Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
64 Só você
Notas iniciais
Isabella’s POV
― Ainda não acredito que você e Thomas terminaram ― Zafrina falou enquanto caminhávamos pelo corredor e só de ouvir o nome dele senti certo enjoo.
― Não devia ter terminado ― Gianna falou ao meu lado e permaneci calada, pois não tinha nada para dizer.
Thomas foi um erro. Um dos meus vários erros. Respirei fundo e levei a mão até a nuca, massageando de leve meu ombro direito, sentindo meu corpo tenso. E por mais que tentasse relaxar, não conseguia. A dor não deixava.
Saímos do prédio da universidade e estávamos passando pelo gramado para ir ao restaurante ali perto, quando eu paralisei... Eu o vi, mas não acreditava naquilo.
Passei as mãos no rosto, tentando distinguir o que era real e o que não passava de truques da minha mente, porém nada aconteceu, ele continuou ali e senti o leve tremor percorrer meu corpo quando seus olhos encontraram os meus.
― Nossa, quem é aquele deus grego? ― ouvi a voz de Gianna.
― Bella? ― Zafrina me chamou, mas eu estava presa naqueles olhos verdes como esmeraldas ― Você está pálida.
― Eu... eu já volto ― consegui falar antes de começar a caminhar e vi ele dar alguns passos em minha direção, aproximando-se.
Parei talvez mais perto do que normalmente ficamos de uma pessoa, porém a distância era muito maior em comparação com aquela que realmente desejava.
― Edward ― minha voz não passou de um sussurro. ― O que faz aqui? Não devia estar na Europa?
― Também é muito bom revê-la ― brincou, enquanto aquele sorriso torto tomava conta de seus lábios e sorri envergonhada, sentindo todo meu rosto esquentar.
Então sua mão pousou suavemente em meu antebraço, quando ele se aproximou, cumprimentando-me com um beijo no rosto. Vi Edward se afastar lentamente, deixando que seus dedos deslizassem até meu pulso, segurando minha mão com cuidado e foi nesse momento que meu coração disparou sem que eu pudesse fazer nada.
― Estou procurando Alice ― informou.
― Ela não veio hoje ― respondi rápido demais e então tentei arrumar controlando a voz: ― Parece que ela precisava resolver alguns problemas na loja.
― Claro ― ele assentiu pensativo e finalmente soltou minha mão, fazendo meu coração se acalmar.
― Bella? ― a garota ruiva se aproximou ― Não vai apresentar seu amigo? ― perguntou e hesitei sem saber como, ou melhor, o quê falar.
― Esse é Edward, ele é... ― acabei perdendo as palavras, mas logo as achei ― ele é primo da Alice. Essas não Gianna e Zafrina ― apresentei, apontando para a ruiva e logo em seguida para a garota morena ao meu lado.
Ele as cumprimentou apenas com um aceno de cabeça, mantendo sua postura séria, mas Gianna foi até ele, beijando-o no rosto e Edward retribuiu por educação.
― Por que não vem almoçar com a gente? ― ela o convidou e não entendi minha irritação repentina.
― Não, obrigado ― ele respondeu e sei que qualquer um diria que ele estava sendo educado e atencioso, mas eu notei o tom ríspido em sua voz. ― Tenho um compromisso inadiável daqui pouco ― afirmou fitando meus olhos e sorri, sem perceber. ― É melhor eu ir. Pode dizer a Alice que preciso falar com ela?
― Posso sim, claro ― falei baixo e ele sorriu.
― Então até mais, Isabella ― despediu-se de mim e das duas garotas, partindo logo depois.
― Nossa, por que não disse que a Alice tinha um primo gato assim? ― Gianna perguntou enquanto eu via Edward caminhando para longe.
― Por que ele é casado ― as palavras saíram sem que eu pensasse.
― Sem preconceito com os casados ― informou e revireis os olhos.
― Ele parece gostar muito de você ― Zafrina falou e olhei-a sem entender. ― O jeito como ele te olha, parece... admirá-la ― ela teve dificuldade para achar a palavra certa e sorri.
― Nos conhecemos há muito tempo.
De repente minhas palavras começaram a ecoar em minha mente, como se tivessem acabado de dizer a palavra chave que despertaria aquela coragem adormecida: “Nos conhecemos há muito tempo”.
― Então vamos? ― Gianna perguntou.
― Podem ir na frente, eu logo alcanço vocês ― falei já me distanciando delas, antes que pudessem fazer alguma pergunta.
Aumentei os passos e ousei correr, mesmo sem confiar em meu equilíbrio, para alcançar a única pessoa com quem podia falar sobre o que estava acontecendo. Agora eu percebia que só podia contar com ele.
― Edward! ― chamei-o e vi quando parou antes de entrar no carro, olhando para trás. ― Edward... ― falei com falta de ar, diminuindo o ritmo de meus passos e me aproximando ― eu preciso falar com você.
― Ok ― ele esperou.
― Não aqui, não agora. Podemos nos encontrar?
― Podemos sim ― disse sorrindo. ― Quando você quiser.
― Pode ser amanhã? Em algum lugar mais reservado.
― Amanhã no meu escritório? Sabe onde fica a empresa?
― Sei sim, seria ótimo, amanhã às seis da tarde ― falei e ele assentiu.
― Estarei te esperando ― afirmou e sorri.
― Obrigada ― murmurei antes de me afastar, alcançando Gianna e Zafrina.
Olhei para trás e seus olhos encontraram os meus por um segundo, então ele entrou no carro e partiu. Respirei fundo, sem ouvir o que as duas garotas falavam, a única coisa em que conseguia pensar era que com certeza tudo estava se encaixando. Minha história, além do começo conturbado, começava a ter um meio e caminhava para talvez um bom final. Algo em mim fazia com que eu me sentisse bem e aos poucos entendia que provavelmente eu estava finalmente “acordando”.
~*~
Estacionei o carro e permaneci ali, com as mãos ainda segurando fortemente o volante, enquanto me perguntava qual seria a reação de Edward ao que eu iria contar. E respirando fundo saí do carro, atravessando a avenida movimentada e vi o sol começando a se pôr no reflexo da porta espelhada do grande prédio. Então me lembrei de Alice, ela parecia não saber desse encontro. Se ele não contou, eu também não contaria, portanto disse que iria até a casa de Zafrina.
― Senhorita Swan ― o homem que aparentava ter mais de cinquenta anos me cumprimentou ― O senhor Masen a está esperando no último andar.
― Obrigada ― respondi baixo, entrando no elevador que já me esperava.
Eu realmente estava ali?
Sentia que devia estar ali, mas ao mesmo tempo não sabia se era o certo. Fechei os olhos, tentando me acalmar e ao abri-los analisando minha imagem no espelho do elevador e algo me incomodou, mas não sei exatamente o quê.
As portas prateadas se abriram e caminhei pelo espaço decorado em cores escuras, deixando tudo muito sério e um pouco assustador estando vazio como agora.
― Edward? ― chamei ao passar pela mesa vazia, a qual acho que devia pertencer a secretária, e ele apareceu em uma das portas.
Ao contrário de ontem, ele estava com roupa social. O terno cinza o deixava um pouco mais velho e não contive o sorriso ao reparar isso, sabendo que ele não gostava de aparentar mais idade.
― Oi Isabella ― ele sorriu e fez um sinal para que eu entrasse em seu escritório.
― Oi ― murmurei.
― O expediente acabou, então somos os únicos aqui, espero que não se importe.
― Tudo bem, desculpe ter atrasado ― falei, enquanto admirava a grande vidraça atrás de sua mesa, a qual dava uma perfeita vista da cidade.
Então me virei para olhar em seus olhos acolhedores e ele apenas balançou a cabeça, como se não houvesse problema.
― Isabel... ― ele começou, mas o interrompi.
― Preciso da sua ajuda ― avisei. Não podia perder aquela coragem, que parecia borbulhar em mim, não agora.
― Minha ajuda? ― Edward pareceu surpreso ― Com o que exatamente?
― Eu me lembro ― confessei e seus olhos encararam os meus, seu desespero e aflição eram evidentes naquele par de esmeraldas. ― Não de tudo, mas lembro do bastante.
Ele permaneceu calado e desviou os olhos dos meus, parecendo perturbado e sem conseguir controlar as lágrimas apareceram em meus olhos.
― Preciso que me ajude a lembrar de tudo ― voltei a falar ― Preciso que me ajude a superar o tempo perdido ― informei vendo que ele parecia um pouco confuso. ― Olha só você, está ótimo, superou os cinco anos. Você está bem. E também preciso superar, mas não consigo sozinha.
Então minha coragem acabou, não conseguia dizer mais nada, não tinha mais nada para dizer e ele... continuava calado, segurando o anel com o M gravado, girando-o em seu dedo enquanto parecia se perder em pensamentos.
― Você realmente acha que eu estou bem? ― ele finalmente falou, pronunciando cada palavra lentamente, erguendo o olhar à medida que sua voz crescia e dei um passo para trás.
Engoli em seco ao ver seus olhos se tornarem escuros e vazios, mas não senti medo, ao contrário senti vontade de abraça-lo, de pedir perdão... de sentir a segurança de seus braços. Mas vi ele se afastar, caminhando pelo escritório, passando por mim, sem me dirigir o olhar.
― Isabella, sei que eu disse que estaria aqui para o que você precisasse. Mas, no entanto, não posso fazer isso ― falou baixo e virei-me, vendo-o apoiado na mesa, enquanto encarava a linda vista de Nova Iorque, de costas para mim. ― Posso te ajudar com qualquer coisa menos isso ― murmurou.
― Edward, não há mais ninguém... ― deixei as palavras fluírem, era o único jeito de falar, pois se eu pensasse um pouquinho desistiria e permaneceria em silêncio. ― Não há mais ninguém a quem eu possa pedir... só você ― falei baixo, sem forças.
― Devia ter pensado nisso antes de me mandar embora! ― sua voz ecoou no andar do prédio e senti todo meu corpo estremecer quando ele se virou, encarando-me com aqueles olhos frios, então ele suspirou, passando as mãos no rosto.
― Mas... ― tentei dizer alguma coisa, porém ele me interrompeu.
― Eu estou noivo ― suas palavras, pronunciadas calmamente, me feriram de tal forma, que não imaginei ser possível ― Vou me casar daqui quatro meses, iria contar a todos essa semana ― falou baixo. ― Eu tentei, Isabella, fiz de tudo para me aproximar e poder te ajudar. Mas você nem se esforçou para tentar olhar para mim ― ele fez uma pausa e senti como se fosse cair a qualquer momento. ― Desculpe, não posso mais dedicar meu tempo a sua bipolaridade, não vou me humilhar novamente ― falou um pouco mais alto e senti a lágrima descer pela minha bochecha.
O silêncio reinou e ele se encostou a mesa, encarando o chão, parecendo cansado.
― Sinto muito por tudo Edward ― murmurei antes de me virar e sair, caminhando o mais rápido possível até o elevador.
Apertei o botão do térreo várias vezes e as portas se fecharam, permitindo que eu me afogasse em minhas lágrimas sozinha. Passei as mãos no rosto, secando os olhos e respirando fundo, antes de sair sem ouvir o que o porteiro dizia. Empurrei a porta de vidro percebendo que já tinha escurecido e de repente sentindo meu coração disparar, sendo tomada pela dor. Olhei para todas as direções, perdida e vi algumas pessoas me olharem, mas não me importei com elas... Ele iria se casar?
Estava noivo de alguma mulher e tentava imaginar como ela era. Será que dava a ela a mesma atenção que me deu desde que chegou de Londres? Será que a olhava com o mesmo carinho que olhava para mim?
Forcei minhas pernas a continuarem firmes, sabendo que cair ali não iria me ajudar em nada. Não devia ter vindo, o que eu estava pensando quando decidi aquilo? Caminhei em direção a avenida, passando pela calçada e começava a atravessar a rua quando ouvi sua voz.
― Isabella! ― ele me chamou e parei, virando-me, olhando em seus olhos a poucos metros de mim.
― O que foi agora? Você já disse tudo o que queria.
― Não, eu não disse, esqueci-me do mais importante ― afirmou. ― Eu quero você.
Então ouvi o som de uma buzina e ao olhar para o lado vi o par de faróis... e tudo aconteceu muito rápido. Fui empurrada, caindo e esfolando minhas mãos e braços no asfalto, ouvindo o barulho de vidro se quebrando e o baque de mais alguém caindo. O som de pneus freando encheram a avenida e esforcei-me para levantar, sentindo um tremor de puro medo percorrer meu corpo e então eu o vi caído no chão, sua camisa suja de sangue, e o desespero se apossou de mim. A vontade gritar, o desejo de que nada daquilo fosse real.
Levante-me com dificuldade e alguém me ajudou, alguém que disse já estar ligando para a emergência, mas nem olhei para essa pessoa, apenas corri e ajoelhei-me ao lado de Edward, sentindo as lágrimas descendo pelas minhas bochechas.
― Edward? ― minha voz não passou de um sussurro e toquei seu rosto ― Edward? Acorda! ― pedi ― Acorda... abre os olhos, por favor ― murmurei e minhas energias se esgotaram, meu corpo falhou e encostei a cabeça sobre seu peito. ― Por favor ― pedi e ouvi seu coração batendo lentamente.
― Bella ― ouvi sua voz fraca e sua mão encontrou minha cintura, segurando-me perto dele.
Afastei-me o suficiente para olhá-lo e sorri ao fitar aqueles olhos verdes, que me encararam como se quisessem se certificar que eu não tinha me machucado e deixei que minha mão acariciasse seu rosto, vendo o corte que sangrava próximo a seus cabelos.
― Eu estou aqui ― falei baixo ― Tudo ficará bem.
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