Notas iniciais
Desculpe a demora!

Do you feel the same when I'm away from you?

Do you know the line that I'd walk for you?

We could turn around, or we could give it up

But we'll take what comes, take what comes

Imagine Dragons (Walking The Wire)

Isabella’s POV

Alguns dias depois

― Fala comigo, ― Alice pediu, deitada ali ao meu lado, frente-a-frente comigo ― contávamos tudo uma a outra... ― murmurou e vi seus olhos cheios d’agua, então apenas segurei sua mão.

― Eu lembro... ― falei baixo. ― Obrigada por estar ao meu lado, sei que te machuquei muito e...

― Eu te amo, sempre estarei aqui para o que você precisar.

― Eu também te amo ― sussurrei.

― É tudo culpa minha.

― Não, Alice, isso iria aconteceu... cedo ou tarde iria acontecer ― informei e sequei meu rosto. ― Eu ficarei bem, só preciso de um tempo.

― Ok ― ela concordou, apertando levemente minha mão e tentei sorrir.

~*~

Duas semana depois

Já era a quinta mala que David carregava para fora do apartamento e eu me perguntava se ela realmente precisaria de tantas coisas assim.

― Ainda tem mais três ― meu irmão comentou ao ver minha expressão e riu.

― Alice, tudo isso é mesmo necessário? ― perguntei alto para que ela pudesse me ouvir e então o “toc toc” dos seus saltos vieram em direção a sala, onde eu me encontrava. ― Só vai ficar uma semana fora, não é? ― perguntei ao vê-la ali vestindo um vestido colorido e um laço demasiadamente grande na cabeça.

― Na verdade... ― ela parecia incomodada, talvez envergonhada ― Vou prolongar a viagem por mais uma semana.

Não, ela não estava incomodada, nem envergonhada, Alice estava nervosa, mas tentava se conter, porém, eu não conseguiria deixar isso passar:

― Por que? ― perguntei, endireitando-me no acento do sofá, deixando de lado o livro que eu lia.

Alice abriu a boca, mas voltou a fechar rapidamente e então puxou o ar e falou baixo.

― Ficarei uma semana na casa da minha mãe e de lá vou para Londres.

― Londres? ― indaguei, sem entender.

― Eu tinha prometido a Edward que ajudaria... ― vi ela apertar os dedos, nervosamente ― ...disse que ajudaria nos preparativos do casamento.

Eu esperava ouvir qualquer coisa, menos aquilo, e ao ver o rosto do meu irmão, que voltara para pegar outra mala, conclui que ele também não sabia disso.

― Pensei que tinha sido cancelado? ― foi David quem quebrou o silêncio.

― Eu também ― ela respondeu rapidamente ― Quero dizer, ainda não tive tempo de conversar calmamente com Edward, então, ainda não sei bem... ― Alice estava enrolando, sim, ela devia saber de alguma coisa, mas não iria contar.

― Bom, é melhor irmos logo, caso contrário irá perder o voo ― o rapaz avisou, pegando mais duas malas e saindo.

― Nos vemos em breve ― falou e levantei-me para abraça-la.

― Ligue quando chegar ― pedi, ela sorriu quando se afastou e me olhou nos olhos.

― Não vou deixar esse casamento acontecer ― falou baixo e senti uma leve dor em meu peito.

― Não é você que tem que impedir ― minha voz saiu mais forte do que imaginei, e vi Alice inclinar a cabeça levemente para a direita, pensativa e então deu outro sorriso.

― Até mais ― vi-a saltitar até a porta.

― Boa viagem ― falei antes que saísse, levando a última e menor mala com ela.

Pensei sobre tudo aquilo. Sei que deveria ter ido atrás de Edward antes que ele voltasse para Londres, mas eu não pude, ainda não estava pronta. Havia tantas coisas que ainda doíam, que ainda me sufocavam.

~*~

Uma semana depois

Vi David derrubar meu rei no tabuleiro de xadrez e suspirei.

― Já é a terceira vez que ganho..., isso não é normal ― avisou e sorri, sem realmente querer.

― Estou com um pouco de dor de cabeça ― falei e no mesmo momento me arrependi, pois vi a expressão levemente assustada de meu irmão.

E na verdade não era um pouco de dor, e sim muito... eu mal conseguia pensar, porém não queria preocupa-lo ainda mais, então mudei de assunto.

― E ainda nem achamos algum trabalho para mim ― apontei para os jornais jogados no chão ao nosso lado.

― Talvez se parasse de pensar nisso não estaria com dor de cabeça, parece até que realmente precisa urgentemente de um trabalho.

― Eu preciso! ― exclamei e ele riu ― Agora que desisti da faculdade, preciso de algo para passar o tempo.

― Exatamente, precisa de um hobby, não de um trabalho ― afirmou e suspirei outra vez. ― Vamos ver ― falou pegando uma folha de jornal, com propostas de emprego, então começou a lista-los: ― Agente de vendas, manobrista, cozinheira, costureira, balconista com experiência... Não, definitivamente não, para todos.

― Por que? ― indaguei, pegando o jornal de suas mãos ― Ok, talvez eu não dirija bem, nem seja boa costureira, mas olha, balconista para uma panificadora, não é ruim.

― Então, mas você omitiu o “com experiência”.

― Não pode ser tão difícil.

― Fale-me três tipos de pães e então podemos marcar uma entrevista para você ― ele me desafiou e encostei-me no assento do sofá, desistindo e ele riu.

Ouvi ele mexer nas folhas de jornal e senti o som do papel fazer eco dentro da minha cabeça, e quando iria pedir para que não fizesse barulho, David exclamou: ― Achei!

― Achou o que?

― Contrata-se professora de ballet e professora de ginastica rítmica para turma infantil ― ele leu e voltei a olhá-lo, interessada. ― Tem formação o suficiente para dar aula de ballet?

― Para turma infantil sim.

― E também é loucura deles não te contratarem... É medalhista olímpica ― David lembrou, orgulhoso.

― Dizendo assim, parece algo gigantesco, é só uma medalha.

― Mas é de ouro, então vale por três ― informou e acabei sorrindo.

― Sabe,.... era o meu maior sonho, e agora nem consigo me lembrar de como foi receber essa medalha ― falei, vendo expressão se desmanchar.

― Esqueci completamente... ainda não se lembra dessa época?

― Só alguns flashes de memória ― contei. ― Sei apenas que nem pude comemorar minha vitória ― pensei um pouco e então voltei a falar: ― sempre pensei que faria disso a minha vida.

― Mas o destino é imprevisível, não é mesmo?

~*~

Acordei sentindo minha cabeça latejar, sentei-me na cama e de repente vi todo meu quarto girar ao meu redor, então voltei a deitar rapidamente, permanecendo ali, encolhida entre os travesseiros por um bom tempo. Quando tentei levantar de novo, não foi diferente, então apoiei-me nas paredes até conseguir chegar ao banheiro e deixei que a água fria do chuveiro caísse sobre minha cabeça, que parecia pesar uma tonelada. Terminei de me vestir e sai do quarto, sentindo-me levemente melhor, encontrando Emmett e David conversando na mesa do café, então me sentei na cadeira que meu irmão puxara para mim.

― Como dormiu?

― Bem ― respondi baixo, ainda sentindo aquele mal-estar.

― Bom, vou aproveitar que Alice não está na cidade e vou fazer compras ― Emmett revelou de repente e David riu.

― Não gosta das consultorias de moda? ― perguntei, tentando me concentrar ali na conversa.

― Adoro ― respondeu rapidamente, com um tom de ironia na voz e acabei rindo.

― Deixa a Alice ficar sabendo disso... ― meu irmão alertou enquanto se levantava ― Preciso ver algumas coisas do restaurante, é rápido ― disse me olhando e sorri.

― Tudo bem.

― Ah, marquei sua entrevista lá na escola de ballet, vou te mandar a mensagem com o horário e o dia ― informou, pegando seu celular e aproximando-se para depositar um beijo no alto de minha cabeça.

― Obrigada por marcar ― agradeci. ― Até mais.

Vi ele sair e empurrar o ombro do homem de cabelos escuros a minha frente, que riu, alguns segundos depois ouvi a porta se fechando. Emmett tinha um sorriso infantil, com covinhas e uma expressão brincalhona como sempre, mas seus olhos não passavam a mesma animação de todos os dias, não, hoje seus olhos estavam distantes.

― Então, vamos fazer compras comigo?

― Acho que...

― Eu não aceito ‘não’ como resposta ― avisou.

― Acho que só me resta o “sim” ― falei e ele riu.

Pensando bem seria bom sair um pouco de casa, respirar ar fresco, e quando entramos na segunda loja já nem lembrava mais do meu mal-estar de algumas horas atrás.

Caminhei pelas araras de camisas, pegando aquelas que combinavam com Emmett, evitando as cores muito extravagantes, porém não descartei as estampadas.

Chegamos a quarta loja, essa só de ternos, uma moça, talvez da minha idade, veio nos atender e não pude deixar de reparar no seu olhar em direção ao homem ao meu lado, que estava mais interessado na seção de gravatas.

― O que acha de borboleta? ― perguntou, colocando a gravata em seu pescoço e em seguida riu da minha careta ― Tenho certeza que se eu tivesse olhos verdes você gostaria ― murmurou, soltando uma de suas frequentes indiretas, no entanto essa era a primeira do dia.

― Provavelmente ― afirmei, deixando-o surpreso, e vendo a vendedora se aproximar colocando sobre o balcão dois ternos como ele pedira.

― O que acha desses?

― Eu gostei ― informei ― Vai lá provar, eu escolho a gravata.

― Ok ― ele revirou os olhos e se dirigiu aos provadores.

Vi a vendedora rir baixinho e olhei novamente os vários modelos de gravatas ali, selecionando algumas.

― O que acha dessa? ― a voz da moça me chamou a atenção ― O seu... ― acho que demorei alguns segundos para entender o que exatamente ela queria saber.

― Ah! Meu irmão, somos irmãos ― respondi, retribuindo seu sorriso

― Acha que seu irmão vai gostar dessa? ― ela mostrou uma gravata lilás.

― É provável ― falei, separando a peça.

― Deve ser muito bom ter um irmão assim, sou filha única... sempre quis ter um irmão mais velho ― comentou.

― Sim, é muito bom ― sorri, pensando naquilo, em como era bom ter, não só Emmett, mas todos eles em minha vida.

― O que acha, Bella? ― não percebi ele chegar e assustei-me ao ouvir meu nome, fazendo-o rir alto.

Analisei o terno que lhe caia muito bem, então peguei a gravata azul marinho e a lilás que tinha separado.

― Essas ― entreguei.

Ele colocou a gravata em volta do pescoço, mas teve dificuldade de encaixá-la sob a gola da camisa, então, sem saber se realmente deveria, sinalizei, balançando a cabeça para que a garota ruiva que nos atendia o ajudasse. Ela sorriu animada e ajudou-o, arrumando e dando um nó perfeito no tecido azul, mas Emmett nem a olhou.

― Não quer deixar seu telefone para quando chegar mais novidades eu te avisar? ― ela perguntou, depois de entregar a nota da compra para o rapaz moreno.

― Não acho necessário ― respondeu, e vi o sorriso da garota ruiva se desmanchar. ― Obrigado.

― Eu que agradeço, espero que voltem sempre ― falou antes de sairmos.

Olhava as vitrines do shopping sem realmente vê-las, deixando meus problemas de lado e pensando em Emmett, reparando pela primeira vez que nunca o tinha visto com alguém, desde que acordei do coma e em minhas memórias... sempre me lembrava dele sozinho.

― Sério mesmo que está procurando um trabalho? ― perguntou, passando um braço sobre meus ombros enquanto carregava as várias sacolas na outra mão e sorri.

Era entranho estar tão próxima de Emmett e não me sentir mal, não ter medo, ao contrário, eu me sentia calma em seu abraço.

― Sim, tem algum problema nisso?

― Tirando o fato de que você tem dinheiro para encher uma piscina, não, nenhum problema ― ele deu de ombros sendo sarcástico.

― Preciso fazer alguma coisa... ― falei baixo, encarando seus olhos que pareceram me entender.

― Vamos viajar ― propôs.

― Viajar?

― Sim, eu já estava procurando por uma desculpa para viajar novamente e isso é perfeito ― informou. ― Vamos para a Disney, eu, você e Alice ― falou, sorrindo ― O David a gente deixa... ele é insignificante ― murmurou a última parte e acabei rindo. ― O que acha? Tudo por sua conta..., você precisa começar a gastar aquele dinheiro!

― Eu não me sinto bem em gastar aquele dinheiro, às vezes me sinto na obrigação de repor o pouco que usei.

― Isso não faz nenhum sentido, Bella, você pode... ― parei de ouvi-lo ao sentir uma leve tortura.

Emmett rapidamente me sustentou, levando-me até um banco, onde me sentei, cobrindo o rosto com minhas mãos, tentando respirar.

― O que houve? ― ouvi a voz preocupada do rapaz abaixado a minha frente ― Isabella?

― Eu estou bem ― falei, levantando o olhar e encarando seu rosto, surpreendendo-me ao ver que ele não parecia assustado, nem apavorado, Emmett estava firme, determinado a fazer qualquer coisa que eu precisasse.

― Não, você não está bem ― vi seus olhos encararem seu relógio. ― Já é quase meio dia, o que acha de irmos até o restaurante do David, é aqui perto, precisa comer alguma coisa.

Não acho que isso resolveria o que estava sentindo mais concordei, em questão de segundos já não me sentindo tão mal, permiti que Emmett me desse apoio para caminhar.

Entramos no restaurante e Pietro, nos levou até nossa mesa de costume antes de ir avisar meu irmão que estávamos ali.

― Ainda está pálida ― o rapaz sentado a minha frente observou e tentei sorrir.

― Foi só uma sensação ruim, já estou bem, provavelmente é só minha pressão, vou melhorar quando comer alguma coisa ― insisti nessa desculpa, assim ele não falaria mais no assunto. ― Posso te fazer uma pergunta?

― É claro.

― Por que eu nunca te vi com uma namorada? ― perguntei, mudando completamente o rumo da conversa, pensando na moça da loja que ele nem olhou, revirando minhas lembranças mais um vez e tendo dúvidas se realmente nunca o vi acompanhado... ― Ou talvez eu vi, mas não me lembro.

― Acho que o último relacionamento mais ou menos sério que tive, terminou antes de nos conhecermos... ― disse pensativo.

― E então...?

― Então, eu fico melhor sozinho ― afirmou e não quis insistir.

~*~

Edward’s POV

Duas semana depois de chegar em Londres

Fechei a porta do apartamento, jogando as chaves sobre a mesa e deixando que meu corpo caísse no sofá, encarando o teto extremamente alto acima de mim, tentando não pensar em nada... Precisava esfriar a cabeça, foi um dia exaustivo. Porém não consegui ficar muito tempo sem pensar que eu não deveria estar ali... Não, eu não deveria... Mas minhas decisões e escolhas me trouxeram aqui.

― Oi ― falei ao atender meu celular que começou a tocar em meu bolso.

― Oi ― ouvi a voz de Tanya. ― Faz tempo que chegou?

― Acabei de entrar em casa.

― Está com uma voz péssima ― ela reparou.

― Estou cansado... ― contei ― Cansado de procurar uma saída, uma solução, que não existe.

― Nós vamos dar um jeito, vamos pensar em algo ― afirmou e então mudou de assunto: ― O que acha de eu levar o jantar?

― O que acha de você ficar aí de repouso, sem fazer esforço e eu levo o jantar? ― falei e ela riu do outro lado da linha.

― Estou grávida, não inválida.

― Eu sei ― sorri e suspirei. ― Mas prefiro assim.

― Ok, vou estar te esperando.

― Até logo ― despedi-me antes de desligar e voltei a olhar os tubos presos ao teto.

Deixando de enxerga-los minutos depois, mergulhando em minhas decisões e suas consequências.

“― Eu não queria isso… não queria ter colocado essa distância entre a gente. Mas não queria que ninguém sofresse ― vi Isabella com seu rosto angelical e a coroa de pedras brancas que eu havia escolhido, colocada em seus cabelos.

― Isabella, não fique pensando nos outros, tem que pensar em você. Só você importa ― afirmei, já que só me importava com ela.

Um silêncio se formou e vi as pequenas lágrimas escorrerem por suas bochechas.

― Eu falei com Alec ― ela começou. ― E aquele dia que fiquei no hospital, não foi apenas pela hipoglicemia.

― Como assim?

― Carlisle pediu para que ele não me contasse, mas acabei descobrindo que o tumor cresceu mais. Edward eu tenho só meses de vida. Posso fazer outra cirurgia, começar outro tratamento, mas Alec disse que não arriscaria outra cirurgia, eu posso não resistir. Não tem como recomeçar, o melhor a fazer é colocar um ponto final ― ela falou e não acreditei em suas palavras.

Vi-a se levantar pegando seus sapatos e descer as escadas, pisando no gramado.

― Isabella ― chamei-a.

― Vai embora ― ouvi e aquilo fez o desespero me atingir ― É melhor assim.

― Então é isso, você simplesmente ignora os seus sentimentos.

― O que mais posso fazer? ― perguntou, sem olhar em meu rosto.

― Me fale o que você quer! ― pedi, pois precisava ouvi-la falar. ― Se realmente quer que eu vá embora, se quer acabar com tudo que há entre a gente, tudo bem, eu irei embora sem falar nada. Mas quero que olhe em meus olhos e diga… diga que não me quer.

Ela me olhou nos olhos e me odiei por estar jogando daquele jeito com ela, mas precisava fazê-la falar.

― Fale, Isabella ― pedi ― Diga o que você quer!

Ela ficou em silêncio por alguns segundos e juro que fiquei com medo de que ela pedisse para eu ir embora.

― Quero você ― falou baixo. ― Quero você ao meu lado, quero poder viver sem medo da morte ― vi as lágrimas caírem de seus olhos. ― Quero ser feliz, sem sofrimento… sem dor.

― Shh… esta tudo bem ― afirmei, segurando suas mãos.

Isabella se afastou um pouco me olhando.

― Fica comigo? ― pediu ― Não me deixe sozinha.

― Estou aqui e sempre vou estar, Bella ― afirmei e abracei-a.

Acariciei seus cabelos, abraçando-a, sentindo seu perfume que me lembrava a rosas.

― Ei… ― levantei seu rosto delicadamente ― Eu te amo. ― Falei antes de tomar seus lábios em um beijo lento, apreciando a maciez de sua boca.

Sinceramente não acreditei ao perceber que Bella cedeu ao beijo, que se permitiu fazer aquilo que queria. Então, infelizmente, o ar nos faltou, fazendo com que nos separássemos.

Ouvi uma musica lenta começar a tocar e peguei os sapatos que ela segurava, colocando-os no chão.

― Dança comigo? ― pedi.

― Eu não sei dançar ― respondeu e ri, mesmo assim segurando sua mão direita e passando meu braço em torno de minha cintura.

Só que, não sei como, ela conseguiu tropeçar em seus próprios pés.

― Aí! ― falou quase caindo ― Eu te disse que não sei dançar ― repetiu e acabei rindo.

― E se eu fizer assim? ― indaguei passando novamente meu braço pela sua cintura e erguendo-a.

Equilibrei-a sobre meus pés, dançando por nos dois.

― Viu, esta dançando ― falei, Bella me olhou e acho que me perdi naquele mar de chocolate que eram seus olhos.

― Não me deixe mais fazer isso, nós separar ― ouvi seu pedido ecoar em todo o gramado onde dançávamos e ela me abraçou, descansando sua cabeça em meu ombro.

― Nunca ― respondi, segurando-a firmemente e nos rodando.

Ouvi sua risada, que eu amava, enquanto colocava-a no chão. Ela sorria quando se abaixou, pegando os sapatos no chão ali perto e segurou em minha mão.” (Capítulo 32 – Fica Comigo!)

― Prometi que não deixaria você nos afastar e não cumpri, ao contrário, incentivei.

Meu erro. Minha culpa. Minha consequência.

“― Vem ― Tanya segurou minha mão e guiou-me até seu quarto, beijando-me antes de me empurrar na cama e deixar seu vestido deslizar por seu corpo, caindo sobre seus pés, ficando apenas com a lingerie vermelha, para então ficar sobre mim.

Ela desabotoou minha calça e fechei os olhos quando sua boca deslizou por meu membro já completamente duro, mas logo a puxei, nos virando e tomando o controle.

― Não... esqueça... ― ela falou entre gemidos ― a camisinha.

― Onde está? ― afastei-me, vendo-a apontar para o criado mudo ao lado da cama.

Estiquei o braço e abri a gaveta, não encontrando apenas as camisinhas, mas também outra coisa.

― Espere ― falei, pegando o pacotinho de plástico contendo um pó branco. ― Isso é o que eu acho que é?

― É só para eu me divertir de vez em quando ― informou, beijando meu pescoço.

― Sério?

― Que foi?! ― indagou, encarando-me.

― Por que não se divertir agora? ― perguntei e ela sorriu maliciosamente.

― Ainda sabe como cheirar cocaína?

― Está me ofendendo ― falei fazendo-a rir alto, enquanto pegava em seus joelhos e puxava seu corpo para mim.

Mas de repente, quando a beijei, um perfume de rosas impregnou-se em meu nariz, enchendo meus pulmões, e quando me afastei, vi as ondas cabelos castanhos esparramadas sobre o travesseiro, os olhos cor de chocolate me olhando com ingenuidade e suas bochechas coradas.

― Me abraça forte ― senti o ar em suas palavras sussurradas ao pé do meu ouvido e minha visão ficou embaçada.

Pisquei os olhos alguns vezes, vendo os cabelos loiros de Tanya e seus olhos verdes cheios de desejo.

― Eu não consigo ― informei, sentindo qualquer excitação que existia em meu corpo se esvair.

― Edward! ― ela me repreendeu.

― Não posso... ― pedi as palavras, então respirei fundo. ― Não posso fazer nada Tanya, desculpe ― afirmei e levantei-me da cama, pegando minhas roupas. ― Acha que eu não quero?! Quero muito isso, também tenho necessidades, mas não consigo ― falei e encostei-me na parede enquanto terminava de abotoar minha calça, tentando organizar meus pensamentos e evitar seus olhos.

― Se acalma ― pediu. ― Relaxa, você está nervoso.

Respirei fundo, passando as mãos no rosto e puxando meus cabelos para trás. Eu tinha todos os motivos para estar nervoso. Vi Tanya levantar totalmente nua e caminhar até mim, suas mãos tocando meus ombros e seus dedos fazendo uma leve massagem.

― Está tudo bem ― afirmou. ― Todo homem passa por isso um dia ― informou e acabei rindo. ― Ok, eu posso fazer ele subir de novo ― Tanya se ajoelhou a minha frente.

― Ei! ― exclamei rindo, impedindo-a de abrir o zíper de minha calça e ela riu, puxando-me e caímos no chão.

Nossas risadas encheram o quarto, passei meus braços ao seu redor e de repente o silêncio reinou.

― O que ela fez com você hein?! ― Tanya indagou baixo.

― Sabe que eu me pergunto isso todos os dias.” (Capítulo 56 – Estamos bem)

Levantei-me do sofá e subi as escadas para o quarto, já desabotoando a camisa e seguindo para um banho, permanecendo um bom tempo sob a água, esperando que de repente eu acordasse desse pesadelo, que percebesse que tudo isso foi uma mentira, sua doença foi uma mentira, a perda de memória... Que nos afastarmos foi uma mentira e que ela ainda estaria ali.

“Abri a porta do quarto de hospital e mostrei o algodão doce cor de rosa, que Isabella havia dito que queria.

― Espero que ainda esteja com vontade, foi difícil achar ― falei e vi seu sorriso fraco, mas lindo.

Aproximei-me e sentei-me ao seu lado na cama, de frente para ela, vendo seu rosto tão delicado, pálido com tudo que havia acontecido e admirei-a enquanto Isabella abria o algodão doce, provando um pedacinho.

Seus olhos castanhos pareceram encarar minha alma e sua mão levemente fria tocou meu rosto.

― O que vai fazer? ― perguntou.

― Agora? Vou te levar para casa ― falei, mostrando a mochila que trazia comigo, não querendo responder a sua real pergunta. ― Trouxe algumas roupas.

― Não. O que vai fazer daqui a um ano, Edward? ― insistiu ― Meu maior medo é não ter a certeza de que ficará bem.

― Como acha que eu vou ficar? ― respondi baixo e um breve silencio se formou.

Porque daqui a um ano, ela provavelmente não estará aqui... e não há nada... Não há nada que eu possa fazer para impedir isso. E de repente todas as barreiras que passei horas construindo começaram a ruir. Cobri meu rosto com a mão, apertando meus olhos, tentando impedir as lágrimas, mas era impossível. Então respirei, tentando me acalmar e murmurei:

― Não posso te perder.

― Edward ― ela tocou minha mão, tirando-a de meu rosto, e eu não pude esconder.

― Não posso, eu não consigo. Você é minha vida Isabella, minha vida.

― Você é minha vida Edward, eu fui apenas um capítulo na sua ― falou e passei minhas mãos em meu rosto, tentando secar as lágrimas, enquanto sentia seus dedos em meus cabelos. ― Você ficará bem ― afirmou.” (Capítulo 52 — Minha Bella)

― Você ficará bem ― eu ri sozinho ali sob o chuveiro, rindo de mim mesmo.

Qual era o sentido disso tudo, por que? Por que?!

A raiva dominou meu corpo e quando percebi estava esmurrando a parede.

― Droga! ― gritei.

...

Cheguei a casa de Tanya por volta das oito da noite e seus olhos me encararam preocupados quando entrei.

― Então todos nossos planos deram errado ― ela murmurou fechando a porta.

― Parece que sim ― concordei, caminhando para a cozinha com o jantar e ajudando-a a colocar tudo em travessas para levar a mesa.

― Ok, não vamos falar disso agora. Sabe, você ainda não me contou como foi com Isabella!? ― Tanya falou quando nos sentamos.

― Também não quero falar sobre isso.

― Você devia ter esperado mais, não devia ter voltado tão logo.

― Eu conheço a Isabella... e ela precisa de tempo e espaço ― comentei, relembrando o som da sua respiração assustada, do outro lado da porta, quando nos falamos a última vez.

― Bom, espero que tenha razão.

― Talvez ela não saiba disso, mas foi a melhor escolha.

― E a Alice? ― mudou de assunto novamente.

― Ela chegará em breve, daqui uns dez dias, eu acho ― respondi. ― Ainda não tive tempo de falar mais calmamente com Alice e explicar...

― Então creio que ela não vai querer me ver quando chegar.

― Eu vou conversar com ela ― afirmei.

Já passava das onze e continuávamos conversando bobagens, Tanya confortavelmente deitada em um dos sofás e eu sentado em uma das poltronas, encarando o gelo em meu copo com uísque.

― Isso deve estar doendo ― comentou de repente e a olhei sem entender, então Tanya apontou para minha mão.

Os nós de meus dedos começavam a ganhar um tom arroxeado, formando hematomas e lembrei-me dos socos que dei contra a parede no banho. Respirei fundo, irritado comigo mesmo, então Tanya mudou de assunto, encolhendo-se de frio no sofá.

― Sabe, estava pensando esses dias atrás, e se eu tivesse aceitado...? E se eu tivesse aceitado me casar com você?

― Eu não faço ideia do que teria acontecido ― falei, levantando-me e caminhando até a janela, fechando-a para impedir o vento gelado que entrava.

Então, encostei-me ali e continuei encarando o jardim da casa.

― Eu acho que teria dado certo ― ouvi sua voz pensativa. ― Nós combinávamos, naquela época, no dia a dia e na cama também. Nos amávamos.

― Não ― discordei analisando suas palavras. ― Eu te amava Tanya, ou pelo menos achava isso, já você... Você nunca me amou ― afirmei, virando-me para olhar em seus olhos claros e ela se levantou, aproximando-se de mim, com seu sorriso malicioso nos lábios.

― Ok, tem razão, eu nunca te amei. Mas sempre foi meu preferido..., ― seu sorriso aumentou e seus olhos fitaram os meus ― Entre quatro paredes sempre foi o meu preferido, sabe disso.

― Eu sei ― concordei, sentindo quando seus dedos se prenderam no cós da minha calça.

― Será que realmente era tão bom como eu me lembro? ― perguntou rindo e não contive um sorriso ― É sério Edward, às vezes fico pensando que não podia ser tão bom daquele jeito... Mas sei que o tamanho é... ― ela puxou levemente minha calça, espiando dentro e apertou os lábios ― ... exatamente como me lembro. E quando você finalmente ficou solteiro de novo, eu nem pude reviver aquilo mais uma vez! Isso é maldade.

― Tudo bem, Tanya, o que está pretendendo ganhar massageando meu ego desse jeito? ― perguntei e ela riu alto ― Não precisa de tudo isso, é só pedir ― informei, deixando meu copo vazio na mesinha ali ao lado.

― Então, vai fazer o que eu pedir?

― Isso depende ― respondi lentamente, pensando em tudo que ela poderia pedir.

― Olha que não se deve negar o desejo de uma grávida.

― O que quer então? ― perguntei baixo.

― Quero um beijo ― seu pedido foi inusitado e me pegou de surpresa.

Seus olhos verdes brilhavam com a expectativa e sem realmente pensar, apenas me aproximei, tocando seu queixo com as pontas dos dedos, e beijei-a. Seu beijo era quente, sempre foi, seus lábios insinuantes e ousados, sua língua deslizou por minha boca, e sem perceber aprofundei o beijo, deixando que minhas mãos segurassem seus cabelos, enquanto sentia seus dedos dentro de minha camisa. Senti quando Tanya estremeceu e suas unhas causaram algo em mim ao arranharem de leve minha pele. Mas então, da mesma forma inesperada que tudo aquilo começou também acabou, repentinamente. Talvez até bruscamente.

Encostei-me na parede, dando alguns passos para trás, e Tanya cobriu a boca com a mão, virando-se e caminhando alguns passos para longe, ao mesmo tempo em que um clima desconfortável formou-se ali na sala.

Houve um breve silêncio e então me propus a quebrá-lo.

― Acho melhor eu ir ― falei, mas Tanya continuou sem dizer nada.

Caminhei até a porta, pegando minhas chaves e meu blazer, então quando estava saindo ouvi meu nome.

― Edward? ― ela me chamou e olhei-a, esperando ― Vocês vão se acertar, você e Isabella, tenho certeza disso.

Apenas assenti e sai, fechando a porta logo em seguida, tentando entender o que tinha acabado de acontecer ali. O problema não era o beijo, mas sim o modo como ele aconteceu.

Voltei para casa com muita coisa em que pensar, porém não consegui manter meus pensamentos ali em Londres por muito tempo, pois assim que me deitei na cama, minha cabeça estava em um lugar bem longe dali, do outro lado do oceano.

Olhei o relógio e já passavam das três da manhã, mas eu estava muito longe de conseguir dormir. Então me levantei e caminhei pelo apartamento, evitando a garrafa de uísque, encarando a vista dos prédios do bairro.

“Eu estava ali no corredor, em frente a porta do apartamento, segurando um vaso de flores, mas sabia que ela não me deixaria entrar. Eu a conhecia e tinha total conhecimento da dor que Isabella estava sentindo.

― Eu devia ter voltado ― falei, finalmente aceitando meu erro. ― Eu sei que devia ter voltado, meu anjo, mas não voltei e mesmo que em algum dia possa me perdoar, eu não vou. Nunca vou me perdoar por ter te virado as costas e ter te deixado sozinha. Não houve um minuto sequer que eu não me condenei por essa escolha...” (Capítulo 72 – Arrependimentos)

O toque do meu celular me tirou de minhas lembranças e corri para atendê-lo, preocupado ao ver o nome na tela.

― Tanya, está tudo bem?

― Não ― sua voz era abafada ― Edward... tem alguma coisa erra... aah ― ela arfou sem conseguir terminar a frase. ― Acho que estou em trabalho de parto.

― Acalma, respira ― falei, já pegando uma roupa e vestindo ― Eu já estou indo, vai ficar tudo bem.

― Não! Não é para ele nascer agora ― mal consegui ouvir suas palavras, pois se misturaram ao seu gemido de dor.

― Respira Tanya ― avisei, trancando a porta e correndo para o carro. ― Estou saindo de casa, estarei com você em menos de cinco minutos.

― Não desliga ― murmurou.

― Não vou desligar.

― Aah ― ouvi seu grito abafado ― Estou com medo.

― Não precisa ter medo, eu estou aqui, logo estaremos no hospital, nada de ruim vai acontecer... não vou deixar que aconteça.

.

Isabella’s POV

Eram quase oito e meia da noite quando eu ajudava Alice a desfazer as malas, ela voltou antes das duas semanas programadas, ficando apenas quatro dias em Londres, e estranhei seu jeito calado, nunca a vi ficar tanto tempo sem dizer uma palavra.

― Está tudo bem? ― perguntei, vendo-a pendurar alguns vestidos no guarda-roupas.

― Oi?! ― exclamou assustada ― Ah sim, está tudo bem.

Então ouvimos um "toc, toc" na porta do quarto.

― O jantar está pronto ― era a voz de David.

― Já estamos indo ― respondi.

― Não demorem, Emmett está impaciente.

― Vamos, estou morrendo de fome ― Alice avisou, mas segurei sua mão ao passar por mim e seus olhos me encararam assustados.

― O que está me escondendo?

― Nada, o que eu poderia estar escondendo?! ― indagou ― Desculpe, é que estou exausta, foi uma longa viagem ― então houve alguns segundos de silêncio, antes que ela voltasse a falar: ― Não vai haver casamento ― informou e ao mesmo tempo tirou um peso do meu peito, mas vi seus olhos desviarem dos meus.

Mais um segundo de silêncio, então Alice falou baixo:

― Eu não quero que você sofra mais... ― ela tentou sorrir, mais seus olhos se encheram d’agua ― Então, não vou esconder nada se você me perguntar, mas só se me perguntar o que quer saber... Caso contrário, eu não direi nada.

― Não tenho nenhuma pergunta a fazer ― revelei e Alice pareceu aliviada antes de me abraçar.

..

Depois do jantar acabei indo me deitar, com a desculpa de ter acordado muito cedo e estar com sono, para não falar na minha dor de cabeça. Porém, sai do meu quarto quando já passava da meia noite para ir buscar um copo de água na cozinha, no entanto parei no corredor, ao ouvir Emmett e Alice conversando na sala, estranhando que ele ainda não tivesse ido embora.

― O que você queria que eu dissesse? ― ela perguntou indignada ― Que Edward está fascinado com a paternidade ― suas palavras me pegaram de surpresa e apoiei-me na parede.

― Ele me disse que não é filho dele ― Emmett afirmou.

― E você acreditou? Acha mesmo que Edward e Tanya viveriam na mesma casa, por mais de dois anos, e não dividiriam a mesma cama!?

― Talvez não ― ouvi a voz do meu irmão.

― Acha isso porque ainda não conhece a Tanya ― rebateu Alice.

― Sei que não gosta muito dela, mas as coisas não são bem assim... Você fala como se a culpa disso tudo fosse da Tanya ― Emmett falou calmo ― Ela não seduziu Edward e o levou daqui..., ir embora foi uma decisão dele.

― Não. Está certo ― a voz da garota baixinha soou irritada ― Ela seduziu vocês dois.

― Você está levando para o lado pessoal.

― “Você está levando para o lado pessoal” ― ela imitou a voz dele com desdém. ― Esqueci que não posso falar mal da Tanya na sua frente... Se tem tanta dó porque não vai lá assumir o filho dela também ― Alice exclamou e depois pude ouvi-la sussurrando: ― Você e os milhares que já dormiram com ela.

― Olha, você está nervosa com tudo isso, e não vou ficar aqui ouvindo seus insultos sobre a Tanya, pois sei que assim como eu não quero ouvi-los, você também não quer dizê-los ― Emmett falou e ouvi ele se levantar, então rapidamente caminhei de volta para meu quarto, fechando a porta com cuidado para não fazer barulho.

Sentei-me na beirada de minha cama, sem conseguir permanecer em pé, sentindo meu corpo pesado e meus pulmões doendo cada vez que eu tentava respirar.

“― Isabella, por favor? ― ele não desistia e segurei o corrimão de madeira com força, para descer o primeiro degrau ― Bella!! ― sua voz ecoou pela sala e meu corpo paralisou ao mesmo tempo em que meu coração disparou, enquanto uma lembrança invadia minha mente.

― Bella... Eu não sou o pai, o bebê não é meu filho ― revelou em um tom de voz aflito. ― Eu nunca mentiria...

― Você já mentiu! ― exclamei, virando-me para olhá-lo.” (Capítulo 71 – Arrependimentos)

A memória daquele dia me veio à cabeça, a imagem daquela mulher loira na porta e então a voz de Alice: “― O que você queria que eu dissesse? Que Edward está fascinado com a paternidade?!

― E você acreditou? Acha mesmo que Edward e Tanya viveriam na mesma casa, por mais de dois anos, e não dividiriam a mesma cama!?”

E se aquele bebê realmente fosse... Eu respirei fundo, não querendo pensar, não podia... Então deitei-me, puxando o lençol e abraçando um dos travesseiros, fechando os olhos com força, e o sono logo me levou.

“Estávamos ali há horas, abraçados, completamente nus, nossos corpos suados e exaustos. Toquei seu rosto, sentindo sua pele macia e deixei minha mão deslizar até seu peito, então senti seus dedos secarem a lágrima que desceu por minha bochecha.

― Me perdoa ― pediu num sussurrou e nos virou ficando sobre mim, mas tomando muito cuidado com o peso de seu corpo.

― Não tenho o que perdoar ― respondi. ― Ambos estamos com medo Edward. Você se desesperou, chegou ao seu limite ― falei acariciando seu rosto perfeito.

― Nada explica o que fiz ― a dor era evidente em sua voz e senti seus dedos tocando meu pulso.

― Foi horrível ficar sem você aqui, fiquei com medo, me senti sozinha, abandonada... e cheguei a pensar que você não voltaria ― murmurei deixando as lágrimas caírem.

― Como pôde pensar isso? Se esqueceu do que sempre digo?

― Como assim?

― Isabella eu te amo e não sei viver sem você ― falou encostando sua testa na minha. ― Eu não posso te perder ― ouvi suas palavras e fechei os olhos enquanto o sentia levar minha mão até seu pescoço, onde ela deslizou até sua nuca, meus dedos se enroscando em seus cabelos.

― Não vai me perder ― afirmei e seus lábios beijaram os meus de um jeito tão delicado que nem parecia real e não contive um sorriso. ― Eu te perdoo ― falei bem baixinho.” (Capítulo 45 – Medos)

Acordei, vendo o sol iluminar meu quarto, mas me mantive ali deitada, sentindo as lágrimas prestes a cair de meus olhos, então afundei o rosto no travesseiro, permitindo-me chorar. Soluçando, sem conseguir respirar e ali eu sussurrei para mim mesma, a verdade que eu guardava em algum lugar no fundo do meu coração.

― Eu não te perdoo ― murmurei. ― Não te perdoo por ter me deixado sozinha.

~*~

Três dias depois

Ainda estava cedo, não devia passar das nove da manhã, quando finalmente terminei de me vestir e olhei-me no espelho. Meus olhos estavam inchados, meu rosto pálido e tentei apertar minhas bochechas, tentando dar alguma cor ali, mas desisti caminhando até a poltrona e sentando-me, exausta. Encostei minha cabeça, sentindo uma leve tontura, de repente sem forças para pensar em levantar daquele lugar, e acabei cochilando ali.

― Bella! Bella ― ouvi alguém me chamando ― Isabella?! Ainda está dormindo? ― reconheci a voz da Alice e com um susto abri os olhos ao ouvi-la batendo na porta do quarto.

― Oi, estou levantando, já estou indo! ― falei rápido.

― Está tudo bem?

― Sim, tudo bem ― respondi, lembrando-me que havia prometido acompanha-la na compra dos tecidos para sua nova coleção de roupas.

Ouvi os passos de Alice se distanciar e respirei fundo, passando as mãos no rosto antes de levantar, porém assim que me levantei, endireitando minhas costas voltei a me curvar, sentindo uma dor desconfortável em meu abdômen. Reclamei baixo, levando minha mão até meu ventre e uma sensação gélida correu por minha espinha.

― Ok ― murmurei, pegando meu notebook e fazendo uma rápida pesquisa por “câncer metastático”, logo em seguida peguei meu celular e procurei pelo número de Alec.

...

Emmett e Alice pareciam ter superado o desentendimento de algumas noites atrás, pois estavam rindo na sala enquanto eu e David terminávamos de preparar o jantar.

― Bella... ― meu irmão suspirou e então largou a faca que usava para cortar os tomates e olhou para mim ― eu preciso de ajuda.

― Quer que eu termine o molho, enquanto...

― Não ― ele me interrompeu e secou as mãos para então pegar no bolso uma caixinha de veludo preta. ― Preciso de ajuda com isso ― explicou, revelando um lindo anel de noivado ao abrir a pequena caixa.

― Isso é sério?! ― acho que meu sorriso foi de orelha a orelha ― Alice irá amar!

― Certeza? ― indagou.

― É que vai, é lindo!

― Eu não sei como fazer isso...

― David!? ― exclamei e ele sorriu sem graça... envergonhado.

― Você se lembra de quando Edward te pediu em casamento? ― sua pergunta foi inesperada.

― Eu...

― Desculpe-me, não devia tocar nesse assunto.

David não sabia que eu tinha ouvido a conversa deles ontem a noite, então tentei me manter forte, eu podia muito bem falar sobre aquilo.

― Não. Está tudo bem ― afirmei e respirei fundo: ― A minha memória não é das melhores... ― eu sorri ― Mas acho que a melhor dica que eu posso de dar é: faça o pedido com o coração e diga o motivo de querer ouvi-la dizer o “sim”.

Eu me lembrava... Lembrava-me perfeitamente do seu pedido, de suas palavras e ali sozinha na cozinha, depois de meu irmão sair para arrumar a mesa de jantar, eu pude ouvir... Eu pude ouvir a voz que fazia minha pele se arrepiar, como se suas palavras estivesse ecoando pelo lugar e a imagem dele ajoelhado a minha frente.

― Bella, você traz o suco? ― a voz de David me tirou daquele “sonho” e acordei, sentindo minha cabeça mais pesada que o normal.

Permaneci o jantar em silêncio, precisava me concentrar para conseguir comer o pouco que tinha coloca no prato, ouvia as vozes ali na mesa, porém não entendia o que diziam, sentia-me cansada. Foi quando encontrei o olhar do rapaz sentado a minha frente, do outro lado da mesa, seus olhos pareciam entender que eu não me sentia bem e mostravam que Emmett me ajudaria em qualquer desculpa que eu desse para sair dali e ir descansar.

― A louça é por minha conta ― o rapaz que me olhava anunciou.

― Eu te ajudo ― falei e ele discordou no mesmo momento. ― Eu insisto ― afirmei, olhando firmemente em seus olhos, que entenderam rapidamente e então concordou.

― Que bom, pois acabei de fazer as unhas, não posso lavar louça hoje ― Alice informou.

― Que novidade ― Emmett disse ironicamente, enquanto recolhíamos os pratos e copos da mesa.

Alice e meu irmão forem procurar um filme para assistirmos e consegui o que queria: ficar sozinha com Emmett.

― O que está acontecendo? ― perguntou assim que chegamos à cozinha, sabia que já havia notado algo.

― Eu preciso de um favor.

― Faço qualquer coisa ― respondeu.

― Tenho uma consulta com Alec, amanhã de manhã, vou fazer uns exames, e eu não queria dirigir ― expliquei e sua expressão de repente ficou séria demais, algo estranho, já que era raro vê-lo assim.

― Você não está bem, não é? ― perguntou em um tom de voz calmo.

― São apenas alguns exames de rotina ― falei, tentando aliviar o clima.

― Sabe que não precisa mentir para mim ― ele pareceu ofendido de eu tentar esconder a verdade ― É óbvio que você não esta bem, venho notando isso há dias.

― É por não precisar mentir para você que o escolhi... Eu não quero preocupar Carlisle, e David fica completamente apavorado só com a ideia de eu pegar um resfriado... e a Alice...

― A Alice arma um circo para tudo e a família toda vai ficar sabendo assim que você contar que não está se sentindo bem ― ele riu baixo.

― Sei que posso confiar que não vai contar a ninguém ― falei e Emmett apenas assentiu.

― Amanhã, que horas?

― As oito.

― Eu estarei aqui ― afirmou. ― Agora, vá descansar, eu digo que você estava com muito sono, ou algo do tipo..

― Obrigada Emmett ― falei e ele balançou a cabeça, achando desnecessário eu agradecer.

~*~

Alec estava medindo minha pressão, logo depois de constatar que eu tinha perdido dois quilos.

― O que mais anda sentindo além das dores de cabeça? ― perguntou.

― Tontura... muita tontura, ― respondi, lembrando ― cansaço, um pouco de franqueza.

― Está conseguindo dormir bem?

― Sim,... mais ou menos ― mudei minha resposta ao pensar melhor. ― Tenho muito sonhos.

― Algum pesadelo, terror noturno?

― Não, quase sempre são lembranças, minhas memórias ― falei e ele pareceu surpreso com aquela informação.

― Mais alguma coisa, fora do normal?

― A dor no abdômen, um incomodo estranho e então logo passou.

― Ok ― ele pensou por alguns instantes ― Você está em jejum? ― perguntou e assenti ― Então vamos para a sala aqui ao lado, que você tanto gosta ― brincou e acabei rindo.

Levantei-me e segui Alec até a sala ao lado, realmente era o melhor lugar dali, tinha uma pintura diferente, florida, não me lembrava a hospital, mesmo sabendo que estava ali para retirar sangue.

― Pode deixar ― ele falou para a enfermeira que logo se retirou.

Era difícil ver alguma veia em meu braço e quase sempre precisavam me furar um monte até conseguir acertar, por isso Alec fazia questão dele mesmo fazer isso, de algum jeito ele sempre achava uma veia logo de primeira. Sentei-me em uma das cadeiras e estiquei o braço.

― Você está muito quieto, quer dizer que está preocupado... ― falei, quando ele tocou meu braço com cuidado e depois de sentir o algodão gelado com álcool, senti a agulha e então não olhei mais.

― Não estou preocupado, provavelmente só está tendo crises de hipoglicemia ― ouvi suas palavras, mas sabia que nem ele acreditava nelas.

Segurei o pequeno curativo no meio do meu braço enquanto eu via Alec etiquetar os dois vidrinhos com meu sangue.

― Por agora você está liberada, mas vou marcar um horário amanhã de manhã, até lá já estarei com esses resultados. Então conversaremos sobre sua preparação para uma tomografia.

― São apenas crises de hipoglicemia ― falei rindo ironicamente.

― Eu disse provavelmente ― avisou, sentando-se na cadeira ao meu lado, seu olhar era atencioso e gentil, como sempre. ― Não precisa ter medo, Isabella.

― Não estou com medo.

Emmett abriu a porta do carro para mim, assim que saímos da clinica.

― O que acha de irmos tomar um café? ― perguntou.

― Adoraria ― concordei, com meus pensamentos na tomografia.

O rapaz musculoso, no assento ao meu lado, contava coisas sobre Alice, algumas histórias engraçadas, mas quando me olhou vi algo em seu olhar, a mesma coisa que me chamou a atenção naquele dia em que fomos fazer compras, além do brilho de admiração quando ele se referia a mim em alguma lembrança.

― Lembra disso?

― Lembro, e recordo-me de vocês dois brigando também ― revirei os olhos e ele riu alto.

― E então, vamos viajar ou não? ― propôs novamente.

― Isso depende se vou precisar ou não começar a quimioterapia na próxima semana ― falei e ri. Eu realmente estava achando graça nisso?!

― Então a moda dos lenços irá voltar ― constatou e rimos, e empurrei seu ombro.

Provavelmente não havia graça nenhuma ali, mas não era de hoje que eu e Emmett concordávamos que o humor era a melhor forma de lidar com aquela situação... Talvez era apenas uma forma mais fácil e mais leve de passar por isso, algo que nem Alice e muito menos meu irmão conseguiam fazer.

Chegamos ao café e ele fez nossos pedidos, sentando-se a minha frente e voltei a reparar em seus traços infantis, as covinhas em suas bochechas e encarei seus olhos.

― Por que insiste em se manter sozinho? ― perguntei e ele sorriu surpreso.

― Por que está tão interessada em minha vida amorosa? ― indagou.

― Porque a minha está uma bagunça e resolver a sua parece mais fácil ― minha resposta o fez sacudir os ombros de tanto rir.

― Acredite, é tão complicada quanto ― disse ao se acalmar. ― Não se preocupe, eu fico bem sozinho ― voltou a afirmar e houve um momento de silêncio quando a garçonete veio trazer nossos pedidos.

Tomei um pouco do café e provei o pedaço de bolo, enquanto pensava em Emmett que tomava seu café. Eu não devia, mas algo em mim precisava saber, precisava entender, então comecei falando com calma:

― Emmett, você tem um bom emprego, mora em um apartamento lindo e enorme... é uma cobertura..! E se fica tão bem sozinho então porque evita ao máximo ir para sua casa? ― perguntei e ele pareceu um pouco sem graça.

― Gostava mais de você quando ficava quietinha e não deixava que ninguém se aproximasse ― falou irônico e acabei rindo baixo.

― Não precisa me contar nada, é que... da mesma forma que você percebeu há alguns dias que eu não estava bem, eu também percebi que há dias você anda um pouco triste.

― Você me perguntou por que nunca tinha me visto com uma namorada, em um relacionamento que durasse mais que uma semana... ― ele suspirou, tão sério, pensativo. ― A muitos anos atrás, eu me apaixonei, eu era um adolescente idiota ― riu sem humor.

― E, quem era ela? ― perguntei quando ele se calou.

― O mais importante, não é quem, mas que ela se apaixonou por outro. E fim da história ― contou e encarei-o.

― Não me diga que está esperando ela até hoje? ― perguntei sem acreditar.

― E se estiver? ― Emmett parecia incomodado ― Olha, estou esperando uma mulher durante quase metade da minha vida, Edward te esperou por cinco anos e ainda está esperando... Deve ser algo de família ― concluiu e suas palavras fizeram algo em meu peito doer.

“Edward te esperou por cinco anos e ainda está esperando”

Afastei suas palavras de minha cabeça e voltei a me concentrar em sua situação.

― Mas e se ela nunca... ― comecei, então parei, não querendo magoá-lo.

― Ela nunca ― afirmou e entendi.

― Eu sinto muito.

― Não se preocupe ― falou baixo e sorriu.

...

No dia seguinte, comecei a folhear uma revista, sentada na sala de espera da clínica, interessando-me ao ler algo sobre o poder da mente e doenças psicológicas. Quando uma menininha, de uns seis anos, chegou a sala pelo corredor que levava a ala de quimioterapia, ela usava uma peruca loira, um pouco embaraçada, e seus olhos brilharam ao me ver.

― Nossa, ― falou sorridente, sentando-se na cadeira ao meu lado ― seu cabelo é lindo!

Eu perdi as palavras, estava completamente paralisada.

― Você que é uma princesa linda ― foi Emmett quem falou. ― Como se chama?

― Maggie.

― Prazer em te conhecer Maggie. Sou Emmett e ela se chama Isabella ― ele nos apresentou e ela sorriu.

― Leucemia linfoide aguda ― contou, colocando a mão em seu pequeno tórax, apontando para si mesma.

O rapaz ao meu lado ficou confuso e então entendi o que ela queria saber.

― Glioblastoma ― falei, finalmente saindo do meu estado de “choque”, e assim como ela também apontei para mim, vendo-a fazer uma careta levando a mão até a cabeça..., ela sabia que era um tumor cerebral.

― Fico triste, vão cair quando começar o tratamento ― murmurou, segurando uma mecha ondulada do meu cabelo que pendia, passando da minha cintura, e vi as manchas roxas nas costas de sua mãozinha.

― Vão crescer de novo, assim como os seus logo estarão compridos também ― sorri e ela retribuiu meu sorriso.

― Maggie ― ouvi a voz de Alec ― Lisa está te esperando.

― Já estou indo tio Alec ― respondeu. ― Tchau Isabella, tchau Emmett ― balançou sua pequena mão, enquanto seguia pelo corredor à direita e o homem vestindo o jaleco branco pediu para que eu o acompanhasse.

― Tio Alec?

― Todos eles me chamam assim ― revelou.

― Ela está reagindo bem ao tratamento? ― quis saber e ele pensou um pouco antes de responder.

― Está reagindo melhor do que esperávamos, mas não tanto quanto eu queria ― contou ― Mas em algumas semanas seu irmão completa 15 meses e faremos o transplante de medula ― informou e a felicidade que me invadiu foi tão grande, que não consegui parar de sorrir.

Entramos no consultório e sentei-me, vendo-o pegar o envelope, possivelmente com parte dos resultados do exame de sangue.

― E a tomografia? ― isso estava me preocupando.

― Acho melhor conversarmos um pouco ― propôs e vi Alec pegar um copo d’agua e colocar sobre a mesa a minha frente, para então sentar na outra cadeira para paciente ao meu lado.

Isso era algo normal, logo quando acordei do coma e recusei-me a ver um psicólogo, Alec passou a se aproximar e ser meu ouvinte, mesmo quando eu apenas queria ficar em silêncio.

― Como estão você e Edward? ― perguntou.

― Não sei responder a essa pergunta ― eu ri nervosamente. ― Nós nos encontramos, depois de todo esse tempo e...

― E? ― indagou e continuou quando eu não disse mais nada. ― Você sabe que ele foi um grande apoio durante o seu tratamento, sempre esteve ao seu lado ― Alec comentou.

― É, mas agora ele não está mais.

― Talvez porque você tenha pedido para ele se afastar.

― Por que exatamente estamos falando nisso?

―Porque, ― ele procurou pelas palavras, enquanto seu semblante continuava calmo, seguro ― eu creio que você vá precisar de alguém para se apoiar, ou melhor, que você vá precisar dele, de Edward.

De certa forma, bem lá no fundo eu me sentia forte, acho que fazer piada sobre tudo isso com Emmett era uma forma de mostrar que eu podia passar por tudo de novo... Eu estava com medo, mas me sentia preparada, até ouvir o que Alec tinha a me dizer e perceber que não há como se preparar para algo assim... Não tem como se preparar para o que está por vir, porque nosso destino é imprevisível e a vida, quando menos se espera, ela nos joga do alto de um penhasco.

Eu absorvi cada palavra de Alec e peguei o copo com água a minha frente, tomando um gole e respirando fundo, pensando em como tudo seria a partir desse momento e finalmente percebendo o que era mais importante.

― Qual a probabilidade? ― perguntei.

― Isabella... ― ele balançou a cabeça, sem graça.

― Alec, eu quero números.

― Não tenho como te falar isso ― respondeu e voltou a falar quando analisou minha expressão ― Ainda não tenho como te falar isso.

Ele me ajudou a caminhar para fora dali, meu corpo parecia pesar uma tonelada e era como se meu coração estivesse no alto da minha garganta, então finalmente vi Emmett exasperado.

― O que aconteceu? Está tudo bem?

― Ela precisa se acalmar e descansar um pouco, Emmett ― o médico ao meu lado falou e senti o rapaz moreno segurar meus braços. ― Leve-a para casa.

Não sei como cheguei ao carro, só sei que já estava ali, com o cinto colocado, praticamente sentindo o silencio ao meu redor.

― Tudo bem se não quiser me contar ― ouvi o rapaz moreno, sentado ao volante, falar. ― Mas precisa contar a alguém e não acho...

Eu o interrompi, falando de uma vez, então novamente o silêncio, Emmett paralisado por alguns instantes, então se virou e ligou o carro, começando a dirigir.

― Não quero ir para casa ― falei, lembrando que logo Alice chegaria e não conseguiria esconder que tinha algo errado.

Algum tempo depois Emmett estava abrindo a porta de seu apartamento para mim e eu entrei, vendo tudo extremamente organizado e a decoração em tons de cinza, bege e branco. Lembro-me de ter estado ali apenas uma outra vez acompanhando Carlisle...

― Não preciso dizer para se sentir em casa, não é mesmo? ― falou, vendo-me parada ali no hall de entrada e sorri, caminhando até a sala.

Sentei-me, deixando minha bolsa cair ao meu lado e fechei os olhos, respirando fundo, esperando acordar desse sonho, mas não aconteceu.

― Está tudo bem? ― perguntou, sentando-se ao meu lado ― Está com tontura, enjoo?

― Não, eu acho que só estou um pouco... atordoada ― respondi baixo, tentando organizar a bagunça em minha mente.

― Edward ― falou baixo, depois de alguns minutos de silêncio ― ele precisa saber.

― Por que? ― indaguei.

― Porque..., ― Emmett não conseguiu formular uma resposta, mas estava indignado com minha pergunta.

― Ninguém precisa saber.

― Isabella, isso não é algo que você consegue esconder por muito tempo.

― Eu sei ― exclamei. ― Mas não é o momento. Não quero deixar Carlisle preocupado, e David irá pedir Alice em casamento, não quero tirar a atenção disso. Se eu contar agora todos vão...

― Ficar em cima de você, perguntando a todo instante como está se sentindo, fazendo planos ― falou quando perdi as palavras.

― Exatamente ― suspirei. ― E... eu ouvi, sem querer, vocês conversando no dia em que Alice chegou.

Emmett parecia se sentir culpado, quando olhou para mim, pensando antes de falar.

― Você sabe que ele não é o pai do filho da Tanya.

― Eu não tenho tanta certeza ― murmurei. ― Por isso eu peço que não conte nada a ninguém, muito menos a ele. Eu preciso de um tempo.

O rapaz ao meu lado assentiu, concordando, antes de encostar-se ao sofá, respirando fundo, pensativo.

― Tudo ficara bem ― sussurrei.

― É claro que ficara ― afirmou, passando seu braço ao meu redor e permiti apoiar minha cabeça em seu ombro. ― Não está sozinha ― avisou e sorri.

― Obrigada.

― Não tem que me agradecer.

Eu não sabia, muito bem, o que pensar, minha cabeça estava tão confusa. O que eu faria? Sinceramente?, como enfrentaria tudo isso?

― Bom, já são quase cinco horas, o que acha de prepararmos algo para o jantar? Ou pedirmos? ― mudou o assunto, deixando o clima ali na sala mais leve.

― É uma boa ideia, estou com um pouco de fome ― afastei toda aquela incerteza que rondava meus pensamentos, percebendo que isso não me levaria a lugar algum.

― Ótimo, o que vai querer?

― Pizza ― falei e ele sorriu.

― Ok, vamos pedir uma pizza ― disse, levantando-se para pegar o telefone. ― Qual sabor?

― Hum... ― pensei ― Quatro queijos.

― Essa é a minha garota! ― exclamou sorrindo, apontando para mim e acabei rindo...

Era fácil conversar com Emmett, ele conseguia deixar certos assuntos de lado com tanta facilidade quanto eu.

...

Acordei no dia seguinte sentindo um vazio ao meu redor, a cama estava fria, e levantei-me, tomando um banho, vestindo algo que me deixasse confortável. Porém quando iria sair do quarto passei em frente ao espelho e parei ali, encarando minha imagem, aquele reflexo de uma garota magra, levemente pálida, rosto corado e juvenil, emoldurado pelas longas e grossas mechas onduladas, as quais brilhavam em um tom castanho avermelhado. Passei os dedos pelos fios, deslizando-os desde a raiz até as pontas, então me lembrei de quando tive que cortá-los, lembrei-me de perder meu cabelo por completo e acabei rindo de mim mesma, sentindo uma raiva repentina... Então caminhei a passos decididos até minha penteadeira, abrindo as várias gavetas, logo encontrando o que procurava e voltei para a frente do espelho. Segurei firmemente uma mecha, passando a tesoura, sentindo um peso sendo tirado dos meus ombros, enquanto aos poucos ia juntando as mechas, até que todo meu cabelo estava ali sobre uma pequena mesa em meu quarto. Peguei o cabelo e amarrei-o, antes de guarda-lo e ir até o banheiro, molhando minhas mãos e passando pelo que restou de cabelo em minha cabeça, então voltei a cortar, tentando fazer um corte de modo que ficasse apresentável e não todo picotado do jeito que estava. Sorri para meu reflexo assim que terminei, sentindo uma liberdade sem tamanho, com meus cabelos que agora estavam bem mais curtos que os de Alice.

Saí do quarto, sem conseguir parar de sorrir, mas porque não tinha pensado no que todos achariam...

― Isabella?! ― meu irmão estava paralisado e ouvi a garota de cabelos escuros tossir ao engasgar com o café.

Já Emmett estava sorrindo e seus olhos aprovavam minha mudança repentina, além de também entender o motivo de eu precisar daquilo. Então me sentei com eles à mesa arrumada para o café da manhã e Alice, depois de se recompor, se dirigiu a mim curiosamente:

― Algum motivo para isso? ― ela sorriu, divertida.

― Vida nova ― respondi, sorrindo, sentindo-me alegre, enquanto me servia de um pouco de chá e pegava algumas torradas.

― Ok ― falou, com uma expressão de quem não estava entendendo nada, mas mesmo assim me apoiava. ― Achei super fashion!

― Ficou mais linda ainda ― o rapaz ao meu lado falou e senti meu rosto esquentar.

― Ah, isso não tem a ver com o cabelo, Emmett, é só a genética que é boa ― meu irmão se gabou.

― É, no caso, o gene da beleza foi para Bella ― o rapaz com sorriso de covinhas alfinetou e todos acabamos rindo.

― Falando em vida nova, como foi a entrevista de emprego? ― David perguntou.

― Eu... eu tive que desmarcar.

― Mas por que? ― indagou e tentei pensar rapidamente em uma desculpa.

Devia ter feito isso antes, pensado direito no que eu diria. Não podia dizer que desmarquei a entrevista porque tive que ir ao médico.

― Porque ela já conseguiu um emprego ― foi Emmett quem respondeu.

― Já?

― Sim, será minha assistente pessoal ― anunciou e a garota de cabelos pretos sentada a nossa frente encarou-o sem acreditar naquilo. ― Preciso de alguém para organizar minha agenda, me acompanhar as reuniões para fazer as anotações... tudo isso é muito cansativo.

― Ele me convenceu ― disse, mentindo, ao ver a expressão incrédula no rosto de meu irmão.

― Temos que sair daqui a pouco ― Emmett avisou e por um segundo não entendi, mas logo a ficha caiu.

― Ah, sim ― respondi, terminando meu café e indo rapidamente até o quarto.

Teríamos que manter essa desculpa do trabalho, então vesti uma roupa melhor e peguei minha bolsa, porém parei antes de passar pela porta, voltando rapidamente e pegando a grande cauda de cabelo preso por um elástico, enrolando-o antes de colocar em minha bolsa,... De repente, tendo uma ideia.

Passei o dia acompanhando Emmett, mas confesso que não tinha prestado atenção em muita coisa, eu tinha muito no que pensar e decisões para tomar a respeito da minha própria vida. No entanto, quanto mais pensava, mais me desesperava, lembrando a todo instante de Alec falando sobre como Edward esteve ao meu lado, e dizendo que eu precisaria disso novamente..., que eu precisaria dele novamente.

Poderia passar por isso sozinha. É claro que poderia..., ou não?

Edward estaria mesmo me esperando?

O casamento foi cancelado, apesar da gravidez. Mas essa criança não era seu filho, não era possível que fosse. Ou melhor, era muito possível. Eles moravam na mesma casa, estavam noivos e sei que é ingenuidade minha querer acreditar que Edward não a beijou, não a abraçou carinhosamente..., era bobagem minha querer convencer meu coração que ele não tinha feito amor com ela.

― Isabella, esta encarando Londres há horas ― a voz de Emmett me tirou subitamente de meus pensamentos e percebi que estava parada em frente ao globo terrestre prateado que fazia parte da decoração de seu escritório.

Analisei o globo do tamanho de uma bola de basquete e percebi o desenho do continente que eu estava encarando, inconscientemente, segundos atrás.

― Quem disse isso? Posso estar olhando para qualquer lugar da Europa ― falei e ele riu.

― Sim, é claro, só uma vontade repentina de fazer um tour europeu ― soou baixo, sem conter o sorriso e caminhei até sua mesa, sentando-me em uma das cadeiras a sua frente e em apenas alguns instantes sua expressão foi de divertida a tensa. ― Está se sentindo bem? ― perguntou de repente e sorri.

― Sim, estou ― afastei aqueles pensamentos que me atormentavam. ― Ainda não agradeci pela desculpa para eu conseguir me manter um pouco afastada de David e Alice.

― Não precisa me agradecer nada ― ele estava terminando de organizar alguns papeis em sua mesa.

― Mas agora terá que me aguentar aqui em seu pé, incomodando.

― Por favor, Bella, até parece que pode me incomodar de alguma maneira ― discordou, sentindo-se ofendido e então sorriu, seus olhos encarando os meus ― Você só irá tornar meus dias mais felizes e menos vazios.

― Pensei que tivesse acostumado a ficar sozinho ― comentei, levantando-me e caminhando pelo grande escritório, contendo o sorriso em meus lábios ao vê-lo balançar a cabeça, derrotado.

― Eu disse que fico bem sozinho, mas a solidão não é algo com o que podemos nos acostumar ― confessou, porém quando iria responder senti uma leve tontura e apoiei-me na estante, e em pouco tempo senti suas mãos em minha cintura, ajudando-me a voltar a sentar. ― Está tudo bem?

― Sim, estou bem, eu só... ― perdi as palavras, sentindo-me confusa, então disse simplesmente: ― Eu não sei o que fazer Emmett ― minha voz soou baixa e ele se abaixou a minha frente, seus olhos tentando me acalmar.

― Precisa parar de se atormentar ― avisou, pensando por alguns segundos antes de voltar a falar. ― Sabe, do que importa o que foi certo ou errado, se foi um erro ou não foi, se devemos ou não devemos perdoar... Isabella, nem sabemos com certeza se vamos acordar amanhã de manhã ― exclamou, como se tivesse lido meus pensamentos, então suas mãos seguraram as minhas, que estavam frias pelo recente mal-estar e falou com calma: ― Faça o que seu coração mandar, decida o que quer sem pensar em mais nada ao seu redor, a vida é muito curta para ficar perdendo tempo com incertezas e indecisões.

― E eu, mais que todos, devia saber disso. Estive a beira da morte, talvez até a olhei nos olhos ― murmurei e suas mãos apertaram levemente as minhas. Houve um momento de silencio e então lembrei-me: ― Vai se atrasar para sua reunião.

― Posso deixar para outro dia...

― Não ― eu o interrompi ― Já devem estar esperando por você ― avisei. ― Ficarei bem, não se preocupe.

― Certeza? ― indagou desconfiado.

― Sim, ― sorri ― tenho certeza.

― Quer que eu busque alguma coisa, uma agua, um chá, café... alguma coisa com açúcar?

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― Não, já estou me sentindo bem.

― Ok ― ele se convenceu. ― Vou estar na sala no final do corredor, qualquer coisa é só me chamar, ou a Christie (sua secretária).

― Está bem, não se preocupe ― repeti.

Emmett se levantou e aproximou-se para depositar um beijo no alto da minha cabeça, antes de pegar uma das várias pastas sobre sua mesa e sair.

~*~

Era uma terça-feira levemente ensolarada e eu descia os degraus da porta principal do hospital com Emmett ao meu lado. Respirei fundo ao pisar na calçada, sentindo o vento em minha pele, meu corpo estranhamente leve. Porém, assim que entrei no carro senti-me exausta e um pouco sonolenta enquanto encarava os carros que passavam por nós no transito.

― Tem certeza que ficara bem? ― Emmett perguntou pela terceira vez, estacionando o carro em frente ao meu apartamento.

― Tenho, eu preciso de um tempo para pensar... Ficarei bem.

― Ok, mas qualquer coisa me liga e estarei aqui em cinco minutos ― afirmou e sorri.

― Obrigada, Emmett ― falei baixo, antes de sair do carro.

Abri a porta de casa e tirei minhas sapatilhas, caminhando para meu quarto, deitando-me e passando a mão em minha cabeça que doía, sentindo os fios de cabelo curto em meus dedos.

Eu estava cansada, mas sabia que não conseguiria dormir tão cedo... Não com todos aqueles pensamentos que invadiam a minha mente sempre que fechava os olhos... e via aquela imagem....A imagem de Edward com aquela mulher loira.

O que eu faria agora?

Abri a pequena gaveta do meu criado-mudo e peguei a rosa, voltando a me deitar e puxando um dos travesseiros, abraçando-o com força, encarando a rosa branca, as pétalas de cetim perfeitamente costuradas.

― Vou te amar até que a última rosa murche... ― sorri ao relembrar as palavras escritas no bilhete e fechei os olhos, não contendo as lágrimas que caíram.

“Senti o calor de seu corpo junto ao meu, podia sentir sua respiração em minha nuca e sorri.

― Eu nunca mentiria para você ― ouvi sua voz próxima ao meu ouvido e por um momento eu quis acreditar, por um instante eu quis me virar e olhar em seus olhos verdes brilhantes, mas não podia..., não devia. ― Bella ― ele me chamou e toda minha pele se arrepiou.

Então sem conseguir resistir eu me virei, mas não vi ninguém, estava escuro, havia paredes ao meu redor, o ambiente parecia congelado. De repente o ar me faltou e desesperadamente toquei a parede fria a minha frente, procurando uma saída, mas não havia...”

Abri os olhos de repente, assustada, minha respiração acelerada e meu coração batendo dentro de minha garganta. Sentei-me na cama, vendo a fronha do travesseiro úmida por eu ter chorado antes e enquanto dormia.

Respirei fundo, passando as mãos no rosto, em seguida deslizando os dedos pelos meus braços, tentando afastar aquela sensação gelada, enquanto ao mesmo tempo tentava entender o significado desse sonho. Porém caí em lágrimas antes de conseguir tal feito, não conseguindo controlar meu desespero. Eu realmente não tinha nenhuma saída!

Meu corpo tremia, meu estômago se revirava, então corri para o banheiro, ligando o chuveiro e ficando um bom tempo ali sob a água, desejando que ela levasse embora todo aquele pânico que me consumia.

Acabei inventando uma desculpa para não jantar e vi que Alice ficou preocupada, mas eu não conseguiria comer nada. Apenas voltei a me deitar e permaneci ali, sem conseguir fechar os olhos, voltando a pensar naquelas palavras... Edward me disse que nunca mentiria para mim. Por que algo dentro de mim pedia desesperadamente que eu acreditasse em suas palavras? A resposta era simples: porque eu queria acreditar e talvez devesse acreditar.

E assim, questionando-me sobre muitas coisas, vi o sol apontar no céu e entrar em meu quarto lentamente, porém nem isso me tirou da cama.

...

Era quase meio-dia quando me levantei e tomei outro banho demorado, ainda não conseguindo esquecer o pesadelo. Então me vesti e sequei rapidamente meus cabelos curtos, logo depois saindo do meu quarto, procurando por algo que mantivesse minha mente ocupada e encontrei Alice sentada no sofá, segurando uma pequena caneca em uma mão e um catálogo em outra.

― Bom dia ― ela falou e sorriu.

― Bom dia. O que está fazendo? ― perguntei, sentando-me ao seu lado.

― Tenho que escolher os sapatos que usarei no desfile.

― Hum...

― O que acha desse? ― apontou para uma das fotos.

― É lindo ― falei baixo, pensando, então tomei coragem. ― Alice, você acha que Edward está esperando por mim?

A minha pergunta a surpreendeu, pois a garota sentada ao meu lado ficou sem fala, e até paralisada por alguns segundos. Seus olhos continuaram a encarar as fotos de sapatos, sem ousar me olhar.

― Você gostaria que ele estivesse esperando?

― Só responda minha pergunta ― pedi. ― Com sinceridade.

― Ele seria muito burro se não estivesse ― falou, finalmente me olhando.

― Esse é mais bonito ― falei apontando um par de scarpin rose e mudando o assunto.

Alice não respondeu minha pergunta e sabia que ela não iria responder, na verdade acho que eu queria que ela não respondesse.

― E o trabalho com Emmett? ― Alice quis saber e sorri, inventando uma rotina de trabalho bem agitada.

Ocupei-me ajudando a escolher os últimos detalhes do desfile, conversando sobre coisas diversas evitando qualquer coisa que levasse ao assunto casamento, pois tinha medo de acabar por revelar a intenção de David de pedir sua mão, além de me lembrar de outra coisa.

Quando anoiteceu e voltei ao meu quarto, depois do jantar, tentei fazer de tudo para não dormir. Não queria ter outro sonho como aquele.

Respirei fundo, mexendo-me na cama, esfregando os olhos, tentando me manter acordada e resolver aquela confusão em minha cabeça.

Havia tantas coisas dentro de mim, tantos sentimentos, medos...

Logo não poderia esconder mais nada e então, o que eu faria? Era loucura pensar em passar por isso sozinha? Quando tudo em mim pedia para que não fizesse isso.

Eu não podia...

Estava tão cansada, por causa da noite passada sem dormir. Meus olhos pesavam.

“Seus beijos trilhavam um caminho em meu pescoço e quando percebi estava em nosso quarto, segura em seus braços, enquanto nossas roupas estavam jogadas no chão ali ao lado da cama.

― Eu quero você ― sussurrei e ele sorriu.

― Eu sou seu ― sua voz soou rouca perto de meu ouvido, enquanto seus lábios faziam cada centímetro da minha pele se arrepiar. ― Sou todo seu ― disse, sua mãos segurando fortemente em minha coxa, puxando minha perna para seu quadril, permitindo-me senti-lo.

Gemi baixo, um tremor em antecipação percorrendo meu corpo e apertei seus ombros, abraçando-o, sua boca finalmente tomando a minha para si. Seus lábios se moldaram aos meus e de repente senti ele me completar...

― Ah ― arfei, gemendo... ― Edward ― sussurrei... Sentindo cada músculo do meu corpo se contrair...”

Abri os olhos assustada, sem ar e com as mãos trêmulas. Meu rosto estava queimando e sentei-me na cama, abraçando meus joelhos, tentando acalmar meu coração. Levei minha mão trêmula até minha boca e quando as pontas frias dos meus dedos tocaram meus lábios cada centímetro da minha pele se arrepiou, então arfei fechando os olhos, sentindo... sentindo meu corpo desejando... Mas a imagem da mulher loira parada a porta me veio a mente, com a barriga redonda que ela acariciava, e quando voltei a abrir os olhos não pude conter as lágrimas.

O que eu faria?

Levantei-me e caminhei até o banheiro, molhando o rosto e passando minha mão úmida com a água gelada em minha nuca, respirando fundo. Sequei-me e sai do quarto, acendendo a luz do corredor, caminhando até a cozinha para pegar um copo com água, sem realmente querendo beber. Respirei fundo e joguei a água na pia, caminhando até a sala, afastando a cortina da porta que levava a sacada, olhando a rua lá em baixo, esperando ver... esperando vê-lo ali, mas isso era apenas muita esperança de minha parte.

Sentei-me no sofá, pegando o livro, que tinha deixado sobre a mesinha de centro, e descobrindo o celular, escondido sob ele, que Alice procurava mais cedo. Empurrei o aparelho mais para o meio da mesa, deixando-o visível para que ela encontrasse de manhã e folheei meu livro.

Mas antes mesmo de começar a ler voltei a olhar o celular sobre o vidro da mesa, sentindo meu coração acelerar levemente. Peguei o aparelho e liguei-o, olhando todos os aplicativos, e parando ao encontrar o ícone dos contatos. Respirei fundo e abri, vendo a lista de nomes e encontrando o que procurava. Minhas mãos suaram e sem que eu pudesse realmente pensar no que estava fazendo, meu dedo clicou em discar. Levei o celular até meu ouvido, minha respiração estava calma em relação ao meu coração que batia fortemente contra meu peito.

Ouvi chamar, uma, duas, três e então silêncio:

― Alice, já conversamos sobre o fuso horário ― sua voz soou de repente, grave e levemente rouca. ― Aconteceu alguma coisa?

Uma sensação gelada percorreu minha espinha e minha respiração acelerou, meu rosto esquentou.

― Alice? ― ele chamou, sua voz agora com um tom preocupado e eu cobri minha boca com a mão trêmula, respirando fundo, já afastando o celular quando ouvi: ― Isabella ― não era uma pergunta, ele afirmou, e voltei a colocar o aparelho contra meu ouvido, perguntando-me como ele descobrira que era eu, e parecendo saber da minha dúvida Edward explicou com sua voz calma e aveludada: ― Eu ouviria e reconheceria o som da sua respiração mesmo em meio a uma multidão de pessoas.

Apertei a mão contra minha boca, contendo o soluço, sentindo as lágrimas caírem e desliguei a ligação, jogando o aparelho no acento do sofá ao meu lado.

― Ah! ― arfei baixo, quando o ar me faltou e levantei-me correndo para meu quarto.

~*~

Sentei-me a mesa do café às nove horas, do dia seguinte, e Alice me encarou animada, contando que tinha conseguido a ideia para a última peça de roupa que iria completar sua coleção. Mas confesso que não ouvi muito além disso, minha mente se negava a se concentrar em alguma coisa que não fosse a voz dele, ecoando em minha cabeça.

O que eu faria?

― Emmett vem te buscar hoje? ― ouvi sua pergunta de repente.

― Hum... ― eu hesitei. ― Sim, ele vem, vou acompanha-lo em uma reunião ― menti.

― Ok, eu já preciso ir ― informou olhando o relógio. ― Qualquer coisa me liga.

― Eu ligo ― tentei sorrir e Alice me abraçou antes de sair.

Então, exatamente dois minutos depois que a porta fechou, ouvi meu celular tocando, e provavelmente era Emmett. Levantei-me e fui até meu quarto, atendendo a ligação ao achar o aparelho em meu criado-mudo.

― Bom dia ― falei, sentando na cama ao sentir uma leve tontura.

― Bom dia, tudo bem?

― Tudo bem.

― Sua voz não está me convencendo.

― Acho que eu vou ficar em casa hoje, preciso pensar um pouco.

― Tem certeza? Não acho bom você ficar sozinha ― sua voz estava preocupada.

― Qualquer coisa eu te ligo ― avisei.

― Tudo bem ― acabou concordando. ― Nos vemos mais tarde.

― Até ― despedi-me e então desliguei.

Ajeitei os travesseiros e deitei-me, encarando o teto, tentando pensar com clareza e decidir o que deveria fazer.

"Eu ouviria e reconheceria o som da sua respiração mesmo em meio a uma multidão de pessoas..."

E se eu contasse a ele? Emmett tinha razão, Edward deveria saber o que está acontecendo, mas tenho medo de que isso não mude nada. Ao que parece ele está muito feliz, com aquela mulher loira e o filho deles.

― ...filho deles...? ― murmurei para mim mesma.

Talvez Edward nem se importasse com o que eu tinha para contar. Como Alice disse, ele estava fascinado pela paternidade e provavelmente não iria nem me ouvir. Por que ouviria?

Peguei a pequena flor que tinha deixado ali ao lado da cama e voltei a encarar seus detalhes, esperando achar naquelas pétalas brancas a solução que precisava.

É impressionante como o relógio parece acelerar quando estamos perdidos em nossos pensamentos, tanto que me surpreendi ao ver que era quase meio-dia.

Tentei preparar um lanche para mim, mas deixei-o de lado logo na primeira mordida. Meu coração parecia não querer se acalmar. Então peguei minhas chaves e sai, indo para o único lugar onde poderia me sentir um pouco melhor, pensar com mais clareza e decidir o que eu faria, como contaria. E pensar sobre como todos reagiriam.

O taxi parou em frente à mansão e respirei fundo, pagando o motorista antes de caminhar até a porta de entrada, procurando a chave certa.

A casa parecia um lugar esquecido, com meus passos ecoando pelos corredores, mas mesmo assim era acolhedora e senti meu corpo relaxar, sabendo que tinha chegado a minha casa, ao meu lar.

Subi as escadas e caminhei até o último quarto, no fim do corredor, parando logo na porta, vendo a grande cama ali. Onde fizemos amor há apenas algumas semanas, antes...

― Antes que ele voltasse para o seu casamento ― murmurei, sentindo meu coração pesar em meu peito.

Olhei por sobre o ombro e encarei a outra porta, do outro lado do corredor. O quarto onde dormi por cinco anos, um lugar que parou no tempo enquanto todos continuavam. Caminhei até ele a passos lentos, deixando que meus dedos deslizassem na parede empoeirada, e cheguei ao cômodo vazio, as pesadas cortinas o deixava escuro mesmo com o sol lá fora, então as abri um pouco, permitindo apenas alguns raios de luz iluminar o lugar.

Permaneci bem no centro, exatamente onde ficava minha cama e olhei em volta, antes de me se sentar no chão e lembrar de quando acordei. Meus olhos fitaram a porta onde vi a enfermeira e ouvi-a gritar. Lembrei-me de tirar o tubo da minha boca, que me ajudava a respirar, e senti uma leve ânsia ao relembrar a sensação quando o puxei. Então, eu me deitei no chão duro, olhando o teto branco do quarto. Talvez isso tenha sido a primeira coisa que vi depois de muito tempo... Não é possível, que esses anos tenham sido simplesmente apagados da minha vida, não só os que fiquei dormindo, mas também aqueles que vivi... porém foram arrancados da minha memória.

Respirei fundo e olhei uma última vez para o teto, procurando algo ali, algo que não encontrei. Então apenas fechei os olhos e esperei... esperei...

E meu corpo se sobressaltou quando ouvi sua voz: “Oi, meu amor” tentei abrir os olhos, com o susto, mas não consegui. Entrando em pânico, ao tentar mexer as pálpebras e elas não se moverem nem um milímetro. Estava prestes a gritar quando senti o toque da sua mão na minha e então meu coração se acalmou.

Lá estava eu novamente, presa em meu corpo desacordado, e por mais que eu tentasse não conseguia me mexer. Apenas sentia, seus dedos entrelaçados aos meus e seus lábios depositaram um breve beijo nas costas de minha mão.

Acabei de chegar, tive uma reunião péssima” contou. “Mas não vou ficar te preocupando com isso...” falou baixo e as pontas dos meus dedos tocaram sua boca. Ele estas sorrindo. “Eu trouxe flores, hoje escolhi peônias, amanhã eu trago rosas...

Houve silêncio, um longo silêncio, novamente eu estava sozinha, e aquilo me angustiava... Mas então ouvi passos se aproximando, e sabia que era ele.

Rosas, como prometido” sua voz soou tão baixa e percebi quando se sentou na cadeira ao meu lado direito, quieto, talvez até imóvel. Queria poder abrir os olhos e vê-lo, mas era impossível. Só o que eu podia fazer era permanecer ali imóvel e ouvir seu desespero, sentindo suas lágrimas em minha mão, que ele mantinha apertada contra seu rosto.

Estou saindo, vou até a empresa” Edward falou e percebi que se tratava de um novo dia. “Não demoro” informou “e quando voltar podemos terminar de ler aquele livro” eu pude sentir seu perfume tão perto de mim e quis sorrir quando percebi seus lábios depositando um beijo em minha testa.

Eu ouvi vozes de todos... Carlisle dizendo que eu sempre fui e sempre serei sua filha, Esme orando ao meu lado, David desejando ter a chance de me conhecer melhor, Emmett:

É o seguinte, isso aqui está... depressivo!” falou baixo, perto do meu ouvido “É sério, não caminhe para a luz...” brincou e sua voz então ficou pesada, seria “Eu preciso que volte, todos precisam” afirmou, senti sua mão segurar a minha por um breve momento e ouvi passos se distanciando.

Isso não pode ser verdade” era a voz de Alice e era possível perceber que ela se esforçava para não chorar. “Eu fico esperando todos os dias, o momento que simplesmente vou acordar, e você ainda estará aqui entre nós... Isso é só um pesadelo” murmurou. “Já não sei mais como ajudar a todos. Desculpe-me, desculpe-me ainda não ter entrego a carta, sei que já devia...” Alice caiu no choro, tentando respirar entre soluços. “Faria qualquer coisa para que você acordasse, para que melhorasse... mas não há, não existe... Desculpe-me não poder fazer nada.

Sentia meus olhos cheios de lágrimas, mas elas não caiam, ficavam ali, e eu tentava... O silêncio reinou, por um longo período e cada minuto que passava eu me sentia mais fraca, até ouvir sua voz novamente.

Meu anjo” ele levou minha mão até seu rosto e senti sua barba por fazer. “Onde paramos?” indagou e soube que ele tentava sorrir, enquanto identificava o som de papel sendo folheado e ouvi Edward começar a ler a história, enquanto tentava me concentrar apenas em sua voz, a qual me fortificava, fazia-me querer ficar ali, por mais doloroso que fosse.

Se é que eu realmente estava ali. Ouvia, sentia, percebia... Porém estava presa, sem domínio sobre meu corpo, sem forças. Ouvir a voz de Edward me mantinha sã, forte, mas parecia não ser o suficiente para me trazer de volta e eu me desesperava por isso.

Isso não é justo” falou depois de um longo período de silêncio e posso dizer que me assustei, não notara quando exatamente ele entrara no quarto. “Tem tantas coisas que eu queria te dizer e não consegui, não pude... Há tantas coisas que eu queria que você vivesse e não é justo que não tenha tempo para isso” suas palavras soavam abafadas e pude sentir suas lágrimas quando ele levou minha mão até seu rosto, depositando um beijo sobre meus dedos. “Meu Deus, ela ainda tem tanto para viver, tantas coisas para conhecer, não faça isso. Por favor, Deus” sua voz não passava de um murmúrio, uma prece. “Se precisa levar alguém, leve a mim” senti uma dor em meu peito e fiz de tudo, para conseguir ao menos mexer um de meus dedos, mas era impossível. “Por favor, leve a mim e deixe-a viver, permita isso...

Eu queria chorar, queria gritar, queria dizer...

Queria dizer que eu não viveria sem ele!

Abri os olhos, lentamente saindo daquele estado de estupor, encarando o teto branco, sentindo meu corpo dolorido por estar deitada no chão por todo aquele tempo... Será que tinha se passado muito tempo?

― Sabia que a encontraria aqui ― a voz de Emmett não me assustou, apenas me fez terminar de voltar a realidade.

― O que faz aqui? ― perguntei, apoiando-me em minhas mãos para me erguer e sentar, encostando-me na parede atrás de mim.

― Bom, notei que havia algo errado quando Alice me ligou querendo falar com você e quando liguei no seu celular, descobrindo que estava desligado ― ele sorriu. ― Posso entrar? ― indagou e só então percebi que ele permanecia parado na porta.

― Claro.

― Saudade dessa época? ― Emmett apontou para o lugar onde estava deitada e apenas balancei os ombros.

― Saudade do tempo antes disso, antes do coma, quando minha vida era, de certa forma, perfeita, mesmo tendo que conviver com aquela doença.

― Parece que tudo tem um preço... ― murmurou pensativo, com um olhar distante.

― Você realmente acha que não aconteceu nada entre... Edward e... aquela mulher loira...

― Tanya ― falou, permanecendo pensativo, deixando que um silêncio estranho se formasse antes de me responder. ― Aconteceu algo entre eles durante alguns anos, mas isso foi antes dele conhecer você ― informou, olhando em meus olhos. ― Mas depois que vocês dois se conheceram não houve mais nada entre ele e Tanya.

― Como tem tanta certeza disso? ― perguntei, sentindo certa esperança, mais ao mesmo tempo uma dor irracional.

― Porque ele me disse ― informou, pensou por um instante e continuou. ― Sabe, quando Edward me contou isso, eu não acreditei de imediato, mas agora, pensando melhor...

Houve silêncio, Emmett olhou ao redor, pensativo, distante, então respirou fundo e falou:

― Eu te entendo. Entendo suas dúvidas e seus medos, mas não consigo aceitar que duvide do amor dele ― o rapaz soou sério e seus olhos me encaravam com sinceridade. ― Se eu soubesse que havia a menor possibilidade de Edward estar apaixonado por outra, ou de ele não te amar como diz amar... Eu seria o primeiro a dizer para esquecer ele, para não ir atrás. E digo isso não como primo dele, estou falando isso como seu irmão. Não deixaria você se machucar, não deixaria ele te machucar ― afirmou. ― Isabella, eu vi durante cinco anos Edward enlouquecer lentamente.

Suas palavras seguintes não fariam sentido a algumas horas atrás, mas acho que tudo que ouvi há minutos realmente faziam parte do lado obscuro da minha memória.

― Vi ele desmoronar dia após dia. Cada vez que vinha te visitar, encontrava um Edward diferente, havia vezes que ele sorria, vezes que fazia piada, outras não dizia uma palavra sequer, e tinha dias que o encontrava chorando ao lado da sua cama ― Emmett parecia evitar olhar para mim, concentrando-se na pequena lasca de madeira que saia do chão, enquanto ficava em silêncio por alguns segundos e voltou a falar baixo: ― E havia os dias que ele caia em desespero... era quando eu precisava até ajudá-lo a levantar da cama.

O rapaz a minha frente passou as mãos no rosto e vi seus olhos levemente avermelhados.

― Pode duvidar de tudo, menos do amor dele... ― sua voz era calma e firme ― Eu o vi enlouquecer ― repetiu, perdido em pensamentos ― enlouquecer por você.

Então ele se calou e continuei ali, tentando manter minha respiração constante, apertando meus dedos, sentindo minha cabeça doer, tentando entender e compreender... mas sabendo que nunca conseguiria uma resposta, uma conclusão, sem uma explicação. Uma explicação dele.

― Acho melhor irmos, já está entardecendo ― Emmett informou, levantando-se e estendendo a mão para mim, a qual segurei e apoiei-me, ficando em pé e olhando uma última vez para o quarto.

Acompanhei o rapaz até o corredor, nossos passos parecendo ecoar, e então de repente minhas pernas pararam assim que passei pela porta, e meus olhos viram o quarto na direção oposta, encarei novamente o nosso quarto.

“Estava deitada em seus braços, sentia-me tão fraca, enjoada, dores percorriam meu corpo, minha cabeça latejava, mas algo tão bom irradiava do meu coração que faziam todos os sintomas se tornarem suportáveis.

― Está sorrindo ― observou em um murmúrio e toquei seu rosto, só então reparando nas manchas roxas nas costas de minha mão.

― Sim, estou sorrindo ― falei baixo, acomodando-me em seu peito, apoiando minha cabeça em seu ombro e ele puxou o edredom até a altura de meus braços.

― Eu não posso te perder ― sussurrou de repente e respirei contra sua pele, desejando nunca sair de seus braços.

― Não vai ― meu sorriso se desmanchara e sequei rapidamente as lágrimas que caíram dos meus olhos... Lágrimas de medo.

Medo de não poder cumprir minha promessa, desespero de saber que não aguentaria por muito mais tempo.

― Eu te amo ― falei e sabia que ele sorria, mesmo sem olhá-lo, sabia que aquele lindo sorriso tomava conta de seus lábios.

― Tente descansar, dormir um pouco... Não vou sair daqui.

Ouvindo isso, fechei os olhos e antes de cair no sono senti ele depositar um suave beijo em minha mão.”

Arfei sentindo um mal estar e deparei-me com a expressão preocupada de Emmett.

― Está tudo bem?

― Sim. Vamos logo.

A cada degrau que descia da escada me faziam lembrar de algo, faziam meu coração bater forte contra meu peito, minhas mãos suavam, e eu sabia que tudo aquilo era ansiedade. Já tomara minha decisão.

― Emmett? ― chamei-o antes de descer o ultimo degrau e ele me encarou com atenção ― Eu preciso de uma passagem para Londres ― falei de uma vez, fazendo-o sorrir.

― Ok, amanhã compro duas passagem para o final de semana, o que acha? ― perguntou, fazendo sinal com a cabeça para que o seguisse até a porta, mas permaneci ali.

― Não, Emmett, você não me entendeu ― informei e o rapaz se virou, confuso. ― Preciso de uma passagem para Londres hoje, agora.

― Hoje?! ― indagou surpreso ― Isabella, isso não será...

― Esse é meu momento de coragem Emmett ― tentei sorrir, sem êxito ― se não for agora...

― Ok, entendi ― disse pensativo, pegando o celular no bolso e pareceu fazer uma rápida pesquisa. ― Há um voo para amanhã a noite... Com uma conexão... ― falou baixo e suspirei.

Emmett me encarou, sem realmente me ver, seus pensamentos pareciam estar bem longe.

Então finalmente voltou a si e levantou um dedo, como se me pedisse um minuto, em seguida ligando rapidamente um numero e esperou pacientemente a ligação ser atendida.

― Olá Trisha, como vai? ― sentei-me no degrau, vendo Emmett andar de um lado para o outro enquanto conversava ao celular ― Sim, tem algum tempo, adoraria encontra-la. Trisha, eu precisava muito de um favor ― ele ouviu o que ela dizia e sorriu. ― Preciso de duas passagens em um voo direto para Londres..., ainda hoje ― Emmett parou de andar, esperando em silêncio, e respirei fundo ao perceber que estava prendendo a respiração ansiosa. ― Será que não consegue isso para mim, é algo realmente urgente ― ele ouviu e então assentiu. ― Ótimo, fico esperando sua ligação, obrigado.

― E então? ― perguntei assim que o vi desligar o celular.

― Há dois voos diretos hoje a noite mais estão lotados, porém ela vai tentar remanejar alguns passageiros para o voo de sábado e disse que irá me ligar assim que conseguir alguma coisa.

― E agora?

― Agora temos que esperar e enquanto isso, vou te levar até um café, precisa comer alguma coisa, está um pouco pálida ― avisou e não pude discordar.

.

O relógio na parede ao meu lado marcava três e meia da tarde quando empurrei o prato com a outra metade do lanche natural que tinha pedido, então Emmett voltou a empurrá-lo em minha direção.

― Por favor, não pode estar cheia só com metade disso... só tem planta aí ― falou indignado e acabei rindo. ― Precisa cuidar da sua saúde ― dessa vez sua voz soou mais séria e assenti, sabendo que ele tinha razão. ― Aqui, vitamina C, muito importante ― avisou, deslizando em minha direção o copo com suco de laranja, que eu tinha pedido, mas ainda estava completamente cheio.

Era como se minha cabeça fosse explodir e a última coisa que sentia era fome, meu coração estava longe de se acalmar e minhas mãos não paravam de suar. Talvez fosse medo, talvez todas aquelas incertezas ainda gritando em minha mente ou simplesmente ansiedade. Então, quando terminei meu lanche, o celular de Emmett tocou e respirei fundo, ouvindo-o conversar com a tal Trisha e minhas mãos estremeceram quando encarei a expressão no rosto do rapaz sentado a minha frente.

― Então? ― indaguei assim que ele desligou a ligação e colocou o aparelho sobre a mesa.

― Ela conseguiu apenas uma passagem ― falou e sorri, sentindo-me leve.

― Isso é ótimo.

― Isso não tem nada de ótimo! Está louca se acha que vou deixa-la viajar para Londres sozinha ― informou como se aquilo fosse obvio.

― Emmett...

― Não, nem começa... Não vai me convencer a isso.

Houve um momento de silencio ali e senti meu coração se apertar em meu peito, minha mente ainda cheia com a lembranças, com tudo que ouvi enquanto estava em coma... Respirei fundo e toquei a mão de Emmett, que estava sobre a mesa, recebendo seu olhar terno.

― Isabella, eu não posso...

― Só me ouça ― pedi e ele esperou, pacientemente: ― Ultimamente tenho tido sonhos, pesadelos, recordações, lembro de momentos em forma de alucinações... eu ouço a voz dele ― falei baixo, sentindo meus olhos cheios d’água. ― Você me disse que o viu enlouquecer e agora eu estou enlouquecendo, Emmett. Sei que não pôde fazer nada para ajudar ele, mas pode fazer por mim... por favor.

Pela segunda vez hoje vi o rapaz musculoso se conter para não cair em lagrimas. Ele olhou ao redor e balançou a cabeça.

― Por favor meu Deus, não permita que eu me arrependa disso ― murmurou para si mesmo, então me olhou nos olhos.

― Não vai se arrepender ― sorri, apertando sua mão na minha antes de soltá-la.

― Termine de beber o suco ― avisou antes de ligar novamente para a Trisha.

Saímos do café e dei alguns passos pela calçada antes de parar, Emmett me olhando curioso.

― O que houve?

― Meu passaporte.

― O que tem?

― Está com Carlisle ― informei. ― Ele não pode saber, ninguém pode saber dessa viagem, senão vou precisar explicar... Vou ter que contar a todos...

― Tudo bem, eu sei e até concordo que esse não é o momento, todos vão ficar em cima de você, entendo isso. Fique calma ― pediu e voltamos a caminhar até o carro. ― Vou te deixar em casa, então irei até o escritório de Carlisle e inventarei alguma desculpa para pegar seu passaporte, não se preocupe ― explicou abrindo a porta para mim.

― E Alice? ― perguntei.

― Vou tentar ir te buscar antes que ela chegue ― disse pensativo. ― Caso não consiga, a gente pensa em alguma coisa.

― Ok ― concordei e iria entrar no carro, mas parei, voltando a olhá-lo: ― Obrigada, Emmett.

― Não tem que me agradecer ― falou e fechou a minha porta logo depois de eu me sentar.

...

Cheguei em casa e corri para meu quarto, pegando uma mala e comecei a tirar do guarda-roupas algumas blusas, shorts, duas calças, uns quatro vestidos, peguei três sapatilhas e lingeries. Olhei em volta e vi meu secador de cabelo colocando-o na mala também, busquei minha escova de dente, colocando-a em um ziplock junto com minha pasta, e peguei duas toalhas.

― O que mais? ― perguntei a mim mesma parada no meio do quarto. ― Um casaco!

Organizei tudo e quando finalmente fechei o zíper da mala me perguntei quanto tempo pretendia ficar, para estar levando tanta coisa. A princípio pensava em fazer uma viagem em que ficaria uma noite, no máximo duas, apenas o bastante para falar... para contar o que precisava contar. Era só isso, falar e esperar a reação dele, saber se vou poder contar com Edward ao meu lado... talvez como um... amigo.

― Ele está fascinado com a paternidade ― relembrei as palavras de Alice e sentei-me na cama, de repente me sentindo cansada, vendo a imagem da mulher loira presa em minha memória.

Estava fazendo a coisa certa? Ir atrás dele?

E se ele me virasse as costas? E se falasse que não queria me ouvir? O que eu faria?

Emmett me disse para não duvidar do amor de Edward.

Olhei para a flor branca de cetim sobre meu criado-mudo e voltei a repetir para mim mesma: Edward deixou claro que me esperaria...

Peguei a mala e empurrei-a para debaixo da cama, deitando-me e abraçando um dos travesseiros, de repente sentindo uma breve sensação de medo ao fechar os olhos, sentindo-me cansada, permitindo-me adormecer.

“Havia uma porta e eu a abri, entrando no amplo escritório de paredes escuras e móveis de mogno reluzentes. Ele estava ali, parado em frente a grande vidraça, parecendo concentrado em algo que acontecia lá fora.

― Edward ― chamei-o, mas não me olhou, no entanto eu sabia que ele tinha me ouvido, que tinha total consciência da minha presença ali. ― Preciso te contar algo, mas não sei como dizer isso.

― Então não diga ― ouvi sua voz firme e finalmente ele se virou, seus olhos frios me encarando. ― Não me importo ― suas palavras me feriram.

― Mas...

― Desculpe, não posso mais dedicar meu tempo a sua bipolaridade ― informou, tornando a olhar através do vidro, voltando a ficar de costas para mim.

― Houve um dia em que você abriu mão da sua vida pela minha, como pode não se importar agora?

― Eu tive pena de você ― não pude evitar de dar alguns passos para atrás após ser atingida com o peso da sua voz. ― Apenas isso Isabella.

― Você disse que me esperaria... Eu preciso de você.

― Eu não quero te magoar, a última coisa que quero é te maltratar, então entenda que isso que vou te pedir agora é para o nosso próprio bem.

― Como assim? ― perguntei.

― Eu peço que saia ― suas palavras me assustaram, fazendo algo se desfazer em meu peito. ― Eu nunca deveria ter voltado, não devia ter me aproximado do modo como me aproximei...

― Edward?

― Vá embora.

― Não, não posso...

― Vá embora! ― sua voz ecoou.”

Foi como se eu estivesse emergindo de um longo mergulho e então abri os olhos, ouvindo Alice bater na porta do quarto, chamando-me.

― Oi ― falei, ainda um pouco atordoada, secando as lágrimas em meus olhos.

― Está tudo bem? A porta está trancada.

― Sim, estava dormindo, já estou indo.

― Ok ― sua voz era desconfiada, mas ouvi seus passos se distanciando.

Alice já estava em casa! Olhei o relógio e já eram quase seis da tarde, onde estaria Emmett? Talvez tudo fosse um sinal... Ele se atrasar, Alice chegar mais cedo, passagens esgotadas, o pesadelo do qual acabei de acordar... E se Edward realmente me tratasse daquele jeito, e se ele não ligasse...?

Decidi tomar um banho, esforçando-me para esvaziar minha mente, estava muito confusa e precisava respirar, acalmar-me.

Encontrei com Alice na cozinha, onde ela começava a preparar o jantar e enquanto isso me contou como andava as coisas em sua loja e no ateliê. Não demorou muito e Emmett chegou, porém a garota de cabelos pretos e espetados parecia ter muitas coisas para contar sobre seu dia e os preparativos para o desfile.

― Vou arrumar a mesa ― falei, quando Alice finalmente deu uma brecha e sorri, indo até a sala de jantar.

― Eu te ajudo ― o rapaz musculoso falou rapidamente e pegou os pratos, seguindo-me.

― Ah, Isabella você falou com David ontem? ― ouvi a voz da garota que cuidava das panelas.

― Não, e nem hoje ― respondi em um tom um pouco alto para que me ouvisse do outro cômodo. ― Você demorou ― me dirigi à Emmett em um sussurro, enquanto colocava os talheres na mesa.

― Não foi nada fácil inventar uma desculpa para pegar seu passaporte ― Emmett respondeu.

― David tem andado estranho, não acha? ― Alice falou da cozinha.

― É só impressão sua ― falei alto e voltei a sussurrar. ― E Carlisle?

― Ele não é burro, mas pelo menos fingiu acreditar ― explicou em voz baixa e voltou a falar depois que permaneci em silêncio. ― Parece que seu momento de coragem está chegando ao fim.

― Está tão obvio?

― Tudo bem se não quiser mais ir.

― Esse é o problema, eu quero.

― Então não deixe o medo e as inseguranças te impedirem ― falou e sorri.

― O que é que estão murmurando ai? ― Alice podia nos ver da cozinha e sua expressão era de curiosidade.

― Estou dizendo que precisam trocar as cortinas do apartamento ― Emmett pensou rapidamente e ouvimos a garota rir na cozinha.

― Disse isso para Isabella esses dias atrás..

― A questão mais importante aqui é: como vai sair com uma mala sem ninguém fazer perguntas? ― indagou.

Mas a resposta veio durante o jantar, enquanto eu apenas empurrava as ervilhas de um lado para o outro do prato Emmett anunciou sua ideia.

― Já arrumou suas coisas, temos que sair daqui a pouco ― encarei-o, inicialmente, sem entender.

― Vão aonde? ― Alice logo quis saber.

― Tenho uma videoconferência com um cliente que está em Hong Kong e Isabella vai me acompanhar, provavelmente acabará tarde, e então ela vai passar a noite no meu apartamento, o que facilita e impedi de nos atrasarmos para uma reunião amanhã de manhã, as sete horas.

― Ah... ― havia compreensão no rosto de Alice e olhei para Emmett que sorria.

Deixei a mesa, algum tempo depois, deixando também meu prato praticamente intacto, e segui até o quarto, encostando-me na porta assim que a fechei, sentindo meu coração disparado. Puxei minha mala e encarei-a por alguns segundos... Não poderia sair dali com tudo aquilo, Alice acreditava que eu passaria apenas uma noite na casa de Emmett. Rapidamente procurei por minha mochila e joguei-a na cama, não era grande o suficiente para levantar suspeitas e caberia algumas peças de roupas. Peguei o essencial, deixando aquilo que ocuparia muito espaço como: calças jeans, shorts e sapatos. Teria as sapatilhas que estava usando e elas já bastavam, peguei três vestidos e um cardigan, peguei o ziplock com minha escova de dentes e deixei o secador de cabelo para trás, fechei a mochila e respirei fundo.

...

Eram quase dez e meia quando chegamos ao aeroporto e Emmett parecia mais nervoso do que eu. Logo estaria em Londres e eu o veria, olharia em seus olhos verdes como esmeraldas e talvez ele me mandasse embora...

― Isabella? ― chamou e tive a impressão de que aquela já era a segunda ou terceira vez que tentava ter minha atenção.

― Desculpe ― falei baixo, olhando-o.

― Aqui ― Emmett me passou várias notas de dinheiro. ― Aí tem trezentas libra, foi o que consegui trocar assim de ultima hora. Está com seu cartão, certo?

― Sim, estou, obrigada, é o suficiente.

― Quero que me prometa que vai me ligar assim que o avião pousar e em seguida irá comprar algo para comer, um doce, um chocolate, qualquer coisa... ― pediu. ― Ai meu Deus... e se tiver uma crise de hipoglicemia, e se você desmaiar?

― Emmett, isso não vai acontecer, eu estou bem.

― Você vai me ligar?

― Sim, eu vou ligar assim que pisar em Londres, prometo!

― Ok, está com o endereço?

― Sim, estou ― afirmei, conferindo se o pequeno papel ainda estava no meu bolso. ― Obrigada ― falei e abracei-o.

~*~

“Já passava da meia noite e ambos ainda acordados, sua mão entrelaçada a minha e mantinha minha cabeça apoiada em meu peito, ouvindo seu coração acelerado, assim como o meu. Suspirei aconchegando-me mais a seu corpo completamente nu e senti sua mão acariciar minhas costas, então reparei na sua mão, que segurava a minha, o anel quadrado com o M gravado e sem muita dificuldade tirei-o de seu dedo, sentindo o peso que aquilo tinha.

― Nossa é pesado ― falei baixo.

― Tem que ser, assim nunca me esqueço da responsabilidade que carrego ― falou e notei algo estranho em sua voz.

― Sabe, acho que se preocupa com muita coisa, tem apenas dezoito anos, ainda não está pronto para tudo isso ― afastei-me um pouco, olhando em seus olhos e senti seus dedos deslizarem por minhas costas. ― E ainda tem que lidar com todo esse drama que é conviver comigo... ― murmurei.

― Ei, eu escolhi tudo isso, escolhi viver com você, escolhi aceitar o peso de anel. — afirmou e senti-o acariciar minha bochecha, puxando-me para um beijo lento e delicado.” (Capítulo 44 – Nossa Casa)

Minha pele se arrepiou levemente e respirei fundo, olhando ao redor, vendo a grande parte dos passageiros dormindo, o voo estava silencioso, o que contribuía para que eu mergulhasse em minhas lembranças.

Lembrar de Edward era algo tão intimo, fazia algo dentro de mim borbulhar, mas ao mesmo tempo era como se estivesse pensando em alguma coisa inalcançável, mesmo estando indo na direção dele, sentia-me tão distante... tão sozinha. E novamente a cena do elevador se fechando passou por minha mente, e pela milésima vez vi Edward ir embora, deixando-me para trás.

~*~

Assim que sai do avião fui atingida pelo ar frio de Londres, os termômetros marcavam quinze graus celsius, e pelo que entendi meu voo foi um dos últimos a pousar, o aeroporto estava cancelando todas as decolagens e pousos, todos falavam da tempestade que se aproximava. Fui até o banheiro e procurei por meu cardigan na mochila, porém não era o suficiente, compraria um casaco antes de conseguir um taxi, no entanto quando me aproximei da porta e encarei o céu do lado oposto ao que estava simplesmente me desesperei, havia nuvens carregadas e acinzentadas cobrindo a cidade lentamente. Eram uma da tarde e a impressão que tive era que o sol já estava se pondo. O medo me dominou... Sai rapidamente a procura de um taxi e entreguei o endereço ao motorista, deixando a compra de um casaco e a ligação, que tinha prometido a Emmett, para depois.

― Medo de tempestade? ― o motorista, com uma expressão amigável, perguntou a certa altura do caminho e assenti ― Não se preocupe, por agora talvez caia apenas uma chuva fraca, a tempestade provavelmente só chegara a noite.

― Espero que esteja certo ― tentei retribuir seu sorriso antes de voltar a olhar as construções, admirando as varias casas de tijolos vermelhos.

Até que paramos e senti meu coração perder uma batida, olhei o sobrado de janelas brancas e repeti a mim mesma: Consegui, eu tinha chego até ali, e agora era só caminhar até a porta. Paguei o motorista e peguei minha mochila, saindo e vendo o carro partir, antes de me virar para a casa e abraçar meu corpo, a temperatura estava caindo, então segui o caminho de pedras até a grande porta branca.

“Edward abriu a porta da casa e entrei, parando no meio da sala, tirando seu paletó de meus ombros e virei-me encarando sua postura tensa, vendo-o fechar a porta e encostar-se nela, enquanto seus olhos fitavam o chão.

― Meu voo sai... daqui a pouco ― informou com um sorriso estranho nos lábios. ― Assim que amanhecer, então acho melhor nos despedirmos, pois provavelmente você estará dormindo quando eu sair.

Reparei seus olhos encarando minha boca e percebi que eu mordia meu lábio inferior, então respirei fundo e aproximei-me entregando seu paletó, mas não o soltei quando Edward segurou o tecido escuro. Apenas olhei seus dedos que tocaram os meus e sem que pudesse me conter segurei sua camisa, escondendo o rosto em seu ombro, sentindo minha pele se arrepiar quando seus braços me envolveram, puxando-me para mais perto. Seu abraço era bem mais que reconfortante, era acolhedor... como se fosse minha casa e finalmente senti como se tudo fizesse sentido. Eu estava no lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa.” (Capítulo 62 – Ele é a pessoa certa)

Toc, toc, toc ― bati na porta, minha respiração descontrolada, meu coração acelerado, minhas mãos suavam... Mas me mantive firme ali, esperando. Apertei a alça de minha mochila sobre meu ombro e percebi que mordia minha boca, então tentei me acalmar e bati mais uma vez, esperei... e nada.

Tentei olhar pela janela, pela pequena fresta da cortina e vi uma decoração aconchegante no interior da casa...

― Eles não estão ― ouvi uma voz e virei-me assustada, vendo a mulher de cabelos escuros que sorria para mim por cima da cerca que separava a casa vizinha. ― É amiga de Tanya?

Por um segundo uma sensação estranha me dominou e meus dedos da mão direita se fecharam, minhas unhas machucando a palma da minha mão. Uma sensação que me fez mentir...

― Sim, eu... sou parente do... ― era difícil falar.

― Sr. Masen?

― Isso ― respirei fundo e continuei: ― Sou... prima do Edward.

― Ah, suponho que veio conhecer o novo integrante da família ― ela sorriu e senti todo o ar sair de meus pulmões, esforçando-me ao máximo para retribuir o sorriso e respirando fundo.

― Sim, estou ansiosa para conhecer ― falei, piscando os olhos algumas vezes, sentindo as lágrimas se formando. ― Sabe se vão demorar?

― Bom, eles mal estão parando em casa, não com essa situação...

― Sim, claro ― assenti, como se entendesse o que ela estava dizendo, mas não tinha a menor ideia ao que ela se referia. ― Acabei de vir do aeroporto, tentei ligar para avisar que cheguei, mas não atende ― menti.

― O jeito é ir até eles ― avisou, informando o nome do hospital.

― É minha primeira vez em Londres... Esse hospital fica para que lado? ― perguntei, fazendo-a rir.

― Vem, eu te dou uma carona ― então reparei que a porta de seu carro estava aberta, ela estava prestes a sair.

― Eu não quero incomodar.

― Não será incomodo, estou indo na mesma direção, e assim você chega lá antes de começar a chover... Está vindo uma tempestade e tanto.

Hesitei, mas estava com frio e não sabia onde conseguir um taxi ali, então acabei indo até o carro, sentando-me ao banco do passageiro e colocando o cinco.

― A propósito meu nome é Margot ― apresentou-se e ligou o carro.

― Isabella ― sorri

― Pelo jeito o clima pegou você despreparada ― notou, enquanto começava a dirigir pela cidade.

― É, não imaginei que estava frio, só trouxe isso ― falei pegando no tecido fino de tricot que vestia. ― Preciso comprar um casaco.

Margot parou no sinal e então pegou um pequeno xale de cashmere rosé no banco traseiro.

― Aqui, você está pálida de frio.

Na verdade, minha palidez não se devia ao frio, mas não pude recusar o xale e peguei-o, colocando sobre os ombros.

― Obrigada.

― Também veio de Nova Iorque? ― perguntou e assenti.

― Eu moro lá, já há alguns anos.

― Morei lá por dois anos, mas tive que voltar, não conseguia me acostumar ― ela continuou a falar, mas deixei de prestar a atenção quando olhei para o céu, as nuvens pareciam mais carregadas.

Não demorou muito e vi o hospital ao longe, quando o carro parou em outro semáforo.

― É ali?

― Sim, descendo essa rua ― Margot respondeu.

― Então eu fico aqui.

― Eu te deixo lá na frente.

― Não precisa sair do seu caminho para me deixar lá ― avisei. ― Muito obrigada ― agradeci e estava prestes a tirar o xale quando ela acenou.

― Pode ficar, senão vai congelar lá fora.

― Tem certeza?

― Tenho, pode ficar.

― Obrigada, muito obrigada mesmo.

― De nada ― sorriu e sai do carro antes do sinal abrir, acenando quando ela partiu.

Enrolei o xale em volta dos meus ombros e vi a temperatura cair mais um grau em um painel ali perto, então desci a rua, caminhando em direção ao grande prédio do hospital, perguntando a mim mesma o que estava fazendo.

Edward estava vivendo com ela, e agora ambos estavam no hospital, com o filho... O filho deles? O que eu estava fazendo ali? Eu já não sabia mais, porém tinha alguma coisa, alguma força em meu peito que me mantinha caminhando, que me fazia continuar.

Porém quando virei a esquina tropecei em meus pés, apoiando-me rapidamente a parede, ao vê-lo a alguns metros de mim, em pé ao lado dos bancos do lado de fora do hospital. Edward estava ao alcance dos meus olhos e sua imagem estava embaçada, talvez pelas pessoas que passavam na minha frente ou talvez pelas lágrimas que não consegui conter. Vi ele, caminhar de um lado ao outro, usando um sobretudo bege, óculos escuros mesmo o sol estando praticamente coberto pelas nuvens densas e notei a fumaça que saia do cigarro em seus dedos, o qual vi Edward apagar e jogar no lixo antes de se dirigir as portas de vidro do hospital.

Respirei fundo, e quando percebi já atravessava a rua, caminhando em direção à entrada, indo atrás dele. Apesar do medo, da minha insegurança, algo me mantinha firme, lembrava-me do bilhete e tinha esperança...

“Vou te amar, até que a última rosa murche...”

As portas de vidro se abriram e entrei na grande sala de espera, havia muitas pessoas ali, enfermeiras caminhando para todos os lados e então eu paralisei vendo através de um grupo de pessoas. Foi como um soco em meu estômago...

Perguntei-me tantas vezes como seria. Como cumprimentaria a nova esposa de Edward? Como poderia continuar parte da família e sentar-me à mesa do jantar vendo os dois juntos, vendo Edward a tratar com o carinho que ele um dia me tratou...?

E agora, parada ali, soube como seria ver isso... Pois vi, a mulher loira presa em seu abraço protetor e assisti quando ela se afastou, olhando-o nos olhos e Edward afastou as mechas douradas de cabelo do rosto perfeito da mulher que parecia admirá-lo.

O golpe em minha barriga parecia ter empurrado meu coração em direção à garganta. Eu estava sufocando.

Virei-me tão rápido que esbarrei em uma mulher de meia idade, batendo no carrinho que ela empurrava. Ouvi o som de alumínio batendo e acho que todos ali ouviram.

― Sinto muito ― falei praticamente sem voz.

― Não foi nada. Você está bem? ― sua expressão foi de surpresa a preocupação assim que me encarou.

Meus olhos queimavam contendo as lágrimas e eu apenas assenti, indo a passos rápidos até a saída, correndo logo após passar pelas portas de vidro e parando abruptamente no meio da calçada, vendo Londres girar ao meu redor. Todos que passavam por mim estavam apressados, os carros eram apenas borrões a minha frente, os prédios mal paravam no lugar. Sentia cada batida do meu coração martelar dentro de minha cabeça e o ar... simplesmente não entrava em meus pulmões. Foi quando senti as primeiras gotas da chuva, caindo lentamente, queimando minha pele de tão geladas que estavam, deixando-me ainda mais atordoada. Mas tudo isso de repente parou, meu coração parou, assim que ouvi sua voz:

― Isabella? ― o som era grave e tinha um leve tom de incredulidade.

Eu ouvi o ar entrar em mim e sair por minha boca, então forcei minhas pernas a permanecerem firmes, voltando a caminhar seguindo a calçada, sem olhar para trás.

Direita, esquerda, direita, esquerda... Forçava meus pés a continuarem. Puxava o ar rapidamente, enquanto meus dedos castigavam a alça da mochila em meu ombro e as gotas da chuva ficavam mais pesadas.

― Isabella ― ouvi sua voz mais perto e acelerei o passo.

Estava quase correndo e pedindo, em meus pensamentos, desesperadamente para que algo ou alguém me tirasse dali. Foi quando sua mão segurou meu braço, virando-me para olhá-lo, e ver meu reflexo em seus óculos escuros.

― Isabella ― murmurou, como se não acreditasse que eu estava ali. ― O que faz aqui? ― indagou, e não respondi a sua voz dura. ― Está sozinha? ― perguntou, depois de alguns segundos e apenas assenti, sem conseguir falar.

Edward parecia perdido em sua mente, distante dali, quando simplesmente se aproximou mais e sua mão deslizou até minhas costas, então guiou-me para algum lugar e eu apenas caminhei, indo na direção que ele me conduzia e só percebi isso quando vi a porta do carro aberta para mim.

― Não vou entrar no seu carro ― minha voz soou bem mais firme do que imaginei que seria.

― O que? ― ele estava confuso.

― Não vou a lugar nenhum com você ― informei e desvencilhei-me de seu braço, virando-me para caminhar de volta à calçada.

― E aonde pretende ir então? ― havia algo diferente em sua voz... seria irritação?

― Vou para o aeroporto, pegar o primeiro avião de volta ― anunciei sem olhá-lo, continuando a caminhar, limpando as gotas da chuva gelada em meu rosto.

― Isabella, tem uma tempestade chegando, todos os voos foram cancelados ― falou alto e parei, já a alguns passos longe dele.

― Então ficarei esperando até ter um voo para Nova Ioque ― informei, voltando a caminhar e abraçando meu próprio corpo, sentindo meus ossos doerem com o frio, enquanto me perguntava o porquê daquela dor, que começava a irradiar do meu peito.

Perguntava-me tantas coisas, questionava-me.... Por que eu estava ali? Por que decidi fazer aquela loucura?

Eu sabia muito bem o porquê... e saber aquilo parecia me enlouquecer agora.

E de repente...

Tudo foi tão rápido, mas ao mesmo tempo foi como se tivesse acontecido em câmera lenta.

Sua mão forte voltou a envolver meu braço, mas dessa vez me puxou com força, tanta que bati contra seu corpo, nossos rostos ficando a centímetros um do outro... Senti sua respiração quente e ao erguer o olhar, dessa vez, me deparei com aquele par de esmeraldas me encarando confusas. Então por reflexo eu o empurrei, mas Edward não se afastou.

― Solte-me ― minha voz não era alta, mas tinha força.

― Você nem sabe para onde está indo, não faz nem ideia de como chegar ao aeroporto ― a irritação em sua voz era clara e seus olhos aos poucos escureceram ali diante de mim.

― Encontrarei um taxi ― falei e puxei meu braço. ― Edward, me solta ― pronunciar seu nome foi tão doloroso, mas sei que doeu mais nele ao ouvir.

Dei alguns passos para trás livre do aperto de seus dedos, mas ainda presa em seus olhos, que se atenuaram, encarando-me receosos.

― Isabella, tem uma tempestade chegando, não é hora para ser teimosa ― sua voz era mais suave e houve alguns segundos de silêncio, apenas o som das gotas de chuva caindo sobre nós, antes dele se aproximar e tocar meu antebraço. ― Você está congelando, ― constatou em forma de súplica e só então percebi que estava tremendo, com meu cardigan já úmido sob o xale ― por favor, entra no carro.

Edward abriu novamente a porta e pensei que eu não tinha outra saída. Não conhecia Londres, não saberia como chegar ao aeroporto, nem mesmo onde passar a noite... Então, pensei também se tudo aquilo era apenas medo de andar por um lugar desconhecido, com uma tempestade chegando, ou se era apenas desculpas para a minha louca decisão de entrar no carro e ir para onde quer que ele me levasse.

Apoiei minha mochila ao lado dos meus pés e puxei o cinto de segurança, enquanto Edward contornava o carro para se sentar no lugar do motorista ao meu lado.

― Aqui ― falou assim que fechou a porta e notei que ele vestia apenas um suéter marrom escuro, estava me passando o sobretudo que usava e não pude recusar.

O casaco estava levemente úmido por fora, mas dentro ainda seco e quente, então tirei o xale molhado e meu cardigan, colocando o sobretudo bege sobre o corpo, cobrindo meus braços, só agora percebendo que as pontas dos meus dedos formigavam com o frio. A temperatura havia caído mais e agora o painel pelo qual passamos na rua marcava dez graus celsius.

Edward estava totalmente concentrado no caminho pelo qual dirigia e eu estava concentrada no jeito como ele segurava o volante tão despreocupadamente e firme ao mesmo tempo. Tentei desviar meu olhar de seus dedos, prendendo minha atenção nos limpadores de para-brisa indo de um lado ao outro e estava prestes a começar a contar mentalmente quantas vezes eles subiam e desciam quando sua voz soou muito grave, fazendo-me cair na realidade da situação com um sobresalto.

― Como chegou até o hospital? ― sua pergunta foi curta e direta.

― Eu.... Eu f-fui até sua casa ― hesitei ao responder e gaguejei, então fechei os olhos, sentindo-me tão fraca, e respirei fundo, voltando a olhá-lo e sendo mais firme ao falar: ― Sua vizinha disse que você estava no hospital... com a Tanya ― minha respiração se desestabilizou ― Então ela me ofereceu uma carona e eu aceitei ― expliquei e ele não mostrou reação nenhuma, nem voltou a falar e o silêncio reinou entre nós.

Aos poucos percebi o lugar diferente, não estávamos indo para aquela casa que eu tinha o endereço. Ele virou em uma rua diferente, com prédios antigos, de três ou quatro andares, com portas de ferro nas laterais. Então, entrou na garagem de um deles, estacionando o carro e saindo sob os chuviscos de chuva quase invisíveis a minha visão, vindo abrir a porta para mim.

Sai colocando seu casaco sobre os ombros e peguei minha mochila, seguindo-o para dentro do prédio e subindo a escada até o terceiro e último andar, parando na grande porta escura, vendo-o abri-la e segura-la, dando passagem para mim.

Confesso que hesitei, mas entrei no apartamento, ou melhor, no loft de Edward e logo ao entrar me deparei com um ambiente enorme, porém sem móveis, exceto por um pequeno sofá na frente de uma das cinco grandes janelas na longa parede a minha esquerda. Ouvi a porta se fechar e dei mais alguns passos para frente, reparando no chão apenas de concreto e na vista através de uma das vidraças, era possível ver praticamente o bairro inteiro dali.

― Você precisa de um banho quente ― Edward falou e senti sua mão em minhas costas, novamente me guiando ― Por aqui.

Enquanto era levada por ele em direção a escada, rente a parede do fundo, passamos por um amontoado de caixas de papelão, ainda lacradas, escondidas atrás do braço do sofá, e por um escritório improvisado no canto oposto a escada.

Subi os degraus de ferro, com Edward logo atrás e não pude deixar de notar os canos também de ferro que subiam pelas paredes, sem tintura, indo até o teto mais alto do que o normal, os quais, imagino, levavam os cabos e fios de energia.

Chegamos ao mezanino e vi a enorme cama arrumada, mas não tinha armário ali, apenas duas araras de roupas, com camisas e ternos pendurados e dois grandes baús, ao lado de alguns sapatos enfileirados.

Dali de cima pude ver o andar de baixo, vendo a cozinha ao lado da porta e olhando novamente o vazio do resto do loft. Aquele lugar estava muito longe de todo o luxo que rondava o sobrenome Masen.

― Aqui ― sua voz puxou minha atenção ― Toalhas limpas... Imagino que não tenha roupas de frio, então pode usar esse moletom... ― ele abriu outro baú pegando uma blusa de moletom cinza escuro e colocou na beirada da cama, junto as toalhas ― Você sempre gostou desse mo...

― Eu me lembro ― falei, interrompendo-o e houve alguns segundos de silêncio.

― O banheiro... ― apontou para além de mim e vi a porta ao olhar por sobre meu ombro ― Qualquer coisa é só chamar.

Edward passou por mim e desceu as escadas, deixando-me ali sozinha e respirei fundo, pegando as toalhas, o moletom, minha mochila e passei pela porta ao meu lado. Assim como o resto da casa o banheiro era bem grande, mas simples, sem luxo, nada além do necessário.

Fechei a porta e finalmente me olhei no espelho, pensando que veria minhas bochechas avermelhadas, porém eu estava branca, minha pele parecia ressecada e meus lábios tinham um leve tom de lilás. Só percebi o quanto estava com frio quando entrei sob o chuveiro e senti como se a água morna estivesse queimando minha pele, e ao olhar para minhas mãos vi as pontas dos meus dedos e minhas unhas arroxeadas começarem a ganhar uma cor mais rosada.

Sequei meu cabelo curto e procurei na mochila por algo que pudesse vestir, mas não tinha muitas opções. Peguei um dos vestidos que tinha trazido e vesti o moletom cinza sobre ele, olhando-me no espelho logo em seguida, vendo a barra do vestido que ficava quatro dedos acima de meu joelho e o moletom alguns centímetros acima. Toquei no tecido de algodão da blusa escura e olhei meu reflexo... Sim, eu sempre gostei de usá-lo.

“Olhei-me no espelho, antes de procurar por algo quente e confortável, mas não achei nada em meu armário, então procurei entre as roupas de Edward e sorri ao achar um moletom, vestindo-o. Ficava enorme em mim e usei como um vestido de inverno, peguei um par de meias e meu lenço, amarrando-o em minha cabeça, antes de sair do closet, encontrando Edward caminhando pelo quarto falando ao celular, sua camisa desabotoada, mostrando parte de seu tórax.

― Sei..., entendo ― seus olhos verdes pousaram sobre mim e sua expressão carregada de irritação se suavizou ― Resolvemos isso na segunda ― falou de repente e sentei-me na cama, erguendo um dos travesseiros e encostando-me, abraçando meus joelhos. ― Ok, segunda eu vejo isso, até mais ― vi ele desligar o aparelho e deixar sobre a mesa ali perto, antes de se aproximar.

― Muitos problemas? ― perguntei, quando ele se sentou ao meu lado, sua mão acariciando minhas pernas.

― Não ― respondeu pensativo, e continuou: ― O maior problema é que se continuar assim vou acabar sem roupas ― acabei rindo, gargalhando, sentindo minhas bochechas queimarem.

― Desculpa ― murmurei, ficando mais vermelha ao notar como seus olhos me admiravam, vendo aquele sorriso torto em seus lábios.

― Não se desculpe, o que posso fazer se elas ficam melhor em você do que em mim.

― Isso é verdade ― concordei.

― Ah, isso é verdade? ― indagou, fingindo-se de ofendido, suas mãos subindo, uma de cada lado do meu quadril e antes que pudesse impedir chegaram a minha barriga, fazendo cócegas.

― Não ― falei entre risos ― Edward!!

Cai sobre o colchão, tentando fugir de seus dedos, e logo seu corpo cobriu o meu e sua boca tomou a minha, seus lábios tocando os meus com delicadeza e suas mãos, dentro da blusa de moletom, acariciando minha cintura. Sorri, olhando em seus olhos quando ele se afastou alguns centímetros e toquei seu rosto, deixando que meus dedos deslizassem por seu queixo.

― Eu quero você ― sussurrei, e aquele par de esmeraldas me analisaram com cuidado. ― Eu estou bem.

― Certeza? ― perguntou e assenti, sentindo sua boca na minha novamente.

Eu não estava usando sutiã, então seus dedos tocaram meus seios assim que suas mãos subiram mais um pouco por minha barriga, fazendo-me gemer baixinho contra seus lábios e Edward se afastou tirando sua camisa já desabotoada, em seguida erguendo a barra do meu moletom e permiti que ele tirasse, deixando-me apenas de calcinha. Porém quando a blusa passou por minha cabeça, acabou levando junto meu lenço colorido, que cobria o lugar onde um dia ficava meu cabelo castanho.

Rapidamente levei minhas mãos até a cabeça, procurando o lenço e cobrindo o rosto quando percebi que Edward via minha confusão.

― Hey ― falou baixo, tocando meus dedos, afastando minhas mãos de meu rosto. ― Não faz isso, você está tão linda.

― Você é um mentiroso ― informei, empurrando seus ombros e sentando-me, cruzando meus braços, cobrindo meus seios.

― Isabella... ― Edward colocou a camisa que usava sobre meus ombros e puxei o tecido ao meu redor ― Não faz isso ― pediu e fechei os olhos, continuando em silêncio.

Senti a cama se mexer quando ele se levantou, ouvi seus passos e então voltou a se sentar ao meu lado. Suas mãos tocaram meus ombros e logo depois senti o tecido sendo amarrado no alto da minha cabeça.

― Melhor? ― perguntou e abri os olhos, seus dedos segurando meu queixo e erguendo meu rosto ― Se você se sente melhor assim.., tudo bem. Mas precisa saber que você está linda e tão sexy...

― Edward ― minha voz não passou de um sussurro.

― É verdade, é a pura verdade, não faz ideia do que você causa em mim, ainda mais usando apenas aquele moletom.

Suspirei, sentindo minhas bochechas esquentarem e toquei seu pescoço, deixando meus dedos deslizarem até sua nuca e aproximei-me, beijando seus lábios, um beijo rápido.

― Eu te amo ― Edward falou, seus olhos prendendo os meus.

Segurei o lenço em minha cabeça e puxei-o, respirei fundo e joguei longe o tecido, depois tirei a camisa e deixei que caísse no chão. Ele segurou meus dedos e depositou um beijo delicado nas costas de minha mão, onde se encontrava as manchas roxas, consequência das picadas de agulha. Edward me recebeu em seus braços e senti seus lábios em meu pescoço, respirei fundo contra sua pele e arfei baixinho quando seus braços me seguraram, deitando-me na cama e tomando minha boca para si.

― Me abraça mais forte ― pedi, quebrando o nosso beijo.

― Não quero te machucar ― ele acariciou meu braço.

― Não vai machucar ― murmurei e Edward me envolveu com seu abraço, antes de sua boca fazer um caminho do meu pescoço até meus seios e meu corpo estremeceu, fazendo-me gemer.

Ele puxou meus joelhos até seu quadril e minhas unhas apertaram seus ombros quando o senti dentro de mim."

Meus dedos apertaram a pequena grade de ferro na beirada do mezanino e respirei fundo, vendo Edward na cozinha, parecendo preparar algo. Deixei minha mochila ali em um canto e calcei minhas sapatilhas, descendo as escadas. Não devia passar das duas e meia da tarde, mas pude ver pelas vidraças que lá fora parecia estar anoitecendo, a leve chuva parara, porém ventava forte e ao longe haviam grandes nuvens carregadas que se aproximavam lentamente. Passei ao lado do sofá, vendo mais uma vez as caixas de papelão amontoadas ali perto.

Aproximei-me da pequena ilha da cozinha e sentei-me em um dos bancos, vendo que Edward já trocara de camisa, mas ele pareceu evitar olhar para mim.

― Mais quente, agora? ― perguntou de repente.

― Sim, estou..., Obrigada ― respondi e então Edward se virou, mas desviei o olhar, encarando minhas mãos sobre a bancada de granito. ― Faz quanto tempo que se mudou? ― a pergunta escapou por meus lábios.

― Desde que voltei de Nova Iorque ― respondeu, mantendo a sua atenção no fogão e em seguida no que ele estava cortando... Houve silêncio por alguns segundos e então ele mudou de assunto: ― Eu não costumo almoçar aqui, consequentemente não abasteço os armários e a geladeira com muita frequência... ― explicou ― Então, macarrão com molho branco é a única coisa que dá para preparar.

― Não precisava se incomodar.

― Imagino que não comeu nada desde que entrou no avião, ou talvez até bem antes de embarcar ― não era bem uma pergunta, porém assenti, sem olhá-lo. ― Também não tenho nenhuma bebida aqui ― falou, abrindo a geladeira. ― Acho que tenho uma garrafa de vinho...

― Álcool não... ― murmurei, interrompendo-o ― Água está bom ― informei.

Vi curiosidade em seus olhos e por um segundo realmente achei que ele perguntaria o motivo de “álcool não”, se era por algum remédio, se estava fazendo um tratamento e o porquê disso..., mas Edward se calou e apenas assentiu, voltando a cuidar do que preparava.

Se ele soubesse... Se soubesse que eu estava ali por causa disso, para contar o que estava acontecendo, para dizer que precisava dele, para falar que... Respirei fundo e apenas balancei a cabeça, negando a mim mesma.

Logo, estávamos almoçando, ou jantando?, não sei bem, não era hora de nenhuma das duas coisa, mas de qualquer forma, estávamos sentados a mesa e bem..., só eu tinha um prato, Edward, sentado na ponta da mesa, na cadeira ao meu lado, parecia concentrado em algo muito distante dali, enquanto encarava o copo de uísque em suas mãos.

O macarrão estava ótimo, porém quando percebi estava empurrando a massa com o garfo, de um lado ao outro do prato, ao mesmo tempo em que me perguntava mais uma vez se eu realmente deveria estar ali. Meu peito doía e começava a sentir aos poucos certa dificuldade para respirar... Eu estava apavorada e ao olhar para o lado vi que aqueles olhos verdes já tinham percebido meu desespero. Estremeci de repente com o som de um trovão ao longe e respirei fundo, encolhendo-me mais em minha cadeira.

― Isabella... ― ouvir sua voz pronunciando meu nome, era angustiante, porque eu via a dor que isso também causava a ele ― Por que está aqui? ― novamente sua pergunta foi clara e direta.

Empurrei de leve o prato a minha frente e endireitei meus ombros, tentando formular uma resposta, a qual pareceu achar um atalho até minha boca e saiu antes que eu pudesse pensar sobre ela.

― Porque achei que você estava me esperando ― levantei-me, ficando de costas para ele, caminhando alguns passos para a sala e ouvi Edward logo atrás de mim.

― Estou esperando por você minha vida inteira, Isabella ― falou, sua voz brevemente mais suave, ouvi mais dois passos e senti o calor do seu corpo cada vez mais perto.

― E mesmo assim me deixou.

― Nunca vou me perdoar por isso ― seu tom era sério, firme, completamente o oposto de mim, que tentava me controlar... porém sem muito sucesso.

― Nem eu ― arfei.

Aproximei-me da vidraça a minha frente e uma sensação gélida percorreu meu corpo quando vi o raio luminoso que dividiu o céu no meio por alguns segundos e desapareceu.

Um..., dois..., três..., quatro..., cinco..., seis... E o estrondo pareceu ecoar dentro da sala. Limpei as lágrimas de minhas bochechas e ouvi-o respirar fundo.

― Isabella? ― Edward soou seco, gélido.

Eu estava ali por um motivo, independente do que vi quando entrei naquele hospital, independente do carinho com que ele a abraçou e da frieza que dirigia a mim nesse momento. Tomei a decisão de entrar em um avião e atravessar o oceano porque eu precisava dele, precisava contar aquilo e olhar em seus olhos para ter a certeza de que tudo ficaria bem. Então puxei o ar mais uma vez e ouvi Edward me perguntar novamente o porquê de tudo aquilo, e eu apenas me virei, fitei aquele par de esmeraldas: ― Eu estou grávida.

Cobri minha boca com minha mão trêmula, contendo um soluço ao cair em mais lágrimas e murmurei dentre meus dedos um pedido de desculpas quando Edward não disse nada, estava pensativo, distante demais.

― Eu sinto muito ― repeti, minha respiração presa na garganta.

― Por que está se desculpando? ― ele se aproximou e suas mãos seguraram as minhas ― Por que está se desculpando, minha menina? ― ouvi sua voz aveludada, pela primeira vez delicada ao se dirigir a mim e eu solucei, caindo em lágrimas ao ver seus olhos.... Ah, seus olhos... de repente brilhavam, emocionados..., e seus braços me seguraram, quando meu corpo falhou.

Senti suas mãos deslizarem por minhas costas e segurarem-me com força quando seus lábios tocaram minha testa. Segurei sua camisa e encostei-me ali em seu peito, encolhendo-me quando outro trovão ecoou pela sala, mas sabendo que ali em seu abraço eu estava protegida, de tudo e todos.

Notei as batidas de seu coração calmo, encostada em seu tórax e de repente senti como se estivesse em um sonho, seu perfume era tão inebriante e tinha o poder de me acalmar.

― Eu estava..., ainda estou com tanto medo ― sussurrei contra a pele de seu pescoço, meus dedos apertando o tecido de sua camisa.

― Não precisa mais ter medo ― ele falou contra meus cabelos, no alto de minha cabeça, e sua voz de veludo era tão doce, tão cheia de ternura... ― Eu te amo tanto ― afastei-me apenas o suficiente para olhar em seus olhos e percebe-los levemente avermelhados, contendo as lágrimas sem realmente conseguirem.

― Então por que Edward? ― murmurei, meus lábios tremendo com as palavras, minha visão turva. ― Por q... ― sua boca tomou a minha para si, não permitindo que eu falasse mais.

Aquilo me paralisou por alguns segundos e então permiti o beijo, deixando meus dedos tocarem seu tórax, tentando ter a certeza de que ele realmente estava ali. Mais lágrimas caíram quando ele me abraçou forte, deixando-me sem ar, sem forças para resistir a sua carícia. Respirei contra seus lábios e Edward voltou a moldar sua boca na minha, com delicadeza, cuidado, sem presa, enquanto eu me deliciava com seu gosto. Meu coração descontrolado, minha pele arrepiada, minhas mãos trêmulas.

Eu sabia que tudo aquilo era real, por mas que parecesse só mais um de meus sonhos, lembranças.... Era real. Mas era uma realidade com prazo de validade. Tinha consciência disso, que aquele momento, que aquele beijo tão doce era uma meia verdade. Uma meia verdade temporária, que provavelmente amanhã iria se desmanchar como uma nuvem de açúcar na chuva. Mas até lá, eu poderia viver um pouco disso, poderia permitir a mim mesma viver esse conto de fadas, mesmo que seja apenas por alguns instantes...

Notas finais
Por favor, não esqueçam de escrever o que acharam desse capítulo!! Até mais! Beijos