Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
80 Serei eternamente grata a vocês
Notas iniciais
Quatro anos depois
Isabella’s POV
― Allongé, Stela ― falei para a garota de bochechas rosadas e cabelos loiros, vendo-a alongar a postura ― Isso!
A turma tinha quinze meninas, com aproximadamente nove anos cada e por hoje era minha última aula. A música acabou e vi todas elas finalizarem perfeitamente a coreografia.
― Muito bem, garotas! ― anunciei ― Continuamos na segunda.
Elas sorriram antes de começarem a tirar as sapatilhas e vestir seus casacos sobre o collant cor de rosa. Despedindo-se ao passar por mim.
― Até segunda, professora ― Ana falou.
― Tenha um bom final de semana ― Lisa completou.
― Até, queridas, descansem e mantenham o alongamento ― sorri.
― Pode deixar ― outras disseram antes de sair.
Eram quase cinco da tarde e arrumei minhas coisas na bolsa, antes de sair, encontrando Claire e Amber na recepção.
― Oi, meninas.
― Como está a turma? ― Claire quis saber.
― Vão estar preparadas para a apresentação de final de ano ― informei e ela se animou. ― Bom, já está na minha hora, até segunda.
― Até segunda.
― Aproveite o final de semana com aquele pedaço de mau caminho que é o seu marido ― Amber falou e acabei rindo, caminhando para a porta, já tinha me acostumado com seus comentários sobre Edward.
― Vou aproveitar muito ― contei, vendo ela se abanar, antes de sair.
Vesti meu casaco, caminhando em direção a meu carro, vendo ali perto meu segurança disfarçado e em poucos minutos já dirigia para casa.
Quando cheguei dispensei os empregados, pois hoje prepararia o jantar. Antes de tudo subi até o segundo andar, entrando no quarto e tomando um banho rápido, vestindo algo confortável, mas apresentável. Para então, voltar a cozinha e começar a preparar tudo, começando pelo bolo, colocando-o para assar e preparando o prato do jantar.
Enviei uma mensagem para Tanya e logo li a sua resposta:
'Tem certeza? Eu já estava preparando algo para ele.
Não quero incomodar.'
Terminei de rechear o bolo de chocolate e liguei para aquela com quem trocava mensagens.
― Tanya! Incomodar? ― indaguei incrédula assim que ela atendeu a ligação.
― Tudo bem, não está mais aqui quem falou isso.
― Que bom.
― Emmett está em um sério relacionamento com o espelho, assim que eles terminarem... a gente passa aí ― informou e acabei rindo.
― Ok, estarei esperando. Até mais.
― Até.
Desliguei o celular e continuei a preparar o jantar. Suspirei ao deixar tudo quase pronto e caminhei para a sala, recebendo uma mensagem de Edward, dizendo que se atrasaria um pouco hoje, então liguei a televisão, passando entre os vários canais. E antes que eu percebesse meus pensamentos já estavam bem longe dali. Edward tinha passado o último ano entre viagens e negociações, depois de conseguir apoio financeiro de um antigo amigo, além de um investidor... europeu, ou talvez asiático... confesso não prestar muita atenção nas conversas sobre negócios financeiros da empresa, mas me alegrava a cada conquista dele... A cada conquista nossa. Caminhávamos juntos, apoiávamos um ao outro e finalmente havia um equilíbrio em nossas vidas. Às vezes penso em como nos aproximamos, por uma simples vontade do destino que fez com que nossos caminhos se cruzassem de repente, só para algum tempo depois conspirar para nos separar. Foi uma longa caminhada, com cinco anos simplesmente arrancados de mim e usados como uma tortura para Edward. Mas permanecemos da forma que foi possível, continuamos, em busca de viver o que vivemos nos últimos anos, e que ainda estávamos vivendo e eu esperava que aquilo durasse por vários e vários anos.
O relógio marcava sete e dezesseis da noite quando a campainha tocou, tirando-me de meus devaneios, e rapidamente fui abrir a porta.
― Tia Bella ― o menininho com a mochila nas costas abriu os braços para me abraçar.
― Oi, meu príncipe ― abaixei-me, apertando-o. ― Uau! ― falei ao ver a mulher loira no vestido escarlate.
― Ficou bom?
― Se ficou bom? Vai chamar a atenção de todos ― avisei ao me levantar e ver Emmett caminhando até a porta enquanto alisava a gola de seu terno.
― Diz que ele fica bem de azul celeste, por favor ― Tanya tinha uma expressão desanimada no rosto.
― Eu não sei, esse tom não me favorece ― ele falou ao se aproximar, ainda olhando para seu terno.
― Emmett... ― falei ― você fica bem em qualquer cor.
― Você tem razão, fico bonito de qualquer jeito não é? ― falou como se fosse algo óbvio e ouvimos a risada que Alexander tentou abafar ― Eu percebi isso hein! Percebi! Engraçadinho! ― Emmett puxou Alex para seus braços, fazendo o garoto gargalhar com cócegas, antes de se abaixar para olhar nos olhos que eram idênticos aos seus. ― Foco ― pediu ― Não é para fazer bagunça, precisa obedecer à tia Bella e o tio Edward, ok?
― Ele nunca faz bagunça ― falei, vendo o garotinho assentir.
― Só reforçando ― Emmett riu.
― Entrem um pouco ― pedi.
― Não, já estamos em cima do horário ― Tanya contou.
― Edward ainda não chegou?
A pergunta foi respondida pelo carro virando e entrando na garagem, alguns segundos depois Edward desceu com sua pasta na mão.
― Chegou nosso homem de negócios! ― Emmett anunciou, estendendo o braço e os dois se abraçaram rapidamente.
― Gostei do terno ― Edward comentou sobre o terno azul celeste e vi as covinhas no sorriso do homem moreno.
― Sério? Também gostei, ficou bom em mim né?
A mulher loira ao meu lado me olhou, revirando os olhos sem que eles percebessem e acabei rindo.
― Tio Edward ― Alex correu para abraçá-lo.
― E aí campeão?! ― Edward o pegou no colo.
― Eu pratiquei as notas... do piano.
― Depois eu quero ver se você decorou todas ― ele falou e o garoto sorriu, enquanto voltava ao chão. ― Tanya, está linda ― Edward a cumprimentou.
― Como sempre ― ela completou rindo.
― Como sempre, é claro ― concordou sorrindo.
― Temos que ir, estamos atrasados ― Emmett se apressou.
― Ok ― Tanya falou, abraçando-me e agradecendo por cuidar de Alex essa noite.
― Tchau mãe ― Alexander a abraçou e depois a Emmett.
― Boa festa ― Edward desejou.
― Divirtam-se! ― falei, depois de abraçar o homem moreno de braços fortes.
― Tchau pai! ― Alex exclamou, acenando, vendo-os entrar no carro e então acrescentou mais baixo: ― Até que enfim... estou sentindo cheiro de bolo de chocolate.
― Alexander! ― eu o repreendi rindo e ele cobriu o sorriso com as mãos.
E como se tivesse ouvido Tanya abriu a janela e falou séria: ― Nada de chocolate hoje!
Então partiram e peguei a pequena mochila de Alex, perguntando se ele já estava com fome.
― Então vai lavar as mãos, que o jantar já está quase pronto ― avisei e ele assentiu, entrando na casa em direção ao lavabo.
Foi quando senti as mãos de Edward em minha cintura e seus lábios depositaram um beijo em meu pescoço.
― Estava contando os segundos para estar em casa e te ter em meus braços ― ele murmurou e sua respiração contra minha pele me fez arrepiar. ― Sentir seu perfume e...
Virei-me, moldando meus lábios nos seus interrompendo suas palavras, beijando-o sem pressa, deliciando-me com a sensação antes de dar um último selinho no canto de sua boca e afastar-me.
― Tenho que terminar o jantar ― avisei, saindo de seus braços, rindo quando ele me roubou mais um beijo rápido.
― Precisa de ajuda?
― Não, já está quase pronto ― falei, entregando a mochila para ele ― Leve para o quarto de Alex ― pedi, seguindo para a cozinha.
Jantamos entre risadas. Alexander tinha cinco anos e meio e já era tão inteligente, sempre com algum comentário inusitado e engraçado sobre tudo, até sobre ele mesmo quando se enrolava com a pronúncia de alguma palavra. Ele tinha de quem puxar o bom humor e as covinhas em suas bochechas. Alex era uma fotocópia de Emmett e isso o tornava ainda mais fofo.
― Vamos dividir uma fatia de bolo e sua mãe nunca ficará sabendo ― ouvi Edward propor.
― Dividir em que tamanho? ― Alexander quis saber.
― Ao meio, em dois pedaços iguais.
― Mas-mas isso não é justo... ― o garotinho gaguejou, pensando antes de continuar: ― Eu sou criança, mereço um pedaço mais grande tio Edward ― acabei rindo.
― Maior. Um pedaço maior ― eu o corrigi, vendo Edward se divertir com o argumento dele.
― Isso... Maior ― Alex concordou.
Depois de dividirem a fatia de bolo de um jeito “justo”, assisti aos dois discutirem sobre a partitura, sentados em frente ao grande piano de cauda, e quando reproduziram algumas notas pude perceber que Alex claramente levava jeito para música.
Ajeitei-me no sofá ali perto, vendo a animação de Edward com Alexander e, como sempre, algo dentro de mim se perguntou se já não estava na hora.
Estive pensando sobre isso há semanas e sempre chego à mesma conclusão. Nós já aproveitamos tudo o que tínhamos para aproveitar em nosso casamento, na vida a dois e talvez esse seja o momento. Talvez, finalmente, esse seja o momento para mim. Respirei fundo, apoiando a cabeça em um travesseiro e encontrei o olhar de Edward, recebendo seu lindo sorriso que retribui.
Então quando o relógio marcou nove e cinquenta da noite eu me levantei, indo até eles, passando os dedos pelos cabelos pretos do garoto.
― Já está na hora de dormir ― avisei.
― Ah, não, tia Bella, hoje é sexta. Posso ficar acordado até as dez ― falou e sorri.
― Isso mesmo e já são quase dez horas.
― Mas já?! ― ele olhou no relógio digital em seu pulso e suspirou ― Podemos continuar amanhã? ― sua pergunta foi para Edward.
― É claro que podemos.
― Indo para a cama ― anunciei, ajudando-o a se levantar.
― Boa noite, tio Edward ― falou, abraçando-o.
― Quero dentes escovados, pijama alinhado e pronto para dormir. Logo estarei lá ― falei e ele assentiu, indo para o quarto.
Edward segurou minha mão, depositado um delicado beijo sobre meus dedos, e sentei-me ao seu lado no banco.
― Alice me ligou hoje, ela queria saber o que faremos em seu aniversário ― contou.
― Por favor, nada de festa surpresa ― pedi. ― E como sei que ela não vai deixar passar em branco... Então, que seja algo simples...
― Você me ouviu falando o nome da Alice, certo? ― ele quis se certificar e ri, vendo seu lindo sorriso ― Alice e simples não combinam.
― Eu sei ― apoiei minha cabeça em seu ombro, desanimada com mais uma grande e iminente festa.
Senti quando ele acariciou meus cabelos e sorri, sentindo-me acolhida, era ali ao seu lado que eu me encontrava em casa.
― Eu estive pensando, podíamos fazer aquela viagem que estamos adiando por tanto tempo.
― Para a ilha?! Alice irá surtar se estivermos viajando em meu aniversário...
― Eu sei disso ― falou, contendo um sorriso e acabei rindo. ― Viu só, e você ainda queria vender aquele lugar, agora não teríamos para onde fugir...
― É muito dinheiro parado ― afastei-me para olhá-lo.
― Foi um presente meu ― ele estava ofendido.
― Eu só queria ajudar.
― Agora tudo está bem ― falou e toquei seu rosto, aproximando-me e deixando que meus lábios roçassem nos seus, antes de beijá-lo, deixando que meus dedos deslizassem até sua nuca, seguindo para dentro de seus cabelos.
O beijo acabou do mesmo jeito delicado que se iniciou e Edward afundou o rosto em meu pescoço, respirando ali.
― É melhor eu ir ver Alex ― falei baixo e seus olhos encontraram os meus antes de me levantar, soltando seus dedos enquanto me afastava.
Segui para o segundo andar da casa, entrando no quarto decorado especialmente para Alexander em tons de azul, com prateleiras contendo diversos carrinhos, jogos de tabuleiro e bonecos de todos seus super-heróis favoritos.
― Já está pronto? ― perguntei ao entrar.
― Quase ― respondeu e vi, pela porta aberta do banheiro, ele terminando de escovar os dentes.
Parei em frente à estante de livros, olhando um a um.
― Qual vai ser? ― indaguei quando ele saiu do banheiro.
― Esse ― Alex pegou um dos livros e pulou na cama.
Ocupei um lugar ao seu lado e ele se apoiou em meu ombro, antes de eu começar a ler o livro, meus pensamentos muito longe dali. Pensava sobre a conversa que tive com Tanya há muito tempo, quando ela me disse para não romantizar a maternidade e ela tinha razão, até porque não é apenas uma fase, mas sim uma escolha para o resto da vida. Então eu decidi esperar, até tudo passar, até que eu pudesse pensar sobre essa decisão de um modo mais sensato e agora estou aqui encarando isso, analisando...
Algum tempo depois ouvi Alex suspirar e ao olhá-lo percebi que já tinha caído no sono, então fechei o livro, colocando-o sobre a mesinha ao lado, antes de lentamente me virar para abraçá-lo, trazendo-o para meus braços, ficando um bom tempo ali, por alguns instantes tendo vontade de apertar suas bochechas levemente rosadas e sorri, percebendo o quando eu gostaria que aquela fosse minha rotina.
O relógio marcava quase onze horas da noite quando depositei um beijo no alto de sua cabeça e levantei-me devagar, puxando o edredom até a altura de seus ombros. Apaguei as luzes e deixei a porta entreaberta para que a iluminação do corredor entrasse no quarto, para então seguir até a porta no final do corredor.
Assim que entrei em nosso quarto encontrei Edward sentado a pequena mesa próxima a grande janela, com seu notebook ligado, parecendo digitar um e-mail.
― Ele teve dificuldade para dormir? ― perguntou, enquanto me aproximava.
― Não, na verdade até que dormiu bem rápido... eu é que fiquei lá pensando ― contei, deixando que minhas mãos deslizassem por seus ombros, quando ele se virou na cadeira, fazendo-me cair em seu colo e rir contra seus lábios que beijaram os meus.
― Pensando...? ― ele parecia curioso.
― Acho que estou pronta ― murmurei, vendo seus olhos verdes encararem os meus, um clima mais sério se formando ali. ― É o momento certo, você se estabilizou, a empresa está bem, o estúdio de dança vai bem, sinto-me preparada... Então, chegou a hora. Eu realmente quero um filho com você e quero muito poder sentir... ― falei, levando sua mão até meu ventre.
― Eu também quero ― ele sussurrou, antes de acariciar a lateral de meu rosto e beijar-me com delicadeza.
― Na semana passada eu pesquisei por algumas clinicas. Assim que puder irei marcar um horário
― Isso é ótimo ― concordou me fazendo sorrir, enquanto seus lábios beijavam o canto da minha boca, descendo até meu pescoço, fazendo minha pele se arrepiar e levantei rindo.
― Está tarde, já vou dormir.
― Ok ― sorriu. ― Só preciso terminar isso ― apontou para o notebook. ― E já vou me deitar, também ― informou e roubei-lhe mais um beijo rápido, antes de ir trocar de roupa.
~*~*~
Sete meses depois
O verão estava acabando e tínhamos que aproveitá-lo, então na sexta-feira eu organizava o que levaria para o final de semana em família na casa de praia, o que já tinha se tornado uma tradição, e assim que terminei segui para o banheiro, tomando um banho e vestindo um short, junto com uma camiseta larga. Essa foi minha escolha de roupa durante as últimas semanas e continuava sendo, às vezes substituindo a camiseta por alguma camisa de Edward. Peguei o livro que estava lendo já há alguns dias e sentei-me na cama, apoiando os pés do colchão e puxando um travesseiro para entre minha barriga e minhas pernas para apoiar minhas mãos com o livro, na página onde tinha parado ontem. Desligando-me dali, mergulhando na leitura, confesso que era uma forma de não pensar, pelo menos por enquanto. Não queria criar expectativas, nem começar a sonhar antes do tempo. Então depois de eu ter passado por umas quinze páginas ouvi passos na escada, mas mantive minha concentração no livro, apenas de afastando da leitura quando Edward se sentou ao meu lado, na beirada da cama.
― Oi.
― Oi, como foi seu dia? ― perguntei, fechando o livro e ele suspirou.
― Estou feliz por ser sexta ― respondeu e sorri, estirando o braço para tocar seu rosto e ele segurou minha mão, depositando um beijo em minha palma. ― Ainda não acabou? ― sua pergunta foi sobre o livro que eu lia e deixei que minha mão repousasse sobre seu peito, próximo aos botões de sua camisa.
― Quase, faltam só algumas páginas ― contei e senti sua mão tocar meu joelho.
― Eu te liguei hoje, algumas vezes, mas seu celular estava desligado ― ele mudou o assunto.
― É... esqueci de carregar... Aconteceu alguma coisa?
― Não, apenas queria ouvir sua voz ― confessou, fazendo-me sorrir e minhas bochechas esquentarem, antes dele se aproximar moldando sua boca a minha.
Seus lábios me beijaram com cautela, enquanto sua mão deslizava por minha coxa, indo em direção a lateral de meu quadril, mas eu a segurei, quebrando o beijo, empurrando-o levemente.
― Desculpe, minha cabeça dói, estou cansada ― falei baixo e notei-o prestes a dizer algo, mas então apenas suspirou e levantou-se.
― Vou tomar um banho... esfriar a cabeça ― ele passou a mão por seus cabelos e entrou no closet.
Algo em mim exclamou que aquilo não era justo, mas sabia que era necessário, mesmo assim me levantei indo atrás dele.
― Edward, espera.
― O que foi? ― ele soou levemente rude e recuei um passo.
― Eu apenas não ando me sentindo muito bem, acho que é por causa do tratamento...
― Eu sei e entendo ― seu tom se suavizou. ― Não é por isso... ― ele balançou a cabeça, parecendo tentar encontrar as palavras ― Você está me afastando e não sei por qual motivo, há semanas mal deixa eu te tocar, nem sei como permitiu que eu te beijasse agora a pouco.
― Eu sei ― murmurei, aproximando-me, ficando nas pontas dos pés para poder abraçá-lo. ― E sinto muito, tem sido dias estranhos... não ando me sentindo muito bem, parece que o tratamento causou mais efeitos esse mês...
Suas mãos acariciaram meus cabelos, afastando-me para tocarem meu rosto, e eu o beijei, permitindo aquela sensação que eu tanto queria há dias. Senti seu toque por minhas costas, em minha cintura e deslizei meus dedos por seu tórax, entrando em sua camisa já desabotoada, antes de afastá-lo.
― Vou te esperar para dormir ― informei e ele sorriu, depositando um último beijo em meu pescoço.
E algum tempo depois lá estava Edward ao meu lado na cama, enquanto eu me acomodava, deitando-me sobre seu peito, sendo embalada em seus braços.
~*~
Carlisle e Esme chegaram à casa de praia no domingo, apenas para um almoço totalmente em família e abracei-os assim que passaram pela porta.
― Quanto tempo, querida ― o homem loiro, praticamente grisalho, falou.
― Eu sei, sinto muito, o estúdio está ocupando todo meu tempo ― desculpei-me.
― Bom, se é isso então fico feliz, sei que adora ser professora de ballet.
― Não faz ideia ― falei e ele sorriu.
― Nossa, tem alguma coisa de diferente em você ― Esme falou enquanto caminhávamos para os fundos da casa que levava a praia.
― Diferente, como assim?
― Não sei, parece estar radiante ― ela relevou, fazendo-me rir e corar envergonhada, quando Alex apareceu correndo para abraçá-la. ― Oi, querido! Meu Deus, passo uma semana sem te ver e parece que você dobra de tamanho! ― notou e o garotinho gargalhou.
Passamos pela cozinha onde há pouco ajudava meu irmão com o almoço e David ficou animado por eles já terem chegado.
― Hey, como estão? ― Tanya entrou na casa, vindo da praia, usando o vestido florido um pouco sujo de areia e eles a cumprimentaram.
E, dali da porta, vimos Edward rindo, enquanto Emmett e Alice discutiam sobre alguma coisa a respeito do vôlei que jogavam.
.
Eram quase meio-dia e meia quando todos já ajudavam a arrumar a mesa, David terminava o almoço e Esme sempre dava alguma dica a ele. Vi Alex subir e descer as escadas da casa, algumas vezes, indo até Alice que estava com os talheres, enquanto eu colocava os copos na mesa.
― Não, não achei tia Alice.
― É um potinho redondo, cor de rosa, na primeira gaveta da penteadeira. Na tampa está escrito “Clinique ― hidratante facial” ― ele ouvia atentamente.
― Ok ― Alex voltou a subir as escadas, animado em ajudar.
― Ei, meu filho não é empregado ― Emmett, que carregava os pratos, acabou rindo, indignado.
― Estou ajudando, assim ele pratica exercício subindo as escadas e não se tornar uma criança sedentária.
― Você é inacreditável!
E quase terminávamos a mesa quando Alexander apareceu, muito feliz com o potinho na mão.
― Eu achei tia Alice, achei! ― ele entregou o hidratante.
― Muito bem ― ela afagou os cabelos dele e tirou uma bala do bolso do short.
― Alice! ― exclamei, vendo o garoto indo para a sala.
― O que foi?
― Meu filho não é um cachorrinho! ― Emmett agora estava com uma expressão incrédula e acabei rindo.
― Estou condicionando ele a um bom comportamento, eu li sobre isso.
― Depois me pergunta porquê não deixo ele sozinho com você ― falou e ela revirou os olhos.
― O que aconteceu? ― Edward apareceu na sala, ouvindo os dois discutindo.
― Nem queira saber ― falei rindo, sentindo seu braço ao redor de meus ombros.
O almoço passou entre risadas e se Alice já conseguia tumultuar com seus comentários ácidos desde sempre, percebi que poderia ser pior quando, há alguns anos, ela finalmente aceitou Tanya na família. E realmente vejo o porquê delas se darem tão bem na adolescência. Mas, quer saber, eu amava aquilo, amava cada um deles, até mesmo a mulher loira, que cortava algo no prato do garotinho de pele morena, agora ainda mais bronzeado, de cabelos pretos, que tinha um lugar especial em meu coração. Amava o homem loiro, grisalho, e a mulher de traços doces que me acolheu como uma mãe, talvez melhor que muitas mães por aí. Amava a baixinha de cabelos pretos, sempre curtos, e meu irmão, David,... Seria impossível descrever o quanto ele era importante para mim. Eu amava o homem forte, de pele morena, cabelos pretos, e as covinhas em cada ponta de seu sorriso. E amava incondicionalmente o homem de cabelos cor de bronze e olhos verdes como esmeraldas..., foi por ele que meu coração continuou a bater e sei que foi por ele... Foi por todos eles que voltei a esta vida.
Sei a importância que tive para cada um, sei como ajudei Edward a superar muitas coisas no passado e como aproximei ele, Emmett e Alice. Sei como fui a amiga que a garota baixinha tanto precisava no momento em que entrei em sua vida, em como fui essencial para aproximar Esme e Carlisle e em como ajudei a trazer Tanya para a família, só para trazer a pura felicidade para os olhos de Emmett. Mas eles não fazem ideia do quanto foram importantes em minha vida, do quanto significaram e ainda significam para mim.
Sempre serei grata a cada um deles.
Assim como agradeço a Deus, todos os dias, por tê-los colocado em minha vida.
~*~
Na quarta-feira eu tinha a tarde livre e às duas horas em ponto Alice me ligou.
― Já estou te esperando.
― Já estou chegando ― falei.
― Ok, estou esperando no mesmo lugar de sempre, beijinhos.
― Beijos ― sorri ao desligar.
Cheguei ao shopping algum tempo depois, encontrando com uma Alice entusiasmada.
― Dia de compras!
― Dia de compras ― repeti, abraçando-a.
― Vem, vamos ― ela logo me puxou. ― Precisamos de roupas largas, vestidos sem marcações na cintura e calças com elástico.
― Fez uma lista?
― Você nem imagina... E o presente que você queria dar a Edward? ― ela lembrou e suspirei, começando a explicar.
― Será hoje ― falei por fim e ela sorriu.
― Finalmente! Aah estou tão animada!! ― exclamou, segurando meus ombros, parecendo se segurar para não saltitar e acabei rindo.
Eram quase quatro e meia da tarde, quando me despedi de Alice, ouvindo-a pedir para que eu ligasse para ela assim que falasse com Edward e entrei no carro rindo. Hoje meu motorista estava comigo, então informei que a próxima parada era o escritório de meu marido, encarando a pequena caixa com um laço branco, respirando fundo. Confesso que ainda existia certa insegurança... Perguntava-me se ele iria gostar.
De qualquer forma, eu descobriria em breve já que Vincent abria a porta para mim e agradeci antes de caminhar para dentro do prédio, entrando no elevador vazio, apertando o número do último andar, antes de me encostar ao fundo espelhado, uma lembrança muito distante invadindo minha mente:
“Acordei aos poucos, atordoada, sentindo minha cabeça doer e a luz branca machucar meus olhos.
― Oi ― ouvi uma voz masculina e meu coração disparou e pisquei os olhos, tentando focar minha visão, encontrando o rapaz de cabelos bagunçados e seus olhos... seus olhos verdes, como esmeraldas, me analisando parecendo preocupados. ― Seu nome é Isabella, certo? ― seu tom era suave e assenti.
― Sim, Isabella Swan ― minha boca estava seca e minha voz saiu fraca. ― O que está fazendo aqui?
― Sou Edward Cullen.
― Eu sei quem você é ― falei. ― Quero saber como vim parar aqui e por que está aqui?
― Encontrei você desmaiada da pista de gelo, então a trouxe para o hospital ― ele explicou simplesmente.” (Capítulo 3 – Notícias)
Eu sempre soube quem você era Edward Cullen Masen ― pensei quando as portas do elevador se abriram e saí, encontrando com a sua secretária.
― Olá Sr. Masen.
― Oi, Edward está ocupado?
― Não, ele acabou de sair de uma reunião e está em seu escritório, posso avisar que está...
― Não Amy, não há necessidade, vou fazer uma surpresa.
― Ah, ok ― ela sorriu.
― Obrigada ― retribui seu sorriso, antes de caminhar até a entrada para a sala de Edward.
Bati e abri porta, espiando , encontrando um lindo sorriso quando ele me viu, e então entrei, fechando a porta atrás de mim, caminhando até sua mesa.
― Que surpresa maravilhosa! ― Edward falou, afastando a pasta e os papéis que ele analisava, para dar sua atenção a mim.
― Eu estava aqui perto ― contei.
Deixei minha bolsa sobre a cadeira em frente a sua mesa e contornei-a, vendo-o se levantar para me roubar um beijo, mas eu logo o afastei, ansiosa...
― Estava com Alice, aqui perto, no shopping e eu comprei algo para você ― falei entregando a pequena caixa embrulhada em papel branco assim como o lindo laço.
― Esqueci de alguma data especial? ― ele perguntou e acabei rindo.
― Não. Sabe que nunca esquece nenhuma data especial ― falei sorrindo. ― Na verdade, não é bem para você... Mas vai entender quando abrir ― tentei explicar e ele me olhou desconfiado.
― Ok... ― murmurou, voltando a se sentar em sua cadeira e encostei-me em sua mesa.
Mordi meu lábio enquanto Edward olhava a caixinha em suas mãos, antes de desfazer o laço e abrir o delicado embrulho, paralisando por alguns instantes ao encarar o par de sapatinhos cor-de-rosa dentro da caixinha transparente. Sapatinhos que caberiam na palma de sua mão. Sorri quando ele passou a mão no rosto, seus olhos estavam marejados?
― É verdade? ― não passou de um sussurro e assenti ― Vem cá ― ele estendeu a mão e puxou-me para seu colo. ― Quanto... Quanto tempo?
― Quatorze semanas.
― Por isso estava distante...
― Eu não queria que ninguém descobrisse, queria esperar passar pelo primeiro trimestre ― tentei explicar: ― Sei que isso não garante muita coisa, mas os riscos diminuem um pouco depois do terceiro mês, então... ― suspirei. ― Eu estava com medo.
― Tudo bem ― ele falou e voltou a repetir baixinho ― Tudo bem ― seus dedos tocaram meu rosto e seus olhos me admiravam quando me aproximei, permitindo que ele tivesse meus lábios em um beijo calmo, delicado e apaixonado.
Quebrei o beijo, deixando que a ponta do meu nariz percorresse sua mandíbula e toquei meus lábios em seu pescoço, próximo a gola da camisa social e de seu terno.
― Uma menina ― ele sussurrou e segurei sua mão, levando-a até minha barriga.
Era algo ainda muito discreto, mas já era possível notar um pequeno volume em meu ventre, ele conhecia meu corpo e eu sabia que perceberia, e sorri, apoiando a cabeça em se ombro.
― Nossa princesinha ― ele falou baixo.
― Sinto muito por ter guardado segredo...
― Você fez o que achou melhor, o que a fez se sentir melhor. Então fez o certo ― falou, fazendo-me sorrir com seu apoio e moldei meus lábios nos seus, sendo interrompida pelo telefone tocando.
Edward atendeu, enquanto sua mão acariciava minha barriga suavemente, e ouvi ele pedir para Amy cancelar todos seus compromissos do resto da tarde, dispensando-a também antes de desligar a ligação.
― Meu Deus, uma menininha... ― sussurrou, sua mão ainda em meu ventre e apoiei minha cabeça em seu ombro. ― Você me faz o homem mais feliz desse mundo ― falou, suas mãos deslizando por meus ombros. ― Quero ficar assim, com você em meus braços, o resto do dia.
― Então vamos para casa, para nossa cama ― murmurei e ele sorriu, beijando-me.
― Eu te amo tanto ― declarou e depositei um beijo no canto de sua boca, antes de me levantar, estendendo a mão para ele.
Edward se levantou, segurando meus dedos e depositando um beijo no dorso de minha mão, seus olhos encontrando os meus.
― Você tem meu coração e minha alma, eu sou todo seu.
― Sempre cuidarei deles com todo meu amor ― falei baixo.
Ele pegou a caixinha com os sapatinhos e sua pasta, para sairmos do escritório. Edward parecia meio bobo, olhando os pequenos sapatos cor-de-rosa, enquanto caminhávamos pela recepção. Amy já não estava mais ali e entramos no elevador, onde apertei o botão que levava ao térreo, encontrando seu olhar, admirando-me, quando me virei para ele, assim que as portas se fecharam.
― Não me olhe assim ― pedi.
― Não consigo ― ele informou, sorrindo.
Se alguém tivesse me perguntado em minha adolescência o que eu esperava do meu futuro, eu diria tudo, menos me casar, amar, entregar-me, confiar em alguém. Eu diria com certeza que nunca confiaria em um homem. E então, muitos anos depois, aqui estou eu, completamente apaixonado pelo meu marido, o homem que mais confio nesse mundo. E acho que no fundo eu sempre soube. Bem lá no fundo eu soube no momento em que olhei para aqueles olhos verdes, eu soube que era ele, que seria ele...
Que sempre seria ele.
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