Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
55 O que você quer viver?
Notas iniciais
Abri os olhos de repente, em um sobressalto ao ter a impressão de cair do alto de um prédio. O ar faltou em meus pulmões e ao levar a mão a boca percebi o pequeno tubo que entrava por ela e bloqueava minha garganta. Sem pensar segurei-o e puxei, sentindo a náusea, quando aquele tubo de quase trinta centímetros saiu e apoiei-me na mesa ao lado da cama, não suportando a ânsia de vômito e senti o líquido subir pela minha garganta, molhando o chão com o que parecia ser água.
Meu corpo voltou a cair na cama e tentei chamar alguém, mas não conseguia falar, parecia que algo ainda me sufocava e meus dedos apertaram o lençol da cama. Tentei gritar e o desespero tomou conta de mim. Foi nesse momento que vi uma mulher parar na porta do quarto, com uma expressão assustada e a ouvi gritar antes de sair correndo, e de repente tudo escureceu.
...
Acordei aos poucos e ao tentar abrir os olhos as fortes luzes brancas quase me cegaram. Mas mesmo assim tentei... queria saber onde estava, porém quando ouvi uma voz familiar finalmente consegui me acalmar.
― Isabella, está tudo bem ― era Carlisle e pude sentir sua mão segurar a minha.
― On... ― falhei em minha tentativa de falar, mas pude vê-lo, ainda com dificuldade por causa da claridade.
― Se acalme ― ele pediu baixo e aos poucos meus olhos foram se acostumando a luz e fitei o par de íris azuis de Carlisle.
Olhei ao redor, vendo o homem vestindo um jaleco branco e tentei entender porque eu estaria em um hospital.
― Isabella, sei que está com dor e dificuldade para falar, mas preciso que responda algumas perguntas ― o homem de jaleco falou e assenti ― Você sabe onde está?
― Hos-pi...tal ― falei com uma voz rouca e falhada.
― Qual é a última coisa de que se lembra?
― E-eu caí ― lembrei ― no ge-gelo ― me irritava o fato de ficar gaguejando, sem ter controle da minha voz.
― Você caiu? ― ele indagou confuso e assenti.
― Re-Renée? ― perguntei voltando a olhar para meu tio.
― Renée? ― Carlisle repetiu e vi sua expressão se esclarecer, como se tivesse resolvido uma equação matemática muito importante.
― Que dia é hoje Isabella? ― o médico perguntou.
Edward’s POV
Minha cabeça era como um buraco que produzia ecos de cada pensamento, tudo se misturando, nada coerente, nada fazia sentido e não entendi o fato de ter, por um segundo, cogitado entrar no avião e não voltar. Mas agora, enquanto corria pelo aeroporto, só uma coisa importava: Ela.
Ouvir sua voz e ver seu sorriso.
Todos pelos quais eu passava me olhavam curiosos, mas não interessa o que pensam, não me interessa o que cada um está passando no momento, se alguém ali está sofrendo, se está triste ou feliz ... isso não é egoísmo, isso é ser humano. Só conseguia pensar em mim e em como esperei por esse momento.
Parei o carro de qualquer jeito no estacionamento do hospital e sai deixando a porta aberta, correndo para chegar a recepção, percebendo que tudo havia parado, o tempo havia parado.
Até onde eu iria por Isabella? Até o fim do mundo, se fosse preciso.
O que eu faria por ela? Tudo que me pedisse.
Mas eu não tinha a resposta para a pergunta mais importante: “Quanto eu suportaria por ela? Até que ponto meu amor por Isabella aguentaria a dor?”
Entrei no quarto, encontrando Carlisle e Alec parados em frente a cama e o relógio finalmente voltou a rodar quando eles se afastaram e aqueles olhos castanhos escuros como chocolate caíram sobre mim.
― Quem é você? ― ela perguntou com a voz rouca e foi como se alguém tivesse me apunhalado com uma adaga, bem no peito.
― Isabella... ― comecei, mas fui interrompido.
― Edward, precisamos conversar ― Carlisle pediu.
― Edward? Edward Cullen? ― sua voz rouca e agonizada fez com que a olhássemos.
― Lembra-se dele? ― Alec perguntou surpreso.
― Estudamos juntos ― falou baixo e encarei o médico, sentindo a mão de Carlisle segurar meu braço, puxando-me para fora do quarto.
― O que está acontecendo?!
― Edward se acalme.
― Estou com uma equipe de médicos imensa e nenhum deles sabe por onde começar, é extremamente raro casos como de Isabella. ― Alec explicou ― Ainda não sabemos muita coisa, mas parece que ela perdeu parte da memória.
― Como assim? ― indaguei baixo.
― A última coisa da qual ela se lembra é de ter caído no gelo enquanto patinava.
― Ter caído no gelo? Quando? ― perguntei sem muita paciência, sentindo minha cabeça começar a latejar.
― Edward, ela caiu enquanto patinava na pista de gelo do colégio, em Forks, você a encontrou desacordada e...
― Levei-a para o hospital ― interrompi Carlisle, completando sua frase, lembrando-me daquele dia.
― Foi quando descobrimos o câncer, ― ele falou e abaixou a cabeça ― mas ela não se lembra, não se lembra de nada depois de ter desmaiado após cair.
― Ela não se lembra de mim ― murmurei e dei um passo para trás.
― Edward, isso pode ser temporário ― Alec avisou.
― Ela vai se lembrar?
― Isso só o tempo dirá ― ouvi sua resposta ecoar no corredor e dei outro passo para trás.
― Eu preciso... ― não consegui pensar em nenhuma desculpa, então apenas me virei a sai, sem saber para onde deveria ir.
~*~
Uma semana depois
Vi Carlisle entrar no quarto carregando o álbum que Alice havia feito com várias fotos e fiquei ali olhando pelo vidro na parede, sabendo que ela não podia me ver. Alec insistia em mantê-la em observação no hospital, na verdade todos os médicos queria acompanhar de perto sua recuperação e tentei encarar aquilo como um milagre, já que todos os exames pareciam apontar que não havia nenhuma célula cancerígena no corpo de Isabella, infelizmente toda cura tem uma sequela. Meus olhos se concentraram em seus traços delicados, tentando ler e decifrar o que ela sentia ao ver as fotos do nosso casamento, as fotos com Alice, Emmett,... era impossível ela não se lembrar.
― Filho, devia ir para casa.
― Eu estou bem dona Esme ― respondi sorrindo.
― Sabia que essa é sua resposta para tudo ultimamente. É obvio que não está nada bem ― ouvi sua voz calma e fechei os olhos, segurando o muro que eu voltara a construir, mas que ainda estava frágil.
― E se ela não se lembrar?
― Está perguntando isso porque quer que ela se lembre ou porque tem medo dela não se lembrar, e você ter a possibilidade de seguir em frente como se nada tivesse acontecido? ― perguntou como se conseguisse entender exatamente o que se passava em minha cabeça.
― Não consigo pensar ― murmurei passando a mão em meus cabelos, apertando os dedos em minha nuca.
― Vá para casa ― sua mão tocou minhas costas e assenti, abraçando-a fortemente antes de sair daquele lugar que parecia sugar toda minha energia.
Vi mais uma vez o sol nascer e levantei, tomando um banho e encarando meu reflexo no espelho. Era possível ver cada costela em meu tórax e minha barriga tinha perdido a aparência definida, afundando assim como havia acontecido com cada músculo do meu corpo. Vesti uma calça jeans, vendo os quase cinco centímetros que sobrava e procurei por um cinto. Coloquei uma camisa e peguei meu casaco, saindo e dirigindo até uma floricultura.
Entrei no quarto de Isabella, observando por um momento sua respiração calma enquanto dormia tranquilamente e ao colocar a rosa vermelha sobre a mesinha ao lado de sua cama vi ela se mexer, aquele par de olhos castanhos me encarando assustados.
― Desculpe, eu não queria te acordar ― falei baixo.
― Mas acordou, agora pode sair por favor ― pediu sem me olhar, como se estivesse assustada.
― Se não permitir que eu me aproxime, continuaremos paramos no mesmo ponto.
― Não me lembro do nosso casamento, não posso ser sua esposa ― murmurou ― Só quero voltar a Forks e continuar minha vida.
― Desculpe, mas acho que isso não será possível. A menos que queria destruir tudo que Carlisle construiu nos últimos anos ― disse.
― Saia ― ela exigiu e devia ter me mantido firme, mas apenas abaixei a cabeça antes de caminhar até porta, mas parei e voltei a olhar aqueles olhos castanhos como chocolate que pareciam poder ver bem mais daquilo que eu permitia que as pessoas vissem.
Sai e caminhei pelo corredor do hospital rapidamente, não vendo a hora de sair daquele lugar, já não conseguia mais... sentia a esperança me deixando.
Um mês depois
O tempo não ajudou muito, ou melhor, ele não parecia me ajudar muito. O processo de recuperação de Isabella estava muito bem e seu relacionamento com David... Parecia que eles se conheciam há anos.
Ela permitiu que eu me aproximasse, através de monólogos só meus. Aquilo estava me cansando. Tudo que eu desejava era poder dormir e acordar ao seu lado, percebendo que tudo não passou de um sonho horrível. Poder ver seu sorriso, ouvir se “Bom dia” e sentir seus lábios... seu beijo.
Já passava das cinco da tarde e eu ainda estava na cama, sem ter conseguido dormir nem por um minuto. Suspirei, antes de me levantar e tentei não me olhar no espelho, não podia, não conseguia. Tomei um banho gelado e procurei por algo em meu guarda-roupa que ainda me servia. Desci as escadas caminhando até cozinha, onde abri a geladeira, lembrando que precisava fazer compras. Olhei o lugar ao meu redor, sem saber o que exatamente iria fazer. Quando não dormimos é possível perceber como vinte e quatro horas são mais longas que a eternidade.
Estava me dirigindo para a sala onde ficava meu piano quando a campainha tocou e respirei fundo, ouvindo outro toque logo em seguida.
― A porta está aberta Alice! ― falei alto, enquanto ia recebê-la, mas parei alguns passos antes, vendo Tanya com seus cabelos loiros e seu sorriso insinuante.
― O que faz aqui? ― indaguei e percebi que também sorria, pela primeira vez em muito tempo.
― O que você ainda está fazendo aqui? Você me liga a mais de um mês atrás falando que vai se mudar para Londres e não aparece, não atende minhas ligações. Fiquei preocupada.
― Nossa..., eu me esqueci de... Acho que meu celular está sem bateria.
― A mais de um mês?
― Não tenho muito motivos para deixa-lo ligado ― murmurei. ― Não vai acreditar em tudo o que aconteceu.
― Alice me contou que Isabella acordou, bem no momento que você tinha decido seguir em frente ― Tanya fechou a porta e se encostou, enquanto seus olhos me analisavam de cima a baixo. ― Você está horrível.
― Obrigado ― respondi irônico.
― Vale a pena? ― perguntou dando dois passos em minha direção, ficando a menos de meio metro de distância de mim. ― Digo, compensa passar por tudo isso. Olha só para você, Isabella vale tudo isso? Se eu fosse ela não ia querer estar casada com você assim.
― Mas você não é ela.
― Não sou, mas sei como uma mulher pensa. Querendo ou não ela se apaixonou pelo seu jeito galinha, revoltado com a vida, fora da lei... lembra? ― Tanya piscou, sorrindo sensualmente e acabei rindo ― Acho que não estou ajudando muito...
― Não, mesmo.
― O que eu quero dizer é que tudo bem esperá-la, mas não precisa deixar de viver por isso.
― Pelo visto teve uma longa conversa com a Alice ― falei baixo, caminhando até a mesa de bebidas ali perto, servindo-me uma dose de uísque, mas ela me barrou antes que eu pudesse beber.
― Do que tem medo Edward? ― seus olhos prenderam os meus e suspirei.
― Tenho medo de seguir em frente e não querer voltar. ― confessei e passei a mão no rosto, tendo dificuldade de manter minha “máscara”.
― Medo de gostar do futuro?
― Não sei o que fazer ― sussurrei e ela me abraçou.
Senti seus braços ao redor do meu pescoço e senti seu perfume, de um aroma cítrico, então envolvi sua cintura aceitando um abraço depois de muito tempo.
― Estou no meu apartamento, tenho certeza que ainda sabe onde é ― ela disse ao se afastar ― Ficarei até a próxima semana,... a decisão é sua ― informou, depositando um beijo em meu rosto e permaneci ali encarando o uísque enquanto ouvia o som do seu salto alto, logo depois o ranger da porta ao se fechar.
Não sei quanto tempo fiquei ali, mas sei que foi o suficiente para chegar a conclusão de que talvez eu merecesse seguir em frente.
~*~
Ouvi quando Carlisle estacionou o carro em frente a casa na quarta-feira e olhei-me no espelho novamente, passando as mãos no cabelo, colocando os fios já um pouco compridos para trás. Suspirei antes de abrir a porta e encarar os olhos castanhos chocolate de Isabella. Deixei que eles entrassem e segui com o combinado, deixar que ela fique a vontade na casa.
― Por que não caminha um pouco pela casa? Quem sabe não se lembra de algo. Preciso conversar com Edward ― ela pareceu um pouco hesitante em relação a proposta de Carlisle.
― A casa é sua ― afirmei e seus olhos permaneceram longe dos meus quando ela assentiu e caminhou com passos curtos e fracos até a sala ao lado, encarando cada porta retrato com nossas fotos. ― O que houve?
Carlisle apontou para a porta e saímos. Ele correu até o carro e voltou rapidamente com um caderno nas mãos.
― Encontrei isso no quarto de Isabella, ela não sabe que eu peguei, nem que li. Mas você precisa ver isso ― ele me estendeu o pequeno caderno e hesitei em pegá-lo, com certeza não era o certo a se fazer... mas já não sabia mais o que exatamente deveria fazer. ― Veja as últimas paginas que ela escreveu, depois coloque no porta-luvas do carro. Vou garantir que ela não saia ― afirmou e voltou a entrar na casa, deixando o “diário” de Isabella em minhas mãos.
Suspirei e abri, vendo sua linda caligrafia. Folheei até as últimas páginas que ela havia escrito e vi a data, foi a cinco dias atrás:
Momentos e escolhas, são isso que moldam nosso futuro, moldam nós mesmos. Vivi momentos e fiz escolhas que me trouxeram até aqui e tudo isso devia me dizer quem eu sou, mas não me lembro de nenhum deles, de nenhuma escolha. Então como saberei quem sou?
É como estar perdida no meio de um parque de diversões onde só há brinquedos perigosos, que podem me machucar. Uma roleta russa.
Cabe a mim decidir qual irei escolher e esperar que esse me mantenha em segurança. Só quero... preciso, por um segundo, me sentir segura. Mas qual devo escolher? Deveria recomeçar ou simplesmente seguir de onde parei?
Não consegui mais ler. Pois já sentia seu medo dentro de mim. Deixei o pequeno caderno no carro e voltei a entrar na casa, encontrando o homem loiro encostado no batente da porta que levava ao jardim dos fundos.
― O que achou?
― Onde ela está? ― perguntei e ele gesticulou com a cabeça para a grande construção onde ficava a pista de gelo.
Caminhei pelo gramado e entrei, sentindo a brisa gelada do gelo. Isabella estava em pé, com os braços cruzados em frente ao corpo enquanto encarava a pista.
― Eu sinto muito ― falei e ela se virou, finalmente encarando meus olhos. ― Acho que não estou facilitando em nada para você. Eu só fico insistindo, ou melhor, todos nós só insistimos que você se lembre, mas não fazemos nada para ajuda-la a recomeçar.
― Recomeçar sem me lembrar do que já vivi? ― ela falou baixo.
― Talvez a questão seja não saber o que já viveu, mas sim o que você quer viver. Talvez ninguém tenha te perguntado isso.
― O que eu quero viver? ― murmurou, por um minuto perdida em seus próprios pensamentos.
Vi o momento em que ela levou uma mecha do cabelo para trás da orelha e tocou o canto da boca, deixando seu dedo indicador deslizar pelo seu lábio inferior.
― Eu quero minha vida de volta, em Forks. Mas acho que não posso ter isso.
Ela se virou para porta e ao passar por mim acabou tropeçando. Segurei-a rapidamente, apertando seu corpo contra o meu inconscientemente, e por um segundo senti sua respiração em meu rosto, seus olhos fixos nos meus... mas não havia nada ali. Seus olhos era um infinito de medo, apenas isso.
― Eu quero o divórcio ― Isabella me empurrou e dei um passo para trás, porém não foi a força com que ela me empurrou que me fez fazer isso, mas sim suas palavras que me atingiram como soco. ― Não sei exatamente o que quero viver, mas sei o que não quero. Não quero viver um casamento do qual não me lembro, com quem não conheço.
― Que assim seja ― não precisei pensar, talvez nem conseguisse no momento, apenas deixei que as palavras saíssem e vi ela abrir a porta e partir.
Segurei a porta ainda aberta e pisei no gramado, recebendo o olhar de compaixão de Carlisle. Caminhei até ele que ainda estava encostado na porta e ouvi quando a porta da frente bateu.
― Eu acho...
― Você não merece isso ― ele me interrompeu. ― Edward, você fez de tudo por ela, já chega. Olhe para você, esse não é você.
― Eu sei.
― Para seguir em frente basta dar o primeiro passo ― afirmou e seguiu em direção a sala, mas parou no meio do caminho ― mas quando der esse passo, nunca ouse olhar para trás ― ele avisou e logo depois ouvi a porta se fechar.
Peguei minhas chaves e dirigi, indo atrás da pessoa que eu sei que poderia me ajudar. A pessoa que liguei quando tomei a decisão de deligar os aparelhos que mantinham Isabella viva... A pessoa que agora era minha única esperança de recomeçar.
Suspirei quando a porta do elevador se abriu e toquei a campainha do apartamento que mesmo depois de tanto tempo ainda era familiar. E sorri desviando o olhar quando uma mulher loira, usando apenas lingerie, abriu a porta.
― Oi Tanya ― falei baixo e notei seus olhos me analisando.
― Está incomodado por eu estar seminua? ― indagou incrédula.
― Não devia atender a porta assim.
― O que fizeram com você hein?! ― exclamou sorrindo ― Entra.
Assim que entrei Tanya pegou um robe de seda vermelho e o vestiu, sentando-se em uma poltrona e apontando o sofá na sua frente.
― Edward, está tudo bem? ― perguntou, enquanto eu me sentava.
― Depende do que quer dizer com “bem”.
― Bom, um exemplo, estou correndo o risco de perder minha herança, já que meu pai colocou na cabeça que preciso arrumar um trabalho e enquanto não arrumo um, preciso ajudar nos preparativos do décimo terceiro casamento dele. Detalhe: minha nova madrasta tem idade para ser minha filha. Na verdade, talvez minha irmã mais nova. E estou bem.
― Ok ― murmurei, pensando em como começar. ― Eu encontrei o amor da minha vida, então descobri que ela tinha câncer e vi ela morrer dia após dia, sem poder fazer nada. Esperei por cinco anos, esperando que por um milagre ela saísse do coma. No entanto, quando desisto e finalmente a deixo partir... Ela acorda e não se lembra de nada depois que descobriu a doença, não se lembra de como nos conhecemos ― de repente percebo que comecei a chorar e não sei quando a primeira lagrima caiu, quando minha máscara que eu tinha acabado de recuperar havia se quebrado novamente.
― É você ganhou, isso é bem pior ― ela concluiu e afundei o rosto em minhas mãos. ― Com certeza você não está bem.
― Me ajuda ― pedi quase sem voz.
― Olha para mim ― meus olhos encontraram os seus ― Chega! Eu sei que doí, mas ela te deixou, então também deve deixá-la ― ela abaixou o tom de voz. ― Edward, a vida não é feita de um único grande amor. Só precisa se permitir a encontrar outros. Agora chega – senti suas mãos segurarem meu rosto, seus dedos limpando minhas lágrimas.
Tanya se levantou e logo voltou com uma dose de uísque, segurei o copo e vi-a se sentar ao meu lado. Bebi tudo, mais uma vez usando o álcool como uma saída.
― Ainda está desconfortável.
― O que? ― indaguei colocando o pequeno copo sobre a mesa de centro e voltei a me encostar no sofá, passando as mãos no rosto.
― Ainda está desconfortável comigo ― ela sorriu.
― Por que diz isso?
― Porque é óbvio. Desde quando tem medo de nós, mulheres? Pelo que me lembro éramos nós que tínhamos medo de você, com seu jeito sedutor, um tanto agressivo... uma loucura na cama...
Acabei rindo de suas palavras e balancei os ombros, sem saber exatamente quando deixei de ser esse Edward Cullen.
― Quando se tornou tão fraco? ― ela perguntou e suspirei, sabendo que Tanya tinha razão.
Senti-a passar a mão em meus cabelos, logo depois bagunçando os fios, puxando-os para todas as direções.
― Assim fica melhor ― afirmou ― Parece que acabou de fazer sexo selvagem ― informou e a encarei, não contendo a risada.
...
Comprei café e rosquinhas no sábado de manhã, antes de seguir para o apartamento de Alice. Pensando nas palavras que li no diário de Isabella e chegando a conclusão de que ela está certa. Cada escolha, momento, emoção, cada sorriso, lágrima... trouxe-me até aqui e fizeram de mim quem eu sou hoje, então se pudesse voltar no tempo não mudaria nada.
Entrei no elevador me sentindo mais forte e sabia que isso tinha relação com Tanya, mas ainda não sabia se isso era bom ou ruim. Na verdade tinha total consciência de que era o melhor para mim, mas não queria acreditar nisso.
― Hum... estava morrendo de fome ― a baixinha de moletom cor de rosa abriu a porta, pegando a pequena caixa de rosquinhas que eu segurava e virou-se já se dirigindo a sala ― Entra ― ela disse, já de boca cheia.
― Bom dia para você também ― falei e vi Alice revirar os olhos.
― Descafeinado ― informei ao lhe entregar o copo de café e sentar ao seu lado no sofá.
Alice puxou o cobertor sore suas pernas e encostou a cabeça em meu ombro. Foi quando a ouvi soluçar.
― Acho que devia ter trazido chocolate também ― falei rindo.
― O que?
― Alice está chorando vendo como funciona o universo ― avisei encarando a televisão ligado no Discovery Channel.
― Não estou de TPM! ― ela exclamou incrédula, empurrando-me.
― Então, o que está acontecendo?
― Nada ― vi-a limpar o rosto e colocar o copo sobre a mesinha de centro a nossa frente, logo depois se ajeitou, sentando-se e olhando-me com aqueles olhos que sempre estavam cheios de vida, porém hoje havia medo neles.
― Nada? ― indaguei ― E o David? Ele...
― Por que está falando no David?
― Alice, estive afastado durante cinco anos, mas não deixei de cuidar de vocês. Sei de mais coisas que imagina.
― Está me assustando ― ela falou baixo e acabamos rindo, mas logo o silêncio se instalou.
― O que houve? ― minha pergunta soou baixa, porém mais séria do que precisava ser.
― Só estava imaginando quando você vai me contar que está de partida ― confessou e a encarei confuso ― Também sei de mais coisa do que imagina ― ela tentou rir, mas não chegou nem perto de conseguir. ― Encontrei com Tanya ― explicou. ― Sei que aqui não há mais nada para você, mas tenho medo que vá. Você ficará sozinho, longe de todos nós. Tenho medo que piore.
― É um risco que preciso correr. Como disse, não há mais nada para mim aqui ― murmurei e seus braços contornaram meu pescoço, abraçando-me fortemente. ― Me desculpa ― sussurrei.
― Me abraça ― ela pediu e só então percebi que tinha permanecido imóvel ― Você regrediu... ― ouvi suas palavras enquanto retribuía seu abraço e tentei compreendê-las.
― O que quer dizer?
― Você mudou quando Isabella entrou em sua vida, ― Alice se afastou, olhando em meus olhos ― voltou a ser meu irmão carinhoso e presente. Mas mudou novamente quando ela partiu.
― Eu não... eu não queria... ― tentei, mas ela me interrompeu.
― É irônico, não é? Isabella te ajudou depois que Tanya te destruiu, ela faz com que você deixasse de acreditar no amor. Agora ela vai salvá-lo do que Isabella te causou ― pensei no que Alice disse, percebendo que aquilo não era só uma simples ironia, não podia ser. ― Quando você vai? ― ela mudou de assunto.
― Ainda não sei, tenho que ver algumas coisas...
― Emmett disse que você e Isabella vão se encontrar na segunda.
― É hora de seguir em frente.
― Não me parece confiante.
― Não estou ― confessei. ― Alice, fiz tudo por Isabella, mas antes... ― respirei fundo olhando na sua mão que segurava a minha, antes de continuar ― ela me dava força, sentia-me capaz de qualquer coisa ao lado dela, fui até capaz de assumir o lugar do meu pai na empresa. Agora, sinto-me cada vez mais fraco, ela me olha como se eu não tivesse valor nenhum e talvez Isabella esteja certa,... olha só para mim. Já não me olho mais no espelho, não consigo acreditar que esse sou eu.
― Mas não é você ― ela afirmou e a encarei ― Faz uma promessa para mim? ― apenas assenti e ela prosseguiu. ― Dois anos. Prometa que em dois anos voltará a ser o Edward, meu primo, irmão, lindo, pelo qual todas as mulheres ficam babando. Então você voltará para Nova Iorque, para minha festa de aniversário de vinte e cinco anos ― sorriu enquanto secava mais algumas lágrimas que voltaram a cair de seus olhos ― Prometa que voltará forte, confiante e acima de tudo que você vai amar a si mesmo.
― Eu prometo.
~*~
“― Eu não queria isso… não queria ter colocado essa distância entre a gente. Mas não queria que ninguém sofresse ― vi Isabella com seu rosto angelical e a coroa de pedras brancas que eu havia escolhido, colocada em seus cabelos.
― Isabella, não fique pensando nos outros, tem que pensar em você. Só você importa ― afirmei, já que só me importava com ela.
Um silêncio se formou e vi as pequenas lágrimas escorrerem por suas bochechas.
― Eu falei com Alec ― ela começou. ― E aquele dia que fiquei no hospital, não foi apenas pela hipoglicemia.
― Como assim?
― Carlisle pediu para que ele não me contasse, mas acabei descobrindo que o tumor cresceu mais. Edward eu tenho só meses de vida. Posso fazer outra cirurgia, começar outro tratamento, mas Alec disse que não arriscaria outra cirurgia, eu posso não resistir.
Suas palavras me pareceram familiar e de repente me senti confuso. Onde eu estava? Olhei ao redor e vi o salão de festa logo atrás de nós. É o aniversário de Alice.
― Não tem como recomeçar, o melhor a fazer é colocar um ponto final ― ela falou e não acreditei em suas palavras.
Vi-a se levantar pegando seus sapatos e descer as escadas, pisando no gramado.
― Isabella ― chamei-a.
― Vai embora ― ouvi e aquilo fez o desespero me atingir ― É melhor assim.
― Então é isso, você simplesmente ignora os seus sentimentos.
― O que mais posso fazer? ― perguntou, sem olhar em meu rosto.
― Me fale o que você quer! ― pedi, pois precisava ouvi-la falar. ― Se realmente quer que eu vá embora, se quer acabar com tudo que há entre a gente, tudo bem, eu irei embora sem falar nada. Mas quero que olhe em meus olhos e diga… diga que não me quer.
Ela me olhou nos olhos e me odiei por estar jogando daquele jeito com ela, mas precisava fazê-la falar.
― Fale, Isabella ― pedi ― Diga o que você quer!
Ela ficou em silêncio por alguns segundos e juro que fiquei com medo de que ela pedisse para eu ir embora.
― Quero você ― ela falou baixo. ― Quero você ao meu lado, quero poder viver sem medo da morte ― vi as lágrimas caírem de seus olhos. ― Quero ser feliz, sem sofrimento… sem dor.
― Shh… esta tudo bem ― afirmei, segurando suas mãos.
Isabella se afastou um pouco me olhando.
― Fica comigo? ― pediu ― Não me deixe sozinha.
― Estou aqui e sempre vou estar, Bella ― afirmei e abracei-a.
Acariciei seus cabelos, abraçando-a, sentindo seu perfume que me lembrava a rosas.
― Ei… ― levantei seu rosto delicadamente ― Eu te amo. ― Falei antes de tomar seus lábios em um beijo lento, apreciando a maciez de sua boca.
Sinceramente não acreditei ao perceber que Bella cedeu ao beijo, que se permitiu fazer aquilo que queria. Então, infelizmente, o ar nos faltou, fazendo com que nos separássemos.
Ouvi uma musica lenta começar a tocar e peguei os sapatos que ela segurava, colocando-os no chão.
― Dança comigo? ― pedi.
― Eu não sei dançar ― respondeu e ri, mesmo assim segurando sua mão direita e passando meu braço em torno de minha cintura.
Só que, não sei como, ela conseguiu tropeçar em seus próprios pés.
― Aí! ― falou quase caindo ― Eu te disse que não sei dançar ― repetiu e acabei rindo.
― E se eu fizer assim? ― indaguei passando novamente meu braço pela sua cintura e erguendo-a.
Equilibrei-a sobre meus pés, dançando por nos dois.
― Viu, esta dançando ― falei, Bella me olhou e acho que me perdi naquele mar de chocolate que eram seus olhos.
― Não me deixe mais fazer isso ― ouvi seu pedido ecoar em todo o gramado onde dançávamos e ela me abraçou, descansando sua cabeça em meu ombro.
― Nunca ― respondi, segurando-a firmemente e nos rodando.
Ouvi sua risada, que eu amava, enquanto colocava-a no chão. Ela sorria quando se abaixou, pegando os sapatos no chão ali perto e segurou em minha mão.”
Acordei de repente, não tinha sido um sonho, mas uma lembrança. Prometi que não deixaria que ela nos afastasse novamente. E agora o que eu estava fazendo?
Olhei no relógio, tinha dormido apenas por dez minutos, mas havia tomado remédios o suficiente para dormir a semana inteira e não me sentia nem um pouco sonolento. Ainda faltava muito para o amanhecer e não tinha nada que eu pudesse fazer para o tempo passar mais rápido. Ajeitei-me no sofá, encarando o teto da sala e suspirei pensando em como tudo pareceu tão real.
Ela vestida de princesa, a intensidade de seu olhar que agora, depois dos cinco anos dormindo, já não parecia mais ser o mesmo. Foi tão real... pude sentir o gosto de seus lábios e sua leve respiração contra minha pele, pois estava tudo gravado, cada mísero detalhe gravado em minha memória, talvez mais vivo do que eu mesmo estava. Então simplesmente fechei os olhos e esperei que o tempo passasse.
Com certa dificuldade, hesitação, me olhei no espelho. Profundas olheiras, era possível notar o osso logo abaixo dos meus olhos e o jeito como o cansaço estava estampado em meu semblante que não demonstrava nenhuma emoção. Passei a mão nos cabelos, vendo os vários fios brancos e disse a mim mesmo que cumpriria a promessa que havia feito a Alice. Disse que começaria a gostar de mim mesmo e era que isso que eu faria.
Terminei de abotoar a camisa e vesti o paletó, que agora ficava grande em meus ombros. Peguei o relógio, lembrando de quando Isabella me deu de presente em meu aniversário, e resolvi deixá-lo ali, tentando fazer o que Carlisle havia aconselhado: seguir em frente sem ousar olhar para trás.
Eram três da tarde quando entrei na sala, vendo o homem loiro sentado ao lado da garota de olhar vago. O som dos meus passos ecoou no pequeno recinto e sentei-me na cadeira de frente para Isabella, apoiando as mãos sobre a mesa de madeira escura.
― Então, ― Emmett começou, já que ninguém se pronunciou ― fiz um levantamento de toda fortuna e dividi em partes iguais, de modo que Edward fique com as ações da empresa só para ele.
― Não quero nenhum dinheiro ― Isabella afirmou.
― Mas...
― Acho que devia repensar ― falei sem olhar em seus olhos. ― Acredito que vá fazer uma faculdade e não quer morar com minha mãe e Carlisle para sempre. Seria inteligente aceitar o dinheiro que é seu por direito ― surpreendi-me em como minha voz soou forte e confiante.
― Bom, o dinheiro já foi dividido e assim que assinarem os papéis a sua parte, que se resume em sua maioria a vários imóveis e certa quantia em dinheiro, será passada para seu nome, Isabella ― Emmett explicou colocando as folhas, perfeitamente alinhadas e grampeadas, sobre a mesa. ― Com exceção da casa onde vocês viviam aqui em Nova Iorque. Edward não quer o imóvel e creio que você também não.
― Deviam vender e dividir o dinheiro ― Carlisle propôs ― Posso cuidar da venda.
― Seria ótimo ― concordei.
Vi Isabella pegar a caneta que Emmett segurava e assinar os papéis, então ela levantou o olhar encontrando meus olhos, mas desviei encarando os papéis que ela deslizou sobre a mesa, colocando a caneta sobre eles. Analisei sua assinatura ali na folha, antes de também assinar sem hesitar.
― Então é isso pessoal, eu vos declaro ex-marido e ex-esposa ― Emmett brincou e encarei-o, vendo-o revirar os olhos quando o silêncio permaneceu. ― Ok ― murmurou.
― Acho que isso é seu ― vi-a pegar algo no bolso e então colocou, a pequena aliança de ouro com um coraçãozinho de brilhantes, sobre a mesa.
― Não Isabella, o anel é seu. Pode fazer o que quiser com ele, pode vendê-lo ― sugeri já me levantando.
― Não, eu quero que fique com você ― ela insistiu, estendendo a mão com a aliança, então assenti e peguei o pequeno anel. ― E, por favor, me chame de Bella ― falou baixo e sorri, perguntando a mim mesmo se seria apenas ironia do destino.
― Tchau Isabella. Depois falamos sobre a casa Carlisle ― avisei e ele assentiu.
Virei-me e sai da sala, encontrando minha mãe que acabava de sair do elevador. Seus olhos eram compreensivos e abracei-a, antes de dizer qualquer coisa.
― Alice me contou que você vai se mudar, quando irá?
― Hoje ― respondi.
― Pensei que iria na próxima semana ― Emmett falou confuso.
― É que Tanya irá embarcar daqui uma hora e acho que vou com ela, depois volto para encaixotar minhas coisas e... fazer todo o resto.
― Eu cuido das suas coisas, posso arrumar tudo e enviar para você ― minha mãe falou.
― Na verdade, vou doar tudo.
― Como assim? ― perguntou confusa.
― Se pretende pegar o avião ainda hoje temos que ir ― Emmett informou apertando o botão do elevador.
― Começar do zero ― expliquei. ― Só ficarei com o que for realmente importante.
Entramos no elevador e antes que as portas se fechassem vi Isabella sair da sala, seus olhos encontrando os meus, mas dessa vez não desviei, apenas me permiti olhar aqueles olhos castanhos pela última vez. E foi nesse momento, em uma fração de segundo, que notei algo. Alguma coisa estava errada, havia algo diferente em seus olhar, algo que não consegui identificar. Seria medo, arrependimento ou felicidade? Não. Não era. Eu não sabia... mas também não queria saber. Chega.
― Você realmente está indo embora, sem nenhuma mala, nada...
― Eu vou ficar bem, mãe. Estou com meus documentos no carro, Emmett me levará até o aeroporto e assim que chegar em Londres eu te ligo ― afirmei quando já estávamos na frente do prédio e ela me abraçou fortemente.
― Eu te amo ― sussurrei e quando nos afastamos vi uma lágrima rolar em seu rosto e ela sorriu, antes de entrar em seu carro.
― Por que essa mudança repentina nos planos? ― Emmett perguntou assim que o carro da minha mão virou para a direita no final da rua.
― Acho que se eu ficar mais um pouco aqui irei enlouquecer ― respondi, jogando a chave do meu carro para ele.
Peguei meus documentos e o passaporte, já havia conseguido o visto para entrar na Inglaterra e já havia falado com Emily que concordou que seria bom abrir uma sede da BMW na Europa, ela seria minha representante em Nova Iorque..., e então era isso.
Seria tão fácil esquecer tudo? Seria tão fácil recomeçar?
― Voltarei na próxima semana para pegar algumas coisas... ― falei enquanto ele dava a partida no carro.
― Não, você não vai voltar. Ou fica mais uns dias ou vá e não volte antes de passar no mínimo uns dois meses longe.
― Mas preciso de algumas coisas que estão em casa, não tenho tempo de pegar agora.
― Eu e sua mãe vamos separar tudo o que quiser e mandaremos por correio, ou eu levarei para você ― afirmou e suspirei, sabendo que ele tinha razão.
Comprei minha passagem e caminhamos pelo aeroporto a procura da loira que já havia nos colocado em muitas encrencas anos atrás e de repente Emmett saiu correndo assim que a viu, quase a derrubando com seu abraço. Como pode ser um dos melhores advogados da cidade e ainda continuar sendo uma criança?
― Sabia que você viria ― Tanya falou, sorrindo, assim que me aproximei ― mas você, Emmett, eu não imaginava.
― Sei que estava louca para me ver ― ele afirmou, piscando e ela riu alto.
― Ok, confesso, estava com saudades.
― Já está na hora ― avisei.
― Vocês que se atrasaram.
― Então até mais ― Emmett me abraçou e ergueu a garota loira quando a abraçou fortemente. ― Promete que vai cuidar dele ― pediu.
― Eu prometo ― Tanya respondeu, com aquele sorriso malicioso nos lábios.
― E me prometam que não vão fazer nada de errado.
― Prometo que não seremos expulsos da Inglaterra, isso é o máximo que posso fazer ― ela disse ainda sorrindo.
― Senhor, tenha piedade ― ele implorou olhando para cima.
― Ficaremos bem ― afirmei rindo.
― Mas acho que não pode dizer o mesmo de Londres ― Tanya brincou.
― Ah, vão logo, antes que eu perceba que vocês dois juntos são um perigo para a humanidade e chame a polícia! ― Emmett nos empurrou ― Vejo vocês daqui duas semanas.
Tanya se abaixou para pegar sua bagagem de mão, mas peguei antes, carregando a pequena mala, enquanto Emmett ficava para trás.
― Como sabia que eu viria?
― Intuição feminina ― respondeu e passou-me duas folhas que tirou de seu bolso.
― O que é isso?
― Seus horários e sua nova dieta.
― Sério? ― indaguei, encarando a folha com uma programação que incluía horário para academia e vários tipos de esportes.
― É, muito sério ― falou ― Ah, e pode ir pensando em um símbolo, desenho, ou uma frese, porque depois que você já estiver se acostumando com a rotina iremos fazer uma tatuagem.
― Tatuagem?!
― Sim, tatuagem ― ela me olhou e riu, talvez da minha expressão completamente surpresa e incrédula.
― Não sei se eu quero fazer uma tatuagem.
― Como começar uma vida nova sem uma tatuagem? Uma tatuagem para simbolizar a estaca zero...
― Ok, Tanya, já me convenceu.
― Que pena... eu ainda tinha vários argumentos ― murmurou chateada e acabei rindo.
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