Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
53 David Martinet - Bônus
Notas iniciais
No dia seguinte
Edward’s POV
As horas passavam, mas a esperança continuava ali viva. Enquanto permanecíamos apreensivos, aguardando respostas, resolvi fazer algo que Bella me pediu e acabei deixando de lado. Eu tinha contatos, podia dar um jeito de achar a irmã do tal David e era isso que eu faria.
Estacionei o carro em frente ao café que Isabella costumava ir e entrei no pequeno estabelecimento vazio a essa hora, sentando-me em uma das mesas. Quando vi o rapaz, que devia ter a minha idade, se aproximar para anotar meu pedido.
― David Martinet? ― indaguei e ele assentiu confuso ― Sou marido da Isabella, ela esteve aqui algumas vezes.
― Lembro sim, você é Edward Masen? ― falou surpreso.
― É um prazer finalmente conhecê-lo ― disse estendendo a mão e ele me cumprimentou. ― Poderíamos conversar?
― Claro ― respondeu, puxando uma cadeira e sentando-se.
― Tudo bem com Isabella?
― Sim, tudo bem ―respondi. ―Ela me disse que você está procurando sua irmã, desculpe ter demorado tanto...
― Que isso... ― ele falou rindo ― Ela comentou sobre seu sócio que adotou uma criança e teve o processo acelerado, pois tem uma parente que é assistente social ou algo do tipo.
― Exatamente e já conversei com ela, mas preciso de algum documento, dos seus pais, ou algo sobre sua irmã.
― Tenho alguns papeis de quando eles a deram para a adoção e uma foto, mas ela tinha só alguns meses, praticamente recém nascida.
― Mas já é alguma coisa. E se tiver o nome do abrigo onde ela foi deixada, onde vocês moravam... Toda a informação que tiver.
―Ok, vou juntar tudo isso.
― Ótimo ― falei ― Quando estiver com tudo em mãos poderia levar ao meu escritório?
― Claro ― afirmou, pegando meu cartão que eu estendia a ele. ― Muito obrigado ― ele agradeceu e me levantei. ― Isabella sumiu, diga a ela para aparecer mais por aqui.
― Ela... ― procurei rápido por uma desculpa ― está viajando, mas chegará em breve ― menti, era ela que devia decidir se ele saberia ou não sobre a doença.
As horas se passaram e um novo dia amanheceu, sem que eu tivesse conseguido fechar os olhos e logo de manhã David apareceu com os papeis. Passei as informações a Veronica antes de sair do escritório, indo para o hospital. Caminhei pelo corredor silencioso e por um momento algo me incomodou, um medo repentino.
― Como ela está? ― perguntei assim que entrei no quarto, encontrando Alec.
― Estável, ― respondeu ―mais tarde faremos alguns exames ― informou e assenti.
Tudo ficaria bem, tinha que ficar.
Passei a tarde toda ali com Isabella, esperando que ela acordasse, mas nada aconteceu. Eu a admirava, cada detalhe de seu rosto tão perfeito e aquilo só fazia com que a ansiedade me corroesse por dentro. Sentei-me no sofá ali no quarto e peguei uma das revistas sobre saúde que tinha ali. Já passavam das seis da tarde quando recebi um telefonema de Veronica.
― E então? ― indaguei.
― Foi fácil, tenho uma amiga que trabalha nesse abrigo em Detroit e ela conseguiu acessar o banco de dados, mas só conseguiu o sobrenome do casal que adotou a criança ― ela informou.
― Já seria uma enorme ajuda.
― O sobrenome é Leos ― falou e peguei a caneta próxima ao prontuário de Isabella, anotando em uma das paginas da revista. ― acho que é muito provável que eles morem ali mesmo em Detroit.
― Muito obrigado Veronica.
― Sempre que precisar é só ligar ― ela disse e me despedi antes de desligar o celular e encarar o nome ali escrito.
Aproximei-me de Isabella e depositei um beijo em sua testa, antes de sair dali e pedir para Emily localizar pessoas com o sobrenome Leos em Detroit. Não demorou muito para receber um e-mail com uma lista de cinco famílias, junto com o nome da rua onde cada uma se localizava.
David se animou com as informações e disse que não esperaria mais um dia, ele iria até Detroit, checar família por família, até achar sua irmã e fiquei feliz em saber que pude ajudar. Foi quando reparei em algo, uma falha de cabelo, próxima a sua orelha direita.
― Muito obrigada, não sei como agradecer ― falou.
― Não precisa ― afirmei. ― Eu tenho que ir, mas me mantem informado ― pedi e ele assentiu sorrindo.
Saí do café ainda pensando na falha no cabelo de David, aquilo não devia ter chamado minha atenção, se não fosse pelo fato de Isabella ter uma pequena falha de cabelo, no mesmo lugar. Lembro de ter reparado assim que nos conhecemos, mas... nunca teve importância.
― Seria apenas coincidência? ― perguntei a mim mesmo.
“O nome dele é David e o engraçado é que quando nos vimos era como se já nos conhecêssemos há muito tempo.” Lembrei-me do que Isabella disse alguns dias atrás.
Liguei para Carlisle enquanto dirigia, perguntando se ele tinha algum documento da adoção de Isabella:
―Por que? ― ele indagou.
― É que preciso para uns documentos ― sabia que Carlisle não acreditaria nessa desculpa, mas ele deixou passar.
― Tenho a cópia de alguns papeis, vou enviar por e-mail.
― Isso seria ótimo ― afirmei, estacionando o carro na garagem de casa. ― Obrigado Carlisle.
Saí do caro e entrei em casa, procurando por qualquer coisa ligada a infância de Isabella, ela devia guardar alguma coisa, uma foto, uma pulseira... tinha que haver algo. Procurei no fundo dos armários do nosso closet, mas foi quando abri a última gaveta, e mexi nas roupas ali guardadas, que achei uma pequena caixa. Procurava por algum documento, mas por algum motivo acho que aquilo era exatamente o que eu procurava.
Sentei-me na cama e apoiei a antiga caixa sobre a colcha bordada que combinava com toda a decoração do quarto. Notei as rachaduras na tampa e a cor escura já desbotada, antes de abrir e ver as várias fotos, onde a garotinha, de cabelos castanhos avermelhados e olhos tristes, parecia ser forçada a aparecer. A mulher morena com traços que lembravam a Renée devia ser a mãe de Isabella, porém o que mais me chamou a atenção foram as fotos com um homem. Ele aparentava ter por volta de uns trinta e cinco anos talvez, e suas mãos seguravam Isabella de forma bruta em várias fotos e era claro o pedido de socorro nos olhinhos castanhos da garotinha triste.
― Por que guarda essas fotos Isabella? ― perguntei baixo, tentando entender aquilo enquanto procurava por mais alguma informação.
Foi quando achei um bilhete, sob as fotos, endereçada ao Papai do Céu e desdobrei a folha, vendo a letra de uma criança:
Papai do Céu
Eu tenho muitos pedidos, mas dizem que o senhor só realiza um, então aqui está: eu quero uma família. Que tenha brigas, risadas, mas que estejam sempre unidos, ao redor de uma mesa, em uma ceia de Natal.
É só o que eu peço, mas por favor que seja o quanto antes, porque não quero mais viver com ele, por favor.
Isabella
A lágrima caiu na folha e passei a mão no rosto, sentindo a aflição dela quando escreveu aquilo e vi a data no canto da página, calculando que Isabella devia ter uns oito anos quando fez aquele pedido.
― Meu Deus ―murmurei e ouvi o toque do meu celular, avisando a chegada de um e-mail.
Abri-o, vendo os documentos da adoção de Isabella e procurei pelos nomes dos pais adotivos, achando logo no final da página.
Mark Leos e Cristine Swan Leos
― Isso é impossível ― falei, então me lembrei de achar engraçado o fato da irmã de David e Isabella fazerem aniversário no mesmo dia.
~*~
Já fazia quatro dias que Isabella dormia e isso estava começa a preocupar os médicos. Não só eles. Todos estavam com medo. Por sorte conseguia ocupar minha mente com outra coisa, como o resultado do teste de DNA nas mãos de David, que estava sentado na poltrona da recepção do hospital. Sentei-me na cadeira a sua frente e esperei até que ele tivesse coragem para abrir o envelope.
― Positivo ― informou depois de um longo tempo em silencio e de repente vi toda a história mudar completamente. ― Meu Deus, eu estive frente a frente com ela, contei minha história e era ela...
― Irônico, não? ― indaguei.
― Onde ela está? Preciso vê-la ― falou e percebi que teria que contar tudo.
Como imaginei David não conseguiu associar tudo e sumiu por dias, enquanto isso me mantinha concentrado na recuperação de Isabella, o que parecia não estar acontecendo. Já era para ela ter acordado, mas nada acontecia e percebi que Alec estava escondendo algo e que Carlisle sabia exatamente o que ele escondia.
Duas semanas depois entrei no quanto de Isabella e encontrei o rapaz, só agora percebendo como ele tinha traços parecidos com os dela, vendo-o deixar um pequeno buquê de rosas brancas sobre a mesinha ao lado da cama.
― Ela esteve tão sozinha quanto eu estive ― falou.
― Não está mais, ― afirmei ― saiba que agora você tem uma nova família.
― Quero muito conhecê-la.
~*~
Um mês depois
Alice’s POV
Eu ouvia, mas não compreendia. Como assim?
― Isso não pode estar acontecendo ― Emmett murmurou.
― Meu Deus... ― o sussurro de David ecoou na sala.
― E agora? ― meu primo indagou.
― Edward... ― falei ― Ele já sabe Carlisle?
― Já ― respondeu o homem loiro, que continuava a encarar o chão.
A sala foi tomada por um silêncio, mas ele não era desconfortável, ao contrário... parecia que ele preenchia todas as lacunas vazias. Vi suspenso no ar as partículas de poeira, que refletiam com a luz do fraco sol que atravessava o vidro das grandes janelas e senti a esperança ali, ainda viva. Ainda há possibilidades, as chances não haviam se esgotado, não pode ser assim. Não pode.
― Ainda não a perdemos ― afirmei.
― Alice... ― Carlisle balançou a cabeça, como quem já não tinha mais esperança.
Respirei fundo, tentando assimilar tudo, mas algo não encaixava. Eu não podia mais imaginar nossa família sem ela.
Levantei-me caminhando pela sala, ouvindo o som do salto de meu sapato, contra o piso ecoando por toda sala. Parei perto da mesinha próxima a uma das janelas, vendo o vaso com rosas cor-de-rosa, as preferidas de Isabella, e sem que eu percebesse o peguei nas mãos e no minuto seguinte o lindo vaso estava espatifado do outro lado da sala.
― Não!! ― gritei e senti alguém me segurar, enquanto as lágrimas finalmente caiam.
― Alice ― ouvi a voz de David, que me dava apoio para continuar em pé e abracei-o, escondendo o rosto na curva de seu pescoço, enquanto chorava aquelas lágrimas que estava adiando há dias ― está tudo bem ― ele sussurrou.
― Não... ― murmurei e apenas fechei os olhos e desejei, pedi, implorei para que tudo aquilo fosse um pesadelo, porém nada aconteceu.
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