Notas iniciais
Obrigada Sophya Cullen por ter recomendado a fanfic!! :D Mudando de assunto, confesso que chorei enquanto escrevia esse capítulo e espero que vocês se emocionem assim como eu me emocionei.

Edward’s POV

Admirei seu sorriso assim que o sol nasceu e vi aquele brilho em seu olhar sob os longos cílios perfeitamente alinhados, enquanto sua mão trêmula tocava meu rosto lentamente e ouvimos ao longe as ondas que se quebravam na praia.

― Bom dia. ― ela sussurrou e sorri, percebendo o quanto eu amava acordar ao seu lado ― Obrigada por ter me trazido, não aguentava mais aquele hospital.

― Faço qualquer coisa que me pedir ― afirmei e ela se aconchegou em meus braços, suspirando e por algum motivo, que não consegui entender, percebi que tínhamos pouco tempo.

― Tudo, uma hora, tem que acabar. Não é mesmo?

― Mas e quando não queremos que acabe?

― Edward... ―murmurou.

― E quando queremos aquela opção que não existe? ― indaguei antes que ela pudesse falar algo ― Então sentimos aquela ansiedade, angústia, a dor, nos corroendo, enquanto tentamos desesperadamente achar uma saída onde não há. Não há! ― exclamei e ela me abraçou fortemente, enquanto eu tentava respirar, mas meus pulmões pareciam não querer isso.

O silêncio reinou e aos poucos Isabella adormeceu novamente, deixando-me ali sem forças, sem alternativa. Levantei-me e caminhei pelo quarto, entrando na sacada e olhando a praia da nossa ilha... Havia algo ali, talvez uma possibilidade... a possibilidade de eu partir com ela.

Os ponteiros do meu relógio de pulso não paravam e as horas se passavam, não podia fazer nada. De repente o sol já estava em seu lugar mais alto no céu, os ponteiros do relógio marcando meio-dia, e o desespero bateu em minha porta sem muita paciência.

― Edw... ― ouvi a voz fraca de Isabella me chamar e corri até o quarto, encontrando-a sentada na cama, tentando se levantar.

― Estou aqui ― falei, segurando seus braços, deixando que ela se apoiasse em mim ― Aonde quer ir?

― Quero ir até a praia.

― A praia? O sol está um pouco forte a essa hora.

― Por favor, me leve até a areia ― pediu e assenti.

― Ok, vem.

Passei um braço por trás de seus joelhos e a levantei com facilidade, carregando-a no colo enquanto saia do quarto e descia as escadas, logo pisando na areia. Abaixei-me próximo do mar, deixando a água salgada tocar seus pés e sentei-me na areia, permanecendo com ela entre minhas pernas. Isabella fechou os olhos, recostando-se em meu peito, e sorriu, entrelaçando seus dedos nos meus.

― Sente isso? ― perguntou.

― O que meu anjo?

― Como o sol toca nossa pele, aquecendo-a. Essa sensação aconchegante... é como receber um abraço de alguém que você ama ― ela explicou quase sem voz e sorriu. ― Posso te fazer um pedido?

― Pode me pedir qualquer coisa.

― Me chama de Bella ― pediu em um sussurro e notei sua dificuldade em respirar.

― Você é e sempre será minha Bella ― afirmei e notei sua respiração fraca, diminuindo a cada segundo.

― Eu te a... ― sua voz ficou suspensa no ar e sua mão escorregou da minha.

― Bella? ― chamei-a ― Bella?! Isabella! ― ela não respirava, não reagia...

Abri os olhos assustado, com mais um sonho, e encarei o teto da sala, percebendo que havia dormindo sentado no sofá e me ajeitei, sentindo a terrível dor de cabeça.

― Trezentos e setenta e dois ― murmurei, passando as mãos no rosto.

Então me levantei seguindo para o banheiro, tomando um banho e vestindo meu terno, logo em seguida procurando por um remédio para dor de cabeça. Olhei-me no espelho e passei as mãos no rosto novamente, exausto. Saí do quarto e vi Luiza, toda de branco, abrir a porta no fim do corredor e suspirei caminhando lentamente até o outro quarto.

― Bom dia, Sr. Masen.

― Bom dia ― respondi baixo, aproximando-me da cama, ouvindo os aparelhos que a mantinham viva.

Vi Luiza checar cada um deles e logo depois sair do quarto, deixando-me ali perdido em mim mesmo. Sentei-me na cadeira ao lado da cama e segurei sua mão, levando-a ao meu rosto enquanto fechava os olhos e relembrava seu toque.

― Eu estou aqui ― sussurrei, abrindo os olhos e encarando Isabella, analisando seu rosto fino, sem expressão.

Sabia que ela podia me ouvir, sabia que ela estava ali, tinha que estar. Isabella nunca me abandonaria, nunca me esqueceria.

Como sempre fui trabalhar, permanecendo trancado em meu escritório e ao voltar para casa depois das nove da noite, preparei o jantar. Sentei-me sozinho a mesa e encarei o prato a minha frente, sentindo as lágrimas caírem. Eu não conseguia, pois eram nesse simples atos do cotidiano como acordar sem poder ouvir seu “Bom dia”, não ver seu sorriso ou ter sua companhia durante o jantar,... era nessas horas que mais sentia falta dela. Afastei o prato e peguei a garrafa de uísque.

...

― Edward ― alguém me chamou, era uma voz conhecida e tentei abrir os olhos, mas a claridade quase me cegou. ― Edward, vamos ― a pessoa tentou me levantar e voltei a abrir os olhos, apoiando-me na mesa ali ao lado, vendo a sala girar ao meu redor.

― Emmett ― falei ao vê-lo tentar me manter em pé ― ela não vai... voltar, não é?

De repente a bebida voltou por minha boca, meu corpo já não aceitando mais o álcool.

― Leve-o para o banheiro, precisa de um banho gelado, ― ouvi uma voz feminina ― eu limpo tudo.

― Alice? ― chamei-a, caindo na escuridão novamente.

~*~*~

Os dias passaram, os anos se foram e eu permaneci parado, exatamente naquele mesmo lugar, sem saber o que devia fazer. Às vezes queria poder seguir em frente, mas estava preso... preso a esperança. A esperança de um dia ela acordar.

Às vezes recebia a visita de meus primos e às vezes David vinha ver Isabella, mas acho que eles me abandonaram. Eu já não vivia mais...

Vi o sol nascer sem ter dormido nem por um minuto, pois já havia desistido, só conseguia dormir quando bebia, porém não suportava mais ficar de ressaca. Levantei-me e caminhei em direção ao banheiro, olhando-me no espelho e não reconheci a imagem ali, aquele não podia ser eu.

― Mil oitocentos e setenta e oito ― murmurei enquanto vestia o blazer.

Visitei Isabella antes de sair e ir para a empresa, onde tentava me distrair o máximo possível e por incrível que pareça o tempo passava rápido.

― Ocupado? ― vi Alice abrir a porta do meu escritório.

― Nunca estou ocupado para você ― respondi e ela sorriu.

― Vim trazer algo ― falou caminhando até minha mesa e depositando ali uma carta. ― Isabella pediu que eu te entregasse, mas...

― O que? ― indaguei, pegando o envelope. ― Ela deixou uma carta! E só me conta isso agora?! ― falei um pouco alto.

― Ela pediu para que eu entregasse no momento certo...

― Não acredito nisso ― murmurei e vi Alice fechar os olhos e suspirar.

― Tchau Edward ― falou já se virando e me levantei, correndo até ela, impedindo-a de sair.

― Desculpe...

― Tudo bem ― afirmou e fez menção de abrir a porta, mas parei sua mão.

― Não vai embora ― pedi.

― Claro, posso ficar, mas sobre o que vamos conversar? ― ela perguntou e permaneci em silêncio ― Em como você enlouqueceu? Em como está irreconhecível? Ou em como mantem o corpo vazio de Isabella em sua casa? ― cada palavra me atingiu com tanta força que abaixei a mão e vi Alice partir, deixando-me ali no vazio de minha sala.

Caminhei até minha mesa e encarei o envelope em perfeito estado, estiquei o braço, pegando-o, sentindo a textura lisa e áspera ao mesmo tempo. Por um momento senti a raiva por Alice ter escondido aquilo, mas então me perguntei se realmente deveria abrir e ler.

Alice’s POV

Sai do escritório de Edward e assim que as portas do elevador se fecharam não pude conter as lágrimas. Respirei fundo, limpando-as e colocando meus óculos escuros, sentindo a dor cedendo e dando lugar ao vazio que Isabella deixou. Dirigi pela cidade, tentando esquecer de tudo... estacionei o carro e caminhei pela calçada, vendo cada pessoa ali, passando por mim apressadamente, sem se dar ao luxo de parar por um minuto e ver o que estava perdendo, como o lindo céu azul sobre nós. Tudo continuava, ninguém se importava com minha dor, com minha perda, o mundo é assim e isso faz tudo ficar pior. Agora entendo como alguém pode se sentir sozinho no meio de uma multidão.

Entrei no restaurante, vendo David acenar e sorri inconscientemente, caminhando para seu abraço.

― Tudo bem? ― perguntou e assenti.

― Deixei a carta com ele, espero que ela mude alguma coisa ― respondi, enquanto recebia um abraço de Emmett, que puxou a cadeira para mim.

― Já faz muito tempo, ele tem que perceber isso. Tudo bem ter esperanças, mas não precisa parar de viver por isso.

― Mas sabe David, acho que o problema de Edward não é voltar a viver, às vezes acho que ele até quer isso, mas não sabe como ― tentei explicar.

― É difícil recomeçar ― Emmett comentou ― ainda mas quando tem medo de seguir em frente e não querer mais olhar para trás. Tudo tem seus prós e contras.

― Ele está irreconhecível ― falei ― com as olheiras profundas e parece ter emagrecido ainda mais.

― Vamos mudar de assunto, por favor ― Emmett pediu com uma expressão angustiada e fizemos nossos pedidos ao garçom.

Seguir em frente... É tão fácil falar.

Como recomeçar? Como esquecer?

― Alice, achei uma loja, é pequena, está dentro da quantia que disse que pode gastar e está em uma boa localização na cidade ― David informou ― Mas é pequena ― voltou a falar antes de mostrar as fotos em seu celular.

Vi a loja com uma pequena porta entre duas vitrines e sorri, já imaginando tudo que podia fazer ali.

― É perfeita ― falei.

― Sério? Gostou?

― Amei! Vou colocar dois toldos arredondados nas vitrines... vai ficar maravilhoso.

― Bom, então mais tarde eu entro em contato com o dono, para a negociação.

― Posso saber quem vai bancar a reforma desse lugar? ― Emmett perguntou.

― Eu tenho algumas economias guardadas e o resto sairá do seu salário, que sei muito bem que você esta guardando ― afirmei e ele riu.

― Nem nos seus sonhos.

― Eu e Emmett podemos fazer a pintura, ― David propôs ― assim não precisa gastar com um pintor, podemos trabalhar nos finais de semana.

― Podemos não! Não concordei com nada.

― Seria perfeito. ― falei ― Fechado.

― Como assim? ― Emmett indagou exasperado e rimos.

Olhei o rapaz de cabelos castanhos avermelhados que lembravam o cabelo de Isabella, então analisei seu rosto meigo, seu jeito de príncipe encantado da Cinderela, só que mais moderno.

― Então conheceu a Caroline? ― Emmett perguntou e ouvi a risada de David ― Sabia que você ia gostar dela.

― Certas coisas não mudam... ― murmurei e eles riram.

Edward’s POV

Levantei-me e recolhi alguns papeis, saindo. Não conseguia mais ficar ali, voltei para casa e fiquei perdido. Andava pelos corredores, salas, quartos de minha própria casa e não sabia o que fazer. Porém parei quando passei em frente a uma porta, abrindo-a e caminhando até meu grande piano de cauda. Sentei-me em frente as teclas e sem precisar pensar apenas comecei a tocar, deixando que meus dedos criassem a melodia que eles quisessem. Toquei durante horas, sem parar, enquanto sentia o ar faltar em meus pulmões, sentia-me como se estivesse me afogando... afogando em mim mesmo, agonizando. Meus dedos bateram nas teclas com mais força e quando percebi minhas mãos socavam o piano e fechei a tampa sobre o teclado, o som da madeira batendo ecoando por toda casa. Foi quando as lagrimas queimaram em meus olhos e escondi o rosto nas mãos, apertando meus cabelos entre os dedos, chorando tudo que não chorei quando vi minha irmã morrer em meus braços, o que não pude chorar quando recebi a notícia que talvez Isabella não voltasse a acordar.

O pior de tudo é a saudade, que dói e não cede por nada. Saber que não importa quando tempo passe nunca mais ouvirei sua voz, sua risada, as covinhas no sorriso de Jane, o intenso olhar de Isabella... Até mesmo meu pai, que partiu sem que eu pudesse me despedir ou me desculpar. O que mais dói não é a culpa ou o arrependimento de não ter feito mais por eles, não é o fato de ter tido pouco tempo. O que mais dói é a falta que eles fazem...

Quando percebi já estava me sentando na cadeira ao lado da cama de hospital de Isabella e segurando sua mão, tentando convencer a mim mesmo que deveria tomar uma decisão. Apoiei a cabeça em sua mão e fechei os olhos, cansado e aos poucos fui puxado para outro lugar em minha mente.

“Senti a areia sob meus pés e vi a grande mansão a minha frente. Porém o lugar estava vazio, então olhei ao redor ouvindo alguém me chamar ao longe, o desespero me possuindo quando reconheci sua voz. Corri para dentro da casa, tentando achá-la, passando pela sala, a cozinha... mas foi quando entrei no cômodo, que guardava a escada, senti a dor no peito, todos os sentimentos se misturando ao vê-la. Aproximei-me, subindo alguns degraus até onde ela estava e vi sua pele brilhar sob a luz que emanavam dos primeiros raios de sol invadindo a sala. Seu rosto delicado emoldurado pelos longos cabelos castanhos avermelhados que desciam até sua cintura, criando um forte contraste com o branco do vestido de noiva que ela usava, o qual fez a imagem dela entrando na igreja, em nosso casamento, invadir minha cabeça.

― Bella ― sussurrei e ela apenas estendeu a mão para mim, a qual segurei, sentindo sua pele tão fina e aveludada como uma pétala de rosa.

Isabella me guiou escada acima, caminhando pelo corredor com movimentos tão suaves que me lembrou a uma bailarina e notei seus pés descalços sob a saia rodada do vestido. Segui-a até nosso quarto, onde sorriu e deixou seu corpo cair sobre o colchão, o grande vestido se espalhando sobre o edredom. Deitei-me ao seu lado e fechei os olhos ao sentir seus dedos tocarem meu rosto, com tanto cuidado, deslizando até meu queixo.

― Você realizou cada sonho meu e não pude fazer nada por você, ― ela murmurou e quase não pude ouvir ― não pude realizar seu sonho. Sei o quanto queria poder voltar no tempo, por causa da sua irmã.

― Você fez mais. Isabella, você me deu um motivo para querer viver o presente ― afirmei, encarando seus olhos.

― Então não sacrifique tudo, que conseguiu no presente, por mim, que já estou no seu passado ― pediu. ― Tenho assuntos inacabados, mas só poderei resolvê-los quando me deixar partir.

― Eu quero só mais um tempo...

― Horas, dias, anos,... , a eternidade. Nunca há tempo o suficiente para dizermos adeus, principalmente quando não queremos fazer isso.

― Só quero te ver viva, sorrindo, mesmo se não for ao meu lado, não importa.

― Não devia dizer isso, as palavras têm força ― falou com um tom de aviso e se aproximou, deitando-se sobre meu peito e abracei-a, sentindo seu delicado perfume de rosas e fechei os olhos. ― Eu te amo ― ela sussurrou.”

Acordei assustado e levantei-me, passando as mãos no cabelo, atordoado com o sonho que parecia ter sido real. Caminhei pelo quarto e olhei novamente a carta em minhas mãos, então saí dali, não conseguindo mais fazer aquilo, pelo simples fato de que eu já sabia o que devia fazer.

Como sempre passei a noite em claro, caminhando pela casa, lendo alguns contratos e relatórios da empresa, mas a carta sobre a mesa da sala me torturava, fazendo com que toda minha atenção fosse só para ela.

Logo mais um dia amanheceu e suspirei, encostando-me em uma das paredes da grande sala de TV.

― Mil oitocentos e setenta e nove dias ― sussurrei.

Meu corpo reclamava das noites sem dormir, mas minha mente não cedia nem por um minuto. Então peguei a carta, finalmente abrindo-a, vendo a linda caligrafia de Isabella e respirei fundo antes de começar a ler:

Edward

Se estiver lendo isso é porque o pior aconteceu e... eu não sei o que escrever. Essa já é a oitava carta que começo e... Nenhuma palavra consegue descrever o que sinto nesse momento. Eu sinto muito, Edward.

Sinto por cada momento desperdiçado, quanta coisa não poderia ter feito, mas escolheu ficar ao meu lado e mesmo que diga que não se arrepende de nada, eu me arrependo... arrependo-me de ter te prendido a mim. Mas por outro lado sei como você, Emmett e Alice mudaram depois que entrei em suas vidas, então, agradeço por ter tido a chance de unir vocês.

Eu sei o que sente agora, acredite ou não, já senti isso antes. Sei como é não saber o que fazer, ficar perdido na própria vida, por muitos anos vivi assim, mas você me ajudou a levantar e caminhar novamente, você me estendeu a mão. Então agora peço que deixe alguém fazer isso por você, deixe que alguém te ajude a voltar a caminhar novamente.

Desculpe por não poder estar aí para ser essa pessoa, para te ajudar, mas sei que você ficará bem. E é por isso que não tenho mais medo, pois sei que voltaremos a nos encontrar.

Até que esse dia chegue saiba que sempre quando o sol tocar sua pele e sentir aquela sensação aconchegante, como aquela que sentimos ao beber algo quente em frente a uma lareira no inverno, será eu segurando sua mão, te dando força para continuar... sempre.

Até mais,

Sua Bella.

Molhei o rosto, passando as mãos molhadas no cabelo e encarando reflexo no espelho em frente a pia do banheiro. Aquele não era eu. Olhei a carta ali ao lado e voltei à sala, pegando meu celular e discando o primeiro numero que me veio à cabeça, sabendo que aquela era a única pessoa que podia me ajudar.

Fiz mais algumas ligações e peguei apenas meus documentos antes de sair do lugar que antes era o “nosso quarto” e caminhei pelo corredor, entrando no quarto que se encontrava no final do corredor, onde Isabella ainda permanecia imóvel. Analisei seu corpo mais magro por causa do coma e acariciei sua bochecha sem cor.

Afastei-me abrindo as pesadas cortinas, deixando que o fraco sol de fevereiro entrasse no quarto que permanecia sempre nas sombras, e a pele pálida de Isabella brilhou sob a luz. Foi nesse momento que senti os raios de sol, aquecendo lentamente parte do meu rosto e finalmente, depois de muito tempo, eu me senti vivo e quando segurei sua mão, percebi que nenhuma quantidade de tempo era o suficiente para me despedir. Deixei meus dedos deslizarem por seus cabelos que cresceram com o tempo e agora desciam em ondas até um pouco abaixo de seus ombros.

― Eu te amo tanto... tanto... Sei que voltaremos a nos encontrar, ― murmurei, sentado ali ao seu lado e as lágrimas voltaram a aparecer ― por isso eu te deixo partir. Não é um adeus e nunca será. É apenas um “até logo”.

Virei-me para os aparelhos, desligando um a um para então sair, sem ousar olhar para trás.

Sabia que seu coração ainda batia fracamente e ainda levaria algum tempo, mas não queria estar ali quando ele parasse. Luiza cuidará de tudo e encaminhará o corpo... Carlisle irá preparar o funeral...

Entrei no carro e dirigi, sentindo o peso em meu peito, a dor que não iria embora tão cedo.

Cheguei a Main Beach e caminhei pela praia completamente deserta a esse horário e por um longo tempo admirei o sol que se fortalecia no céu.

― Edward ― virei-me ao ouvir a voz de Alice e a recebi em meus braços.

― Obrigado por ter vindo ― falei e vi Emmett caminhando em nossa direção, sendo seguido por David.

― Você realmente desligou os aparelhos? ― perguntou e assenti ― Sei que era o certo a se fazer, eu mesma disse isso, mas acho que no fundo ainda tinha esperança.

― Todos nós tínhamos ― David a corrigiu e voltei a encaram as pequenas ondas que se quebravam na praia.

― Eu sinto muito, se eu tivesse investigado mais cedo, teria descoberto antes que Isabella era sua irmã. Ela me pediu isso.

― Não era sua obrigação ― ele respondeu. ― Eu a procurei tanto, sem nunca desistir e... acho que era para ser assim. Pelo menos eu a conheci um pouco.

― O que vai fazer? ― Emmett perguntou.

― Vou viver ― respondi forçando um sorriso ― estou partindo para Londres.

― Edward... ― a baixinha ao meu lado reclamou.

― Vamos permanecer juntos. A partir de hoje muitas coisas vão acontecer, sei que... acho que ainda estou tentando aceitar o que acabei de fazer. No entanto, sinto que tudo irá mudar, menos isso: vamos permanecer juntos.

― Todos nós ― Alice falou segurando minha mão e pendurei o braço ao redor do pescoço de Emmett que estava ao meu lado. ― Você também, ― a baixinha puxou David, segurando o braço dele ― agora também é da família ― afirmou e ele sorriu.

― Foi o último pedido de Isabella, ela queria nos ver unidos ― Emmett lembrou.

― Me desculpem por esses cinco anos que me afastei ― falei baixo.

― O que importa é daqui para frente. ― Alice afirmou e apenas olhei para cada um presente ali, o sonho que tive ontem invadindo minha mente e meus olhos pararam em David: “Assuntos inacabados”?

Narrador POV

Edward saiu batendo a porta, fazendo com que o som se projetasse por toda casa que antes era preenchida por risadas e juras de amor, mas agora não passava de um lugar morto, vazio, no qual o mínimo barulho era ecoado por todos os cômodos. Normalmente ninguém pensa em como morrerá, muito menos em como quer estar quando chegar a hora, mas é provável que a maioria das pessoas escolham não estarem sozinhas. Apesar de sabermos que enfrentaremos o que estiver por vir sozinhos, sem ninguém para tomar a frente por nós, mesmo assim iremos escolher ter alguém para segurar nossas mãos e sussurrar que podemos partir em paz.

Isabella sempre teve medo dessa hora... desse momento tão esperado. É tão fácil dizer que partiremos sem nos darmos o trabalho de pensar para onde iremos, mas será que se nos apegarmos a algo ou alguém, seja por um amor ou uma amizade, isso será forte o bastante para nos dar uma segunda chance? Ou talvez quando deixamos algo para trás, sem um desfecho apropriado... isso seria forte o bastante para nos puxar de volta? Eu não sei. A única coisa que tenho certeza é que era possível ouvir apenas um som na casa.

As fracas batidas descompassadas do coração de Isabella, como se estivesse em cada canto da casa, mostrando que estava ali presente. As batidas ecoavam e era possível ouvir tudo ali morrendo com ela. Cada momento de carinho, cuidado, todas as vezes que caiu, o sofrimento, tudo estava se esvaindo e posso dizer que de repente havia vozes por todo lado:

― Me perdoa ― a voz grave de Edward ressoou pelos corredores.

― Faz amor comigo ― o pedido de Isabella foi seguido de sussurros desconexos, gemidos e algumas risadas.

― Eu não posso te perder ― o medo estava explícito em sua voz e nesse momento qualquer um que estivesse atento poderia ouvir a última batida.

― Não vai me perder ― a voz de Isabella se repetiu várias vezes, determinada e o fraco coração que, por uma fração de segundo, pareceu desistir... de repente disparou, acelerado...

...disposto a viver.

Notas finais
Então, o que acharam? Ansiosos para o próximo capítulo? Não esqueça de deixar um review! E de adicionar Nunca te Esquecerei as suas fanfics favoritas. Recomendações são sempre bem vindas ;D Beijoss