Notas iniciais
Nesse capítulo há uma pequena volta no tempo, relembrando algumas cenas dos nossos personagens e também entro na reta final de Nunca Te Esquecerei. Dessa vez realmente estamos nos aproximando do fim da fanfic. Espero que gostem ;D P.S.: Não posso dizer que o capítulo saiu exatamente como eu queria, mas não quero demorar muito para postar, então deixarei ele assim mesmo.

Edward's POV

― Não está me dando uma segunda opção ― falei inquieto.

― Porque não há uma segunda opção Edward. Era para ter diminuído ou pelo menos barrado o crescimento com a quimioterapia, mas... Não sei como ela não está com dor.

― Ela está com dor, mas não fala.

― Ou operamos Isabella ou a pressão intracraniana irá subir e temo que não possamos salvá-la.

― Quanto tempo?

― Edward, não tenho como dizer...

― Quanto tempo até o pior acontecer? ― indaguei interrompendo-o.

― Olha, vê isso? ― ele perguntou, apontando para a imagem da ressonância magnética, e assenti vendo uma minúscula manchinha branca, do lado oposto ao tumor bem visível ― Precisamos de mais exames, mas é quase certeza que é outro tumor se formando. Se realmente for, em menos de duas semanas ele dobrará de tamanho.

Meu chão sumiu, simplesmente sumiu, estava sem rumo. Suspirei, passei as mãos no rosto e tentei, realmente tentei, mas não conseguia pensar, não conseguia raciocinar.

― Seja sincero Dr. Besson, quais são as chances de Isabella? ― Carlisle falou pela primeira vez.

― Estou fazendo tudo que está ao meu alcance. Há novos tratamentos, no entanto assim como vocês também não quero que ela sofra.

― Ela aguentaria uma cirurgia? ― perguntei, quando finalmente consegui montar uma frase.

― Isabella perdeu sangue, está fraca e na ultima cirurgia teve uma parada cardíaca, lembro que foi difícil trazê-la de volta... Mas é um risco que temos que correr.

― Uma rua sem saída ― Carlisle murmurou.

― Não, em uma rua sem saída podemos dar a volta e voltar por onde viemos, mas nem isso podemos fazer ― falei, tentando aceitar tudo isso.

Um silêncio se formou e passei as mãos no cabelo, tentando deixá-lo para trás e de repente me lembrei do que Isabella me disse hoje de manhã.

― Ela precisa ir para casa ― falei.

― A cirurgia precisa acontecer o quanto antes...

― Precisamos nos despedir ― Carlisle disse encarando a realidade e ouvir aquilo me fez finalmente ver que não dava para fingir que tudo ficaria bem. ― Só um dia, amanhã a noite ela estará aqui.

― Um dia ― Alec concordou.

― Já podemos vê-la? ― Carlisle perguntou.

Saímos do consultório e encontramos Alice, Emmett e minha mãe, todos ansiosos por uma notícia.

― Ela já está no quarto e podemos entrar ― ouvi a voz sem vida de um pai que estava prestes a perder a filha e todos notaram que não tínhamos boas notícias.

― Eu preciso de um tempo... ― falei ― Diga a ela que eu... ― não sabia o que dizer.

― Eu digo ― ele falou compreensivo ― pode deixar.

― Obrigado ― agradeci e caminhei para a saída, completamente perdido em mim mesmo.

Isabella's POV

Meus olhos pesavam, já meu corpo parecia adormecido, como se flutuasse sobre a água. Vi a enfermeira entrar em meu quarto pela terceira vez, mas nada disse, estava tão cansada para pensar em algo para falar.

Não demorou muito para Carlisle entrar no quarto, todo preocupado, acompanhado de Alice, Esme e Emmett.

― Como está se sentindo?

― Estou bem ― respondi com a voz rouca.

― Agora realmente somos irmãos de sangue ― Emmett brincou e sorri.

― É, fiquei sabendo ― concordei. ―Obri...

― Não agradeça, não fiz nada de mais ― afirmou.

― Irmãos de sangue ― Alice fez uma careta.

― Ciumenta ― Emmett murmurou e acabei rindo.

― Isabella precisa descansar ― Esme falou ― Venham.

Antes de sair senti os dedos de Esme tocado minha mão com carinho e então ela levou as duas crianças que me disputavam.

― Edward está aqui no hospital? ― perguntei.

― Tivemos uma conversa com Alec.

― Já imagino como foi.

― Isabella... ― Carlisle começou, sentando-se na cadeira ao lado da minha cama.

― Não quero saber, por favor ― pedi e ele fechou os olhos, como se não conseguisse suportar aquilo.

― Obrigada por tudo que fez por mim, ― agradeci e ele olhou em meus olhos ― não tinha a obrigação de fazer o que fez.

― É claro que tinha, você é minha filha, minha obrigação é sempre estar aqui para te dar apoio, para cuidar de você ― ele explicou e aproximou-se depositando um beijo em minha testa, mas segurei sua camisa antes que se afastasse, não queria que ele ficasse longe. ― Estou aqui ― sussurrou, sentando-se ao meu lado nada cama e o abracei com todas minhas forças.

...

Acordei já passavam das dez da noite e Carlisle não estava mais ali. Suspirei, massageando minha testa e sentindo como se minha cabeça fosse explodir. Apertei o botão ao lado da cama, chamando a enfermeira, a qual rapidamente me trouxe o copo D'água que pedi. Suspirei notando como o quarto era grande e vazio, e de depende lembrei-me do sonho que tive na noite passada. Passei as mãos em meus braços, sentindo minha pele se arrepiar e lembrei-me de Edward. Não era justo fazê-lo viver essa doença comigo. Ouvi alguém bater na porta, que se abriu e vi o algodão doce cor de rosa em um palito e Edward que mantinha o lindo sorriso.

― Espero que ainda esteja com vontade, foi difícil achar ― falou e sorri.

Ele se aproximou e sentou-se ao lado da minha cama. Peguei o algodão doce e abri, pegando um pedaço da nuvem de açúcar e deixando que derretesse em minha boca. Foi quando notei os olhos avermelhados de Edward e toquei seu rosto, sabia que o sorriso era uma máscara muito bem construída, assim como o muro que ele ergueu para esconder seus sentimentos logo após a morte de sua irmã.

― O que vai fazer? ― perguntei.

― Agora? Vou te levar para casa ― disse pegando uma mochila que havia trazido. ― Trouxe algumas roupas.

― Não. O que vai fazer daqui a um ano, Edward? ― repeti a pergunta, mas sabia que havia entendido perfeitamente e ele desviou seus olhos dos meus, encarando suas mãos que seguravam a minha. ― Meu maior medo é não ter a certeza de que ficará bem― confessei.

― Como acha que eu vou ficar? ― sua pergunta soou baixa e a resposta pairou no ar sob nossas cabeças e seus olhos prenderam os meus.

Foi então que notei as lágrimas que ele tentava conter e vi ele apertar os olhos com o dedo indicador e o polegar da mão esquerda, cobrindo parcialmente seu rosto. Ouvi-o suspirar, sua dor era evidente quando ele sussurrou praticamente sem voz:

― Não posso te perder.

― Edward ― toquei sua mão, tirando-a de seu rosto e vi sua máscara cair.

Seus olhos vermelhos derramavam as lágrimas que levavam com elas todo seu autocontrole. Edward passou as mãos no rosto, secando-o, mas as lágrimas não paravam, ele levou seu cabelo para trás, puxando-o com uma força um pouco exagerada e puxei seu queixo para que olhasse para mim. Pela primeira vez ele deixara o muro cair. Sua dor, a solidão, o vazio que sua irmã deixou, a responsabilidade...

― Não posso, eu não consigo. Você é minha vida Isabella, minha vida.

― Você é minha vida Edward, eu fui apenas um capítulo na sua ― falei e ele cobriu o rosto com as mãos e deixei meus dedos entrarem em seus cabelos. ― Você ficará bem ― afirmei e ele me olhou quando sequei as últimas lágrimas que caíram de seus olhos verdes como esmeraldas.

...

Edward me ajudou a sair do carro e me carregou para dentro da nossa casa. Subiu as escadas e notei que não tinha nenhum caco de vidro ou sangue no lugar onde havia caído, com certeza já tinham limpado. Mas minha surpresa veio quando entramos no quarto e vi todos móveis afastados da maior parede.

― O que aconteceu?

― Eu lembrei que você disse que o quarto estava sem cor então... ― ele me colocou em uma poltrona ao lado da parede e pegou o galão de tinta ― se não estiver muito cansada...

― Sério? ― perguntei rindo.

― Tudo bem se não quiser...

― Eu quero, é claro. Que cor comprou?

― Fiquei na dúvida, então trouxe verde ― falou, abrindo a grande lata.

― A cor dos seus olhos ―murmurei e ele sorriu. ― Então vamos começar.

Ele colocou um apoio para minha perna, onde tinha os pontos do pequeno corte que fiz, pequeno, mas me fez perder bastante sangue, e me entregou o pincel, já ele pegou o rolo, deslizando-o na parede, o que era bem mais rápido.

― Tudo bem? ― perguntou e sorri.

― Tudo ― respondi, passando a cor cheia de vida na parede que antes era de um branco apagado. ― Hey Edward! ― chamei-o, que estava ao meu lado e ele me olhou bem no momento que passei o dedo pelas cerdas do pincel, fazendo a tinta espirrar em seu rosto e não contive a gargalhada.

― Ah, sua pestinha ― falou rindo e me pegando no colo. ― Olha só o que eu posso fazer ― falou enquanto eu ria e me encostou na tinta ainda fresca na parede.

― Não! Seu bobo ― falei rindo e ouvi a sua risada, que soava como musica aos meus ouvidos.

Acomodei-me na cama de um dos vários quartos de hospedes da casa, já que achamos melhor dormir em outro lugar por causa do cheiro da tinta, e ajeitei o travesseiro em minhas costas, olhando o relógio que já marcavam quase duas da manhã e vi Edward entrar no quarto carregando uma bandeja.

― Chá, torradas, pãezinhos... ― falou e sorri, pegando uma das canecas de chá.

Ele se sentou ao meu lado na cama e admirei seus cabelos molhados do nosso recente banho juntos e aquilo me fez voltar no tempo, quando sem querer tivemos que tomar um belo banho de chuva enquanto corríamos pela floresta perdidos.

― Qual o motivo desse sorriso? ― perguntou e só então percebi que sorria como uma boba.

― Estava me lembrando de algo.

― Do que?

― Lembra de quando nos perdemos na floresta?

― No acampamento do colégio, como poderia esquecer? ― indagou com aquele sorriso torto nos lábios ― Foi lá que eu te beijei pela primeira vez.

― Você lembra... ― murmurei surpresa enquanto pegava uma torrada.

― Temos que combinar algumas coisas. ― ele disse e eu entendi tudo.

― Pode deixar. Não vou contar a ninguém que fui eu que achei o caminho de volta, que fui eu que salvei a gente. ― falei rindo, provocando-o. É lógico que iria falar que eu salvei a gente.

― Que ótimo. Assim eu também não falo para ninguém que você me agarrou no meio da noite. ― ele disse com um sorrisinho nos lábios.

― Eu não te agarrei...

― Não, claro que não. — ele disse rindo e começou a andar. Fiquei parada sem acreditar naquilo. Então ele parou e se virou.

― É brincadeira.

― Idiota! ― empurrei-o novamente, só que dessa vez coloquei toda minha força e sem querer acabei tropeçando, caindo sobre ele. — Ah!

Nossos rostos ficaram tão juntos, nossos lábios ficaram bem próximos. Então sem que eu pudesse reagir ele me beijou. Seus lábios colaram-se nos meus de uma forma delicada e até um pouco protetora. Empurrei-o e me afastei rapidamente me levantando. Ele se levantou logo em seguida.

― Me desculpe, não sei o que me deu. ― falou e eu não respondi nada. Simplesmente continuei andando.” (Capítulo 11 – Amigos)

― Sabe do que me lembro? ― perguntou.

― De como você me enchia de perguntas inconvenientes? ― lembrei.

― Era um jeito de fazer você se abrir, eu ainda não sabia ser...

― Cuidadoso, atencioso... gentil! Essa é a palavra.

― Tinha meus motivos.

― Também tinha meus motivos para me manter afastada.

― Afastada? Você não só se afastava, mas também fuzilava qualquer um que se aproximasse ― brincou. – Nossa como foi difícil conseguir me aproximar de você. Foi muito difícil, quase me fez implorar por sua amizade ― falou indignado e ri alto enquanto voltava no tempo bebendo um pouco do chá.

― Então Isabella... ― ele falou, mudando de assunto ― Por que você se afasta de todos? ― surpreendi-me com sua pergunta. Esperava que perguntasse qualquer coisa menos isso.

― Hum... ― não sabia o que responder ― As pessoas são más.

― Mas não é por isso que precisa se afastar de todos. Tem que enfrentar, mostrar que você é mais malvada do que eles. Só para colocar medo ― ele falou e rimos.

― É uma boa ideia.

― Você pensou melhor sobre ser minha amiga?

― Por que quer isso?

― É sempre bom ter amigos.

― O que acha de colegas?

― Por que não amigos? ― ele disse sorrindo.

Porque não confio em você.

― Então vamos fazer um acordo. Me dá essa semana, que estaremos no acampamento, para eu mostrar que mereço sua confiança. ― ele falou e pensei em como dizer "não". Mas não achei um jeito.

― Ok! ― acabei cedendo.

― Sério?

Sério ― falei e ele sorriu.” (Capítulo 7 – Viagem)

― Acho que éramos, ou melhor, somos dois adolescentes com grandes problemas de relacionamento ― falei.

― Eu era um grande idiota, nossa... ― falou tampando o rosto e sorri.

― A vida é feita de escolhas, suas escolhas te levaram até mim. Talvez se tivesse feito uma coisinha diferente...

― Não a teria encontrado, caída na pista de gelo, inconsciente. (Capítulo 3 –Notícias)

― Se não tivesse caído talvez eu ainda não soubesse da minha doença, mas eu escolhi patinar bem naquele dia, escolhi tentar mais do que conseguia, por isso caí ― lembrei-me de como forcei meu corpo, causei isso, mas o tumor estaria lá de qualquer forma, com o tombo ou sem ele. ― Foi nesse dia que aconteceu o acidente com seu pai, não foi? ― indaguei e Edward assentiu, permanecendo em silêncio.

― Lembro do dia em que fomos ao shopping, era uma maneira de tentar fazer você se socializar ― falou sorrindo. ― Alice te fez provar várias roupas, mas lembro de um vestido branco que provou... (Capítulo 6 – Surpresa)

― E você ficou me olhando de boca aberta – falei fazendo-o rir.

Então me recordei do porque ficamos perdidos naquela floresta, lembrando que havia mentido para Edward sobre o que encontramos lá.

― Você se lembra porque nos perdemos na floresta n acampamento?

― Eu vi uma flor e te fiz sair do caminho para vê-la, então perdemos os outros, já que a trilha tinha várias bifurcações. (Capítulo 9 — Perdidos)

― Você entrou um lírio dourado.

― É... – ele parecia pensativo – você disse algo sobre ele dar sorte.

― Na verdade, há uma história e ela não fala de sorte. Dizem que o casal que encontrar o lírio dourado são predestinados um ao outro, não só nessa vida, mas em todas que vier pela frente, são verdadeiras almas gêmeas.

― Por que não me disse isso?

― Como queria que eu dissesse? ― indaguei ― Mal te conhecia e falaria que você querendo ou não nós ficaríamos juntos, nessa ou em outra vida? E é só uma história... uma lenda.

― Eu acho que parece verdadeira ― afirmou e sorri.

― Você realmente mudou muito ― murmurei. ― Mal se passou um ano e parece que já vivemos uma vida inteira juntos.

― Eu aprendi muito nesse tempo.

― Sabe quem mudou também? ― indaguei ― Alice!

― Tenho que concordar, acho que finalmente ela está mais “normal” ― disse rindo e lembrei-me de quando Edward fez Alice sair do carro.

“Faltavam duas quadras para chegar à escola, quando Edward parou o carro.

― Acho que tem algo no pneu. Alice vai lá ver?

― Claro ― respondeu já saindo do carro e ele acelerou. — Edward!!! ― ouvi o grito dela.” (Capítulo 7 – Viagem)

Nossas risadas preencheram o quarto enquanto nos lembrávamos de tudo que Alice já havia aprontado. Admirei os cabelos ainda úmidos de Edward, enquanto ele retirava a bandeja de sobre a cama e vi as marcas em seu rosto, as quais o faziam parecer quase cinco anos mais velho. Sabia que ele havia sofrido muito ao meu lado e as vezes me perguntava se por algum momento se arrependeu de sua decisão, mas tinha medo de perguntar, ou melhor, medo de sua resposta. Porém outra questão me veio à mente.

― O que te fez mudar de ideia? ― perguntei ― Você ficou tão... nervoso quando te contei sobre minha doença, e estava com toda a razão. Mas o que te fez voltar a atrás?

― Em primeiro lugar, eu não estava certo, não agi certo. Nunca devia ter brigado com você por causa disso. Você não me contou porque teve medo e hoje consigo entender ― afirmou, seus olhos prendendo os meus. ― Mas, confesso que tive uma ajuda para conseguir perceber o quanto estava errado.

― Quem te ajudou?

― Você não vai acreditar ― ele falou sorrindo. ― Jacob. Lembra dele?

― Como esquecer a pequena “brincadeira” dele com os alto falantes do colégio. Não gosto nem de lembrar. (Capítulo 13 – A Vingança de Jacob)

― Enfim, ele me disse algo que me fez olhar a situação com uma perspectiva completamente oposta ao que eu estava vendo.

― O que ele disse?

― Ele me perguntou quantas Isabellas eu achava que existia no mundo. E disse que se eu realmente te amasse deveria me desculpar, implorar... fazer o que fosse preciso, mas não podia deixá-la escapar. (Capitulo 22 — Eu te amo Isabella Swan)

― Não posso esquecer-me de um dia agradecer a ele ― murmurei, aproximando-me de Edward que me recebeu em seus braços.

Encostei minha cabeça em seu peito e senti seu perfume. Então meus olhos de repente ficaram pesados e senti a mão de Edward deslizar por minhas costas.

“Ele me ensinou a preparar a massa da pizza, falando os ingredientes e olhou-me sorrindo assim que estava pronto.

― Agora vem a melhor parte ― informou.

― Girar a massa no ar? ― perguntei e Edward riu.

― Exatamente.

Acho que nunca ri tanto na minha vida, eu definitivamente não levava jeito para fazer pizza. Mas enfim, depois de voar muita farinha colocamos as fatias de calabresa sobre a massa, levando ao forno.” (Capítulo 41 – Eu Te Amo, Meu Anjo)

Sorri com a lembrança, a qual me fez recordar de outro momento lá na ilha, na minha ilha.

― Edward, em nossa lua de mel você me disse algo que até hoje me pergunto se realmente falou sério.

― O que eu disse?

― Você disse que não precisava “acontecer” nada naquele momento e nem nunca. (Capítulo 41 – Eu Te Amo, Meu Anjo)

― Por que duvida disso? ― indagou.

― Se nada tivesse acontecido, nosso casamento estaria do mesmo jeito que está hoje?

― Eu creio que sim.

― Sabe algo que nunca irei esquecer? ― falei.

― O que, meu anjo?

― Simplicidade é ter todas as flores do mundo e querer apenas uma rosa... ― falei e sorri.

― ...é poder ter todas as mulheres mas amar e desejar apenas uma ― ele completou e seus braços me apertaram delicadamente.

Alice’s POV

― Como ela está? ― Carlisle perguntou assim que Edward abriu a porta para nós.

― Bem, eu acho ― ele respondeu e entramos na grande casa acolhedora.

Isabella estava feliz e isso fez com que eu também ficasse, seu sorriso nos acalmava. No enquanto, sabia que ela tinha total consciência disso, então me perguntei se aquele sorriso realmente era sincero.

Sentamos todos a mesa para um almoço em família e percebi que Emmett fazia de tudo para disfarçar o clima estranho que pairava no ar. Ele fazia brincadeiras, contava histórias, mas só ele e Isabella pareciam se entender.

― Que sérios ― ela murmurou assim que eu e Esme recolhemos os pratos.

― Até parece que alguém morreu ― Emmett brincou e ela riu, realmente riu daquilo. ― Então, Isabella, como é saber que pode estar vivendo suas últimas horas? ― ele indagou e todos o encararam incrédulos.

― Sabe, acho que ninguém pensa nisso. Principalmente nos momentos de alegria, nunca agradecemos por eles e nunca pensamos que podemos perdê-los. Então passar por isso, só me fez viver cada momento como se fossem únicos, na verdade eles são, mas geralmente só percebemos isso tarde demais. Não me arrependo de nada, pois cada escolha me trouxe até aqui, e não há lugar melhor que aqui ― ouvi cada palavra, enquanto tentava entender sua expressão calma, alegre e acima de tudo tranquila. ― Não precisam ter medo de falar sobre o câncer, sei que há grande chance de a cirurgia não dar certo e sei que se preocupam, mas se for a minha hora partirei feliz.

― Não é sua hora, ainda tem muito para viver ― Edward falou, mas ninguém ousou ter a mesma esperança.

Então aos poucos tudo foi esquecido e de repente parecia que estávamos em um sonho onde nada podia dar errado.

― Não vai mesmo voltar para Milão, Alice? ― Isabella perguntou enquanto Edward e Carlisle mantinham uma conversa sobre finanças.

― De jeito nenhum ― Esme respondeu por mim e ela sorriu.

― Já eu, irei trabalhar com Edward, vou fazer advocacia ― Emmett falou todo cheio de si.

― Isso é maravilhoso ― Isabella exclamou, segurando no braço dele, que estava sentado ao seu lado. ― Vocês devem permanecer juntos, sempre juntos ― afirmou encostando a cabeça do ombro de Emmett, que passou o braço ao redor dela, acomodando-a.

―Bom, de qualquer forma, independente do lugar, serei uma grande estilista ― falei sorrindo. ― Minhas roupas serão as mais cobiçadas pelas mulheres.

― É bom sonhar, né Alice? – Emmett falou irônico.

― Algum problema? ― indaguei e ele riu, foi quando vi os olhos de Isabella se fecharem lentamente.

― Isa ― Emmett a chamou.

― Tudo bem? ― Carlisle perguntou já um pouco assustado.

― Só estou cansada ― ela respondeu baixo.

― Quer se deitar um pouco? ― Edward parecia preocupado e Isabella assentiu ― Vem, vou te levar.

― Não ― ela disse enquanto se levantava com a ajuda do rapaz musculoso, no qual ela estava encostada ― Emmett me leva até o quarto, não leva?

― Claro ― ele respondeu, passando o braço ao redor da fina cintura de Isabella, caminhando com ela casa adentro e dali foi possível ouvir a risada dela sobre algum comentário de Emmett.

Edward voltou a sentar e um silêncio reinou, todos apreensivos, preocupados, com medo. Mas Isabella estava certa, tudo isso nos trouxe até aqui, nos fez aprender o que não aprendemos dez anos atrás.

― Também não me arrependo de nada ― falei, chamando a atenção de todos. ― Deus escreve certo por linhas tortas. E se Emmett tivesse escolhido não esvaziar a piscina da faculdade, se ele não tivesse sido expulso. E se eu não tivesse entrado em uma briga... Talvez Isabella estivesse sozinha ao cair. E mesmo se a levassem para o hospital, quem doaria sangue para ela, de todos nós só Emmett é compatível.

― Realmente, Deus escreve certo por linhas tortas ― Carlisle concordou.

― O câncer não é um castigo para Isabella, e sim para nós ― Emmett anunciou ao entrar na copa.

― Como ela está? ― Esme perguntou preocupada.

― Bem ― ele pareceu distante, pensativo.

― O que quer dizer com o castigo ser para vocês? ― Carlisle quis entender.

― Vimos a morte de perto, quando ainda éramos crianças ― falei.

― E mesmo assim nenhum de nós dávamos valor à vida ― Emmett explicou. ― Principalmente Edward.

― E Jane morreu em seus braços, ― olhei naqueles olhos verdes que logo desviaram, encarando o chão ― você mais que todos devia saber a importância do momento, a importância de nunca deixar nada para depois... de viver o presente. Mas não aprendemos e precisamos de uma segunda chance para aprender. Hoje eu sei como a vida passa em um piscar de olhos e como devemos aproveitar cada segundo.

Isabella’s POV

Acordei aos poucos e sorri ao ver Carlisle encostado no batente da porta.

― Não acha que está na hora de acordar dorminhoca ― ele falou, aproximando-se e sentando-se ao meu lado na cama.

― Esta na hora? ― perguntei e ele assentiu, puxando-me para seus braços ― Por mais que eu tente não consigo me preocupar com você, algo me diz que ficará bem.

― A dor e a saudade sempre estarão aqui.

― Mas conseguirá seguir em frente e sei que agora poderá viver os anos que não pode viver por estava preso a Renée. Preso a ela por minha causa.

― Nunca te abandonaria ― ele afirmou e abracei-o mais forte.

É impossível se conformar com a morte, talvez seja por isso que chegamos a esse mundo sem saber quando partiremos, pois parece nunca haver tempo o suficiente para se despedir, parece que sempre é pouco. E o que mais doí é saber que os deixarei, sem saber o que vai acontecer, como vão lidar com tudo isso.

Vejo-me envolvida em um grande mistério, não sei o que vai acontecer comigo, não sei para onde vou, mas por algum motivo não tenho medo, a tranquilidade e a confiança se apossaram de mim. Percebi que lidamos com a morte todos os dias, mas a vida continua, nada para pelo simples fato de alguém da sua família ter morrido, ninguém se preocupa com isso, o mundo continua girando, as pessoas continuam em sua rotina.

A vida é como flutuar sobre a água, as vezes ela se agita, formando ondas, como se tentasse te afundar, mas nos mantemos ali, flutuando. Até o momento em que algo te puxa para baixo, para fundo.

― Como se sente? ― Edward perguntou.

― Eu não sei, ― respondi ― no momento posso sentir tudo, menos medo. Por incrível que pareça, eu não sinto medo.

― Tudo passará rápido e logo estará acordando.

― Talvez tenha razão.

― Eu sempre tenho ― ele afirmou, fazendo-me rir e foi nesse momento que o anestesista entrou no quarto.

Edward havia pedido para que eu pudesse dormir antes de começar a ser preparada para cirurgia, isso era bom, assim não veria quando me levassem para o centro cirúrgico.

― Vocês têm alguns minutos até começar a fazer efeito ― falou a mulher sorridente, de aparência meiga.

― Obrigado ― o rapaz ao meu lado falou baixo e vi-a sair.

O silêncio reinou por alguns segundos e fui eu quem teve a coragem de quebra-lo.

― Algum dia se arrependeu, mesmo que por uma fração de segundo, de ter escolhido isso, cuidar de mim? ― perguntei ― Seja sincero.

― Isabella, se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo do mesmo jeito, sem mudar nenhum detalhe ― afirmou.

― Podia estar em qualquer lugar...

― Mas não estaria tão feliz como estou aqui ao seu lado, mesmo que seja nesse hospital.

― Posso te pedir uma coisa? Um último pedido? ― indaguei olhando em seus olhos, sentindo a anestesia começar a fazer efeito.

― Já disse que você pode me pedir até a lua e darei um jeito de trazê-la para você ― falou e sorri.

― É algo mais fácil ― informei, já sentindo minhas pálpebras pesarem.

― É só pedir.

― Me chama de “Bella” ― pedi e vi o momento em que ele apertou os lábios, contendo o desespero.

― Bella... ― Edward estava sem fala quando se aproximou, beijando minha mão, seus olhos cheios d’agua.

― Diz que eu sou sua Bella.

― Você é e sempre será minha Bella ― murmurou. ― Eu te amo, não faz ideia do quanto eu te amo ― falou e apoiou sua cabeça em meu ombro.

― Eu também te amo ― sussurrei e seus lábios roçaram nos meus, antes que eu fosse tomada pelo sono profundo.

Notas finais
Por favor, não custa nada deixar um review falando o que achou, o que espera do fim da fanfic, se você chorou lendo esse capitulo... enfim, aguardo seus comentários ;D Adicionem a fic aos seus favoritos e quem quiser pode recomendar a história. Beijoss e até mais.