Notas iniciais
Olá!! Antes de tudo quero agradecer a franceska por ter recomendado a história, muito obrigada querida! ♥ E agora quero conversar com vocês um pouquinho, antes de lerem o capítulo. É o seguinte, eu recebi alguns comentários e mensagens de algumas de vocês reclamando do final da fanfic, coisas do tipo: "como assim, irá acabar com eles separados?", "pensei que a fic fosse Beward, mas pelo visto me enganei", "irá acabar e nem teremos mais momentos de casalzinho dos dois juntos...". Enfim, teve até quem disse que Edward ama de verdade a Tanya e não a Bella... Bom, para quem acha isso peço que volte e releia a história. Agora, sobre o fim da fanfic, eu não terminaria sem alguma cena romântica, mas confesso que não seriam muitas, então pensando em quem pediu momentos de casalzinho e romance... Eu novamente reformulei o final e então ficará assim: Capítulo 77 - Não somos os mesmos (postado hoje) Capítulo 78 - Beward (isso mesmo, um capítulo apenas com Bella e Edward) - 23/01 Capitulo 79 - Sombras do passado - 26/01 Capítulo 80 - *ainda sem nome - 29/01 Capítulo 81 - Epílogo - 01/02 Capítulo 82 - Extra de cenas excluídas - 01/02 Capítulo 83 - Bônus - Livro que será postado no Wattpad - 01/02 Esse será o cronograma. Mas posso postar antes da data prevista caso o capítulo receba muitos comentários, reviews e recomendações, então não esqueça de deixar seu review. São os últimos capítulos pessoal, então essa é a hora leitores fantasmas, apareçam e apresentem-se! Boa leitura!

Oito meses depois

Isabella's POV

Dali da janela do quarto, no segundo andar, pude ver a movimentação na entrada da casa e os vários convidados que já tinham chegado, inclusive a mulher loira, em um vestido cor de vinho.

― Ainda não entendo o porquê quis convidá-la ― Alice falou logo atrás de mim, olhando por sobre meu ombro.

― Não tenho nada contra ela ― informei, voltando a me sentar, deixando que a baixinha terminasse sua obra-prima em meu rosto.

― Pois eu tenho! ― exclamou, mostrando-se ofendida por eu não levar sua opinião em consideração.

― Eu sei Alice. Mas também sei que lá no fundo você gosta dela ― falei, fazendo-a gargalhar.

― É melhor ficar quietinha e deixar-me terminar sua maquiagem.

Bom, minha maior preocupação hoje não era a Tanya, nem problemas familiares, os quais sempre apareciam em festas... Não. Havia outra coisa mais importante e mais urgente que estava me incomodando, que me perturbou a noite inteira, impedindo-me de dormir. Algo em mim ficava repetindo que aquilo era bobagem, mas eu sabia que não era...

― Olha, é para jogar o buquê para mim ― Alice falou de repente e tentei sorrir.

― Mas você já está noiva, com casamento marcado.

― É para dar sorte ― contou e apenas assenti, fechando os olhos para que ela terminasse o delineado.

Então com tudo terminado vi Alice começar a abrir o zíper do porta-vestido e acredito que ela notou minha expressão, porém a interpretou errado.

― Ainda com problemas em relação à cor? Você é muito antiquada Isabella... Mas seu vestido não é exatamente bran...

― Não é isso... ― tentei organizar meus pensamentos, interrompendo-a ― Eu..., eu acho que preciso conversar com Edward ― falei e Alice suspirou.

― Acho que estou tendo um déjà vu ― informou, massageando as têmporas.

― Eu sei..., mas realmente preciso falar com ele.

― O quarto no final do corredor ― ela apontou para porta e sorri, ou ao menos tentei, antes de sair.

Transpassei meu robe sobre o vestido de seda, que usava, amarrando a fita ao redor de minha cintura, caminhando até o outro lado do corredor, parando em frente à porta e respirando fundo, tomando coragem para bater na madeira.

― Pode entrar ― ouvi sua voz e girei a maçaneta.

Fechei a porta atrás de mim e encontrei Edward, parado em frente ao espelho, terminando de abotoar sua camisa.

― Sabia que você viria ― ele falou, olhando-me através do reflexo.

― Bom, pelo menos dessa vez estamos na mesma casa... o que facilita muito ― falei baixo e ele sorriu, virando-se e encurtando a distância entre nós.

― Está tudo bem?

― Não ― murmurei. ― Eu... eu não sei se estou pronta para isso.

― Está em dúvida, Isabella? ― perguntou.

― Não! ― respondi, talvez rápido demais, mas era a verdade ― Não tenho dúvida alguma que quero passar cada um de meus dias ao seu lado.

― Então qual o problema? ― sua voz soou baixa, carinhosa, e eu hesitei ― Isabella, está tudo bem, eu cancelo tudo, vou até lá e digo que não terá mais casamento. Mas precisa me dizer o motivo.

― Eu... ― abri a boca, mas voltei a fechar, sem saber como explicar.

Seus olhos me encaravam com amor e sua expressão era paciente.

― Eu só... estou com medo ― murmurei.

― Medo do quê, meu amor? ― Edward se aproximou, segurando minha mão na sua.

― Medo de não conseguir ser uma esposa para você, de não poder te dar tudo que precisa.

― E o que é que eu preciso além de você? ― seus dedos apertaram levemente os meus e desviei meu olhar do seu.

Afastei-me, soltando sua mão, puxando meu robe para cobrir melhor meus ombros, sentindo-me estranhamente exposta.

― Você sabe o quê ― falei e ouvi Edward suspirar, parecendo entender.

― Sexo, é isso? É disso que está com medo? Isabella! ― ele parecia não acreditar.

― Eu sei que você disse que não se importa se não tivermos mais nada... Mas, quer mesmo entrar em um casamento assim?

― Eu quero você ― ele falou, seus olhos intensos. ― Independente de casamento, lua de mel, se dormimos no mesmo quarto ou não. Eu apenas preciso de você.

― Então, podemos adiar a lua de mel?

― É claro que podemos, quando você estiver pronta ― falou. ― Mas, a ideia da viagem era apenas para nos afastarmos de tudo, para podermos conversar e... eu já tinha providenciado dois quartos ― um breve sorriso apareceu em seus lábios e suspirei. ― Um passo de cada vez.

― Um passo de cada vez ― murmurei, aproximando-me e deixando que minhas mãos deslizassem por seus ombros, ficando nas pontas dos pés para envolver seu pescoço.

― Mais calma? ― perguntou, quando me apoiei sobre seu tórax e apenas assenti, olhando em seus olhos ao me afastar ― Nunca faria algo que você não quisesse. Apenas confie em mim, sei que é difícil...

― Eu confio ― falei o interrompendo, tocando seu rosto e ele segurou minha mão, depositando um beijo em meus dedos. ― E eu, anseio por seu toque... Porém, as memórias... ― suspirei ― Passaram-se meses, mas às vezes parece que foi ontem.

― Eu sei, dê tempo ao tempo ― sua voz soou baixa. ― Estou aqui com você ― apenas sorri, olhando para nossas mãos juntas.

― Bom, acho melhor eu ir terminar de me arrumar então, porque não posso deixar meu futuro marido esperando.

― Não se preocupe com isso, fiquei sabendo que ele esperaria o tempo que for por você ― confessou e sorri.

Voltei ao quarto, onde Alice me esperava impacientemente enquanto terminava de passar meu vestido com o ferro a vapor.

― Aí meu Deus! É lindo! ― exclamei. Era a primeira vez que eu o via.

― Já que você não queria um vestido branco, achei que essa era uma boa alternativa. Gostou?

― Eu amei! Posso vestir?

― É claro, ele é seu.

Em pouco tempo eu já encarava minha imagem no espelho, o vestido bordado, com flores em roxo, rosa e pequenos detalhes em verde.

― É tão lindo!

― Porque vocês precisam de um pouco de cor nessa nova fase juntos.

― Obrigada ― falei, puxando-a para um abraço.

Algum tempo depois fui deixada sozinha na grande suíte, ainda olhando pela janela, porém agora já não tinha muitos convidados ali e os poucos se encaminhavam para dentro da casa.

Afastei-me da janela, olhando-me mais uma vez no espelho, vendo minha boca perfeitamente delineada com o batom coral e então voltei minha atenção para o anel em minha mão. Ainda não tinha se tornado um costume usá-lo, portanto era uma sensação estranha o peso dele e imagino que em breve sentirei a mesma coisa em relação à aliança que será colocada no lugar dele. Mas isso não quer dizer que eu não a quero, pelo contrário, eu quero muito..., muito mais. Quero risadas, união, um lar. Quero minha família e que todos sejam felizes. Quero paz, sem mais sofrimento. Quero amor.

Ouvi a porta se abrir e olhei por sobre o ombro, sorrindo para Carlisle.

― Uau! ― ele exclamou e... chorou. A lágrima desceu por seu rosto e ele a escondeu rapidamente, enquanto eu me aproximava.

― Carlisle? ― indaguei confusa e ele respirou fundo, recompondo-se.

― Minha filha... você sabe que eu te amo... não sabe? ― falou, envolvendo-me em um abraço repleto de carinho e conforto, que me fez fechar os olhos, apoiando a cabeça em seu ombro. ― Mas essa é a última vez que te levo até o altar, hein! ― brincou, rindo, quando me afastei ― Sem mais divórcios.

― Sem divórcios ― afirmei.

― Mas se acontecer, eu até a levo desde que seja para casar com Edward novamente.

Encarei-o e acabei rindo.

― Você gosta dele, não gosta? ― perguntei, enquanto ele segurava as minhas mãos.

― Eu não sei se algum pai realmente gosta muito do genro... ― falou, fazendo-me rir. ― Mas sei que ele te ama e é o único que tem o dom de fazer esse brilho surgir em seus olhos. Tudo que eu mais quero é a sua felicidade e sei que você vai encontrá-la ao lado dele.

― Obrigada, Carlisle ― murmurei, voltando a abraçá-lo.

― Está pronta? Já estamos atrasados... ― avisou quando me separei dele e assenti, secando os cantos de meus olhos, impedindo que alguma lágrima caísse.

― Sim, só preciso...

Atravessei o quarto e peguei sobre a cômoda o delicado buque de peônias e lavanda.

― Agora estou pronta ― falei e ele sorriu, estendendo-me a mão.

Saímos do quarto e caminhamos pelo corredor, parando no alto da escada. Apertei o braço de Carlisle, inconscientemente, e suspirei, fechando os olhos por alguns instantes e ouvimos a linda melodia tocando, enquanto descíamos os degraus até a entrada da cerimônia, virando a direita e entrando no caminho até o pequeno altar montado na frente de enormes arranjos de rosas. Vi todos de pé, sorrindo, murmurando como eu estava linda e então eu o vi, de terno azul escuro, esperando-me pacientemente e nesse momento desejei mais do que tudo que eu pudesse, conseguisse, pertencer a Edward e tê-lo para mim.

Carlisle parou próximo ao altar e o homem de olhos verdes veio até nós, sorrindo, recebendo minha mão.

― Sem mais casamentos, por favor ― o homem loiro falou e Edward riu, depositando um beijo no dorso de minha mão antes de colocar-se ao meu lado, sua mão em minha cintura, guiando-me alguns passos a frente.

― Estamos bem? ― murmurei quase inaudível, mas sei que ele leu as palavras em meus lábios.

― Estamos bem ― confirmou, também em um murmúrio e a cerimônia começou.

...

Fomos cumprimentados por todos, em sua maioria apenas familiares, alguns convidados, de Carlisle e Esme, que infelizmente eu não reconhecia, mas Edward sempre murmurava informações próximo a meu ouvido, como os nomes e quando nos encontramos a última vez, pois poucos sabiam da minha perda de memória e eu achava melhor assim. Então depois de receber um abraço acolhedor de Carmen e de Bree, que estava praticamente da minha altura, vi a mulher loira com um lindo bebê, no colo, que sorria para toda aquela movimentação.

― Obrigada por vir, Tanya ― falei, sorrindo quando ela segurou minha mão.

― Não podia recusar seu convite. Apenas tenho que agradecer o carinho ― ela falava apenas comigo, mantendo certa distância, não apenas física, mas emocional, do homem ao meu lado. ― Desejo que sejam muito felizes e que tenham paciência, para sempre poder compreender um ao outro.

― Obrigada ― murmurei, aproximando-me e acho que a surpreendi ao recebê-la em um abraço, porém ao me afastar meu véu ficou preso, ou melhor estava preso nos dedinhos do menino gordinho em seu colo, e acabei rindo, enquanto ela o fazia soltar rapidamente. ― Tudo bem, não foi nada ― falei diante do seu pedido de desculpas. ― Eu posso? ― indaguei, olhando de Tanya para o menininho que já esticava os bracinhos em minha direção.

― Claro.

Então com cuidado eu o peguei, trazendo-o para meu colo, seguro em meus braços.

― Oi, Alexander ― falei sorrindo, vendo os furinhos em suas bochechas quando ele sorriu ao segurar meu véu mais uma vez. ― Você é muito lindo, sabia? ― mais uma vez reparei em seu cabelo escuro em conjunto com sua risada, novamente sendo tão familiar, porém logo deixei isso de lado ao mexer em sua barriguinha e ouvi-lo gargalhar, mas agora ele olhava para Edward.

Vi os olhos verdes do homem ao meu lado, animados com Alexander que segurava seus dedos. Por um breve momento me permiti entrar naquela fantasia, com Edward sorrindo ao meu lado, uma de suas mãos em minha cintura, enquanto falava e brincava com o nosso filho em meu colo. Por alguns instantes seus olhos encontraram os meus e soube que ele também compartilhava esse sonho, porém logo fui puxada para a realidade quando Alexander voltou para os braços da mulher loira e mais um casal se aproximava para nos parabenizar. Tanya me agradeceu novamente pelo carinho e falou pela primeira vez com Edward ao passar por ele, dando uma leve batidinha em seu braço.

― Cuide dela, hein! ― falou baixo e ele sorriu.

― Aproveite a festa, Tanya.

― Com certeza irei ― ela já se distanciava.

Depois de termos falado com todos, e tirado algumas fotos, o jantar foi servido e encarei Emmett, quando ele se levantou pegando o microfone, enquanto os garçons distribuíam mais algumas taças de champagne.

― Oi, pessoal. ― falou sorrindo ― Eu queria dizer algumas palavras, antes de fazer um brinde... ― Emmett pareceu pensar por alguns segundos, seus olhos encontrando os meus por um breve momento. ― Fazem o quê? Oito... Nove anos? ― indagou e vi Alice balançar a mão, dizendo “mais ou menos isso”. ― Às vezes parece que foi ontem que você entrou para a família, Isabella, ― sorriu, olhando-me ― e às vezes parece tão distante que poderia até dizer que foi em outra vida. E talvez foi, não é mesmo? Quero dizer, você e Edward não são os mesmos daquela época, todos nós não somos os mesmos. Passamos por outras experiências, amadurecemos e então percebemos o quanto não sabíamos sobre a vida, o quanto não sabíamos sobre nós mesmos...

O rapaz de cabelos pretos pensou e voltou a olhar para mim, enquanto eu sentia o braço de Edward contornar meu corpo, acariciando meu ombro. E Emmett continuou:

― Naquela época eu admirava sua determinação, por tudo que estava passando, mas hoje eu... Eu admiro você, admiro sua força. E tenho orgulho de tê-la como minha irmã. ― então ele suspirou, acrescentando: ― Já você, Edward, apenas mantenha-se na linha, ok? ― falou, arrancando algumas risadas. ― A vida às vezes se torna repleta de ironias e obstáculos, os quais por vezes são maiores que nós, que nos derrubam, que tiram pessoas de nossas vidas... Pessoas que sempre nos farão falta.

O peso de suas palavras me fez encarar os olhos verdes ao meu lado, que pareciam levemente incomodados e toquei a mão direita de Edward, apoiada sobre a mesa.

― Mas mesmo assim a vida segue, no mesmo ritmo. E nos resta apenas isso: uns aos outros. ― Emmett apontou ao redor, todos ali, então se voltou a mim. ― Obrigado por nos fazer perceber o que realmente importa, Isabella, e obrigado por unir nossa família. Desejo toda felicidade do mundo para todos aqui hoje, mas especialmente a vocês dois. Um brinde aos recém casados ― anunciou e todos ergueram suas taças.

David também fez seu breve discurso e brinde com lindas palavras, e a festa continuou, com muitos dançando e rindo, animados. Alice e meu irmão tomaram toda a atenção na pista de dança, Edward conversava com alguns convidados, junto de Carlisle, do outro lado da sala e Esme estava sentada ao meu lado, com Carmen, Diana, Grace e outras duas mulheres das quais eu não me lembrava os nomes.

― Então, onde será a lua de mel? ― Carmen perguntou.

― Edward não me contou, disse que é uma surpresa.

― Mas mal vão conseguir aproveitar, não é mesmo? ― uma das que eu não lembrava o nome falou.

― É, será uma viagem curta, Edward tem muitos compromissos sobre a empresa e trabalho.

― E já pensaram em aumentar a família? ― a outra sem nome quis saber e engoli em seco, ouvindo Esme responder por mim:

― Eles terão tempo para pensar sobre isso ― sua mão repousou sobre a minha.

― Agora não é o melhor momento para pensar sobre isso ― falei, de repente me sentindo mal.

― Bom, sei que Edward está passando por um período complicado, mas isso irá passar e no futuro vocês precisarão de um herdeiro.

― Pensaremos nisso no futuro ― falei, pedindo licença logo em seguida, levantando-me, tentando desviar educadamente de todos enquanto saía da sala onde acontecia a festa.

Cheguei ao hall de entrada vazio e saí da casa, sem ninguém notar, fechando a porta atrás de mim. Ali fora se tornou silencioso, a música agora soava baixa, abafada, e encostei-me na parede, sentindo o ar frio tocando meu rosto, conseguindo aos poucos respirar novamente. Ainda mantendo-me apoiada a parede ao meu lado, caminhei alguns passos em direção ao jardim, respirando profundamente, até que ouvi vozes vindas da garagem. Então segui a esquerda, aproximando-me da porta entreaberta, ouvindo melhor as vozes que pareciam se conterem para não soarem altas demais e reconheci a voz de Tanya.

― Você... Você não entenderia.

― É talvez eu não entenda. Não entendo porque continuo me esforçando todos os dias para não fazer as contas. Não quero contar os meses desde aquele dia em que nos encontramos em Dubai, porque... ― houve uma pausa e a voz soou mais dura ― Não quero acreditar que foi capaz disso, de esconder algo assim.

“Ah meu Deus” ― murmurei para mim mesma, cobrindo a boca com as mãos, percebendo o que eu tinha deixado passar.

Arrisquei-me olhar pela fresta da porta encostada e vi Emmett, de costas para onde eu estava, encarando Alexander que dormia no carrinho de bebê. Novamente notei os cabelos pretos, a pele levemente morena do menininho e as covinhas em suas bochechas... Ele me lembrava a alguém. Só não entendo como não percebi que esse alguém era Emmett.

― Não tenho nada a dizer, minha resposta ainda é não ― vi Tanya passar as mãos pelos seus cabelos loiros e afastei-me da porta, percebendo o que estava acontecendo.

Já tinha ouvido demais e já estava prestes a sair quando ouvi um nome:

― É por causa de Edward, não é? Eu nunca tive chance, sempre foi ele.

― Não! Nunca foi ele ― ela exclamou e pela sua voz parecia prestes a cair em lágrimas. ― Você não entende...

― Então me explica, por que, Tanya? Por que ele sempre foi sua primeira escolha?

― Porque nós éramos iguais! ― ela se conteve para não gritar ― Éramos farinha do mesmo saco, nos dois não prestávamos... Mas você... ― silêncio, ouvi Tanya soluçar e então ela continuou: ― Nós quase te matamos, eu quase te matei. Nunca me perdoei por isso... e sabe que ele também se culpa até hoje.

― Isso está no passado.

― Não! Não está. Se Alice não tivesse chegado naquele dia... Se não tivesse te encontrado... E nós estávamos ali do seu lado, mas tão... tão bêbados, tão drogados que não vimos o que estava acontecendo ― ela estava chorando e sua voz falhava. ― Eu não podia permitir que você seguisse o mesmo caminho que estávamos seguindo... Porque você era muito importante para mim e eu não podia arriscar te perder.

― Tanya...

― Era mais fácil escolhê-lo. Mas nunca foi ele, nunca! Apenas não podia admitir isso, você não podia ser minha escolha, porque... você merecia alguém melhor... Você merece alguém melhor, Emmett.

― Mas não quero alguém melhor, eu quero você com todos os seus defeitos, porque eu amo cada um deles.

― Mas eu não posso ― ela falou com a voz ainda embargada. ― Como isso daria certo?

― Por que não daria?

― Emmett, você se casaria comigo e largaria tudo que tem aqui para ir viver em Londres? ― indagou, porém ele não disse nada ― Você dirá que tudo bem, mas eu sei que não estará tudo bem, sei que não consegue viver longe de sua família.

― Não tem nada que te prenda a Londres. Por que não pode viver aqui comigo?

― E ser o seu empecilho, o motivo pelo qual não estará presente nas festas e jantares em família. Ou acha que irei participar disso? Participar dos jantares e sentar-me ao lado de Isabella... Eu, a mulher que quase se casou com o amor da vida dela. Ou me sentar ao lado de Alice que mal olha para mim, e não a culpo, ela tem todo o direito de não querer me olhar. Como posso fazer isso?

Uma lágrima escapou quando fechei os olhos por alguns segundos e naquele instante entendi a dor presente ali.

― Eu não posso fazer isso com Isabella e não posso ser o motivo que vai te afastar da sua famíli... ― ouvi ela soluçar mais uma vez. ― Eu sinto muito, mas sabe que tenho razão. Edward e Isabella precisam de paz, minha presença só irá piorar tudo...

Não houve mais palavras e afastei-me rapidamente, ao ouvir o som do salto alto de Tanya, voltando para dentro da casa e fechando a porta, apoiando-me alguns instantes na pequena mesa com um lindo arranjo de flores no hall de entrada. Porém, apressei-me quando ouvi passos do outro lado da porta de entrada e segui casa adentro, no entanto, para longe das duas grandes salas decoradas onde a festa acontecia, caminhando e passando pela primeira porta destrancada, encontrando-me na biblioteca de Carlisle. Pelo menos ali era silencioso.

Vi o carrinho de bebidas e servi-me de uma generosa dose de uísque, virando-a de uma vez, tossindo logo em seguida.

Aquilo era forte, mas naquele momento era tudo que eu precisava para pensar com clareza ou talvez, simplesmente, não pensar. Eu podia ser o motivo daquilo? O que tudo se tornou?

Deixei o copo ali e caminhei até a janela, abrindo o vidro, vendo o jardim de trás da casa e o sol se pondo ao longe. Respirei a leve brisa, fria de inverno, sentindo-me atordoada e puxei meu véu, que não era tão longo para se arrastar no chão, mas volumoso o bastante para cobrir meus ombros e fazer ceder a sensação fria em meus braços. Então ouvi a porta se abrir, deixando o som da música e de risadas entrar e em poucos segundos havia silêncio novamente, apenas alguns passos vindo em minha direção. Vi seu reflexo no vidro da janela pouco antes de suas mãos repousarem nas laterais de meus braços, tão gentilmente.

― Aconteceu alguma coisa? ― Edward perguntou e respirei fundo.

― Emmett é o pai de Alexander ― contei e seu silêncio me deixou ainda mais surpresa. ― Mas você já sabia disso ― falei, virando-me e encarando seus olhos verdes.

― Como ficou sabendo? ― perguntou e senti como se o ar tivesse sido empurrado para fora de meus pulmões por um soco.

― Como fiquei sabendo? ― indaguei, sem força na voz, batendo as mãos contra seu tórax sem pensar, vendo-o recuar um passo ― Posso te garantir que não foi pelo meu marido que me prometeu dizer a verdade ― falei um pouco mais alto e ele segurou minhas mãos sobre seu terno azul marinho.

― Eu não sabia ― Edward olhou no fundo de meus olhos. ― Apenas desconfiava, mas Tanya nunca disse nada sobre o pai de Alex e sempre se esquivava quando eu perguntava algo ― explicou e eu encarava minhas mãos presas nas suas, sem realmente vê-las, muitas coisas passando em minha cabeça. ― Hey, Isabella? Olha para mim ― pediu.

― Ela sempre estará presente ― falei.

― Mas nós não precisamos estar, diga-me para onde quer ir... Podemos morar em qualquer lugar do mundo. Só me diga o que te fará feliz e eu farei.

― Estou feliz aqui, com a nossa família ― tentei sorrir, vendo o jeito como ele me olhava e suspirei, meus dedos segurando a gola de seu paletó e aproximei-me, permitindo que minha mão deslizasse até o colete sobre sua camisa branca.

Aproximei-me mais um pouquinho e toquei meus lábios nos seus, beijando-o lentamente, sentindo uma de suas mãos em minha nuca, mantendo-me perto. Algo quente pareceu passar pelas veias sob minha pele enquanto minha boca se moldava a sua e arfei baixinho quando desviei, sem ar, sentindo ele fazer um caminho desde o canto da minha boca até meu pescoço, apoiando-me sobre seu peito, só então percebendo como meus dedos amassavam seu paletó e tentei acalmar minha respiração, enquanto sentia as batidas de seu coração e seus braços ao meu redor.

― Bebeu uísque? ― sua pergunta surpresa me fez rir.

― Um pouquinho ― respondi e ele pareceu compreensivo.

― Você é tudo de mais precioso em minha vida ― falou baixo, depois de um minuto de silêncio.

Afastei-me o bastante para poder olhá-lo e tocar seu rosto.

― Acho melhor voltarmos para festa, até porque você está me devendo uma dança ― ele lembrou e assenti, por um momento deixando todo o resto de lado, talvez porque no fundo eu já tinha tomado uma decisão.

Dançamos uma música lenta e vi todos sorrirem enquanto nos assistiam, mais tarde fui puxada novamente para a pista de dança pelo meu irmão, divertindo-me com uma música animada e quando percebi Emmett me guiava pela pista, fazendo-me rodar algumas vezes e a saia do meu vestido se movimentar ao meu redor, então a música acabou e eu o abracei.

― Obrigada por estar aqui ― falei, ouvindo outra balada começar e afastei-me, enquanto caminhávamos até uma das mesas no canto da sala, e ele puxou uma cadeira para mim, sentando-se ao meu lado.

― Por que não estaria?

― Bom, todo mundo tem... suas preocupações... ― falei e vi meu irmão junto de Alice se aproximando, sentando-se a nossa frente do outro lado da mesa redonda, e o que quer que Emmett fosse dizer deixou para outro momento.

― Gente é o seguinte: precisamos de um casamento todo ano. Eu amo organizar isso! ― a garota de vestido lilás informou sorrindo.

― É porque não foi você que carregou arranjos e mais arranjos de flores ― Emmett reclamou.

E de repente senti um toque em meu ombro quando Edward se aproximou, sentando-se na cadeira ao meu lado direito, colocando seu copo de uísque sobre a mesa e sorri inconscientemente quando sua mão cobriu as minhas apoiadas sobre a saia de meu vestido.

― Não que eu esteja reclamando, ― o rapaz moreno logo disse ― é que ela só fica com uma pranchetinha dando ordens... assim fica fácil ― explicou e acabei rindo ao ver que Alice nem dava importância ao que ele dizia, estava concentrada em uma das convidadas que eu não sabia o nome.

― Meu Deus, por que ninguém falou para ela que azul claro não a favorece.

― Ela já comentou a roupa de todo mundo... ― David falou entediado ― Precisa sempre tê-la como amiga ― avisou, fazendo Emmett rir.

― Ah para com isso, nem comecei a falar das plásticas. Reparou no nariz da Eleanor? ― perguntou baixo para o rapaz a minha esquerda ― Como ninguém falou que está muito estranho?! ― Alice estava indignada.

― Isso não é coisa que se diga... ― David tentou falar, mantendo um tom baixo.

― Mas, gente, está torto! ― exclamou e ninguém conseguiu se conter.

Todos nós rimos, até Edward que disfarçou bebendo um pouco do uísque, e vi Emmett balançar os ombros com sua risada, um pouquinho, escandalosa com os furinhos aparecendo em suas bochechas. E naquele instante com todos ali rindo reparei na única cadeira vazia, na mesa de seis lugares, entre Emmett e Alice. Então olhei mais além, do outro lado da pista, sentada em uma mesa, conversando animadamente com outras mulheres, a loira usando um vestido cor de vinho. Há algum tempo, em outra ocasião, perguntei-me se a cadeira vaga a mesa seria dela e agora voltava a fazer a mesma pergunta: aquele seria o lugar reservado de Tanya, como esposa de Emmett?

Por um momento me perdi no que eles conversavam, surpreendendo quando Edward me passou uma taça de champagne e percebi cada um com sua taça para um brinde.

― Um brinde a nós ― anunciou David. ― E que o futuro esteja repleto disso... De união.

― Sempre ― Alice completou e brindamos, juntando as taças, fazendo soar o tilintar do cristal.

A garota de cabelos pretos, deu um rápido gole da bebida e levantou-se estendendo a mão para mim.

― O buquê!! ― sua animação me fez rir ― Está na hora de jogar o buquê ― falou saltitando para o outro lado do salão, enquanto eu me levantava.

― Não erre a pontaria, se ela não pegar esse buquê, teremos um sério problema ― David avisou e rimos, já ouvindo a música diminuir e Alice pediu a atenção de todos.

As mulheres solteiras se amontoaram ao pé da escada e subi alguns degraus até onde Alice se encontrava.

― Mais um degrau ― ela falou e subi mais um. ― Ótimo ― sorriu, descendo para ficar entre as outras mulheres.

Olhei para todas, não eram muitas, talvez umas dez, e esperavam ansiosas o lindo buquê de flores, com alguns ramos de lavanda, em minhas mãos. Porém, estranhei ao ver que faltava alguém ali entre o grupo de convidadas e por um momento estive confusa.

― Prontas? ― perguntei alto, tentando sorrir e ouvi um sonoro “sim” ― No três! ― avisei.

Virei de costas, segurando o buquê, em frente ao meu corpo, olhando as sete peônias que o montavam. Então contei alto: ― Um...

Veio-me à mente o brinde de David sobre união e então o que Emmett disse, desejando toda felicidade do mundo para todos que estavam presentes. Porque todos precisam ser felizes...

― Dois... ― falei e respirei fundo, virando-me e encarando todas as convidadas ― Desculpem-me, mas esse buquê já tem dona ― contei, descendo os degraus e passando por entre elas. ― Sinto muito, garotas.

Alice pareceu confusa e incrédula quando passei por ela e não lhe entrei o buquê. Segui, atravessando a pista de dança e vendo todos me olhando curiosamente, enquanto caminhava por entre as mesas e aproximava-me da mulher de cabelos loiros, sentada no canto com um carrinho de bebê ao seu lado, uma expressão aturdida formando em seu rosto quando parei a menos de um metro de distância dela e ofereci-lhe o buquê em minhas mãos.

Ela se levantou, ainda confusa, sorrindo para as pessoas ao redor que a olhavam agora e, Tanya, mesmo hesitante, pegou o buquê, olhando-me a procura de uma resposta.

― Veja isso como o meu jeito de dizer que você será muito bem-vinda a nossa família ― informei e suas sobrancelhas se arquearam rapidamente com sua surpresa.

Sorri, aproximando-me alguns passos para abraçá-la e ouvi algumas palmas para a ganhadora do buquê.

― Todos merecem viver uma história de amor ― eu falei baixo enquanto a abraçava.

― Obrigada ― agradeceu, quando me afastei, e vi seus olhos claros marejados. ― Muito obrigada.

Eu fiquei feliz com a alegria da Tanya naquele momento, principalmente quando vi o menininho se mexendo no carrinho ali perto, mas parte dessa felicidade acabou quando me virei e vi que Alice já não estava mais ali na festa.

A música continuou e o som de conversas animadas voltou a dominar, mas a expressão de meu irmão não era nada animada quando ele me encontrou próximo ao arco de flores na entrada da sala.

― Eu falei para não errar a pontaria... Agora, temos um problema ― falou, parecendo preocupado.

― Aonde ela foi?

― Foi em direção a cozinha, deve estar no jardim.

Apenas assenti, passando sob o arco de rosas e seguindo para a cozinha. Passei pelos garçons, e pelo chef, o qual cumprimentei rapidamente, antes de sair pela porta dos fundos, chegando ao jardim todo iluminado. Então eu a vi sentada no banco mais à frente e aproximei-me, apenas me sentando ao seu lado, permitindo que o silêncio continuasse, até que ela o quebrou.

― Por que isso? O que ela tem? Não consigo entender porque todo mundo simplesmente...

― Não é por ela, Alice ― interrompi-a e vi sua expressão indagadora. ― O buquê não foi por ela, foi pelo Alexander.

― Porque ele é filho do Emmett ― falou e então foi minha vez de olhá-la confusa. ― E pela sua expressão eu estou certa.

Suspirei ao perceber que tinha caído no seu blefe e balancei a cabeça continuando:

― Porque ele é apenas uma criança, que não tem culpa de nada.

― Eu sabia que um dia ela engravidaria de um dos dois, mas Edward sempre foi mais esperto e sei que ele nunca gostou dela o bastante para permitir que isso acontecesse. Já Emmett, sempre foi cego por ela, completamente apaixonado. Era apenas uma questão de tempo...

Pensei nas palavras que ela usou e em tudo. Alguns instantes se passaram e ouvi Alice suspirar, para então me olhar.

― Eu e Tanya já fomos muito próximas, e tem razão, no fundo eu gosto dela... É que... Há muitos anos, ela me prometeu que ficaria longe dele...

― Sabe o que Emmett disse sobre não sermos os mesmos de antes? ― perguntei e ela assentiu ― Então, não somos os mesmos, amadurecemos, e a Tanya também. Ela não cometerá os mesmos erros de antes e por isso, talvez, você devesse considerar dar a ela uma nova chance ― falei o que deveria falar, o que era adequado ao momento e Alice sabia disso.

Não que aquilo que se passava em meu coração fosse muito diferente, mas não queria ver Emmett se afastando de nós e sabia que seria algo inevitável de acontecer caso continuássemos a dificultar tudo.

― Acho que é o jeito. ― Alice aceitou, levantando-se ― Mas isso é um problema para outro dia. Hoje apenas vamos aproveitar para dançar, brindar e no final da festa roubar uma garrafa de tequila.

― Então, vamos! ― levantei-me e ela me abraçou, por um instante, muito emotiva.

― É a primeira festa em que todos estão aqui, que você está aqui por completo ― Alice se afastou e sorriu.

― Precisamos comemorar isso.

― Vou pedir margaritas ― anunciou e seu sorriso aumentou, enquanto voltávamos para festa, determinadas a curtir cada música e cada coquetel.

~*~

Acordei aos poucos, cobrindo o rosto por causa da claridade que passava pela cortina e fazia minha cabeça latejar. Ouvi o vento passando pela janela, mal fechada, e aquele som sibilante que me fazia querer sumir dali. Esforcei-me para sentar, sentindo-me meio zonza e minha cabeça pesada, quando olhei ao redor, percebendo que estava no quanto onde tinha me arrumado para o casamento...

O casamento!

Então vi minhas mãos sobre o fino tecido bordado do vestido de noiva que eu ainda vestia e a aliança em meu dedo. Levei as mãos a minha cabeça, notando meu cabelo soltou e encontrando meu véu deixado sobre a poltrona na parede oposta a cama. Massageei meus tornozelos e alonguei meus pés doloridos, antes de me levantar e seguir para o banho, ficando algum tempo sob a ducha, sentindo um pouco de náusea. Logo depois peguei um vestido e um cardigan, vestindo-os, notando que lá fora estava frio, mas dentro da casa o aquecedor deixava o ambiente agradável. Sequei meus cabelos e calcei um par de sapatilhas confortáveis, saindo do quarto, cobrindo os olhos já que o corredor parecia estar mais iluminado, o que fazia com que meus olhos e cabeça doessem, piorando meu enjôo. Desci as escadas devagar, percebendo que quase tudo na sala já tinha sido organizado e então ouvi vozes animadas, que me fizeram seguir para o corredor, ouvindo risadas e reconhecendo principalmente uma delas. Parei na entrada da biblioteca, vendo Edward, sentado no pequeno sofá, e Emmett, acomodado em uma das poltronas, ambos rindo de algo e quando aqueles olhos verdes me notaram ali, tornaram-se carinhosos e seu sorriso se tornou ainda mais lindo quando ele estendeu a mão para mim.

― Acordou, Bela Adormecida! ― Emmett anunciou, e sua voz causou uma fincada em minha cabeça, enquanto eu caminhava até eles.

― Pode falar mais baixo? ― pedi, segurando a mão de Edward, ouvindo o rapaz moreno rir, e sentei-me no lugar vago no sofá.

― A ressaca é difícil, né? ― revirei os olhos para sua pergunta retórica, o que o fez rir mais.

― Minha cabeça dói muito ― murmurei e vi Edward se levantar, caminhando até o carrinho de bebidas onde pegou um copo limpo.

Quando ele voltou a sentar ao meu lado é que notei a pequena jarra na mesa ao lado do sofá, com a bebida verde que eles tomavam. Edward colocou um pouco no copo e ofereceu-me.

― O que é isso?

― Não queira saber ― Emmett se apressou em responder.

― Vai te fazer sentir melhor ― Edward falou baixo quando peguei o copo. ― E irá melhorar o enjôo.

Bebi um gole do liquido gelado e um pouco doce, e vi a expressão divertida de Emmett.

― Não é tão ruim.

― Fez perder a graça... ― ele reclamou e acabei sorrindo.

Bebi mais um pouco, esperando que fizesse efeito logo, pelo menos em relação ao meu estômago.

― Estava esperando você acordar, queria falar com vocês.

Olhei para Emmett e notei, agora, que ele estava sério, talvez até um pouco envergonhado.

― Sei que hoje não é o dia para discutir certas coisas, então apenas queria agradecer por ter entregado o buquê à Tanya, ontem. Aquilo significou muito ― falou, olhando para mim e percebi o quanto ele ainda estava preocupado.

― Emmett, tudo bem ― eu o interrompi. ― Disse ontem, que ela seria muito bem vinda a nossa família e fui sincera.

Olhei para Edward, ao meu lado, mas ele parecia um pouco distraído, apenas concordando.

― E espero que ela escolha ficar ― falei por fim, sorrindo.

― Obrigado, Isabella ― Emmett agradeceu e pareceu puxar Edward para a conversa.

― Você sabe o que eu acho sobre isso ― o homem de olhos verdes gesticulou para o relógio em seu pulso. ― Já perdeu muito tempo e está perdendo mais tempo ficando aqui.

― Tem razão. Tem toda razão! ― falou pegando a carteira e levantando-se.

― Aqui ― Edward, pegou no bolso duas chaves de carro, jogando para ele aquela com chaveiro cor de rosa. ― O carro da Alice é o primeiro na saída da garagem, ela não vai se importar.

― Boa sorte ― falei, vendo ele sorrir antes de sair.

Então antes que eu pudesse dizer algo Edward se pronunciou, já se levantando.

― Vem, vamos pegar um remédio para sua enxaqueca e depois tomar um café, o que acha de umas panquecas ― estendeu sua mão para mim.

― Panquecas ― aquilo fez meu enjoo piorar e também me levantei, segurando seus dedos.

― Vai se sentir melhor se comer alguma coisa, meu amor ― falou, guiando-me para fora da sala. ― E ainda temos uma viagem pela frente...

O buffet tinha preparado uma linda mesa de café da manhã e encontramos Esme e Carlisle já sentados aproveitando as tortas e bolos, que provavelmente estavam muito apetitosas para quem não estava de ressaca. Quando Alice apareceu, com o cabelo amassado e o tom escuro em volta dos olhos por causa do rímel borrado, até David, que àquela hora já estava á mesa, se assustou.

― Não quero ver tequila na minha frente, nunca mais ― ela informou com a voz rouca, e vi todos conterem a risada.

― Até que horas vocês ficaram bebendo? ― Esme quis saber.

― Não bebemos muito, ficamos jogando conversa fora, até umas cinco da manhã, eu acho... Sei que todos os convidados já tinham ido embora ― David contou.

― Que horas são, agora? ― Alice perguntou.

― Quase meio-dia ― Carlisle respondeu.

― E por que estamos tomando café?

― Prefere almoço?

― Não, não quero nem café ― reclamou desanimada, e alguns riram. ― Por que você parece estar tão bem? ― sua pergunta foi para Edward ao meu lado.

― Resistência.

― Ou talvez porque passou a noite toda com o mesmo copo de uísque, praticamente ― meu irmão informou rindo. ― Emmett deve estar melhor ainda, só bebeu água ontem.

― Alguém precisava ficar sóbrio ― Edward comentou, bebendo um pouco de café. ― E não podia beber muito porque vou dirigir hoje.

― Resumindo, só as duas passaram dos limites ― David concluiu.

Notas finais
Quem aí já desconfiava que Alexander era filho do Emmett?? Gostaria muito de saber o que acharam, sei que nesse capítulo não teve muita evolução no relacionamento de Bella e Edward, mas no próximo eles irão conversar, explicar algumas coisas... Enfim, deixe seu comentário e o próximo capítulo virá mais rápido ;D Beijinhos Até mais