Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
65 Uma última chance?
Notas iniciais
Isabella’s POV
Acordei ouvindo o som de vidro se quebrando, assim como no acidente. Por mais que tentasse, não conseguia dormir sem sonhar com Edward caído no asfalto... eu precisava vê-lo, mas não podia permitir que Alice fizesse perguntas. Sabia que uma hora ou outra ela perguntaria o que eu estava fazendo no escritório dele naquele dia, mas evitaria isso o quanto pudesse.
“Eu quero você” ― sua voz ecoava em minha cabeça a cada minuto.
Sua voz... quando ele me chamou de “Bella” e tudo pareceu parar ao nosso redor. Então me lembrei do fato dele estar noivo.
Nunca perguntei sobre Edward, nunca quis saber se ele estava morando sozinho em Londres ou se morava com alguém, e de repente eu queria saber tudo.
― Mas ele vai se casar ― murmurei para mim mesma, sentindo a dor que aquelas palavras me causavam.
Respirei fundo e virei-me, abraçando o travesseiro ali do lado e fechando os olhos, tentando simplesmente dormir, só para poder vê-lo novamente em meus sonhos, minhas lembranças.
“― Primeiro: preciso que confie em mim ― falou enquanto desabotoava meu vestido e deixava o tecido delicado cair no chão, me deixando só de sutiã e calcinha.
Encarei aqueles olhos verdes quando ele me virou e coloquei meus braços e mãos em frente ao meu corpo, sentindo todo meu sangue subir ao meu rosto.
― Segundo: não tenha vergonha de mim ― murmurou abaixando meus braços, deixando meu corpo a mostra e acariciou minha bochecha que deveria estar muito vermelha. ― E terceiro: quero que me avise sobre qualquer coisa, se estiver se sentindo desconfortável, sentindo dor ou se quiser parar. Quero que me avise imediatamente ― ele disse e assenti, vendo-o se aproximar e tomar meus lábios para ele.
De repente todo meu corpo se arrepiou e senti suas mãos deslizarem pelas minhas costas nuas. E o ar fugiu de meus pulmões quando percebi que estava abrindo os botões de sua camisa e logo ela também estava, junto com meu vestido, no chão. Meu rosto queimava mais a cada segundo e ele sorria com isso.
― Relaxa Bella ― sussurrou e ao ouvi-lo me chamar assim automaticamente meu corpo ficou leve, e eu me senti confiante.
Edward me olhou intensamente nos olhos enquanto me deitava na cama com delicadeza, sua mão percorrendo a lateral de meu corpo, logo passando a distribuir beijos por meu pescoço. E percebi que meu corpo tremia em antecipação ao que viria..., o que eu estava fazendo?
― Eu te amo ― ouvi a voz rouca de Edward e encarei seus olhos, o vendo descer, beijando o espaço entre meus seios, distribuindo beijos em minha barriga e chegando ao cós da minha calcinha.”
Abri os olhos assustada, percebendo que tudo não passara de um sonho, o qual eu já estava acostumada a ter... uma lembrança que devia ser muito importante, pois ela não parava de reprisar em minha cabeça e tive vontade de chorar, sentindo a vontade de que fosse real, a vontade de estar em seus braços, não me importando com o quanto aquilo me assustava.
Respirei fundo e encarei o relógio, na mesinha, ao lado da minha cama. Sabia que Alice sairia do hospital às quatro e meia, já que precisava ir a loja e Esme só iria vê-lo depois que saísse da empresa. Eram quase cinco horas... Ele estava sozinho.
Levantei-me, indo até o banheiro, tomando um banho rápido e colocando a primeira roupa que achei, coloquei minhas sapatilhas e peguei a chave do carro. Dirigi sem pensar no fato que estava indo encontrá-lo, pois talvez fosse a pior decisão que estava tomando, baseado no nosso último encontro há dois dias. Mas já estava na hora de vê-lo, precisava entender o que ele quis dizer com “Eu quero você”, precisava... precisava estar próxima dele.
Precisava me sentir segura.
O medo e a ansiedade faziam com que meu coração batesse com força ao ponto de sentir doer meu peito e ignorei o fato da minha pele se arrepiar com o silêncio do corredor do hospital e o cheio de álcool ou seria cheiro de remédios. Aquilo fazia meu estômago embrulhar, principalmente ao lembrar que já passei meses e meses em um hospital como esse. Olhei para o papel em minha mão, a autorização que peguei na recepção, o qual continha o número do quarto de Edward e encarei a porta a alguns metros de mim. O que de ruim poderia acontecer?
“Desculpe, não posso mais dedicar meu tempo a sua bipolaridade, não vou me humilhar novamente” ― suas palavras invadiram minha cabeça, ecoando ali dentro, mas ignorei a dor que senti ao relembrá-las e bati na porta, ouvindo um “entre” logo em seguida.
Abri a porta e espiei dentro do quarto, encontrando seus olhos que me encararam com alivio, mas sua voz... Sua voz soou vazia, sem nenhum sentimento ou emoção.
― Isabella ― falou baixo ― O que faz aqui?
― Eu precisava te ver ― sussurrei e sei que ele precisou ler as palavras em meus lábios.
Aproximei-me de seu leito, vendo o curativo na lateral da sua testa e as olheiras sob seus olhos sem brilho.
― Não foi nada grave, vou ficar bem ― informou e reparei seu braço e pé direito imobilizado.
― Edward... ― tentei começar, mas ele não permitiu.
― Não ― sua voz me interrompeu. ― Por favor, não ― murmurou e notei uma lágrima se acumular no canto de um de seus olhos.
― Eu só quero entender.
― Eu sei ― murmurou e senti seu toque em minha mão que pairava sobre a cama de hospital.
Seus dedos tocaram meu pulso com cuidado, então deslizaram alguns centímetros, segurando minha mão com delicadeza.
― Eu sei... ― voltou a falar enquanto seu polegar desenhava pequenos círculos nas costas da minha mão ― Mas há coisas que não devem ser entendidas.
― O que quer dizer?
― Quero dizer que sinto muito ― finalmente havia algo em sua voz, não sei dizer se era tristeza ou dor. ― Eu não quero te magoar, a última coisa que quero é te maltratar, então entenda que isso que vou te pedir agora é para o nosso próprio bem.
― Como assim? ― perguntei.
― Eu peço que saia ― suas palavras me assustaram, fazendo algo se desfazer em meu peito. ― Eu nunca deveria ter voltado, não devia ter me aproximado do modo como me aproximei. Eu sinto muito Isabella, mas por favor vá embora.
Naquele momento, eu não tinha nada a dizer e fiz a única coisa que estava ao meu alcance, simplesmente me virei para sair, mas parei assim que toquei na porta, não poderia sair sem uma resposta.
― “Eu quero você” foram suas últimas palavras, antes do acidente ― falei, sem olhá-lo.
― Eu sei o que eu disse e também sei que não deveria ter dito ― afirmou. ― Foi um erro... ― ouvi sua voz baixa e então saí.
~*~
Alice’s POV
― Tudo bem? ― perguntei vendo Edward arrumar o travesseiro para se encostar, mas ele parecia prestar mais atenção ao quarto ao seu redor. ― Edward?
― Oi ― respondeu surpreso, encarando meus olhos, terminando de se ajeitar na cama.
― Tudo bem? ― voltei a perguntar.
― Tudo ― falou pensativo. ― É que essa casa...
― É cheia de lembranças ― ajudei-o a formular a frase e ele sorriu.
― Muitas lembranças ― ele parecia preso em seus pensamentos, recordações. ― Isabella foi me visitar no hospital ― revelou com uma expressão vazia.
― Por que está me contando isso?
― Eu não sei.
― Edward.
― Eu não sei mais nada.
― Sei que você ainda gosta muito de Isabella, e isso é normal, mas você ainda a ama?
― Não importa o que eu diga, você já tem sua opinião formada, não é Alice?
― Eu acredito cegamente que você ainda a ama, com todas as suas forças, mas talvez eu esteja errada.
― É, talvez esteja.
― Então, se quer seguir em frente porque não consegue encará-la, por que tenta apaga-la, Edward? Isabella existiu e sempre irá existir, se desfazer do passado não vai fazê-la desaparecer.
Ele deixou sua cabeça pender para trás, encostando-a na cabeceira da cama, enquanto fechava os olhos e respirava fundo. Ele sentia algo, eu tinha certeza disso.
― Eu não sei de mais nada, minha vida virou uma bagunça.
― É porque você a quer assim, você quer uma bagunça do tipo que possa jogar no canto, dizendo que é muito difícil organizar tudo, como desculpa para não pensar sobre.
― Você não entende ― falou, voltando a se endireitar e olhando em meus olhos.
― Eu entendo que se você não a ama mais, é porque nunca amou.
― As coisas não são assim.
― Então como são? ― indaguei e ele ficou em silêncio. ― O que sente em relação à Isabella, agora, nesse momento?
― Não posso sentir nada.
― Não pode? ― indaguei rindo ― O que sente por Isabella? ― perguntei mais séria.
― Tem muita coisa em jogo Alice! Tanya precisa de mim ― estranhei suas palavras, mas não desisti.
― Pare de dar desculpas, responda minha pergunta. O que sente por Isabella?
― Eu fui embora para recomeçar e não vou...
― Recomeçar?! Pare de fingir, nós dois sabemos que você não recomeçou em nada, apenas estava procurando desesperadamente um jeito de esquecê-la. Mal consegue admitir o que sente por ela, pois sabe isso iria desencadear algo sobre o qual você não tem controle.
― O que você quer que eu diga? Que está certa?
― Quero que diga o que sente por Isabella ― pedi, encarando seus olhos, tentando ver algo ali. ― O que sente por ela? ― perguntei lentamente.
― Nada ― sua voz soou firme e me surpreendeu. ― Tenho um grande carinho por ela, só isso.
― Então pare de brincar e coloque um ponto final na sua história com ela. Não pode mais ficar criando um novo paragrafo cada vez que se aproximam, pois foi isso que fez lá na praia e isso não é atitude de quem apenas sente um “grande carinho” ― falei sarcástica e ele permaneceu em silêncio. ― Vou falar com Emmett para saber se ele pode ficar aqui com você ― informei, mudando de assunto.
― Já disse que posso ficar sozinho, prefiro ficar sozinho.
― Mal consegue andar, como quer ficar sozinho?! ― exclamei.
― Eu preciso ficar sozinho.
― Iria pedir para David ficar até eu buscar Emmett, mas então vou levá-lo comigo e você poderá ficar um pouco sozinho.
― É melhor do que nada ― falou baixo e balancei a cabeça.
― É o máximo que vai conseguir. Não vou demorar ― avisei deixando uma garrafinha de água e seu celular na mesinha ao lado da cama e sai.
Caminhei pelo corredor pensando nas palavras de Edward, o jeito como se referiu a Tanya e o medo que ele tinha de pensar em Isabella, de admitir algo... Desci as escadas enquanto tentava entender o porquê de Edward estar tão preso a Tanya e o porquê dele resistir tanto a Isabella.
― Como ele está? ― David perguntou.
― Bem ― falei encarando a noite silenciosa através da janela, ainda perdida em meus pensamentos, até que algo me ocorreu.
― Alice?
― Você acha mesmo, que o melhor é que cada um siga seu caminho?
― Talvez não seja o melhor para o futuro, mas é o melhor para o agora ― David comentou.
― É que eu queria tanto que tudo voltasse a ser como era ― murmurei, me irritando com as lágrimas que teimaram em cair.
― Às vezes os momentos passam e não voltam mais, e não há nada que possamos fazer. Já pensou que talvez, mesmo se você conseguir juntá-lo, nada será como foi um dia?
― Mas eu queria tentar, uma última vez. Sei que você disse... eu prometi que não iria mais me intrometer ― comecei e ele respirou fundo. ― Uma última chance, é só disso que eles precisam. Talvez não tenha nenhum resultado, mas eles precisam de uma chance para se entenderem ou colocarem um ponto final nisso.
― No que está pensando? ― ele perguntou concordando e acabei sorrindo.
― Vai me ajudar?
― Acho que eu não tenho escolha ― brincou.
― Estou pensando que é provável, que talvez todos estejam ocupados e não possam ficar aqui para cuidar de Edward.
― Como assim?
― Vamos para casa da minha tia ― falei, puxando-o.
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