Notas iniciais
Quero agradecer a Lisandra Liu e a Mariana que recomendaram a fanfic. Muito obrigada!!! Adorei as recomendações, vocês foram muito fofas!! Boa leitura...

Isabella’s POV

Abri os olhos lentamente e encarei os dedos de Edward entrelaçados aos meus, segurando minha mão sobre seu peito, então de repente meu coração disparou quando todas as lembranças da noite passada invadiram minha mente.

Agora estava deitada sobre seu peito, seu braço esquerdo, que não estava machucado, contornava minha cintura, segurando-me tão firme que achei que ele estivesse acordado, porém sua respiração lenta e pesada, junto com seu coração batendo calmamente denunciavam um sono tranquilo. Então devagar me mexi, tomando muito cuidado para não acordá-lo, tirei seu braço da minha cintura e levantei-me, levando o lençol enrolado ao meu corpo completamente nu. Mas paralisei quando percebi que Edward também não vestia nenhuma roupa.

― Ah meu Deus! ― murmurei cobrindo meus olhos, sentindo meu rosto queimar.

Rapidamente olhei ao redor e a primeira coisa que vi foi sua camisa, pegando-a e vestindo, para então colocar o lençol sobre ele e sair do quarto o mais rápido possível.

Fiquei alguns minutos complemente imóvel sob a ducha, paralisada, sem reação enquanto relembrava cada detalhe da noite anterior, sentindo meu coração bater fortemente contra meu peito ao relembrar o jeito como seus braços me apertavam ou como seus lábios pareciam acariciar minha pele.

― O que estou fazendo? ― murmurei ― Ele vai se casar... Ele vai se casar ― repeti para mim mesma, tentando acreditar, ou melhor, aceitar aquelas palavras.

Não tinha como mudar aquilo, Edward tinha seguido com sua vida, tinha uma noiva, provavelmente linda, com quem ele com certeza era muito carinhoso, atencioso... e é claro que gostava dela... Será que ele a amava? Certamente sim.

E eu pedi... eu pedi para que ele fizesse amor comigo! Como pude pedir isso? E agora, o que faria? O que eu falaria para ele?

Encarei minha imagem no espelho assim que terminei de me vestir, enquanto tentava me convencer de que tudo foi um erro, por mais que algo dentro de mim falasse ao contrário, tentando me persuadir a acreditar que aquilo que aconteceu na noite passada tinha sido a melhor coisa que poderia ter acontecido. Respirei fundo para tentar acalmar meu coração descontrolado e então sai do quarto caminhando rapidamente até a cozinha a fim de preparar o café da manhã e tentar me distrair das lembranças da noite passada, mas era impossível. A única coisa em que conseguia pensar era que a qualquer momento ele acordaria e então... o que eu diria? Como olharia para ele?

― Calma ― sussurrei para mim mesma enquanto pegava o pequeno pote com açúcar no armário e estremeci com o susto que levei ao me virar e vê-lo ali, parado na porta, apoiado sobre a muleta.

― Bom dia ― Edward tinha aquele sorriso torto nos lábios e desviei meus olhos dos seus, encarando minhas mãos que seguravam o pequeno pote com uma força exagerada.

― Bom dia ― minha voz saiu muito baixa enquanto eu colocava o pote sobre a mesa e caminhava até o fogão para desligar a água que estava fervendo.

― Acordou cedo ― comentou e senti todo meu rosto esquentar.

Coloquei a água em um pequeno bule com os pacotinhos de chá e fiquei encarando a peça de porcelana.

― Tudo bem, Isabella? ― assustei-me quando sua mão encostou em minhas costas e evitei seu olhar caminhando até a mesa colocando o chá ao lado do potinho de açúcar.

― Estou bem ― forcei minha voz a soar firme, sentindo minhas bochechas queimarem e fui até o armário pegando duas xicaras.

Mas quando passei por ele novamente sua mão me segurou, seus dedos contornando com cuidado meu braço e parei assustada, mas não ousei olhá-lo.

― Esta envergonhada.

― Não, não estou.

― Então olha para mim ― sua voz era baixa, carinhosa.

― Foi um erro ― informei.

― O que foi um erro? ― ele falava lentamente, pronunciando cada palavra com calma ― Me contar que se lembra da nossa história? Se oferecer para ficar aqui? Foi um erro me beijar? Ou o erro foi fazer amor comigo?

Ouvi e sabia que tudo aquilo estava errado, mas não conseguia entender a agonia e o medo que surgiu em meu peito naquele instante, fazendo lágrimas brotarem em meus olhos.

― Isabella ― ele me chamou e finalmente encarei aquele par de esmeraldas.

Edward tirou as xicaras das minhas mãos e colocou-as sobre a pia, então tratei de enxugar as lágrimas, mas antes de conseguir fui puxada para perto dele, perto o bastante para seus braços me embalarem no aconchego de seu abraço, fazendo com que todas as lágrimas que eu tentava conter caíssem sem que eu pudesse fazer nada.

― Você está noivo ― consegui dizer em um sussurro, com a testa encostada em seu peito.

― Eu sei.

Seu braço esquerdo me apertou mais fortemente e senti um arrepio percorrer cada centímetro da minha pele, então me encostei em seu tórax, para assim ouvir seu coração batendo.

― Você está certo, tem que partir logo, precisa ir ― dizer aquilo fez mais lágrimas caírem de meus olhos e uma dor aguda surgir em meu peito.

― Isabella ― ele pronunciou meu nome com tanta delicadeza que me fez encarar seus olhos ― acha mesmo que eu cogitaria partir agora, depois do que houve ontem?

Engoli em seco, tentando entender o significado das suas palavras e acabei me rendendo, fechando os olhos, quando seus dedos tocaram minha bochecha detendo as lágrimas que teimavam em cair.

― Eu não vou embora ― afirmou e as pontas de seus dedos deslizaram até meu queixo, puxando-me com cuidado, moldando seus lábios nos meus.

― E o que vai acontecer? ― voltei a olhá-lo.

― O que você quer que aconteça? ― ele indagou e continuou quando permaneci em silêncio ― Estamos eu e você aqui, sozinhos, na nossa casa. Por que não esquecemos, por um momento, o que há fora daqui?

Ponderei sobre sua proposta e quando abri a boca para respondê-lo a campainha tocou, fazendo-me estremecer com o susto.

― Eu vou abrir.

― Não, você não pode ficar andando, tinha que estar em repouso. ― repreendi-o, secando meu rosto com as mãos ― Sente-se, eu atendo a porta.

Não esperei uma resposta, apenas me virei e caminhei em direção à sala, colocando a mecha de cabelo, que estava sobre meu rosto, atrás da orelha. Respirei fundo mais uma vez e abri a porta, encarando os cabelos curtos de Alice, sua marca registrada.

― Bom dia! ― ela exclamou sorrindo, sua expressão alegre parecia não combinar com o tempo nublado de hoje.

― Bom dia Alice ― respondi, dando um passo para o lado, permitindo que ela entrasse.

― Trouxe algumas compras ― anunciou enquanto eu fechava a porta e então me entregou as sacolas ― Vou subir para ver Edward ― avisou.

― Ele está na cozinha ― falei rápido, antes de ela seguir para a escada.

― Ele deveria estar de repouso!

― Eu sei, mas tem que dizer isso a ele ― informei e ela suspirou, caminhando em direção à cozinha.

Encontramos Edward sentado à mesa, absorto em pensamentos, e sua expressão foi de surpresa ao ver Alice.

― Não deveria estar deitado, com o pé sobre um travesseiro? ― ela indagou e ele sorriu.

― Oi Alice.

Coloquei as sacolas sobre a pia e então vi Alice se abaixar para cumprimenta-lo, assim Edward não precisaria se levantar.

― Como está?

― Estou melhorando ― respondeu, mas seu olhar não foi dirigido a ela, Edward me analisou, como se quisesse se certificar de que eu estava bem e acho que Alice notou aquilo, porém ele então mudou de assunto rapidamente: ― Toma café com a gente? ― seus olhos finalmente desviaram de mim, encarando a baixinha com uma echarpe rosa no pescoço e sorriu, mas o sorriso não era verdadeiro, seus olhos pareciam perdidos em pensamentos.

Alice se encostou ao meu lado no balcão e enroscou seu braço no meu, encostando a cabeça no meu ombro. Era uma aproximação sincera, eu a afastei tanto desde que acordei do coma, mas nos últimos meses eu percebia que não devia fazer isso com alguém que faria qualquer coisa por mim, por minha felicidade.

― Acho que não ― ela murmurou e percebi que os dois trocaram um olhar estranho.

― Certeza Alice? Já vou preparar o café, é rápido ― falei tentando sorrir em meio ao clima estranho que se instalou ali na cozinha.

― Não, obrigada Bella, tenho que encontrar com David e já estou atrasada ― conferiu a hora no relógio em seu pulso. ― Só vim trazer algumas coisinha e ver se vocês estavam bem.

― Estamos bem Alice ― foi Edward quem respondeu e ela sorriu.

― Falou com Carlisle ontem? ― perguntou desencostando do meu ombro para poder me olhar.

― Não, por quê?

― Ele disse que queria falar com você, mas não estava conseguindo.

― Acho que meu celular está sem bateria, vou carrega-lo depois.

― Ok, só não se esqueça de ligar para ele ― avisou.

― Não vou.

― Bom, já vou indo, você sabe como seu irmão é impaciente né? ― ela revirou os olhos e acabei rindo.

― Eu te acompanho...

― Não precisa, ― Alice me interrompeu ― se Edward já está bom para descer e subir escadas acho que ele está bem o suficiente para me acompanhar até a porta, não é mesmo? ― havia certa ironia em seu tom de voz.

― É claro ― ele sorriu, fingindo não perceber, e levantou-se.

.

Edward’s POV

Caminhei lentamente, ao lado de Alice, apoiando-me na muleta e esperando o momento que ela diria algo, mas nada aconteceu. Atravessamos a sala em silêncio e paramos em frente à porta, enquanto a garota ao meu lado permanecia presa em seus devaneios encarando o puxador sem realmente vê-lo.

― Alice? ― chamei e ela apenas me olhou, ainda pensativa.

― Só sente um grande carinho por Isabella, não é mesmo?

― Você não entende.

― Edward por favor, ― ela falou baixo ― não a machuque.

― Eu não quero isso ― afirmei. ― A última coisa que quero é ver Isabella sofrendo, mas você armou isso Alice, para começo de tudo insistiu para que eu viesse e depois você a colocou aqui... Agora creio que seja tarde demais para me pedir isso.

― Eu realmente achei...

― Eu sei ― interrompi, já sabendo o que ela diria. ― Mas não muda nada. Eu não posso.

― Por causa da Tanya ― não era uma pergunta e sim uma afirmação.

― Não é só por causa dela, há outros motivos.

― Outros motivos relacionados a ela ― Alice deduziu e escolhi não dizer nada. ― Vale a pena?

― São grandes motivos.

― Não estou perguntando se os “motivos” são importantes, estou perguntando se vale a pena perder Isabella.

― Eu nunca perdi Isabella, ela me perdeu ― aquilo era uma mentira, mas sabia que isso faria Alice parar de questionar, pelo menos por enquanto.

― David tem razão, nada voltará a ser como foi um dia, eu preciso aceitar isso. Espero que você melhore logo, pelo menos o bastante para ir embora o mais breve possível ― seus olhos não encararam os meus novamente, ela apenas abriu a porta e partiu.

~*~

Já passava das oito da noite e não estava mais aguentando ficar naquele quarto, Isabella não falou mais nada desde que Alice veio nos ver hoje pela manhã e isso estava me preocupando. Então me levantei, começando a caminhar devagar e ao sair do quarto vi a porta no final do corredor entreaberta, sabia que ela estava lá.

Bati de leve na porta, três vezes, antes de abrir e espiar o quarto onde Isabella tinha dormido por cinco anos, vendo-a sentada no canto, encostada na parede, com uma caixa ao seu lado e fotos espalhadas pelo chão.

― Posso entrar? ― perguntei quando seus olhos me encontraram e ela apenas assentiu.

Fui até ela, também me sentando no chão, em frente a Isabella, mantendo uma de minhas pernas esticadas por causa do meu pé machucado e prendi a respiração com a fincada em minha costela, arrumei minha postura e notei aqueles olhos castanhos preocupados.

― Devia estar deitado ― ela avisou.

― E permitir que você continue a me evitar? ― indaguei e seu rosto ganhou um tom rosado, enquanto seus pequenos ombros se encolhiam.

― Não estou te evitando ― respondeu sem me olhar. ― Edward, eu estou confusa.

Analisei seus delicados traços, o perfeito contorno de seus lábios que infelizmente não sorriam no momento, seus olhos que faziam de tudo para me evitar eram emoldurados por longos e volumosos cílios, as ondas de seu cabelo castanho, como chocolate, que caiam cobrindo as laterais de seu rosto fino e angelical, porém tudo ali denunciavam a sua tristeza.

― Eu não sei quem é essa Isabella que todos vocês tanto amam, não sei se consigo ser ela.

― Você já é ― afirmei e ela me olhou.

― Mas porque não consigo sentir isso? Por que sinto como se você não estivesse aqui? ― ela perguntou em um sussurro ― Por que ainda me sinto tão sozinha?

― Porque eu te deixei sozinha ― acabei admitindo aquilo para mim mesmo e seus olhos castanhos me encararam interrogativos.

Segurei suas mãos, tirando o convite de casamento de seus dedos e percebi sua pele se arrepiar assim que a toquei.

― Eu sei que você se perdeu, que não faz ideia do que fazer, do que escolher. Mas ontem você escolheu confiar em mim, você se entregou a mim ― seus ombros se encolheram novamente e suas mãos apertaram as minhas. ― Nós dois sabemos o quão difícil foi isso, mas mesmo assim você confiou ― seus olhos ficaram confusos por um momento por notar que eu tentava me referir a algo, a um segredo só dela e então afastei uma mecha de seu cabelo, deslizando as pontas dos meus dedos até seu queixo. ― Eu te conheço tão bem, minha pequena, nunca houve segredos entre nós.

Uma lagrima desceu pelo seu rosto, antes de Isabella cobrir os olhos com as mãos trêmulas, secando-os.

― Como assim? Eu... não acredito ― ela balbuciou, sem olhar para mim, perdida nas palavras e houve um momento de silenciou antes dela conseguir organizar seus pensamentos. ― Por que não me contou logo quando acordei?

― Não queria comprar sua confiança, eu precisava conquista-la novamente só assim seria realmente verdadeira ― expliquei e tentei entender sua expressão perdida.

― Eu não teria te mandado embora ― ela finalmente me encarou.

― Eu sei... Mas acredito que eu teria ido de qualquer forma ― confessei e vi a dor em seus olhos.

― Você precisava disso, não é? Precisava que eu te libertasse ― ela limpou o rosto mais uma vez.

― Não precisava que me libertasse, você não estava me prendendo, se fiquei ao seu lado em um hospital por dias e mais dias foi porque eu escolhi isso.

― Mas você precisava que eu te pedisse... Não me contou tudo de propósito.

― Eu poderia ter te contado toda nossa história, tudo que passamos juntos, os segredos que confiou a mim... Mas a questão é: você teria me ouvido? ― perguntei e ela apenas balançou a cabeça, limpando uma lágrima que tinha chegado ao canto de sua boca.

― Não, porque você esperava que eu fosse alguém que não sou. Nunca voltarei a ser aquela que fui antes do coma ― afirmou depois de alguns segundos em silencio.

― Eu não conheci uma Isabella diferente, conheci a menina meiga, doce, ingênua, medrosa e ao mesmo tempo tão corajosa que você ainda continua sendo. Não houve nada que te mudou, você continua sendo a mesma, só teve mais medo do que no passado e não permitiu conhecer aqueles que te amam. Sei que eles te pressionaram, Alice te pressionou mais que todos, mas espero que consiga entender que eles sofreram tanto ao pensar que tinham te perdido. Todos estavam desesperados..., eu estava desesperado. Nós dois sabemos que o erro não foi deles, eu errei ― confessei e ela parecia atordoada tentando entender tudo. ― Você se assustou e se afastou, não quer dizer que esteja diferente.

― Então, se eu sou a mesma, tudo pode voltar a ser como foi um dia? ― ela indagou e escolheu uma imagem, entre as várias espalhadas pelo chão, empurrando-a em minha direção.

Vi a foto, que eu mesmo tirei, enquanto estávamos em lua de mel, na praia em nossa ilha deserta, rindo de algo que não me lembro agora, mas na imagem parecíamos mais felizes do que acho possível alguém ser.

― Podemos tentar ― propus e um quase sorriso se formou em seus lábios.

― Não me lembro de termos tirado essa foto, me recordo de pouquíssimas coisas dos dias que passamos na ilha ― ela comentou. ― Uma das poucas lembranças que tenho, com certa nitidez, é a de estar andando pela praia com o vestido de noiva, lembro de ver essa casa ― Isabella aponta a construção que aparece no canto da imagem.

― Andando na praia, vestida de noiva?

― É, depois de chegarmos, você foi pegar as malas, então eu entrei na casa e te esperei ao pé da escada, não lembra? ― ela indagou.

― É, acho que sim ― falei, mais ao vasculhar minhas memórias não encontrava aquele momento, além do mais Isabella não viajou vestida de noiva...

Mas então, de repente, me lembrei do meu sonho (capítulo 54):

Senti a areia sob meus pés e vi a grande mansão a minha frente. Porém o lugar estava vazio, então olhei ao redor ouvindo alguém me chamar ao longe, o desespero me possuindo quando reconheci sua voz. Corri para dentro da casa, tentando achá-la, passando pela sala, a cozinha... mas foi quando entrei no cômodo, que guardava a escada, senti a dor no peito, todos os sentimentos se misturando ao vê-la. Aproximei-me, subindo alguns degraus até onde ela estava e vi sua pele brilhar sob a luz que emanavam dos primeiros raios de sol invadindo a sala. Seu rosto delicado emoldurado pelos longos cabelos castanhos avermelhados que desciam até sua cintura, criando um forte contraste com o branco do vestido de noiva que ela usava, o qual fez a imagem dela entrando na igreja, em nosso casamento, invadir minha cabeça.

― Bella ― sussurrei e ela apenas estendeu a mão para mim, a qual segurei, sentindo sua pele tão fina e aveludada como uma pétala de rosa.

Isabella me guiou escada acima, caminhando pelo corredor com movimentos tão suaves que me lembrou a uma bailarina e notei seus pés descalços sob a saia rodada do vestido. Segui ela até nosso quarto, onde sorriu e deixou seu corpo cair sobre o colchão, o grande vestido se espalhando sobre o edredom. Deitei-me ao seu lado e fechei os olhos ao sentir seus dedos tocarem meu rosto, com tanto cuidado, deslizando até meu queixo.

― Você realizou cada sonho meu e não pude fazer nada por você, ― ela murmurou e quase não pude ouvir ― não pude realizar seu sonho. Sei o quanto queria poder voltar no tempo, por causa da sua irmã.

― Você fez mais. Isabella, você me deu um motivo para querer viver o presente ― afirmei, encarando seus olhos.

― Então não sacrifique tudo que conseguiu no presente, por mim, que já estou no seu passado ― pediu. ― Tenho assuntos inacabados, mas só poderei resolvê-los quando me deixar partir.

― Eu quero só mais um tempo...

― Horas, dias, anos, ... , a eternidade. Nunca há tempo o suficiente para dizermos adeus, principalmente quando não queremos fazer isso.

― Só quero te ver viva, sorrindo, mesmo se não for ao meu lado, não importa.

― Não devia dizer isso, as palavras têm força ― falou com um tom de aviso e se aproximou, deitando-se sobre meu peito e abracei-a, sentindo seu delicado perfume de rosas e fechei os olhos. ― Eu te amo ― ela sussurrou.

― Lembro de subirmos as escadas em direção ao quarto, mas depois tudo é muito nebuloso ― contou e tentei entender aquilo, acho que ela notou minha expressão confusa. ― O que foi?

― É que na verdade, não, eu não me lembro disso, você não viajou com o vestido de noiva ― revelei e era ela agora que estava confusa.

― Nossa, que estranho, acho que minhas lembranças se misturam às vezes e criam coisas que não aconteceram ― Isabella parecia decepcionada com isso e eu completamente intrigado. ― Mas não seria a primeira vez que elas se misturam.

― Você se assustou ao se lembrar dos nossos momentos... íntimos porque eles se misturavam com as lembranças da sua infância ― deduzi, finalmente tudo se encaixando. ― Por isso teve tanto medo de mim.

― Eram dois sentimentos contraditórios, a repulsa e... ― ela parecia procurar a palavra certa, mas tinha dificuldade em achar ― a repulsa e outra coisa que depois descobri ser o desejo ― falou encarando seus dedos, encolhendo-se ao pronunciar a última palavra e então me olhou, como se esperasse algo, mas eu não sabia o que exatamente ela esperava.

~*~

Dois dias depois

Isabella’s POV

O caminho de volta estava tão silencioso quanto o de ida até o consultório médico. Edward foi liberado da tipoia, acredito que o médico percebeu que ele só a usava quando achava que devia, mas ainda usaria a luva que imobilizava parte de sua mão, parece que a fratura tinha sido grave, precisaria de fisioterapia para recuperar todos os movimentos dos dedos. Notei o carro parando e olhei para o motorista, depois para Edward que já abria a sua porta e a segurava para mim. Sai, encarando-o sem entender.

― Por que paramos? ― perguntei.

― Não quero ir para casa agora ― respondeu e senti sua mão em minha cintura, guiando-me em direção a confeitaria com um toldo retangular em tom de cinza.

― Precisa pegar a muleta ― avisei.

― Não preciso ― falou andando com o pé imobilizado pela bota, mas era possível notar que ele sentia certo desconforto.

Entramos na pequena, mas elegante confeitaria e vi a vitrine com vários doces e bolos perfeitamente decorados, logo a frente havia algumas mesas redondas sob lindas luminárias adornadas por flores, suas luzes amareladas dava ao local um clima romântico e aconchegante.

― Costumava vir aqui várias vezes para comprar doces para você, havia dias que sentia muito enjoo e não queria comer outra coisa ― ele contou enquanto nos aproximávamos da vitrine. ― Era seu preferido ― apontou para o bolo recheado com um creme branco e decorado com morangos.

― Olá, posso ajuda-los? ― uma moça sorridente perguntou de trás do balcão e retribui seu sorriso.

― Sim, quero um pedaço desse ― apontei e olhei para Edward a tempo de notar seu olhar perdido em memória.

― E mais um café, por favor ― ele pediu, avisando que nos sentaríamos à mesa ali perto.

Sentamos frente a frente, apenas a pequena mesa redonda nos separando e encarei seus olhos, acho que nunca os vi tão verdes como agora, era um verde claro brilhante, reluzente. Reparei na camisa branca que Edward usava, as mangas dobradas até perto de seus cotovelos e então reparei o seu anel com o M gravado, agora na mão esquerda, olhando o relógio perfeitamente ajustado em seu pulso e vi as veias proeminentes que partiam dali em direção a seu ombro, e por um momento quis tocá-lo, deixar que as pontas dos meus dedos deslizassem sobre sua pele e seguissem as trilhas de suas veias saltadas.

― Isabella ― ele me chamou e meus olhos encontraram os seus novamente, porém o toque do meu celular o interrompeu.

― É a sua mãe ― informei ao olhar o visor ―, acho que ela quer falar com você ― Edward sorriu, sem realmente querer, pegando o aparelho de minha mão e notei que seus dedos permaneceram mais tempo do que realmente deviam em contato com minha pele, antes dele atender a ligação.

Por mais que eu tentasse, não conseguia entender o que estava acontecendo entre nós. Não voltamos a cometer o mesmo erro de duas noites atrás, quando me entreguei a ele, assim como não conversamos também. Definitivamente estava evitando ele, desde que Edward revelou que sempre soube do que houve no meu passado. Só conseguia me perguntar o quanto tinha contado a ele, o quanto ele sabia daquilo que tanto escondi às vezes de mim mesma. Mas eu devia ter imaginado que Edward saberia, lembrava de momentos tão íntimos nossos... é claro que ele sabia. Eu confiava nele, no passado e agora, porque me entreguei a ele sem hesitar, deixei que Edward me tivesse em seus braços completamente nua, que me beijasse...

― Chega ― murmurei bem baixo, para mim mesma, passando as mãos em meu cabelo, afastando uma mecha de meu rosto, sabendo que precisava parar de pensar.

― Ainda não sei quando vou voltar para Londres ― suas palavras me fizeram prestar atenção nele.

Seus olhos cheios de ternura caíram sobre mim e o encarei de volta, sentindo uma dor aguda em meu peito, ao mesmo tempo em que procurava uma explicação para as palmas das minhas mãos estarem tão suadas.

― Um jantar? ― seu rosto não tinha emoção enquanto ele ouvia pacientemente no celular ― Não, eu já estou bem, estou bem melhor... Isso seria ótimo, vamos sim ― falou com um quase sorriso nos lábios.

Parei de prestar atenção quando a moça nos trouxe o pedaço de bolo e a xícara de café, e sorri agradecendo. Encarei a fatia de bolo minuciosamente decorado com morangos e peguei o pequeno garfo reluzente, provando, sentindo o chantilly derreter em minha boca, fazendo-me mergulhar em uma lembrança.

“Analisei minha imagem no espelho e voltei a arrumar o lenço em minha cabeça, mas nada que fizesse faria com que aquilo parecesse meu cabelo...

― O que estava fazendo mesmo? ― perguntei baixo para mim mesma quando um branco invadiu minha mente.

― Está pronta? ― Edward entrou no quarto.

― Pronta? ― indaguei e ele entendeu imediatamente, ao ver minha expressão confusa.

― Você estava terminando de se arrumar... ― falou, sentando-se na poltrona ao meu lado.

Fechei os olhos e forcei minha memória, lembrando-me da viagem.

― É, estava me arrumando... final de semana em família.

― E aonde vamos? ― perguntou, suas mãos segurando as minhas.

― Minha cabeça está doendo.

― Eu sei, mas não pode desistir. Aonde vamos? ― falou e suspirei, tentando lembrar, mas nada me vinha à mente.

― Vamos... a East Hampton ― uma sensação de alívio me invadiu e sorri ― mais especificamente para Main Beach.

Edward se aproximou e seus lábios se moldaram aos meus, em um beijo lento, como se ele quisesse dizer algo que não conseguia falar olhando em meus olhos.

― Eu te amo ― ele sussurrou quebrando nosso beijo e levantei-me sendo puxada para seu colo.

Apoiei um joelho de cada lado do seu corpo, sentando em seu colo e voltei a beijá-lo sem pressa.

― Temos que ir ― falou enquanto distribuía beijos em meu pescoço.

― Vamos aonde? ― perguntei e ele me afastou, olhando-me com preocupação. ― Quem é você?! ― exclamei, empurrando-o e saindo de seu colo.

― Isabella ― ele me olhou assustado.

― É brincadeira ― falei rindo e Edward ficou paralisado.

― Não pode ficar me assustando assim ― falou. ― Você vai ver só... ― avisou e suas mãos me pegaram pela cintura, puxando-me para cama e fazendo cócegas em minha barriga.

― Para... chega!! Desculpe ― pedi entre risadas, já ofegante, e Edward parou, seus olhos nos meus. ― Eu te amo e não precisa se preocupar com isso, nunca te esquecerei ― admirei seu sorriso.”

― E então? ― Edward perguntou e notei que ele já tinha desligado a ligação, agora me encarando, esperando meu veredito.

― É familiar ― sussurrei ainda perdida naquela lembrança.

― Minha mãe vai fazer um jantar para a família essa noite e quer a nossa presença, tudo bem?

― Sim, tudo bem ― assenti, levando outro pequeno pedaço de bolo até minha boca e um silencio pesado e desconfortável se formou ali.

Vi ele beber seu café e ajeitei-me na cadeira, erguendo meus ombros que inconscientemente tinha encolhido.

Quando estávamos saindo da confeitaria, algum tempo depois, um rapaz alto e loiro nos parou.

― Edward! ― ele exclamou e os dois se cumprimentaram com um aperto de mão, que terminou com o rapaz puxando Edward para um abraço ― Fiquei sabendo do seu acidente, mas não me parece tão ruim.

― Agora já estou melhor e não foi tão grave assim. Mas o que está fazendo aqui Nova Iorque, Joseph?

― Negócio e mais negócios, finanças... você sabe ― o tal Joseph falou ajeitando seu blazer e então seus olhos caíram sobre mim.

― Essa é Isabella Swan... ― Edward falou e notei que ele iria dizer mais alguma coisa, porém se calou além do mais como ele iria me apresentar? Como uma amiga, alguém da família... talvez uma prima?

― Prazer em conhecê-la, sou Joseph Muniz ― o rapaz loiro sorriu, simpático, e cumprimentou-me com um aperto de mão, apenas tentei retribuir seu sorriso. ― Ah, antes que eu me esqueça... Parabéns! ― sua mão repousou sobre o ombro de Edward ― Minha avó dizia que isso era uma benção para o casal, é maravi....

― Muito obrigado ― Edward o interrompeu, com um sorriso que eu sabia que não era sincero. ― Estamos muito felizes com tudo isso ― suas palavras pareceram ensaiadas. ― Mas desculpe, não posso conversar agora, estou atrasado ― avisou olhando o relógio em seu pulso.

― Tudo bem, nos vemos em Londres ― ele afirmou e Edward apenas assentiu.

― Até mais.

Entramos no carro e Edward pareceu desconfortável, inquieto. Ele falou para o motorista que não faríamos mais paradas, iríamos direto para casa e então se recostou no banco, passando a mão nos cabelos.

― Por que os parabéns? ― acabei perguntando, pois tinha notado que ele interrompeu Joseph, como se temesse que ele dissesse algo.

― Por causa do casamento ― respondeu dando de ombros e senti uma estranha sensação fria, vazia.

― É em menos de três meses ― murmurei, contando os dias e ele apenas permaneceu em silêncio.

Chegamos a nossa casa... será que eu podia me referir a ela desse jeito: “nossa casa”? Edward parecia inquieto, incomodado, atormentado, e sem dizer nada apenas caminhou para seu quarto.

...

O relógio marcava cinco da tarde quando bati na porta do quarto, no final do corredor, mas não houve resposta, então a empurrei, espiando o lugar, vendo a cama vazia e ouvindo ao longe a água da torneira caindo na pia. Entrei, caminhando pelo quarto e hesitei antes de entrar no closet, mesmo assim andei por entre os armários, vendo as malas de Edward ali com algumas roupas amassadas e continuei caminhando até o banheiro, parando perto da porta, vendo-o sem camisa, a mancha roxa na lateral de seu corpo se estendia até suas costas, no entanto por mais que aquilo me preocupasse minha atenção não se prendeu ali, meus olhos seguiram até a tinta preta sobre suas escapulas e concentraram-se ali. Tentei ler as palavras desenhadas em sua pele, mas não sabia seus significados.

Ouvi Edward reclamar baixo, então andei mais alguns passos permitindo que minha imagem aparecesse no espelho.

― Oi ― falei e ele se virou, mas não estava surpreso, na verdade Edward parecia meio receoso.

― Oi.

― Acho que você se cortou ― avisei e ele riu.

― Eu definitivamente não sou canhoto ― falou olhando para sua mão direita imobilizada.

― Por que vai tirar? ― sua barba já estava um pouco densa, mas não havia grande necessidade de removê-la.

― Não deixava a barba crescer muito porque irritava sua pele e acho que me acostumei assim ― sua resposta fez meu rosto esquentar e sabia que estava começando a ficar vermelha.

― Posso te ajudar ― propus sem pensar direito e ele sorriu.

― Já barbeou alguém antes? ― perguntou, analisando-me.

― Para tudo se tem uma primeira vez ― falei já pegando o barbeador de sua mão e ficando entre ele e a pia do banheiro.

― Ok, divirta-se ― seus olhos prenderam os meus e acabei me perdendo no que ia começar a fazer, e Edward notou isso, pois sorriu..., um sorriso de quem estava adorando aquilo.

Tentei ficar em algum lugar que me desse um ângulo melhor de seu rosto, porém ele era mais alto e isso dificultava um pouco.

― Hum... ― murmurou pensativo e olhou ao redor ― E se fizermos assim ― ele se abaixou, seu braço esquerdo passando por trás de minhas pernas, e ergueu-me do chão.

― Edward, sua costela! ― falei, mas ele me ignorou, caminhando até a bancada na parede oposta e colocando-me sobre o mármore de cor clara.

Vi ele se afastar e pegar uma pequena vasilha, enchendo-a com água e colocando ao meu lado. Sentada ali eu ficava quase da sua altura e frente a frente com seus olhos verdes. Meu coração acelerou quando seus dedos tocaram meu joelho e afastaram minhas pernas para que ele ficasse entre elas, aproximando-se de mim.

― Melhor assim? ― indagou e engoli em seco, tentando encontrar minha voz, mas não consegui, então apenas assenti, ajeitando a lâmina do barbeador antes de passar com cuidado na lateral de seu rosto onde já estava com um pouco da espuma de barbear.

Senti minha pele queimar sob seu olhar analista, enquanto eu limpava o barbeador na pequena vasilha com água, passando mais um pouco de espuma em seu rosto, evitando olhar em seus olhos.

Peguei a toalha ali perto, assim que terminei, e limpei seu rosto, retirando o resto de espuma branca que sobrou em algumas partes. Mesmo sem a barba ele ainda continuava com a aparência de alguém com mais idade do que realmente tinha e sem perceber deixei meus dedos tocarem a lateral de seu rosto, deslizando no canto de seus olhos, onde havia marcas dos anos que sofreu.

― Eu... ― comecei, mas me perdi assim que seus olhos encontraram os meus e acho que estremeci, percebendo algo dentro daquele par de esmeraldas.

― Não diga nada ― ele pediu, sua mão deslizando pela minha perna, enquanto seus lábios roçaram nos meus. ― Desculpe, por não ter contado antes o que eu sabia ― falou baixo, tão perto... eu podia sentir sua respiração.

― Não tem que me pedir desculpas ― murmurei.

― Sabemos que não tenho que pedir desculpas só por isso e sim por muitos outros motivos.

― Isso de nada importa, você está prestes a se casar. Aquela noite foi um erro, isso é um erro e sei que não quer isso Edward, em nenhum momento você realmente pensou em ficar ― falei, empurrando-o levemente e descendo da bancada, enquanto assistia ele rir.

― Tem razão eu nunca quis tudo isso ― o tom de ironia em sua voz era evidente e ele respirou fundo antes de continuar, percebendo que eu não diria nada. ― Não há nada neste mundo que eu queira mais que você Isabella ― suas palavras calmas e carinhosas fizeram meu coração disparar e desviei meus olhos dos seus.

― Eu tenho que ir me arrumar, não podemos nos atrasar para o jantar ― falei rapidamente, arrumando a desculpa perfeita para sair dali.

...

Estávamos na sala de estar, da casa de Esme e Carlisle, todos pareciam animados como nunca os vi, talvez porque Edward também estivesse ali. Vi Alice sorrir, seus olhos brilhando e sorri também enquanto era puxada para outra lembrança:

“― Tudo bem? ― a mulher perguntou e apenas balancei a cabeça.

Vi ela pegar as máquinas para raspar meu cabelo. Primeiro cortou mecha por mecha deixando meu cabelo cada vez mais curto e então quando já não dava mais para cortar com a tesoura ela ligou a pequena máquina, passando-a em minha cabeça, e não aguentei, senti meus olhos começarem a arder, me olhei no espelho e vi as lágrimas traidoras descerem por meu rosto.

Estava com os cabelos bem curtos, talvez mais curtos que os de Carlisle quando olhei para o lado na hora em que a mulher trocou de máquina e vi Alice, com os olhos vermelhos, saindo do salão. A cabeleireira voltou a passar aquela maquininha em minha cabeça arrancando meus últimos fios de cabelo... senti mais lágrimas caírem de meus olhos.

― Prontinho, querida ― falou retirando a capa que me protegia dos fios de cabelo e acariciando de leve meu ombro.

― O-obrigada ― minha voz falhou e quando fui levantar alguém me impediu.

― Espera ― era a voz de Alice. ― Senta ai – era uma ordem.

Voltei a me sentar, tentando secar meu rosto e vi o reflexo dela no espelho a minha frente, seus olhos ainda estavam um pouco avermelhados.

― Olha o que eu comprei! ― falou sorrindo e me mostrou um lenço florido, em sua maior parte cor de rosa. ― Posso? ― perguntou e assenti, pois não tinha voz.

Alice passou o lenço por minha cabeça, onde até minutos atrás estava meu cabelo comprido e escuro, e por fim deu um nó perto da minha nuca, pegando o resto do lenço, que era longo, e o colocando sobre meu ombro direito.

― Perfeito ― sussurrou com as mãos sobre meus ombros.

― Obrigada ― agradeci, levantando-me e abraçando-a.”

― Sério que você vendeu? ― a voz de Emmett me trouxe de volta e tentei prestar atenção ao que eles falavam.

― Já não íamos naquele lugar há anos, acabei vendendo alguns meses atrás ― Edward explicou.

― Que lugar? ― todos me olharam surpresos, acho que devia ser porque era a primeira vez que falava algo durante todo o tempo que estávamos ali, e na verdade não era minha intenção falar, mas a pergunta simplesmente saiu sem que eu tivesse tempo de pensar.

― Uma fazenda que eu tinha no Oregon ― Edward respondeu e encarei seus olhos, ele estava sentado ao lado de Alice no sofá na parede oposta ao sofá que eu e David dividíamos.

― Onde passamos aquele final de semana uma vez, lembro-me de Alice acordar Emmett com uma jarra de água gelada ― falei sorrindo enquanto aquele par de esmeraldas me encaravam atenciosos e seus lábios mantinham aquele sorriso torto que descobri gostar mais do que imaginava ser possível.

Só então notei que todos estavam em silêncio e olhei ao redor, vendo Emmett, ao lado de Alice, boquiaberto, meu irmão ao meu lado tinha uma expressão surpresa, assim como a de Esme, já Carlisle sorria como se tivesse acabado de descobrir algo que ele já tinha deduzido. Eu não contei a ninguém que tinha começado a me lembrar, apenas Edward sabia... agora todos estavam espantados e eu não sabia como explicar, mas acho que tinha a obrigação de tentar.

― Sim, eu comecei a me lembrar há alguns meses ― respondi a pergunta silenciosa, estampada na expressão incrédula de quase todos na sala.

― Mas porque não nos contou? ― foi Emmett quem falou e encarei o homem de olhos verdes a minha frente, os quais tinham o poder de me acalmar, para que assim eu conseguisse admitir a verdade.

― Porque eu não queria me lembrar ― confessei e olhei para Carlisle que apenas assentiu, como se quisesse mostrar que compreendia meu medo, mas não concordava. ― E por isso preciso pedir perdão, pois não me esforcei para lembrar, simplesmente porque eu não fazia ideia do que estava perdendo e de como estava machucando todos vocês... Eu pedi para que Edward se afastasse e vocês permitiram que ele fosse embora, ficaram ao meu lado, quando deviam sentir raiva depois de eu ter causado tanto sofrimento. E não dei valor a isso, não percebi que pouco a pouco estava destruindo a minha família ― as palavras pareciam pesadas e exigiam de mim, então respirei fundo antes de continuar. ― Esme, eu fiz seu filho sofrer tanto e mesmo assim em momento algum você me culpou, ao contrário me acolheu como uma filha...

― Porque você é, minha querida, e como mãe tenho que saber dosar a atenção aos meus filhos e sabia que você precisava mais de mim do que Edward ― ela sorriu, seus olhos repletos de carinho e notei o rapaz de olhos verdes a minha frente.

Edward estava com os cotovelos apoiados nos joelhos e analisei-o, vendo-o abaixar a cabeça, permitindo que suas mãos percorressem seus cabelos acobreados, mas não podia deixar que sua dor me prendesse a ele naquele momento, então desviei o olhar me concentrando no homem, com um espirito de garoto preso em um corpo musculoso, um pouco maior que Edward.

― Emmett, agora percebo que só estava tentando me proteger de tudo e de todos, e o que eu fiz? ― senti algo molhar minha mão apoiada sobre a saia do meu vestido, só então percebi as lágrimas, rapidamente tentando secar meu queixo e minhas bochechas ― Gritei com você, eu te magoei, só para depois perceber que você tinha razão desde o inicio. Sei que já te pedi desculpas, mas...

― Você estava confusa com tudo, entendo seu medo, ― ele me interrompeu ― mas não importa o que diga, você é minha irmã e sempre irei te proteger ― ouço suas palavras e retribuo seu sorriso sem nem perceber, antes de meus olhos caírem sobre garota com olhos marejados de lágrimas, de cabelos curtos e semblante infantil, inocente.

― Alice, eu sinto muito ― falei baixo e vi-a desistir de tentar conter as lágrimas. ― Agora eu me lembro, agora sei o que fez por mim, em como me colocou ao seu lado como sua melhor e única amiga, do seu jeito extravagante me abraçou e fez de tudo para manter o que eu tentava destruir. Desculpe-me por ter te afastado, por escolher confiar em quem não devia, ao invés de me dar o trabalho de conhecer todos vocês novamente... Eu sinto tanto... ― minha voz falhou e vi Alice se levantar, estendendo as mãos para mim.

― Esta tudo bem ― ela afirmou e segurei seus dedos, levantando-me e abraçando-a. ― Eu também tenho que me desculpar, você estava tão confusa e eu não facilitei em nada, nenhum de nós, todos queríamos desesperadamente que você se lembrasse, tínhamos medo de te perder.

― E o nosso medo quase nos fez te perder, olha que ironia ― Emmett comentou, levantando-se e envolvendo nós duas em seus braços.

― Também quero participar do abraço ― David informou, fazendo todos rirem e logo senti um de seus braços em meu pescoço.

― Pessoal por favor, chega, vão sufocá-la ― ouvi a voz doce de Esme e eles se afastaram, dando espaço para que ela pudesse se aproximar. ― É a minha vez ― seu sorriso era terno e seu abraço me fez sentir especial.

― Sinto muito por tu... ― comecei a falar baixo, mas Esme me interrompeu.

― Shh... tudo bem, o importante é que você está bem e está se lembrando ― ela afirmou sorrindo.

― Tudo ficará bem ― Carlisle falou baixo enquanto me abraçava e afastei-me olhando em seus olhos azuis, ele sabia que eu precisava ouvir aquilo.

Todos queriam saber o que exatamente eu já tinha lembrado, qual foi minha primeira lembrança, o que pode ter desencadeado a volta de minhas memórias... Eles tinham perguntas, mas eu não tinha resposta para a maioria delas, na verdade deixei de prestar atenção quando Edward saiu da sala. Vi ele falar algo com sua mãe e os dois se levantaram saindo, foi quando de repente me senti desamparada ali, totalmente desprotegida e percebi quando Emmett mudou o assunto, sorrindo para mim, percebendo meu desconforto, mas logo em seguida ele também se levantou e saiu.

― Sabe, você poderia me ajudar com a organização do meu desfile da nova coleção ― Alice propôs e sorri.

― Eu vou adorar poder ajudar ― afirmei.

― Ah que bom, assim ela para de ficar me perguntando sobre paletas de cores ― David desabafou e acabei rindo.

Esme veio nos avisar que o jantar estava pronto e todos nos dirigimos à sala de jantar, onde a mesa estava perfeitamente arrumada.

― Onde estão Emmett e Edward? ― Alice perguntou, já se sentando ao lado de David.

― No escritório, Edward estava vendo alguns documentos, já os chamei ― Esme falou.

― Eu vou lá ― Alice avisou, mas sem pensar a impedi.

― Deixa que eu vou ― falei rápido, ainda não tinha me sentado, então tinha um argumento.

Sai rapidamente dali e segui para o cômodo ao lado, encarando a escada de mármore.

― Diga para virem logo, senão vai esfriar ― ouvi a voz de Esme e subi os degraus.

Caminhei pelo corredor e virei a esquerda, em um segundo corredor, mas ali estava escuro, iluminado apenas pela fresta de luz da porta encostada do escritório. Aproximei-me e quando iria bater para chama-los ouvi a voz exaltada de Emmett.

― Eu não consigo pensar em nada que te prenda a Tanya do jeito que está preso.

― Não estou preso a ela ― ouvi a voz de Edward, ele parecia distante.

― Não? Isabella está se lembrando, ela quer nossa família unida e ficou bem claro que isso inclui você, então porque ainda não cancelou esse casamento?

― As coisas são complicadas.

― O que é complicado? ― Emmett estava irritado, podia notar isso.

― Você não entenderia.

― Sexo? Porque esse é o único motivo que, em minha opinião, poderia te prender a ela e eu realmente não entenderia. Já tive minhas noites com a Tanya, sei que ela é boa, na verdade incrível, aquilo que ela faz com... ― dou um passo para trás, assustada com suas palavras.

― Sim, o sexo é bom, mas não tem nada a ver com isso ― Edward o interrompeu, com a voz agora mais firme.

― Que bom, pois você seria um imbecil se largasse tudo o que pode ter aqui por uma transa.

― Eu já fui um imbecil ― o rapaz de olhos verdes fala como se estivesse admitindo aquilo, aceitando tal fato.

― O que quer dizer?

― Deixei a mulher da minha vida escapar por entre meus dedos, se isso não é ser um tolo, imbecil, então eu não sei o que é ― suas palavras fizeram meu coração acelerar e senti que iria desmoronar, sem querer esbarrando na mesinha ali ao meu lado e o vaso sobre ela fez barulho ao rodar e quase cair, porém o segurei sentindo o susto fazer as pontas dos meus dedos doerem com meu coração disparado.

― Emmett... Edward? ― chamei rapidamente, pois sabia que eles podiam ter ouvido e precisava disfarçar ― Esme pediu para chama-los ― falei e vi a porta se abrir. ― O jantar esta pronto.

― Estamos indo, vem Edward depois terminamos de ver esses documentos ― Emmett falou, fingindo. ― E então, pode confessar, a primeira coisa que se lembrou foi de algum momento comigo, eu sei ― brincou, todo convencido enquanto caminhávamos até a escada e sorri, sentindo sua mão em meu braço, próximo ao meu cotovelo, como se quisesse ter certeza que conseguiria me segurar caso eu tropeçasse nos degraus.

― Para falar a verdade, sim, mas não conte para Alice ― falei baixinho e sua expressão surpresa me fez rir.

― E você vai dizer isso para ela também né?! Estou entendo seu joguinho Bella, mas não caio nessa... ― disse se fazendo de magoado e Edward riu, vindo logo atrás de nós.

Chegamos a sala e ouvi Emmett falar alguma coisa sobre o jantar parecer delicioso, mas estava concentrada no rapaz que puxava a cadeira para mim com o seu braço que não estava machucado.

― Tudo bem? ― perguntou baixo, para que só eu ouvisse e então percebi que encarava seus olhos verdes.

― Tudo ― sussurrei, assentindo e desviando o olhar, vendo Carlisle nos analisar com uma expressão preocupada.

O jantar era preenchido por risadas, todos pareciam tão felizes, tudo estava tão certo. O sorriso de Alice era encantador e acabei sorrindo também, admirando-a logo a minha frente, do outro lado da mesa redonda. David ao seu lado direito dizia a uma Esme radiante, que estava sentada ao meu lado, que precisava aprender a receita do jantar, já Carlisle continuava com aquele olhar apreensivo. Emmett estava concentrado em seu prato que não tinha espaço para mais nada e Edward estava sentado à minha direita. Ele tirou a luva que imobilizava sua mão direita, para que pudesse segurar os talheres, mas percebi que ele se esforçava para apoiar a faca em seu polegar e tentava segura-lo com o indicador, já que seus outros dedos pareciam falhar nessa tarefa tremendo, sem estabilidade. Experimentei um pouco do macarrão e tentei entrar no assunto, mas ao olhar para Emmett que mandava uma indireta para David, percebi que deixei passar algo. A cadeira vazia entre Emmett e Edward.

Seria aquela cadeira o lugar da futura esposa do homem de cabelos acobreados ao meu lado? Será que era isso que o destino estava preparando para nós? Como eu poderia, depois de tudo, olhá-lo e ver apenas alguém conhecido, um amigo, um primo... como Emmett? E quando ele estivesse na cidade eu teria que cumprimentar sua esposa e vê-la sentada ali ao seu lado, segurando sua mão, abraçando e beijando-o. Eu conseguiria? Eu conseguiria deixar de lado todas as lembranças, cada sensação, cada sentimento... e fingir que nada aconteceu? Fingir que nunca tinha sentido o toque de seus lábios, que nunca tínhamos estado nos braços um do outro completamente nus... fingir que só ao sentir seu perfume não tinha vontade de abraça-lo e demonstrar que estava bem, mesmo sabendo que sem ele ao meu lado era o mesmo de não ter o chão sob meus pés. Eu conseguiria isso?

― Precisamos de uma viagem, todo mundo junto em um lugar diferente, exótico ― Alice anunciou e acordei daqueles pensamentos.

― Acabamos de tirar uma semana de férias na praia antes do seu aniversário ― Emmett falou antes de beber um pouco da bebida em seu copo.

― Mas isso já faz quase um mês... Eu quero viajar.

― Para onde quer ir? ― foi Edward quem perguntou.

― Alasca.

― Alasca? ― David quase engasgou ― Mas, meu amor, o que você vai fazer no Alasca?

― Ver a aurora boreal.

― Isso é no inverno ― o homem de olhos verdes informou e sorriu.

― Então podemos ir para a África, Egito, ver as pirâmides!

― Queria saber qual é o seu quesito de escolha, pois de Alasca para Egito é pouquíssima diferença, não é mesmo? ― Emmett falou ironicamente e acabei rindo junto com todos.

― Ou podemos ir para Madagascar ― Alice propôs mais um destino, fazendo o rapaz musculoso rir.

― Querida, você já não terá que ir viajar para ver sua mãe? ― Esme a lembrou.

― É verdade... tinha me esquecido.

― Podemos marcar uma viagem em família no final do ano ― Edward sugeriu. ― E Isabella irá escolher para onde iremos ― assustei-me quando ouvi meu nome e encarei aquele par de esmeraldas antes de olhar todos ali.

― Isso, pode escolher qualquer lugar menos as três opções da Alice ― Emmett me incentivou.

― Eu não sei... ― murmurei pensativa, pega de surpresa.

― Claro que sabe ― a voz grave de Edward fez um nome surgir em minha cabeça. ― Um lugar que queira conhecer.

― Acho que a França... Paris ― respondi, olhando no fundo de seus olhos verdes, vendo todo carinho e o jeito doce como me olhava de volta, e de repente tive vontade de tocá-lo, como se eu precisasse sentir o calor de sua pele e como se ele tivesse adivinhado isso, as pontas de seus dedos tocaram as costas da minha mão direita que estava apoiada na mesa.

― Ótima escolha ― ele comentou e sua mão se afastou da minha, mas rápido do que eu queria.

― Paris é perfeito, mas será inverno, acho a cidade mais bonita na primavera ― ouvi a baixinha, de cabelos escuros, comentar, mas eu não disse nada, ainda estava totalmente presa nas lembranças que surgiram em minha mente.

Minhas lembranças com Edward, em nossa lua de mel em Paris.

― Então, Bella, quando você volta para casa? Sei que passar uns dias na sua antiga casa foi bom para a sua memoria, mas sinto sua falta e Edward já está melhor.

― Sim, ele esta melhor ― falei sorrindo para Alice, sabendo que não poderia ficar mais tempo naquela casa com ele. ― Volto amanhã, já comecei a arrumar minhas coisas, amanha de manhã já estou em casa ― era uma mentira, não tinha começado a arrumar nada, mas isso faria com que ela não fizesse mais perguntas.

De repente vi o olhar surpreso do homem ao meu lado, mas ele conseguiu disfarçar muito bem. Sabia que ele não queria que acabasse, ainda tínhamos tanta coisa para conversar, mas isso mudaria alguma coisa? E pensando nisso encontrei a resposta para meu último questionamento... a resposta era não. Eu não conseguiria ver Edward com outra mulher, mas depois de ouvir a conversa entre ele e Emmett, acho que nem se eu tivesse coragem de fazer algo para impedir... nada que eu fizesse mudaria as coisas.

...

Chegamos do jantar já passava das onze horas da noite e entrei na grande sala da “nossa” casa, mas parei perto da mesinha de centro, abracei meu corpo ao sentir o ar gelado e fechei os olhos quando ouvi a porta se fechar. Sabia que ele estava atrás de mim, apenas a alguns metros atrás de mim e eu continuava ali parada.

― Tudo bem? ― ouvi a sua voz grave e rouca.

― Como eu pude te esquecer, quando prometi que não o faria? Como pude esquecer a sensação tão boa que é estar com eles... A sensação tão boa de ter você por perto ― abri os olhos e respirei fundo.

― Não foi culpa sua.

― Eu os afastei, fiz todos que me amavam sofrerem ― admiti e virei-me para poder olhar em seus olhos. ― Fiz você sofrer.

― Você estava confusa, com medo... Não foi culpa sua, foi minha ― afirmou e engoli em seco quando o vi caminhar até mim. ― Não vá embora Isabella, fique.

― Ficar até chegar o dia do seu casamento? ― indaguei e senti meus olhos queimarem quando tentei conter as lágrimas.

― Eu te fiz uma proposta e você não me deu uma resposta.

― Nós dois, aqui nesta casa... esquecer o mundo lá fora ― relembrei sua proposta de dois dias atrás, encarando minhas mãos. ― Não sei o que dizer ― revelei, sabendo que aquilo era um erro, sentindo medo.

― Não pense em nada além dessas paredes ― ele falou baixo e senti seus dedos em meu queixo, erguendo meu rosto delicadamente, para que eu o olhasse. ― Não pense em nada além de mim... e me diga: sim ou não.

Seus dedos se afastaram da minha pele cedo demais e tive vontade de segurar sua mão, mas não o fiz, apenas olhei seus olhos verdes tão perto de mim e perguntei-me quando ele tinha se aproximado tanto?

― Acho que não consigo te dizer não ― revelo e aquele sorriso tomou conta de seus lábios, antes de sua mão segurar em minha cintura e puxar-me para mais perto ainda.

Senti seu nariz roçar no meu antes de sua boca se moldar a minha, fazendo meu corpo estremecer e todo medo que senti a segundos atrás se esvaiu.

― Você está linda nesse vestido, ― sussurrou separando nossos lábios e permaneci de olhos fechados quando ele encostou sua testa na minha ― mas confesso que desde que saímos para ir ao jantar e até agora penso em como seria bom eu poder tirá-lo ― suas palavras me pegaram de surpresa, fazendo minhas bochechas esquentarem e acabei rindo, segurando em sua camisa e encostando-me em seu peito, escondendo o rosto na curva do seu pescoço.

Ouvi sua risada rouca e suas mãos que contornavam minha cintura deslizaram pelas minhas costas e suspirei quando seus braços me envolveram, sentindo seu perfume e de repente ouvi as palavras saírem de minha boca.

― E o que faria se pudesse tirá-lo? ― perguntei e afastei-me, encarando aquelas íris verdes como esmeraldas.

― Você sabe o que eu faria ― afirmou e um arrepio percorreu toda minha pele, então respirei fundo e virei-me, ficando de costas para ele.

Puxei meu cabelo por sobre meu ombro esquerdo, deixando à mostra o zíper do meu vestido.

― Então o tire ― permiti e tentei controlar minha respiração, junto com meu coração que acelerou assim que ele começou abrir o zíper.

Continua...

Notas finais
Desculpe ter demorado tanto com o capítulo... farei o máximo para não demorar tanto assim, agradeço a quem ainda acompanha a história e ficaria muito, muito feliz em receber reviews com a opinião de cada um de vocês. Recomendações são sempre bem-vindas! Beijoss Até logo