunta. Não respondi nada, então ela continuou: — Enfim, por que achou que eu não ficaria sabendo?

— Eu... eu... — gaguejei sem saber o que dizer.

— Sei que fez isso para realizar meu sonho e agradeço, pois também sei que não é qualquer um que faz isso por quem ama. — ela falou com aquele sorriso que eu amava iluminando seu rosto.

— Faço qualquer coisa para te ver sorrir. — falei baixo.

— Obrigada. — sussurrou e se aproximou depositando um beijo em minha bochecha. — Até amanhã. — falou ao se distanciar.

Vi Bella entrar no prédio ainda sem acreditar no que havia acontecido.



Bella's POV

Eram sete e meia da manhã quando desisti de tentar dormir, o que era para ser uma ótima noite de sono se tornou horrível com vários pesadelos, empurrei a coberta e sentei-me na cama. Sentia um vazio horrível no peito e nem sei porque caminhei até meu guarda-roupas, abrindo-o e pegando a pequena caixa onde guardava todas as fotos de quando morei em Detroit. Sentei-me no sofá que havia ali em meu quarto e abri a caixa de cor roxa, pegando a primeira foto, onde estava eu, Adam e Lúcia, sobrinha de Victoria, ela era minha melhor amiga e nem me lembrava mais dela.

Peguei outra foto, a qual devia ter sido tirada em alguma festa de aniversário minha, pude ver a imagem dele ali ao fundo e assim que pisquei os olhos a lembrança veio.

Lembro que minha mãe tinha acabado de sair para trabalhar, mesmo depois de eu implorar para ela não me deixar com Ele. Ela sabia o que acontecia, ela tinha total consciência, mas ela o amava e faria qualquer coisa para que Ele ficasse com ela, até entregar sua filha... ou melhor, a criança que ela escolheu como filha.

Flashback ON

"Levantei-me do sofá assim que vi Ele me olhar estranhamente e segui para meu quarto, mas então ouvi Ele se levantar também e corri, batendo a porta.

Era meu aniversário de oito anos e assim como todos os outros sabia que Ele faria alguma coisa a mim.

Segurei a porta com toda minha força, mas não consegui, não dava. Victoria tinha ido ao centro, então não havia ninguém que podia me ajudar, pois só ela sabia.

— Onde pensa que vai? — Ele segurou forte em meu braço e encarei seus olhos escuro, vendo o abismo de escuridão ali dentro. — Tenho um presente para você.

— Eu não quero seu presente. — falei e Ele me empurrou na cama.

— Você vai querer sim.

Ele puxou a calça legging cinza que eu usava e fez com que eu ficasse de costas para ele, apoiando-me nos joelhos e nas mãos, ficando de quatro.

— O que vai faz... — a dor me atingiu."

Flashback OFF

As lágrimas caíram de meus olhos e levantei-me indo até o banheiro, fechando a porta e ligando o chuveiro. Ouvi o som abafado da água enquanto analisava meu reflexo no espelho comprido que ficava em uma das paredes, tirei a calça de pijama que usava e logo depois a blusa, vendo-me apenas de calcinha. Vi a pequena marca em meu seio direito causada pelos dentes dele e percebi que a cicatriz em minha coxa parecia mais nítida...

Minhas pernas perderam a força e lentamente me sentei ali no chão frio, encostando-me na parede e levando minha mão a cabeça, sentindo a leve cicatriz e as lagrimas não paravam de cair. Então me lembrei de Edward e de como me sentia bem perto dele e desejei aquilo que sempre pedia antes de dormir: tempo. Só queria um pouco mais de tempo, agora que tudo parecia estar de encaixando, tudo estava tão bem...

Tomei um banho quente e vesti uma roupa de frio, guardei a caixa com as fotos em meu guarda-roupas e olhei-me no espelho, vendo que meu rosto já não estava mais tão vermelho.

Logo desci as escadas, encontrando Carlisle a mesa do café.

— Como dormiu a futura campeã de patinação artística? — meu tio indagou, mostrando o jornal do estado de Washington onde tinha uma reportagem sobre mim.

— Ah meu Deus! — exclamei vendo a foto que Alice tinha tirado, só podia ter dedo dela nessa historia.

"Exemplo de Força e Dedicação." — li as grandes letras em preto.

"Isabella Swan, uma jovem de apenas dezesseis anos é a mais nova atleta a participar de uma competição como as Olimpíadas de Inverno que acontecerá em breve na cidade de Vancouver. Especialistas no esporte dizem que Swan tem grande possibilidade de ganhar a medalha de ouro, apesar de sua pouca experiência em relação as outras competidoras."

— Não acredito nisso... — falei baixo.

— Está tudo bem? — meu tio perguntou, sabia que ele notaria meu estado.

— Só não consegui dormir direito. — disfarcei.

— Bom, tenho que ir. Tenta descansar, ok? — ele pediu.

— Pode deixar, nem vou patinar hoje, vou ficar aqui.

— Isso é bom, tem que recuperar as energias. — falou e sorri. — Olha daqui a pouco a nova empregada vai chegar.

— Ah, achou alguém? — indaguei, já que ele estava procurando alguém para o emprego a alguns dias.

— Sim, ela virá conhecer o apartamento.

— Pode deixar, eu mostro para ela.

— Se quiser posso pedir para ela vir outro dia, você precisa descansar.

— Tudo bem, Carlisle. — falei, vendo ele se levantar.

— Ah, antes que eu me esqueça, Esme quer falar com você, sobre o jantar. — avisou e lembrei que ela estava organizando o jantar de noivado.

— Ok.

— Tenha um bom dia minha campeã. — ele falou, aproximando-se e fechei os olhos ao sentir ele depositar um beijo em minha testa.

— Até mais. — falei vendo-o sair. Queria tanto ter Carlisle como meu pai verdadeiro.

Optei em deixar o café para depois e fui até a sala, ligando a TV e comecei a assistir a qualquer coisa que passava, tentando me distrair e deixar o passado de lado.

Quase uma hora depois ouvi o interfone tocar, corri até a cozinha para atendê-lo e dei permissão para que a nova empregada subisse, assim que desliguei fui até a porta, e logo o elevador se abriu, revelando uma mulher de quase cinquenta anos, de cabelos escuros, pele clara e que parecia bem carismática.

— Bom dia. — ela me cumprimentou. — Você deve ser a Isabella.

— Bom dia, isso mesmo. Você é?

— Mariah. — ela se apresentou.

Mostrei todo o apartamento a ela, que era muito simpática e por fim falou que ficaria sim com o emprego. Mas só poderia começar na próxima semana.

— Não acho que isso seja um problema. — falei.

— Que bom. — respondeu, saindo. — Bom, então qualquer coisa eu ligo para Sr. Carlisle.

— Ok.

— Olha, tenho que falar... — ela disse, como se tivesse necessidade de dizer algo. — ...você é muito bonita, Isabella.

— Ah! — exclamei surpresa. — Obrigada. — respondi e tenho certeza que meu rosto estava vermelho.

— Até mais.

— Até. — falei.

Fechei a porta pensando no elogio de Mariah, o qual veio na melhor hora possível, deitei-me no sofá novamente, tentando descansar, mas não conseguia. Sentia uma tristeza em meu peito, na verdade ela sempre esteve ali, mas agora parecia estar mais forte e não sabia dizer o porque. Então comecei a chorar pela segunda vez em algumas horas e acabei adormecendo ali no sofá.

Acordei e olhei no relógio, o qual marcava duas e meia da tarde.

— Droga. — murmurei limpando as lágrimas que voltaram e com elas as lembranças de uma infância, em sua maior parte, horrível.

Levantei-me rapidamente com o susto que tomei ao ouvi meu celular tocar, peguei-o no bolso de minha calça vendo o nome de Edward no visor e lembrei-me da noite anterior:

"- Sabe qual é a melhor parte? — perguntei.

— Qual?

— Que consegui entrar nas Olimpíadas porque sou boa nisso, sem ajuda de ninguém... — falei, vendo ele fechar o porta-malas. — ... não precisei da sua ajuda como precisei nas estatuais.

— Como sabe disso? — ele indagou. — Lindsey te con...

— Lindsey sabe? — perguntei incrédula, mas ele não respondeu. — Enfim, por que achou que eu não ficaria sabendo?

— Eu... eu... — ele gaguejou e achei tão bonitinho a sua confusão, que não tive coragem de dizer nada do que tinha pensando.

— Sei que fez isso para realizar meu sonho e agradeço, pois também sei que não é qualquer um que faz isso por quem ama. — sorri, vendo que não conseguiria ficar irritada com ele.

— Faço qualquer coisa para te ver sorrir. — ele falou baixo.

— Obrigada. — sussurrei e aproximei-me depositando um beijo em sua bochecha. — Até amanhã. — falei. "

Não estava irritada, só um pouco triste pois ele não devia ter feito o que fez, achei que ele me contaria, mas quando percebi que ele não tocaria no assunto resolvi eu mesma falar e vi em seus olhos que ele fez isso pensando em mim...

— Oi. — atendi e me condenei quando percebi como minha voz tinha saido desanimada e chorosa.

— O que houve?

— Nada. — tentei melhorar a voz.

— Ei, pode me contar. — ele falou, com aquele seu jeito preocupado e sorri, sentindo as lágrimas já em meus olhos.

— Eu... — o problema era que eu não podia contar, como contaria para ele tudo que passei quando ainda vivia em Detroit. — É complicado. — murmurei.

— Por que não abre a porta e tenta me explicar?

— O que? — indaguei sem entender, enquanto me levantava e caminhava até a porta.

Girei a maçaneta e abri-a devagar, vendo Edward parado ali, já desligando o celular, também desliguei o meu e lembrei das lágrimas em meu rosto, mas agora ele já as tinham visto. Então fiz aquilo que precisava, abracei-o, envolvendo seu pescoço com meus braços, sentindo seu perfume e percebi que só um braço seu estava com meu redor, quando olhei para sua outra mão vi que ele carregava uma cesta. Ouvi sua risada baixa e seus olhos fitaram os meus.

— Já fez piquenique dentro de casa? — perguntou e ri.

— Não. — respondi, limpando as lágrimas que insistiam em cair.

— Vai me contar o que aconteceu?

— Não aconteceu nada. — falei e tentei sorrir, mas acho que não consegui. — Vem. — pedi, pegando em sua mão e levando-o para dentro.

Fechei a porta e caminhamos até a sala, Edward colocou a cesta sobre a mesinha de centro e se sentou ao meu lado no sofá.

— Olha, desculpe por ter sabotado a competição aquele dia. — ele falou, sua mão segurando a minha.

— Já esqueci isso, Edward.

— Sei que não esqueceu.

As vezes faço as coisas sem pensar, devia ter falado com você...

— Esta tudo bem. — afirmei. — Você não devia estar no colégio?

— Não sei do que está falando. — ele disfarçou e acabei rindo.

Sentamos no tapete felpudo que havia ali na sala e forramos a mesinha de centro com a toalha toda decorada, sai para pegar duas canecas e assim que voltei Edward me entregou uma caixinha pequena.

— Espero que goste. — ele falou e não tive como não sorrir ao abrir a caixinha e ver quatro cupcakes perfeitamente decorados com uma florzinha rosa de açúcar. — Não sabia exatamente qual recheio você gostava, então joguei na sorte.

— Amo cupcake.

— Chocolate ou baunilha? — perguntou.

— Baunilha. — respondi e vi o alivio em seu rosto.

— Então acertei. — falou e sorri, fechando a caixinha enquanto via ele colocar um pouco de chocolate quente nas canecas.

— Geléia de uva ou morango? — perguntou, terminando de tirar as coisas da cesta.

— Morango. — falei e ele sorriu ao ver que tinha acertado. — Gosto de qualquer coisa de morango.

— Ok, você gosta de morangos, não vou esquecer disso. — afirmou.

Ele havia trazido várias coisas, desde tortas a pãezinhos de vários tipos e depois de comer um pãozinho com geléia, peguei um dos cupcake e sentei-me no sofá, esperando Edward que tinha ido pegar uma coberta no armário na outra sala, ele voltou e levei um pequeno susto quando pegou minhas pernas, puxando-as para seu colo e cobrindo-me. Percebi que não precisava ter medo dessa proximidade, pois ele me amava e não me machucaria... disso tinha certeza.

— Não quer? — perguntei, apontando o bolinho de baunilha em minha mão.

— Não, obrigado. — ele sorriu. — Bom, agora já sei que gosta de morangos, o que mais devo saber? — dei de ombros, já que estava com a boca cheia para falar alguma coisa. — Algo que você não gosta, alguma fruta, comida... que não goste.

— Amendoim e castanha. — respondi, enquanto terminava de comer o pequeno bolinho.

— Por que?

— Sou alérgica. — respondi e ele me olhou surpreso.

— Sério?

— É, tinha dez anos da última vez que comi sem querer um pouco de amendoim e acabei indo para o hospital, lembro que quando chegamos já nem conseguia respirar direito.

— E se Alice encomenda alguma coisa com castanhas ou amendoim para nosso casamento?! Quando me contaria isso? — perguntou indignado.

— Você nunca perguntou. — defendi-me sorrindo.

Olhei o papelzinho decorado do cupcake quando vi que ele ficou quieto, levantei o olhar, encarando aquele par de esmeraldas.

— Por que está triste, meu anjo? — ele voltou ao assunto do qual pensei que ele tivesse esquecido, enquanto mexia em uma mecha de meu cabelo curto. Ouvir ele me chamar de "anjo" foi tão bom, na verdade era ótimo ter ele ali.

— Já disse que estou bem, não estou triste.

— Então por que estava chorando quando cheguei?

— Há coisas que não queremos esquecer mas elas acabam desaparecendo de nossa memória, já aquelas que fazemos de tudo para esquecer, não conseguimos. — sussurrei.

— Entendo isso. — percebi que ele se referia a morte de sua irmã. — Mas o que quer tanto esquecer?

— São tantas coisas... — murmurei.

— Como por exemplo o que Renée falou naquele dia? — ele me lembrou.

"Minha irmã foi uma idiota por adotar uma criança, o pior ainda é que ela nem cuidou, deixou para mim cuidar, para acabar com meu casamento. Mas sabe o que é pior? O pior é que ela nem soube escolher, com tanta criança foi escolher a que era podre por dentro." - Lembrei-me de suas palavras.

— Não guardo mágoa de Renée, já disse para você que ela não falou aquilo por mal... isso é uma das coisas que consegui esquecer.

— Já disse que você é muito ingênua? — ele indagou.

— Já, mas talvez esteja errado nesse ponto. — murmurei baixo, mas acho que ele acabou ouvindo, algumas lembranças invadiram minha mente, então me afastei um pouco e Edward fitou meus olhos.

— Por que diz isso? — perguntou e por um momento realmente cogitei a ideia de contar tudo a ele, tudo que sofri, o quando ainda sofria com aquelas cenas gravadas em minha memória, mas afastei essa ideia, já que não tinha como contar isso.

Fui forçada a fazer tanta coisa quando era pequena, Edward teria nojo em saber disso... E ainda por cima seria uma mentirosa, já que fiz ele acreditar que era pura, inocente, virgem... sendo que não sou nada disso.

— Como foi sua infância em Detroit? — ele perguntou, como se estivesse juntando as peçinhas e descobrindo o meu passado, quando percebeu que não responderia sua pergunta anterior.

— Não muito boa, hoje entendo o porque. — acabei falando.

— Como assim?

— Bom, minha mãe nunca me deu muita atenção... — pelo menos sobre isso eu poderia falar com ele, então comecei a falar tudo que sempre guardei para mim. — ... ela nunca disse que me amava. — revelei sentindo meus olhos arderem com as lágrimas. — Achava que era porque eu não era a filha que ela queria, hoje percebo que talvez ela apenas se arrependeu de adotar uma crianças, ela não estava preparada para ser mãe.

— O mais injusto é que você teve que pagar pelo fato dela não estar preparada.

— Mas pensando por outro lado, se eu não tivesse passado por isso, hoje não estaria aqui com você...

Vi um lindo sorriso em seus lábios e ele se aproximou, beijando-me delicadamente.

— Já disse que você é tudo para mim? — ele perguntou e sorri, tocando seus lábios com os meus mais uma vez.

Assim que nos separamos eu me aproximei, apoiando a cabeça em seu ombro.

— Carlisle falou que Esme queria falar comigo. — mudei de assunto.

— Ela quer falar sobre o jantar na sexta.

— Quem vai?

— Ninguém que ainda não conheça. — respondeu. — Os pais de Alice estão meio ocupados e a mãe de Emmett vai estar trabalhando. Então fique tranquila, será só eu, você, minha mãe, Carlisle, a baixinha e o irritante do Emmett... se meu tio não vier nos visitar.

— Que tio? — indaguei.

— Meu tio Josef, irmão da minha mãe. Falou na semana passada que viria nos visitar, mas não sei exatamente quando ele chega.

— Onde ele mora? — perguntei curiosa.

— Em Denver, Colorado. — respondeu e então seu celular começou a tocar, afastei-me dando-lhe privacidade. — Alice. — falou ao olhar a tela. — Oi. — atendeu, ouvindo atentamente ao que ela dizia. — Estou indo aí, ok? — não sei porque uma tristeza imensa me invadiu quando ouvi aquelas palavras. — Tchau. — falou baixo, desligando a ligação.

— O que aconteceu? — perguntei.

— Alice... não está muito bem... — ele teve dificuldade em montar a frase. — Desculpe, mas tenho que ir. — falou já se levantando.

Percebi que Edward não queria falar sobre o que estava acontecendo, então também não fiquei perguntando. Apenas me levantei também, acompanhando-o até a porta.

— Até amanhã no colégio? — perguntou.

— Não... eu vou descansar durante esses dias e começar os treinos só na próxima semana. — informei.

— Então nos vemos só depois da aula. — sua mão segurou a minha.

— É. — concordei. — Até amanhã.

— Até. — falou, se aproximando.

Senti seus lábios se moldarem aos meus delicadamente, enquanto suas mão migraram para minha cintura. Acabei quebrando o beijo e envolvendo o pescoço de Edward com meus braços e abraçando-o.

— Eu amo você. — ele murmurou bem baixinho, perto de meu ouvido e depois se afastou, apertando o botão do elevador, o qual logo se abriu.

E de repente eu estava sozinha de novo.

~*~



Eram quase quatro horas da tarde na quinta-feira e Edward não aparecia, então alguém bateu na porta e fui rapidamente atender, deparando-me com a baixinha que hoje não usava nada na cor rosa o que estranhei um pouco.

— Oi. — ela falou. — Preparada para organizar um casamento? — perguntou mostrando uma revista de vestidos de noiva.

— Nossa, por que tem tantas revistas de festas de casamento? — perguntei ao ver que a sacola que ela carregava estava repleta de revistas.

— Não tenho, acabei de comprar. — falou sorrindo, enquanto entrava.

Alice foi até a copa, colocando todas as revistas sobre a mesa.

— Olha essa aqui. — passou-me uma revista que tinha fotos de vestidos.

Então, enquanto via as fotos achei uma de um vestido laranja e sabendo que ela não gostava muito dessa cor resolvi fazer uma revanche.

— Bom, já que você será minha madrinha... sou eu que escolherei seu vestido, certo?

— Exato. — ela respondeu.

— Então já escolhi. — falei, mostrando-lhe a foto.

— O que?! — indagou. — Está falando sério? — ela perguntou me encarando assustada.

— Por que não? — sorri. — É justo, você me fez usar um vestido rodado em seu aniversário e encarar todo mundo quando entrei com você, agora terá que usar vestido laranja no meu casamento.

— Sabe, quando comecei a organizar minha festa eu ficava pensando em como faria para entrar e encarar todo muito, pode parecer que não mas sou super tímida. — ela falou e sorriu, um sorriso triste. — Então percebi que você faria isso por mim... você que é minha amiga a pouco tempo fez o que aquelas que chamei de "melhores amigas" nunca fariam por mim. Nenhuma delas, a Rosalie, Angela ou Tanya, nenhuma delas pagariam o mico de usar aquele vestido e entrar ao meu lado. — percebi que seus olhos se encheram de lágrimas. — Sabe por que elas não fariam isso? — perguntou. — Porque elas não queriam minha amizade, queriam apenas ficar perto do Edward e do Emmett. Sempre me senti sozinha, desde que Jane morreu, mesmo tendo meus primos ali comigo... mas eles mudaram tanto depois do acidade... e agora meus pais estão se separando...

— Seus pais estão se separando? — perguntei em voz baixa, encarando seus olhos que já não conseguiam mais segurar as lágrimas.

E por um momento percebi como eu era egoísta ao pensar que só eu tinha sofrido na infância, Alice também sofreu muito.

— Sabe, eu vou fazer seu casamento dos sonhos. — ela falou sorrindo, limpando as lagrimas que teimaram em cair. — Mas, querida, não vou usar esse vestido. — falou e sorri vendo ela levantar o dedo e balançar a cabeça.

— É claro que não. — concordei e abracei-a, segundos depois ouvindo alguém bater na porta. — Já volto. — falei antes de sair.

Caminhei rapidamente para abrir a porta e não me surpreendi ao ver Edward ali.

— Oi, meu anjo. — falou, depositando um beijo em minha bochecha.

— Oi. — sussurrei.

— Alice está aqui? — perguntou, enquanto eu fechava a porta.

— Estou. — ouvi a voz dela atrás de mim.

Virei-me e vi que ela ainda tinha os olhos vermelhos.

— Alice... — ele caminhou até ela, falando alguma coisa que não entendi direito.

— Estou bem. — ela respondeu. — Estamos vendo algumas coisas do casamento. — informou.

— Sério? — ele me olhou.

— É, estamos vendo algumas revistas. — respondi.

— Sabe, depois do jantar de sexta temos que escolher um dia para fazermos a lista de convidados, para encomendarmos os convites. Vocês precisam escolher qual será o grande dia e precisam ir até a capela, falar com o padre para marcar o dia.

— Não vamos esquecer disso. — Edward afirmou e assenti.

— Eu tive uma ideia incrível. — falou, puxando-nos para a copa. — Aqui. — disse passando uma das revista, enquanto nos sentávamos. — Está vendo esses arranjos de flor, estava pensando em colocar uma foto de vocês na entrada e colocar as flores em volta como moldura, mas para isso precisamos de uma foto, amanhã mesmo vou procurar um fotografo para fazer o book.

— O que?! — indaguei. — Está viajando Alice, book? — ouvi Edward rir.

— Ok, nada de book. — ela anotou em um caderninho que tirou da bolsa. — Mas de qualquer forma iremos precisar de um fotografo no casamento. — afirmou. — Vai fotografar o casamento, certo?

— Claro. — Edward respondeu por mim e Alice anotou mais algumas coisas no caderninho rosa.

— Aproveitando que vocês dois estão aqui, podiam decidir as cores da decoração né? — ela perguntou e ele me encarou, esperando minha resposta.

— Não sei... branco?

— Apenas branco? — indagou. — Vai ficar muito neutro, precisa de uma cor, a menos que queira só branco...

— Alguma recomendação? — perguntei, vendo Edward folhear uma das revistas de decoração.

— Gosta de rosa, certo? — ele indagou, mostrando uma foto de um casamento lindíssimo, decorado em branco e rosa claro.

— Nossa, é lindo. — falei.

— É melhor me falar qual cores vocês não querem na festa... — Alice disse por fim.

— Nada de pink. — eu e Edward falamos juntos.

— A menos se for um rosa claro. — completei.

— Ok. — ela confirmou.

— Nada de amarelo, vermelho...

— Laranja eu sei que não vai ter. — Edward disse sorrindo.

Ficamos ali conversando sobre o casamento e percebi que enquanto falávamos sobre isso Alice esqueceu temporariamente o porque estava chorando.

— Bom, eu tenho que ir. — Edward falou, por volta das cinco e meia da tarde.

— Já? — perguntei.

— Tenho que terminar um trabalho para amanhã. Já vai também Alice? — ele perguntou e notei que seus olhos voltaram a se encherem de lágrimas.

— Posso ir para sua casa? — perguntou para Edward.

— Claro, mas por que?

— Não quero voltar para casa e encarar tudo o que está acontecendo.

— Por que não fica aqui? — propus e Alice me olhou, esperançosa. — Passa a noite aqui.

— Sério? — sorriu.

— Claro. — afirmei, ela levantou e me abraçou.

— Bom, então vou indo. — Edward falou se levantando. — Vão ficar bem?

— Vamos. — respondemos juntas.

Logo depois de Edward sair Carlisle chegou, nós jantamos e Alice levou as revistas para o quarto, assim continuamos a decidir pequenos detalhes da festa, os quais ela anotava tudo em seu caderninho rosa. A baixinha também procurava na internet vários tipos de decorações.

— Olha só isso, foi descoberto um raro diamante rosa de quase 13 quilates na Austrália. — ela falou, mostrando-me a foto da pedra.

— Você não estava pesquisando sobre decoração? — indaguei.

— É que vi essa reportagem e achei interessante. — sorriu. — Vai acontecer ou melhor já aconteceu, pois a reportagem é de algumas semanas atrás, um leilão de um anel com um diamante rosa, o qual devia atingir até 16 milhões. Hum... – ela parecia concentrada lendo a reportagem. – Porém, parece que não atingiu, o anel foi vendido por US$ 10,8 milhões. Mas peraí... me empresta sua mão.

— O que?

— Deixa eu ver seu anel. — sorriu, pegando minha mão e quando olhei a tela do computador não acreditei, o anel na tela era o mesmo que estava em minha mão. — Acho que você está carregando 10 milhões na mão e não sabia. — Alice ironizou, sorrindo.

Comecei a ler a reportagem: "Um raríssimo diamante rosa de uma extrema pureza química não vista no mercado há 30 anos será leiloado pela casa Sotheby's nesta terça-feita em Genebra. Acredita-se que a pedra será arrematada por um valor entre US$ 9 milhões e US$ 16 milhões.". Em outra reportagem dizia: "O raríssimo diamante rosa — de extrema pureza — foi leiloado por US$ 10,8 milhões"

Voltei a olhar a foto e olhei o anel em minha mão, era o mesmo isso não tinha dúvidas, mas como podia ser o mesmo? 10 milhões?!

— 10 milhões? — falei em voz alta.

— Isso é incrível! — Alice exclamou e eu já não via a hora de ver Edward para entregar aquele anel, como ele podia ter gastado tudo isso?!

— Isso é muito dinheiro. — falei tirando o anel.

— Qual é, Isa! Não achou incrível?!

— Não muito. — falei baixo olhando a pulseira de ouro com o pingente em formato de patins e perguntei-me quanto ele havia pago nela.

~*~



Acordamos já eram quase nove horas, já que na noite passada ficamos até tarde falando sobre o casamento. Alice falou que não estava com cabeça para ir ao colégio, então como na noite anterior emprestei uma roupa para ela.

— Você não tem nada rosa nesse guarda-roupa? — perguntou indignada.

— Acho que não. — respondi e ela riu, sentando-se ao meu lado.

— Então, vou marcar para irmos ver seu vestido de noiva na terça, ok?

— Ok.

— Vou agendar tudo que temos que fazer e depois te passo os horários.

— Alice, é mesmo preciso ter uma festa?

— É claro! Uma festa, os bem-casados e um bolo com os noivinhos em cima. — ela falou como se fosse obvio. — Sei que você vai gostar. — afirmou e ouvimos o interfone tocar. — Falando em gostar... chegou! Já volto. — a baixinha riu e saiu do quarto.

Ela saiu do apartamento e foi até o térreo buscar o que tinha chegado, sentei-me a mesa do café ainda posta e coloquei um pouco de suco de laranja em um copo.

— Tenho certeza que você vai gostar desses vestidos. — ouvi a voz de Alice e quando me virei vi que ela carregava uma caixa retangular, não muito grande.

— O que é isso? — perguntei enquanto ela colocava a caixa sobre a mesa e a abria.

— É o catálogo da Rosa Clará. — respondeu e explicou depois que viu minha expressão confusa. — É uma marca de vestidos, um mais lindo que o outro. Ela me passou o catálogo e me deslumbrei com as fotos. — Sabia que ia gostar. É uma linha muito clássica, sem muitos bordados e os vestidos são bem delicados.

— Nossa... — sussurrei folheando o grande livro de fotos.

Depois de Alice ligar em vários lugares agendando horários e me ajudando a escolher pequenos detalhes, nos fizemos o almoço e depois de almoçar ela me mostrou o site de um lindo salão de festa e continuamos a falar sobre o casamento... sobre o meu casamento....

Alice foi para casa eram quase duas horas da tarde, ela parecia triste em ir, mas falou que precisava organizar algumas coisas e ver uma roupa para usar hoje a noite. Assim que ela saiu me senti meio sozinha, sentei-me no sofá e liguei a TV, mas não passava nada interessante, e quando meus pensamento insistiram em voltar ao passado, lembrando-se de minha infância optei por levantar e sair, antes peguei meu casaco e desci até o estacionamento, entrando em meu carro e logo pegando a estrada.

Liguei o rádio e a musica clássica preencheu o silencio. Segui até La Push, mas não parei na praia, fui até a colina onde Edward me levou no dia da festa de Alice. Estacionei o carro fora da estrada, desliguei o radio e desci, passando entre algumas árvores, chegando ao alto de um penhasco a beira do mar e sentei-me em uma grande pedra que havia no chão.

O vento ali no alto era mais frio e cada vez que tocava meu rosto dava uma sensação boa, parecia me dar forças. Ergui minha mão, olhando o anel com a pedra cor de rosa e lembrei-me das palavras de Edward: "Você vai perceber que o dinheiro não esta na minha lista de problemas, Isabella."

Eu sabia muito bem que ele tinha herdado a BMW do seu pai, mas não tinha consciência de quanto isso significa em dinheiro. Afastei esses pensamentos e passei as mãos no cabelo, pressionando os dedos levemente em minha cabeça que não parava de doer. Respirando o ar frio, que aliviava o mal estar que comecei a sentir do nada, fechei os olhos e voltei ao passado, em um dos poucos momentos bons que passei na infância.

Flashback ON

"Sai de casa vendo que Adam e Lúcia me esperavam no carro de Victoria. Minha mãe não gostava disso, ela falava que eu não precisava de carona e que podia muito bem ir andando para a escola. Mas Victoria insistia que uma menina de oito anos não devia andar sozinha na rua.

— Bom dia. — falei ao abrir a porta.

— Bom dia, minha florzinha! — Victoria me cumprimentou e sorri.

— Bom dia! — Adam e Lúcia falaram juntos.

— Olha só isso. — a menina ruiva falou. — Esse é seu. — passou-me o caderno, que na capa havia uma foto nossa, onde eu e ela estávamos abraçando Adam.

— Olha que lindo, todo mudo de caderno igual. — ele falou irônico mostrando seu caderno com a mesma foto na capa e ri.

— Ou era isso ou tênis amarelo, imagina nós três de tênis amarelo iguais. — Lúcia disse.

— Eu amei meu caderno! — eu e Adam exclamamos e ouvi Victoria rir enquanto dirigia."

Flashback OFF

Isso me fez lembrar a Alice, até que ela é parecida com a Lúcia e por um momento senti saudade da minha antiga amiga, falei que manteria contato mas depois que me mudei acabei perdendo o número de Victoria.

— Pensando em mim? — levei um susto ao ouvir uma voz bem perto de meu ouvido.

Levantei rapidamente e virei-me encarando Edward que mantinha aquele sorriso torto nos lábios.

— Que susto! — falei, levando a mão ao pescoço pois sentia que meu coração sairia pela boca.

— Desculpe. — ele falou sorrindo e se aproximou, pegando minhas mãos e levando-as até seu pescoço, rodeado minha cintura com seus braços, como se soubesse que eu precisava daquilo... que nesse momento eu precisava apenas de um abraço.

Apertei meus braços em seu pescoço e apoiei minha cabeça em seu ombro, fechando os olhos e sentindo seu doce perfume. Sorri quando seus lábios roçaram em meu pescoço e estranhamente senti toda minha pele se arrepiar.

— Não devia vir aqui sozinha. — ele falou baixo.

— Eu sei. — respondi. — Já estava indo embora.

— Então vamos, tenho que ir ao aeroporto, mas antes vou acompanhá-la até em casa.

— Você é muito protetor, sabia?

— É eu sei. — admitiu e ri, afastando-me dele.

— Como sabia que eu estava aqui? — perguntei, já caminhando em direção as árvores.

— Não sabia. Gosto de vir aqui para pensar. — respondeu.

— É tem que pensar muito mesmo, casamento não é um decisão fácil. — afirmei.

— Pois é... — Edward falou e olhei para trás, vendo-o sorrir.

— Sabe... — parei de andar e virei-me encarando-o. — ...vai perder toda sua liberdade, sua esposa vai querer que você chegue cedo em casa e mesmo que esteja cansado ela irá exigir toda a sua atenção para ela, entre outras coisas que começaram a te irritar. — brinquei e voltei a caminhar em direção a estrada.

— Não ligo para isso, irei adorar dar atenção e enche-la de mimos. — falou e assustei-me quando ele me puxou pela cintura, fazendo com que ambos caíssemos sobre as folhas das árvores espalhas pelo chão e começamos a rir.

Não consegui parar de olhá-lo, não tinha palavras para descrever a beleza de Edward e de alguma forma ele ficava ainda mais lindo quando estava rindo. Ao perceber que o admirava ele sorriu e acariciou minha bochecha levemente.

— Edward... Como isso foi acontecer? — indaguei, relembrando de quando achava que ele era o maior idiota do colégio. — Como de repente você passou a ser um das pessoas mais importantes da minha vida?

— Não sei... — ele falou baixo. — ... pois ainda tento descobrir como eu não te notei antes, você sempre esteve ali na minha frente, a filha do sócio da minha mãe.

— Tudo tem seu tempo... talvez não daria certo.

— O destino é engraçado, não acha? — ele sorriu e não resisti ao seus lábios, então levei minha mão ao seu pescoço e beijei-o, sentindo sua boca macia contra a minha, mas logo me afastei e levantei-me.

— Não tem que ir ao aeroporto? — lembrei-o e ele sorriu apoiou-se nos cotovelos me encarando com aqueles olhos verdes que nem pareciam reais.

— Tenho. — respondeu, levantando-se. — Vamos. — falou e começamos a caminhar.

— O que aconteceu com os pais de Alice? — perguntei, enquanto atravessávamos a rodovia praticamente deserta de La Push.

— O mesmo que aconteceu com todos os irmãos. — respondeu pensativo. — Parece que na família Cullen nenhum casamento dura muito tempo, minha mãe, minhas três tias e meu tio são separados. Bom, minha mãe não teve tempo de assinar a separação... Mas de qualquer forma... — explicou e notei a frieza em sua voz ao falar da morte de seu pai, mas não quis prolongar o assunto, já que isso me fez lembrar de uma outra coisa, a qual se tratava daquela pequena jóia em minha mão.

— Sabe, eu e Alice estávamos lendo uma reportagem na internet sobre um leilão de um anel com um diamante rosa raríssimo. — falei, vendo-o abrir a porta de meu carro para mim e percebi que aquele sorriso torto se formou em seus lábios. — Só me diga que não é esse anel. — pedi, erguendo minha mão.

— O que acontece se eu disser que é? — ele perguntou e quando vi a preocupação em seus olhos apenas tive vontade de abraçá-lo e foi isso que fiz.

— Não acontece nada. — respondi, sentindo seus braços me apertarem levemente. — Até mais tarde. — afastei-me e entrei no carro.

Enquanto dirigia podia ver no retrovisor a BMW preta que me seguiu até que chegasse em casa....



Carlisle chegou mais cedo do trabalho, já que íamos ao jantar na casa de Esme e eu ainda procurava algo para vestir, era estranho o fato de me preocupar com isso... mas realmente estava preocupada. Acabei por colocar um calça, uma blusa branca de mangas compridas, meus tênis e um casaco, olhei-me no espelho e até que estava bom. Antes de sair do quarto tomei um remédio para dor de cabeça, sabia que não adiantaria mas não custava tentar. Desci as escadas e meu tio já me esperava.

Ao chegarmos Edward me apresentou para seu tio Josef, que por sinal era muito carismático. O jantar se passou entre histórias que Emmett contava, mas não prestava muita atenção, pois olhava para Edward, em como ele agia... estava encantada com seu sorriso, em seu modo de falar, seus olhos verdes que fizeram meu coração gelar quando encontraram os meus e ao perceber que o admirava ele sorriu, aquele sorriso torto e ri baixo, desviando o olhar ao sentir meu rosto esquentar. Eram oito e meia da noite e estávamos sentados na sala conversando enquanto Esme, Josef e meu tio, um pouco afastados conversavam sobre negócios...

— Uii, uiii... — Emmett começou a reclamar já se levantando e tirando o celular do bolso. — Está vibrando. — ele falou e não teve quem não riu.

— Como pode ser tão idiota?! — Alice lamentou, enquanto ele saia da sala para atender a ligação.

— Itiota? — Edward brincou.

— Algum problema Sr. Maravilha? — perguntou, fazendo referência a quando Edward usou a fantasia de Mulher Maravilha na infância e acabei rindo ao lembrar da foto.

— Nossa, ninguém esquece isso. — ele murmurou, tampando o rosto com as mãos.

— Não é tão ruim assim. — falei, abraçando-o.

— Isso é eufemismo, está suavizando as coisas. — ela falou rindo.

Segurei a mão de Edward, nossos dedos se entrelaçaram e senti ele depositar um beijo casto nas costas de minha mão.

— Pessoal, vai ter uma festa em um lugar perto de La Push, vamos? — Emmett voltou a sala.

— Festa, agora? — Alice reclamou. — De jeito nenhum!

— Edward? Isa? — perguntou.

— Desculpe, mas não cara. — Edward respondeu e eu apenas neguei com a cabeça.

— Vocês são muito desanimados!

— Eu tenho que viajar amanhã de manhã. — Edward falou e então lembrei que ele iria para Seattle.

— É verdade, tinha esquecido. — Eu vou ter que ir sozinho? — Emmett reclamou.

— Se quiser eu vou com você. — Alice propos.

— Nem estava querendo ir mesmo. — falou e vi Edward rir baixo, já a baixinha revirou os olhos, nesse momento sentindo um dor forte na cabeça, a qual me fez fechar os olhos e erguer a mão, tocando um pouco acima de meu ouvido.

— Está tudo bem? — Edward perguntou baixo e abri os olhos, encarando-o.

Olhei para Alice e Emmett que conversavam e senti um alívio por ninguém ter notado, a não ser aquele que estava sentado ao meu lado e ainda esperava uma resposta.

— Estou bem. — respondi. — Só cansada, já está tarde, acho melhor chamar Carlisle.

— Isabella? — ele me chamou e olhei em seus olhos.

— Eu estou bem. — sorri, já me levantando.

Notas finais
Estou esperando os reviews e as recomendações! Beijoss Até logo