Notas iniciais
Explicações nas notas finais... Boa leitura!

Edward’s POV

Três da manhã... e eu? Eu apenas pensava que mais nada valia a pena.

Como podia me lembrar perfeitamente do seu sorriso quando acordávamos, sua voz doce me dizendo “bom dia”, mas não conseguia lembrar do toque da sua pele, do seu beijo, de como era amá-la... O fato de Isabella ter me beijado a duas semanas atrás só me fez desejar mais estar com ela, e agora me perguntava porque fingi estar dormindo naquele momento. Por que não retribui? Por que não aprofundei aquele beijo?

Sentia que não podia continuar aqui com Isabella, apesar de ter pedido para ela ficar mesmo depois que minha mãe ter chego de viagem, no fundo sabia que era errado. Meu casamento já tinha uma data e um horário, e minha noiva, ela...

Eu precisava voltar para Londres o mais rápido possível, mas não via sentido nisso tudo, minha vida não tinha um sentido. A verdade é que minha vida não valia a pena. A verdade é que eu queria continuar ali perto dela para sempre.

― Droga! ― sussurrei soltando os contratos que encarava há algum tempo, sem conseguir me concentrar para lê-los.

~*~

Mais uma semana se passou... os dias passavam mais rápido do que eu desejava e acredito que Isabella também achava o mesmo. Porém já era o suficiente. Iria voltar ao médico na próxima semana e então partiria para Londres. Não posso mais continuar nessa casa com ela, isso está confundindo a nós dois.

Por um momento tentei deixar de lado todos meus pensamentos e ajeitei-me no travesseiro, fechando os olhos e tentando dormir um pouco, mas de repente ouvi um barulho.

Sentei-me na cama com dificuldade, já pegando a muleta ali ao lado e então ouvi gritos. Era Isabella. Levantei-me ainda sentindo um pouco de dor, no entanto ignorei até meu pé imobilizado e praticamente corri pelo corredor, abrindo a porta de seu quarto, encontrando-a dormindo enquanto se debatia na cama.

― Isabella ― chamei-a, aproximando e segurando seus braços para que não se machucasse.

― Não, não, por favor ― ela repetia.

― Isabella! ― tentei acordá-la ― Isabella!! ― gritei e seus olhos assustados me encararam, e as lágrimas caíram.

― Me desculpe ― ela falou baixo enquanto eu soltava seus braços.

― Não precisa se desculpar. Está tudo bem? ― minhas mãos repousaram sobre as delas que amaçavam o lençol com toda força.

― Está ― falou, soltando o tecido que apertava e puxou suas mãos, sentando-se na cama, abraçando seus joelhos de modo a ficar o mais longe de mim, enquanto tentava normalizar a sua respiração.

― Há quanto tempo tem esses pesadelos?

― Já faz... Já faz um bom tempo, às vezes são piores outras vezes nem tanto ― sua voz estava trêmula e vi-a tentar limpar as lágrimas que molharam todo seu rosto. ― Mas já estou bem, desculpe por te acordar.

― Por que não fala comigo sobre esses sonhos?

― Eu... não, é melhor não ― ela parecia muito assustada.

― Por que não tenta?

Ela se encolheu mais, encostando-se na cabeceira da cama e apenas balançou a cabeça, evitando olhar para mim.

― Tudo bem... ― falei, me ajeitando e sentando-me ao seu lado, tentando acalmar minha respiração, que já fazia todo meu tórax doer ― Não precisa necessariamente me contar sobre esse sonho, acabou de dizer que uns são piores outros nem tanto, como são esses outros? ― perguntei e ela voltou a me olhar, uma mecha de seu cabelo cobrindo metade de seu rosto.

― Na maioria das vezes são só lembranças... as mesmas lembranças ― contou lentamente com a voz fraquejando.

― Quais lembranças?

― Não são nada, estou bem.

― Isabella, você me pediu para que te ajudasse, disse que eu era a única pessoa que podia fazer isso. Eu te contei a nossa história, te ajudei a organizá-la em sua mente, agora me deixe te ajudar com isso, me conta qual parte dela te assusta tanto ― pedi e sua expressão foi de surpresa, como se eu tivesse adivinhado algo. ― Sei que há alguma parte que te assusta.

Isabella balançou a cabeça novamente relutante em falar e desviei o olhar quando ela mordeu seu lábio inferior, um costume que sempre teve e que ainda me atingia do mesmo jeito.

― Tudo bem, quem sabe outra hora ― desisti ao perceber que ela não diria nada.

― Tenho lembranças nossas ― murmurou quando eu iria me levantar para sair, então a encarei, tentando entender.

― Você se lembra de momentos comigo?

― Lembranças de nós dois juntos ― falou e seus olhos fugiram dos meus, só então entendi.

― Sonha com nossos momentos íntimos? ― perguntei lentamente e ela apenas assentiu, ainda sem me olhar ― Isabella esses momentos fizeram parte da sua vida, é claro que uma hora se lembraria deles. Mas o que te assusta tanto nisso?

Sabia que seu medo vinha do trauma de seu passado, mas ela não sabia que eu tinha conhecimento da história com seu padrasto, então permiti que ela pensasse e decidisse se confiava em mim o bastante para me contar tudo novamente ou não. E quando seus olhos me encararam realmente achei que ela iria falar sobre tudo, mas na verdade suas palavras me surpreenderam.

― O que me assusta é como são reais, não é como uma simples lembrança, eu revivo tudo de novo e de novo, são sempre os mesmos momentos se repetindo ― explicou num sussurro. ― É como se meu corpo precisasse viver tudo aquilo de novo. E me assusta mais ainda perceber que no fundo eu gosto desses sonhos..., tento não pensar neles, mas me decepciono quando não acontecem ― notei o desespero em sua voz e encarei-a por um momento, tentando compreender aquilo e acabei perguntando a primeira coisa que se formou em minha cabeça, sem pensar direito.

― Sente desejo Isabella? ― indaguei e fechei os olhos balançando a cabeça já me arrependendo de ter perguntado aquilo.

― Eu...

― Não, não tem que responder ― falei voltando a olhá-la, mas ela encarava suas mãos.

― Na verdade, não saberia como responder isso.

― Desculpe não devia ter perguntado ― disse não contendo a vontade de afastar seu cabelo que cobria seu rosto e nisso as pontas dos meus dedos roçaram em sua pele, fazendo-a me olhar. ― Sua inocência permanece a mesma.

― Acho que vou tentar dormir novamente ― falou baixo se afastando do meu toque e fechei os olhos por um instante tentando conter tudo aquilo que agora passava por minha cabeça.

― Tudo bem, qualquer coisa é só me chamar ― avisei e ela sorriu, não era o sorriso que eu queria ver, pois tinha tristeza e medo nele, mas no momento eu não podia fazer nada e era o que mais doía.

Saí de seu quarto confuso, com vontade de voltar lá e abraça-la, para que ela se sentisse segura em meus braços, mas sabia que não podia, ou melhor, não devia. Então me foquei em tudo que ela tinha me dito, finalmente conseguindo entender o significado daquele beijo que Isabella me dera enquanto achava que eu estava dormindo.

Isabella’s POV

Acordei e estranhei o fato do quarto ainda estar escuro, levantei-me indo em direção a janela, afastei a cortina e encarei o tempo nublado, só então me lembrei de ontem ter ouvido na televisão sobre a tempestade que se aproximava e aos poucos me lembrei do que tinha acontecido hoje de madrugada. O pesadelo..., a conversa com Edward...

Respirei fundo, voltando a fechar as cortinas e caminhando para o banheiro. Tomei um banho e coloquei uma roupa confortável, logo depois indo preparar o café. No entanto por mais que eu tentasse não pensar, era inevitável, suas palavras voltavam a soar em minha mente. Será que era isso? Desejo?

Não conseguia entender. A única coisa que tinha a certeza de que sentia era a vertigem da falsa sensação de que a qualquer momento eu poderia cair do alto de uma ponte.

― Como dormiu? ― sua voz grave me assustou e ao me virar para olhá-lo, vi que ele se divertiu com isso.

― Edward, você ainda não está recuperado, precisa ficar em repouso ― falei, vendo ele se apoiar na muleta com seu braço que não estava machucado.

― Eu estou bem, não se preocupe comigo. ― avisou, sentando-se a mesa ― Como dormiu?

― Bem ― respondi, arrumando a mesa e percebi que seus olhos me analisavam e aquilo me incomodava, era como se ele pudesse ver bem mais do que eu queria que visse.

― O tempo está piorando ― ele comentou depois de um momento de silêncio, encarando as janelas da cozinha que estavam sem cortinas.

Continuei arrumando a mesa, colocando os pães, a manteiga, as xícaras... enquanto continuava a sentir seus olhos em mim.

― Café? ― perguntei e servi-lhe um pouco de café quando o vi assentir, mas antes que eu pudesse me afastar senti o toque delicado de Edward que segurou minha mão e em um milésimos de segundo já pude sentir sua pele aquecer a minha.

― Por que está tão assustada? Tudo por causa do sonho?

― Não estou assustada ― falei, tentando sorrir ao tirar minha mão da sua e estranho o fato de continuar sentindo mais quente a parte em que ele havia tocado.

― Sinto muito se sou culpado por parte desse seu medo.

― Não é culpado ― falei baixo, sentando-me na cadeira do outro lado da mesa, em frente a ele. ― Na verdade, você é o motivo de eu querer me lembrar de tudo que o coma me fez esquecer.

― Você já se lembrou de muita coisa e tenho certeza que com o tempo vai acabar se lembrando de tudo, mas no que isso muda Isabella? ― ele encarou a xicara com café a sua frente enquanto analisava cada palavra de sua pergunta.

― Muda quem eu sou... ― expliquei.

― Só isso? ― indagou.

― Acho que é só isso que pode mudar ― murmurei e senti algo doer em meu peito, mas ignorei, agradecendo mentalmente quando o toque do meu celular quebrou o silencio que se formou ali.

Peguei o aparelho e sai da cozinha para atender a ligação, precisando respirar fundo antes de começar a falar.

~*~

A chuva tinha dado uma trégua, porém o céu parecia estar mais escuro que o normal e perguntei-me se ela não estava apenas recuperando suas forças. Afastei-me da janela, puxando as pesadas cortinas da sala e abracei meu próprio corpo ao olhar ao redor, sentindo como aquela casa era grande, porém adorava estar ali, por mais confuso que tudo aquilo fosse.

Caminhei até a cozinha, pegando um copo com água e segui para meu quarto, já passava das onze horas e iria aproveitar a falsa calmaria da chuva para tentar dormir. Tomei um banho e vesti meu pijama, deixando a porta, do quarto, entreaberta para que a luz do corredor pudesse entrar e tudo não ficasse tão escuro, então finalmente deixei meu corpo cair sobre a cama, porém não conseguia parar de olhar a claridade que vinha do corredor, lembrando-me das risadas que demos ali, não recordo o motivo delas, muito menos quando foi, mas podia ouvi-las, junto com nossos passos, tropeçando um no outro. Um relâmpago iluminou todo o quarto e encolhi-me segundos depois com o som do trovão, que me fez balançar a cabeça para afastar as lembranças ruins e abracei um dos travesseiros, obrigando meu corpo a cair no sono.

“Ouvi o som da água se movendo lentamente ao meu redor e abri os olhos. Estava sentada entre suas pernas, de costas para ele, em uma banheira repleta de espuma. Vi pela janela que já era noite e caia uma chuva fraca do lado de fora, enquanto ali dentro tínhamos algumas velas acessas e azulejos úmidos por causa do banho quente. Encarei minhas mãos mergulhadas na espuma e meu corpo estremeceu quando senti sua respiração perto da minha nuca, o medo tomando posse de mim. Fechei os olhos com força ao sentir suas mãos em meu quadril, deslizando até meus joelhos e refazendo o caminho de volta, subindo até minha cintura, percorrendo minhas costas e massageando lentamente meus ombros.

― Está tensa... o que te preocupa? ― sua voz fez ir embora qualquer tipo de medo que eu estivesse sentindo.

― Tudo me preocupa ― murmurei.

― O que seria tudo? ― perguntou e olhei por sobre meu ombro para poder admirar seu sorriso quando apenas balancei a cabeça, sem saber responder sua pergunta. ― Isso te preocupa? ― sua mão voltou até minha cintura, fazendo cócegas em minha barriga ― O que acha? Também te preocupa? ― indagou rindo, enquanto eu tentava, sem sucesso, me esquivar de suas mãos.

― Para! ― pedi entre risadas, vendo espuma voando da banheira.

De repente senti todo meu corpo gelar quando uma de suas mãos roçou, acredito que sem querer, em meu seio direito e por um momento eu pude ouvir nossas risadas ecoando no banheiro, mas eu não estava rindo... o medo começava a surgir novamente em mim. Porém antes que pudesse fazer algo, meu corpo ganhou vida própria e vi quando minhas mãos seguraram as dele, enquanto eu me virava, ficando frente a frente com aquele par de esmeraldas que eram seus olhos e então já era tarde demais, pois já estava hipnotizada por elas.

― Eu amo seu sorriso ― ele falou baixo, como se estivesse me contanto um segredo e só assim percebi que eu sorria como uma boba, tentei disfarçar forçando meus olhos a desviarem dos seus e senti todo meu rosto queimar ao perceber que estava ajoelhada na banheira, assim a água ficava um pouco abaixo de meus seios, deixando-os a mostra, então rapidamente cruzei os braços.

Edward sorriu, um sorriso torto e então apontou para minha cabeça:

― Posso? ― perguntou, querendo saber se podia soltar meu cabelo e assenti.

No entanto, ele não soltou meu cabelo, Edward retirou um lenço da minha cabeça e encarei o longo lenço cor de rosa que já estava com as pontas molhadas. Levei uma de minhas mãos lentamente até meu ouvido e deixei meus dedos subirem devagar, sentindo minhas mãos tremerem. Vi o lenço cair no piso ao lado da banheira e meu coração acelerou quando meus dedos não acharam meu cabelo logo acima da minha orelha.

― Está tudo bem?

― Sim, está tudo bem ― a resposta saiu pelos meus lábios e tentei me afastar quando suas mãos seguraram em minhas coxas.

Edward facilmente me ergueu, colocando-me sobre seu colo, meu corpo agiu sozinho, colocando um joelho de cada lado de seu quadril e minhas mãos repousaram sobre os seus fortes ombro.

― Agora está tudo bem, mas fico pensando... E daqui a uma semana, daqui um mês...?

― Nada de ruim vai acontecer, tudo ficará bem eu prometo ― sua voz soou firme e balancei a cabeça tentando sorrir.

― Eu confio em você ― murmurei e senti suas mãos percorrerem minhas costas.

Meu corpo estremeceu e posso jurar que não foi de medo. Seus braços se estreitaram ao meu redor, puxando-me para perto e um gemido escapou por meus lábios...”

O estrondo estridente do trovão me acordou de repente, fazendo meu coração acelerar como se fosse pular do peito e respirei fundo encarando o teto, ouvindo a tempestade que caia lá fora. Sentei-me na cama assustada quando outro relâmpago invadiu meu quarto e estiquei o braço, acendendo a luz, porém ela se apagou um segundo depois, junto com ela a luz do corredor, e tudo ficou escuro. Minhas mãos ficaram geladas e levantei-me, apoiando na mesinha de cabeceira ao lado da cama, esbarrando sem querer no copo que tinha deixado ali, o qual se espatifou no chão e logo em seguida ouvi a voz dele.

― Isabella? ― a preocupação em sua voz era evidente.

― Oi! ― respondi.

― Está tudo bem? ― sua voz parecia estar mais perto, e então ouvi a porta se abrindo.

― Estou, só derrubei o copo ― falei e a luz do seu celular clareou o suficiente para que eu pudesse ver seu rosto.

― Vem, cuidado onde pisa para não se cortar ― sua mão pegou a minha e guiou-me até o corredor.

― Não devia estar andando ― murmurei.

― Não te deixaria sozinha com essa tempestade ― afirmou baixo. ― A bateria do meu celular está acabando, será que tem velas lá embaixo?

― Não, ― respondi ― não pensei em comprar velas quando fui ao mercado ― falei e ele acabou rindo.

― Então vamos ter que esperar. Você fica no meu quarto até a energia voltar ― propôs e não pude dizer não, já que não ficaria ali no escuro sozinha.

― Ok.

Edward me guiou até seu quarto e sentei-me em sua cama, vendo, pela pouca luz do celular, ele se deitar e direcionar a luz para os travesseiros ao seu lado, então me aproximei encostando na cabeceira, mas ainda assim mantendo distância. Um relâmpago clareou o quarto como um flash e inconscientemente me encolhi.

— Não precisa ter medo, não está sozinha — suas palavras tiveram um efeito sobre mim maior do que deveriam.

— Como estão os machucados? — perguntei, mudando de assunto.

— Bem, meu braço melhorou bastante, meu pé também, mas não digo o mesmo da minha costela — respondeu.

— Pelo menos agora é só a costela, o resto está bem, isso é bom.

— Mais ou menos — sua voz soou baixa, se misturando ao som da chuva que caía do lado de fora.

— Como assim?

— A dor é uma boa distração — explicou, sua voz subindo um tom, porém não tinha emoção.

Então a bateria do celular se esgotou e ficamos definitivamente no escuro, havia apenas o som da chuva e dos trovões, e por mais que tentasse não conseguia enxergar nada. Queria poder vê-lo, saber o que quis dizer com a dor ser uma distração, mas era impossível.

— Vou voltar para Londres na próxima semana — informou, a notícia fez o desespero surgir dentro de mim e meu coração disparou, descontrolado.

— Está tudo bem, é só chuva Isabella — sua mão repousou sobre a minha, ao perceber minha respiração acelerada, porém mal sabia ele que isso nada tinha haver com a chuva.

Senti o toque quente dos seus dedos em minha mão gelada, por causa do medo, e respirei fundo, concentrando-me apenas na textura da sua pele, enquanto outro raio iluminou todo o quarto e pude ver seus olhos encarando os meus por alguns segundos, antes de cairmos na escuridão novamente. Estava tão envolvida nisso, em descobrir os segredos daquela casa, em ouvir a versão dele da nossa história... que nem tinha pensado que tudo aquilo acabaria.

— É talvez eu vá já nos próximos dias — falou rápido soltando minha mão.

— Por que a pressa? — perguntei sentindo um peso sobre meu peito, tudo porque eu sabia exatamente o motivo de sua pressa. Edward iria se casar... acho que por um momento me esqueci desse pequeno detalhe.

— Porque não vou conseguir me recuperar por completo se continuar aqui — falou baixo e o silêncio se instalou entre nós.

Ouvia apenas a chuva caindo fortemente lá fora e aconcheguei-me melhor sobre os travesseiros, controlando minha respiração, sentindo meu coração se acalmar e meu corpo pesar sobre o colchão, como se pesasse uma tonelada, então fechei os olhos e tentei me imaginar flutuando...

“Encarei o quarto branco ao meu redor e então vi um Edward atormentado sentado ao lado da minha cama, ele tinha olhos avermelhados, parecia totalmente desesperado.

― O que vai fazer? ― perguntei.

― Agora? Vou te levar para casa ― disse pegando uma mochila que carregava consigo. ― Trouxe algumas roupas.

― Não. O que vai fazer daqui a um ano, Edward? ― repeti a pergunta, mas sabia que havia entendido perfeitamente e ele desviou seus olhos dos meus, encarando suas mãos que seguravam a minha. ― Meu maior medo é não ter a certeza de que ficará bem ― confessei.

― Como acha que eu vou ficar? ― sua pergunta soou baixa e a resposta pairou no ar sob nossas cabeças e seus olhos prenderam os meus.

Foi então que notei as lágrimas que ele tentava conter e vi ele apertar os olhos com o dedo indicador e o polegar da mão esquerda, cobrindo parcialmente seu rosto. Ouvi-o suspirar, sua dor era evidente quando sussurrou praticamente sem voz:

― Não posso te perder.

― Edward ― toquei sua mão, tirando-a de seu rosto e vi sua máscara cair.

Seus olhos vermelhos derramavam as lágrimas que levavam com elas todo seu autocontrole. Edward passou as mãos no rosto, secando-o, mas as lágrimas não paravam, ele levou seu cabelo para trás, puxando-o com uma força um pouco exagerada e puxei seu queixo para que olhasse para mim.

― Não posso, eu não consigo. Você é minha vida Isabella, minha vida.

― Você é minha vida Edward, eu fui apenas um capítulo na sua ― falei e ele cobriu o rosto com as mãos e deixei meus dedos entrarem em seus cabelos. ― Você ficará bem ― afirmei e ele me olhou quando sequei as últimas lágrimas que caíram de seus olhos verdes como esmeraldas.”

Abri os olhos ao ouvir o estalo de mais um trovão, porém não senti medo, a única coisa que sentia era a dor em meu peito, a vertigem ao ter a sensação de que podia cair a qualquer momento e sem perceber deixei as palavras escaparem pelos meus lábios: — Eu vou sentir sua falta — saiu como um sussurro, um segredo, e ao ouvir aquilo implorei mentalmente para que Edward estivesse dormindo, ou que não tivesse escutado.

— Eu já sinto sua falta — ouvi sua voz rouca e uma sensação gelada percorreu meu corpo, mas foi interrompida com o susto que levei ao ouvir um barulho causado pelo forte vento e inconscientemente minha mão procurou a dele, que segurou meus dedos fortemente.

― Me perdoe ― pedi quase sem voz.

― Pelo que?

― Você sabe pelo que peço perdão ― afirmei. ― Eu sinto muito, por tudo que te fiz passar, por toda dor que te causei.

― Isabella, você não tem culpa de nada ― ele informou e ri sem humor.

― Eu sei o que fiz.

― O que você fez? ― indagou, deixando-me sem palavras ― Você não teve culpa, simplesmente aconteceu... Infelizmente aconteceu.

Outro trovão me fez estremecer e encolher-me ainda mais, respirei fundo tentando me acalmar, mas meu coração acelerado não era por causa da tempestade, creio que era por outro motivo.

― Tudo bem? ― perguntou.

― Não ― murmurei e um segundo de silencio se fez presente, antes dele falar.

― Vem cá ― Edward me puxou com cuidado e eu deixei que ele me puxasse para perto.

Deitamos sobre o mesmo travesseiro, tão perto que podia sentir sua respiração em meu rosto, mas então ele se virou. Mais um relâmpago iluminou o quarto e pude ver Edward com uma expressão vazia encarando o teto, porém continuei ali, deitada de lado, olhando-o mesmo no escuro, tentando decifrar algo.

― Se eu não tive culpa nisso, então você também não teve no acidente com sua prima. Você não quis me contar a história naquele dia, porque se culpa, mas tenho certeza que não deveria se castigar por isso ― falei, sem saber se realmente deveria ter tocado nesse assunto, porém era uma história que me intrigava.

― Quem te contou isso? ― sua voz soou firme, grave.

― David me contou ― respondi ― ele não sabia muito, disse que Alice não gostava de falar sobre isso..., que nenhum de vocês gostava.

Edward ficou em silêncio e arrependi-me de ter falado sobre aquilo. Percebi que a chuva parecia ter acalmado, fazendo que o silêncio ali ficasse ainda mais evidente e desisti de esperar uma resposta dele.

— Tudo bem, não precisa...

— Ela tinha apenas seis anos, era dois anos mais nova do que eu — ele contou. — Estávamos junto com a Alice brincando com uma bola, na calçada da casa onde morava naquela época, entre nós três eu era o mais velho, o menino que tinha que ter cuidado das duas, mas não consegui — notei a dor em sua voz, o arrependimento, a culpa. — Foi tudo tão rápido, a bola foi em direção à rua e ela simplesmente correu atrás, nesse momento vinha um carro em alta velocidade... Ela morreu em meus braços.

— Edward... — murmurei, mas não sabia o que dizer.

— O nome dela era Jane e não era minha prima, ela era minha irmã — revelou e fechei os olhos sentindo a sua dor.

— Eu sinto muito, eu não... — perdi as palavras e então abri os olhos, permanecendo ainda na escuridão e sem pensar repousei minha mão sobre seu peito, sentindo as batidas calmas, porém fora de ritmo, do seu coração. — Você não teve culpa — afirmei e ele riu baixo, sem humor.

Sua mão então segurou a minha sobre seu peito e senti-o respirar fundo, parecendo atormentado.

— O que aconteceria se eu te pedisse para não ir? — a pergunta se formou na parte mais profunda de minha mente e achou um atalho até meus lábios.

Mesmo ali no escuro sabia que ele estava frente a frente comigo, sentia sua respiração, sentia seu rosto a centímetros do meu.

— Eu não iria — afirmou fazendo meu coração disparar. — Faria qualquer coisa que me pedisse.

Deixei que minha mão deslizasse de seu tórax até seu pescoço e subisse um pouco mais até seu queixo, a lateral do seu rosto, tocando sua barba que já estava um pouquinho grande há alguns dias.

Estremeci quando um trovão soou ao longe e senti seu braço envolver minha cintura, puxando-me para mais perto. Seu nariz roçou no meu e um tremor percorreu meu corpo, em uma mistura de medo e... desejo.

— Faria qualquer coisa? — perguntei num sussurrou e ele assentiu, antes de roçar seus lábios nos meus.

Sua boca se moldou na minha e um arrepio percorreu minha espinha quando seus lábios separaram os meus e sua língua delicadamente tocou a minha. Ele aprofundou o beijo e eu permiti, entregando-me em seus braços. Sua mão em minhas costas deslizou até minha coxa, indo até meu joelho e puxou-o, encaixando minha perna em seu quadril. E um gemido escapou por meus lábios antes de eu o afastar, empurrando-o quase sem força.

— Me desculpe, eu não devia... — Edward falou rápido, seus braços ainda me segurando.

— Eu tenho um pedido ― eu o interrompi.

— Peça — falou.

— Faz amor comigo — murmurei e houve um minuto de silêncio antes de seus braços me apertarem contra seu corpo, sua boca voltando a minha com certo cuidado, porém com ansiedade, e meus dedos amassaram a camisa que ele usava.

Aquilo realmente estava acontecendo, eu realmente estava sentindo sua mão apertando minha cintura e deslizando por minhas costas, mantendo-me junto a ele, aquele arrepio que dessa vez não era fruto de uma lembrança, era real. A ansiedade do que estava por vir me consumia e a sensação de segurança que me tomou quando senti Edward se sustentar sobre mim fez com que eu esquecesse qualquer preocupação que tivesse naquele momento. Deixei que minhas mãos entrassem em seus cabelos quando senti seus lábios acariciarem os meus e fizeram uma trilha de beijos até meu pescoço, descendo lentamente para o decote da minha blusa e gemi baixo.

Flashes de momentos como aquele apareciam em minha mente, lembranças rápidas, misturadas com aquelas que eu desejava tanto esquecer e minhas mãos apertaram seus ombros, enquanto eu tentava afastar aquelas memórias. Ajudei Edward a retirar sua camisa, tentando tomar cuidado com seu braço machucado, porém estava muito escuro e acabei rindo da dificuldade para tirá-la.

― Amo te ouvir rindo ― ele falou, finalmente se livrando da camisa e senti meu rosto esquentar.

Sua boca voltou a se moldar na minha com delicadeza e deixei que minhas mãos passeassem por seus ombros e tórax nu, enquanto meu rosto queimava de vergonha com tudo aquilo. Suas mãos entraram sob minha blusa, tocando minha pele e mais um gemido escapou por meus lábios, num pedido silencioso para que ele não parasse por ali e Edward me ajudou a tirá-la, meus seios tocaram em seu tórax e estremeci em seus braços. Porém nesse momento todo o quarto se iluminou e pude ver seu rosto, seus olhos verdes pareciam refletir a luz, mas ele parecia preocupado, enquanto eu apenas me encolhi... o que eu estava fazendo?

― Isabella... ― ele começou a falar, mas se perdeu e eu sem pensar apenas o impedi de se afastar.

Ergui meu braço, procurando o interruptor logo acima da cabeceira da cama e apaguei a luz, deixando apenas que a fraca luz do corredor iluminasse o quarto, a qual era o suficiente para que eu pudesse ver o contorno de seu rosto e seus olhos brilhantes.

― Está tudo bem? ― perguntou baixo, aquele par de esmeraldas prendendo os meus olhos.

― Está, só não pare ― pedi e ele sorriu, voltando a me beijar.

Sua boca percorreu cada centímetro do meu corpo, enquanto Edward terminava de tirar minhas roupas e as dele. Sua mão tocou a minha e só então percebi que eu apertava o edredom com toda minha força, notei seu sorriso com isso e ele entrelaçou seus dedos nos meus, e finalmente eu encontrei o meu lugar. Meu lugar seguro, onde não cairia, não me machucaria, onde nunca estaria sozinha.

Sua outra mão deslizou por minha coxa, puxando-a, mantendo-a em seu quadril e então eu senti ele em mim.

― Ah ― arfei contra seus lábios, enquanto Edward começou a se mover lentamente, fazendo-me gemer baixo e abraça-lo ainda mais forte.

― Eu te amo ― ele sussurrou e meus olhos encontraram os seus. ― Eu te amei desde a primeira em que a vi sorrir, ainda te amo... e sempre vou amar ― afirmou e senti uma lágrima descer pelo meu rosto.

Ele me beijou com tanto cuidado, enquanto voltava a se mover, fazendo-me gemer alto, apertando-me mais em seus braços como se soubesse que eu adorava quando ele me abraçava com força, ou melhor, ele sabia. Porque ele me conhecia mais do que qualquer outra pessoa, talvez mais do que eu mesma.

Notas finais
Oi gente! Tudo bem? E então o que acharam do capítulo? Foi um pouco inesperado né?! Peço desculpas por ter ficado tanto tempo sem aparecer, tive alguns problemas e espero que entendam. E sim eu vou terminar a fanfic, não vou abandoná-la e nem abandonar vocês... Espero que ainda tenha alguém acompanhando. Se houver alguém aí tenho que avisar que vou "correr" um pouco com a história, não posso ficar detalhando muita coisa pois infelizmente não tenho tempo... mas vou fazer de tudo para finalizar a fanfic do mesmo jeito possível, tenho certeza que todos vão gostar. Estou até pensando em fazer uma enquete e deixar que vocês escolham alguns pontos decisivos na história... O que acham?? Não esqueçam de dizer o que acharam do capítulo, qualquer coisa fiquem a vontade para me mandar uma mensagem, ok? ;D Até mais Beijoss