Notas iniciais
IMPORTANTE: Algumas leitoras estão reclamando do rumo que a história está tomando, dizendo que a fanfic não é Beward, falando que já era para ter acabado, que estou enrolando.... enfim, por favor, olhem a capa da fic, sim é um romance entre a Bella e o Edward, e vocês já deviam estar acostumadas ao fato de eu gostar de fazer grandes reviravoltas na história. E sim, eu sempre digo que a fanfic está acabando e nunca acaba, na verdade era para ter acabado no capítulo 54, sabe o sonho que Edward tem logo no inicio do capítulo? Pois é, não era para ser um sonho, aquele era o final, a morte de Isabella. Mas vocês pediram, imploraram para que eu não a matasse, então a salvei, mas não vou escrever o final óbvio que vocês querem... ela não vai simplesmente se curar, correr para os braços de Edward, juntos vão criar a filhinha deles e correr em direção ao pôr do sol. E eu podia fazer isso, mas não vou, sabe porque? Porque não aceito escrever um final tão besta e idêntico ao final de todas fanfics beward. Mas não pensem que estou aqui para pedir que não deixem de ler, que não abandone a história, pelo contrário. Aquelas que vão desistir e abandonar a fanfic, eu agradeço por terem acompanhado todos os altos e baixos da história até aqui, mas... bye bye Para aquelas que ficam, boa leitura, hoje tem dois capítulos ;D

Alice’s POV

Minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento. Procurei o analgésico em minha bolsa e tomei com o resto da água que tinha na garrafinha sobre o balcão, jogando-a no lixo logo depois. Como tudo foi desandar desse jeito?

― Alice se acalma ― David pediu.

― Como você quer que eu me acalme, Edward vai pedir Tanya em casamento e Isabella não desgruda do Thomas. Está tudo errado.

― Talvez era para ser assim.

― Não ― murmurei ― Não pode ser assim.

― Ainda não contou sobre o namoro de Bella? ― perguntou e apenas neguei com a cabeça, antes de apagar as luzes da loja.

― Mas por que Alice? Já está na hora dele saber.

― Não falamos muito sobre Isabella, na verdade não falamos nada sobre ela... então não achei necessário contar ― expliquei enquanto via ele fechar as portas de minha boutique.

Olhei no relógio em meu pulso e suspirei cansada ao ver que já passava das oito.

― Edward está agindo por impulso, desesperado para mostrar que está bem, mas não está ― expliquei. ― Emmett está certo a respeito de Thomas, é obvio que ele só quer levar Isabella para cama... mas ela precisa se apoiar em alguém, só não entendo porque foi escolher ele.

― Bom, Bella deixou bem claro que não quer nenhum de nós nos intrometendo na vida dela.

― Foi completamente desnecessária a briga que ela teve com Emmett.

― Como você disse, ela precisa se apoiar em alguém, está assustada e procurando desesperadamente um jeito para se sentir segura ― ele falou e entramos em seu carro.

― Eu sei e entendo, mas... ― deixei minha voz se perder e senti sua mão sobre a minha.

― Vai dar tudo certo ― afirmou e tentei sorrir.

― Ainda preciso falar sobre a semana em família, na casa da praia.

― Mas, você não falou para o Edward que já tinha conversado com Isabella.

― É, mas não falei ― confessei e ele riu.

― Alice!

― Não diga nada, eu vou dar um jeito nisso.

...

Acordei com os fortes raios de sol iluminando meu quarto e levantei-me, indo até o banheiro e encarando-me no espelho. Suspirando, ao perceber que não conseguiria concordar com tudo aquilo.

― Mas que droga, Alice ― reclamei, sabendo que não devia insistir, mas mesmo assim sai do quarto e bati na porta ao lado.

― Entra ― Isabella falou.

Empurrei a porta de leve, encontrando-a sentada em frente a penteadeira escovando os longos fios dourados de seu cabelo. As mechas loiras desciam até sua cintura e formavam algumas ondas no caminho, que emolduravam seu rosto delicado. Isabella se virou encarando-me com seus olhos escuros e notei o contrate que seus lábios avermelhados causavam a sua pele alva como a neve. Ela estava tão diferente.

― Tem certeza que prefere ir no jantar na casa do Thomas? ― perguntei.

― Alice ― murmurou e a olhei por alguns segundos, notando sua hesitação.

― Você estava sabendo do nosso jantar bem antes do dele. Nós somos sua família, devíamos estar em primeiro lugar.

― Vocês não são minha família ― afirmou e dei um passo para trás, tentando absorver o que ela tinha dito. ― Carlisle e David, são minha família.

― Ok. Espero que se divirta hoje ― disse automaticamente, sem precisar pensar, então sai fechando a porta.

Tomei um banho rápido e vesti qualquer roupa que achei, saindo o mais rápido possível daquele apartamento.

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Isabella’s POV

Aos poucos vi o mar se formando a minha frente e as ondas quase alcançando meus pés. Pude sentir a brisa acariciar meu rosto e sorri, gostando de tudo naquele lugar.

― Eu te amo, como irmã é claro ― assustei-me ao ouvir uma voz e vi o rapaz musculoso sentado ao meu lado ― Mas eu te amo, muito.

Sem que eu pudesse impedir as lágrimas caíram enquanto analisava a expressão de Emmett, ele estava sendo sincero. Então cobri o rosto com as mãos, limpando as lágrimas e voltando e encarar o mar, com suas ondas calmas... Eu havia cometido um erro.

― Você foi a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas ― ele falou e senti uma dor aguda no peito.

― Para, eu não quero ouvir sua voz, ou o quanto sou especial para vocês. Me deixa em paz! ― exclamei, sentindo o desespero.

Foi nesse momento que ele passou o braço ao meu redor e puxou-me para mais perto me abraçando fortemente. Mas, por incrível que pareça, eu não quis afastá-lo.

― Vai ficar tudo bem ― afirmou e assenti, tentando acreditar naquilo.

Levantei-me de repente, sentindo meu coração disparado, batendo fortemente contra meu peito, enquanto minha cabeça latejava de dor. Respirei fundo tentando me acalmar e sai da cama, indo até o banheiro, onde molhei o rosto, perguntando-me qual seria o significado desse sonho, considerando tudo o que aconteceu e a discussão que tive com Emmett.

Já se passavam das seis da tarde, acabei dormindo mais do que podia. Tomei um banho e vesti o vestido florido que havia separado. Coloquei as sapatilhas e prendi parte de meu cabelo, olhando-me no espelho logo em seguida e sorri ao ouvir meu celular tocar. Ele havia chegado. Sai rapidamente fechando a porta do apartamento e assim que apertei o botão do elevador tudo ficou confuso...

Senti uma mão segurando meu braço e vi Alice me puxando para dentro do elevador, onde apertou o botão para o térreo. Analisei seu cabelo curto, de um preto intenso, picotado e desfiado para todas as direções, e senti um sobressalto ao olhar o alto rapaz ao meu lado, tão magro que podia notar os ossos de seu rosto.

― Então Isa, posso te chamar de Isa ou não gosta de apelidos?

― Olha, ela parece ser meio doidinha mais não é. Na verdade é uma ótima pessoa. Menos quando ingeri muito açúcar, aí temos que prender ela ― a voz soou abafada e o rapaz me encarou sorrindo e dei um passo para trás ao ver que ele não tinha olhos, ao invés disso tinha dois buracos escuros.

Arfei ao cair no chão e ser trazida para a realidade, sentindo meu coração disparado.

Encarei as portas do elevador abertas e respirei fundo, tentando me acalmar e perguntei-me quanto tempo fiquei ali, perdida em... na verdade nem sei o que aconteceu. Levantei-me, sentindo tudo girar e apoiei-me na parede, levando a mão a lateral da minha cabeça que latejava.

― O que está acontecendo? ― murmurei, forçando-me a manter minhas pernas firmes e entrar no elevador. ― Ok, está tudo bem ― afirmei para mim mesma.

Saí do prédio e vi Thomas encostado em seu carro sedan, então tentei esquecer tudo e me concentrar nele.

― Nossa, você está muito bonita ― ele falou e passou o braço ao redor de minha cintura. ― E demorou muito.

― Obrigada ― agradeci e empurrei-o, mantendo a distancia de sempre ― e desculpe, tive alguns problemas.

― Bella, por favor, já faz um mês ― pediu e voltou a me puxar, seus braços apertando minhas costelas e sua boca pressionando a minha.

― Thomas! ― empurrei-o com força, levando a mão à boca ― Por que fez isso?

― Qual é Bella? Foi só um beijo.

― Falei que precisava de tempo.

― Ok, desculpe. Vamos? ― ele sorriu e deu a volta no carro, já se sentando.

Algo me disse para não ir, mas mesmo assim abri a porta e entrei, sentindo o cheiro de menta, ou melhor, o seu cheiro dentro do carro. Encarei a pele clara de Thomas, bem diferente de seus cabelos castanhos e vi seus traços ainda juvenis, combinando com seus olhos de um verde escuro. Meus dedos deslizaram por meus lábios enquanto admirava as casas e indaguei-me: por que não? Thomas era legal e acho que isso já bastava.

― Sério, não sei como ficou com nota baixa esse trimestre ― falou, tirando-me de meus pensamentos.

Uma coisa boa de Thomas era que nem sempre precisava me concentrar em nossas conversas e ele quase sempre não me cobrava uma resposta.

Chegamos a sua casa e o segui para dentro da sala repleta de gente, onde ele me apresentou sua família. Porém, de repente comecei a sentir a insegurança, acompanhada da timidez, algo estava errado. Pensei que sentia aquilo apenas quando estava no meio daqueles que diziam ser minha família, mas não. Ali estava novamente o mal estar, a vontade de sair correndo e me trancar em um quarto, sozinha.

Entrei no lavabo e fechei a porta, encostando-me nela e tentando me acalmar. Abracei meu próprio corpo tentando sentir o controle... o controle de mim mesma, tentando me convencer de que ali, naquela casa, era o melhor lugar em que eu poderia estar no momento. Mas não consegui, então peguei meu celular e disquei o número, fazendo uma ligação rápida.

― Thomas ― chamei-o ao vê-lo passar no corredor assim que saí do lavabo.

― Aí está você ― ele falou ― Está na hora do jantar.

― Desculpe, mas não posso ficar, estou com muita dor de cabeça e um pouco de tontura ― menti.

― Mas... ― sua expressão deixava claro sua irritação.

― Não se preocupe ― falei, interrompendo sua fala ― Já chamei um táxi, não precisa me levar.

― Ok ― ele falou.

― Diga para sua mãe que eu sinto muito ― pedi e caminhei até a porta saindo, sem me importar em me despedir de todos.

Caminhei pela calçada e não precisei esperar muito, logo já estava no táxi indo para casa.

Entrei no apartamento que dividia com Alice e suspirei, parando no hall de entrada depois de fechar a porta, sentindo a culpa pesar sobre meus ombros. Não devia ter dito aquilo para Alice,... eu praticamente acabei com sua família e mesmo assim ela ainda me considerava como uma irmã.

Fiz Edward se mudar para a Europa e ficar longe de todos. Quase acabei com o casamento de Carlisle e Esme quando insisti que precisava voltar a Forks e encontrar a Renée. E agora eu e Emmett não nos falávamos mais. Tudo porque não me sentia bem perto deles, não confiava em nenhum deles. Já havia brigado com Alice e discutido com David, mas os dois permaneceram ao meu lado... nem sei se mereço isso.

O problema é que eu me sinto mal perto deles e também não me sinto bem longe deles. Apenas não sei como agir. Parece que mudei muito quando conheci todos... mas agora não lembro...

Mas, de qualquer forma, gosto de como estou agora.

― Estou feliz assim ― murmurei para mim mesma.

Já faz tanto tempo, quase dois anos que iniciei uma nova vida e fazia de tudo para gostar dela. Sabia que aos poucos tudo iria se acertar.

Caminhei para meu quarto e deixei meu corpo cair na cama e me permiti relaxar.

“Vejo a paisagem totalmente verde passar por mim e olho ao redor vendo todos, ali no ônibus, conversando animadamente. Então encontro o par de olhos escuros e minha boca se abre em um grito, mas minha voz não saiu.

― Então Isabella... ― ouvi o som triste da voz do rapaz e respirei fundo, tentando me acalmar, tentando não olhá-lo ― Por que você se afasta de todos?

― Hum... As pessoas são más ― ouvi minha voz, mas eu permanecia calada apenas encarando minhas mãos.

― Mas não é por isso que tem que se afastar de todos. Tem que enfrentar, mostrar que você é mais malvada do que eles. Só para colocar medo ― falou e nossas risadas ecoaram.

― É uma boa ideia.

― Você pensou melhor sobre ser minha amiga?

― Por que quer isso?

― É sempre bom ter amigos.

― O que acha de colegas?

― Por que não amigos? ― indagou e o olhei, vendo seu sorriso.

― Porque não confio em você ― as palavras fluíram como se eu já estivesse planejando dizê-las há muito tempo.

― Então vamos fazer um acordo. Me dá essa semana, que estaremos no acampamento, para eu mostrar que mereço sua confiança ― sua voz começou a se misturar com o som de passos e eu quis responder, mas era como se não houvesse uma resposta.

O desespero me tomou. Como se eu quisesse correr, mas não conseguisse, então tudo se apagou se apagou.

― Por que preciso confiar em você? ― perguntei em meio à escuridão.”

Abri os olhos ouvindo os passos de Alice no corredor e levantei-me, ao mesmo tempo em que levava a mão a cabeça, sentindo latejar. Resmunguei baixo, procurando por algum remédio para dor, quando ao abrir uma de minhas gavetas vi o álbum que Alice havia feito, para me ajudar a lembrar.

Peguei-o e voltei a cama, abrindo em uma página qualquer, encarando uma foto de Edward, exatamente como me lembrava dele na sala de aula, muito diferente de como o vi depois de acordar do coma. Ele estava muito magro, sua pele sem cor, seu rosto sem vida, assim como em meus sonhos. Voltei a olhar a foto e de repente percebi que eu não sabia a cor de seus olhos, nas fotos não era possível ver e nos momentos em que estive com ele, como no dia em que assinamos o divorcio, seus olhos eram escuros, como se nem estivessem ali, talvez por isso em meus sonhos ele aparecia sem olhos. Só não entendia o porquê de estar sonhando com ele.

― Bella? ― Alice me chamou.

― Só um minuto ― disse, levantando-me e guardando o álbum rapidamente. ― Pode entrar.

― Sei que já está tarde, mas precisava falar com você ― avisou, entrando.

― Se for sobre o jantar, eu...

― Não ― ela me interrompeu. ― É sobre outra coisa.

― Ok ― respondi, sentando-me no bando de minha penteadeira, enquanto via Alice encostar-se no batente da porta.

― Bom, estávamos pensando em tirar alguns dias de férias em famí... vamos tirar umas férias na semana que antecede meu aniversário, vamos para a casa na praia... enfim, eu queria que você fosse.

― Claro! ― exclamei e ela estranhou minha animação ― Quero dizer, vai ser legal.

― É ― concordou e percebi que ela estava hesitante. ― Mas tem um problema: Edward virá.

― Alice ― comecei, mas ela me interrompeu.

― Já conversei com ele ― informou ― Edward disse que tudo bem. Não tem motivos para não ir, Bella.

Eu não devia, mas novamente me perguntei: por que não? Já faz dois anos... e é só por uma semana. Carlisle não iria gostar se eu escolhesse ficar aqui sozinha.

― Eu vou ― afirmei e Alice sorriu.

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~*~*~

É verão! E isso realmente deveria me animar.

Suspirei, enquanto girava na cama sem conseguir dormir. Com medo de dormir. Sonhos me atormentavam todas as noites e temia seus significados. Levantei-me, olhando pela janela as ondas se quebrando na praia e de repente me senti como só mais um grão de areia em meio a centenas de outros, sozinha.

Todos dizem que as pessoas mudam a todo o momento. Realmente, elas mudam, concordo com isso, porém não me sinto mudando e isso me assusta, não posso continuar assim... Passaram-se praticamente dois anos e nada aconteceu. Apenas sonhos... nos quais sou alguém que não conheço. A verdade é que estou interpretando um personagem que está afastando todos que a Isabella considerava importante... Por um lado me sinto bem, mas às vezes sinto um arrependimento, como se ela ainda estive em algum lugar, presa dentro de mim, tentando avisar que estou arruinando tudo, mas não sei como fazer isso de outra forma.

Vi o sol nascer e quando já estava em seu topo o relógio marcou meio dia. Então encarei uma mesa com Esme, Carlisle, David, Alice e Emmett, sentados ao seu redor. Ouvi todos conversando animadamente sobre um jogo de vôlei, mas eu não conseguia entender. Não olhava para nenhum deles, mas podia sentir seus olhares, já que ainda estava calada... ou seria coisa da minha cabeça? A única coisa que sei é que fechei as mãos em punhos sob a mesa, sentindo aflição, desespero, e levantei-me, tendo a certeza que não me encaixava ali.

― Bella, aonde vai? ― David segurou minha mão.

― Estou sem fome ― falei e voltei para meu quarto.

As lágrimas se acumularam em meus olhos e as sequei rapidamente quando alguém bateu na porta.

― Está tudo bem? ― Alice perguntou, espirando para dentro do quarto.

― Está sim, não se preocupe.

― Não é o que parece ― ela disse ao entrar e aproximar-se.

― Eu... eu não sei como agir ― confessei.

― Bella, seja você mesma ― Alice falou como se fosse algo obvio e tentei sorrir, omitindo o fato de que eu não sabia quem eu era.

― Pode ir lá, estou sem fome mesmo. Não dormi a noite, vou tentar descansar um pouco.

― Ok ― disse e agradeci mentalmente por ela ter aceitado a desculpa, enquanto a via sair e encostar a porta.

Deitei-me na cama e tentei organizar meus pensamentos, enquanto me perguntava se ainda restava alguma coragem em mim. Foi quando senti minhas forças se esvaindo, o resultado de uma noite sem dormir, e passei as mãos no rosto tentando ficar acordada, mas não consegui.

“Encarei os olhos escuros e vazios de Edward, sentindo meu coração disparar, quando ele se aproximou. Vi seu rosto magro e minhas mãos começaram a suar quando percebi que não havia saída, só escuridão ao nosso redor.

― Se acalme minha garotinha ― falou tocando em meu rosto com suas mãos ásperas e um grito escapou por minha garganta.

Voltei a olhá-lo, já com dificuldade por causa das lágrimas, mas mesmo assim encarei aqueles olhos sombreados pelas grossas sobrancelhas e então percebi que não era Edward. Era Ele, meu pai.

Meu corpo tremeu quando suas mãos deslizaram do meu rosto até meus ombros e comecei a tremer quando ele me fez ajoelhar a sua frente.

― Não, por favor... por favor... ― supliquei, vendo-o desabotoar sua calça e fechei os olhos.”

Acordei assustada ouvindo alguém bater na porta e surpreendi-me ao ver, pela janela, o sol já desaparecendo no horizonte.

― Bella! ― ouvi a voz de Carlisle.

― Só um minuto ― falei, levantando rapidamente e correndo até o banheiro.

Lavei meu rosto suado e passei minhas mãos molhadas ao redor do pescoço, tentando esquecer o sonho.

― Não foi nada ― sussurrei, secando o rosto e jogando a toalha sobre a bancada, indo até a porta e retomando o controle sobre mim mesma antes de abri-la. ― Desculpe, eu peguei no sono ― falei vendo sua expressão de preocupação.

― Está tremendo ― ele apontou para minhas mãos.

― Estou bem, só tive um pesadelo.

Seus olhos me analisaram e tentei me manter firme, dando um passo para trás quando ele entrou no quarto e fechou a porta.

― Não foi só um pesadelo, não é?

― Não foi nada ― afirmei e ele balançou a cabeça.

― Bella há uma diferença bem grande em não poder se lembrar e não querer ― avisou e acho que a surpresa ficou evidente em meu rosto, pois ele sorriu antes de continuar. ― É óbvio que você se lembrou de algo, ou está se lembrando ao poucos. Algo em você mudou, é quase imperceptível, mas eu notei no momento em que olhou para Emmett, quando chegamos ontem. Está arrependida do que falou para ele.

― Não quero falar disso ― falei desviando meus olhos dos seus, não conseguindo encará-lo, então apenas me afastei.

Caminhei até a janela, apoiando-me ali enquanto olhava o mar que parecia calmo e ouvi o suspiro de Carlisle. Eu podia contar o que estava acontecendo, como minhas memorias estavam se misturando, sem uma ordem, o jeito como meus maiores medos distorciam tudo que eu tinha vivido, mas não conseguia, pois sabia que ele não podia me ajudar. Será que alguém podia?

― Se não quiser ficar, amanhã de manhã eu te levo para casa ― propôs e senti algo doer dentro de meu peito.

― Por que acha que quero ir? ― perguntei tomando coragem para olhar em seus olhos de um azul celeste.

― Com certeza não quer ficar ― falou e balancei a cabeça. ― Edward chega amanhã a tarde, não precisa vê-lo, saímos antes.

― O problema não é o Edward, ― confessei ― ou melhor, talvez seja um pouco... mas não é todo o problema.

― Por que tem tanto medo? Você não era assim ― sua voz soou baixa, preocupada ― E não estou falando de antes do coma, estou falando de antes de tudo.

― Eu não sei, eu ― as palavras me faltaram. ― Me desculpe.

― Não tem porque se desculpar ― ele falou dando um passo em minha direção e puxando-me para seus braços, quando eu vacilei e deixei que as lágrimas caíssem.

Retribui seu abraço, sabendo que ele era a pessoa em quem mais devia confiar, mas simplesmente não conseguia. Faltava algo, e por mais que tentasse descobrir o quê, eu não fazia ideia.