Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
71 Arrependimentos - Parte II
Notas iniciais
See the flames inside my eyes
It burns so bright I wanna feel your love
Easy, baby, maybe I'm a liar
But for tonight I wanna fall in love
Put your faith in my stomach
― Ed Sheeran (I'm a Mess)
Isabella’s POV
Acordei aos poucos, enquanto lentamente relembrava da noite anterior...
“― E o que faria se pudesse tirá-lo? ― perguntei e afastei-me, encarando aquelas íris verdes como esmeraldas.
― Você sabe o que eu faria ― afirmou e um arrepio percorreu toda minha pele, então respirei fundo e virei-me, ficando de costas para ele.
Puxei meu cabelo por sobre meu ombro esquerdo, deixando à mostra o zíper do meu vestido.
― Então o tire ― permiti e tentei controlar minha respiração, junto com meu coração que acelerou assim que ele começou abrir.
Senti o tecido se soltar do meu corpo e estremeci quando seus lábios tocaram minha nuca, fazendo um caminho de beijos até minha cintura, quando aos poucos senti Edward fechar meu vestido novamente.
― O que...? ― comecei a murmurar, mas ele me interrompeu.
― Eu realmente quero muito tirá-lo, mas não posso fazer isso sabendo que amanhã de manhã você irá acordar se condenando, assim como a dois dias atrás, achando que mais uma vez cometeu um erro horrível ― falou baixo, próximo de meu pescoço. ― Não quero que se arrependa.
Respirei fundo antes de me virar e encara-lo, repousando minhas mãos sobre seus ombros, deslizando-as passando pelo seu pescoço até as laterais de seu rosto, beijando-o, moldando seus lábios nos seus, permitindo que ele me puxasse para mais perto. Minha respiração já descontrolada quando depositei um último beijo sobre seus lábios e encostei sobre seu tórax, sendo embalada em seus braços.
― Mas seria ótimo se passasse a noite comigo, apenas para dormir ― sua voz soou próxima de meu ouvido e sorri.
― Eu adoraria ― sussurrei."
Respirei fundo e ao abrir os olhos vi Edward dormindo ao meu lado, com a cabeça apoiada sobre seu braço como se fosse seu travesseiro, ainda estava cedo, o sol começava a nascer e o quarto tinha aquele tom azulado antes se iluminar por completo. Reparei em seu braço direito repousando levemente dobrado sobre a lateral de seu corpo, sabia que ele sentia dor, mas que nunca admitiria isso e então voltei a encarar as marcas em seu rosto, mesmo a fraca luz era possível ver as pequenas rugas no canto de seus olhos. E de repente tive vontade tocá-lo, sentir sua pele...
“― Eu não consigo pensar em nada que te prenda a Tanya do jeito que está preso.
― Não estou preso a ela ― ouvi a voz de Edward, ele parecia distante.
― Não? Isabella está se lembrando, ela quer nossa família unida e ficou bem claro que isso inclui você, então porque ainda não cancelou esse casamento?
― As coisas são complicadas.”
Relembrei a conversa que ouvi entre ele e Emmett e fechei os olhos, acomodando-me melhor no travesseiro, sentindo um aperto no peito enquanto me forçava a cair no sono novamente.
Acordei algum tempo depois encarando o lugar vazio ao meu lado e sentei-me na cama, vendo o quarto já iluminado pelo sol fraco da manhã.
Havia algo estranho, eu me sentia estranha... O lugar não parecia tão acolhedor, e a cama da qual acabei de me levantar já não parecia tão aconchegante, na verdade o lugar estava frio. Caminhei até o banheiro e tomei um banho quente, tentando entender tudo aquilo..., Procurei por uma roupa confortável, assim que sai do banho, mas eu já não tinha muitas opções então peguei um vestido florido e meu cardigan bege, vestindo-me e sequei meu cabelo, fazendo um coque, olhando meu reflexo no grande espelho ali no closet.
― Pálida como sempre ― murmurei antes de sair, caminhando pela casa.
Senti o cheiro de café e chegando a cozinha vi a porta do jardim aberta. Peguei uma caneca e servi-me, logo seguindo até o jardim, passando pelo caminho no meio da grama que já estava alta, então eu o vi, sentando no banco de madeira sob a sombra da maior árvore ali.
Vê-lo daquele jeito causava um desconforto dentro do meu peito, ver seus ombros caídos e curvados, seus cotovelos apoiados sobre seus joelhos denunciavam seu cansaço, enquanto ele encarava o cigarro acesso entre seus dedos, e perguntei-me se já o tinha visto fumar antes. Dei mais alguns passos em sua direção, porém ele só notou minha presença quando ouviu minha voz.
― Não me lembro de você fumando ― comentei e seus olhos encontraram os meus, porém logo se desviaram para analisar o cigarro em sua mão.
― Porque eu não fumo ― respondeu antes de tragar uma última vez e apagá-lo no cinzeiro apoiado sobre o braço do banco, vi Edward se recompor, endireitando os ombros, mais sua postura não era imponente como sempre.
― Ok ― sussurrei e aquele sorriso torto surgiu em seus lábios.
― Sente-se comigo ― ele propôs, pegando sua caneca de café que ocupava o lugar ao seu lado no banco e confesso que hesitei antes de me aproximar e sentar-me, encolhendo minhas pernas sobre o acento de madeira.
Provei um pouco da bebida escura na pequena caneca que aquecia meus dedos e senti-me reconfortada, segura ali, mas me perguntei se aquilo era uma simples sensação provocada por uma bebida quente ou devia-se ao fato de estar ao lado dele.
― A última vez que me sentei aqui foi com você ― sua voz soou rouca e grave, quebrando o breve silêncio que havia se formado. ― Mas aquele dia não foi um de seus melhores, estava muito fraca, muito doente, e não queria ficar no quarto, então eu te trouxe aqui para tomar um pouco de ar, sentir o sol.
― Foi difícil, foi extremamente difícil viver ao meu lado, não foi? ― indaguei.
― Sim, foi difícil Isabella ― sua pronuncia era calma, sua expressão pensativa. ― No entanto, foi ainda mais difícil viver sem você ― afirmou e seus olhos encontraram os meus.
Voltei a encarar a caneca em minhas mãos e senti meu rosto esquentar, enquanto o silêncio reinava no lugar e meu coração se apertava com suas palavras, que me acertaram como se pesassem dez quilos e de repente eu notei a enorme distância, o alto muro entre nós. Como tudo isso acabaria bem?
― Então, me explique porque está cursando administração também? ― novamente foi ele o primeiro a falar e Edward pareceu ansioso para mudar o rumo da conversa.
― Alice já estava no segundo ano, fomos morar juntas... ― comecei, porém não sabia como explicar algo que nem eu entendia ― Não sei, acho que parecia mais fácil seguir os passos dela, eu pensei...
― Pensou o que? ― perguntou e ergui o olhar, vendo seus olhos me admirando atentamente.
― Pensei que sabia o que queria para minha vida, mas a verdade é que eu não sabia, não tinha a mínima ideia do que realmente queria viver.
― Bom, dizem que nunca é tarde demais para viver.
― Não seria: nunca é tarde demais para amar? ― eu o corrigi.
― Também ― sorriu, voltando a beber seu café.
― Acha que é possível amar de verdade mais de uma pessoa em uma vida? ― minha pergunta era pretensiosa, tinha total consciência disso, mas não consegui contê-la, ela escapou por entre meus lábios.
― Desculpe responder com outra pergunta, mas acha possível viver uma vida amando apenas uma pessoa? ― seu olhar estava fixo no jardim a nossa frente e senti a dor aguda em meu peito.
― Sim, acho possível.
― Talvez tenha razão ― ele deu de ombros, sem me olhar.
― Como consegue fazer isso? ― indaguei, colocando as pernas para fora do banco, deixando que meus pés tocassem as pedras do jardim, mas não as sentia, era como se estivesse flutuando no vazio.
― Fazer o que? ― seus olhos me encararam.
― Tirar o meu chão com apenas alguns palavras ― respondi antes de me levantar e caminhar em direção a casa.
Deixei a caneca que eu segurava em um lugar qualquer na cozinha e corri, corri até o quarto que lembro um dia ter chamado de “nosso” e fechei a porta, antes de cair sobre o colchão. O fato de não entender tudo o que estava acontecendo parecia me destruir por dentro, ou melhor o fato de saber que não importava o que aconteceu e o que aconteceria, nada mudaria os planos de Edward. Puxei o travesseiro ao meu lado, abraçando-o, sentindo cada centímetro da minha pele se arrepiar com o perfume dele preso ali no tecido e aos poucos fui transportada para mais uma de minhas lembranças:
“― Está tudo bem? ― perguntei me aproximando da cama, assim que terminei de me vestir, e Edward passou as mãos no rosto, parecendo um pouco perturbado quando passou os dedos pelos cabelos, levando os fios para trás. ― Não devia ficar tão nervoso com isso, sabe, acho que de certa forma tudo o que aconteceu foi por uma boa causa ― falei, sentando-me.
― Emmett foi expulso e Alice entrou em uma briga, Isabella.
― E agora vocês estão juntos, como deve ser ― exclamei. ― Se coloque no lugar de Emmett, como ele ficaria lá sozinho, e Alice... Vocês devem ficar juntos, cuidando um do outro ― vi ele tentar um sorriso, mas não teve um bom resultado. ― Não gosto desse clima, não quero vê-los assim, discutindo...
― Eu sei ― ele falou me interrompendo ― vem cá ― pediu estendendo a mão e segurei-a, aproximando-me dele, que me puxou para mais perto e apoiei um joelho de cada lado do seu corpo, sentando em seu colo.
Deixei minhas mãos pousarem sobre seu peito nu e senti seus dedos acariciarem minha bochecha enquanto seus olhos me analisavam atentamente, como se buscassem decorar cada detalhe em mim.
― Meu anjo ― sussurrou e sorri....”
Abri os olhos e fitei minha mão, tocando o lugar onde ficava minha aliança em meu dedo anelar, perguntando-me porque quis tirá-la tão rápido, por que causei tudo isso as pessoas que me amavam tanto? Já havia cansado de me questionar sobre isso, pois no fundo eu sabia a resposta... Mas então me perguntava porque ele me obedeceu? E mais uma vez, eu tinha a resposta:
“― Eu não teria te mandado embora ― afirmei.
― Eu sei... Mas acredito que eu teria ido de qualquer forma ― ele confessou e foi como se tivesse me atingido com uma estaca em meu peito.”
Empurrei o travesseiro e levantei-me, caminhando até a porta que levava a sacada, parando ali e recostando-me no batente, sentindo o vento que entrava no quarto, fazendo as cortinas ondularem. Respirei fundo, ajeitando cada pensamento em minha cabeça e um arrepio percorreu minha espinha quando ouvi os passos no piso de madeira, aproximando-se de mim cada vez mais. Então o silêncio..., era como se o ar ali tivesse congelado e eu podia sentir...
Edward se aproximou mais e fechei os olhos, reconhecendo o calor de seu corpo junto ao meu e durante um segundo tudo que me machucava passou como um filme em minha mente, cada momento e fiz o impossível para impedir que alguma lágrima traiçoeira caísse.
― Sabe, não foi difícil, foi destruidor te ver sofrendo, fraca, com tanta dor e não poder fazer nada, eu não podia fazer absolutamente nada ― suas palavras eram sussurradas lentamente perto de meu ouvido e sentia sua respiração contra meu pescoço enquanto tentava acalmar meu coração. ― E pior que isso, era ter a certeza do seu fim inevitável, a única certeza que os médicos davam era que tínhamos pouco tempo..., eu tinha pouco tempo... ― sua voz baixa e rouca dominava o pequeno espaço entre nós ― Tinha pouco tempo para aprender a viver sem você e eu me perguntava: “Como?, Como faria isso?... Meu Deus, como posso continuar sem ela?” ― sua risada soou sem nenhum humor, e abri os olhos já não conseguindo mais conter as lágrimas, apenas deixando que caíssem ― Então percebi que não podia, era impossível e no momento que me disseram que você não acordaria mais eu não perdi apenas meu chão..., perdi a razão da minha existência. Eu não sei se é possível amar mais de uma pessoa em uma vida, ou se podemos viver amando apenas uma, o que eu sei é que nunca senti por alguém o que senti por você e nunca irei amar alguém do jeito como te amo agora. Não ache que eu menti ou que foi apenas coisa do momento, quando disse que te amava enquanto estávamos nessa cama. Nunca mentiria para você Isabella ― sua voz soou firme e tive que secar meu rosto, foi quando ele se aproximou um pouquinho mais, deixando que seu tórax se moldasse as minhas costas e permiti-me apoiar meu corpo nele, enquanto seus dedos afastavam cuidadosamente a mecha de cabelo que estava sobre meu ombro e seus lábios depositaram um beijo na base do meu pescoço.
Suas mãos se apoiaram em meu quadril e viraram-me de frente para ele, deixando que eu olhasse em seus olhos e visse o desespero neles, e sem pensar levei minhas mãos até seu rosto, sentindo cada detalhe e Edward fechou os olhos, enquanto as pontas de meus dedos contornavam cada linha de sua expressão, cada pequena ruga e segui para seus cabelos, levando os fios para trás, deixando meus dedos se prenderem ali na sua nuca e só então ele voltou a abrir os olhos. Senti sua respiração quando se aproximou mais e seu nariz encostou-se ao meu.
― Você me deixa tão confusa ― sussurrei.
― E se eu te prometer explicar tudo ― ele propôs, afastando-se para olhar em meus olhos. ― Prometo que contarei tudo que quiser saber, sobre o tempo que vivi em Londres, sobre o casamento... tudo, mas não hoje, não nesse final de semana, ainda estarei aqui na segunda, na terça e por muitos outros dias ― informou voltando a encostar sua testa na minha. ― Mas antes de tudo, eu preciso de você, preciso te sentir e saber que isso não é apenas mais um de meus sonhos ― ouvi seu murmúrio e fechei os olhos. ― Desculpe-me se às vezes não digo o que você espera ou o que quer ouvir, sinto muito se em algum momento soei rude... é que... já faz tanto tempo...
― Você não soou rude ― falei, erguendo o rosto para olhar em seus olhos e ele riu, balançando levemente a cabeça, discordando de mim. ― Acho que há um momento em que o desespero e o medo dominam ― sussurrei e balancei a cabeça, tentando entender algo que nós dois não conseguíamos entender. ― Tem razão, muito tempo se passou Edward, muita coisa mudou em nós dois e ao mesmo tempo...
― E ao mesmo tempo tudo continua igual ― ele concluiu minha frase e suas mãos deslizarem de meus ombros até minha cintura, passando por minhas costas e meu corpo estremeceu, como se reconhecesse o seu toque.
― Conte-me mais, sobre a época em que ainda estávamos em Forks, sobre antes de você saber que eu estava doente ― pedi e vi um quase sorriso em seus lábios ― Sei que você me contou tudo o que aconteceu lá, mas quero os detalhes, há muita coisa que ainda não me lembro.
Então ele começou a contar e nos sentamos na cama, enquanto eu o ouvia relembrar e narrar cada detalhe do que vivemos e quando percebi já estávamos deitados um ao lado do outro, trocando olharem entre as palavras.
― ...lembro desse dia, logo depois que passamos a ser namorados, o jantar na minha casa, você ficou tão vermelha ― ele riu. ― Era mais fácil fazê-la corar naquela época.
― E algo me diz que você adorava isso, adorava me deixar envergonhada ― falei, encarando-o.
― Só às vezes ― um breve sorriso tomou conta de seus lábios.
Reparei o jeito como uma pequena veia aparecia cruzando sua testa sempre que ele sorria, ela fazia um caminho saindo de sua sobrancelha, subindo para seu cabelo e perguntei-me como não havia percebido antes, ou será que já a tinha notado e apenas não me lembrava disso? Porém, antes de poder chegar a uma conclusão fui distraída por aquelas esmeraldas que me encaravam.
― O que é isso que vejo em seus olhos, sempre que olha para mim? ― perguntei antes de poder pensar, tentando entender a profundidade de seu olhar, o brilho preso ali e mais uma coisa, algo que não conseguia decifrar.
― Sinto tantas coisas diferentes quando olho para você, talvez o que vê é apenas o reflexo de um emaranhado de pensamentos.
― Não ― falei baixo, deitando-me de lado para poder olhá-lo melhor e ele também se virou, ficando frente a frente comigo. ― Se trata apenas de uma coisa..., algo que te preocupa.
― Tenho muitas preocupações, Isabella ― sua voz soou distante aos meus ouvidos.
Voltei a apoiar minhas costas sobre o colchão, olhando o teto branco, logo depois cada móvel ali e encarei a maior parede do quarto, sorrindo inconscientemente.
― Lembro-me de quando a pintamos ― falei apontando para a parede de cor verde exatamente como seus olhos.
― Acho que aquele dia conseguiu ser tão bom quanto foi ruim... ― Edward começou a contar.
~*~
Eram quase onze da manhã de domingo e começava a me perguntar se o pouco que restava do final de semana seria o suficiente para resolver o que precisava ser resolvido. Não conseguia entender o que acontecia entre nós, ou talvez não estivesse acontecendo nada, já que eu não permitia que de fato acontecesse algo... Ou possivelmente tudo isso fosse apenas uma consequência de todas as lacunas deixadas, as quais Edward insistia deixar em aberto por mais algum tempo. Talvez tudo isso estivesse nos prejudicando, talvez tudo isso nos impedisse de construir algo... algo que nem sei se ele quer construir. Foram cinco anos que fiquei dormindo, mais dois anos que pedi, praticamente exigi, que ele ficasse longe de mim. Como superar tudo isso? Como poderíamos simplesmente passar uma borracha em cima disso tudo?
Encarei meu reflexo no espelho, enquanto amarrava a fita azul claro que contornava minha cintura e ajustava o vestido em meu corpo. Apertei as pontas do meu cabelo molhado e sequei-o o máximo possível com a toalha, antes de sair do quarto e ver a porta no final do corredor aberta, então caminhei e parei na entrada do lugar onde fiquei em coma por tanto tempo.
Edward estava lá, parado em frente a grande janela, encarando o jardim ou algo além dele, e por um segundo senti o impulso de me aproximar, deixar que minhas mãos deslizassem por suas costas, tocar seus ombros, abraçá-lo..., mas eu não podia.
― Desculpe sempre levantar antes ― Edward falou de repente e perguntei-me quando ele havia notado minha presença ali. ― É um pouco agoniante te ver dormindo, tenho a sensação de que não vai acordar ― vi ele se virar e encarei seus olhos, encontrando ali a coragem necessária para fazer aquilo que eu achava que não podia.
Caminhei a passos firmes em sua direção e abracei-o, ficando nas pontas dos pés, sendo recebida em seus braços, e permiti as minhas mãos deslizarem por seus ombros, deixando que meus dedos subissem sua nuca e se enroscassem em seus cabelo. Senti sua respiração em meu pescoço e minha pele se arrepiou no mesmo segundo.
― Isabella ― ele falou baixo e se afastou, apenas o bastante para olhar em meus olhos.
― Não, por favor não ― sussurrei e um breve sorriso surgiu em seus lábios.
― Ok ― ele concordou, depositando um beijo em minha testa, voltando a me embalar em seus braços.
..
E assim passamos o resto do final de semana, achando desculpas para evitar o que realmente deveria ser discutido. Edward parecia sempre ter alguma história sobre ele mesmo, sobre Alice e Emmett, ou algum pequeno detalhe sobre nosso passado. E então percebi o quanto eu gostava de ouvir sua voz, seu sorriso... e de repente eu me perguntava se ela o admirava assim, se sua noiva sentia o mesmo que eu quando estava perto dele ou se Edward a olhava do mesmo jeito que estava me olhando nesse exato momento.
― Tudo bem? ― ele perguntou e apenas assenti, desviando meus olhos dos seus e depois o vi sair da cozinha.
Peguei a pequena forma com macarrão e coloquei no forno, ajustando a temperatura para depois terminar de arrumar a mesa para o jantar. Foi quando Edward voltou, segurando uma garrafa.
― Emmett deve ter pegado as bebidas da adega, mas deixou esse vinho para trás, o que acha? ― informou.
― Não sei..., eu não bebo.
― Não é uísque, é apenas um vinho ― ele informou. ― Se você ficar bêbada e quiser tirar a roupa, eu não vou deixar... Prometo ― ficou nítido o tom de ironia em sua promessa, junto com seu sorriso e acabei rindo também, antes de pegar uma das taças em sua mão.
Eram quase oito horas da noite quando terminamos de jantar e segui Edward até a sala que guardava o majestoso piano, vendo-o deixar a garrafa de vinho sobre a pequena mesa perto do sofá aconchegante e também deixei as taças ali, antes de me sentar e encarar Edward que se sentou sobre o tapete empoeirado, encostando-se no assento do sofá e erguendo a cabeça para me olhar, continuando a história que contava, mas sinceramente já nem sabia mais sobre o que ela era. Seus olhos pareciam tão claros, de um verde reluzente e eu não queria que eles parassem de me encarar.
― Gostou de estar aqui Isabella? ― perguntou e fui puxada de volta ― Digo, dessa casa? ― explicou e olhei a sala ao meu redor.
― Durante esses dias em vários momentos me senti como uma estranha, mas em outros foi como se aqui fosse meu lar de verdade, aquele que eu estava procurando por tanto tempo ― respondi e ele sorriu.
Um momento de silencio se formou e encarei a placa branca e preta sobre a mesinha, então afastei minha taça e toquei a peça que parecia envelhecida.
― É um tabuleiro de xadrez? ― indaguei ― Onde estão as peças?
― Sim, é um tabuleiro de xadrez ― Edward riu da minha empolgação, enquanto abria as pequenas gavetas na lateral da mesinha, encontrando as várias peças.
― Eu e David temos o costume de jogar ― informei e ele começou a organizar as peças douradas e brancas em cada quadradinho.
― Então vamos jogar ― propôs e sorri, também me sentando sobre o tapete no chão, ficando de frente a Edward.
Começamos o jogo e não demorou muito para o silêncio de minutos atrás voltar a reinar entre nós, e acho que tentávamos disfarçar isso fingindo estarmos concentrados no jogo de xadrez.
― Acho que esgotamos os assuntos ― comentei e encarei seus olhos, depois de mover uma de minhas peças pelo tabuleiro.
― Ou esgotamos as desculpas? ― sua pergunta foi inesperada e sabia que ele tinha razão, mas tudo parecia tão complicado, tão doloroso.
― Xeque-mate ― anunciei e ele analisou o tabuleiro por alguns segundos antes de derrubar o seu rei.
― Isso foi sorte ― ouvi-o murmurar e acabei rindo enquanto o ajudava a organizar as peças novamente, para uma nova partida.
― Como foi depois que entrei em coma? ― perguntei enquanto o observava mover um peão e seus olhos um pouco surpresos fitaram os meus.
― Como foi? ― indagou para si mesmo, pensativo ― Você não mostrava nenhuma melhora, já estava no hospital há algum tempo, mas não havia mudanças ― ele começou a falar enquanto analisava o tabuleiro de xadrez, antes de mexer uma peça. ― Então os médicos chegaram a conclusões diferentes, um deles me disse que seu coração estava fraco e não conseguiria se manter caso você acordasse, algum tempo depois outros dois médicos declaram morte cerebral e disseram que não havia mais nada a se fazer, você não iria acordar...
― E então? ― perguntei quando ele se calou, encarando o tabuleiro com os olhos semicerrados.
― Então Alec não permitiu, disse que sua atividade cerebral era baixa, mas ainda existia, que eu devia retira-la do hospital e ter esperança.
― Foi quando você me trouxe para casa ― conclui e Edward apenas assentiu, olhando-me nos olhos e deixei o jogo de lado, concentrando-me nele.
― O primeiro ano não foi difícil, era fácil acreditar que você acordaria ― suas palavras eram pronunciadas com calma. ― Mas o segundo ano... Tudo foi se complicando, era quase insuportável chegar ao final de cada dia e perceber que nada tinha mudado. Às vezes ficava horas te olhando, esperando um sinal, qualquer coisa que me dissesse que você estava ali, mas nada acontecia ― sua voz tinham um peso, uma carga tão grande e respirei fundo para impedir que eu caísse em lágrimas na sua frente.
― Como chegou naquele estado Edward? ― vi o canto de sua boca se mover em um quase sorriso quando me ouviu pronunciar seu nome, mas notei algo estranho em sua expressão.
― Era fácil me distrair na maior parte do dia, mas havia momentos, pequenos momentos... Perdi a conta das vezes que me sentava para jantar, mas como poderia, sem você ali comigo? Ou como poderia me deitar e dormir sozinho em nossa cama? ― sua voz era firme, como se aquele assunto não o abalasse, muito menos incomodasse, mas seus olhos eram profundos e densos, por um momento me fizeram lembrar de como ele estava quando acordei do coma, daquele Edward extremamente magro, com olheiras profundas e uma expressão desesperada.
― E quando finalmente acordei, causei ainda mais dor ― murmurei, movendo a peça em formato de torre.
― Bom, o importante é que você está aqui ― falou, parecendo estar distante ― E está viva ― então ele suspirou e derrubou o seu rei. ― Quando foi que ficou tão boa no xadrez? ― acabei rindo do seu tom surpreso e senti meu rosto esquentar vendo o jeito que ele me admirava.
― Mais uma partida? ― perguntei e vi Edward colocar um pouco de vinho na minha taça, então me questionei sobre o quanto eu já havia bebido, não tinha a menor ideia, mas começava a perceber meus ombros relaxados e meu corpo mais leve.
― Só se dessa vez fizermos uma aposta ― ouvi sua voz com um tom de desafio, enquanto eu bebia um pouco do líquido escuro na minha taça.
― Acho que não está em posição de propor uma aposta, você já perdeu duas vezes.
― Acho que alguém esta com medo ― falou baixo e ri, vendo-o organizar as pequenas peças.
― Ok, se eu ganhar novamente, o que é muito provável, ― falei ― quero que acabe com os segredos, quero que me conte tudo.
Edward de repente ficou pensativo e depois de alguns segundos apenas assentiu.
― Certo, e se eu ganhar... terá que fazer o que eu mandar pelo resto da noite ― suas palavras fizeram minha pele se arrepiar e uma sensação gelada passou por minha espinha, quando seus olhos me encararam como se pudessem ver além do que deviam, talvez agora eu estivesse com medo.
Peguei minha taça, bebendo mais um pouco do vinho, e de repente me questionei sobre o porquê aquilo me assustava, não havia motivos, ou havia? Na verdade não parecia uma ideia tão ruim, o que ele poderia pedir para que eu fizesse? Mandar que eu tirasse minha roupa? Como se eu não quisesse isso!
Surpreendi-me com o que tinha acabado de admitir para mim mesma e sem conseguir impedir senti minhas bochechas corarem, notando o sorriso torto nos lábios de Edward que finalmente desviou seus olhos em direção ao tabuleiro.
― Temos uma aposta, então ― afirmei, tentando respirar tranquilamente, sentindo meu rosto agora levemente aquecido.
― Ótimo, então comece.
Movi uma peça e vi-o mover as mesmas que tinha movido nas outras partidas, Edward faria o mesmo jogo, seria fácil.
― Não, já chega ― falei quando ele me serviu um pouco mais de vinho.
― Só mais uma taça, e ultima ― sorriu mostrando a garrafa vazia depois de colocar o resto em sua taça e então moveu mais uma peça no tabuleiro.
― Você disse que não me deixaria ficar bêbada.
― Não, eu disse que não permitiria que tirasse a roupa, caso você quisesse fazer isso, se ficasse bêbada. ― corrigiu-me.
― E parece decepcionado com isso?
― Bom, realmente pensei que presenciaria uma cena dessas, você bêbada em cima da mesa, tentando tirar esse vestido ― comentou e acabei rindo, gargalhando, nem sei se suas palavras foram tão engraçadas assim, mas me fizeram rir e tentei parar controlando a respiração, evitando seu olhar.
― Sinto muito, mas vai precisar de muito mais que uma garrafa de vinho para isso.
― Será? ― ele indagou e acabei sorrindo, sentindo minhas bochechas esquentarem novamente. ― Isabella... ― seu sorriso era de quem estava se divertindo e seus olhos eram intensos ― ...já é a oitava vez, desde que nos sentamos aqui, que você morde o lábio, ― informou ― e eu agradeceria muito se não fizesse mais isso.
― Quando ganhar o jogo pode mandar que eu pare, até lá não ― respondi a seu pedido, movendo a pecinha em forma de cavalo.
― Ainda não tinha pensado no que eu pediria para você fazer, mais isso é uma boa ideia, posso pedir também que suba na mesa e tire a roupa ― sua voz soou levemente rouca, em um tom sério, ao mesmo tempo em que parecia carregar uma pitada de ironia.
― Você não vai ganhar ― afirmei rindo, pegando mais uma de suas peças, juntando com as varias outras que já tinha tirado dele, enquanto eu ainda estava com todas as minhas peças no tabuleiro.
― Mas, em um futuro hipotético, se eu ganhar poderia pedir isso? ― perguntou e dessa vez percebi que mordi o meu lábio inferior.
Eu deveria ter dito que não, no entanto o pouco álcool que havia ingerido, que para meu organismo tinha sido o bastante para mexer com minha capacidade de decisão, alterou minha resposta.
― Acho que sim ― as palavras saíram da minha boca e Edward sorriu, movendo uma ultima peça e logo depois derrubando meu rei.
― Ótimo ― afirmou, deixando-me sem reação.
― Co-como? O que? ― gaguejei, ainda olhando o tabuleiro.
― Você é boa, mas acho que eu me esqueci de lembra-la que também sou ― explicou. ― Agora, podemos passar para a parte que você tirar esse vestido ― seu olhar..., era como se ele já tivesse me despido e eu apenas não notara.
― E-eu... ― novamente minha capacidade de formular uma frase falhou, talvez um efeito do meu coração acelerado, só não sabia dizer se era de medo ou se havia outro motivo para isso.
E então, vi seu olhar mudar, de repente aquele par de esmeraldas foi se tornando suave e encararam-me com ternura.
― É brincadeira, meu anjo ― notei o breve sorriso em seus lábios. ― Você ficou pálida ― ele parecia preocupado quando tocou minha mão apoiada sobre o tapete e acabei rindo, desviando meus olhos dos seus.
― Eu estou bem ― falei baixo e sorri antes de olhar em seus olhos, para então me levantar, sentindo o tapete felpudo sob meus pés. ― E, na verdade, eu até gostaria... ― comecei a falar, levando minhas mãos até minha cintura, deixando as pontas dos meus dedos deslizarem entre o tecido branco do meu vestido e a fita azul, indo até minhas costas ― É uma pena ― murmurei, soltando a fita em minha cintura e jogando em sua direção, vendo-a cair sobre seu ombro enquanto seus olhos estava fixos em mim e eu permiti que ele visse a lateral do meu corpo, enquanto segurei o tecido leve da minha roupa. ― É realmente uma pena, que foi só uma brincadeira ― disse erguendo meu vestido, fazendo a barra deslizar, subindo por minha coxa ― Não é mesmo? ― indaguei, puxando mais um pouquinho e então soltando o tecido que voltou ao seu lugar, logo acima de meu joelho.
― Sim, é uma pena ― sua voz estava rouca e ouvi ele tossir, engolindo em seco, antes de pegar a taça e beber um pouco do vinho. ― Acho que preciso de um uísque ― murmurou para si mesmo e acabei rindo, vendo-o levantar o olhar em minha direção.
― Eu também sei jogar ― informei, sentando-me no chão novamente, mas dessa vez me encostei no assento do sofá ao lado dele e mais uma vez corei, percebendo o que acabara de fazer.
― Nunca duvidei disso ― afirmou e olhei para minhas mãos sobre meu colo, sentindo-me leve, muito leve.
Então por um segundo pensei em tudo aquilo, todas as risadas desde o instante em que nos sentamos aqui e pensei nos dias que vivemos nesse lugar, apesar de toda a dificuldade na época...
― Imagino que nós nos divertimos muito aqui, nessa casa ― comentei.
― Sim, tivemos muitos momentos ― comentou, pensativo.
― Você falou pouco daqui, mais dos dias em que eu não estava muito bem.
― Foram dias complicados, mas sim tivemos momentos... maravilhosos, mas em sua maior parte foram momentos muito íntimos ― tentei entender suas palavras e refleti sobre aquilo, em tudo que vivemos ali.
― E nesse tempo nunca pensamos em um futuro... em ter filhos, talvez? ― perguntei, notando sua surpresa e logo em seguida o jeito como a disfarçou.
― Evitávamos ao máximo pensar no futuro, Isabella.
― É claro, foi uma pergunta boba, ― murmurei ― para nós não existia futuro...
― Mais ou menos isso, e também porque você me disse que não podia engravidar.
Encarei meus dedos novamente, que dessa vez se enrolavam na barra do meu vestido e apenas dei de ombros, respirando fundo e sorrindo, mesmo sem querer.
― Ficamos juntos por um bom tempo, se não engravidei nesse período deve ser porque eu realmente não posso.
― Pensei que você tinha certeza disso.
― Pensei que tinha te contado tudo ― meus olhos encontraram os seus e perguntei-me porque estava entrando nesse assunto, mas parece que não estava mais controlando as palavras que saiam por minha boca. ― Como eu te contei? ― indaguei.
Edward não esperava por isso, mas sei que tinha entendido perfeitamente ao que eu me referia, pois sua expressão se tornou preocupada e suas palavras cautelosas, precisando apenas de alguns segundos para formular sua breve resposta:
― Faltavam apenas algumas horas para o nosso casamento, quando você apareceu na minha casa dizendo que precisávamos conversar, lembro-me do jeito como me olhou naquele momento, você estava tão apavorada, com medo ― ele parecia perdido naquela lembrança e quando seus olhos encontraram os meus eu novamente tive vontade de toca-lo, de senti-lo. ― Você simplesmente me contou o que queria que eu soubesse, e depois voltamos a conversar durante a nossa lua de mel, mas apenas me falou o que era preciso, nada mais que isso.
― Então acho que já foi o bastante ― conclui.
― Não, não foi ― ele falou e vi a atmosfera leve e descontraída ir embora, dando lugar a um clima pesado. ― O que você não me contou?
― Acho que muita coisa ― murmurei. ― Assim como você também esta escondendo muita coisa de mim ― acho que finalmente chegamos onde não queríamos chegar.
― Eu te prometi que vou te explicar tudo e vou cumprir essa promessa.
― Mas me explicar irá mudar alguma coisa? ― perguntei e seu silencio me machucou ― Você irá se casar com outra.
― Não é bem um casamento ― ele falou, sem olhar para mim. ― Eu apenas tenho que fazer isso.
― Eu não entendo.
― Não precisa entender ― Edward passou a mão nos cabelos e finalmente seus olhos verdes encontraram os meus. ― Olha, eu errei com você Isabella, eu sei que errei e talvez seja isso que você quer tanto ouvir de mim...
― Não quero ouvir nada de você ― informei me levantando, caminhando em direção ao piano, ficando de costas para ele.
Era como se estivesse vestindo um espartilho muito apertado, que não me permitia respirar direito, pois foi como se de repente meus pulmões perdessem a capacidade de se encher de ar. Meu peito doía e percebi que era isso que eu estava tentado evitar... que nós estávamos tentando evitar. Mas talvez isso fosse um erro, pois se não contarmos, se não falarmos e não ouvirmos um ao outro, essa angústia nunca acabará.
― Eu tinha apenas seis anos quando tudo começou ― voltei ao assunto anterior, tomando a decisão de contar a ele o que não havia contado. ― Não me lembro de muita coisa, mas as poucas memórias são bem nítidas... Lembro-me de como ele adorava me dar banho, de como ficava me encarando ― apoiei minhas mãos sobre a pintura preta brilhante do piano e tentei respirar fundo. ― Então com o passar dos anos ele me usou de todas as formas possíveis... Quantas vezes eu tremia, apavorada, enquanto ele me forçava a ajoelhar na frente dele ― engoli em seco, sentindo um enjoo, e levei meus dedos até meus lábios, por um momento sentindo aquela lembrança. ― E depois eu vomitava por horas, com nojo de mim mesma. Provavelmente já falei da noite em que ele me torturou, queimando-me, enquanto estava amarrada ― olhei para minhas mãos e juntei meus punhos, lembrando perfeitamente do jeito como ele enrolava a corda neles, tão apertada que me fazia perder toda a sensibilidade de meus dedos.
Eu podia ver minhas mãos presas, podia sentir minha pele formigando... E de repente em um sobressalto voltei a realidade, com uma respiração descontrolada, sentindo os braços de Edward ao meu redor e suas mãos sobre as minhas.
― É só uma lembrança ― ele falou baixo próximo ao meu ouvido.
― É um segredo ― sussurrei, não contendo as lágrimas, que caíram me fazendo soluçar e meu corpo simplesmente falhou.
Senti os braços fortes de Edward me segurarem e lentamente me colocarem no chão, sentando-se ao meu lado, permitindo que eu me encostasse em seu ombro, segurando sua camisa com toda força entre meus dedos.
― Então me conta seu segredo ― ele pediu em voz baixa e ali entre sussurros eu lhe contei tudo:
― Nunca era o bastante, parecia que ele não se satisfazia enquanto não me visse sangrar ― eu estava praticamente sem voz e minhas mãos continuavam grudadas em sua camisa, mantendo-o perto, minha bochecha roçando na sua, seu rosto próximo ao meu. ― Eu tinha uns oito, nove anos... quando comecei a ter hemorragias, eu perdia muito sangue, ao ponto de precisar ir para o hospital. Ela... minha... ― tive dificuldades de falar aquela palavra, então respirei fundo, sentindo os dedos de Edward tocarem suavemente minha nuca, deslizando até minhas costas e afastei-me um pouco, vendo sua outra mão imobilizada mas mesmo assim sustentando a minha, e olhei seus olhos verdes ― ... Minha mãe, era, e acho que ainda é, médica, então sempre arrumava um jeito para que nenhuma enfermeira fizesse perguntas. Foi nessa época que ela me levou em uma amiga dela, uma ginecologista, e depois de muitos exames... lembro-me de ouvi-la dizer que eu não podia engravidar, havia algum problema, mas eu não compreendia as palavras que ela usava ― fechei os olhos, respirando fundo, tentando me recompor, porém mais algumas lágrimas caíram e cobri meu rosto com as mãos. ― Eu estava muito machucada... ― murmurei, passando os dedos sob meus olhos e encarando o tapete empoeirado, enquanto meus braços abraçavam a mim mesma. ― Sentia tanta dor, a todo instante, e isso não impedia nada, ele me usava mesmo assim. ― outro soluço e novamente voltei a chorar, sentindo todo o desespero que tinha naquela lembrança ― E quando eu... quando eu começava a sangrar muito ele apenas usava outro lugar em mim e não parava até que eu estivesse inconsciente ― sussurrei e arfei sem ar, tentando respirar. ― Agora você sabe.
Edward parecia distante, era possível notar como ele apertava a mandíbula e notei sua mão tremendo quando ele tocou delicadamente a lateral do meu rosto, aproximando-se com cuidado, como se não quisesse me assustar, para então depositar um beijo casto em minha testa e eu apenas segurei a gola de sua camisa, deixando que meus dedos se segurassem em seu pescoço, sentindo todo seu corpo tremer e afastei-me a tempo de ver uma lágrima cair de seus olhos levemente avermelhados. Toquei seu rosto e percebi o quanto ele tentava se conter, mas eu via... eu podia ver tudo: a dor, a raiva, a angústia... e o arrependimento... era isso que ele escondia?
― E qual é o seu segredo Edward? ― indaguei sem voz alguma, mas sabia que ele tinha entendido.
― Eu não sei viver sem você ― revelou. ― Eu tento, só para no final de cada dia perceber que é impossível.
― Então não tente mais, apenas viva cada dia... comigo ― falei baixo e fechei os olhos, deixando que ele acariciasse meu rosto. ― Beije-me ― pedi.
Seus dedos tocaram meu queixo e seus lábios se moldaram aos meus tão delicadamente, com tanto cuidado... e acabei sorrindo, quebrando o breve beijo.
― Queria que você nunca parasse de me tocar ― segurei sua mão, que deslizou até a lateral de meu rosto, e novamente fechei os olhos. ― Não quero correr o risco de mais uma vez esquecer essa sensação... ou de confundi-la. Foram tantas as vezes que minhas memorias se misturaram,.... Por um tempo, em minhas lembranças você e ele eram praticamente a mesma pessoa. Eu estava tão assustada ― minha voz falhou.
― Diga-me o que fazer ― ele parecia sentir toda minha dor.
― Quero me lembrar apenas dos seus toques, dos seus beijos, quero me lembrar apenas de como é estar em seus braços, de como é me sentir segura ― murmurei, apoiando minhas mãos na base de seu pescoço. ― Tenho que esquecer ele, tudo aquilo ― um tremor de medo passou por meu corpo. – Faça-me esquecer ― pedi desesperada.
Suas mãos deslizaram por minhas costas, trazendo-me para mais perto com cuidado e meus dedos se enroscaram em seus cabelos logo acima de sua nuca, enquanto sentia-o depositar pequenos beijos em meu pescoço e tentei manter minha respiração calma. Levei minha mão até o coque em minha cabeça, soltando meus cabelos, sentindo cada centímetro da minha pele se arrepiar quando Edward deslizou a alça de meu vestido por meu ombro, sua boca voltando a minha, seus lábios se moldando lentamente aos meus e meus dedos trêmulos conseguiram abrir apenas os dois primeiros botões de sua camisa, antes que ele me ajudasse, usando apenas sua mão esquerda para terminar de abri-la. Toquei em seu tórax, sentindo sua pele quente e seus olhos encontraram os meus, antes dele retirar a luva que imobilizava sua mão direita, voltando a tomar minha boca, em um beijo calmo e senti seu braço rodear minha cintura.
Edward me deitou sobre o tapete e seus dedos entraram sob meu vestido, tocando minha pele e erguendo o tecido, então eu o tirei, ficando apenas com o conjunto de lingerie branca. Senti seus lábios em meu pescoço, fazendo uma trilha de beijos até o pequeno espaço entre meus seios, então sua boca continuou deslizando por minha barriga e chegando a barra de minha calcinha, suas mãos segurando as laterais do meu quadril, seus dedos se enroscando na renda delicada de minha lingerie. Fechei os olhos e permiti que ele me lembrasse de como era estar em seus braços, de como era confiar nele e em troca Edward me amou, da forma mais doce e com o maior cuidado que ele poderia ter enquanto me levava ao ápice do prazer.
...
Ouvia seu coração batendo forte, porém calmo, um leve som que quase me levara a cair no sono, porém me sentei pegando a peça de roupa que estava mais perto, a camisa escura de Edward, e vesti-a, levantando-me. Não olhei para ele, mas sabia que estava acordado, sentia seu olhar sobre mim, em cada movimento meu. Terminei de abotoar os botões enquanto me aproximava das estantes e peguei um dos livros nas várias caixas ali no chão, folheando-o, sem realmente vê-lo, sentindo meu rosto corar ao relembrar tudo o que tinha acontecido. Deixei o livro de capa dura sobre uma das prateleiras da estante e caminhei até o piano, sentando-me no banco e erguendo a tampa que protegia o teclado branco e preto. Meus dedos deslizaram sobre elas e breves memórias me vieram à mente, momentos em que Edward me ensinava a tocar alguma melodia, ou que simplesmente o ouvia tocar. Permiti as pontas dos meus dedos tocarem algumas notas isoladas e sorri, sentindo sua respiração em meu pescoço.
― Tudo bem? ― ele perguntou baixo, sua voz contra minha pele, fazendo um arrepio percorrer meu corpo.
Olhei-o, vendo Edward se sentar ao meu lado, seus olhos encontrando os meus e pela primeira vez ele não tentava esconder nada... apenas via meu reflexo em seus olhos verdes, cheios de ternura, mais nada.
― Tudo perfeito ― sussurrei e um sorriso torto se formou em seus lábios antes dele voltar sua atenção para o piano a nossa frente.
Sua mão esquerda se posicionou sobre as teclas, começando a tocar uma melodia lenta..., talvez sensual fosse a palavra certa, e em alguns segundos ela se transformou em outra, a qual soou familiar, mas não conseguia me lembrar onde e quando já a tinha ouvido. Edward levou sua mão direita até o teclado também, incorporando outras notas e a doce melodia tornou-se mais densa, terminando abruptamente quando seus dedos machucados erraram as teclas.
― Eu sinto muito ― falei baixo, vendo-o esticar e dobrar os dedos de sua mão direita, começando a explicar ao ver seu olhar surpreso. ― Por sua mão, foi culpa minha, se eu tivesse prestado atenção...
― Não diga isso ― ele me interrompeu rapidamente. ― Nunca devia ter deixado você sair correndo daquele jeito e isso... ― apontou para seus dedos e sorriu ― ... um pouco de fisioterapia e poderei voltar a tocar ― informou olhando o piano a sua frente e então fechou a tampa de madeira preta.
― Edward... ― seus olhos voltaram aos meus quando pronunciei seu nome e toquei seu rosto, ajeitando seu cabelo bagunçado fazendo-o sorrir ― É melhor irmos para o quarto, já está tarde ― falei, vendo-o assentir, mas antes que eu pudesse me levantar ele me pegou no colo, erguendo-me em seus braços e carregando-me para fora da sala.
Queria dizer que ele não devia fazer aquilo, que seu ombro e sua costela ainda estavam machucados, que não podia forçar muito seu pé ainda imobilizado, mas não consegui, estava totalmente hipnotizada por seus olhos, tão sinceros. Então simplesmente passei os braços ao redor de seu pescoço e apoiei a cabeça em seu ombro, deliciando-me com seu perfume, enquanto ele subia as escadas, entrando no corredor todo iluminado.
― Está tarde, mas não tarde o bastante para dormir ― murmurei perto de seu ouvido quando chegamos a porta do quarto e ele me levou para dentro sem acender as luzes.
Edward soltou com cuidado minhas pernas, deixando que meus pés tocassem o chão e quando minhas pernas se firmaram, sua mão deslizou de meus joelhos até o alto de minhas costas, enquanto sua boca beijava a minha de um jeito quente. Seus beijos seguiram para meu pescoço, meus ombros, e suas mãos entraram sob a camisa dele que eu usava como um vestido muito curto. Permiti que minhas mãos deslizassem em seus ombros e percorressem suas costas, deixando que minhas unhas marcassem levemente sua pele e senti meu coração disparar quando ele segurou meu cabelo próximo a raiz, puxando-me para um beijo um pouco urgente. Talvez fosse a primeira carícia, naquela noite, não tão cuidadosa dele.
― Eu te assustei ― era uma afirmação e eu apenas neguei com a cabeça, sem ar para conseguir falar, vendo-o sorrir logo em seguida. ― Me desculpe ― falou em voz baixa, afastando a mecha de cabelo do meu rosto.
As luzes do corredor iluminavam parcialmente o quarto e podia ver o olhar preocupado de Edward.
― Não me assustou ― minha voz estava rouca, quase sem som.
― Quer saber? Vamos fazer diferente ― informou.
― O que....? ― não consegui terminar minha pergunta, pois suas mãos seguraram atrás de minhas coxas e levantaram-me, logo em seguida ele se deitou na cama, deixando-me sobre seu colo.
Ajeitei meus joelhos sobre o colchão, estavam apoiados um de cada lado do seu quadril e apoiava minhas mãos nas laterais de seu braço, mantendo meu rosto próximo ao seu.
― O que acha? ― perguntou e endireitei-me, deixando meu corpo reto, sentada sobre seu colo, vendo-o deitado.
― Eu não sei... ― perdi as palavras.
― Isabella, estou aqui para o seu prazer ― afirmou e senti meu rosto queimar, vendo-o sorrir. ― Pelo menos uma vez faça isso, esteja no controle... Eu sou seu, me use como quiser.
― E-eu... ― gaguejei e ele segurou minhas mãos, então respirei fundo e formulei uma frase coerente: ― Eu não saberia o que fazer.
― Faça o que tem vontade de fazer, ou me mostre o que quer que eu faça e eu farei ― ele incentivou, apoiando minhas mãos sobre seu tórax e abaixei-me, beijando-o, sentindo seus dedos deslizarem por minhas pernas e cai na risada sentindo-o fazer cocegas em meus pés.
― Edward! ― empurrei suas mãos e ele riu.
― Relaxa ― pediu em voz baixa sorrindo e retribui seu sorriso.
Ajudei-o a tirar suas calças, deixando-o apenas com a cueca boxer preta, e voltei para seu colo, sentindo seu tórax com minhas mãos, o jeito como sua barriga era definida, sentindo seus músculos e mesmo a baixa luz vi a mancha roxa na lateral de seu corpo.
― O que quer fazer agora? ― perguntou e fitei seus olhos, antes de começar a desabotoar os botões da camisa que eu vestia.
Senti meu pescoço e rosto esquentarem quando tirei a camisa e permiti que Edward tivesse uma ampla visão de meu corpo nu, mas ele não desviou seus olhos dos meus, apenas se apoiou sobre seu braço para se levantando o bastante para alcançar meu cabelo, trazendo uma parte para cima do meu ombro, para que assim cobrisse meu seio e fiz a mesma coisa com o resto do meu cabelo. As mechas onduladas caiam até minha cintura e agora cobriam meus seios, não me deixando tão incomodada e Edward sabia disso. Então eu não o deixei voltar a se deitar, segurei seus ombros e puxei-o, em um pedido silencioso para que se sentasse e assim seu corpo ficasse mais perto do meu. Tomei sua boca para mim, beijando-o e suas mãos seguraram-me, moldando-se em minhas costelas.
Gemi baixinho contra seus lábios e peguei sua mão ainda próxima a minha cintura e a levei até meu seio, fechando os olhos, sentindo ele me tocar, fazendo meu corpo estremecer e notei seu membro duro sob mim.
― Eu quero você ― sussurrei e Edward apertou meu corpo contra o seu, enquanto eu o sentia afastar sua cueca.
Então eu abaixei meu corpo lentamente, sentindo ele entrando em mim, completando-me.
Foi nesse momento que empurrei levemente seus ombros e ele atendeu a meu pedido, voltando a se deitar, deixando-me no comando mais uma vez e apoiando minhas mãos sobre seu peito, movi-me devagar, para cima e para baixo, sentindo-o, gemendo baixinho a cada onda de prazer que percorria meu corpo. Sentia suas mãos deslizando de meus tornozelos até meus joelhos e mais uma vez minhas unhas arranharam sua pele, meus olhos encontraram os seus e vi ali um incentivo. “Eu sou seu, me use como quiser...” foram as suas palavras e agora eu podia entende-las, ele pedira que eu tivesse o controle, que me aproveitasse disso, que o usasse apenas para o meu prazer. Então finalmente eu me desliguei de tudo, fechei os olhos, tornando meus movimentos mais lentos, sentindo o jeito como ele era perfeito para mim, e acho que pela primeira vez permiti que minhas mãos percorressem o meu corpo. Toquei meu pescoço, deixando que meus dedos descessem por meus ombros, escorregando pela minha cintura, contornando meu quadril, deixando que minhas mãos subissem pela minha barriga e se fechassem sobre meus seios, massageando, sentindo eles, e um tremor passou por minha espinha, mas continuei , sentindo minha respiração ficando cada vez mais difícil.
― Edward ― arfei, minhas pernas perdendo a força e ele se sentou, seu braço rodeando minha cintura e ajudando-me a continuar.
― Eu estou aqui ― sussurrou e olhei em seus olhos, antes de encostar minha testa na sua, seu nariz roçando no meu.
Sua respiração quente e pesada contra a minha, fazia-me querer me agarrar ainda mais a ele e então segurei firme em seus ombros, novamente sentindo aquele tremor, a sensação de uma onda enorme de prazer e de repente essa onda se quebrou, fazendo-me gemer alto, e os braços dele me seguraram com força, mantendo aquele sobe e desce em seu colo, enquanto eu sentia meu corpo apertando seu membro dentro de mim e ouvia a voz rouca de Edward contra meus lábios, gemendo baixo.
Apoiei-me sobre seu tórax, descansando, tentando controlar a respiração e enquanto isso uma de suas mãos acariciava meus cabelos, e a outra me segurava. Ele depositou beijos em minha testa e na lateral de meu pescoço, foi quando não consegui conter o soluço, as lágrimas.
― Isabella ― ouvi sua voz me chamando baixo e procurou por meus olhos, até que não consegui mais me esconder e encarei-o. ― O que houve? ― ele estava desesperado.
― Eu te amo ― sussurrei e mesmo a pouca luz vi sua feição preocupada se desmanchar.
― Meu anjo ― seus dedos limparam as lágrimas em meu rosto e ele me segurou mais firme, virando-nos e deitando-me com cuidado na cama.
Edward me beijou de um jeito diferente, era como se ele estivesse me contando tudo ali naquele beijo. Seus lábios acariciavam os meus e seus braços me seguravam tão forte que ficava ainda mais difícil para respirar, mas eu não queria que ele parasse, porque aquilo era tudo que eu mais queria. Então senti ele me completar novamente, estocando em mim com calma, porém com força, fazendo-me gemer contra sua boca e pedir para que ele não parasse.
...
Edward estava deitado de bruços, a cabeça apoiada sobre seu braço, os olhos fechado, porém sabia que ele ainda estava acordado, pois sua respiração não era uniforme, as vezes saindo do ritmo. Deixei que minha mão tocasse suas costas e meus dedos percorreram as letras tatuadas sobre suas escápulas.
Quod me nutrit me destruit
― O que quer dizer? ― perguntei e seus olhos encontraram os meu, antes dele apenas dar de ombros.
― Não tem nenhum grande significado ― falou, virando-se, deitando suas costas no colchão, e minha mão repousou sobre seu peito, enquanto continuava esperando e ele sorriu, percebendo que eu não desistiria. Então pronunciou as palavras que pareciam francesas, ou seria latim?, e as traduziu: ― O que me nutre também me destrói,... ou algo parecido com isso.
Seus braços rodearam meu corpo e suas mãos seguraram minha cintura, enquanto tentava entender o significado das palavras que ele acabara de dizer.
Estiquei meu braço sobre Edward, até a mesinha ao lado da cama, tomando cuidado para não me apoiar sobre o lado machucado de seu corpo e peguei seu relógio de pulso, não contendo um sorriso ao ver que ainda eram uma e quarenta da manhã.
― Ainda falta muito para amanhecer ― informei e ele percebeu meu alivio. ― Esse relógio, ele parece familiar ― comentei por um momento mudando o assunto, olhando a peça em minha mão e vi seu sorriso torto.
― Você me deu de presente, no meu aniversário... faz muitos anos ― notei sua expressão ao contar mentalmente quando tempo já se passara.
― E continua usando... Para se lembrar de mim sempre que olhar as horas.
― Não preciso disso para me lembrar de você, Isabella ― sua voz era suave.
― Então do que precisa? ― perguntei, ainda me mantendo sobre seu corpo, seus braços ao meu redor.
― Sabe, foi muito difícil recomeçar em Londres e por um bom tempo o jeito que arranjei de seguir em frente foi simplesmente riscar o seu nome dos meus pensamentos ― ele começou a falar devagar. ― Porém você não saia da minha cabeça, me lembrava de você como alguém sem nome ― Edward riu e percebi seu olhar distante ― Tudo me lembrava de você, se olhava uma vitrine automaticamente procurava por uma joia que eu sabia que você iria gostar ou se visse uma roupa tentava me lembrar de alguma vez que usou algo parecido, se fosse a um restaurante sempre quando iria escolher um prato eu me lembrava de como você sempre ficava indecisa no que pedir e no biquinho que fazia enquanto tentava decidir ― falou baixo, a ponta de seu dedo delineando meu lábio inferior e sorri. ― E na primeira gaveta de minha mesa, em meu escritório, escondida sob vários papeis há uma foto sua, a única que eu ousei guardar, para se em algum momento eu achasse que corria o risco de esquecer qualquer pequeno detalhe seu ― revelou e sua mão deslizou por meus cabelos. ― Esquecer você seria perder minha identidade, Isabella,... seria apagar a melhor parte da minha vida, eu não podia fazer isso, não conseguiria, eu precisava me lembrar sempre. Mesmo quando me destruiu ainda continuou me mantendo forte.
Ergui meu corpo, apoiando-me em meus antebraços para poder alcançar seus lábios, beijando-o, segurando firme em seus ombros quando ele nos virou, sustentando seu peso sobre mim e senti seu corpo completamente nu sobre o meu. E quando o beijo se acabou ele afundou o rosto em meu pescoço, respirando em minha pele, abraçando-me, afastando-se depois de alguns minutos, apenas o bastante para me olhar, seus dedos mexendo na mecha de cabelo sobre meu rosto e apenas fechei os olhos, sentindo-o acariciar meu rosto.
― Deve estar cansada ― falou baixo e levemente balancei a cabeça.
― Não, eu não quero dormir.
― Por que? ― ele parecia confuso.
― Porque eu não quero que essa noite acabe ― respondi, abrindo os olhos para encarar aquele par de esmeraldas. ― Se eu dormir o final de semana terá acabado... e não sei porque mas sinto como se algo ruim fosse acontecer.
― Nada vai acontecer ― Edward afirmou e seus lábios se moldaram aos meus, em um beijo rápido.
― Confio em você, mas...
― Mas tudo ficara bem, não se preocupe ― ele sorriu e puxou-me para seu corpo.
Encostei a cabeça em seu peito e ouvi seu coração tão calmo, que em segundos eu adormeci sem nem conseguir ouvir o que Edward sussurrava para mim.
...
Acordei com um susto ao ouvir a campainha tocar, sentei-me na cama e vi Edward ainda dormindo profundamente, então me levantei procurando algo para vestir, pegando minha camisola lilás no closet, vestindo meu robe por cima, antes de sair do quarto, andando um pouco mais rápido pois a campainha tocava pela quarta vez. Ouvi a pessoa bater na porta, enquanto eu descia as escadas e estranhei tal ação, Alice não faria isso.
Parei em frente à porta e algo me disse para não abri-la, porém meu corpo estremeceu com outro toque da campainha e no impulso girei a chave, puxando a porta em seguida, deparando-me com os longos cabelos loiros da mulher parada ali de costas. Ela olhou por sobre o ombro e sua expressão foi da preocupação para a surpresa em questão de segundos, enquanto eu conseguia apenas admirar seus olhos verdes junto com a perfeição do seu rosto.
― Isabella?! ― ela parecia não acreditar ao me ver ali e dei um passo para trás, sentindo cada centímetro do meu corpo perder a força ao vê-la se virar, revelando o grande volume em sua barriga, sob vestido vermelho que ela usava.
Sentia toda a extensão da minha pele adormecida, meu coração estava lento, minha respiração calma e fui trazida para a realidade quando ouvi a voz dele.
― Tanya? ― vi Edward descer os últimos degraus da escada.
"Senti o peso da roupa que eu vestia e ao olhar para baixo vi a grande saia rodada do meu vestido de noiva.
― Isabella! ― a mulher loira de olhos claro exclamou e perguntei-me se eu já a conhecia, mas tinha certeza que não ― Esse nome vai entrar para a história, como a mulher que conseguiu o coração de Edward Cullen Masen.
― Essa é Tanya Denali ― ele falou sorrindo ao meu lado.
― Oi ― falei, cumprimentando-a.
― Oi ― ela sorriu. ― Olha, espero que vocês sejam muito felizes e que você pare de se atormentar com idiotices ― falou apontando para Edward, que balançou a cabeça, rindo e percebi que ele ficou um pouco desconfortável com a presença dela."
Voltei a olhar a loira a minha frente antes de me esforçar para sair dali, forçando minhas pernas a irem em direção à escada passando ao lado dele e não ousando olhar para trás, sem querer saber como ele a cumprimentaria, sem querer saber se ele iria abraçá-la, se a beijaria ou não.
Caminhei a passos rápidos encarando a cama bagunçada ao entrar no quarto, relembrando cada momento que passamos ali a apenas algumas horas atrás. Respirei fundo e peguei minhas roupas no closet, tirando o robe e a camisola, vestindo a primeira roupa que encontrei, logo em seguida indo até o quarto de hóspedes pegando minha mochila e tentando colocar tudo dentro, começando as socar as roupas quando não couberam. Eu precisaria dobrá-las, mas não tinha tempo, nem paciência para isso. Pressa, era a única coisa que eu sentia no momento, só queria sair dali o mais rápido possível... apenas isso.
― Isabella? ― ouvi a voz de Edward vindo da porta, mas não olhei, apenas continuei a empurrar as roupas para dentro da mochila apoiada sobre a cama ― Isabella, o que está fazendo?
Era como se meu corpo estivesse em transe, sem reação,... Meu sonho se tornará um pesadelo e de repente tudo que eu mais queria era acordar, algo impossível... Meu corpo estava dormente, eu estava anestesiada...
― Isabella ― ele voltou a me chamar ― Por favor, olha para mim ― sua mão segurou meu braço e eu o empurrei com toda minha força, finalmente algo surgindo em mim quando meu empurrão não teve nenhum efeito... ele nem saiu do lugar, então olhei em seus olhos, decifrando aquilo que tentava decifrar há dias, sentindo a raiva enfim borbulhar em mim.
Minhas mãos se fecharam em punhos e soquei seu peito, batendo com força em seu tórax, várias e várias vezes, as lágrimas caindo, gritos praticamente sem som saindo de minha boca... eu não tinha forças. Colocava toda minha energia em cada soco, mas não tinha efeito nenhum sobre Edward, porém eu continuei até não conseguir respirar mais e precisar me apoiar nele. Então senti suas mãos em meus ombros e fechei os olhos ao senti-las deslizando até minhas costas, enquanto eu ouvia seu coração um pouco acelerado, sem ritmo, e de repente senti minha pele sob seus dedos queimar, então o empurrei.
― Me deixe explicar ― ele pediu em um sussurro e peguei minha mochila, colocando-a sobre o ombro antes de voltar a olhar em seus olhos.
― Eu quero sair ― minha voz soou rouca, quase sem som e depois olhei para a porta atrás dele.
― Não estou te impedindo de sair, mas por favor me ouça por um minuto e então pode decidir se realmente quer ir.
― Mesmo que eu escute, mesmo se eu mudar de ideia... Se eu decidir ficar... vamos ficar até quando?! ― indaguei sentindo meus olhos cheios d'Água ― Que diferença faz? ― foi apenas um murmúrio, sem voz.
Ele ficou sem palavras e respirei fundo antes de passar por Edward, saindo do quarto.
― Isabella, mas podemos conversar, ― ouvi sua voz, enquanto eu caminhava pelo corredor ― deixe-me explicar... Isabella? ― senti o som de sua voz se aproximar e aumentei meus passos.
Vi a escada logo à frente enquanto ouvia meu nome ser chamado, mas eu não queria ouvir, eu não queria... não queria mais nada.
― Isabella, por favor? ― ele não desistia e segurei o corrimão de madeira com força, para descer o primeiro degrau ― Bella!! ― sua voz ecoou pela sala e meu corpo paralisou ao mesmo tempo em que meu coração disparou, enquanto uma lembrança invadia minha mente.
"― Posso te pedir uma coisa? Um último pedido? ― indaguei olhando em seus olhos, sentindo a anestesia começando a fazer efeito.
― Já disse que você pode me pedir até a lua e darei um jeito de trazê-la para você ― falou e sorri.
― É algo mais fácil ― informei, já sentindo minhas pálpebras pesarem.
― É só pedir.
― Me chama de “Bella” ― pedi e vi o momento em que ele apertou os lábios, contendo o desespero."
― Bella... Eu não sou o pai, o bebê não é meu filho ― revelou em um tom de voz aflito. ― Eu nunca mentiria...
― Você já mentiu! ― exclamei.
Então eu me virei para olha-lo, parado a menos de um metro de distância de mim e ousei encarar seus olhos verdes pela última vez, antes de pronunciar as únicas palavras que eu sabia que o fariam sentir, pelo menos, um pouco do que eu estava sentindo naquele momento.
― Edward, ― seu nome parecia me ferir ― por favor..., vai embora ― vi sua expressão se desmanchar e tive a certeza que tinha conseguido. ― Vá embora e dessa vez não volte mais ― pedi, logo depois descendo os degraus de madeira, deixando-o para trás.
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