Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
56 Estamos bem
Notas iniciais
Alice’s POV
Mais um dia chegara ao fim e acho que todos nós estávamos cansados. Vi Emmett tirar a gravata que parecia incomodá-lo e encostar-se na parede, olhando para seus sapatos perfeitamente lustrados.
― Então é isso? ― David indagou, sentando ao meu lado no sofá. ― É assim que acaba?
― Não há nada que possamos fazer ― falei.
― Na verdade... Acho que devíamos comemorar ― Emmett disse e saiu da sala.
― Comemorar o quê? ― perguntei alto para que ele pudesse me ouvir. ― O que há de bom em tudo o tem acontecido?
― Ora Alice, vamos ser honestos, os últimos cinco anos foram ruins,... mas também foram bons ― ele gritou de volta e vi-o voltar a sala com uma garrafa de tequila e três copinhos de vidro.
― Vamos comemorar as coisas ruins que ficaram para trás e as coisas boas que aconteceram e ainda irão acontecer ― o rapaz ao meu lado propôs.
― Exatamente ― meu primo concordou e serviu os três shots.
― Isso é loucura.
― Vamos Alice ― ele insistiu e pegou um dos copinhos. ― A Isabella que superou um coma e acordou ― exclamou.
― Mas ela perdeu a memória ― murmurei, antes de virar a pequena dose de tequila.
― Um brinde a isso, pois sei que um dia ela irá se lembrar ― Emmett voltou a falar e bebemos mais uma.
― Um brinde a Edward que seguiu em frente.
Logo vi os três copinhos novamente cheios e sorri.
― É difícil admitir, mas sim, foram os melhores anos da minha vida, não queria dizer isso, mas é a verdade ― falei baixo. ― Eu finalmente abri minha loja, tenho minha própria linha de roupas... ― sorri.
― É por isso que devemos comemorar ― David afirmou e bebemos.
― Mais um brinde a mim e ao David que pintamos aquela loja e fizemos um ótimo trabalho.
― Não fizeram mais que a obrigação ― brinquei e Emmett me mostrou a língua antes de virar seu copo.
― Não podemos esquecer de brindar a ajuda que Edward me deu para abrir meu restaurante ― David disse com uma expressão alegre.
― Meu chefe de cozinha, que só recebe elogio dos críticos ― destaquei rindo e aproximei-me, tocando seus lábios com os meus rapidamente, sentindo o álcool começar a fazer efeito.
― Nesses cinco anos vocês assumiram o namoro, algo que eu achei que nunca iria acontecer... alguém conseguir suporta a Alice, você está de parabéns ― Emmett disse erguendo o copinho e dedicando-o a David.
― Falando em assumir relacionamento...
― Esme e Carlisle ― meu primo não me deixou terminar. ― Quem diria! Eles se casaram! ― exclamou incrédulo ― Um brinde.
― Pelas fotos parece que o casamento foi muito divertido ― David informou depois de virarmos mais uma dose e caímos na risada.
Bebemos tanto naquele dia que nenhum de nós nos lembrávamos de como havia sido o casamento, mas é compreensivo... Foi a primeira festa que fomos depois que Isabella entrou em coma e já faziam quase dois anos, acho que todos nós merecíamos nos divertir.
― Deve ter sido muito legal ― Emmett disse pensativo e acabamos rindo. ― Ah, eu me formei! ― ele exclamou depois de um momento de silêncio.
― Comprou ― falei e tossi disfarçando.
― Comprando ou não, o importante é que tenho um diploma ― ele se defendeu e ri.
― E é um dos melhores advogados de Nova Iorque ― David lembrou.
― Não sei como conseguiu todo esse reconhecimento ― revirei os olhos e bebemos novamente.
Saber que Isabella perdeu tudo isso, fazia o dor em meu peito aumentar. Tinha que haver uma solução, ela não podia ficar assim para sempre. Então vi os dois rapazes, conversando animados e de repente entendi a bagunça que devia estar a cabeça de Isabella, mas cheguei a conclusão de que saber não adiantaria de nada, então apenas tomei mais uma dose de tequila.
― Sabe, eu perdi minha irmã assim que a achei, mas ganhei uma família. Obrigado por terem me recebido, eu não tinha mais ninguém. Um brinde a vocês ― David confessou e erguemos os copinhos, antes de bebermos.
― Apesar de tudo, ao relembrar esses anos... Acho que finalmente estamos bem ― falei e sorri ― E espero que tudo continue assim.
― Um brinde a isso ― o rapaz ao meu lado exclamou.
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Edward’s POV
Afastei a cortina do quarto de hóspedes da casa de Tanya e vi os primeiros raios de sol iluminar a intrigante Londres, no entanto era mais acolhedora do que pensei que seria.
― Mil oitocentos e setenta e nove dias ― murmurei, lembrando-me de onde parei a conta... de quando ela acordou e respirei fundo, sentindo meus pulmões doerem ao se encherem de ar e expirei lentamente. ― Nada mais justo do que recomeçar: primeiro dia de uma nova vida.
Começava a me conformar com a ideia de que nunca mais veria seu sorriso e ouviria seu “bom dia” quando acordasse, no entanto compensava saber que talvez, no momento, ela estivesse feliz, sabendo que estou longe. Não é um bom pensamento para iniciar minha nova jornada, mas era o suficiente para me fazer querer continuar. Saber que ao fazer isso a faria feliz. No entanto, balancei a cabeça, percebendo a ainda me preocupava com ela.
Já passava das quatro da tarde quando deixei as sacolas de roupas novas no quarto e sentei-me ao lado de Tanya no sofá
― Cansado?
― Nem imagina.
― Então descanse um pouco, pois teremos uma longa noite hoje ― avisou.
― Não sei se aguento. Chega uma hora que a idade começa a pesar.
― Sabe, com vinte dois, ainda...
― Vinte seis ― eu a corrigi.
― Vinte seis, só se for o seu passado ― respondeu rapidamente e acabei rindo ― Enfim, como eu estava dizendo, ainda sinto como se tivesse dezoito.
― Tanya você é dois anos mais velha que eu, e só se estiver muito errado, mas tenho quase certeza que não tenho vinte anos.
― Ninguém precisa saber disso ― ela sussurrou e ri alto.
― Então, e aquela história com seu pai ― falei.
― Preciso arrumar um emprego. Mas olha minha cara de quem vai fazer isso.
― Prefere ser tirada do testamento.
― Como se ele fosse morrer amanhã... meu pai está mais saudável do que eu, tenho tempo para fazê-lo se arrepender disso ― informou e balancei a cabeça não acreditando em suas palavras. ― O que?! ― indagou e riu.
― Você não mudou nada ― afirmei baixo e sorri.
Eram quase meia noite quando ela me convenceu a sair um pouco e quando percebi já entrávamos no salão escuro, onde luzes piscavam no ritmo da música eletrônica. Nos sentamos no bar e Tanya pediu uma margarita, já eu uma dose de uísque.
― Pare de levar a vida tão a sério ― ela falou alto perto de meu ouvido, para que eu conseguisse ouvi-la em meio a música e apenas assenti.
Tanya não desistiu até conseguir me levar até a pista, em meio a multidão e pela primeira vez em muito tempo me permiti ver a vida como um parque de diversão novamente, deixando todos os pensamentos de lado. Por que viver como se não houvesse o amanhã? Eu tenho o amanhã e o depois. Por quanto tempo estive no limite, pronto para fechar os olhos e não voltar a abri-los, pensando que a qualquer momento ela partiria, mas agora isso não existe mais. Sou jovem, tenho muito o que viver e eu viveria, sempre deixando algo para fazer no dia seguinte, sem temer o futuro.
Cinco horas da manhã e eu tirava Tanya do carro, carregando-a para dentro da casa. Sorrindo quando sua mão deslizou para dentro de minha camisa.
― O que pensa que está fazendo? ― perguntei, colocando-a no chão ao perceber que ela estava muito bem acordada e fechei a porta.
― Sei lá, me divertindo... ― disse rindo e se aproximou, abraçando-me. ― Que bom que está aqui, ― murmurou ― era horrível ficar sozinha nessa casa.
― Você precisa dormir ― avisei e ela sorriu ao se afastar.
― Bom dia e bom sonhos ― falou antes caminhar para seu quarto.
Desabotoei minha camisa no caminho para o quarto de hospedes, tirando meus sapatos para então deixar que meu corpo caísse na cama, cansado. E de repente, ali no escuro, todos aqueles pensamentos e memórias que me atormentavam invadiram minha mente, mas fechei os olhos, tentando dormir.
“Vi a garotinha se debater ali, deitada no sofá ao meu lado e minha mãe a acordou.
― Meu amor, foi só um pesadelo ― ela falou, mas a menina de olhos verdes, idênticos aos meus, continuava a dizer que não voltaria dormir. ― Precisa descansar, ainda não está bem.
Jane passara o dia inteiro com febre e agora que tinha conseguido dormir um pouco, os pesadelos a fizeram ficar com medo.
― Não quero dormir ― ela murmurou.
― Mas...
― E se eu tocar para você? ― indaguei, interrompendo nossa mãe. ― Sabia que é comprovado que a música afasta os sonhos ruins ― falei, abaixando-me ao seu lado.
Ela me olhou em duvida, seus olhos verdes me analisando.
― Prometo que tocarei a noite inteira, para você não ter pesadelos ― afirmei e vi seu sorriso.
Levantei-me e caminhei até o piano na sala ao lado, sentando-me em frente as teclas e logo comecei a dedilhar uma suave melodia. Não sei por quanto tempo toquei, mas logo senti a mão de minha mãe sobre meu ombro e parei, olhando-a.
― Filho, ela já dormiu.
― Falei serio quando disse que tocaria a noite inteira para ela ― informei e voltei minha atenção para o piano.
As horas passaram e continuei ali, tocando a doce melodia, já sentindo meus dedos doerem, foi quando vi os primeiros raios de sol invadirem a sala.”
Acordei lentamente com a claridade que entrava no quarto e levantei-me, fechando as cortinas, para então cair novamente na cama, enquanto tentava entender porque sonhei com aquele dia que toquei piano a noite inteira para Jane. Foi quando o sono me deixou sozinho ali, com tudo que me atormentava.
Estiquei o braço e peguei minha carteira caída no chão, procurando pelo papel já um pouco amassado, sorrindo ao ver as palavras escritas ali. A única coisa que sobre da minha Bella. Diferente da última vez, não doeu ver aquilo, era apenas algo que fazia parte do meu passado e que era bom lembrar.
Eu sei o que sente agora, acredite ou não, já senti isso antes. Sei como é não saber o que fazer, ficar perdido na própria vida, por muito anos vivi assim, mas você me ajudou a levantar e caminhar novamente, você me estendeu a mão. Então agora peço que deixe alguém fazer isso por você... ― li um trecho, percebendo que realmente tinha feito isso, deixei que alguém me ajudasse.
Fiz exatamente aquilo que ela queria, pois sempre fazia isso... Isabella sabia desse efeito que tinha sobre mim. Mas só permitia isso porque queria vê-la feliz, mesmo se não fosse ao meu lado.
Mas já chega. Precisava cumprir a promessa que fiz a Alice, eu iria me colocar em primeiro lugar, acima de qualquer coisa.
Então suspirei antes de rasgar o papel e amassá-lo, logo depois tirando o colar de meu pescoço, onde as duas alianças estavam penduradas. Levantei-me, jogando aquilo no fundo de uma das gavetas, fechando-a, colocando um ponto final nisso tudo. E finalmente o tempo começou a passar, sem se arrastar, sem sofrimento, sem dor.
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Meses depois
Vi mais uma vez Tanya caminhar pela casa completamente nua e balancei a cabeça. Já havia perdido a conta de quantas vezes ela tinha feito isso no último mês.
― Já pensou em ser modelo de revista masculina? ― indaguei, passando os canais da televisão, arrumando as almofadas e deitando-me no sofá.
― Engraçadinho.
― Não pode vestir alguma coisa?
― Não, me sinto bem assim ― falou ― Está incomodado? ― perguntou, parando ao meu lado no sofá para pegar seus brincos sobre a mesinha de centro.
― Incomodado? ― indaguei e peguei em sua cintura, puxando-a, fazendo com que ela caísse ao meu lado no sofá.
Inconscientemente deixei minha mão deslizar pela lateral do seu corpo, até seu joelho, puxando sua perna.
― Ora, ora, alguém deixou de ser o puritano que ficava todo envergonhado só de me ver de lingerie ― falou e me dei conta do que tinha feito. ― Alguém está voltando a ser o meu Edward Cullen ― ela murmurou e sorri, afastando a mecha loira de seu cabelo, que cobria parcialmente seu rosto.
Aproximei-me, sentindo sua respiração cada vez mais perto e ela sorriu.
― Acho que está na hora de fazermos a tatuagem ― informou e me afastei percebendo o que estava fazendo, então vi ela se levantar.
― Tatuagem? ― indaguei ― Pensei que você tinha esquecido essa história.
― Vai sonhando ― falou rindo ― Vou me arrumar, vamos almoçar em um restaurante e depois você vai fazer uma tatuagem, querendo ou não ― avisou e acabei rindo, enquanto ela caminhava para seu quarto
Permaneci ali por algum tempo, encarando o teto da sala, sabendo que tinha acabado de dar um passo decisivo em minha nova vida e Tanya havia percebido.
― Cento e vinte e sete ― murmurei, lembrando de minha contagem.
Levantei-me e tomei um banho, vestindo-me e tentando arrumar meu cabelo, mas desisti, apenas encarando meu reflexo no espelho. Eu já havia engordado sete quilos e tinha feito muita diferença, mas ainda precisava de muitas horas de academia para voltar a como eu era antes. Os músculos voltavam a aparecer, porém não estava nem perto de como queria ficar, mas sabia que o tempo cuidaria disso.
― Ainda não sei o que quero tatuar ― avisei, entrando no quarto de Tanya, vendo-a já pronta, terminando a maquiagem.
― Eu disse para você pensar em algo...
― Não é tão fácil, vai ficar na minha pele para sempre.
― Nossa Edward! Que drama ― ela falou e ri alto, deitando em sua cama, já arrumada. ― Há jeitos de apagar, caso você se arrependa.
― Eu sei.
― Então, se arrisque ― ouvi seu conselho e conclui que ela tinha razão.
― Tanya, quer jantar comigo? ― perguntei de repente e vendo-a me encarar sem entender.
― Assim como jantamos todos os dias juntos.
― Não ― respondi. ― Um jantar, em um restaurante... um jantar...
― Romântico? ― ela falou quando não consegui achar a palavra e pensei por um segundo, me perguntando se era aquela palavra que procurava, mas por que não?
― É, um encontro, oficial ― informei ― Já que nunca tivemos um.
― Nunca tivemos um? ― indagou.
― Acho que não.
― Ok, será divertido... um encontro ― ela riu.
― Amanhã?
― Ótimo ― concordou. ― Agora vamos.
...
Entramos no ambiente aconchegante Clos Maggiore e Tanya sorriu encantada com as flores que decoravam o teto do lugar.
― Sempre quis vir aqui, mas nunca tive com quem vir ― ela falou assim que nos sentamos.
― Bom, podemos vir quando quiser ― afirmei vendo seu sorriso e analisando a mecha de cabelo loiro que caia de seu coque, tocando a alça do seu vestido. ― Você fica linda de vermelho ― falei, notando o brilho de seus olhos e peguei o cardápio.
― Obrigada ― ouvi sua voz baixa, ela levantou a sobrancelha e sorri enquanto lia o menu.
― Isso é sério? ― indagou.
― O que?
― Vamos flertar...
― Não estou flertando, não posso te elogiar?
― Edward, eu te conheço! ― exclamou e acabei rindo.
― Quer me levar para cama, é só falar.
― Por favor Tanya ― pedi e ela revirou os olhos. ― Aliás, se eu quisesse te levar para a cama, já teria levado... não precisaria disso tudo ― informei, fazendo-a rir.
Fizemos nossos pedidos e logo garçom trouxe os pratos. O tempo passou tão rápido... Tanya tinha esse dom. O dom de me fazer esquecer de tudo.
Era minha chance de ser feliz.
Percebi que eu fitava seu rosto, vendo o momento em que ela levou a taça a boca e por um segundo desejando sentir o gosto do vinho em seus lábios.
― Tudo bem? ― perguntou, quando passei a mão no rosto, puxando meus cabelos para trás.
― Tudo ― afirmei e senti sua mão parar meus dedos que tamborilavam, inquietos, na mesa.
― Edward, ― ela me chamou baixinho e olhei em seus olhos ― não precisa se sentir culpado, tudo bem sentir atração... desejo. Não está traindo ninguém.
― É, não estou ― murmurei pensativo.
― Sabe o que isso me lembrou? ― indagou sorrindo e encarei seus olhos, esperando a resposta ― A sua primeira vez ― sussurrou e fechei os olhos rindo.
― Ok, vamos mudar de assunto.
Chagamos em casa já passava das dez horas da noite e Tanya tirou os sapatos de salto alto assim que passou pela porta. Sorri vendo-a sentar no sofá e esticar as pernas.
― Estão doendo? ― perguntei, apontando para seus pés.
― Um pouco.
― Por que será? ― indaguei irônico.
― Nem começa. Eu não abro mão do meu salto alto.
― Tudo bem ― falei e peguei em seus tornozelos, sentando-me no sofá e colocando suas pernas sobre meu colo.
Massageei lentamente seus pés, subindo aos poucos, passando por seus tornozelos e massageando suas pernas, aproximando-me dos seus joelhos e meus olhos encontraram os seus, que me encaravam pedido algo.
― Tanya...
― Vou trocar de roupa ― ela me interrompeu, já se levantando.
― Espera ― pedi, segurando em sua mão.
― Isso não vai dar certo ― afirmou.
― Como pode ter tanta certaza? ― disse antes de me levantar e puxá-la, tomando seus lábios para mim.
Senti o toque na sua língua em minha boca e senti a excitação assim que suas unhas passaram por meu tórax, empurrando minha camisa pelos meus braços até que ela caísse no chão.
― Vem ― Tanya segurou minha mão e guiou-me até seu quarto, beijando-me antes de me empurrar na cama e deixar seu vestido deslizar por seu corpo, caindo sobre seus pés, ficando apenas com a lingerie vermelha, para então ficar sobre mim.
Ela desabotoou minha calça e fechei os olhos quando sua boca deslizou por meu membro já completamente duro, mas logo a puxei, nos virando e tomando o controle.
― Não... esqueça... ― ela falou entre gemidos ― a camisinha.
― Onde está? ― afastei-me, vendo-a apontar para o criado mudo ao lado da cama.
Estiquei o braço e abri a gaveta, não encontrando apenas as camisinhas, mas também outra coisa.
― Espere ― falei, pegando o pacotinho de plástico contendo um pó branco. ― Isso é o que eu acho que é?
― É só para eu me divertir de vez em quando ― informou, beijando meu pescoço.
― Sério?
― Que foi?! ― indagou, encarando-me.
― Por que não se divertir agora? ― perguntei e ela sorriu maliciosamente.
― Ainda sabe como cheirar cocaína?
― Está me ofendendo ― falei fazendo-a rir alto, enquanto pegava em seus joelhos e puxava seu corpo para mim.
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A vida é feita de vários grandes amores, só precisa se permitir a deixar um e encontrar outro.
Eu havia encontrado há muito tempo um grande amor e agora estava tendo a oportunidade de vivê-lo e nada podia ser melhor que isso.
― Seiscentos e quarenta e dois ― murmurei e sorri ao ver a loira, completamente nua, ao meu lado.
Levantei-me tomando cuidado para não acordá-la e segui para o banheiro, tomando um banho e vestindo uma roupa confortável. Peguei meu celular e sai do quarto, vendo as duas ligações perdidas às quatro da manhã.
Olhei o relógio e então disquei o número, ouvindo chamar.
― Finalmente ― Alice atendeu ― Liguei duas vezes.
― Você sabe qual é o significado de fuso horário?
― Nossa, esqueci completamente ― falou e acabei rindo. ― Queria lembra-lo que meu aniversário é daqui a um mês e meio e você prometeu que viria. Dois anos, lembra?
― Claro que lembro e vou cumprir minha promessa.
― Quero me surpreender quando te ver depois de todo esse tempo hein!
― Não crie muitas expectativas ― falei sorrindo e ela permaneceu em silêncio por alguns instantes e balancei a cabeça arrependido de minhas palavras.
― Como você está? ― a preocupação era evidente em sua voz.
― Muito bem, na próxima semana eu e Tanya iremos a Noruega e...
― E? ― indagou, quando parei de falar.
― É que... Alice, acho que vou pedir Tanya em casamento nessa viagem.
― O que?! Não pode fazer isso.
― Por que não? ― perguntei sem entender e ela se calou, mas havia algo ali, como se ela quisesse dizer algo, porém acabou mudando de ideia. ― Nunca estive tão bem ― confessei e ouvi ela suspirar do outro lado da linha.
― É a sua felicidade, não a minha. Sempre irei te apoiar ― disse com uma voz calma. ― Bom, mas mudando de assunto, liguei para chama-lo para passar uma semana em família. Meu aniversário será no domingo, poderia vir no domingo antes. Pensamos em ficar na casa de praia. ― ela explicou ― E quando digo família, estou incluindo Bella.
Aquele nome me soou estranho, depois de tanto tempo sem pronunciá-lo... sem ouvi-lo. Porém era só um nome, não sentia nada e isso me preocupou.
― Se estiver tudo bem para ela ― avisei ― Digo, não quero que ela fique desconfortável.
― Já conversei com Isabella.
― Então para mim tudo bem ― afirmei.
― Ok, sua mãe vai adorar saber disso ― sabia que nesse momento seus lábios formavam aquele sorriso, como o de uma criança que acabou de ganhar uma caixa de bombom. ― Então, nos vemos em breve.
― Nos vemos em breve, Alice.
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