Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
59 Nem tudo é o que parece
Notas iniciais
Isabella’s POV
Saí da casa, vendo Esme e Carlisle tomando café, em uma mesa perfeitamente arrumada sob um grande guarda-sol próxima a praia.
― Bom dia ― falei ao pisar na areia e aproximar-me deles.
― Bom dia ― eles responderam e entendi porque estavam ali.
O jogo de vôlei que falavam no jantar de ontem, Edward e Emmett contra Alice e David. Sentei-me em uma das cadeiras e servi um copo de suco para mim.
― Como dormiu? ― Carlisle perguntou e o olhei sem uma resposta.
― Bem ― falei depois de hesitar e desviei o olhar, voltando a ver o jogo. ― Quem está ganhando?
― Até agora Edward e Emmett ― Esme informou e vi os rapazes defenderem.
Já passavam das nove horas e o sol começava a esquentar, mas acho que o jogo não acabaria tão cedo. De repente o sonho que tive me veio a mente e abaixei a cabeça, olhando para minhas mãos sobre meu colo, enquanto tentava deixar aquilo de lado.
― Bella, daqui a pouco vou ao supermercado, mas um de nós tem que ficar aqui para garantir que eles não coloquem fogo na casa, ― Esme avisou apontando para Carlisle ― pode vir comigo?
― Claro ― respondi.
― Ok ― ela sorriu e então ouvi meu celular tocar em meu bolso.
Tentei sorrir ao levantar e caminhar para casa, lendo o nome de Thomas no visor e respirei fundo, antes de atender.
― Pronto.
― Finalmente consegui falar com você, como está ai?
― Bem, Alice e David estão entretidos em um jo...
― Isso parece legal ― ele falou antes que eu pudesse terminar. ― Então, pensei em ir te ver.
― Não é uma boa ideia ― as palavras saíram e fechei os olhos tentando entender porque não queria vê-lo.
― Por que não? Estou com saudades, pensei que... ― ele falava, mas não ouvi.
Dali da porta onde estava puder ver Edward de costas, enquanto ele tirava a camiseta azul marinho que usava e vi a tatuagem em suas costas, tentando ler o que estava escrito, mas não consegui e desviei o olhar ao perceber que o estava admirando por tempo demais.
― Isabella?
― Oi.
― Ouviu o que eu disse?
― É, ouvi, mas não posso ― falei sem saber se aquela resposta se encaixava ao contexto e então desliguei, passando as mãos no rosto, sem entender o que estava acontecendo.
Caminhei para meu quarto enquanto ouvia uma parte de mim gritando, pedindo desesperadamente para que eu ficasse perto dele, já a outra dizia que devia me afastar de todos. E aquilo estava fazendo minha cabeça doer, todos os sonhos, as vozes, meu pai...
~*~
Quarta-feira à tarde e ouvia as risadas vindas da praia, enquanto lia um livro em meu quarto e suspirei ao notar uma risada entre as várias outras, ela era grave e rouca. Era a risada de Edward.
― Simplicidade é ter todas as flores do mundo e querer apenas uma rosa ― murmurei sem precisar pensar muito, como se aquilo estivesse gravado em minha mente. ― É ter a imensidão do universo e querer apenas uma estrela. Ter o oceano e querer apenas uma gota de água, é poder ter todas as mulheres, mas amar e desejar apenas uma ― era exatamente isso que ele tinha dito, enquanto estávamos sentados perto de um lago em meu sonho e sorri, inconscientemente, ao me lembrar disso.
Então, arrumei meu travesseiro e deitei-me, fechando os olhos e concentrando-me em sua voz do lado de fora da casa, desejando poder sonhar novamente.
“― Parabéns! ― minha mãe disse e me ajudou a apagar a vela do bolo.
Encarei o numero nove que ela retirava da cobertura de chocolate e então vi o sol se pôr, logo escurecendo. E ela se foi, mesmo eu implorando para que ela não me deixasse com ele. Ela sabia e me deixou.
― Aonde você vai? ― perguntei, vendo-o se levantar, sem me responder.
Vi ele voltar minutos depois com um ferro cilíndrico, mais ou menos da grossura de um dedo e então pegou em meu braço, arrastando-me até o quarto.
― Não, por favor! ― pedi, com as lágrimas já embaçando minha visão.
― Cala a boca! ― gritou, desabotoando sua calça.
Ele tirou minha roupa e amarrou minhas mãos. Sentia meu coração disparado, mal conseguia respirar, tentando impedi-lo de tirar minha calcinha, mas foi em vão. Suas mãos me tocaram, sua boca me tocou e gritei o mais alto que conseguia.
― Você vai gritar? ― perguntou, fazendo-me parar, temendo o que ele faria.
Fechei os olhos assim que o vi pegar o ferro, mas o alívio tomou conta do meu corpo ao ouvir a porta bater. Estava sozinha. Desesperada, tentei me soltar, mas não consegui, eu não...
― Por favor ― murmurei, ouvindo a porta se abrir.
Seus olhos escuros me encaram e vi o ferro agora avermelhado, quente. Não contive o grito de dor, quando ele encostou aquilo em meu pé e levei um tapa por isso.
― Se continuar gritando vou te queimar mais ainda.
Mordi os lábios com força e deixei que suas mãos ásperas me tocassem. Ele puxou meus joelhos, empurrando-os até meus peitos, então senti algo entrando em mim, me rasgando, uma dor insuportável. Sem querer minha garganta ardeu com outro grito que escapou e sua mão estalou em minha face novamente.
Vejo-o pegando o ferro, que estava no chão, ainda com a ponta vermelha, e segurar minha perna direita, queimando a parte interna da minha coxa.
Mordi os lábios, sentindo a dor aumentando, abro a boca para gritar, mas minha voz não sai. As lágrimas não paravam e de repente tudo foi ficando turvo.
― Vem aqui ― ele falou, enrolando sua mão em meus cabelos e puxando-me, fazendo-me sentar na cama.
Mal conseguia me manter reta, meu corpo não tinha forças e foi nesse momento que ele colocou aquilo em minha boca, socando, estocando, até a minha garganta, a ânsia vinha e não conseguia empurrá-lo, não conseguia...”
Levantei rapidamente, apoiando-me na parede e corri até o banheiro, sentindo meus joelhos chocarem-se contra o chão, enquanto a ânsia não parava.
Escovei os dentes umas três vezes antes de voltar à cama, secando as lágrimas e ouvi alguém bater na porta.
― Ok ― sussurrei, passando as mãos no rosto e respirando fundo, antes de caminhar pelo quarto.
Abri a porta e imediatamente o sorriso de Alice se desmanchou dando lugar a preocupação.
― Está tudo bem?
― Claro ― respondi desviando de seus olhos e acho que ela entendeu que eu não diria mais nada.
― Nosso dia de preparar o jantar ― anunciou. ― Vamos fazer pizzas, você vem?
― Alice...
― Por favor ― pediu e assenti.
― Eu já vou ― falei e ela sorriu.
― Estaremos esperando ― disse já se afastando.
Fechei a porta e olhei-me no espelho, esperando até que meus olhos voltassem ao normal. Desci as escadas e entrei na cozinha, vendo Alice e Edward preparando a massa.
― Finalmente, precisamos de ajuda aqui, os dois chatos não querem colocar a mão na massa ― Alice brincou.
― Cozinhar não é muito minha praia ― Emmett falou enquanto apenas observava.
― Eu estou de férias da cozinha ― David avisou.
― Ok, Bella você ajuda com a massa e eu vou preparam os recheios.
― Não é bem um recheio, se vai colocar em cima.
― Eu estou fazendo a pizza, então chamo do que quiser, Emmett ― ela retrucou, fazendo-o rir.
― Mas... ― comecei a falar, porém fui interrompida.
― Na verdade Edward está fazendo a maior parte ― Emmett voltou a implicar.
― Vocês dois, para sala ― ela mandou ― Agora!
― Ok ― David concordou e puxou o outro rapaz que ainda ria.
― Pronto, agora ficou melhor ― Alice suspirou.
― Eu não sei fazer isso ― falei, quando ela me empurrou para perto da bancada, ao lado de Edward que trabalhava na pizza.
― Mas vai aprender ― afirmou. ― Preciso procurar o orégano, já volto ― avisou, indo até a despensa.
Dei um passo para trás quando ele me olhou, mas inconscientemente senti meu corpo relaxar quando vi aquele sorriso torto, que se formou em seus lábios, não sei que sensação era aquela, mas era ótima.
― Eu te ensino ― disse fazendo um gesto com a cabeça, para que eu me aproximasse mais. ― É fácil, só precisa abrir a massa, deixando com o formato de pizza ― sua voz era tão suave e calma.
― Ok ― falei, lavando as mãos na pia e secando-as antes de pegar a pequena bola de massa que ele havia separado.
― É só colocar um pouco de farinha, depois começar apertar do centro e ir abrindo ― ele mostrou e copiei.
E enquanto observava suas mãos, sem querer, notei as veias saltadas em seus braços e vi ele pegar o copo ali do lado... E de repente tudo mudou, o ambiente se tornou mais quente e pude ouvir o som das ondas se quebrando com força na praia.
― É uísque, certo? ― perguntei enquanto encarava a salada colorida com bacon e batata palha, a qual eu acho que estava fazendo.
Edward olhou para o copo e riu apenas assentindo com a cabeça. Porém notei algo diferente em seu rosto... ele parecia mais novo?
― Por que?
― Sabe que ainda não tem idade para beber, certo? ― indaguei e ele sorriu voltando a prestar atenção na panela.
― Acho que isso é meio que uma influência do meu pai. Cresci vendo-o beber e quando tinha sete anos ele me fez experimentar uísque, de começo achei ruim mas acho que me acostumei depois.
― E sua mãe concordou em você beber? ― perguntei incrédula.
― Minha mãe só ficou sabendo quando já estava com uns quinze anos, mais ou menos ― explicou. ― Experimenta ― pediu, passando a colher com um pouco de molho.
― Onde aprendeu a fazer isso? ― disse ao provar o delicioso molho.
― Acho que foi com minha mãe ― respondeu pensativo.
― É muito bom.
― Com quem aprendeu a cozinhar? ― ele quis saber.
― Aprendi sozinha.
― Sozinha?
― É que minha mãe era médica e trabalhava muito, ela me ensinou o básico e passei a cozinhar para mim e às vezes para... ― minha voz falhou, pois era difícil me referir a ele, mas mesmo assim continuei ― ...meu pai.
― Entendi ― falou e só então percebi que ele estava atrás de mim, muito próximo. ― Finalmente você falou mais sobre sua infância ― ele riu, pude sentir sua respiração em meu pescoço e assustei-me com o que aquela pequena sensação causou em meu corpo.
Acabei rindo também, talvez não pelo o que ele falou, mas sim por nervosismo. Então senti suas mãos se encaixarem em minha cintura, e paralisei quando seus lábios relaram no lóbulo de minha orelha, fazendo meu corpo arrepiar-se. Edward distribuiu pequenos beijos em meu pescoço e ainda continuei paralisada, então uma de suas mãos que estavam em minha cintura desceu para meu quadril e imediatamente me virei empurrando-o de leve.
― Não ― sussurrei.
― Desculpe ― ele falou se afastando e encarei-o, sem entender aquilo... o jeito como ele simplesmente me respeitou.
O silêncio dominou o lugar e vi aos poucos tudo se dissolver, sem querer esbarrei a mão na panela com óleo, vendo-a cair lentamente até o chão, mas sumir antes de atingi-lo e levei um susto com o barulho que invadiu a cozinha.
― Alice? ― gritou um Edward com várias marcas de expressão e talvez algumas rugas, bem diferente daquele que agora pouco estava ali.
― Eu estou bem! ― a voz dela veio da despensa, fazendo-o rir e acabei rindo nervosamente, sentindo meu coração disparado.
― Tudo bem? ― perguntou, seus olhos tentando entender o que nem eu estava entendendo. ― Isabella? ― meu nome soava estranho em sua voz, era como se fosse uma palavra muito valiosa e que devia ser pronunciada com cuidado e delicadeza, para que nunca perdesse o valor.
― Estou ― respondi lentamente. ― Só me assustei ― falei tentando parecer normal.
Algo tinha acontecido, como de repente tudo mudou?
Minha cabeça doía cada vez mais e apenas tentava controlar minha respiração para acalmar os batimentos acelerado do meu coração.
― Achei ― Alice voltou a cozinha e nesse momento sem querer meu braço roçou no de Edward, fazendo-me paralisar ao sentir uma corrente elétrica percorrer meu corpo. ― Olha, está se saindo bem ― ela comentou, fazendo-me sair de meu estado inerte e apenas sorrir.
― Acho que não cabem quatro pizzas no forno ― o rapaz ao meu lado informou.
― Pois é, vamos ter que assar duas e depois as outras duas ― a baixinha explicou, olhando o forno do fogão.
― Não é muito, quatro pizzas? ― perguntei, tentando me concentrar apenas no que estava fazendo, e ela riu.
― Duas são só para o Emmett ― foi Edward quem falou e encarei seus olhos, junto com seu sorriso e abaixei a cabeça, encarando o trabalho que minhas mãos faziam, quando ouvi meu celular tocar.
Limpei as mãos e peguei o aparelho em meu bolso, vendo o nome de Thomas na tela novamente.
― Já volto ― falei para Alice e saí da cozinha.
― Isabella? ― ouvi a voz irritada do outro lado da linha, quando eu não disse nada após atender.
― Oi ― respondi.
― Então é isso, vai acabar comigo assim?
― Desculpe, a ligação caiu aquele dia ― falei enquanto caminhava pelo corredor escuro. ― Não estou terminando com você, Thomas, vamos nos ver no domingo.
― Eu quero te ver antes ― pediu e entrei na sala, ou melhor, acho que era um escritório, então procurei pelo interruptor para acender a luz.
― Não posso.
― Ok Bella ― ele respondeu brutamente e desligou.
Suspirei e encostei-me a parede, fechando os olhos, organizando meus pensamentos. Até a pouco tempo, eu gostava de sua presença e iria querer que ele estivesse ali, para que eu não precisasse me preocupar em ter que falar, pois ele fazia isso sozinho, mas agora... De repente senti algo passar por mim e abri os olhos, voltando a deslizar a mão pela parede procurando o interruptor, porém paralisei quando ouvi o piso de madeira ranger com os passos que pareciam vir em minha direção. Meu coração disparou e minha garganta se fechou.
― Isabella, não precisa ter medo ― ouvi sua voz, vendo seus olhos vazios.
― Não ― sussurrei, enquanto sentia seus dedos ásperos em minha pele ― Fica longe de mim ― tentei gritar, mas minha voz estava presa em minha garganta.
Senti a sua respiração em minha bochecha e corri pelo escritório escuro, sabendo que ele estava atrás de mim. Foi quando esbarrei no que parecia ser uma mesa e caí, ouvindo o som de vidro se quebrando, sentindo os cacos em minhas mãos e as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. O vento fazia um som assustador ao passar pelas cortinas e encolhi-me, fechando os olhos com força.
― Só vai doer um pouquinho ― ele sussurrou perto de meu ouvido.
― Por favor, não ― falei um pouco mais alto e finalmente consegui gritar. ― Me deixe em paz ― minha voz saiu rouca e voltei a gritar.
― Bella ― alguém me chamou e ao abrir os olhos vi as luzes acesas, as cortinas voando com o vento que entrava pela janela e Emmett ajoelhado ao meu lado, encarando-me preocupado.
Mais lágrimas rolaram pelo meu rosto e olhei minha mão com os pequenos cortes do enfeite de vidro, que havia derrubado e vi o sangue começando a escorrer.
― Está tudo bem ― Emmett falou, tentando convencer a nós dois.
― Não ― murmurei ― Não está. Me desculpe ― falei, lembrando de quando briguei com ele e ao mesmo tempo do sonho, no qual ele me consolava.
― Calma ― sussurrou, puxando-me com cuidado para seus braços. ― Vai ficar tudo bem, não está sozinha Bella, estou aqui.
Não resisti a seu abraço, permiti a mim mesma confiar e aceitar o conforto de seus braços. Então encostei a cabeça em seu peito, deixando o medo de lado.
― O que aconteceu? ― ouvi a voz de David entrar no escritório e Emmett me ajudou a levantar, sustentando-me.
― Nada ― falei baixo. ― Estava escuro, eu me assustei e acabei me machucando ― foi mais ou menos isso.
― Bella ― meu irmão me repreendeu e sequei as lágrimas que caiam enquanto ele segurava minha mão esquerda. ― Precisa limpar isso ― avisou e assenti.
Emmett me ajudou a caminhar enquanto David correu na frente para procurar pela caixa de primeiros socorros.
― Meu Deus, o que aconteceu? ― Alice indagou assim que passamos pela cozinha.
― Nada de mais, ela só caiu ― Emmett falou.
― Eu estou... ― minha voz se perdeu assim que encontrei o olhar atormentado do rapaz, parado alguns passos atrás de Alice.
Edward me olhava com certo desespero, mas não conseguia entender o porquê daquilo, então passei a mão, que não estava machucada, em meu rosto ainda molhado pelas lágrimas, vendo Esme e Carlisle também me olhando preocupados e dei um passo para trás, sentindo Emmett me segurar mais fortemente.
― Vem, vamos para o quarto ― David voltou segurando a caixa vermelha e branca, levando-me para a sala e Carlisle nos seguiu, ajudando-me a subir as escadas.
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Alice’s POV
Fechei o forno com as duas pizzas e olhei para as outras duas que ficaram para fora, suspirando, ainda iria demorar. Então vi meu primo, ali sentado, totalmente preso em seus pensamentos, encarando um ponto fixo na mesa. Eu não devia me intrometer, mas se eu não fizesse isso, quem faria?
― Ainda se preocupa com ela ― afirmei, ao me sentar a mesa de frente para Edward que me olhou um pouco surpreso, como se não tivesse notado minha presença.
― Sempre vou me preocupar, Alice, mas a vida continua ― respondeu, voltando a sorrir.
― Sabe, eu estive pensando nesses dois anos... realmente é muito tempo ― falei e ele esperou que eu continuasse. ― É tempo o suficiente para recomeçar, mas... também é tempo o suficiente para ensaiar esse sorriso ― informei e de repente todo seu rosto se desmanchou por um segundo, voltando rapidamente. ― Achou mesmo que eu iria acreditar nisso
― O que quer dizer Alice? ― indagou sorrindo, como se não estivesse entendendo, mas ele já tinha se entregado.
― Eu percebi no dia em que você chegou, porém eu quis esperar, talvez fosse só coisa da minha cabeça. Mas o jeito como a olhou agora a pouco, ao vê-la chorando...
― Eu me importo com ela, só isso. Eu me coloquei em primeiro lugar, olhe para mim, minha felicidade é o que mais me importa.
― Eu te dei uma tarefa fácil, você só precisava gostar de si mesmo. Mas então você voltou com uma personagem, uma mentira. E eu acreditei quando você disse que estava bem.
― Eu não menti para você ― afirmou olhando em meus olhos.
― Tem razão, você não mentiu para mim, mentiu para si mesmo ― informei. ― Está tentando acreditar nessa mentira que criou, ao dizer que nunca esteve melhor, e o pior é que está conseguindo.
O silêncio dominou e ele abaixou o olhar, talvez percebendo que havia cometido um erro e acabei rindo, sem realmente querer, sentindo-me cansada.
― O que quer que eu diga? ― indagou ― Que você está certa?
― Eu sei que estou certa. Quero que arrume isso, não pode continuar assim. O que está fazendo? Vai continuar vivendo essa mentira até quando?
― Não é uma mentira, Alice. A vida é feita de várias grandes paixões ― ele falou baixo. ― Para todo fim um recomeço. Estou tendo a oportunidade de recomeçar com Tanya e é isso que estou fazendo.
― Como pode querer recomeçar se ainda não colocou um ponto final na sua história com Isabella, é óbvio que tudo que viveu com ela, cada sentimento esta cada vez minha vivo dentro de você.
― Você está muito enganada.
― Enganado está você. A vida pode ser feita de várias paixões, Edward, ou de um único grande amor. Sabe qual a diferença, a paixão é instável, algo do momento, pura atração que um dia acaba ― eu o corrigi. ― Já um grande amor, nunca acaba.
― Está querendo que eu volte ao estado que estava há dois anos? Quer que eu volte ao fundo do poço?
― Não precisa voltar, você nunca saiu.
Levantei, deixando-o sozinho e saí da cozinha, caminhando até a sala e os dois rapazes me olharam esperando o que eu diria, mas apenas suspirei, sentando-me ao lado de David.
― Então, quando você acha que é só um dia normal, algo assim acontece ― meu primo falou, se referindo ao incidente com Isabella.
― E acho que esse dia não está nem perto de acabar ― comentei, tentando entender o que se passava com Bella e Edward.
Era óbvio que ela havia mudado, estava mais sociável, ou melhor, estava permitindo isso. Mas algo estava errado, algo a impedia de ser a Isabella que eu conheci... que todos conhecemos.
― E as pizzas? ― Esme perguntou ao entrar na sala.
― Estão quase prontas ― respondi, vendo Carlisle aparecer logo em seguida. ― Como ela está? ― perguntei, quando os dois sentaram no outro sofá.
― Acho que bem, ela não disse muita coisa.
― Não vai descer para jantar?
― Disse que está sem fome e já vai dormir ― informou e assenti, concluindo que talvez tudo voltara a estaca zero.
...
Encarava o teto do meu quarto já fazia mais de meia hora, virei a cabeça, vendo David ao meu lado que também fazia a mesma coisa e então voltei a olhar o teto branco, minutos depois analisando a expressão do rapaz ao meu lado.
― O que foi, Alice?
― Acha que a Bella tem algum sentimento por Edward?
― Por que está pensando nisso?
― Sei lá ― murmurei e ouvi ele suspirar.
― Com certeza há alguma coisa, bem lá no fundo, ou você acha que é apenas coincidência ela se aproximar de outro cara que tem a mesma cor de olhos do Edward?
― Não, com certeza não é coincidência ― conclui. ― Ele ainda não superou.
― Acho que Edward está bem ― David falou e balancei a cabeça.
― Ele finge muito bem.
― Ou talvez você queira que ele esteja fingindo.
― Talvez ele só se preocupe com ela, viveram muito tempo juntos... seria normal se preocupar ― falei baixo, passando as mãos no rosto sem chegar a uma conclusão.
Eu tinha quase surtado com Edward, dizendo que ele ainda estava sofrendo e deixando claro que ele ainda a amava, mas eu não sei... Não podia ser invenção da minha cabeça. O jeito como sua expressão se desfez quando o acusei de estar fingindo...
Mas eu realmente imaginei que seria tudo tão fácil? Que eles se encontrariam e nada aconteceria?
Edward não está bem, isso é óbvio. Ele não superou os cinco anos de espera, a dor de perder Isabella e nunca irá superar, sempre irá doer. Já Isabella. Eu não sei.
― Ele parece feliz ― David voltou a falar e balancei a cabeça, sem conseguir acreditar.
― Ele parece feliz, Isabella parece feliz... Sabe qual é o único problema nisso tudo? Essa pequena palavra: “parece”.
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Isabella’s POV
Dez e meia da noite e minhas mãos ainda tremiam ao me lembrar do que aconteceu no escritório, e o pesadelo que tive mais cedo. Tudo, simplesmente, se debatia dentro de minha cabeça, se misturando, já não sabia mais o que era sonho e o que era real. Eu nem sei o que está acontecendo comigo, estou sonhando acordada? Seriam visões? Sei o que passei com meu pai adotivo, mas por que sonhava com Edward?
Mas nesse momento algo surgiu... seriam lembranças?
― Não pode ser ― murmurei, assustando-me quando alguém bateu na porta.
Levantei, ajeitando a roupa e o cabelo para parecer apresentável, e abri a porta, dando de cara com aquele par de esmeraldas me olhando ansiosamente.
― Desculpe, te acordei?
― Não ― respondi baixo, olhando a bandeja que ele segurava.
― Trouxe uma fatia de pizza e um pouco de refrigerante.
― Não precisava ― notei novamente a atenção, o jeito como Edward me olhava...
― Posso? ― perguntou e sem pensar dei um passo para o lado, deixando-o entrar e encostei a porta. ― Deduzi que você não quis jantar porque não queria encarar todo mundo e não necessariamente porque não estava com fome ― falou, colocando a bandeja na mesinha ao lado da minha cama e virando-se.
― Obrigada ― murmurei, conseguindo desviar meus olhos dos seus.
― Tudo bem com seu braço?
― Foram só alguns cortes, nada demais ― falei e ele assentiu.
― Então, até mais ― falou passando por mim e vi sua mão segurar o trinco da porta enquanto algo dentro de mim gritava para não deixa-lo ir embora, sentindo meu coração disparar quando ele parou. ― Na verdade, vim aqui também para te dizer algo.
― Pode falar ― sussurrei, não sei exatamente se ele me ouviu, mas vi seus lábios se curvarem em um quase sorriso.
― Quero que saiba que pode contar comigo, sempre estarei aqui para o que precisar ― afirmou, com aquela voz suave e atenciosa. ― Talvez eu seja a última pessoa a quem você vá pedir ajud...
― Não ― falei baixo, interrompendo-o. ― Com certeza você está entre as primeiras pessoas a quem eu pediria... ajuda, caso precisasse ― informei, percebendo novamente como cada palavra minha parecia ser importante para ele e finalmente aquele sorriso torto se formou em seus lábios.
― Fico feliz em saber disso ― falou com toda calma do muito. ― Boa noite Isabella ― disse ainda sorrindo.
― Edward ― chamei-o, quando puxou a porta e ele me olhou. ― Obrigada por se preocupar comigo.
Vi seu sorriso e então ele saiu, fechando a porta.
Analisei a bandeja perfeitamente arrumada e perguntei-me se Edward realmente tinha se importado o bastante para fazer aquilo, ou melhor, tinha se preocupado comigo.
Sim, ele tinha se preocupado.
Então, cheguei a pergunta mais importante: o quanto eu gostava daquela atenção, que ele parecia reservar só para mim.
Eu devia ter medo, na verdade eu tinha... mas... não sei. Se me pedisse para explicar eu não saberia como começar.
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