Notas iniciais
Prometi um epílogo, mas ele ficou muito grande e com duas parte bem divididas então resolvi fazer dois capítulos separados. Não se preocupem, estou postando esses dois capítulos, então não ficarão uma eternidade esperando... Realmente, desculpem-me pelo atraso com esses capítulos... Muita coisa acontecendo... Enfim, eu realmente espero que gostem. OBS.: Ao final da leitura, antes de irem para o próximo capítulo, por favor leiam as notas finais!

Emmett’s POV

Ainda era de madrugada quando me levantei, pensando que já tinha adiado muito isso, então caminhei pelo corredor, parando alguns segundos em frente a porta do quarto de Alex, vendo-o dormindo em um sono profundo, logo seguindo para meu escritório encostando a porta ao entrar. Tirei o quadro pendurado na parede, do lado esquerdo de minha mesa, abrindo o cofre escondido ali e pegando o celular que realmente achei que ninguém mais usaria. Peguei a bateria, montando-o, e percebendo que ainda funcionava, então fiz minha ligação no mesmo horário que lembrava que meu tio fazia. A ligação durou alguns segundos e foram poucas palavras trocadas antes de desligar, tirando a bateria, voltando a deixar o aparelho dentro do cofre e fechando-o. Eu ajeitava o quadro na parede, quando ouvi a porta abrir um pouco e vi a mulher loira encostada ali na entrada.

― Aconteceu alguma coisa?

― Não, coração ― falei, gesticulando para que ela se aproximasse. ― Apenas, umas coisas que preciso resolver ― expliquei ao perceber seu olhar indagador.

― Trabalho, agora? Tem tanta coisa melhor para se fazer a essa hora... ― falou com um sorriso malicioso nos lábios.

Apoiei-me a mesa, com Tanya a minha frente, segurando seu quadril e trazendo-a para mais perto.

― Como o quê? ― perguntei sorrindo, enquanto ela beijava lentamente meu pescoço.

― Como... ― senti sua mão descer até o cós de minha calça e sua boca ousada me beijou, mordiscando meus lábios, antes de se afastar abruptamente ― ...dormir! Preciso acordar cedo amanhã ― avisou já seguindo para a porta e acabei rindo, vendo seu sorriso estonteante quando ela olhou por sobre o ombro antes de sair do escritório.

~*~

Na quinta-feira, começava a anoitecer quando enviei uma mensagem para Tanya, avisando que não chegaria a tempo para o jantar, inventando a história que precisava fazer uma reunião de emergência com um cliente. E as oito em ponto eu entrava na luxuosa casa do Sr. Mielke, com a pasta de papel em minha mão, sendo guiado pelo mordomo até a sala onde aquele que eu procurava conversava com outros dois homens.

― Masen! ― Mielke sorriu, cumprimentando-me ― Quanto tempo...

― Sim, muito tempo ― concordei ― Atrapalho algo?

― Não, já estávamos de saída ― o homem de cabelos loiros escuros e de aparência elegante, sorriu.

― Deixe-me apresentá-los ― o Sr. Mielke se apressou ― Esse é Emmett Masen, sobrinho...

― Esse sobrenome dispensa apresentação.

― Exatamente ― Mielke sorriu.

― Sou Fabrizio Albertori¹ ― o homem loiro me cumprimentou com um aperto de mão e um sorriso educado. ― E aquele é meu irmão, Maximiliano² ― ele apontou para o homem todo vestido de preto, a alguns passos de distância, que apenas acenou brevemente com a cabeça e pude ver a cicatriz que deformava a lateral de seu rosto. ― Ele é de poucas palavras ― Fabrizio logo falou.

― É um prazer conhecê-los

― Aqui ― ele me passou um cartão, apenas um número de celular escrito. ― Caso precise de algum serviço na Europa.

Olhei o cartão em minha mão e assenti antes de vê-los saírem.

― Então, pensei que não faria mais trabalhos para sua família depois da morte de seu tio ― Mielke falou, pedindo para que eu me sentasse e acomodei-me em uma das poltronas, vendo-o pegar seu charuto para então se sentar de frente para mim.

― Eu também pensei.

― E o que eu posso fazer por você?

― Tem um homem, Mark Leos ― coloquei a pasta sobre a pequena mesa, entres nós, e empurrei-a até ele.

O homem grisalho pegou, olhando os documentos e fotos.

― Ele está preso... ― disse, lendo algumas folhas e assenti. ― Quer que ele seja apagado?

― A morte não é suficiente...

― O que ele fez exatamente?

― Ele abusou sexualmente de uma garotinha, desde os sete anos até a adolescência dela. Matá-lo...

― Matá-lo, seria muito misericordioso... ― Mielke me interrompeu e suspirei.

― Eu o coloquei na prisão, mas não parece ser uma punição a altura... Não sabia mais a quem recorrer, então me lembrei das reuniões em que acompanhava meu tio.

― Fez o certo em vir até mim, não aceito que façam mal a mulheres, muito menos a crianças. Realmente a prisão não é uma punição para o que ele fez, isso não é justiça ― falou pensativo.

― O que tem em mente?

― Sabia que eu tenho uma neta? ― indagou ― E coincidentemente ela completou sete anos mês passado ― fez uma pausa, analisando o cachimbo em suas mãos. ― Só será justo quando esse homem viver na pele a dor e sofrimento que infringiu a essa garotinha... Posso providenciar isso... Bernard?!

― Senhor? ― o mordomo apareceu na entrada da sala.

― Chame o Matt, diga que tenho um trabalho para ele ― ordenou e logo fomos deixados a sós novamente.

― E quanto irá custar?

― Isso? ― ele apontou para a pasta com as informações de Mark. ― Não... Isso irei fazer por prazer ― falou. ― Eu tinha algumas dívidas com seu tio, que não consegui pagar...

― Então as considere pagas ― afirmei, levantando-me e estendendo a mão.

O Senhor Mielke sorriu, apertando minha mão e fechando o negócio.

― Sempre imaginei que se voltasse a fazer negócios, seriam com o filho do seu tio, mas parece que Edward gosta de um jogo limpo...

― Pois é ― concordei. ― É uma pena que nem sempre o mundo jogue limpo com a gente.

Isabella’s POV

Era sábado e, depois da surpresa de quarta-feira, Edward tinha cancelado sua viagem de negócios, reservando o final de semana apenas para nós. E agora, deitada, ainda sonolenta, minhas costas encostada ao seu peito e seu braço ao meu redor, sentia-me no paraíso. Aconcheguei-me melhor, sentindo sua mão descer até a lateral da minha coxa, deslizando até meu quadril e eu a segurei ali. Seu braço direito entrou sob meu travesseiro e segurou minha outra mão, quando Edward me puxou mais para perto, impedindo-me de virar, apenas colando seu tórax em minhas costas, uma de suas pernas entrando entre as minhas para separá-las, fazendo um gemido escapar por entre meus lábios.

― Edward... ― murmurei quando sua mão, em meu quadril, empurrou a calcinha que eu usava, e meus dedos apenas ajudaram.

― Tudo bem? ― perguntou baixo e meu corpo estremeceu antes de eu conseguir assentir.

Eram sensações tão diferentes, meu corpo estava tão sensível, de um jeito bom, mas também de um jeito ruim, ao mesmo tempo em que parecia implorar por seu toque. Porém Edward parecia ter consciência disso, pois suas carícias se tornavam cada vez mais delicadas e carinhosas, e quando seus dedos subiram por dentro da camisola de cetim que eu usava, tocaram meus seios da forma mais doce possível, fazendo-me suspirar, sentindo seus lábios na curva de meu pescoço.

― Eu te amo ― murmurei.

― Minha vida ― sussurrou, antes de senti-lo dentro de mim.

 Minha mão segurou sua coxa logo atrás da minha, apertando seu músculo, sentindo minhas unhas marcarem sua pele a cada estocada e olhei por sobre o ombro, apenas o bastante para ter sua boca na minha.

Dois meses e algumas semanas depois

Procurei por um pijama, os termômetros estavam começando a cair com o outono, então escolhi uma calça com uma blusa de mangas longas, apesar do tecido leve, olhando-me no espelho, virando de lado para ver o reflexo de meu perfil antes de passar as mãos pela barriguinha redonda.

― Vinte e quatro semanas ― murmurei, analisando minha imagem.

Não estava tão grande, mas já não era algo que uma roupa larga esconderia, estava claro que eu estava grávida e sorri com aquilo. Saí do closet, vendo Edward deitado na cama, falando ao telefone.

― Ok, mas conversamos mais sobre isso amanhã no almoço ― ele ouvia o outro lado da linha, mas seus olhos estavam em mim, enquanto me aproximava da cama. ― Já entendi, Alice... ― falou e acabei sorrindo.

Apoiei um joelho de cada lado de meu corpo, sentando-me sobre seu quadril e sua mão desocupada acariciou minha perna, subindo e chegando a minha pequena barriga arredondada, já bem aparente.

― Está bem, até amanhã ― ele se despediu. ― Beijos ― então desligou, deixando o aparelho na mesinha ali ao lado.

Edward se sentou, mantendo-me em seu colo, aproximando-se, seus dedos afastando os fios soltos do coque mal feito em meu cabelo.

― Como está se sentindo? ― agora sua atenção era só minha.

― Estou bem.

― Da última vez que me disse isso começou a chorar, minutos depois, com o comercial da coca-cola ― falou e acabei rindo, empurrando seu ombro.

― São apenas os hormônios... E o comercial era muito lindo ― tentei me defender e ele conteve um sorriso.

― É claro que era ― concordou e antes que eu pudesse dizer algo seus lábios tomaram os meus, em um beijo suave, doce, enquanto sua mão tocava minha barriga.

Apoiei a testa na sua ao quebrar o beijo e deixei meus dedos deslizarem por seus cabelos. Edward depositou um beijo em meu ombro esquerdo e olhei-o, percebendo sua boca migrar dali direto para meus lábios, em breves beijos, seus braços me envolvendo, quando eu apenas o afastei.

― Tem alguém se mexendo ― sussurrei, levando a mão até minha barriga sentindo o leve chute.

― A minha princesinha... ― falou e sua atenção já não era mais minha, e acabei rindo disso, enquanto saía de seu colo.

Ajeitei o travesseiro ali ao lado e recostei-me, deixando que ele conversasse com ela, como fazia todos os dias.

― Ela vai reconhecer mais a sua voz do que a minha ― avisei, mas ele continuou, sua mão acariciando minha barriga.

Edward contava histórias, fazia planos e às vezes apenas dizia o quando estava ansioso para a chegada da nossa menininha. Mas depois de algum tempo eu já começava a cochilar, ouvindo-o continuar conversando.

― Ela já está dormindo ― falei, quando ela parou de se mexer. ― O que a mãe dela também deveria estar fazendo ― informei, fazendo-o rir, uma expressão culpada no rosto.

― Desculpe, meu amor ― Edward, ajeitou melhor o travesseiro para mim e virei-me, acomodando-me de lado. ― Lençol ou edredom? ― perguntou baixo enquanto eu sentia meus olhos pesarem.

― Só o lençol.

E o tecido de algodão foi puxado para cima de meu corpo, logo depois senti seus braços ao meu redor e foi o suficiente para me fazer cair em um sono profundo.

~*~

Era final da tarde, o vento tinha uma temperatura agradável, levemente fria, mas era compensada pelos suaves raios de sol que ainda iluminavam parte do jardim da casa de Esme e Carlisle. Ouvia as risadas de todos reunidos na área parcialmente coberta perto da piscina e fiquei ali próxima da janela, da sala, por alguns instantes, acariciando minha barriga, minha menininha estava muito quieta hoje, e eu mal tinha notado, com tantas coisas que passavam em minha cabeça desde que acordei de manhã.

― Bella ― ouvi a voz doce de Esme e sorri, vendo-a parar ao meu lado com uma linda caixa de presente nas mãos. ― Eu sei, eu sei... Mas vi esse na vitrine e tive que comprar ― falou e peguei a caixa que ela me oferecia.

Esme já tinha comprado tantos presentes para minha garotinha que não sabia onde guardaria tantos sapatinhos e vestidinhos. Mas sempre era maravilhoso desfazer os lindos laços cor-de-rosa e encontrar o que ela tinha escolhido daquela vez. Tirei da caixa o vestidinho rosa claro, rodado e repleto de babados.

― É lindo ― falei e ela sorriu.

― Que bom que gostou!

Infelizmente sua animação parecia ir no sentido completamente contrário do que eu sentia naquele momento.

― Está tudo bem, querida?

― Sim, estou bem... ― respondi e ela esperou, sabendo que tinha algo mais. ― Só estou preocupada ― falei, dobrando o vestido, guardando-o na caixa e deixando-a na mesa ali perto.

― Com o quê?

― Parece que falta tão pouco ― contei. ― Mais uns três meses, e ela estará em meus braços.

― Não está ansiosa para isso?

― Estou... claro ― suspirei e vi seu sorriso compreensivo. ― É que... Já li uns três livros, pesquisei tudo o que uma mãe deve saber... Mas ainda não faço ideia de como cuidar de um bebê. Os primeiros banhos, trocar a fralda, amamentar... Sabia que se eu a posicionar de um jeito errado, na hora de amamentar, posso causar uma infecção de ouvido nela?! ― indaguei e respirei fundo, percebendo que tinha falado tudo de uma vez só, então ouvi a doce risada de Esme. ― Desculpe...

― Minha querida, é normal se preocupar ― ela me interrompeu, sua mão tocando meu ombro. ― Isso só prova que será uma ótima mãe. Mas ao mesmo tempo me chateia você pensar que irá passar por tudo isso sozinha, acha que não estarei lá para te ensinar a segurar nossa pequenina durante o banho? Ou nas trocas de fralda para te orientar quando usar pomada e quando usar talco? Acha que não estarei lá para ajudar com o que você precisar? ― perguntou por fim e as lágrimas já desciam por minhas bochechas, então apenas a abracei.

― Obrigada. Muito obrigada! ― falei ― Acho que nunca vou poder agradecer o bastante por tudo que fez e ainda faz por mim ― informei, afastando-me e suas mãos seguraram as minhas.

― Não tem que agradecer, minha querida... ― mas ela foi interrompida por Edward que entrou na sala e rapidamente sequei minhas lágrimas.

― Está tudo bem por aqui? ― a voz grave soou levemente preocupada e finalmente senti um pequeno chute em minha barriga.

― Sim, está ― falei, vendo Esme sorrir.

― A torta já deve estar quase pronta, é melhor eu ir ver ― lembrou-se e sua mão apertou levemente a minha, antes dela falar um pouco mais baixo: ― Não está sozinha. 

Apenas sorri soltando seus dedos, sentindo-me mais calma, meu coração mais leve no peito, enquanto a via se afastar tocando o ombro do homem de cabelos acobreados, parado ali na entrada da sala, ao passar por ele. Edward se aproximou e estendi a mão, a qual ele logo segurou, chegando mais perto, seus dedos acariciando a lateral do meu rosto.

― Deixe-me adivinhar... Tudo culpa dos hormônios ― falou, notando minha bochecha ainda úmida e sorri envergonhada, apoiando-me em seu tórax, seus braços me rodeando, minha cabeça achando um lugar em seu ombro

― Ela se mexeu, quando ouviu sua voz ― contei e mesmo sem olhar sabia que aquele sorriso bobo estava em seus lábios.

― Precisamos escolher um nome.

― Sim, preci... ― concordei e acabei me desconcentrando ― Está sentindo esse cheiro delicioso de torta de maça? ― indaguei e ele riu.

― Vem, vamos pegar um pedaço ― ele segurou em minha mão, enquanto seguíamos para a cozinha.

Sentei-me na cadeira que Emmett puxou para mim, segurando meu pratinho com meu pedaço de torta, apoiando-o na mesa, lembrando-me do pedido do homem que se sentava ao meu lado, então eu o cutuquei, chamando sua atenção, enquanto mastigava um pedaço da torta.

― Ela está chutando ― apontei para minha barriga.

― Sério? ― ele estava surpreso ― Posso? ― apenas assenti, mais concentrada em minha fatia de torta.

Senti sua mão, em minha barriga, em cima do tecido do vestido que eu usava e a segurei, deslizando até a lateral esquerda, sabendo que ela chutaria ali e de repente Emmett tinha um grande sorriso.

― Ela realmente chutou! ― falou maravilhado.

― Eu também quero sentir ― Alice anunciou.

― Eu também posso? ― o garotinho de cabelos pretos se aproximou, parando ao lado da minha cadeira.

― É claro, Alex ― falei, levando sua pequena mão, para a lateral de minha barriga e acabei rindo de seus olhos espantados.

Dois meses depois

Sentei-me na beirada da cama, respirando, puxando o ar, sentindo minhas costas doerem. Ainda estava escuro e ao pegar meu celular ali perto, vi que ainda eram três horas da manhã. Levantei-me, sabendo que se voltasse a deitar sentiria mais falta de ar. Edward dormia e sua respiração pesada informava que dificilmente algo o acordaria, então caminhei para fora do quarto seguindo pelo corredor e parei em uma das portas, aquela que ficava em frente ao quarto que tinha decorado para Alexander. Passei a mão por minha barriga, esperava que em um futuro próximo os dois se dessem muito bem. Abri a porta, em frente do quarto de Alex, e sorri ao acender a luz, entrando no lugar decorado em tons claros, perfeitamente organizado.

Eu tinha escolhido cada detalhe daquele quarto nos últimos meses, levando em conta as dicas de todos, como a paleta de cores cinza, rosa e branco, que Alice tinha recomendado, mas acrescentei alguns detalhes em dourado, também ouvi a sugestão da Tanya, a qual disse que eu precisaria de uma poltrona confortável e uma mesa ao lado, mas uma mesa que não fosse alta o bastante para eu precisar mexer muito o ombro, nem muito baixa ao ponto de precisar me esticar e curvar, para alcançar algo. 

Esme me falou sobre o berço e até Emmett deu palpite sobre a iluminação do quarto, que deveria ser distribuída e não ter um único lustre no centro do teto.

Suspirei ao pegar dentro do berço a ursinha de pelúcia, vestida de bailarina, presente de David. Então senti um chute em minha costela e respirei fundo. 

― Minha pequena, isso dói ― murmurei, levando a mão a minha barriga, apoiando-me na grade do berço. 

O ar me faltou e deixei a ursinha ali antes de caminhar até a janela, afastando as delicadas cortinas cor-de-rosa, abrindo a janela e sentindo o ar frio que pareceu encher meus pulmões. Encarei, pela janela, o gramado lá em baixo, vendo-o levemente esbranquiçado, o inverno marcando presença aos poucos. Então ouvi os passos no corredor e logo a voz grave, rouca, de Edward. 

― Bella?

Vi pelo reflexo no vidro a porta se abrindo e ele espiou para dentro do quarto. 

― Estou aqui ― minha voz soou fraca. 

― Está tudo bem? ― ele entrou, caminhando até mim, e virei-me para olhá-lo. 

― Sim, estou bem ― respondi, vendo seus olhos preocupados.

― Está frio para você...

― Parece que o ar gelado me ajuda a respirar melhor ― eu o interrompi, olhando por sobre o ombro a janela parcialmente aberta.

Edward se aproximou e voltei a olhá-lo.

― Ainda com falta de ar? ― perguntou e apenas assenti, passando a mão em minha barriga ao senti-la mexer.

― E um pouco de dor nas costas ― acrescentei. ― Mas não é nada tão... Ah... ― arfei, curvando-me um pouco e suas mãos logo seguraram as minhas, dando-me um ponto de equilíbrio.

― O que houve?

― Ela resolveu brincar com minhas costelas ― murmurei e vi seus olhos me analisarem.

― Gostaria de poder fazer alguma coisa ― falou.

― Fique em silêncio ― pedi. ― Sua voz a deixa agitada ― informei e ele estava prestes a dizer algo mais se calou, fazendo-me sorrir.

Suspirei, aproximando-me e lentamente apoiando a cabeça em seu tórax, sentindo seus braços me envolverem, aconchegando-me em seu peito. Ouvindo seu coração forte e calmo, ficando um bom tempo ali, deliciando-me com seu perfume e então me afastei, apoiando as mãos em seus braços.

― Deveria ir dormir, ao contrário de mim, tem que acordar cedo amanhã... ou melhor, hoje... ― sabia que minha expressão era confusa e ele apenas sorriu, balançando a cabeça, gesticulando que “não”, enquanto franzia as sobrancelhas.

Sabia que ele não me deixaria ali sozinha e estranhei quando ele se afastou, abrindo um dos armários, procurando por algo. Até que encontrou as mantas dobradas e pegou uma, trazendo até mim, colocando-a ao redor de meus ombros, fazendo uma sensação tão boa percorrer meu corpo, que segurei sua mão, dando um passo em sua direção, ficando nas pontas dos pés, para lhe roubar um beijo rápido, fazendo aquele sorriso torto surgir em seus lábios, enquanto eu já caminhava até a poltrona.

Sentei-me na confortável poltrona reclinável e Edward pegou o pequeno livro na mesa ali perto, entregando-me e revirei os olhos antes de encarar a capa: Guia de Nomes Femininos.

― Eu sei... Já grifei alguns que gostei ― falei, vendo Edward se sentar no pequeno sofá de dois lugares em frente à poltrona. ― Não sei por que está sendo tão difícil. Tanya disse que escolheu o nome de Alex em poucos minutos.

Ele abriu a boca para dizer algo, porém logo a fechou e contive uma risada.

― Pode falar.

― Talvez esteja se dando muitas possibilidades, pensando que sempre pode encontrar um nome melhor ― Edward pensou por alguns instantes e então continuou: ― Eu estava lá quando Tanya escolheu o nome de Alexander. Ela simplesmente abriu uma revista que tinha sugestões de nome e fechou-a assim que gostou de um... Ela nem terminou de ver todos os nomes com a letra “A” e nem quis ver os outros com outras iniciais...

― Talvez tenha razão ― falei, olhando o livro já um pouco amassado por todas as vezes que tinha olhado folha por folha. ― Qual nome tem em mente? Sei que já pré-escolheu algum...

― Fiz um asterisco em alguns nomes que você grifou ― contou e folheei o livro, sorrindo ao notar o sinal.

― Quando fez isso? Você esteve tão ocupado essa semana ― lembrei.

― Eu tirei um tempinho.

Olhei os nomes e acabei suspirando, fechando o livro, deixando-o ali ao lado.

― Amanhã escolhemos juntos ― falei e ele apenas sorriu, concordando.

Edward olhou em volta, enquanto eu me aconchegava na poltrona, e seus olhos verdes pararam em mim.

― E se eu fizesse alguma bebida quente?

― Com chantilly? ― indaguei, fazendo-o rir e vendo ele já se levantando.

― Trago aqui?

― Não, daqui a pouco eu desço ― avisei e seus dedos tocaram os meus quando ele passou por mim, antes de sair do quarto.


~*~

Eram por volta das três da tarde e eu estava exausta, consequência de não ter dormindo noite passada, então peguei uma manta e o livro de nomes, caminhando para a sala, sentando no sofá perto da janela, por onde entrava alguns raios de sol, porém eles não aqueciam muita coisa. Os termômetros marcavam cinco graus e continuavam a cair, fazendo-me querer ficar ali encolhida, colocando a manta sobre minhas pernas e enrolando meus pés, já que vestir uma meia se tornou algo um pouco difícil nas últimas semanas, e eu também me sentia um pouco irritada para tentar achar um par de meias...

Eram muitos sentimentos contraditórios em mim e sabia que parte disso era por causa dos hormônios, e psicológico por tudo que estava acontecendo nessa fase. Edward tentava manter o ambiente a minha volta o mais tranquilo possível, ele praticamente não tocava assuntos de seu trabalho e esforçava-se para manter o desentendimento entre ele e Emmett longe de meu conhecimento. Mas era impossível, apesar dos dois serem ótimos atores sabia que estavam tendo alguns atritos, e também sabia que era a respeito de algumas decisões legais da empresa. Porém, aprendi que os dois sempre se resolvem no final então também fingi não perceber nada.

A questão é que às vezes, simplesmente me sentia assim, todas as emoções a flor da pele. Irritação, raiva, tristeza, alegria... e tudo aquilo me deixava mais exausta, o que me fez apoiar a cabeça no encosto do sofá ao meu lado, meus olhos pesando.

Não muito tempo depois, senti o leve toque em minhas pernas e acordei, encontrando o par de olhos verdes preocupados.

― Oi ― ele falou, sentado na beirada do sofá e senti o aroma de chocolate, encontrando a pequena caneca em suas mãos. ― Preparei um chocolate quente.

― Com marshmallow? ― minha voz saiu falhada, enquanto eu me ajeitava, pelo jeito eu tinha dormido sentada ali.

― Com marshmallow ― confirmou sorrindo e peguei a caneca de porcelana, sentindo meus dedos se aquecerem.

― Que horas chegou? ― perguntei, vendo que ele já tinha trocado de roupa.

― Faz uns quarenta minutos que cheguei.

Sua mão entrou por sob a manta, enquanto eu tomava um gole da bebida e senti seus dedos passarem por meus tornozelos.

― Seus pés estão gelados ― notou. ― Vou pegar um par de meias ― avisou, levantando-se e acomodei-me melhor.

Ajeitei o travesseiro em minhas costas, bebendo mais um pouco do chocolate e sentindo meu corpo aquecer, apesar de ainda me sentir um pouco estranha. Edward voltou e segurando com cuidado meus tornozelos, ele se sentou colocando minhas pernas sobre seu colo, fazendo um sorriso brotar em meus lábios ao senti-lo perto. Ele afastou a manta e colocou as meias em meus pés, para depois cobri-los, acariciando minhas pernas.

― Melhor? ― perguntou e apenas assenti, antes de beber mais um gole da bebida quente.

― Por que voltou mais cedo?

― Porque não via a hora de estar com você e com a nossa princesinha ― falou, sua mão tocando minha barriga redonda e fazendo uma sensação maravilhosa percorrer meu corpo, uma paz que me fez fechar os olhos, sentindo-me tão bem. ― Hey, meu anjo ― ele me chamou e quando voltei a abrir os olhos, seus dedos secavam a lágrima em minha bochecha.

― Eu te amo ― murmurei, colocando minha mão sobre a sua em minha barriga e seus olhos pareceram ver mais de mim, quando de repente sentimos o chute e acabei rindo.

― Vocês duas são minha vida ― ele falou baixo, debruçando-se para depositar um beijo, em minha barriga, sobre a blusa de malha que eu usava.

Deixei que meus dedos entrassem em seus cabelos e toquei seu rosto quando ele se aproximou, seus lábios se moldando aos meus delicadamente, antes dele se endireitar no sofá, sua mão ainda em minha barriga, quando pegou o pequeno livro ali ao meu lado. Voltei a tomar meu chocolate quente, vendo Edward folhear as páginas recheadas de nomes grifados.

― O que acha de Amanda? ― perguntou e bastou um olhar meu para ele descartar ― Ana? ― continuei a olhar minha caneca ― Ella? Seus nomes combinariam... ― olhei-o novamente, vendo ele avançar as páginas ― Ok. Então, também descartamos Gabriella... E Lisa? Talvez Stela?

― Não ― murmurei, esticando o braço para colocar minha caneca na mesa ali ao lado, e acomodando-me melhor.

Ele folheou as páginas, logo depois voltando a cariciar minha barriga com sua mão direita, enquanto segurava o livro com a esquerda.

― Eu gosto de Brianna ― falou e seus olhos encontraram os meus.

― Mais ou menos...

― Bridget? ― indagou e balancei a cabeça, discordando. ― Hannah? ― ele já não olhava mais o livro. ― Katherine?

― Não... ― sentia o sono me tomando novamente, a noite passada sem dormir realmente tinha me cansado.

― Ashley? ― propôs e balancei a cabeça, discordando mais uma vez e apoiando-me na almofada ao meu lado, vendo o lindo sorriso em seus lábios. ― Assim fica difícil... Diz “não” para todos.

― Disse “mais ou menos” para Brianna.

― Ok ― ele sorriu e segurei sua mão. ― Não prefere deitar na cama?

― Não, aqui está perfeito ― murmurei.

Sentada não tinha tanta falta de ar e parecia ter encontrado a posição ideal, então senti ele cobrir melhor meus braços com a manta, enquanto meus olhos pesavam.

Acordei horas depois, o sol já estava se pondo e eu estava deitada, de lado, no sofá, perguntando-me quando exatamente tinha mudado para aquela posição. Ali estava tão quente e confortável que relutei em me levantar, olhando a sala ao redor sem sinal de Edward. Então vi o pequeno livro de nomes aberto, em cima da mesa, na página onde terminavam os nomes com “I” e começavam os que se iniciavam com “J”. E eu já estava me levantando quando uma linha do livro pareceu saltar aos meus olhos, um dos nomes que eu não tinha grifado, mas ele estava ali e acabei sorrindo ao perceber que ele era perfeito.

Passei as mãos por meus cabelos e levantei, caminhando até nosso quarto, indo até o banheiro, lavando o rosto e fazendo um coque em meus cabelos castanhos, por um momento tendo mais uma vez a curiosidade em saber se ela teria os cabelos iguais aos meus ou mais claros como os do seu pai.

― Seu pai... ― murmurei e encarei meu reflexo no espelho, passando as mãos em minha barriga, pensando em Edward.

Era real, era mais que real. Seríamos pais.

Saí do quarto, descendo as escadas e senti um cheiro delicioso do jantar sendo preparado, encontrando Edward na cozinha.

― Oi! Pensei que acordaria com fome, então vim preparar algo... Conseguiu descansar um pouco?

― Sim, consegui. O cheiro está muito bom ― informei, puxando uma cadeira para me sentar, vendo seu lindo sorriso. ― Eu escolhi.

― Escolheu? ― sua atenção estava no forno...

― O nome para nossa filha ― falei e ele se virou, olhando-me e senti meu rosto esquentar. ― Não me olhe assim.

― Ok ― sorriu ―, então temos um nome? ― Edward se aproximou, puxando a cadeira e sentando-se ao meu lado.

― Sim, temos um nome ― murmurei e seus lábios tomaram os meus, seus dedos tocando meu queixo, antes de afastar a mecha de cabelo que tinha se soltado do meu coque.

Naquele momento não existia mais nada em meu coração a não ser felicidade. Eu estava tão feliz, que quando pensei no passado por alguns instantes só podia concluir uma coisa: valeu a pena. Tudo, cada lágrima, cada obstáculo, a dor, tudo que superamos juntos, tudo o que eu venci. Tudo valeu a pena, para que eu tivesse momentos como aqueles ao lado de Edward.

Notas finais
Oi pessoal, eu estou começando a escrever histórias originais e para isso eu criei um perfil com um pseudônimo, porque talvez quem sabe algum dia eu volte a escrever fanfics e quis deixar esse perfil atual apenas para fanfics. Então vamos falar dos dois personagens que estão marcados nesse capítulo: ¹ Fabrizio Albertori ² Maximiliano Gente, coloquei esses dois personagens para que vocês pudessem conhecê-los, eles fazem parte de uma outra história que estou escrevendo. Os primeiros capítulos já estão disponíveis aqui no Nyah e no Wattpad também. Chamá-se: Liberdade. "Liberdade" não se passa na mesma linha temporal de Nunca Te Esquecerei, na verdade não se passa "nos dias de hoje" porém, mesmo assim, quis colocar os personagens aí para tentar chamar a atenção de vocês, caso queiram dar uma olhada na história estou deixando o link: https://fanfiction.com.br/historia/776409/Liberdade/ https://www.wattpad.com/story/177009697-liberdade Voltando a NTE, confesso que amei os momentos Beward nesse capítulo! ♥ E vocês o que acharam? Não esqueça do review!