Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
66 O que eu fiz?
Notas iniciais
Isabella’s POV
― Tem certeza disso? ― Emmett perguntou.
― Tenho ― falei baixo.
― Parece muito confiante.
― É... acho que estou um pouco confiante ― confessei e ele riu. ― O que pode acontecer?
― Muita coisa pode acontecer ― não intendi sua intenção ao dizer aquilo e acho que ele notou minha confusão, porém não disse mais nada, apenas segurou minha mão de uma forma protetora. ― Qualquer coisa é só ligar, para mim ou para Alice, ou para David e estaremos aqui em questão de minutos.
― Tudo bem ― assenti e ele sorriu.
― Até mais Bella.
― Até mais ― falei enquanto saia do carro, pendurando minha mochila em meu ombro e respirando fundo caminhei até a porta da mansão, que ainda era minha e de Edward.
Olhei a chave em minha mão por alguns segundos antes de abrir a porta, só então ouvi Emmett ligar o carro, mas ele só partiu depois que entrei e encostei a grande porta de madeira, que rangeu ao fechar. Olhei a sala ao meu redor, lembrando de quando entrei ali com Carlisle, que tinha a esperança que eu me lembrasse de algo. Agora tudo estava empoeirado, parecendo abandonado, alguns móveis cobertos com lençóis e vi pedaços de tecidos jogados no canto da sala, talvez antes estivessem sobre o sofá e a mesinha de centro. No entanto, mesmo com aquela imagem de uma casa esquecida, eu me senti abraçada por aquele lugar, que mesmo nessas condições parecia aconchegante. Talvez por isso não tinha medo de estar ali, então senti meu corpo relaxar enquanto deixava minha mochila sobre o sofá e caminhava em direção a grande escada de madeira. Subi cada degrau me sentindo determinada, pois sabia que não havia outro lugar no mundo no qual eu deveria estar, só ali... esse era o meu lugar, minha casa, era meu lar e agora podia sentir isso.
Caminhei pelo corredor, deixando que meus dedos deslizassem pelas paredes tão brancas, perguntando-me o que elas tinham visto, o quanto tinham ouvido... o quanto elas sabiam, mais que eu, da minha própria vida? Eu queria descobrir, queria saber tudo. Precisava saber quantas risadas dei, quantas lágrimas derramei e o motivo de cada uma delas, eu necessitava saber tudo que passei ali ao lado dele.
― Pode entrar Alice ― ele falou alto assim que bati na porta no fim do corredor, então entrei, vendo-o concentrado em alguns papeis.
― Desculpe, mas a Alice não poderá vir hoje ― falei e percebi que ele congelou, seu tórax não se movia com a respiração e seus olhos encaravam as folhas, mas não liam nada ali, então vi aquele par de esmeraldas lentamente se erguerem encontrando meu olhar. ― Ela tem várias provas de recuperação e ainda precisa preparar o desfile da nova coleção ― expliquei.
― Onde está Emmett? ― perguntou e reparei que voltava a respirar devagar.
― Tem muito trabalho e precisa fazer uma viagem urgente, sairá ainda hoje junto com Carlisle e a Esme, se não forem podem perder muito dinheiro ― comecei, explicando com calma. ― Esme estava relutante em ir, mas Alice disse que você iria querer que ela fosse... de qualquer jeito ela pediu para avisar que iria te ligar amanhã de manhã e que quando voltar ficará aqui com você ― terminei e um momento de silêncio se formou.
― Então eles mandaram você ― Edward falou depois de um tempo, sorrindo sem realmente querer, pois seu sorriso não chegava até seus olhos, esses permaneciam repletos de surpresa e dor, sim eu via dor em seus olhos e creio que não era por causa dos machucados do acidente.
― Não Edward, eu me dispus a vir ― informei, vendo sua expressão mudar e havia algo que não consegui decifrar. ― Já estava em meus planos visitar essa casa, acho que talvez possa me lembrar de mais coisas aqui, agora que as memórias estão voltando. E ao mesmo tempo posso te ajudar enquanto se recupera, é o mínimo que posso fazer, para tentar me desculpar por tudo que te fiz sofrer.
― Não precisa fazer isso ― avisou e sorri.
― Mas eu quero ― afirmei. ― Estarei no quarto mais próximo, qualquer coisa é só chamar.
...
Acordei e vi o sol já iluminando o quarto, então me levantei e tomei um banho, ansiosa para explorar cada canto dessa casa. Vesti uma roupa confortável e coloquei meus chinelos, descendo as escadas e parando na sala, olhando ao redor e encarando as pesadas cortinas que escureciam o lugar. Aproximei-me e puxei-as, deixando que a luz do sol entrasse e abri as grandes janelas, permitindo que o ar entrasse, trazendo mais vida. Então me virei e puxei cada um dos lençóis, revelando cada móvel escondido, cada peça de decoração coberta e ri ao espirar com as pequenas partículas de poeira que se ergueram no ar.
Caminhei pela casa e entrei em um escritório, abrindo as cortinas e as janelas, antes de analisar o ambiente. Admirei as enormes estantes as quais, acredito, que antes estavam repletas de livros e então vi as caixas no chão, abaixando-me e abrindo uma delas, achando os livros que alguém devia ter retirado.
E de repente eu ouvi uma voz, a qual era muito parecida com a minha. Então quando me levantei e virei-me o escritório parecia todo organizado e limpo, de uma forma acolhedora. Olhei para a mesa e vi Edward concentrado em seu notebook, mas ele não parecia real, era como uma imagem, um holograma e assustei-me ao ver minha imagem passando pela porta, uma versão de mim muito mais magra.
― Oi ― ela falou. ― O que está vendo?
― Oi ― ele respondeu surpreso abaixando a tela do notebook. ― Não é nada. Como está se sentindo?
― Muito bem ― a voz dela era fraca, talvez cansada e eu vi o momento em que ele a recebeu em seus braços e desejei que eu pudesse sentir aquilo. ― Bom, estou fome, o que acha de prepararmos o jantar juntos?
― Isabella, precisamos conversar.
― Eu não vou fazer esse tratamento ― ouvi minha voz, mas não vi minha imagem, procurei por ela e a encontrei atrás de mim, arrumando os livros caídos nas prateleiras.
― Como assim? ― o Edward perguntou depois de uma eternidade em silêncio e ela se virou para encará-lo, enquanto eu ficava no meio dos dois.
― Já tomei minha decisão ― ela afirmou, limpando uma lágrima que caiu.
― QUAL DECISÃO?! ― ele praticamente gritou ― Não está tomando uma decisão Isabella, você está desistindo, porque sua escolha não é uma das opções.
Seus pareciam encarar os meus e quando olhei para trás minha imagem não estava ali, tinha sumido, agora era só eu e ele. Uma versão mais jovem do Edward.
― Essa é a minha escolha ― sussurrei, falando para mim mesma. Eu lembrava de dizer isso e então caminhei até a porta, porém sua mão segurou meu pulso.
Senti sua força, senti ele apertar meu pulso fino e pude ver seu rosto a centímetros do meu.
― Essa é a sua escolha? ― vi escuridão em seus olhos, raiva.
― Edward me solta ― pedi. ― Por favor.
― Eu não aceitei viver ao seu lado para te ver morrer um pouco a cada dia, eu aceitei estar ao seu lado para te ajudar a lutar contra essa doença ― ouvi sua voz fria e fechei os olhos, começando a ter medo de tudo aquilo, então ouvi a porta bater com força e o som de vidro se espatifando e depois apenas silêncio.
Abri os olhos devagar e olhei o escritório empoeirado ao meu redor, a porta aberta como eu tinha deixado e nenhum vidro quebrado. Respirei fundo e decidi ir preparar o café da manhã, enquanto dava um tempo para minha mente.
Eram quase oito horas quando subi as escadas com a bandeja do café da manhã para Edward. Lembro que ele costumava acordar cedo enquanto estávamos na praia, espero que ainda continue com esse hábito.
― Posso entrar? ― perguntei vendo a porta apenas encostada.
― Pode sim ― ele respondeu e quando entrei ele terminava de se ajeitar na cama.
― Trouxe o café da manhã ― falei colocando a bandeja sobre seu colo.
― Obrigado ― sua voz soou calma, doce. ― Isabella? ― ele me chamou quando eu já saia do quarto.
― Sim?
― Está tudo bem? ― indagou, enquanto seus olhos analisavam minha expressão.
― Sim, tudo bem, por que a pergunta?
― Está pálida.
― Eu sou pálida ― admiti tentando sorrir.
― Mas não desse jeito.
― Não precisa se preocupar ― falei antes de sair.
Tentei esquecer que Edward estava em dos quartos da casa e fiz de tudo para me focar nas lembranças que aquele lugar me trazia. Continuei abrindo cada janela, puxando cada lençol que encobria os móveis, limpando o que estava empoeirado, organizando as coisas, colocando tudo onde eu achava que deveriam estar. Assim as horas se passaram e comecei a preparar o almoço, deixando o fogo baixo enquanto eu visitava o último cômodo, o qual tinha evitado até agora. Vi a porta do quarto de Edward no fim do corredor, estava encostada, então continuei a caminhar até a porta oposta, na outra ponta do corredor. Entrei devagar, acendendo a luz e analisando o quarto frio, solitário, o quarto onde passei anos dormindo... Que agora estava completamente vazio, exceto pela caixa de papelão jogada bem ali no meio. Aproximei-me, ajoelhando ao lado dela e abrindo-a, sentindo meu corpo paralisar ao encarar os porta-retratos, as fotos soltas, junto com alguns papéis.
Peguei um dos porta-retratos ali e encarei a foto amarelada dentro dele, ela não estavam ali a tanto tempo para ficar naquele estado ou estava? Já se passara tanto tempo assim?
Deixei o porta-retrato de lado e peguei o envelope que curiosamente, ao contrário da foto, não estava amarelado, na verdade estava em perfeito estado. Então abri e tirei o papel delicado, lendo a elegante escrita:
― Isabella Swan e Edward Cullen Masen, juntamente com seus familiares... ― comecei a ler, mas parei, sem conseguir continuar.
Respirei fundo e deixei o papel ali, juntamente com o envelope, antes de sair. Voltei a cozinha, concentrando-me em preparar o almoço.
...
Passava das duas da tarde quando entrei no corredor a tempo de ver Edward se esforçar para caminhar até a cama, apoiando-se em uma muleta. Corri até ele, segurando seu braço que não estava machucado e passando-o sobre meus ombros.
― Se apoia em mim ― falei.
― Não me faça rir, porque dói ― avisou sorrindo e revirei os olhos.
― Anda, eu te ajudo.
Senti ele se apoiar sobre meus ombros enquanto caminhamos lentamente até a cama e vi sua expressão de dor enquanto se sentava, assustando-me ao ver o hematoma em seu abdômen, onde tinha fraturado uma costela.
― Era para você estar no hospital ― falei baixo.
― Odeio hospitais e não está tão ruim ― murmurou, abotoando os botões de sua camisa aberta apenas com uma mão, já que a outra se mantinha imobilizada na tipoia e reparei em seus cabelos molhados.
― David viria te ajudar com o banho.
― Alice deixou uma cadeira sob o chuveiro, foi fácil ― informou e notei que levou a mão até o lugar do hematoma, a dor estava evidente em seu rosto.
― Está tomando os remédios?
― Claro que estou ― respondeu rápido e notei seus olhos irem até os potinhos na mesinha ao lado da cama, disfarçando logo em seguida.
Então rapidamente os peguei e Edward tentou impedir, mas se mover só o fez sentir mais dor. Vi a quantidade de comprimidos escrito nos vidrinhos e abri-os, percebendo que estavam todos ali, ele não tinha tomado nenhum.
― Não acredito ― murmurei.
― Não gosto de tomar remédios.
― Como está aguentando a dor? ―perguntei baixo, tentando acreditar que ele não tinha tomado nenhum analgésico.
― Já senti dores bem piores que essa ― falou e seus olhos encontraram os meus, como se quisessem dizer algo a mais, porém ele permaneceu em silencio.
Desviei meus olhos dos seus, sem saber o que dizer e aproximei-me colocando os potinhos de remédios de volta na mesinha, saindo logo em seguida. Acelerei meus passos em direção ao quarto de hospedes, ouvindo minha respiração que se tornava mais pesada a cada passo que dava e assim que cheguei a escada as lágrimas caíram. Respirei fundo, tentando me controlar e caminhei para o jardim da casa, não sabia exatamente o motivo daquelas lágrimas, mas não preocuparia com isso agora, então analisei o jardim bagunçado o qual, tenho certeza que, um dia foi lindo, mas agora não passava de um lugar abandonado.
Voltei a ver a grande construção do outro lado do jardim, tinha notado ela pela janela da cozinha enquanto preparava o almoço, porém não fazia ideia do que se tratava, então caminhei pela grama alta e cheguei a grande porta de ferro, empurrando-a com dificuldade, sentindo meu corpo paralisar ao ver o enorme ringue de gelo, ou melhor as “ruinas” do que antes deveria ser uma pista de gelo. Ouvi o eco dos meus passos em direção a pista e o som parecia puxar algo de minha memória, algo que se escondia, que por algum motivo não queria ser encontrado. Caminhei sobre onde um dia ficava um gelo tão lisinho e parei ao chegar no centro da pista, olhando todo aquele lugar ao meu redor para então fechar os olhos, buscando aquilo que estava deixando escapar..., uma pequena lembrança:
“― Bom dia, minha princesa ― ouvi aquela voz bem perto de meu ouvido e virei-me rapidamente, quase caindo. Senti seus braços fortes me segurando e olhei no fundo daqueles olhos verdes. ― Nossa, como você é desastrada ― exclamou rindo, passando os braços ao redor de minha cintura e acabei rindo, sentindo-me tão a vontade.
― Você chega sem fazer nenhum barulho e queria que eu não me assustasse? ― indaguei.
― Não, não venha dar desculpas ― falou, puxando-me para mais perto... para um abraço.
― É, são desculpas ― falei irônica, enlaçando seu pescoço com meus braços.
― Como está? ― perguntou.
― B-Bem ― gaguejei e odiei-me por isso.
― Não esconda as coisas de mim ― pediu.
― É que... passei um pouco mal ontem, Alec foi até minha casa e disse que foram as doses mais fortes de remédio, que ele me passou, só isso...
― Mas, está melhor? ― notei a preocupação em sua expressão.
― Estou sim ― afirmei. ― Não tinha que estar na aula? ― mudei de assunto e Edward riu de minha pergunta.
― Não muda de assunto. E por favor, olhe nos meus olhos ― pediu e fitei seus olhos. ― Você está bem?
Não respondi sua pergunta, apenas o abracei, só agora percebendo que estava da altura dele e então notei que eu estava de patins. Olhei ao nosso redor e reconheci a pista de gelo do colégio, onde eu sempre fazia meus treinos e ensaios para as competições.
Era um lugar familiar e não me refiro ao colégio, ao contrário, refiro-me aos braços de Edward, eles fizeram com que eu me sentisse bem, me sentisse em casa. Encostei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos, sentindo meu corpo relaxar, deliciando-me com seu perfume, com a sensação de estar ali com ele. Sorri quando ele depositou um beijo em meu pescoço, fazendo minha pele se arrepiar e o medo surgiu, mas a vontade de continuar sentindo aquilo foi maior.
― Senti sua falta ― sussurrou e sorri, afastando-me um pouco e fitando aquele par de esmeralda. ― Mesmo tendo passado apenas um dia longe de você, ou até menos.
Ele encostou sua testa na minha, então fechei os olhos e as palavras simplesmente fluíram.
― Eu te amo ― falei baixo e Edward se afastou, olhando em meus olhos e então sorriu. ― O que foi? ― indaguei.
― É que... é a primeira vez que diz isso ― informou pausadamente, seus dedos entrelaçando-se aos meus. ― Fala de novo ― pediu sorrindo, enquanto se aproximava...”
Abri os olhos de repente, vendo aquele lugar abandonado e senti o vazio ao meu redor, estava sozinha e aquilo fez com que algo em meu peito queimasse em desespero.
― O que eu fiz? ― indaguei baixo.
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