Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
78 Beward
Notas iniciais
Isabella’s POV
Foi uma longa viagem de carro e recostei-me puxando minha jaqueta sobre o cardigan de tricô ao redor do corpo, ajeitando-a sob o cinto de segurança, enquanto via Edward concentrado na direção, analisando suas mãos segurando o volante e o anel em seu dedo, ou melhor, a aliança, em seguida encarando o par dela em minha mão. Toquei com cuidado o círculo de ouro em meu dedo, admirando o pequeno coração de brilhantes, pensando em como aquele anel esteve presente em bons e maus momentos de minha vida há alguns anos, aquela aliança fazia parte da minha história e agora do meu presente também.
A mão de Edward de repente cobriu as minhas sobre meu colo e olhei-o, vendo apenas sua mão esquerda no volante e seus olhos em mim por alguns segundos antes de se voltarem para a estrada.
― Está se sentindo melhor?
― Sim, a enxaqueca já aliviou um pouco.
― E no que está pensando tanto? ― seus olhos voltaram a mim por mais alguns segundos, atenciosos, e sua voz era suave em meio ao silêncio do carro.
― Não é nada ― tentei sorrir segurando sua mão e ele entrelaçou seus dedos nos meus, levando-os até seus lábios e depositando um beijo nas costas de minha mão.
― Eu sei que é alguma coisa, sei que está insegura ― falou, mantendo a atenção na direção. ― Chega de fugirmos de nós mesmos, chega de ignorarmos coisas que não devem ser ignoradas... Tudo bem? ― suas palavras me fizeram repensar muitas coisas e apenas assenti, trazendo sua mão para meu colo novamente, mantendo-a entre meus dedos. ― Por que não me conta o que te fez sair da festa ontem? Vi você em uma mesa, com minha mãe, Carmen, Grace, e as outras... Mas então, você saiu de repente. O que elas disseram? ― ele sabia que uma daquelas mulheres tinha falado mais do que devia e suspirei, dando de ombros.
― Apenas perguntaram quando teríamos um herdeiro ― contei e ele compreendeu. ― É difícil pensar...
― Eu sei. Ainda não falamos sobre isso ― pontuou e olhei-o, encontrando seus olhos rapidamente.
― Não sei se há muito que falar.
― Sim, com certeza há... Mas teremos tempo ― informou e apenas concordei.
― Teremos tempo.
Pouco depois passamos pela placa a qual informava que a cidade estava bem próxima.
― Ah, então estamos indo...
― Não ― ele me interrompeu, sorrindo divertidamente ao ver minha expressão confusa ao virar em uma estrada, que levava para dentro da floresta escura por causa do tempo nublado.
Vinte minutos depois chegamos ao portão de um chalé rústico, que tinha algumas paredes revestidas com pedras. Edward parou a camionete sob a cobertura na lateral e foi fechar o portão, enquanto eu saia do carro olhando em volta, encantando-me com o silêncio, a paz.
― Que lugar é esse? ― perguntei quando ele voltou e abriu o porta-malas.
― Há alguns anos era uma área de caça, até ser proibido, hoje é uma reserva, com áreas privadas que ajudam a financiar a recuperação e proteção do lugar. Tem mais alguns chalés como esse pela região ― contou e peguei minha bolsa.
Edward me guiou até a porta, abrindo-a e deixando que eu explorasse a pequena casa enquanto ele cuidava das malas. Entrei na sala, tão aconchegante, decorada em tons de bege e marrom, com um sofá não muito grande, mas que tinha almofadas robustas que pareciam muito macias. A lareira ficava ali perto na parede oposta à cozinha, perfeitamente organizada, que tinha uma pequena ilha no centro. Passei por ali, olhando o lindo tapete na sala e o ambiente ao lado da cozinha onde ficava uma pequena mesa com apenas duas cadeiras e um banco almofadado, abaixo da grande janela com uma linda cortina. Segui pelo corredor do outro lado da sala, passado por uma porta à direita que dava para mais um ambiente com sofá e poltronas, além de altas prateleiras repletas de livros. Continuei pelo corredor chegando às duas últimas portas, eram duas suítes, uma logo à frente e outra à esquerda.
― Já escolheu seu quarto? ― ouvi a voz de Edward e vi ele se aproximar com minhas malas.
― Vou ficar com o maior ― avisei sorrindo e ele riu.
― Então é o da frente.
Entrei, caminhando até o centro e sentando na grande cama, vendo uma parede praticamente inteira de vidro, encarando o labirinto de árvores lá fora e de repente as cortinas se fecharam automaticamente e ao olhar por sobre o ombro vi Edward com o controle remoto na mão.
― Vou deixá-la se acomodar ― notei seu breve sorriso antes que ele saísse, encostando a porta.
Tirei minha jaqueta e o cardigan, pegando minha mala deixada ali perto e organizei algumas roupas no armário, então entrei no banheiro, que guardava a grande banheira, olhando-me no espelho, o qual cobria parte de uma das paredes do banheiro e passei os dedos por meus cabelos que já tocavam meus ombros, desmanchando alguns dos cachos e ondas formadas nos fios.
Depois de tomar um banho e vestir uma roupa mais quente e confortável, sai do quarto e encontrei com Edward no corredor com os cabelos levemente úmidos, também pelo recente banho.
― Está esfriando ― falei.
― Sim, já acendi a lareira ― informou e notei o ar mais agradável ao chegar à sala. ― Então, imagino que esteja com fome.
― Um pouco ― admiti rindo.
Eram por volta das sete e meia da noite quando terminamos de preparar o jantar entre risadas e nos sentamos à mesa, de repente um clima mais tenso e silencioso surgindo, permanecendo até o fim do jantar, enquanto terminávamos de arrumar a cozinha.
― Emmett te agradeceu, mas eu ainda não te agradeci pelo que fez.
― Não precisa me agradecer ― falei, caminhando para a sala. ― Eu não podia ser o motivo de separar Emmett da nossa família ou ser o motivo da infelicidade dele.
― Sinto muito não ter dito que provavelmente ele era o pai...
― Tudo bem ― falei, interrompendo-o, vendo-o se sentar ao meu lado no sofá. ― Eu entendo. Era algo pessoal da Tanya, realmente não deveria sair espalhando uma suposição como essa.
Suspirei, puxando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.
― De qualquer forma, eu... Eu gosto da Tanya... Ela tem um bom coração ― falei ― E sei que ela é importante para você.
― Não, ela não é ― seus olhos encontraram os meus. ― Você é importante para mim. Ela sempre foi e sempre será apenas uma amiga.
Recostei-me no sofá, apoiando a cabeça em uma das almofadas e tentei sorrir, antes de mudar de assunto.
― O que estava te preocupando hoje, mais cedo? Quando estávamos na biblioteca e enquanto tomávamos o café da manhã, você parecia distante.
Edward suspirou, balançando a cabeça como se não fosse nada e então explicou.
― Um dos convidados ontem era um grande amigo do meu pai, eu te apresentei a ele. Matthew Williams.
― Sei, lembro-me disso.
― Então, ele me fez uma boa proposta por metade das minhas ações. Na verdade ele ofereceu quase o triplo do que elas estão valendo agora. A entrada dele reergueria a marca.
― Mas se vender metade, não terá mais autonomia. E pode não ser algo bom em longo prazo.
Edward pensou por alguns instantes, parecendo preocupado.
― Ainda preciso falar com os outros acionistas, há muita coisa para ponderar... Mas, enfim, não quero você se preocupando com isso, está bem?
Eu apenas assenti e sua mão deslizou carinhosamente pelo meu braço, enquanto eu admirava seu breve sorriso, antes dele se levantar e pegar, o que parecia ser um jornal, sobre a mesa ali perto.
― Eu queria te mostrar isso.
Peguei o jornal, as páginas da coluna social e vi nossa foto na cerimônia.
“Segunda festa de casamento do empresário Edward Masen.
Masen e a ex-campeã olímpica, em patinação artística, Isabella Swan Masen, casados há mais de oito anos, realizaram uma renovação de votos em clima de muito romance e elegância.
A cerimônia, realizada no último sábado, foi organizada pela prima do noivo, a estilista e designer, Alice Brandon, que nos contou detalhes da festa e do vestido desenhado por ela para a noiva...”
Continuava com Alice falando sobre a escolha da decoração e sobre a decisão de meu vestido não muito tradicional, por causa das cores. Além de comentarem sobre nossos votos ao final, antes de uma linda foto nossa no altar.
Olhei para Edward ao meu lado e ele explicou:
― É a coluna social de amanhã e será repetida na terça, e também tivemos a cobertura de alguns sites. ― uma pausa e então ele apontou para o jornal ― Essa é a verdade, o resto é conversa... ― falou, segurando minha mão ― Sei que não é o suficiente para acabar com as conversas e fofocas, mas é um começo.
Pensei, por alguns instantes, sobre o jornal e em como aquilo mudaria o que as “madames da alta sociedade de NY” falavam sobre nós. Ao afirmar nossos anos de casamento ele me tirava do lugar de amante.
― Obrigada por se importar.
― Perdoe-me por não pensar em como tudo repercutiria e te atingiria.
Deixei que meus dedos entrelaçassem aos seus e tentei sorrir, sentindo meus olhos pesarem.
― Está tudo bem ― falei baixo, vendo-o levar nossas mãos para perto de seu rosto, depositando um beijo sobre meus dedos.
Era difícil dizer “eu te perdoo”, por dois motivos, primeiro talvez porque no fundo ainda havia mágoa e segundo porque às vezes sentia como se fosse algo que não cabia à situação, até porque tudo começou a dar errado por minha causa, por mais que ele tomasse a culpa para si, ela não era totalmente dele.
Soltei seus dedos e deixei que minha mão repousasse sobre seu tórax. Admirando por um momento seus lindos olhos verdes me olhando atenciosos. Inconscientemente deslizei a palma da mão sobre seu peito, indo em direção ao seu ombro, subindo até a lateral de seu pescoço.
Tínhamos combinado de caminhar um passo de cada vez e sabia que Edward estava se esforçando, então eu também devia me esforçar para dar cada um desses passos, para que evoluíssemos. Então, inclinei-me, apoiando meus antebraços em seu tórax, e moldei meus lábios nos seus, sendo recebida em seus braços. Meu corpo se aqueceu e tive um momento maravilhoso de felicidade ao me sentir em casa no seu abraço. Não foi algo demorado, nem muito rápido e quando o beijo acabou apenas sorri, roubando mais um rápido e breve beijo ao ver seu sorriso.
― Acho que vou me deitar, estou exausta ― contei baixo e recebi outro breve beijo carinhoso. ― Boa noite ― murmurei.
― Durma bem, meu amor.
Segui para meu quarto ainda sob o efeito do beijo, mas quando a porta se fechou acho que todas as preocupações caíram sobre mim novamente. Houve silêncio e ouvi o vento lá fora, trazendo recordações boas e ruins.
E assim que me deitei dormir se tornou algo impossível. Mas depois de me virar, na cama, várias e várias vezes acabei caindo no sono, sem nem um pouco de tranquilidade e quando acordei no dia seguinte, parecia que mais uma vez tinha passado a noite em uma festa e suspirei, sentindo um leve conforto ao ver a neve caindo lentamente lá fora, deixando a casa ainda mais aconchegante.
...
Depois do almoço, preparado por Edward, acomodei-me no sofá, enquanto ele se sentou em frente ao piano vertical em uma das paredes da sala. Sabia que sua mão ainda não tinha recuperado todos os movimentos perfeitamente e por isso ele optava por melodias lentas, com notas espaçadas. As duas noites mal dormidas pesaram sobre mim, junto com a música calma que ele tocava e pouco a pouco fui puxada para o inconsciente, de uma forma tranquila, mergulhando em uma de minhas lembranças, uma lembrança maravilhosa.
“Sabia que se eu afastasse as cortinas veria a grande Torre Eiffel, mas naquele momento não me importava com isso, estava mais interessada no que estava acontecendo ali dentro do quarto de hotel. Eu estava sobre o colo de Edward, com as pernas ao redor de seu corpo completamente nu, e cada vez que suas mãos deslizavam pelas minhas costas me lembravam que eu também não vestia nada. Apenas eu e ele, completamente entregues um ao outro.”
Acordei horas depois, com o barulho do vento e a neve, que agora caía com força, e ajeitei-me, afastando a manta que tinha sido colocada sobre mim e passei as mãos nos cabelos, sentindo minha pele arrepiada pelo recente sonho, vendo Edward na cozinha sorrir a me ver acordada.
― Estou preparando chocolate quente ― informou e apenas sorri, percebendo meu rosto esquentar quando olhei para ele.
― Que horas são? ― perguntei, notando o quão escuro estava lá fora.
― Quase oito da noite.
― Nossa... ― murmurei.
― Você sonhou com alguma coisa?
― Não. Por que? ― indaguei, talvez rápido demais, sentindo minhas bochechas esquentarem lentamente.
― É que... Você sorriu enquanto dormia ― contou. ― Um sorriso de verdade, do tipo que eu não via em você há algum tempo. Pensei que tivesse sonhado com algo.
― Ah... eu não sei. Não me lembro de ter sonhado com algo ― menti. ― Preciso lavar o rosto ― murmurei, passando as mãos nos cabelos e levantando-me, ainda me sentindo cansada.
Apenas consegui despertar ao jogar um pouco de água no rosto, logo em seguida encarando minha imagem no espelho do banheiro, em meu quarto. Meus olhos estamos levemente avermelhados e por um instante quase caí em lágrimas, ao me lembrar de tudo, ao perceber tudo que aconteceu, onde chegamos. Por alguns segundos desejando voltar aquele sonho.
Isso tudo estava escrito e determinado desde o dia em que nos conhecemos?
Se pudesse voltar aquele dia, sabendo de tudo, escolheria viver ao lado de Edward, mesmo assim?
Respirei fundo, impedindo que qualquer sinal de lágrimas aparecesse e sequei o rosto, voltando à sala e acomodando-me novamente no sofá.
― Não conseguiu dormir noite passada? ― ele quis saber, quando se aproximou, trazendo uma xícara de chocolate quente.
― Não muito ― contei. ― Obrigada ― peguei minha xícara, vendo Edward se sentar ao meu lado, e encarei seus olhos verdes. ― Estive pensando em muita coisa.
― Como o quê? ― sua voz soou suave e doce.
― Em como esses últimos meses foram...
― Difíceis? ― ele tentou ajudar e sorri.
― Iria dizer complicados. Se pudesse voltar no tempo, para antes de nos conhecermos, você ainda me escolheria?
― É claro que sim.
― Mesmo sabendo de tudo que eu causaria em sua vida, dos anos de sofrimento...
― Viveria, de bom grado, uma vida de sofrimento se isso me desse em troca, ao menos, um dia com você, porque valeria a pena ― falou e por alguns segundos fiquei atordoada com o peso que suas palavras carregavam.
Bebi um pouco mais do chocolate, permanecendo em silêncio, sentindo muitas coisas, meu coração se apertando.
― E você, se arrepende de ter me escolhido? ― seus olhos procuraram os meus.
― Arrependo-me de ter te mandado embora ― contei, sem olhá-lo, encarando a xícara em minhas mãos. ― Mas nunca me arrependeria de você... ― suspirei, erguendo o olhar e tomando coragem de encarar as esmeraldas que eram seus olhos. ― Jamais... Porque eu te amo.
Edward pareceu surpreso. Eu também estava. E sei que se devia ao fato de ter dito algo que há muito tempo não dizia.
Deixei minha xícara sobre a mesa ao nosso lado e puxei a manta sobre minhas pernas antes de me virar, acomodando-me ao recostar sobre seu peito, apoiando minhas costas em seu tórax e minha cabeça em seu ombro, sentindo seus braços me receberem. Edward acariciou meus cabelos e depositou um beijo na lateral de minha cabeça.
― Você é tudo... ― ele sussurrou, afastando meu cabelo delicadamente, e senti sua respiração causando um arrepio em minha pele.
Seus lábios fizeram um caminho até o lóbulo de minha orelha e desceram pelo meu pescoço, seus dedos massagearam cuidadosamente meus ombros e deslizaram em direção aos meus braços lentamente. A mistura da sensação de seu hálito com seus lábios em minha pele... Eu devia pará-lo, mas não queria que ele parasse. E quando as suas mãos chegaram as minhas e seus braços me envolveram, senti sua boca subir até minha mandíbula e meu coração disparou, quando arfei, um gemido baixinho escapando por meus lábios ao mesmo tempo em que, inconscientemente, minhas pernas se apertaram uma contra a outra, então o afastei, saindo de seus braços e sentando-me na outra ponta do sofá.
― Desculpe, não queria...
― Tudo bem ― falei com a voz oscilando. ― Eu deixei.
― Deixou... ― ele sussurrou.
Respirei fundo, afastando meus cabelos e engolindo em seco.
― Acho que..., eu... Eu vou tomar um banho e deitar-me mais cedo ― informei, levantando-me. ― Boa noite.
― Boa noite ― ele suspirou e fui para meu quarto.
Minha respiração estava um pouco acelerada e só estabilizou depois de alguns segundos sob a ducha, deixando que a água caísse e levasse meus temores. Depois de secar meu corpo e tirar toda a água de meus cabelos, ficando apenas levemente úmidos, saí do banheiro e puxei meu robe de cetim rosê, deixado sobre a poltrona, e vesti-o, amarrando a fita em minha cintura, uma ideia muito distante se formando aos poucos em um lugar muito profundo de minha mente, mas não dei atenção. Sequei brevemente meu cabelo com o secador e caminhei até a cama, deitando-me, notando minha respiração se acelerar novamente, encarando as árvores lá fora pela parede de vidro e a neve no chão. Peguei o controle e fechei a cortina, abraçando o travesseiro ali perto, pensando no que tinha acabado de acontecer, sentido-me agitada e inquieta. Virei-me e fechei os olhos, forçando-me a esquecer, mas assim que caí no sono me encontrei em outro lugar, em outra cama.
“A brisa entrava pela janela, balançando as cortinas, e ouvia ondas se quebrando na praia perto dali. Senti beijos em meu pescoço e virei-me, encontrando aqueles olhos verdes e tomando sua boca para mim, beijando-o, sentido suas mãos deslizarem por meu corpo e enquanto ele afundava o rosto na curva do meu pescoço eu vi, por cima do ombro de Edward, uma sombra se aproximando da cama e encarei o sorriso sujo de Mark.
― Tinha que gemer meu nome ― sua voz fez meu corpo gelar ― Toda vez que eu te tocava, lembra?
― Ed-Edward... ― minha voz falhava e eu apertava os braços dele.
― Lembra quando minhas mãos estavam onde as dele estão agora?
― Ele... ― comecei, mas Edward me calou com um beijo, tentei afastá-lo, mas fui puxada para aquela sensação estonteante de seus lábios nos meus.
Até que voltei à realidade ao sentir outro par de mãos em meu corpo, indo em direção a um lugar entre minhas pernas e as quatro mãos em mim me fizeram gritar.”
Abri os olhos sentindo meu coração, acelerado, batendo fortemente contra meu peito. Sentei-me na beirada da cama, passando as mãos nos cabelos enquanto meus olhos percorriam cada canto do quarto, tentando garantir que tudo não passou de um... pesadelo. Levantei-me e fui até o banheiro, eu estava branca como papel, completamente pálida e respirei fundo, para afastar o susto e o medo. Molhei o rosto e meu pescoço, em uma tentativa de aliviar o mal estar, puxando a pequena toalha, ao meu lado, para me secar antes de seguir para fora do quarto, em direção a cozinha, onde bebi alguns goles de água misturada com um pouco de açúcar. Aos poucos me sentindo bem melhor e suspirei, massageando meus ombros e nuca, meu corpo estava tenso. Caminhei até a janela, afastando a cortina e vendo a neve cair lentamente lá fora, estava tudo muito calmo e assim voltei ao meu quarto, parando alguns passos antes ao ver a porta ao lado encostada e a luz, do quarto de Edward, acessa. Então, aquela ideia formada em algum lugar muito profundo em minha mente foi trazida à superfície e não quis pensar sobre ela, apenas bati duas vezes na porta, antes de abri-la, encontrando Edward, sem camisa, usando apenas uma calça de moletom, sentado na cama, recostado na cabeceira, tinha algumas pastas ao seu lado e alguns papéis em suas mãos.
― Oi, aconteceu alguma coisa? ― perguntou preocupado, tirando seus óculos de grau, empilhando as pastas e afastando-as para se levantar.
― Nada demais, apenas... ― não queria falar sobre o pesadelo, então suspirei, balançando a cabeça, procurando uma desculpa ― Apenas perdi o sono, não devia ter dormido durante a tarde.
― É apenas por causa disso ou há alguma outra coisa.
Edward, vestiu uma camisa rapidamente, abotoando apenas alguns dos botões e sentou-se na beirada da cama, de frente para mim, enquanto eu me encostava no batente da porta, tentando alinhar meus pensamentos.
― Aqui não há distrações, então fica mais difícil evitar pensar em certas coisas ― admiti e ele pareceu compreender. ― Tem algo... Algo que... Mark me disse naquele dia ― evitei seus olhos. ― Ele falou sobre como provavelmente sempre esteve entre nós. Em como... eu devia lembrar dele toda vez que você me tocava... ― sequei rapidamente uma lágrima em minha bochecha. ― E sabe, talvez ele tenha razão...
― Isabella ― Edward pediu minha atenção e quando o olhei vi sua mão estendida. ― Vem cá.
Aproximei-me segurando seus dedos, parando a sua frente, entre seus joelhos.
― Ele sempre esteve aqui e eu não quero mais isso, não quero mais a recordação dele... Quero apenas sentir o seu toque, sem me lembrar daquele dia, sem ter medo de novo ― falei, olhando para minhas mãos nas suas, levando-as até seus ombros, deslizando meus dedos em direção ao seu pescoço e abaixei-me encostando a lateral do meu rosto no seu, sentindo seu perfume.
Seu cheiro era como ser acolhida em minha casa, em meu lugar seguro e suspirei, secando a lágrima antes que ela caísse.
― Diga-me o que fazer ― pediu baixo.
― Seu toque ― falei, afastando-me para olhá-lo. ― Sei que essa é a única forma de eu esquecer daquele dia, esquecer dele.
Minha respiração estava pesada e meu coração acelerado quando levei minhas mãos à fita do meu robe, desfazendo o laço e respirando fundo quando soltei o tecido, deixando a mostra meu corpo completamente nu sob o cetim.
Meus lábios tremiam e seus olhos pareciam enxergar minha alma quando suas mãos tocaram meu quadril, subindo até minha cintura, puxando-me com delicadeza para mais perto e dei mais um passo em sua direção. Ele afastou o robe de meus ombros, fazendo o tecido cair, ficando preso apenas em meus braços, na altura de meus cotovelos, e dali de meu ombro sua mão direita desceu lentamente até um de meus seios, tocando-o com suavidade e enquanto ele se aproximava, seus lábios tomando o lugar de seus dedos. Permiti que minhas mãos entrassem em seus cabelos, minha respiração se tornando ofegante quando ele depositou um beijo delicado em meu seio, seus lábios traçando um caminho em direção a minha barriga quando suavemente me afastei.
Toquei seu queixo, trazendo seu olhar para mim e admirei por alguns instantes seus olhos verdes.
― Um passo de cada vez ― murmurei com uma leve dificuldade para respirar.
― No seu tempo ― sussurrou, suas mãos passando por minha cintura e ele me trouxe para perto, entre suas pernas e sentei-me em sua coxa esquerda, muito perto dele, apoiando as pontas dos pés no chão.
Edward beijou meu pescoço, seus lábios deslizando lentamente por minha clavícula, enquanto meus dedos trêmulos desabotoavam os três botões de sua camisa, que ele tinha vestido quando cheguei. Afastei a camisa branca e ele a tirou, permitindo que eu tivesse livre acesso a sua pele, e permiti que minhas mãos passeassem por seus ombros fortes, indo até suas escápulas, sentindo a definição de seus músculos, voltando até seu tórax, quando sua boca buscou a minha. Ele me beijou com suavidade, permitindo que eu me entregasse a seus toques e sua mão direita percorreu minhas pernas, desde meus tornozelos até meu quadril, fazendo-me estremecer.
Meu corpo estava quente e quando sua boca desceu até meus seios novamente, um gemido baixo escapou por meus lábios.
― Eu quero... ― estava um pouco sem ar e seus olhos voltaram aos meus, seus lábios roçando nos meus ― Eu quero que me toque aqui ― sussurrei, pegando sua mão próxima a meu joelho e levando-a para entre minhas pernas.
Seus dedos percorreram a parte interna de minhas coxas, e fechei os olhos, quando lentamente senti as pontas de seus dedos me tocarem, massageando suavemente aquele lugar tão íntimo, enquanto seus lábios se moldavam aos meus, e eu segurava seus cabelos, próximos de sua nuca. Arfei, sentindo meu corpo se contrair e apoiei-me em Edward, que me apertou mais contra si, colocando um pouco mais de pressão em seus dedos, fazendo-me gemer baixo e uma sensação estimulante percorreu minha espinha, o que fez minhas unhas arranharem seus ombros.
Abri os olhos, encarando aquele par de esmeraldas, fitando-os, provando a mim mesma que era ele, apenas ele. Era Edward que estava ali, fazendo-me perder o controle de meu corpo, que me dava prazer e toquei seu pulso direito entre minhas pernas, enquanto sentia cada centímetro da minha pele se arrepiar e encarava seus olhos, dizendo muita coisa naquele momento, sem realmente falar nada.
― Ah! ― arfei, quando um de seus dedos deslizou para dentro de mim e voltei a beijá-lo, sentindo o movimento lento de sua mão, e gemendo baixinho várias e várias vezes contra seus lábios, sem conseguir me conter.
Seu dedo fazia um lento vai e vem e já não tinha forças para me apoiar nas pontas de meus pés no chão, sendo segurada por seu braço forte, enquanto deixava minha cabeça pender um pouco para trás, fechando os olhos, sentindo sua boca fazer um caminho do meu pescoço até meus seios, demorando-se ali, e senti meu corpo contrair, uma onda de puro prazer me atingindo, fazendo Edward aumentar a pressão de sua mão, enquanto eu mordia meu lábio inferior, tentando me controlar, mas minha respiração estava ofegante, minhas unhas apertadas contra a pele de Edward e sentia a cada segundo mais a gigantesca onda de prazer se aproximando.
― Ed-Edward... ― murmurei e sua boca voltou a minha, beijando o canto de meus lábios.
― Eu estou aqui ― falou e encarei seus olhos por alguns instantes, antes de abraçá-lo, sentindo o formigamento, o tremor.
Ele afundou o rosto em meu pescoço e mais um, dois, três, vai e vem, então gemi alto, sentindo meu corpo se contrair várias vezes, apertando sua mão entre minhas pernas, quando elas se apertaram uma contra a outra, e arfei, beijando-o, lentamente. Seus dedos continuaram me massageando, dessa vez devagar, enquanto eu retomava o ar e ainda sentia meu corpo trêmulo, com pequenas ondas de prazer ainda percorrendo meus músculos, ouvindo Edward suspirar, com o rosto encostado no meu.
Foi quando senti sob minha perna sua excitação e o tremor que passou por meu corpo, dessa vez, não foi de desejo.
― Eu sinto muito ― falei baixo, quando sua mão se afastou de mim e levantei-me, puxando o robe na altura de meus cotovelos para meus ombros, cobrindo meu corpo, já caminhando para a porta do quarto.
Entrei no quarto ao lado rapidamente, fechando a porta e encostando-me nela, minhas pernas estavam sem forças, e meu corpo fraquejava. Enquanto eu repetia a mim mesma: “um passo de cada vez”, lentamente tudo ficaria bem. Por um momento pensei no que aconteceu e acabei sorrindo sozinha, passando minhas mãos por meu pescoço, ainda sentindo minha pele, sensível, se arrepiar. Pouco a pouco me sentindo cansada e caminhei até a cama, deitando-me, finalmente apagando em um sono profundo.
~*~
Eram por volta das nove da manhã quando sai do quarto, terminando de vestir um cardigan, e segui até a cozinha, parando logo na entrada ao encontrar Edward preparando panquecas, vendo o breve sorriso que apareceu em seus lábios.
― Bom dia ― falei baixo.
― Bom dia ― ele retribuiu, encostando-se na bancada à medida que eu me aproximava, estendendo sua mão para mim. ― Como dormiu?
Aproximei-me o bastante para apoiar as mãos em seu peito e ficando nas pontas dos pés eu o beijei, sentindo quando ele afastou meus cabelos, deslizando seus dedos por minha nuca, enquanto ele me fazia dar alguns passos para trás, até que eu me encostasse à bancada da pequena ilha da cozinha. Seus lábios se moldavam suavemente aos meus, e não havia pressa, apesar de eu lutar comigo mesma para não desabotoar sua camisa azul claro.
Afastei-me lentamente e encarei seus olhos intensos, notando sua respiração levemente descompassada.
― Aquelas panquecas...
― As panquecas! ― ele não me deixou terminar a frase, apressando-se em desligar o fogo, por pouco não queimaram e Edward riu, distraído.
Não falamos sobre o que aconteceu ontem à noite, talvez porque não havia o que falar. Aconteceu. E foi bom. Ao menos para mim.
Tinha neve lá fora e, apesar de muito frio, gostei quando caminhamos entre as árvores, relembrando momentos, sentimentos, de antes do nosso primeiro casamento. Era um bom período de nossas memórias para recordar, já que não havia mágoas daqueles momentos. Acertei algumas bolas de neve em Edward e caímos sobre o gelo, antes de voltarmos para dentro de casa.
Havia situações de completo silêncio entre nós, outras que falávamos por horas, e não sei se essas oscilações realmente tinham um motivo... Ou talvez no fundo eu soubesse.
Foi anunciado no rádio ventos fortes ao cair da noite, bom eles apenas erraram no horário, pois a ventania chegou quase dez horas, quando ajeitei um lugar no chão bem próximo a lareira e Edward trouxe um cappuccino para mim e uma xícara de café puro para ele.
Sentamo-nos sobre o edredom colocado sobre o tapete felpudo e encostei-me nas almofadas apoiadas na mesinha de centro. Ali o ar estava quente, aconchegante, e ao tomar um gole da bebida senti meu corpo relaxar.
― Isso, te lembra algo? ― Edward se referia aquele momento, aquela situação e assenti.
― Nossa primeira briga, quero dizer, não me lembro se foi a primeira ― eu não queria trazer um clima pesado, mas quando percebi já tinha falado demais: ― Mas acredito que foi a primeira vez que gritou comigo.
Seus olhos pareciam distantes, agora, presos na lembrança.
― Então, nos entendemos em frente à lareira na sala da nossa casa ― murmurei.
Ele olhou no fundo de meus olhos e percebi a intensidade, tudo que tinha ali. Sabia que ele estava esperando que eu continuasse, que finalmente tocássemos em certos assuntos.
― Eu estava com tanto medo de te perder ― contou e seu olhar se voltou para o fogo crepitando na lareira.
― Por que partiu? Por que estava tão desesperado para ir embora?
― Já me fez essa pergunta.
― E você não me respondeu. Contou-me sobre as finanças, sobre como assumir o filho com a Tanya te ajudaria... Mas, ela engravidou quase um ano depois que você foi embora, então acredito que vocês não tinham isso em mente quando decidiu ir para Londres ― Edward mantinha seu olhar para longe de mim. ― Disse-me que iria embora de qualquer jeito, mesmo se eu não tivesse pedido ― respirei fundo ao relembrar suas palavras, apertando meus lábios, sentindo as lágrimas se formando.
― Sim, eu iria ― falou baixo.
― Porque tinha medo de me perder ― finalmente conclui e ele pareceu atormentado, preso em pensamentos.
― Eu perdi você uma vez, quando simplesmente não acordou..., você não voltou para mim ― ele sussurrou as últimas palavras, com dificuldade. ― Eu não podia... E ainda não posso passar por aquilo de novo, não vou suportar te perder mais uma vez ― Edward fechou os olhos, permanecendo em silêncio por alguns segundos, então suspirou e dirigiu o olhar a mim. ― Naquele momento, afastar-me parecia ser a escolha mais segura. É difícil admitir, mas eu só estava fugindo enquanto mascarava meu medo com... uma falsa determinação.
― Eu entendo. Afastar-me de todos, quando acordei, também foi a opção mais segura. Sem riscos... ― falei baixo, antes de beber mais um pouco do cappuccino.
― Então o tempo passou...
O vento lá fora balançou as janelas e por puro reflexo me aproximei mais de Edward, tocando seu braço, talvez para ter certeza que ele não sairia dali, e um doce sorriso apareceu em seus lábios.
― Você é tudo que eu sempre precisei e ainda preciso ― ele sussurrou, segurando minha mão e entrelaçando nossos dedos.
― Então por que ficou com tanta raiva naquele dia, em seu escritório, quando te contei que minhas memórias estavam voltando?
― Não era raiva... ― Edward pareceu confuso, buscando palavras para conseguir explicar ― Ou melhor, era. Mas não de você, nunca sentiria raiva de você, meu amor. Eu tive raiva de mim mesmo, raiva de ter deixado tudo chegar naquele ponto, de ter perdido tudo. Tive raiva, porque naquele momento, não podia te colocar em primeiro lugar, tudo por minha culpa.
― Mas você ficou.
― O acidente... o atropelamento me deu tempo e a paciência de algumas pessoas.
― Eu soube que tinha cometido o maior erro da minha vida, no momento em que vi você entrar naquele elevador para ir embora ― murmurei. ― No dia do nosso divórcio.
― E eu cometi um erro maior ainda quando não voltei. Eu... Devia ter voltado.
― Mas você está aqui, agora ― falei, seus olhos encontrando os meus. ― E quero que faça amor comigo ― minha voz se ergueu um pouco e notei a surpresa em seu rosto.
― Tem certeza de que está pronta?
― Não ― minha resposta foi sincera e acabei sorrindo, provavelmente de nervosismo. ― Não tenho certeza, assim como não tinha certeza em nossa primeira lua de mel.
― Você me disse que tinha...
― Não, eu disse que tinha certeza do quanto eu queria você. Mas estava com tanto medo, tão insegura... E assim como naquele dia, eu quero você agora, mas isso não quer dizer que eu não esteja tremendo... ― acabei rindo, mordendo meus lábios, o nervosismo tomando força. ― É ao seu lado que me sinto livre, com forças para enfrentar qualquer coisa. Não posso deixar que ele continue presente entre nós.
― Ele não está ― afirmou e aproximei-me, sendo recebida por seus lábios em um beijo calmo.
Estava pronta para o que estava prestes a acontecer. Meu corpo pedia pelo dele e eu precisava sentir Edward o mais próximo possível de mim.
Nosso beijo foi quebrado por alguns instantes quando ele pegou nossas xícaras, colocando-as sobre a mesa atrás de nós, enquanto eu voltava a buscar sua boca, sentindo lentamente a forma como seus lábios se moldavam aos meus e suas mãos a minha cintura.
Talvez eu entenda sua motivação a se afastar anos trás, lembrando-me de como Edward estava quando acordei do coma e compreendo, na medida do possível, o seu medo. Pensar em passar por aquilo, de viver na incerteza, e então correr o risco de passar novamente por outra situação como aquela. Eu também entraria em desespero, não o culpo por tentar se proteger.
E pensando nisso permiti que Edward me puxasse para mais perto, beijando meu pescoço, enquanto eu recuperava o fôlego, fazendo-me gemer baixinho quando uma de suas mãos chegou ao pequeno espaço entre meus seios. E então um barulho me assustou, no momento em que as luzes se apagaram. Apenas o fogo na lareira iluminava a sala e segurei a mão de Edward sobre meu colo, ouvindo o vento forte lá fora. Naquele instante meu coração acelerou e olhei em volta, lembrando-me do meu sonho, tentando me certificar que estávamos apenas eu e Edward.
― Tem um gerador reserva. Vou ver o que aconteceu ― falou, já prestes a se levantar.
― Não, Edward ― segurei firme sua mão e seus olhos encontraram os meus na pouca luz ali. ― Não me deixa sozinha.
― Não vou te deixar sozinha, meu amor ― falou, voltando ao meu lado, sua outra mão acariciando meu rosto. ― Eu vou estar aqui... Sempre ― sussurrou, aproximando-se, depositando um beijo em meus lábios.
Amassei o tecido de sua camisa entre meus dedos, segurando-o ali, trazendo ele para mais perto e suspirei, guiando-o para meu pescoço, sentindo seus lábios indo devagar em direção ao meu ombro, descendo até ao pequeno espaço entre meus seios, fazendo-me estremecer e por um momento ele se afastou, olhando em meus olhos. Muitas coisas não ditas.
― Acredita em mim quando digo isso? Que sempre estarei aqui ― ele quebrou o silêncio, seus olhos repletos de uma densa imensidão verde.
Eu me perdi ali, presa em seu olhar e abri a boca para respondê-lo mais voltei a fechá-la, sem ter algo devidamente formado. Era uma pergunta difícil, que não seria respondida apenas com um “sim” ou “não”, ela era mais complexa que isso.
― Fiz muitas concessões para estar aqui, agora, com você. Aceitei muitas coisas, apesar de existir muitas que ainda preciso aceitar... ― falei baixo, minha mão tocando seu rosto. ― Mas, o que quero dizer é que, não teria aceitado nem metade dessas coisas se eu não acreditasse em você. E não só isso, eu confio em você.
A luz amarela alaranjada da lareira deixava visível todo o lado direito de seu rosto e permiti que meus dedos traçassem o contorno de seu queixo, seguindo até o final de sua mandíbula, trazendo-o para mais perto. Respirando fundo ao sentir meu coração descompassado.
― Não sei se vou conseguir... ― murmurei, engolindo em seco ― Apenas sei o quanto eu te quero agora.
― Então não fuja de mim ― Edward falou, pegando minha mão em seu rosto, levando-a até seu peito e senti seu coração batendo calmo. ― É só pedir e eu irei parar, não precisa fugir como fez ontem. Está bem?
Apenas assenti, sentindo seus lábios roçarem nos meus, enquanto ele puxava com delicadeza o suéter que eu vestia e meus dedos trêmulos tentavam abrir os botões de sua camisa, quando ouvi sua risada abafada e suas mãos seguraram as minhas.
― Calma ― ele murmurou. ― Respira ― lembrou-me e puxei o ar para meus pulmões, fechando os olhos ao expirar e quando voltei a abri-los Edward desabotoava seu ultimo botão.
Empurrei a camisa, fazendo com que o tecido deslizasse por seus ombros e quando ele já não a vestia mais, deixei que meus dedos tocassem sua pele. Eu estava com meu sutiã e a calça de moletom, e logo seus dedos entraram no cós desta, tirando-a de meu corpo, deixando-me apenas de lingerie. Edward me deitou sobre o edredom, ali no chão, sua mão se encaixando atrás de um de meus joelhos, levando-o até seu quadril, enquanto ele sustentava parte de seu peso sobre mim, sua boca moldando-se a minha. Suspirei quando Edward tirou meu sutiã e quando seus lábios desceram até meus seios, a ponta de sua língua parecendo brincar comigo e arfei, puxando-o para me beijar, inconscientemente passando minhas pernas ao redor de seu quadril e ouvi-o gemer baixinho contra minha boca, quando isso o trouxe para mais perto, permitindo-me sentir sua excitação pressionada contra minha intimidade. Mas ainda tínhamos muitas roupas e ele tratou de tirar sua calça, voltando a mim, seus lábios fazendo um caminho tortuoso pela curva do meu pescoço e por um momento, o estalo do fogo na lareira me tirou daquela sensação de deleite e olhei a sala escura ao nosso redor, o medo de ver algo a mais ali me fazendo recuar e no mesmo instante Edward percebeu.
― O que houve? ― sua voz soou suave e ele olhou por sobre o ombro, para a parede escura que eu encarava.
― Nada... Eu... ― engoli em seco ― Eu pensei ter visto algo... ― estava um pouco ofegante e respirei fundo fechando os olhos.
― Isabella ― ouvi ele me chamar. ― Isabella, olhe para mim ― pediu e encarei-o. ― Olhe em meus olhos, apenas em meus olhos. Só eu e você.
Sua mão direita tocou meu rosto, afastando a pequena mecha de meu cabelo. Seus dedos continuaram a descer pela lateral de meu braço, chegando ao meu quadril e seguindo para entre minhas pernas, para dentro de minha calcinha. Um gemido baixo se formou no fundo de minha garganta e escapou por meus lábios, enquanto eu me perdia em seus olhos.
Suspirei, meu coração acelerado quando ele retirou a única lingerie que eu ainda vestia. Não podia negar que apesar do momento, muita coisa passou por minha cabeça, coisas que eu não queria lembrar, não porque me assustavam, mas porque eram muito dolorosas. Como vê-lo indo embora ou deparar-me com Tanya grávida (e em tudo que aquilo poderia significar), ou até mesmo fingir a todos como estávamos bem e felizes, quando não estávamos. Todas as mentiras e como tudo se tornou uma gigantesca bola de neve, que nos arremessou para esse momento. E enquanto ouvia a neve caindo lá fora e o fogo crepitando e estalando ali perto, iluminando nossa pele com aquela luz alaranjada, permiti-me sentir os músculos contraídos de seus bíceps, por ele se apoiar em seus antebraços, a textura de sua pele, seu perfume inebriante. E foi nesse momento que tudo pareceu parar, até mesmo as chamas na lareira, todos os pensamentos se foram, e apenas o que lembro é de em algum instante ter pedido em um murmúrio, antes mesmo de senti-lo, para que Edward fosse devagar. E ele foi. Lentamente eu o senti em mim. E cada estocada lenta eu podia enxergar muito mais que apenas suas íris, podia sentir muito mais do que apenas aquele prazer crescente que me fazia gemer seu nome em sussurros. Queria mais dele, eu queria tudo dele, talvez muito mais do que Edward podia me dar por agora.
~*~
Não sabia como tinha vindo parar na cama. Lembrava-me apenas de adormecer presa em seus fortes braços em frente à lareira, mas agora estava em meu quarto, com um edredom macio cobrindo meu corpo nu. E quando me mexi um pouco, esticando minhas pernas, meus pés encontraram os seus e sem perceber eu já sorria. O relógio marcava oito e quarenta da manhã e pela fresta na cortina pude ver a paisagem branca lá fora. Era um dia preguiçoso e voltei a me acomodar, percebendo Edward se mexer apoiando seu braço na curva de minha cintura, permitindo que eu sentisse sua respiração pesada e ritmada em minha nuca, próxima a curva de meu pescoço. Segurei sua mão, que faziam as minhas parecem tão frágeis e ao lembrar-me da noite passada, levei sua mão até minha barriga, puxando seus dedos fazendo sua palma deslizar de me baixo ventre até o breve espaço entre meus seios, seguindo até meu pescoço, voltando a descer até um de meus seios, onde finalmente sua mão pareceu acordar... Não só a sua mão.
― Bom dia ― sua voz estava mais grave que o normal, como acontecia quando ele acordava de manhã.
― Bom dia ― sussurrei, sentindo ele depositar pequenos beijos em meu pescoço enquanto sua mão acariciava delicadamente meus seios, descendo até minha barriga.
Passamos um bom tempo ali, abraçados, sonolentos. E quando o relógio marcou dez da manhã Edward tentou se levantar.
― Não vou deixá-lo sair daqui ― falei.
― E eu iria adorar isso, mas precisa comer alguma coisa. Vou preparar o café, mas não se preocupe, vou trazer para cá, junto com alguns lanches e podemos passar o dia aqui.
― Leu os meus pensamentos ― revelei e ele se abaixou para beijar meus lábios lentamente, antes de se levantar, vestindo seu robe e saindo.
Vesti a primeira blusa de moletom que vi, jogada na poltrona ali perto, aproveitando para ir até o banheiro, lavei o rosto, e fiz um coque no cabelo. Encarando o reflexo de meu rosto corado e meus lábios avermelhados, antes de fechar os olhos e respirar fundo, recordando-me:
“― Como está?
― Tão vulnerável como estava a uma semana atrás ― murmurei ― mas você não se importou em saber antes, por que se importaria agora?
― Eu não me importei? ― ele indagou ― Está exigindo muito de mim, Isabella.” (capítulo 76)
Muita coisa aconteceu e não foi difícil apenas para mim. Voltei a encarar meus olhos castanhos no espelho e lembrei-me de Edward falando como não conseguiria suportar me perder de novo. E nesse instante eu o entendi, pois não conseguia nem pensar na possibilidade de perdê-lo.
Não. Eu não podia perdê-lo.
Suspirei, tirando minha roupa e liguei a ducha, deixando que a água morna relaxasse meus músculos. Depois do banho coloquei uma de minhas camisolas e vesti meu robe, pegando meu hidratante antes de seguir para cama. Estava terminando de espalhar o creme em minhas pernas quando Edward voltou com uma bandeja, colocando-a sobre a mesinha em frente ao pequeno sofá perto da janela.
Peguei o controle e abri a cortina, enquanto caminhava até ele, sentando-me ao seu lado. Pegando minha xícara de café e torrada.
― Parece um sonho ― murmurei, olhando para além da parede de vidro, a paisagem branca e alguns pequenos flocos caindo.
― É, parece um sonho ― concordou e acabei rindo ao ver que ele me admirava.
― Estou falando da vista, a neve...
― Ah, sim, é bonito ― também sorriu, agora olhando para a vidraça.
Então senti sua mão deslizar por minha perna enquanto ele se aproximou, beijando-me suavemente.
― Hum... Quero um pãozinho amanteigado ― falei ao me afastar e olhar a bandeja, fazendo-o rir, antes de me passar o pãozinho.
Edward bebia apenas um pouco de café puro e eu por alguns segundos encarei a aliança em sua mão novamente, antes de tocar seu antebraço, deslizando os dedos até sua mão, aproximando-me para encostar nele, apoiando a cabeça em seu ombro.
― Eu tive tanta raiva, naquele dia em que vi a Tanya grávida. Apenas algumas horas antes eu tinha acabado de te contar coisas que nunca achei que diria a alguém e você não me disse nada.
― Como eu diria? Estávamos nos aproximando cada dia mais e eu não podia estragar aquilo tentando explicar que Tanya estava grávida..., e que eu não era o pai, porém mesmo assim assumiria a criança, porque seria vantajoso para os dois... Eu te perderia de novo.
― Não tem como saber.
― Tem sim, Isabella. Como já disse, você procurava por um motivo para se convencer que estava certa ao ter me mandado embora, para mais uma vez desistir de mim, e já tinha muitos.
― É que penso naquele dia e... Tínhamos acabado de passar uma noite tão...
― Íntima ― ele me ajudou a achar a palavra.
― Fico pensando se tivesse sido diferente... E se nada tivesse sido omitido.
― Não se atormente com “e se”. Porque nunca saberemos como teria sido.
― Questionamentos não levarão a lugar algum ― falei ao me afastar e deixar minha xícara sobre a mesa, antes de me virar, ficando de frente para ele. ― Agora eu sei dos seus motivos e você sabe os meus. Então, sem mais questionamentos.
― Sem mais pensar em como seria se tudo tivesse sido diferente ― Edward que estava recostado no sofá, aproximou-se, sentando-se mais na beirada, também deixando sua xícara sobre a mesa.
― Apenas compreensão ― murmurei e um breve sorriso apareceu em seus lábios, quando ele chegou mais perto, levando suas mãos para trás de minha cabeça, soltando meus cabelos. ― Não me olhe assim ― pedi, baixinho. ― Isso me faz querer chorar, ao pensar nos anos em que estávamos longe e perdi esse olhar.
― Eu estou aqui agora ― afirmou antes de tomar minha boca, beijando-me com paixão e ousei mordiscar seu lábio inferior e seus lábios ainda roçavam nos meus quando ele voltou a falar: ― E não vou a lugar nenhum sem você, Isabella.
― Quero que me chame de Bella.
― Minha Bella ― ele murmurou, seus lábios beijando o canto de minha boca. ― E o que mais você quer?
Senti toda minha pele se arrepiar e o sorriso em meus lábios surgiu trêmulo, sabia que ele tinha reparado em tal detalhe, mas não falou nada.
― Edward...
― Desculpe ― ele recuou, mas antes que ele se afastasse eu segurei seu ombro, deslizando minha mão até sua nuca, enquanto eu sentia algo queimar em mim, mas dessa vez não tinha nada a ver com raiva... Não, estava mais para uma chama que me enchia de ansiedade e inquietação.
― Quero que faça comigo tudo que sempre desejou ― falei e seus olhos encontraram os meus, a surpresa estampada naquelas esmeraldas e notei quando ele engoliu em seco. ― Não quero que se contenha, não quero que meça cada movimento para não me assustar, não quero que me pergunte se está tudo bem. Eu confio em você e irei dizer caso eu me sinta... desconfortável.
― Você... ― ele parecia ter dificuldade de organizar seus pensamentos. ― Você me deixa sem palavras.
― Sorte a minha que para atender ao meu pedido você não precise usar palavras ― falei baixo, sorrindo, inconscientemente mordendo meu lábio inferior.
Edward se aproximou e seus lábios se moldaram aos meus, sua língua brincando em minha boca, fazendo com que eu, sem perceber, apertasse minhas pernas. Minhas mãos deslizaram para seu tórax e gemi baixinho quando ele me puxou para si, levantando-se e fazendo-me tropeçar em seus pés, enquanto ele me apertava contra seu corpo.
― Eu quero te sentir ― murmurei e seus dedos levantaram o tecido de cetim da minha camisola. ― Não ― arfei, minha respiração se tornando pesada. ― Quero te sentir com meus dedos.
Deixei que minhas unhas marcassem levemente seu tórax e ele pareceu um pouco hesitante quando meus dedos desceram até sua cueca boxer. Edward voltou a me beijar sem pressa, seus lábios descendo para meu pescoço quando suas mãos se juntaram as minhas, ajudando-me a descer sua cueca e a peça caiu no chão. Seus olhos estavam nos meus, no momento em que meus dedos trêmulos o tocaram e senti seu membro.
― Eu não sei... como fazer isso ― minha voz soou falhada, baixa, envergonhada, e um sorriso nervoso em meus lábios que ele beijou com carinho.
― Assim ― murmurou, sua mão repousando sobre a minha, fazendo meus dedos contornarem seu membro grosso e deslizarem por sua extensão, sentindo-o rígido.
Era um vai e vem que fazia meu coração acelerar e meu corpo estremecer quando ouvi Edward gemer baixo enquanto depositava um beijo logo abaixo do lóbulo de minha orelha esquerda.
Arfei, minha boca parecia seca quando ele me beijou, empurrando-me de leve fazendo com que eu desse alguns passos para trás, até sentir a lateral da cama atrás de meus joelhos.
Minhas mãos seguraram seus ombros e ele deu mais um passo, fazendo-me cair sentada na beirada da cama, enquanto Edward se ajoelhava na minha frente. Meu peito subia e descia com minha respiração ansiosa e ele estava entre minhas pernas, seu tórax colando-se ao meu enquanto sua boca brincava com breves beijos, sem se aprofundar, apenas me deixando com mais desejo dele. Porém, mais uma vez desci uma de minhas mãos até a sua excitação, dessa vez sem precisar de instruções, sorrindo contra seus lábios ao ouvir um gemido contido em sua garganta, sentindo seu membro ficando ainda mais duro em minha mão.
Foi quando seus dedos acariciaram meus ombros, afastando as alças de minha camisola, deslizando-as pelos meus braços, seus lábios em meus seios, suas mãos passando por minhas pernas até meus tornozelos. Engoli em seco, meus lábios pareciam pedir pelos dele, e meu corpo clamava seu toque.
Porém, Edward se afastou do alcance de minhas mãos e seus dedos seguraram as laterais de minha calcinha, tirando-a, antes de contornaram meus tornozelos, separando gentilmente minhas pernas, apoiando meus pés na beirada do colchão.
― O que... O que vai fazer? ― minha voz parecia sem forças, ou talvez eu estivesse sem ar, mas minhas palavras pareceram sussurradas a uma grande distância.
Edward sorriu, depositando pequenos beijos em meu joelho direito, descendo por minha coxa e meu corpo estremeceu.
― Vou te levar ao céu ― ele soou firme e determinado, enquanto uma de suas mãos subia por minha barriga, fazendo-me deitar e ficando totalmente entregue.
Encarei o teto do quarto, sentindo seu hálito quente entre minhas pernas e sua boca logo chegou onde eu mais queria ser tocada naquele momento, fazendo minhas costas se arquearem com o choque da onda de prazer em cada um dos meus músculos, sentindo sua língua se divertindo em escorregar para dentro de mim e seus lábios me fazendo perder os sentidos. Eu murmurava palavras desconexas sem nem mesmo perceber e minhas unhas estavam cravadas sobre a pele de sua mão espalmada em meu ventre acompanhando cada movimento inconsciente de meu quadril.
Meus olhos se fecharam, já não estava mais ali, eu flutuava para bem longe, sentindo meu corpo se contrair, com ondas e mais ondas de prazer se aproximando.
― Não para ― falei baixo, sentia um ponto pulsante entre minhas pernas, em sua boca e gemi alto, sem perceber levando minhas mãos até meu pescoço.
Meus dedos subiram por meu queixo, deslizando por meus lábios entreabertos, sentindo o ar que entrava e saia rapidamente de meus pulmões, cada vez mais, enquanto o ápice de meu prazer se aproximava, até sentir um de seus dedos em mim, estimulando algo muito mais profundo e intenso.
― Aah ― o ar saiu de meu peito e segurei sua mão, seus dedos se entrelaçando aos meus, enquanto eu mergulhava naquele mar de prazer. ― Edw... Mais... Ah!
Suas carícias se tornaram mais tênue e lentamente soltei seus dedos presos entre os meus, estremecendo com a forma que sua boca ainda me estimulava antes de seus beijos passarem para a parte interna de minhas coxas, permitindo-me respirar, mas antes mesmo que eu tivesse me recuperado por completo daquela viagem, suas mãos seguraram firmemente as laterais de meu quadril, puxando-me mais para a beirada, levando minhas pernas ao redor de seu corpo e ele estava dentro de mim, firme, forte, sem aviso. Suas mãos apoiadas uma de cada lado do meu corpo, afundavam o colchão, e a cama balançava a cada estocada, enquanto eu deixava que minhas mãos tocassem seu tórax, deslizando até seus braços, deixando que minhas unhas riscassem sua pele e seus olhos encontraram os meus, Edward se abaixando para tomar meus lábios. Mordisquei sua boca quando ele tocou meus seios e segurei sua mão, fazendo-a descer, passando por minha barriga, descendo um pouco mais, para que ele me estimulasse e arfei, gemendo contra seus lábios.
― Você me enlouquece ― Edward sussurrou e eu o senti entrar em mim mais devagar, porém mais firme.
E eu mais uma vez fui levada até o céu.
...
O quarto estava sob uma iluminação fraca, apenas a pouca luz que entrava pelas frestas da cortina fechada. Eu estava deitada sobre seu corpo, meu queixo apoiado em minhas mãos sobre seu tórax. Edward parecia relaxado, com um de seus braços atrás da cabeça, como um travesseiro a mais, e seu outro braço ora estava na lateral de minha cintura com sua mão acariciando minhas costas nuas, ora apoiado sobre meu braço e seus dedos acariciavam o perfil de meu rosto, mexendo em mechas do meu cabelo.
Seus olhos encontraram os meus, por alguns instantes, antes que ele quebrasse o silêncio.
― O que está te preocupando? ― sua voz soou grave, levemente rouca.
― Nada... Só estou pensando... no futuro ― murmurei, sentindo cada respiração sua, seu tórax subindo e descendo lentamente sob mim.
― E o que espera do futuro? Agora podemos, realmente, fazer planos ― falou baixo e sorri.
― É, podemos ― suspirei.
Meus dedos acariciaram seu tórax e depositei alguns beijos em seu peito, seguindo o caminho de sua clavícula, antes de me afastar e voltar a apoiar meu queixo sobre minhas mãos, vendo um breve sorriso em seus lábios, enquanto as pontas de seus dedos deslizando pelo canto de minha boca, indo em direção a mecha que pendia na lateral de meu rosto, levando-a para trás de minha orelha.
― Eu quero um filho com você ― ele sussurrou e fechei os olhos, afastando-me.
Olhei o quarto ao redor, enquanto puxava parte do edredom para cobrir meu corpo quando me sentei ao seu lado e ele também se ajeitou, sentando-se.
― Não quer isso?
― É claro que quero ― revelei. ― Mas...
Sua mão segurou a minha sobre o edredom e tentei sorrir quando seus dedos se entrelaçaram aos meus.
― Não estou dizendo que precisa ser agora, temos tempo... E alternativas não faltam ― sua voz era doce, atenciosa. ― Talvez, no futuro, quem sabe... podemos pensar em adoção, o que acha?
― Acho uma boa ideia ― sorri.
Ele se aproximou e apoiei minha mão em seu ombro, sendo puxada para seu colo, colocando um joelho de cada lado de seu corpo. Eu vestia apenas uma calcinha, então me deliciei com a sensação que sua pele causava na minha, enquanto seus lábios beijavam os meus cuidadosamente, antes de uma de suas mãos entrarem em meus cabelos e seus braços me envolverem em seu abraço, seu rosto afundando-se na curva de meu pescoço. Suspirei, ali, presa naquele lugar, do qual não queria sair.
― Eu te amo mais que tudo ― Edward falou baixo contra a minha pele e sorri, afastando-me para tomar sua boca para mim.
E ele me beijou... ele me amou...
Assim passamos o resto do dia, apenas nós dois, um passo de cada vez, superando cada obstáculo aos poucos. Conversando, entendendo-se, e aproveitando um ao outro, o toque de um e do outro. Matando a saudade. A saudade de uma época que nesse momento parecia ser tão distante... De uma época em que éramos outras pessoas, completamente diferentes. E agora aos poucos nos conhecíamos novamente.
Conversamos muito, cochilamos no decorrer do dia, rimos, contamos e ouvimos verdades um do outro, para então cairmos no sono profundo quando já passava das dez da noite.
...
Acordei no dia seguinte deitada sobre o peito de Edward, ouvindo seu coração calmo e sua respiração pesada. Aconcheguei-me melhor, puxando o edredom, que estava na altura de meu cotovelo, até meu ombro e depositei um beijo em seu peito, sentindo seu braço rodear minha cintura com mais firmeza. Mais algum tempo se passou e vi o relógio ali perto marcar oito horas da manhã, então devagar afastei seu braço de cima de mim, levantando lentamente para não acordá-lo.
Entrei sob a água morna da ducha, pegando meu shampoo, e logo o banheiro estava cheio com o perfume adocicado do produto. Depois de secar ao máximo meu cabelo com a toalha, vesti minha lingerie e peguei um moletom e uma blusa de mangas compridas nas gavetas em meu quarto, cuidando para não fazer barulho, vestindo-os rapidamente.
Segui para a cozinha, parando por um instante ali, lembrando-me de outros momentos como aquele e de repente eu soube o que fazer, como se fosse algo automático.
Peguei uma panela, alguns ovos, mais alguns temperos e preparei o café, pouco tempo depois Edward apareceu na entrada da cozinha, terminando de vestir um suéter, também com os cabelos úmidos do recente banho. Abaixei o fogo do fogão e caminhei até ele.
― Bom dia ― falei e fiquei nas pontas dos pés, segurando em seus ombros, roubando-lhe um beijo.
― Bom dia ― ele parecia confuso. ― Eu... Eu ia preparar o café da manhã.
― Não se preocupe ― falei baixo, apoiando minhas mãos nas suas. ― Você já fez demais ― murmurei, olhando em seus olhos e vendo algo ali, algo muito intenso, e percebi que ele ficou um pouco perdido. ― Precisamos de mais madeira para a lareira ― informei e ele assentiu, buscando meus lábios mais uma vez.
― Eu vou buscar ― falou interrompendo o beijo e vi seu breve sorriso.
― Ok.
Ele caminhou até a porta, pegando seu casaco e seus sapatos, enquanto eu voltava para o fogão.
Terminei o omelete e organizei a mesa, abrindo as cortinas, permitindo que o fraco sol entrasse. Vi Edward voltar e reacender a lareira, logo se sentando a mesa.
― Nossa, o cheiro está muito bom ― falou e sorri, servindo os dois pratos e levando-os à mesa.
Vi ele pegar o garfo, ansioso para provar enquanto eu voltava à cozinha para buscar o bule com café. Peguei as torradas e então o silêncio me chamou a atenção, e vi pelo canto dos olhos Edward parado, uma das mãos passando pelo rosto, enquanto ele parecia provar um pouco do omelete.
Parei no meio do caminho, de volta a mesa, ao percebê-lo olhando para além da janela, parecendo querer se concentrar na paisagem lá fora, uma de suas mãos massageando lentamente sua nuca. E senti meu coração pesar em meu peito quando me aproximei, deixando as torradas e o café sobre a mesa, vendo naqueles olhos verdes a dor que ele tentava a todo custo esconder.
― Edward ― chamei-o, mas minha voz não passou de um murmúrio que fez sua expressão concentrada se desmanchar.
Ele apoiou a testa em suas mãos, escondendo o rosto, evitando que eu visse seu sofrimento.
― Desculpe-me ― falou baixo. ― Só me lembrei da última vez que você preparou esse omelete para mim, exatamente como esse.
― Edward ― minha voz soou mais forte e aproximei-me tocando seu ombro.
Passei os dedos por seus cabelos e ele rapidamente passou as mãos no rosto, evitando me olhar, envergonhado.
― Eu... Eu senti sua falta ― então ele desmoronou, tentando sem sucesso secar as lágrimas antes que caíssem. ― Eu... senti tanto sua falta ― Edward soluçou, afundando o rosto em suas mãos e eu o abracei.
Eu estava em pé ao seu lado e ele apoiou a cabeça um pouco abaixo de meus seios, suas mãos contornando minha cintura e mantendo-me perto, enquanto minha respiração se acelerava com a dor de vê-lo assim.
― Por muito tempo achei que nunca mais a veria, que nunca mais sentiria seu cheiro, seu toqu... ― sua voz soou embargada e falhou, desmanchando suas palavras.
Arfei, mais uma vez passando os dedos por seus cabelos, sentindo minha boca seca, curvando-me, sentindo seu perfume e depositando um beijo no alto de sua cabeça, respirando fundo, olhando a paisagem branca pelo vidro da janela e fechei os olhos por um momento, deixando que uma lágrima descesse por minha bochecha, levando com ela tudo o que ainda pesava em meu coração.
― Eu te perdoo ― falei abrindo os olhos, sentindo-me finalmente bem. ― Perdoo por ter mentido, por você ter omitido tantas coisas, por não ter estado presente. Eu te perdoo por você ter ido embora quando eu mais precisava da sua presença.
Afastei-o, tocando seu rosto, secando seus olhos, vendo-o beijar a palma da minha mão, segurando-a em seu rosto.
― E agora... ― mais uma lágrima desceu por meu rosto, chegando ao meu queixo, para então cair entre nós ― ...te peço para também se perdoar, porque eu preciso de você, preciso de você por inteiro.
Edward não disse nada, apenas assentiu, tentando secar seus olhos, soluçando, e abaixei-me tomando seus lábios, sentindo-o me puxar para seu colo.
Sentei-me sobre sua perna e depositei um beijo em seu rosto, antes dele apoiar sua testa na minha, mantendo os olhos fechados.
― Eu vou estar inteiro para você, logo ― murmurou e sorri, acariciando seu rosto, depositando um beijo no canto de seus lábios.
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