Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
67 Essa é a verdade
Notas iniciais
Isabella’s POV
“― Primeiro: preciso que você confie em mim ― ouvi a voz rouca fazer meu corpo estremecer e percebi que estava só de sutiã e calcinha.
Tentei cobrir meu corpo com meus braços, mas então vi aquele par de esmeraldas e arfei, dando um passo para trás.
― Segundo: não tenha vergonha de mim ― falou abaixando meus braços, deixando meu corpo a mostra, acariciando minha bochecha e em vez de eu me afastar, eu apenas fechei os olhos, não querendo sair dali. ― E terceiro: quero que me avise sobre qualquer coisa, se estiver se sentindo desconfortável, sentindo dor ou se quiser parar. Quero que me avise imediatamente ― ele disse e voltei a olhá-lo, desviando o rosto quando ele se aproximou. ― Eu te amo ― falou, depositando um beijo em meu rosto, levando meus braços até seu pescoço.
Permiti a mim mesma abraça-lo e senti suas mãos deslizarem por minhas costas, agora nuas, fazendo um arrepio percorrer meu corpo e sorri, por algum motivo me sentindo segura.
Meu corpo se arrepiou quando ele me abraçou e suas mãos tocaram minhas costas nua. Deixei minha vergonha um pouco de lado e levei minhas mãos até os botões de sua camisa, começando a desabotoá-los e sem interromper o beijo a deslizei por seus ombros fazendo-a cair no chão.
― Relaxe ― sussurrou, mas era impossível e acho que ele percebeu. ― E se fizermos assim... ― começou a falar e se afastou.
Tornei a cobrir meu corpo com minhas mãos e vi Edward caminhar até o interruptor, apagando as luzes, deixando o quarto completamente escuro e no mesmo interruptor ele acendeu os dois grandes abajures que produziam uma luz fraca que quase não iluminava. Então relaxei um pouco, não estando tão exposta e senti seus braços me abraçarem por trás.
― Melhor assim? ― ele perguntou baixo, bem perto do meu ouvido.
― Sim, melhor ― respondi e minha voz acabou falhando um pouco, quando suas mãos tocaram minhas costas e desabotoaram meu sutiã, o qual Edward escorregou as alças pelos meus braços fazendo-o se juntar ao meu vestido no chão.
Tomando coragem, virei-me, ficando de frente para ele e mesmo a luz fraca pude ver perfeitamente seu rosto. Suas mãos foram até minha cintura e ele se aproximou me beijando suavemente, subi minhas mãos até seus ombros, permanecendo com elas ali. Edward interrompeu o beijo e me olhou intensamente nos olhos enquanto me deitava na cama com delicadeza, sua mão percorrendo a lateral de meu corpo, logo passando a distribuir beijos por meu pescoço. Senti meu corpo tremer em antecipação ao que viria, minha pele se arrepiou e inconscientemente apertei minhas pernas...”
Abri os olhos assustada, encarando o quarto escuro, e a única coisa que ouvia era minha respiração ofegante. Já tinha sonhado com essa lembrança antes, mas em nenhuma vez tinha sido tão real. Senti seus dedos me tocarem, senti seus lábios...
Devia tentar dormir novamente, mas não queria correr o risco de voltar para aquele sonho, então me levantei mesmo que o relógio ainda marcasse três e meia da manhã. Acendi as luzes do quarto e sentei-me na beirada da cama tentando me acalmar, encarando o grande espelho encostado na parede oposta, vendo minha imagem, mas não a reconhecendo. Passei os dedos por meu cabelo loiro, analisando os fios amarelos e vendo em meu reflexo que a raiz escura já começava a aparecer.
― Três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade ― murmurei para mim mesma, não sei onde li essa frase, mas me pareceu adequada a situação, então me perguntei se por todo esse tempo estava tentando esconder uma verdade óbvia.
Apenas balancei a cabeça e saí do quarto, sentia como se minha mente fosse várias televisões, cada uma ligada em um canal diferente, com o volume no máximo. Levei a mão até minha cabeça, pressionando levemente a lateral e senti a cicatriz ali, mas tentei não pensar nisso, apenas respirei fundo e acendi a luz do corredor, porém assim que cheguei à escada ouvi a voz dele.
― Isabella? ― Edward me chamou e fechei os olhos, tentando decidir se devia ir até seu quarto ou se devia fingir que não tinha ouvido ― Isabella, você está aí? ― ouvi novamente sua voz ecoar até mim e abri os olhos, encarando a porta que ficava no final do corredor.
― Sim ― respondi e mudei meu caminho, indo em direção a seu quarto que estava com as luzes acesas.
Aproximei-me da porta e cruzei meus braços em frente ao corpo, estava com minha roupa de dormir, uma blusa enorme e um short um pouco curto, então não ousei entrar, apenas encostei-me ao batente de madeira e encarei os vários papéis sobre a cama.
― Aconteceu alguma coisa? ― perguntou e reparei que o corte em seu rosto, na lateral de sua testa, já estava bem melhor, começava a cicatrizar.
― Não, por quê?
― Estranhei que estivesse acordada a essa hora.
― Insônia ― respondi, tentando sorrir. ― Eu vou até a cozinha.
― Isabella? ― ele me chamou, antes que eu pudesse me virar.
― Sim?
― São as lembranças, não são? Elas não te deixam dormir ― ele concluiu e apenas balancei a cabeça negando.
― Está tudo bem, não se preocupe ― informei, mas assim que me virei para sair ele voltou a falar.
― Eu posso te ajudar ― parei ao ouvir suas palavras e então o encarei novamente.
― Não precisa, você já disse tudo naquele dia na empresa, então realmente não precisa fazer isso.
― Mas eu quero ― ele repetiu minhas palavras de dois dias atrás. ― Minha mãe só poderá voltar daqui uma semana e você disse que ficará aqui até ela chegar, então nada mais justo que um ajudar o outro.
― Lembro de cenas aleatórias, confusas... Sinceramente, nem sei quem eu sou, não sei se confio em você, não sei o que sinto com tudo isso e como você disse, não deve dedicar seu precioso tempo a minha bipolaridade ― falei gaguejando um pouco, sentindo algo em meu peito queimar e ele ficou em silêncio fitando as folhas sobre o lençol, então sorriu, um sorriso torto que por algum motivo fez minha pele se arrepiar e em seguida ele levantou o olhar, prendendo meus olhos nos seus.
― Dedicaria cada segundo da minha vida a sua bipolaridade ― afirmou convicto. ― Por mais que eu não queira admitir, essa é a verdade.
Suas palavras me deixaram sem fala e totalmente paralisada, precisei de todas as minhas forças para desviar meus olhos dos seus enquanto tentava entender o que ele acabara de confessar.
― Eu sinto muito por aquele dia ― sua voz soou baixa e ele tentou se ajeitar melhor na cama, fazendo uma expressão de dor ao se mexer.
― Na verdade, eu te pedi ajuda, mas nem sei como exatamente você pode fazer isso.
― Posso te contar a nossa história de um jeito que ninguém pode ― ele informou.
― Tudo que eu mais quero é conhecer essa história.
― Então porque não se senta? ― indagou apontando para a cama e fitei seus olhos, hesitando em me aproximar. ― Disse que está com insônia e eu, bom, há muito tempo eu não durmo de verdade.
― E por onde vai começar? ― perguntei, aproximando-me e sentando na beirada da cama, de frente para ele.
― Do que se lembra?
― Como disse, lembro de cenas, pequenos flashs, às vezes como se estivesse assistindo um filme, outras vezes é como se eu estivesse vivendo aquilo novamente ― expliquei, fazendo uma pausa e analisando sua expressão um tanto quanto séria. ― Mas se me pedisse para colocar tudo em ordem, não saberia como. Notei que em algumas lembranças você aparece mais jovem, então imagino que sejam as mais antigas... Porém, é tudo muito confuso.
― A última coisa que se lembra é de estar patinando e então cair, desmaiando, certo? ― perguntou, arrumando os papéis sobre o lençol, organizando-os usando apenas uma mão, já que a outra estava imobilizada e colocando-os sobre a mesinha de cabeceira.
― É, era minha última lembrança quando acordei do coma, naquele quarto ― apontei para a porta, para o quarto que ficava na outra ponta do corredor.
― Ironicamente, é exatamente nesse ponto que eu entro ― ele sorri, mas não é um sorriso alegre, então continua a explicar o que aconteceu. ― Naquele dia eu iria me encontrar com o time de hóquei, não me lembro por qual motivo, mas enfim, saí da aula e fui até o ginásio de esportes, encontrando você desmaiada no gelo. Eu te levei para o hospital e quando acordou você me disse o número do seu tio... acho que foi a primeira vez que conversamos.
― Você me levou para o hospital ― murmurei, mas não conseguia lembrar.
― Na época eu não fiquei sabendo, mas como você bateu a cabeça o médico quis fazer uma ressonância e foi quando descobriram... o tumor ― ele teve dificuldades de terminar de falar e desviou seu olhar do meu, como se não quisesse que visse a dor que estava estampada ali.
― E então?
― Voltamos a ter um contato maior quando seu tio e minha mãe marcaram um... ― ele não conseguia achar a palavra.
― Encontro? ― tentei ajudar e Edward sorriu.
― Mais ou menos isso, eles reuniram eu, você e Alice, já que Renée concluiu que você estava muito sozinha e precisava de amigos.
― Nos encontramos na empresa ― falei baixo.
― Exatamente.
― Nos encontramos na empresa e saímos ― falei baixo, finalmente começando a montar aquele quebra cabeça.
― Isso, Alice quis ir ao shopping.
De repente uma lembrança me veio à mente, na qual Alice me puxou parada dentro do elevador e onde vi Edward magro, com olhos escuros, o jeito como vi ele assim que acordei do coma. Então o encarei ali na minha frente, não parecia ser a mesma pessoa.
― Nesse dia Alice me deu um apelido ― comentei e ele assentiu. ― Ela me chamou de "Isa".
― Ela te contou?
― Não,.. eu me lembro de quando estávamos dentro do elevador ― informei e ele sorriu.
~*~
Passava das cinco horas da tarde e eu finalmente tinha terminado de organizar a casa, não estava tudo limpo, além do mais era muito grande e levaria mais tempo para fazer isso sozinha, mas os principais cômodos estavam brilhando e organizados.
Tomei um banho e coloquei uma roupa confortável, indo ver Edward logo depois, para ele continuar a contar nossa história, porém me assustei ao ver sua expressão pálida e o cuidado que tinha para respirar, como se cada movimento de seu tórax fosse uma dor insuportável.
― Precisa tomar seus remédios para dor ― avisei, pegando um dos potinhos.
― Não quero tomar nada ― falou respirando com dificuldade.
― Por quê?
― Porque eles me fazem dormir ― respondeu e encarei-o sem entender.
― E qual o problema em dormir?
― O problema são os sonhos, ou melhor, não poder escolher com o que sonhar ― explicou e já mudou de assunto: ― Onde paramos mesmo? ― perguntou e fitei seus olhos, vendo que ele não estava bem, mas não insistiria.
― No acampamento ― lembrei e ele sorriu.
― É claro, o acampamento...
Edward começou a contar como foi difícil se aproximar de mim e como acabamos nos perdendo na floresta durante uma trilha junto com toda turma. Mas acho que deixei um pouco de prestar atenção na história e foquei em sua expressão, havia algo ali que por mais que tentasse não conseguia decifrar e aquilo me frustrava. Seus olhos demonstravam dor e sei que não era apenas dor física, porém aquele verde escuro e profundo entrava em contraste com o breve sorriso em seus lábios. Era contraditório, não conseguia enxergar o que eu realmente queria ver.
― ...acho que nunca vou esquecer aquele dia que nós perdemos ― voltei a ouvi-lo.
― Por que foi tão inesquecível? ― perguntei e então vi sua expressão mudar novamente. ― Dói quando respira?
― Um pouco, mas acho que é isso... ― ele falou baixo mexendo na alça da tipoia que parecia incomoda-lo. ― Preciso tirar isso ― informou, parecendo ter dificuldade tirar.
― Espera, deixa eu te ajudar ― aproximei-me, sentando ao seu lado, talvez muito perto e tentando abrir a pequena peça. ― Pronto ― falei ao abrir e ajudei-o a tirar aquilo de seu ombro, tendo cuidado com seu braço.
Inconscientemente minha mão repousou sobre seu ombro e deslizou pelo seu braço machucado e parou próximo a seu pulso, então vi Edward fechar os olhos e sua expressão se suavizar, o alívio tomando conta de suas feições e sua mão segurou a minha, não permitindo que eu a tirasse dali.
― Foi inesquecível porque foi onde aconteceu nosso primeiro beijo ― ele sussurrou como um segredo e abriu os olhos, encarando-me e só então notei o quão perto estávamos, a ponto de poder sentir sua respiração...
Meu coração disparou e senti a palma das minhas mãos suarem, então me afastei, puxando minha mão da sua, vendo aquela expressão carregada de dor voltar ao seu rosto.
― Acho que vou deixá-lo descansar e vou preparar o jantar, está tarde ― falei já me levantando.
― Eu te assustei.
― Não ― respondi, mesmo sabendo que ele não tinha feito uma pergunta. ― Continuamos mais tarde.
― Como quiser ― ouvi suas palavras e saí do quarto, sentindo-me um pouco atordoada.
Encarei minha mão, que ele tinha tocado, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
...
Terminei de lavar a louça do jantar e fui tomar um banho, repassando em minha cabeça tudo desde o começo, tentando lembrar de algum detalhe, mas não tive muito sucesso. Coloquei uma roupa e peguei meu pente, encarando meu reflexo no espelho enquanto penteava lentamente meu cabelo, vendo algo estranho nos fios loiros... Aquilo não combinava.
Respirei fundo, deixando aquele detalhe de lado, por enquanto, e deitei-me, tinha dito que voltaria ao quarto de Edward para que ele pudesse continuar a me contar nossa história, mas a verdade é que por hoje chega. Minha cabeça doía e era melhor deixa-lo descansar. O sono não demorou a vir e confesso que tive medo com o que eu poderia sonhar, mas mesmo assim acabei cedendo.
“Não sei a quanto tempo estávamos ali, a única coisa da qual tinha noção era de Edward sentado na cama, mantendo-me em seu colo, minhas pernas ao redor de sua cintura, ambos completamente nus... meus braços se mantinham ao redor de seu pescoço e sentia a intimidade entre nós, enquanto ele afastava uma mecha de cabelo que caia sobre meu rosto e depositava um beijo em meu ombro. Respirei lentamente sentindo o perfume de sua pele e meus dedos apertaram seus ombros, enquanto sentia todo meu corpo tremer levemente quando seus lábios tocaram o lóbulo da minha orelha. Suas mãos deslizaram pelas minhas costas, lembrando-me que estava completamente nua, meus seios colados em seu tórax...
― Isso é incrível ― murmurei sentindo minha pele se arrepiar. ― Essa intimidade, confiar assim em alguém.
― Eu sei, não parece real ― Edward sussurrou, beijando o canto da minha boca. ― Mas é ― afirmou e sorri encarando seus lindos olhos.
― Já disse que adoro esses olhos verdes? ― indaguei baixo, fazendo aquele sorriso torto surgir em seus lábios.
― Sou sortudo, não sou? Bonito, rico e ainda tenho olhos verdes ― ele falou e não tive como não rir, deixando minha cabeça pender para trás, sentindo seus braços fortes me segurarem perto de seu corpo.
― É você é muito sortudo ― concordei voltando a olhá-lo, ouvindo sua risada.
― Principalmente porque encontrei você ― Edward afirmou nos deitando na cama.”
Acordei, sentindo meus olhos doerem com a claridade que entrava no quarto e suspirei tentando entender como a noite passou tão rápida, sentia como se fizesse apenas alguns minutos que tinha ido dormir. Mas então me lembrei do sonho, toda minha pele se arrepiou e sentir as mãos dele deslizando em minhas costas nua, foi tão real, seu perfume ainda parecia estar ali ao meu redor e encolhi-me, abraçando um dos travesseiros, fechando os olhos e balançando a cabeça, tentando afastar aquelas imagens, afastar seu cheiro e sua risada que parecia ecoar em minha mente.
― O quanto eu confiei nele? ― perguntei a mim em um sussurro ― O que ele sabia de mim?
Levantei-me, tentando esquecer aquele sonho, antes que ele despertasse outras lembranças, como aquelas que eu desejava esquecer.
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