Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
68 Nunca deixaria de sentir isso
Notas iniciais
Isabella’s POV
― Então você me contou sobre o câncer ― Edward falou baixo, pensativo.
― E qual foi sua reação?
― Eu fui um idiota ― confessou. ― Eu era um idiota infantil naquela época.
― Você acha que mudou muito nesses anos?
― Com certeza, hoje vejo o mundo e a vida de um jeito completamente diferente. Você me mudou Isabella, não só a mim, mas, toda minha família.
― E isso foi bom?
― Não poderia ter acontecido nada melhor do que você entrar em nossas vidas ― suas palavras fizeram um breve sorriso surgir inconscientemente em meus lábios e levantei-me da cama tentando disfarçá-lo.
― Já está tarde e preciso que ir ao supermercado antes de preparar o almoço, não vou demorar muito ― informei.
― Você vai caminhando?
― Vou ― respondi já me aproximando da porta.
― De jeito nenhum ― falou pegando seu celular e discando rapidamente.
― É aqui perto ― ele não quis ouvir.
― Oi, já estou melhorando ― ele falou ao celular. ― Precisava de um favor, pode me arrumar um carro, para agora? ― ele disse e riu ― Obrigado, até mais Emily ― Edward desligou e voltou a fitar meus olhos ― Pronto, vinte minutos e terá um carro.
― Não precisava.
― Precisava sim ― afirmou e desviei meus olhos dos seus, mas sabia que aquele sorriso torto dominava seus lábios, então apenas sorri antes de sair do quarto.
~*~
Depois do almoço terminei de arrumar tudo que tinha comprado e subi as escadas em direção ao quarto de Edward para pegar a bandeja que tinha levado para ele. Bati de leve na porta, mas não ouvi resposta, então entrei, encontrando-o dormindo praticamente sentado na cama, recostado sobre a cabeceira. Provavelmente tinha me ouvido e tomado os remédios, sorri com isso, pois me incomodava saber que estava sentindo dor. Aproximei-me da mesinha ao lado da cama, onde ele tinha deixado a bandeja, mas sua dificuldade em respirar me chamou a atenção.
Mesmo sobre o efeito dos remédios Edward parecia sentir dor, então me sentei na beirada da cama com cuidado para não acordá-lo. Os primeiros botões de sua camisa estavam abertos, mas desabotoei mais um, vendo a mancha roxa causada pela costela que ele tinha machucado e meus dedos tocaram o lugar com cuidado. Lentamente repousei a mão ali e reparei que seu tórax inflou-se quando finalmente pode respirar fundo, como se não houvesse dor. Aproximei-me um pouco mais, tocando seu rosto, a necessidade de senti-lo me dominando..., a ponta do meu dedo indicador contornou sua boca e sem pensar cheguei mais perto, permitindo que meus lábios roçassem nos seus, só então me dei conta de como desejava aquilo. E aquilo me assustou, o “desejo” me assustou.
Afastei-me depressa e peguei a bandeja do almoço, saindo do quarto o mais rápido possível. Já na cozinha, apoiei-me sobre a mesa pois minhas pernas fraquejaram e sentia-me atordoada com o que tinha feito.
― Chega! Precisa encarar isso Isabella ― falei para mim mesma, encarando a caixinha, de tinta de cabelo que tinha comprado, logo ali na minha frente.
Edward’s POV
Vi a garota de cabelos loiros sair rapidamente e encarei o botão da minha camisa que ela tinha aberto, voltando a encarar a porta do quarto, tentando entender o que tinha acontecido ali. Toquei minha boca, sentindo ainda a delicadeza dos seus lábios e ajeitei-me na cama, sentindo como se meu chão tivesse sumido. Eu devia resistir a Isabella, mas não conseguia e o pior de tudo era saber que eu adorava não resistir a ela.
― Oi Alice ― falei ao atender meu celular que começou a vibrar na mesinha ali ao lado.
― Finalmente consegui falar com você ― ela exclamou. ― Está melhor?
― Estou melhorando.
― E a Bella? ― perguntou e acho que demorei muito a responder, e sei que meu breve silêncio fará Alice imaginar coisas.
― Ela está bem ― afirmei e tratei de mudar o rumo do assunto.
...
“Entrei no quarto de Isabella, observando por um momento sua respiração calma enquanto dormia tranquilamente e ao colocar a rosa vermelha sobre a mesinha ao lado de sua cama vi ela se mexer, aquele par de olhos castanhos me encarando assustados.
― Desculpe, eu não queria te acordar ― falei baixo.
― Mas acordou, agora pode sair por favor ― pediu sem me olhar, como se estivesse assustada.
― Se não permitir que eu me aproxime, continuaremos paramos no mesmo ponto.
― Não me lembro do nosso casamento, não posso ser sua esposa ― murmurou ― Só quero voltar a Forks e continuar minha vida.
― Desculpe, mas acho que isso não será possível. A menos que queria destruir tudo que Carlisle construiu nos últimos anos ― disse.
― Saia ― ela exigiu.”
Apesar de lutar contra, acabei caindo no sono e não era surpresa ter revivido aquela lembrança no sonho. Ajeitei-me na cama e senti todo meu corpo doer, parecia que havia uma pedra de uma tonelada sobre meu peito, impedindo-me de respirar. Mas mesmo assim puxei o ar para meus pulmões e peguei meu celular, vendo cinco ligações perdidas, das quais duas eram de Tanya.
Levantei com dificuldade, apoiando-me na muleta que Alice tinha deixado ali para me ajudar e fui até o banheiro, precisava de um banho, relaxar, para conseguir pensar no beijo que Isabella me “roubou”, seria essa a palavra?
Peguei algumas roupas, depois do banho, e com dificuldade me vesti, sentei-me na cama, respirando com dificuldades, já me sentia exausto e ainda faltava a camisa. Passei a manga pelo meu braço machucado, sem poder movê-lo e o ar faltou em meus pulmões quando tentei puxar a camisa ao redor do meu corpo, para terminar de vestir.
― Droga ― arfei baixo vendo o hematoma em meu abdômen, que parecia ter piorado.
Meu celular tocou e peguei-o, tentando respirar fundo antes de atender.
― Oi Tanya.
― Acabou de sofrer um acidente e não atende o celular, assim me deixa preocupada! ― ela exclamou.
― Desculpe, eu estou bem.
― Alice está cuidando bem de você? ― perguntou e hesitei em responder.
― Está sim, não precisa se preocupar ― falei e logo mudei de assunto. ― Como estão as coisas ai na casa do seu pai?
― Ele está muito feliz com tudo isso. Quero dizer, com o casamento, não com o seu acidente.
― Eu entendi ― acabei rindo.
― Já que você vai ficar aí até se recuperar e pelo visto já está sendo muito paparicado, vou ficar aqui com meu pai mais algumas semanas antes de voltar para Londres.
― Ok ― concordei.
― Então nos falamos depois.
― Tanya, você está bem?
― Estou sim ― respondeu e riu sem humor. ― Um pouco cansada ― falou e olhei no relógio já eram quase cinco da tarde.
― Mas também já são quase onze horas aí, vai descansar, qualquer coisa me liga, vou atender ― falei e ela riu.
― Ok, até mais.
― Boa noite.
Tanya desligou e encarei o visor do meu celular, sem saber o que fazer. Eu devia dizer que era Isabella que estava ali comigo, mas não sabia se isso iria interferir em alguma coisa. O fato de estarmos na mesma casa não mudava nada, ou mudava? Com certeza o “beijo”, que aconteceu hoje, mudava as coisas. Mas não sabia dizer o significado daquilo.
Arfei, sentindo-me confuso e cansado, enquanto passava a mão em meus cabelos e cheguei a conclusão que não adiantava ficar ali pensando, tentando adivinhar o porquê disso, a solução era simples. Terminei de vestir a camisa e abotoei apenas alguns botões, sem paciência para o resto, e levantei, apoiando-me na muleta, caminhando com dificuldades... Eu iria até ela.
Caminhei pelo corredor lentamente, apoiando-me nas paredes, determinado a entender tudo aquilo. Aproximei-me da porta e bati, ouvindo o som do secador ligado, bati novamente mas ela não ouviria. Então abri a porta espiando dentro do quarto e encontrei seu olhar através de seu reflexo no espelho. Mas foi quando ela se virou que notei a mecha de cabelo castanho que cobriu parte de seu rosto.
― Aconteceu alguma coisa? ― perguntou desligando o secador de cabelo enquanto eu caminhava até ela.
― Não ― parei, talvez, muito perto dela, mas ali podia sentir seu perfume. ― Seu cabelo... ― murmurei contendo a vontade de afastar aquela mecha de seu rosto.
― Eu pintei ― falou mexendo nos cachos cor de chocolate.
― Nunca devia ter clareado.
― Na época pareceu uma boa ideia ― murmurou e só então percebi que meus dedos deslizavam na lateral de seu rosto.
Admirei cada detalhe de seu delicado rosto, até que notei seu olhar assustado e afastei-me, saindo do quarto o mais rápido que consegui. Deixei a muleta cair assim que fechei a porta do lugar que um dia foi o “nosso” quarto e sentei-me na cama sentindo todo meu peito doer, e podia afirmar que não era por causa da fratura na costela. Agora entendo porque tinha sido tão fácil encarar Isabella depois de tudo, não era porque havia superado a dor de perdê-la, não, com certeza não era. Foi fácil porque ela havia deixado de ser a minha Bella, mas agora via ela voltar a ser a garota por quem me apaixonei e mal conseguia me conter... Será que nunca deixaria de sentir isso? Será que valia a pena lutar contra tudo?
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