Notas iniciais
Olá pessoas! Quero agradecer a Suh que recomendou a fanfic!! Muito obrigada flor! ♥ E vamos falar sobre o capítulo de hoje: Nesse capítulo tentei responder um pouco sobre algumas perguntas que surgiram sobre a Bella não poder ter filhos e sobre o fato de Edward estar falido... Apenas toquei no assunto meio superficialmente. Então se quer entender melhor recomendo reler os capítulos 71 e 74, e se algo ficar confuso é só me mandar uma mensagem que eu tento explicar... kkkk O capítulo de hoje não é tão intenso como o anterior, mas é necessário para encerrar alguns assuntos e fazer uma "ponte" para o próximo, ok? Espero que gostem Boa leitura!

Seis meses depois

Isabella’s POV

Vi, pelo reflexo do espelho, Edward desabotoando sua camisa logo depois de retirar a gravata e então voltei a olhar minha imagem continuando a passar o lencinho demaquilante em meu rosto, terminando de retirar a pouca maquiagem que tinha passado. E começava a retirar os grampos que mantinham o penteado de meu cabelo, quando o homem de olhos verdes passou por mim sua mão tocando minhas costas, na altura de minha cintura, por um breve momento, antes dele entrar no closet.

― Precisa de ajuda? ― perguntou.

― Preciso... ― falei um pouco mais alto para que ele ouvisse ― Com os botões do vestido ― informei, finalmente soltando todas as mechas de meu cabelo, massageando suavemente minha cabeça.

Então logo ele voltou, agora vestindo apenas a calça social, suas mãos tocando meus ombros quando ele parou atrás de mim, seus olhos encontrando os meus através do espelho enquanto seus dedos se concentravam em desabotoar os pequenos botões na parte de trás de meu vestido longo.

― Alice estava tão linda de noiva ― falei sorrindo. ― Ela e David no altar... Já se passaram tantos anos assim desde que conheci David naquele café? ― indaguei e vi seu lindo sorriso, antes dele se abaixar, depositando pequenos beijos em meu ombro.

― Já faz alguns anos ― falou entre cada breve beijo depositado em minha pele. ― Eu não tinha cabelos brancos naquela época, nem precisava de óculos para ler... ― pontuou e acabei rindo, enquanto ele terminava de abrir os botões, e virei-me, segurando o vestido tomara-que-caia em frente ao meu corpo.

― Para falar a verdade, nem tinha notado essas coisas que falou... ― fiz uma expressão indignada e aquele sorriso se formou em seus lábios, antes dele tomar os meus, beijando-me delicadamente.

Edward me encostou contra o espelho e sorri, quebrando o beijo, empurrando suavemente seus ombros, antes de voltar a segurar o vestido.

― Estou exausta ― contei, olhando o relógio que marcava três horas da manhã e notei que ele também encarou o relógio.

― Vamos descansar, então... ― falou, enquanto eu me desvencilhava de seus braços, seguindo para o closet ― Mas, se por acaso, quem sabe..., você perder o sono...

― Edward! ― exclamei rindo, revirando os olhos, vendo-o ali na entrada.

― Fala de novo ― pediu em um tom de voz baixo, seus olhos nos meus e se aproximou ao ver minha expressão confusa. ― Adoro quando diz meu nome assim.

― Assim como? ― indaguei sorrindo, quando suas mãos seguraram minha cintura e ele me beijou lentamente, fazendo com que minhas mãos soltassem o vestido, deixando que o tecido caísse no chão.

~*~

Acordei, na segunda-feira, e como sempre Edward já tinha ido. Levantei-me e tomei um banho, arrumando-me para ir até o estúdio. Tinha marcado de encontrar com Claire às nove da manhã, então olhei mais uma vez o relógio, colocando meus sapatos, saindo do quarto as oito e vinte e cinco. Encontrei a mesa do café arrumada, tomando rapidamente um pouco de suco de laranja com um lanchinho, antes de partir.

Encontrei Claire assim que cheguei, tinha a conhecido há alguns meses, através de Lindsey (minha técnica, na época em que era patinadora artística). Claire era uma bailarina de renome, com os típicos traços de uma dançarina e usava os longos cabelos escuros sempre presos em um perfeito coque. Mas infelizmente ela precisou se aposentar, cedo demais, por causa de uma lesão no joelho, e desde então começou a sonhar em criar um centro de dança para crianças e adolescentes, com objetivo de descobrir novos talentos. E depois de receber um incentivo de Edward, acabei por entrar nesse projeto com ela e agora a equipe de pintura terminava o trabalho no nosso lindo estúdio.

― Esse lugar pode se tornar o refúgio de muitas crianças, lembro-me de como a dança era lugar seguro para mim ― Claire falou, enquanto caminhávamos pelo lugar e então logo anunciou. ― A Amber também está dentro, ela é professora de dança contemporânea.

― Falei com o Jimmy na sexta e temos um professor de hip-hop ― informei e ela sorriu animada.

― Quero tanto ver outros sentirem a felicidade que eu sentia quando dançava ― seu olhar era sonhador.

― Tenho certeza que verá.

― Estive pensando e se estendermos o alcance disso. É claro que precisamos de um retorno financeiro e tudo mais... Porém, pensei que poderíamos ter um dia da semana para receber crianças... que realmente precisam de uma terapia como a música.

― O que tem em mente?

― A uns quinze minutos de distância daqui há um orfanato e pensei que podíamos abrir o estúdio uma vez na semana para receber as crianças que se interessam por dança...

― Isso seria perfeito ― falei e ela sorriu, contente, então ouvimos meu celular tocando.

Peguei o aparelho em minha bolsa e vi o nome de Emmett na tela.

― Preciso atender, um minuto ― pedi.

― Tudo bem ― Claire sorriu e afastei-me, atendendo a ligação.

― Oi Emmett ― falei animada, mas minha animação diminuiu um pouco quando não ouvi a voz masculina do outro lado da linha.

― Oi Isabella, é a Tanya, desculpe estar te ligando... ― sua voz parecia envergonhada ― É que eu preciso de ajuda e não sabia para quem pedir, na verdade não tenho para quem pedir ― falou e notei o tom triste em suas palavras.

― Tudo bem, Tanya, com o que posso ajudar?

...

Às vezes nos surpreendemos com nós mesmos e confesso que nesse momento estava surpresa com o fato de estar ali sentada na sala toda decorada em tons claros, com lindos pilares e carpetes cor de areia, olhando as araras, ao longo das paredes, repletas de vestidos brancos volumosos.

― Você é o que da noiva? ― uma das assistentes da loja perguntou, depois de me oferecer algo para beber que recusei.

― Eu sou... amiga.

― E minha cunhada ― ouvi a voz de Tanya e olhei por sobre o ombro, vendo-a se aproximar com a vendedora do seu lado.

Ela subiu na plataforma redonda em frente ao espelho e a mulher ao lado dela soltou a cauda do vestido. Tanya se olhou no espelho, arrumando o tecido de cor nude.

― Achei que Alice desenharia um vestido para você ― falei e ela riu, sem humor.

― Já foi uma grande surpresa ela não ter recusado o convite do casamento ― contou, balançando a cabeça suavemente, como se não quisesse pensar sobre isso, antes de se virar, olhando-me. ― E então? O que acha? ― perguntou, apontando o vestido.

― Está linda ― falei e era verdade.

O vestido tinha uma saia evasê, mangas três quartos, decote canoa e um tecido liso, realmente era lindo, porém ele parecia muito simples para alguém com uma personalidade tão extravagante como a Tanya e aparentemente ela também sentia isso.

― Mas você não parece estar tão feliz ― falei, vendo seus olhos surpresos.

― É claro que estou.

― Ela gostou mais do outro ― a vendedora falou baixo.

― Qual outro?

― Nenhum outro ― Tanya voltou a se olhar no espelho.

― Deixe-me ver ― pedi e ela negou com a cabeça.

― Prove só mais uma vez ― a vendedora insistiu.

― Não posso te ajudar a escolher se vai me mostrar só um vestido ― informei e ela suspirou, voltando ao provador.

Acabei rindo, olhando ao redor, esperando. Algum tempo depois Tanya voltou, agora com um vestido no modelo sereia, perfeitamente ajustado ao seu corpo, e quando ela subiu na plataforma de madeira, logo a minha frente, pude ver o tecido transparente que deixava toda suas costas a mostra, as rendas brancas cobriam todo o resto do vestido sobre um forro nude, com exceção das mangas onde as rendas estavam sobre um tecido transparente causando um lindo efeito. E quando ela se virou vi o decote em V, que realçava seu colo e ombros, enquanto algo no vestido parecia destacar seus cabelos loiros, deixando-a deslumbrante.

― Nossa... entendi porque gostou mais desse ― falei e vi que ela parecia envergonhada ao tentar conter o quanto tinha ficado feliz ao provar aquele vestido.

― É mas..., o outro é mais adequado.

― Como assim, adequado? ― indaguei.

― Isabella... ― ela ergueu os ombros, suspirando, endireitando-se antes de se virar para o espelho ― Sou uma mãe solteira e por isso minha família virou as costas para mim, sou dois anos mais velha que Emmett, tenho uma reputação mais manchada que... ― Tanya arfou, alisando o vestido em seu corpo. ― Não quero dar mais assunto para falarem.

Por um momento me encontrei em uma péssima posição, até porque eu tinha me livrado do rótulo de amante, mas não tinha pensado que alguém teria que ficar com ele. Porém, também sabia que ela não se referia apenas aquilo.

― Acho que não devia se preocupar com o que falam. É o seu casamento, o seu dia. E de qualquer forma, a única coisa que podem falar desse vestido é de como você ficou deslumbrante nele ― falei e ela sorriu. ― Deveria escolhê-lo.

Ela suspirou, pensativa, enquanto virava-se e admirava, em seu reflexo, cada detalhe no vestido.

― Então sua família não estará no casamento? ― perguntei, sem saber se devia, mas quando percebi já tinha falado.

― Acho que não ― falou baixo. ― Talvez alguns primos, mas minhas tias não... muito menos meu pai.

― Eu sinto mui...

― Não sinta! ― falou, um sorriso iluminando seu rosto, enquanto ela mexia nos longos cabelos loiros ― Estou realizando um sonho que nunca imaginei que poderia se tornar realidade e tudo isso está acontecendo por sua causa... Eu não tenho como te agradecer.

― Não precisa me agradecer ― falei.

― E quer saber? Pouco me importa se eles não estarão presentes. Você está certa, é o meu casamento, o meu dia. Quero mais é que falem ― anunciou e olhando para a vendedora disse: ― Vou ficar com esse ― e admirou o vestido modelo sereia mais uma vez.

Saímos da loja, depois de marcar os pouquíssimos ajustes que o vestido precisaria, e mais uma vez fui surpreendida quando Tanya me chamou para almoçar e eu aceitei. Eu não estava sendo falsa, até porque Tanya era uma boa companhia, e sabia que aquela aproximação nossa seria algo bom e necessário, então por que não tentar?

Era impossível não compará-la a Alice, elas eram pessoas que te faziam sentir à vontade, começamos em uma conversa animada sobre filmes e músicas, enquanto caminhávamos até o restaurante, falamos sobre o casamento, a vida à dois, maternidade e quando percebi já contava coisas que ainda não tinha falado com mais ninguém.

― Edward e eu estamos pensando a respeito... em outras alternativas.

― Mas, eu não entendi muito bem, você não pode engravidar? Desculpe perguntar assim...

― Tudo bem ― tentei sorrir. ― Na verdade, é meio complicado... No início da minha adolescência, eu recebi esse diagnóstico, de que eu não poderia ter filhos. Eu era muito nova e não procurei saber os motivos, naquela época eu tinha outras preocupações... ― recordações ruins me vieram a mente e continuei antes que Tanya fizesse alguma pergunta a respeito. ― E então teve a quimioterapia que também pode causar infertilidade... enfim, muitas coisas aconteceram comigo durante os cinco anos em coma, coisas que os médicos nem conseguem explicar...

― E você engravidou depois ― ela falou com uma expressão fascinada.

― Pois é, mas... sabe como acabou.

― Mas, hoje em dia, há tantos tipos de tratamento...

― Sim, estive pensando nisso e há alguns dias eu e Edward conversamos sobre adoção.

― Isso é maravilhoso ― ela sorriu. ― Ou não? ― perguntou quando não retribui totalmente sua animação.

― Sim, é ― sorri. ― Eu só... A maternidade nunca foi um sonho para mim, sabe? Mas então... ― suspirei.

― Mas então pode sentir um pouquinho da experiência e apaixonou-se.

― Mais ou menos isso ― falei enquanto entravamos em um restaurante.

Nos sentamos em uma mesa próxima a uma linda janela e fizemos nossos pedidos, então Tanya voltou a falar assim que o garçom de afastou:

― Olha, se eu posso te dar um conselho, adote um pronto ― falou e acabei rindo. ― Dica de uma mãe para uma futura mãe ― acrescentou. ― Dores nas costas, muitos quilos a mais, meses sem poder ver seus pés, enjôos, insônia, mal-estar e o parto...

― Tanya! ― acabei rindo ― Mas tem coisas boas também...

― Depressão pós-parto ― falou ironicamente.

― Ok, então não tem coisas boas?

― Tem... ― ela estava um pouco indecisa ― Imagino que deva ter ― falou entre risadas. ― Não... Agora falando sério, é claro que tem o lado bom, mas não deve romantizar ― explicou e pensei sobre isso por alguns segundos, antes dela continuar: ― Sabe, são experiências diferentes. Passei minha gravidez sozinha, graças a Deus eu pude contar algumas vezes com o Edward, como quando entrei em trabalho de parto muito cedo e não sei como teria passado por aquilo sem alguém comigo. Ele... Ele foi um grande amigo. Agora, você, vai poder viver isso de uma forma diferente, com o pai do seu filho ali ao seu lado... Enfim, se é o que você quer, deveriam pensar bem antes de escolher a adoção.

― Eu... Acho que talvez esteja certa sobre romantizar. Talvez o certo seja esperar um pouco mais.

― E conversar, precisam saber exatamente o que cada um quer, as experiências que querem viver.

Ter aquela conversa com Tanya foi importante para me fazer pensar em muitas coisas que ainda não tinha pensado e perceber que talvez decidir as pressas algo tão importante não fosse o mais certo.

...

O relógio marcava quase sete horas da noite quando terminei o jantar e arrumei a mesa, ouvindo a porta da entrada abrindo e sentei-me, vendo-o entrar na cozinha, já sem sua gravata e com os primeiros botões da camisa abertos.

― Oi ― falei.

― Oi, meu amor ― ele aproximou-se, abaixando-se para me beijar, antes de se sentar na cadeira ao lado. ― Como foi lá no estúdio? Tudo pronto?

― Quase pronto. Acho que poderemos abrir já nas próximas semanas, fui lá de manhã, mas acho que já devem ter terminado a pintura no final da tarde.

― Isso é ótimo ― falou impressionado, enquanto se servia de um pouco de suco. ― Mas pensei que iria passar o dia cuidando disso? O que fez depois?

― Eu ajudei a Tanya com a escolha do vestido de noiva.

Sua surpresa ficou evidente e bebeu um gole da bebida, parecendo procurar as palavras em sua mente.

― E depois almoçamos juntas ― contei e Edward de repente pareceu preocupado.

― E sobre o que conversaram? ― ele quis saber e percebi que seus olhos evitaram os meus.

― O que ela pode me contar que te faz ficar assim com medo? ― achei que minha pergunta o faria recuar, mas Edward permaneceu do meu jeito, com os antebraços apoiados na mesa, com uma expressão pensativa.

― Muita coisa ― ele suspirou, finalmente me olhando nos olhos.

― O que aconteceu com Emmett a muitos anos atrás, é uma dessas coisas?

― Como sabe?

― Eu apenas ouvi sobre, no dia do nosso casamento. Por que eu não sabia disso?

― Porque não tinha necessidade.

― Não tinha necessidade?

Edward apoiou o rosto em suas mãos, deslizando-as por seus cabelos, ele parecia tão exausto, com olheiras marcadas sob os olhos e resolvi mudar o assunto.

― Não me falou sobre seu dia ― informei e ele assentiu brevemente.

― Foi... ― respirou fundo ― ...péssimo.

― Nada melhorando?

― Eu recebi outra proposta...

― Sei que já falou que minha parte do divórcio não é o suficiente, mas não seria uma ajuda?

― Não ajudaria ficarmos sem uma reserva.

Ele tinha razão. E pensar que tudo aconteceu minha causa, foi por mim que ele se afastou no trabalho, para ficar ao lado da minha cama durante os anos em que fiquei em coma, e fui eu que pedi o divórcio, o que ajudou a levá-lo a falência.

Então por um momento decidi deixar aquele assunto de lado e toquei sua mão.

― Espero que esteja com fome, preparei seu prato preferido.

― Sim, estou ― ele tentou sorrir e levantei-me, pegando seu prato para servir o jantar.

Não consegui dormir naquela noite. As horas se passavam e eu encarava o teto, ouvindo a respiração pesada de Edward ao meu lado que não tinha tido nenhuma dificuldade em cair em um sono profundo. Respirei fundo, virando-me, vendo as cortinas balançarem com a leve brisa da primavera e puxei o lençol um pouco mais, amassando-o entre meus dedos, sentindo-me estranha, um mau pressentimento fazendo meu coração se apertar. Pensei em toda conversa que tive com Tanya e agora eu me perguntava se realmente estava preparada para aquilo que passei a querer tanto nos últimos meses. Depois da breve conversa com Edward antes do jantar eu soube que não era o momento para isso. Não era o momento certo financeiramente e nem psicologicamente.

Eu não estava preparada para ser mãe.

Faz meses desde que decidimos que queríamos um filho, mas inda não aconteceu e talvez deva ser assim. Eu não tive uma mãe, nem uma infância... Como poderia...?

E de repente muitas recordações invadiram minha mente, fazendo-me sentir o ar faltar em meus pulmões. Passei minha mão por meu rosto, afastando meus cabelos soltos, fechando os olhos com força, querendo apagar certas imagens, porém quando voltei a abrir os olhos vi uma sombra no quarto e congelei, ficando paralisada. Ouvi cada passo pesado vindo em direção a mim e seus olhos escuros prenderam os meus quando ele se abaixou ao lado da cama.

― Minha Bellinha ― sua voz me fez tremer de medo e as lágrimas caíram pelos cantos de meus olhos, molhando a fronha do travesseiro.

― Não... na... ― eu mal conseguia falar quando sua mão áspera tocou meu ombro, descendo por meu braço.

― Calma, não vai doer nada ― ele falou baixo.

― Por fa... não..

― Bellinha...

― Bella!

― Eu senti sua falta...

― Bella! Bella! ― ouvi ao longe e foi como se alguém tivesse me puxado do fundo de uma piscina.

Acordei, chorando, e virei-me agarrando aquele ali ao meu lado que me chamava. Mantive os olhos fechados, abraçando-o, afundando o rosto na curva de seu pescoço, sentindo seu cheiro e refugiando-me ali em seu peito.

― Meu amor, o que houve? ― suas mãos me seguravam com delicadeza e afagavam minha pele.

― Ele... tem alguém... perto da sacada... ― falei sem ar, ofegante, entre soluços.

― Hey, meu anjo ― Edward tentou me afastar, para que eu o olhasse, mas segurei em sua camiseta, tremendo. ― Tudo bem ― sussurrou, abraçando-me, fechando seus braços ao meu redor. ― Não tem ninguém aqui.

― Ele... e-eu vi ― balbuciei, quase sem voz.

― Isabella, não há ninguém, foi apenas um sonho, meu anjo ― falou, sua mão acariciando meus cabelos.

Tentei acalmar minha respiração, tomando coragem para abrir os olhos, percebendo as luzes, do quarto, acesas.

― Está tudo bem ― falou baixo e espiei por sobre o ombro, vendo as cortinas que balançavam com o vento, que entrava pela porta da sacada aberta e o lugar vazio sobre o tapete redondo do quarto.

Lentamente soltei a camiseta de Edward e passei as mãos no rosto, secando as lágrimas, ainda apoiada em seu tórax.

― Já passou ― ele falou, depositando um beijo na lateral do meu rosto.

Mas eu me virei, tomando seus lábios, e suspirando entre breves beijos, enquanto meus dedos procuraram a barra de sua camiseta, puxando-a para cima, ajudando-o a tirá-la, tocando sua pele, sentindo seu corpo, permitindo que ele deslizasse as alças de meu vestido de cetim, por meus braços e puxasse o tecido por meu corpo, levando a calcinha que usava junto, antes de me deitar levando Edward comigo, para cima de mim, afundando-me entre os travesseiros e apertando as fronhas entre meus dedos quando o senti dentro de mim.

Sua mão encontrou a minha, fazendo-a soltar o tecido de algodão, e entrelaçou seus dedos nos meus, quando ele deixou que seu peso caísse mais sobre mim, deixando que eu sentisse cada estocada presa entre seu corpo e o colchão, deliciando-me com seus lábios em meu pescoço e satisfazendo-me em tê-lo para mim.

.

Acordei, algum tempo depois, vendo o abajur ao meu lado ligado, assim o quarto não ficava tão escuro, apesar do relógio informar que logo o sol nasceria no céu. Percebi o lençol cobrindo parcialmente meu corpo completamente nu e sorri, respirando fundo, virando-me na cama, meu sorriso se desfazendo ao encontrar o lugar vazio ao meu lado. Puxei mais o lençol, sentando-me, olhando ao redor e por um momento tive medo, mas mesmo assim me levantei, puxando meu robe e vestindo-o rapidamente, passando os dedos nos cabelos, levando os fios para trás das orelhas antes de caminhar pelo quarto, aproximando-me das grandes portas que levavam a sacada, encontrando ali o homem que procurava. Edward estava sentado em uma das poltronas de vime escuro, encarando a pequena caixa desbotada pelo tempo, sobre a mesinha de vidro, que fez minhas mãos gelarem.

― Tinha até me esquecido disso ― falei baixo e ele me olhou, mas não estava surpreso, provavelmente já tinha notado minha presença ali.

― Pois eu não me esqueci ― informou e aproximei-me, sentando-me na outra poltrona quase de frente para ele. ― Você me disse que guardar essas coisas em uma caixa te dava controle, mas acho que está errada. Guardar isso mantém a lembrança viva ― falou e olhei em seus olhos verdes, de repente percebendo a distância entre as duas poltronas aumentar, sentindo-me sozinha.

Mas era assim que eu deveria enfrentar aquilo, por mais que me apoiasse em Edward, apenas eu poderia me livrar daquelas amarras, e precisava encontrar dentro de mim a força necessária. Porém, como sempre, ele me ajudou, contando-me aquilo que precisava para eu finalmente me sentir segura.

― Mark foi condenado à prisão perpétua. Não falei nada antes, porque Emmett queria te contar...

Eu queria ter tido alguma reação, eu estava esperando por isso há meses, mas apenas fechei os olhos, finalmente conseguindo respirar fundo de verdade, e as lágrimas caíram, meu corpo se tornando mais leve e uma onda de alívio passou por mim.

― Então acabou? ― indaguei sem acreditar, voltando a olhá-lo.

― Quase ― Edward falou baixo, empurrando a caixa, sobre a mesa, em minha direção e deixando ao lado dela um isqueiro. ― O ponto final só depende de você.

Encarei a pequena caixa roxa desbotada, amassada, e abri-a, encarando as fotos, ousando pegar uma na mão e ver ali a imagem de Mark ao lado da menina indefesa que um dia eu fui. Sequei rapidamente outras lágrimas que caíram e suspirei, voltando a guardar a fotografia dentro da caixa, junto das cartas, minhas orações e os pedidos de socorro, junto com meu desespero, que agora ficariam presos ali, que queimariam ali. Levantei-me, pegando o copo com o resto de uísque perto de Edward e derramei um pouco dentro da caixa, colocando-a no chão, ajoelhando-me antes de pegar uns dos papéis e acender com o isqueiro em minha mão. Encarei a chama por alguns instantes e lembrei-me de tudo, de toda dor, de todo medo...

― Isso acaba aqui ― falei, jogando o papel em chama dentro da caixa e vendo tudo queimar, sentindo o fogo aquecer o ar diante de mim.

Então senti aqueles braços fortes ao meu redor, apoiando-me em seu ombro, sentindo seu cheiro e assim ficamos até que do meu passado restassem apenas cinzas.

Notas finais
Reviews!! Beijoss